segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 22

Desde que deixara a Universal Pictures, Rock Hudson tinha se tornado um ator livre das amarras daqueles velhos contratos da antiga Hollywood. Agora ele poderia escolher os próprios filmes que queria fazer. E nesse processo erros também eram cometidos. Um deles foi o filme de guerra "Ninho de Vespas". Quando leu o roteiro, Rock gostou da história. Uma aventura com muitos toques de heroísmo. Tudo se passando na Segunda Guerra Mundial. Bom, se o roteiro do filme era bom, a execução deixou a desejar. 

De volta ao Castelo, após as filmagens, Rock confessou suas impressões ao seu assistente pessoal Marc: "No roteiro parecia ser muito bom! Só que lá pela metade das filmagens eu já tinha consciência que o filme não iria funcionar. O diretor era ruim, o elenco basicamente formado por amadores. Esse filme vai ser um desastre!". Dito e feito. Lançado nos cinemas, logo saiu de cartaz por falta de público. A crítica caiu malhando o filme, destruindo as chances de ter alguma boa bilheteria. Ao fazer uma retrospectiva o próprio Rock assumiu uma certa dose de culpa: "Eu deveria ter me envolvido mais na produção. Deveria ter pedido a demissão do diretor. Eu poderia ter salvado esse filme... mas não deu! Lamento muito!". 

Outro erro foi "Garotas Lindas aos Montes". Esse filme foi feito com a insistência da MGM. Como Rock havia feito um bom trabalho por  lá com "Estação Polar Zebra" não houve como dizer não. Ele queria deixar as portas abertas na Metro caso surgissem novas oportunidades. Só que o filme era uma série de erros. A MGM queria repetir o sucesso das comédias românticas que Rock havia feito ao lado de Doris Day nos anos 50 e 60, só que com cenas mais picantes. E como o próprio título sugeria, com um elenco formado por gatinhas, de todos os tipos.

Rock odiou fazer o filme. Ele deu seu veredito sobre o filme: "Tudo muito ruim! Eu não me encaixei no papel e o tempo desse tipo de filme já passou. Não estamos mais nos anos 50. Aquilo era uma coisa da época, funcionou naquele tempo. Hoje não mais! Além disso não tinha Doris no elenco. As chances de dar certo eram mesmo poucas!". Com dois fracassos de bilheteria nas costas, Rock resolveu esfriar um pouco a cabeça. Fez viagens internacionais, conheceu a França e parte da Europa e depois decidiu fazer um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Rock gostou tanto da Europa que chegou até mesmo a fazer planos de ir morar em Paris, mas depois de alguns meses de descanso precisou retornar ao Castelo. Havia boas novas propostas de trabalho na mesa, que ele precisava avaliar. 

Pablo Aluísio. 

3 comentários:

  1. Nos tempos do vinil, havia uma maxima do.meio das gravadoras, dita pelos artistas; "não existe nada mais dependente que uma gravação independente".
    Eu tenho a impressão que isso vale também pra esses astros de grandes estudios. Depois saem do guarda chuvas deles, raramente fazem algo memorável, ou mesmo satisfatório artisticamente.
    Isso vale mesmo grandes nomes como Robert Redford com seu Sundane Instiutut, ou o Rober De Niro com a Tribeca.
    Ou estou enganado?

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  2. No Star System antigo dos grandes estúdios os atores apenas trabalhavam nos filmes determinados pelos produtores, sem direito de escolher. Era bom, porque o padrão de qualidade de certa forma era mantido, mas também era ruim, pois os atores não tinham liberdade de escolha.

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