terça-feira, 21 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Gary Cooper - Parte 6

Durante uma entrevista em um hotel de Beverly Hills durante os anos 40, Cooper baixou um pouco sua tela de proteção e foi bem sincero com a jornalista que o entrevistava, dizendo: "Eu sou grato todos os dias por ainda fazer filmes. Sabe, eu comecei nesse negócio há muitos anos, ainda no cinema mudo. Fico realmente surpreso de ainda ter estúdios que me contratem. É uma espécie de sorte grande que tirei em minha vida!". 

E Cooper poderia se dar mesmo por satisfeito, pois ao contrário de outros atores de Hollywood de sua época, sua carreira foi ficando cada vez mais rica e importante enquanto ele envelhecia. Naquela Hollywood, com muito preconceito e etarismo, era mesmo uma novidade. De muitas maneiras isso abriu as portas para atores mais velhos. Nesse aspecto Cooper foi mesmo um pioneiro. Para um ator, ser velho, não era mais motivo para ser descartado pelos produtores. 

Sua carreira ia muito bem, mas na vida pessoal o ator enfrentava problemas. Sua esposa de longa data, Veronica Balfe, estava firme em sua decisão de pedir o divórcio. Ciumenta, ela comprava todas as revistas de fofocas de Hollywood, muitas delas trazendo supostos casos de seu marido com atrizes e até mesmo bailarinas. Algumas histórias eram verdadeiras, mas a maioria delas não passavam de mexericos. Cooper negava tudo, mas sua esposa não acreditava nele. Tentando evitar o pior, o ator então propôs uma sepração temporária, até que as coisas se acalmassem. Ela acabou aceitando sua sugestão. Mudou-se para outra mansão em Beverly Hills, tudo sob custas do marido. 

E novas oportunidades foram surgindo no cinema. Cooper não queria fazer apenas um tipo de filme, mas passear pelos mais diversos gêneros cinematográficos. Por essa época ele estrelou filmes românticos, comédias, dramas e até mesmo um interessante filme de espionagem chamado "O Grande Segredo". Uma nova arma de grandes proporções havia surgido, a Bomba Atômica, e o roteiro do filme enfocava justamente esse novo cenário dos espiões internacionais, mas sem deixar de lado o aspecto romântico do protagonista. Dirigido pelo prestigiado Fritz Lang, acabou se tornando uma das produções preferidas do ator e uma espécie de inspiração para os filmes de James Bond que iriam surgir duas décadas depois. 

Pablo Aluísio. 

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