quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Mad Max 2

Mad Max 2
Mad Max 2 (Mad Max 2: The Road Warrior) foi lançado em 24 de dezembro de 1981 na Austrália (chegando a outros países em 1982), dirigido por George Miller e estrelado por Mel Gibson, com participações de Bruce Spence, Vernon Wells, Michael Preston e Kjell Nilsson. Situado em um futuro pós-apocalíptico marcado pela escassez de combustível e pelo colapso da civilização, o filme acompanha Max, um ex-policial solitário que vagueia pelas estradas desertas tentando sobreviver. O ponto de partida da narrativa surge quando ele encontra uma pequena comunidade que protege um valioso suprimento de gasolina, tornando-se alvo de uma violenta gangue liderada por um tirano carismático. A partir desse encontro, Max é gradualmente envolvido no conflito entre sobrevivência individual e responsabilidade coletiva, dando início a uma jornada de ação intensa e atmosfera desoladora, sem antecipar o destino final dos personagens.

No momento de seu lançamento internacional, Mad Max 2 recebeu uma aclamação crítica significativa, surpreendendo parte da imprensa que esperava apenas uma continuação de baixo orçamento. O The New York Times destacou a energia visual do filme e sua narrativa quase sem diálogos, observando que a obra funcionava como “uma perseguição cinematográfica contínua, conduzida com precisão extraordinária”. Já o Los Angeles Times elogiou a imaginação visual de George Miller e a construção de um universo convincente com recursos limitados, ressaltando que o diretor transformava ação física em linguagem cinematográfica pura.

A revista Variety descreveu o longa como “um espetáculo de ação feroz e inventivo”, apontando que sua coreografia de perseguições elevava o padrão do gênero. O The New Yorker observou que o filme possuía uma qualidade quase mítica, comparando Max a um cavaleiro solitário em um faroeste futurista. Embora a violência estilizada tenha causado alguma reserva entre críticos mais conservadores, o consenso geral foi claramente positivo, reconhecendo o filme como uma sequência superior ao original e um marco inovador do cinema de ação moderno.

No campo comercial, Mad Max 2 foi um grande sucesso internacional, especialmente considerando seu orçamento modesto de cerca de US$ 4,5 milhões. O filme arrecadou aproximadamente US$ 36 milhões apenas nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 100 milhões mundialmente em diferentes relançamentos e mercados. Esse desempenho transformou a produção australiana em fenômeno global, consolidando a carreira internacional de Mel Gibson e garantindo a continuidade da franquia. O sucesso também demonstrou que filmes de ação visualmente inventivos poderiam competir com grandes produções de Hollywood mesmo com recursos limitados.

Com o passar das décadas, Mad Max 2 tornou-se amplamente considerado um dos maiores filmes de ação já realizados. Sua influência estética pode ser vista em inúmeros filmes, videogames e obras de cultura pop que exploram cenários pós-apocalípticos e perseguições motorizadas. Críticos contemporâneos frequentemente destacam a clareza visual das sequências de ação, a narrativa minimalista e a construção de mundo extremamente eficiente. Hoje, o longa é visto não apenas como o ponto alto da trilogia original, mas como uma referência fundamental para o cinema de ação e aventura das décadas seguintes.

Mad Max 2 (Mad Max 2: The Road Warrior, Austrália, 1981) Direção: George Miller / Roteiro: Terry Hayes, George Miller e Brian Hannant / Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Vernon Wells, Michael Preston, Kjell Nilsson, Emil Minty / Sinopse: Em um deserto pós-apocalíptico dominado pela escassez de combustível, um guerreiro solitário envolve-se na defesa de uma comunidade sitiada por saqueadores violentos, enfrentando escolhas entre sobrevivência individual e solidariedade.

Erick Steve.

Máquina de Guerra

Título no Brasil: Máquina de Guerra
Título Original: War Machine
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Lionsgate
Direção: Patrick Hughes
Roteiro: Patrick Hughes, James Beaufort
Elenco: Alan Ritchson, Dennis Quaid, Stephan James, Jai Courtney, Esai Morales, Keiynan Lonsdale

Sinopse:
O filme acompanha um grupo de soldados que participa de um intenso programa de treinamento das forças especiais do Exército dos Estados Unidos. Entre eles está o misterioso e experiente soldado conhecido apenas como “81”, um militar marcado por traumas do passado e reconhecido por suas habilidades em combate. Durante o exercício final do treinamento, o que deveria ser apenas uma simulação militar se transforma em uma verdadeira batalha pela sobrevivência. Uma poderosa máquina de origem desconhecida — aparentemente ligada a uma força alienígena — surge no campo de treinamento e começa a atacar os soldados. Isolados, mal equipados e enfrentando um inimigo tecnologicamente superior, os militares precisam improvisar estratégias para sobreviver e impedir que a ameaça se espalhe para o resto do planeta.

Comentários:
O filme foi lançado em 2026, chegando primeiro aos cinemas na Austrália antes de estrear mundialmente no catálogo da Netflix em 6 de março do mesmo ano. A produção mistura ação militar com ficção científica, algo que chamou atenção da crítica especializada. Alguns veículos elogiaram o ritmo acelerado, as cenas de combate e o carisma de Alan Ritchson, enquanto outros apontaram que o roteiro segue fórmulas tradicionais do gênero. No site Rotten Tomatoes, o longa estreou com cerca de 70% de aprovação, indicando uma recepção geralmente positiva entre críticos. Entre o público, Máquina de Guerra teve um desempenho impressionante logo após sua estreia no streaming, acumulando cerca de 39 milhões de visualizações em apenas três dias e liderando o ranking de filmes mais assistidos da Netflix em vários países. O sucesso imediato levantou discussões sobre a possibilidade de uma sequência e consolidou o longa como um dos grandes lançamentos de ação da plataforma em 2026. O filme é visto como um típico blockbuster do streaming — um espetáculo de ação e ficção científica feito para o grande público — e um projeto que pode dar origem a uma nova franquia dentro do catálogo da Netflix. 

Erick Steve. 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Invocação do Mal 4

Invocação do Mal 4
O filme Invocação do Mal 4 (The Conjuring: Last Rites) teve seu lançamento comercial em 2025, marcando o encerramento da saga principal do universo criado por James Wan, embora a direção tenha ficado a cargo de Michael Chaves, responsável também pelo terceiro capítulo. O elenco traz o retorno de Patrick Wilson e Vera Farmiga como Ed e Lorraine Warren, acompanhados por Ruairi O’Connor, Mia Tomlinson, Ben Hardy e Shannon Kook. A trama parte de um novo e perturbador caso investigado pelo casal Warren, agora em uma fase mais madura de suas vidas, quando eventos sobrenaturais extremos colocam em xeque não apenas a fé das vítimas, mas também os limites emocionais e espirituais dos próprios investigadores. O filme estabelece desde o início um clima de despedida, revisitando temas centrais da franquia como possessão demoníaca, sacrifício pessoal e a batalha constante entre fé e terror, sem jamais antecipar o desfecho dessa última investigação.

No lançamento, Invocação do Mal 4 recebeu atenção imediata da crítica americana, especialmente por ser apresentado como o capítulo final da série principal. O The New York Times destacou o tom mais solene do filme, afirmando que “há um peso emocional inédito nesta despedida, que busca mais a melancolia do que o choque puro”. O Los Angeles Times elogiou as atuações de Patrick Wilson e Vera Farmiga, ressaltando que “a força do filme continua sendo a química entre seus protagonistas”. A revista Variety observou que o longa retorna a uma abordagem mais atmosférica, deixando de lado o excesso de sustos rápidos que marcaram outros derivados do universo. Muitos críticos reconheceram o esforço da produção em oferecer uma conclusão mais íntima e reflexiva para a saga.

Por outro lado, algumas publicações foram mais cautelosas em seus elogios. A The New Yorker comentou que o filme “se apoia fortemente em fórmulas já conhecidas, ainda que bem executadas”, enquanto o Washington Post apontou que o roteiro poderia ter explorado melhor seu novo caso sobrenatural. Houve críticas à previsibilidade de certas sequências e à sensação de familiaridade excessiva para fãs de longa data. Ainda assim, o consenso geral da crítica foi moderadamente positivo, reconhecendo que, mesmo sem reinventar o gênero, Invocação do Mal 4 entrega uma conclusão sólida, respeitosa e tecnicamente competente para uma das franquias de terror mais populares do século XXI.

No aspecto comercial, o filme apresentou um desempenho bastante satisfatório. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 40 milhões, Invocação do Mal 4 arrecadou aproximadamente US$ 115 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa teve forte apelo, especialmente na América Latina e na Europa, elevando sua arrecadação mundial para algo em torno de US$ 260 milhões. Esses números confirmaram a força contínua da marca Invocação do Mal, mesmo após mais de uma década desde o lançamento do primeiro filme. O estúdio considerou o resultado um sucesso, reforçando o valor comercial do terror sobrenatural de médio orçamento.

Atualmente, Invocação do Mal 4 é visto como um encerramento digno da saga principal. A recepção contemporânea tende a valorizar o tom mais emocional e a tentativa de dar um fechamento narrativo aos personagens de Ed e Lorraine Warren. Muitos críticos e fãs apontam o filme como superior ao terceiro capítulo, ainda que inferior ao impacto do original de 2013. Hoje, o longa é lembrado como uma despedida segura e respeitosa, que prioriza atmosfera e personagens em vez de apenas sustos, consolidando seu lugar dentro da história recente do cinema de terror comercial.

Invocação do Mal 4 (The Conjuring: Last Rites, Estados Unidos, 2025) Direção: Michael Chaves / Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick e James Wan (baseado em personagens criados por Chad Hayes e Carey W. Hayes) / Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ruairi O’Connor, Mia Tomlinson, Ben Hardy, Shannon Kook / Sinopse: Ed e Lorraine Warren enfrentam um novo e perigoso caso sobrenatural que desafia suas crenças e limites pessoais, colocando-os diante de forças malignas que testam sua fé e sua união como nunca antes.

Erick Steve. 

O Telefone Preto

O Telefone Preto
O filme O Telefone Preto (The Black Phone) foi lançado nos Estados Unidos em 24 de junho de 2022, com direção de Scott Derrickson, conhecido por seu trabalho no terror contemporâneo, e produção da Blumhouse. O elenco principal é liderado por Mason Thames, em sua estreia como protagonista, ao lado de Madeleine McGraw, Jeremy Davies e Ethan Hawke, que interpreta um dos vilões mais perturbadores do cinema recente. Ambientado na década de 1970, o filme acompanha um garoto tímido que vive em um bairro marcado por violência e medo, até ser sequestrado por um assassino em série conhecido apenas como “O Pegador”. Preso em um porão à prova de som, o menino encontra um telefone desconectado que, misteriosamente, começa a tocar. A partir desse ponto inicial, a narrativa constrói uma atmosfera de terror psicológico baseada em isolamento, trauma infantil e forças sobrenaturais, sem jamais revelar o destino final dos personagens.

Quando foi lançado, O Telefone Preto recebeu uma reação amplamente positiva da crítica americana, sendo elogiado por sua abordagem atmosférica e contida do terror. O The New York Times descreveu o filme como “um exercício de medo eficaz que se apoia mais na sugestão do que no choque explícito”. O Los Angeles Times destacou a atuação de Ethan Hawke, afirmando que o ator “cria um vilão aterrador mesmo quando permanece parcialmente oculto”. A revista Variety ressaltou que o filme se destacava dentro do catálogo da Blumhouse por seu cuidado narrativo e emocional, apontando que o terror estava profundamente ligado à experiência do crescimento e da vulnerabilidade infantil.

O The Washington Post elogiou o equilíbrio entre horror sobrenatural e drama humano, observando que o filme “usa o medo como metáfora para a perda da inocência”. Já a The New Yorker destacou que o longa se beneficiava da ambientação nos anos 1970, criando uma sensação constante de perigo cotidiano. Embora alguns críticos tenham apontado que o ritmo do terceiro ato poderia ser mais ousado, o consenso geral foi claramente positivo. A maioria das análises reconheceu O Telefone Preto como um retorno de Scott Derrickson ao terror mais pessoal e atmosférico, afastando-se do excesso de sustos fáceis e apostando em tensão psicológica duradoura.

No aspecto comercial, O Telefone Preto foi um grande sucesso. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 18 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 89 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa somou mais de US$ 72 milhões, alcançando uma arrecadação mundial próxima de US$ 161 milhões. Esses números representaram um excelente retorno financeiro, consolidando o filme como um dos maiores sucessos da Blumhouse em 2022. O desempenho expressivo reforçou o apelo do terror de médio orçamento e abriu caminho imediato para o desenvolvimento de uma continuação.

Atualmente, O Telefone Preto é considerado um dos filmes de terror mais bem avaliados da década de 2020. A obra passou a ser frequentemente citada em listas de melhores filmes de terror recentes, especialmente por sua combinação de atmosfera opressiva, personagens bem construídos e temática emocionalmente pesada. A atuação de Ethan Hawke é vista hoje como uma de suas performances mais inquietantes, enquanto Mason Thames e Madeleine McGraw receberam elogios pela naturalidade e intensidade emocional. Com o passar do tempo, o filme consolidou sua reputação como um exemplo de terror eficaz que vai além do susto imediato, focando em medo psicológico e trauma infantil.

O Telefone Preto (The Black Phone, Estados Unidos, 2022) Direção: Scott Derrickson / Roteiro: Scott Derrickson e C. Robert Cargill (baseado no conto de Joe Hill) / Elenco: Mason Thames, Ethan Hawke, Madeleine McGraw, Jeremy Davies, Miguel Cazarez Mora, James Ransone / Sinopse: Um garoto sequestrado por um assassino em série descobre que um telefone aparentemente desligado pode conectá-lo a vozes do passado, oferecendo uma chance de sobrevivência em meio ao isolamento e ao terror.

Erick Steve. 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Sol Vermelho

Sol Vermelho
Dois ladrões de trens, Link Stuart (Charles Bronson) e Gotch 'Gauche' Kink (Alain Delon), lideram um grupo de bandidos formado por mais de 30 pistoleiros que planejam roubar uma pequena fortuna de 400 mil dólares que está sendo levada para a capital dos Estados Unidos. O carregamento conta com a proteção de um pequeno grupamento do exército americano, mas esse se mostra pouco eficiente no combate à ação dos criminosos que logo conseguem parar o trem e se apoderar da preciosa carga. Na mesma locomotiva viajam o embaixador do Japão, que está sendo protegido por dois samurais tradicionais, da velha guarda.

A presença dos criminosos americanos logo se torna perigosa, pois o diplomata japonês carrega um precioso presente do imperador do Japão para o presidente dos EUA, uma espada samurai banhada em ouro. O precioso artefato logo chama a atenção de Gauche (Delon) que nem pensa duas vezes antes de se apoderar do objeto. Após matar um dos samurais. ele pega a espada de ouro para si. Afinal, ele é um ladrão! E como se isso não fosse o bastante resolve também trair seu comparsa Link (Bronson), jogando uma banana de dinamite em sua direção, tudo para ficar com todo o dinheiro e o ouro apenas para si e seus capangas. Agora, para reaver a espada e vingar a morte do samurai, uma estranha e improvável parceria é feita entre Link e o samurai Kuroda Jubie (Toshirô Mifune). Juntos eles partem em busca de Gauche e seu bando pelo oeste afora.

"Sol Vermelho" é uma produção entre França, Espanha e Itália, que novamente em clima de western spaguetti, resolveu transpor para as telas a curiosa fusão entre filmes de faroeste e de artes marciais. A premissa sem dúvida é das mais interessantes pois não é sempre que se vê em pleno velho oeste um samurai devidamente trajado, usando sua tradicional espada e seu código de honra no meio de um bando de pistoleiros e cowboys americanos.

O cineasta inglês Terence Young rodou os três primeiros filmes da franquia de James Bond e talvez por essa razão, tenha aqui em "Sol Vermelho", priorizado as cenas de ação e combate. Um roteiro que colocasse em cena um pistoleiro americano e um samurai japonês poderia render bem mais se a direção aproveitasse a inusitada situação para explorar as diferenças culturais entre eles, mas essa não pareceu ser em nenhum momento a intenção do diretor, que realmente focou sua atenção nas cenas de tiroteios e lutas corporais. No final, o que temos aqui, é um filme eficiente, bem movimentado mas também muito convencional, bem ao estilo do cinema mais comercial da época. De uma forma ou outra não há como não recomendar a produção principalmente pela presença do ótimo elenco, que repito, poderia ter sido melhor aproveitado, mas que mesmo assim não decepciona completamente.

Sol Vermelho (Red Sun, Soleil Rouge, França, Itália, Espanha, 1971) Direção: Terence Young / Roteiro: Laird Koenig, Denne Bart Petitclerc / Elenco: Charles Bronson, Toshirô Mifune, Alain Delon, Ursula Andress, Guido Lollobrigida / Sinopse: Após um assalto a um trem, um dupla formada por um pistoleiro americano (Bronson) e um samurai japonês (Mifune) sai em busca do criminoso (Delon) responsável pelo roubo.

Pablo Aluísio.

Santa Fé

Santa Fé
Após o fim da guerra entre o exército confederado e o exército da União, durante a guerra civil americana, um grupo de irmãos, ex-soldados da confederação, vagam pelo oeste em busca de trabalho e oportunidade. O conflito acabou, mas as rivalidades ainda permanecem vivas. Chegando em um pequena cidade do interior, o grupo acaba encontrando dois soldados ianques em um saloon. Após algumas trocas de farpas entre eles, o clima fica pesado e em legítima defesa um dos irmãos mata um dos militares. Imediatamente fogem da cidade, mas são perseguidos pelo xerife local. Encurralados, não encontram outra saída a não ser entrar no primeiro trem que encontram pela frente. A locomotiva está levando homens para trabalhar na ferrovia de Santa Fé que procura ligar as costas do Atlântico ao Pacífico dos Estados Unidos. O gerente da construção é um ex-oficial ianque, o que logo desperta as antipatias dos irmãos Canfields, menos do mais velho, Britt Canfield (Randolph Scott), que decide entrar para a ferrovia, virando uma espécie de gerente de obras. Os seus irmãos porém não entram na empresa e o pior de tudo, planejam um grande assalto contra ela quando o dinheiro dos trabalhadores chegar na construção no dia de seus pagamentos. O destino, como se pode perceber, colocará irmão contra irmão numa situação mais do que delicada.

Esse é a premissa inicial desse western "Santa Fé", mais um bom momento da filmografia do ator Randolph Scott. Aqui ele surge não apenas como ator, mas também como produtor da fita que foi realizada pela Columbia Pictures. O enredo explora a expansão rumo ao velho oeste, com a construção das estradas de ferro. Essa inovação tecnológica foi a grande responsável pelo avanço da nação americana uma vez que constituiu uma grande revolução nos meios de transporte dos Estados Unidos, a um custo relativamente baixo, com ótimos resultados comerciais aliada a muita eficiência.

Quem assistiu a série da AMC "Hell on Wheels" vai notar inúmeras semelhanças entre essa película e o enredo do seriado. Basta perceber que o tema é concentrado na construção da estrada de ferro rumo ao oeste selvagem. O gerente de obras é um ex-confederado. Até mesmo o responsável pela segurança do acampamento dos trabalhadores é um sueco! Ao meu ver são semelhanças demais para ignorar. E tanto lá como aqui temos um caso amoroso envolvendo o ex-confederado e uma bonita mulher, responsável pela administração das obras. Enfim, temos roteiros quase iguais. Fica por demais óbvio que, ou o roteiro desse western clássico ou então o texto original escrito pelo autor inglês James Vance Marshall, serviram de inspiração para a nova série. De uma maneira ou outra, fica aqui mais uma dica, "Santa Fé", um faroeste com o sabor das antigas matinês. Mais um bom western estrelado por Randolph Scott.

Santa Fé (Santa Fe, Estados Unidos, 1951) Direção: Irving Pichel / Roteiro: Kenneth Gamet baseado no livro de James Vance Marshall / Elenco: Randolph Scott, Janis Carter, Jerome Courtland / Sinopse: Um ex-soldado confederado chamado Britt Canfield (Randolph Scott) vai trabalhar na ferrovia de Santa Fé ao mesmo tempo em que seus irmãos planejam um grande assalto na empresa. A situação colocará ambos em lados opostos da lei.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O Pagador de Promessas

Título no Brasil: O Pagador de Promessas
Título Original: O Pagador de Promessas
Ano de Produção: 1962
País: Brasil
Estúdio: Cinedistri
Direção: Anselmo Duarte
Roteiro: Anselmo Duarte, Dias Gomes
Elenco: Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Norma Bengell, Othon Bastos, Roberto Ferreira

Sinopse:
Após ter uma graça alcançada, o humilde e sincero Zé do Burro (Leonardo Villar) parte para cumprir sua promessa. Ela havia prometido levar uma grande cruz pesada de madeira para o altar da Igreja, mas seus planos são interrompidos por um padre insensível que o impede de cumprir sua promessa religiosa. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro. Vencedor da Palma de Ouro no Cannes Film Festival.

Comentários:
Ontem tivemos a triste notícia da morte do ator Leonardo Villar. Ele protagonizou esse que muito provavelmente foi o filme mais importante da história do cinema brasileiro. Estou me referindo obviamente ao clássico "O Pagador de Promessas". Foi o único filme da história do nosso cinema nacional que venceu a Palma de Ouro em Cannes. Um feito extraordinário. E a força dessa obra de arte veio não apenas de seu maravilhoso texto original, escrito pelo talentoso e genial Dias Gomes, como também pelo ótima direção do subestimado Anselmo Duarte e do elenco, com especial reverência ao próprio Leonardo Villar que teve aqui o papel de sua vida, o personagem que definiu toda a sua carreira artística. Ser consagrado em Cannes foi mera consequência de um trabalho brilhante por parte de todos os envolvidos. Além disso trouxe de volta para o centro da discussão a delicada questão sobre a dualidade entre um catolicismo popular, sincero, de muita fé, em contraponto a um catolicismo oficial, burocrático e muitas vezes insensível. Enfim, uma obra de arte cinematográfica pela qual todos os brasileiros devem ter o maior orgulho. Um momento ímpar da história de nossa arte visual. O auge da cinematografia brasileira.

Pablo Aluísio.

Carlitos Bombeiro

Título no Brasil: Carlitos Bombeiro
Título Original: The Fireman
Ano de Produção: 1916
País: Estados Unidos
Estúdio: Mutual Film
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin, Vincent Bryan
Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance, Lloyd Bacon, Eric Campbell, Leo White, James T. Kelley

Sinopse:
Carlitos (Charles Chaplin) arranja um novo emprego no corpo de bombeiros da cidade. Tudo começa bem calmo, mas logo se transforma em caos quando ele e seus companheiros precisam apagar um grande incêndio em uma casa. E quem poderia imaginar que ele iria encontrar o grande amor de sua vida nessa tragédia?

Comentários:
Depois do sucesso de seus primeiros filmes Chaplin finalmente pôde colocar em prática suas ideias de humor físico mais bem elaborado. Agora ele pedia ao estúdio não apenas um grande elenco de apoio, com coadjuvantes e extras, etc, mas também cenários muito bem elaborados. Para esse filme Chaplin pediu duas casas para incendiar, além de acesso sem restrições ao quartel do corpo de bombeiros de Los Angeles, dois pedidos que foram aceitos, não sem grande sacríficio. Os bombeiros adoravam Chaplin e não se recusaram a aparecerem no filme. Até porque foi necessário mesmo a presença deles por causa das casas pegando fogo - e de verdade! O filme é muito divertido, como era de se esperar. Com 24 minutos de duração, o que hoje em dia seria considerado um curta-metragem, foi também um dos últimos filmes de Chaplin em que ele investiu basicamente no humor físico, sem desenvolver muito os personagens, algo que em breve iria acontecer.

Pablo Aluísio.

domingo, 18 de outubro de 2026

Cinema News - Edição XX

O Fim da Warner Bros
Como foi amplamente divulgado o estúdio da Warner Bros finalmente foi vendido para a Paramount. Uma transação que valeu bilhões de dólares. Com essa aquisição a própria Paramount tambem deixou de existir. Os executivos agora resolveram criar uma empresa nova, a Skydance. Os famosos nomes e logotipos da Warner e da Paramount até podem ser usados daqui em frente, mas apenas como selos para determinados tipos de filmes, não mais como empresas próprias. 

Eu sei que o mundo corporativo tem sua própria lógica, mas não deixo de lamentar o fim da Warner Bros e da Paramount. Esses foram estúdios centenários que marcaram a história de Hollywood. Ao deixar de existir, essas companhias cinematográficas demarcam o fim de uma era, uma era de ouro do cinema americano. Essa nova empresa Skydance nasce sem personalidade, sem alma. O próprio nome é péssimo, mais parecendo o nome de alguma academia de ginástica genérica, como tantas que encontramos por aí nas grandes cidades. 

A Warner e a Paramount se tornam assim as últimas gigantes da história do cinema americano a fecharem suas portas. Eu me lembro que no começo dos anos 80 a United Artists encontrou seu fim, indo à falência. O estúdio que havia sido criado por Chaplin e um grupo de artistas independentes teve sua era de ouro, com grandes sucessos, mas depois do afastamento e da morte de Chaplin e outros fundadores pioneiros, a empresa perdeu o rumo. Foi engolida pela lógica de lucros acima de tudo. 

Depois foi a vez da Columbia Pictures que foi comprada pela japonesa Sony, bem na época em que o Japão vivia seu auge de prosperidade econômica. A Universal também perderia sua existência independente pouco tempo depois sendo incorporada por um gigante de mídia dos Estados Unidos. Com a queda da Warner e o fechamento da Paramount, tal como a conhecemos, se fecham as portas das últimas gigantes pioneiras que ainda estavam de pé. É de se lamentar mesmo. Tanto Warner como Paramount tinham uma tradição mais do que centenária. O fim dessas empresas também marca o fim do auge de Hollywood. A arte sendo devorada pelos barões corporativos. Uma enorme perda para o mundo cinematográfico. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 17 de outubro de 2026

Elvis Presley - Girls, Girls, Girls - Parte 5

Eu tenho plena consciência de que esse não é um dos melhores álbuns da carreira de Elvis Presley. Nem se considerarmos apenas sua discografia dos anos 60. Muitos inclusive consideram o trabalho como se fosse um genérico de "Blue Hawaii". Eu não chegaria a tanto. Acredito que entre o material há realmente boas canções envolvidas. Sim, admito que nenhuma delas é excepcional ou que Elvis tivesse qualquer preferência por qualquer uma delas. 

Só que como fã de Elvis sei bem que ele conseguia colocar seu talento em cada nota musical. Assim até mesmo aquelas músicas que só funcionavam dentro do contexto do filme ainda conseguem se sobressair em relação ao material de outros artistas da época. Afinal Elvis só existia um, então qualquer canção que fosse interpretada por ele ganhava seu toque de qualidade pessoal. 

E começo destacando justamente a canção título do filme, "Girls, Girls, Girls". Aqui o que se sobressai mesmo é o arranjo, principalmente no excelente solo de sax, algo que era até bem raro dentro da discografia de Elvis. Tanto espaço dado a esse instrumento só havia ouvido mesmo antes nas faixas "Reconsider Baby" e "Like a Baby", lá no finalzinho do lado B do álbum "Elvis is Back!". Aqui os aplausos vão para o saxofonista Boots Randolph, excelente músico de estúdio. 

A outra faixa sempre lembrada desse disco é o hit "Return to Sender" que inclusive foi lançada como single. Isso aconteceu nas vésperas da Beatlemania, o que significava que dali para frente Elvis iria enfrentar muitos problemas para chegar nas primeiras posições das paradas. A concorrência iria mesmo ficar muito pesada. De qualquer forma isso ainda iria acontecer em um futuro, ainda que próximo. A música tem uma letra interessante, não muito longe do pop médio da época, mas que fica grudada na mente do ouvinte. Eu gosto da canção, mas confesso que se ouvida muitas vezes ela fica mesmo um pouco enjoativa. 

Pablo Aluísio.