Mostrando postagens com marcador Elvis Presley. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Elvis Presley. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de abril de 2026

Elvis Presley - Elvis Today

Elvis Today
Lançado em 7 de maio de 1975, Elvis Today representa um dos momentos mais interessantes e, ao mesmo tempo, subestimados da fase final da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios da RCA em Hollywood, o álbum surgiu em um período em que Elvis enfrentava desafios pessoais e profissionais, mas ainda demonstrava grande capacidade interpretativa. Diferente de muitos de seus trabalhos da década de 1960, fortemente ligados ao cinema, Elvis Today apresenta um repertório mais contemporâneo para a época, com influências do country, pop e soft rock. O disco inclui regravações de sucessos recentes e canções de compositores modernos, mostrando um Elvis tentando se reconectar com as tendências musicais dos anos 1970. Embora não tenha causado um impacto revolucionário no cenário musical, o álbum foi importante por evidenciar o esforço do artista em permanecer relevante em um mercado em transformação, dominado por novos estilos e nomes emergentes.

A recepção crítica ao álbum foi relativamente positiva, especialmente no que diz respeito à performance vocal de Elvis. A revista Billboard destacou que o cantor “mostra-se em boa forma vocal, trazendo interpretações sólidas e emocionalmente envolventes”, elogiando particularmente sua capacidade de adaptar músicas contemporâneas ao seu estilo. Já a Variety comentou que o disco “apresenta um Elvis mais maduro, com escolhas musicais que refletem as tendências do momento”, embora tenha observado que o álbum carecia de material verdadeiramente marcante. No Reino Unido, a NME (New Musical Express) teve uma visão mais crítica, sugerindo que Elvis parecia “seguir tendências ao invés de ditá-las”, o que contrastava com seu papel inovador no início da carreira. Ainda assim, houve reconhecimento geral de que sua presença vocal continuava sendo um dos grandes atrativos do álbum.

A imprensa mais ampla também contribuiu para o debate em torno do disco. O The New York Times observou que Elvis “continua sendo um intérprete de grande sensibilidade, capaz de dar nova vida a canções contemporâneas”, embora tenha apontado que o material não era sempre à altura de seu talento. O Los Angeles Times destacou a consistência do álbum, afirmando que ele “oferece um retrato honesto de um artista veterano navegando em um novo cenário musical”. Já a The New Yorker adotou um tom mais analítico, sugerindo que “Elvis parece dividido entre sua identidade clássica e a necessidade de se adaptar às mudanças da indústria”. Essas avaliações mostram que, embora não tenha sido unanimemente celebrado, Elvis Today foi visto como um trabalho digno, especialmente considerando o contexto da carreira do artista naquele momento.

No aspecto comercial, Elvis Today teve um desempenho sólido, ainda que não espetacular quando comparado aos maiores sucessos da carreira de Elvis. O álbum alcançou boas posições nas paradas, chegando ao Top 10 da Billboard Country Albums e ao Top 60 da Billboard 200. Nos Estados Unidos, vendeu bem o suficiente para garantir certificações de ouro, refletindo a base fiel de fãs que Elvis ainda mantinha na década de 1970. Internacionalmente, o disco também teve uma recepção razoável, embora sem o impacto global de seus trabalhos anteriores. Singles como “T-R-O-U-B-L-E” ajudaram a promover o álbum e demonstraram que Elvis ainda podia alcançar o público com material mais animado. Mesmo não sendo um fenômeno comercial, o álbum confirmou que ele continuava relevante no mercado fonográfico.

Com o passar dos anos, o legado de Elvis Today foi sendo reavaliado de forma mais positiva por críticos e fãs. Hoje, o álbum é frequentemente citado como um dos melhores trabalhos de estúdio de Elvis na década de 1970, especialmente por sua consistência e pela qualidade de suas interpretações. Especialistas destacam que o disco captura um momento em que Elvis, apesar das dificuldades pessoais, ainda conseguia produzir música de alto nível. Para os fãs, ele representa uma fase mais madura e introspectiva do artista, com interpretações carregadas de emoção e autenticidade. Embora não seja tão icônico quanto seus álbuns clássicos dos anos 1950 e início dos 1960, Elvis Today permanece como um testemunho da resiliência artística de Elvis Presley e de sua capacidade de se reinventar, mesmo em circunstâncias adversas.

Elvis Presley - Elvis Today (1975)
T-R-O-U-B-L-E
And I Love You So
Susan When She Tried
Woman Without Love
Shake a Hand
Pieces of My Life
Fairytale
I Can Help
Bringin’ It Back
Green, Green Grass of Home

Erick Steve. 

sábado, 18 de abril de 2026

Elvis Presley - Blue Hawaii

Elvis Presley - Blue Hawaii
Lançado em 1º de outubro de 1961, Blue Hawaii marcou um momento decisivo na carreira de Elvis Presley, consolidando sua transição para uma fase fortemente ligada ao cinema e ao entretenimento de massa. Servindo como trilha sonora do filme homônimo, o álbum rapidamente se tornou um dos maiores sucessos comerciais de sua trajetória, refletindo uma mudança significativa em seu estilo musical. Diferente do rock mais cru e inovador que havia caracterizado seus primeiros anos, aqui Elvis abraça um som mais leve, com forte influência de baladas românticas e elementos havaianos, alinhados ao clima exótico e escapista do filme. O impacto do disco na época foi enorme, não apenas pelo seu sucesso de vendas, mas também por estabelecer um modelo de trilhas sonoras como produtos centrais da indústria fonográfica. Embora alguns críticos tenham visto essa fase como menos ousada artisticamente, não há dúvida de que Blue Hawaii ajudou a manter Elvis no topo da cultura popular em um período de rápidas transformações musicais no início dos anos 1960.

A recepção crítica ao álbum foi, em grande parte, positiva do ponto de vista comercial, mas acompanhada de ressalvas quanto ao conteúdo artístico. A revista Billboard destacou o forte apelo popular do disco, observando que “as melodias são acessíveis e perfeitamente adaptadas ao público que acompanha Elvis no cinema”, ressaltando também a qualidade da produção e o potencial de vendas. Já a Variety comentou que o álbum “cumpre seu papel como trilha sonora, reforçando a imagem carismática de Elvis, embora não traga grandes inovações musicais”. No Reino Unido, a NME (New Musical Express) reconheceu o talento vocal do artista, mas apontou que o material era claramente voltado para o entretenimento leve, distante do impacto revolucionário que Elvis tivera no final dos anos 1950. Ainda assim, o consenso geral era de que o álbum funcionava perfeitamente dentro de seu propósito comercial.

A crítica de veículos mais generalistas também trouxe análises interessantes sobre o disco. O The New York Times observou que Elvis “continua sendo uma figura magnética, capaz de transformar canções simples em momentos memoráveis”, embora tenha sugerido que o repertório carecia de maior profundidade. O Los Angeles Times elogiou o apelo cinematográfico do álbum, destacando como as músicas contribuíam para a atmosfera do filme e ampliavam sua experiência junto ao público. Já a The New Yorker foi um pouco mais crítica, afirmando que “o talento de Presley é inegável, mas o material oferecido a ele parece limitado e excessivamente formulaico”. Apesar dessas observações, a maioria das análises reconhecia que Elvis ainda possuía um enorme carisma e uma capacidade única de comunicação com o público, o que compensava eventuais limitações artísticas do projeto.

No campo comercial, Blue Hawaii foi um fenômeno absoluto. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada Billboard 200, onde permaneceu por impressionantes 20 semanas, tornando-se um dos maiores sucessos da década. Nos Estados Unidos, vendeu milhões de cópias e recebeu certificações multiplatina ao longo dos anos, enquanto no mercado internacional também obteve desempenho expressivo. O single “Can’t Help Falling in Love” tornou-se um dos maiores sucessos da carreira de Elvis, alcançando posições elevadas nas paradas e consolidando-se como um clássico atemporal. O disco também demonstrou a eficácia da estratégia de lançar trilhas sonoras como produtos independentes de grande alcance, reforçando o domínio de Elvis tanto no cinema quanto na música. Em termos financeiros e de popularidade, poucos álbuns de sua carreira alcançaram resultados tão expressivos quanto Blue Hawaii.

Com o passar do tempo, o legado de Blue Hawaii foi sendo reavaliado por críticos e fãs. Embora não seja considerado um de seus trabalhos mais inovadores, o álbum é frequentemente visto como um retrato fiel de uma fase específica da carreira de Elvis Presley, marcada pelo enorme apelo popular e pela integração entre música e cinema. Especialistas reconhecem que, apesar de sua abordagem mais comercial, o disco contém momentos icônicos e canções que resistiram ao teste do tempo, especialmente “Can’t Help Falling in Love”. Para os fãs, o álbum continua sendo uma obra querida, associada a um período de grande sucesso e visibilidade do artista. Hoje, Blue Hawaii é lembrado tanto por seu impacto comercial quanto por seu papel na construção do mito de Elvis como um dos maiores ícones da cultura pop do século XX.

Elvis Presley - Blue Hawaii (1961)
Blue Hawaii
Almost Always True
Aloha Oe
No More
Can’t Help Falling in Love
Rock-A-Hula Baby
Moonlight Swim
Ku-U-I-Po
Ito Eats
Slicin’ Sand
Hawaiian Sunset
Beach Boy Blues
Island of Love
Hawaiian Wedding Song

Erick Steve. 

sábado, 11 de abril de 2026

Elvis Presley - Elvis' Golden Records

Elvis Presley - Elvis' Golden Records
Esse álbum é uma coletânea fundfamental na carreira de Elvis Presley, reunindo alguns dos maiores sucessos do artista na década de 1950. Diferente de um álbum de estúdio convencional, este disco compila singles lançados anteriormente, muitos deles gravados antes do período em que Elvis serviu ao exército dos Estados Unidos. O álbum surgiu em um momento estratégico, mantendo a presença do cantor no mercado musical mesmo durante sua ausência temporária. Com faixas icônicas como “Hound Dog”, “Heartbreak Hotel” e “Don’t Be Cruel”, o disco captura o auge do impacto inicial de Elvis no cenário do rock and roll. Essas músicas ajudaram a redefinir a música popular americana, introduzindo uma energia e um estilo vocal que influenciariam gerações futuras. A coletânea também destaca a versatilidade do artista, alternando entre rock explosivo e baladas emocionais. Na época de seu lançamento, Elvis já era conhecido como o “Rei do Rock”, e este álbum serviu como um lembrete poderoso de sua influência. Além disso, o disco consolidou a importância dos singles como forma dominante de consumo musical nos anos 1950. Dessa forma, “Elvis’ Golden Records” não apenas reuniu grandes sucessos, mas também reforçou o legado de Elvis como pioneiro do rock.

A recepção crítica ao álbum foi amplamente positiva, especialmente por reunir canções que já haviam se provado extremamente populares. A revista Billboard destacou o disco como uma coletânea essencial, observando que “cada faixa representa um momento de grande sucesso comercial e impacto cultural”. A publicação ressaltou que o álbum tinha forte apelo tanto para fãs antigos quanto para novos ouvintes. A revista Variety também elogiou o lançamento, afirmando que a coletânea era “uma vitrine poderosa do domínio de Elvis sobre o mercado musical da década”. Já o jornal musical britânico NME destacou que o álbum reunia algumas das gravações mais influentes do rock and roll inicial. Críticos apontaram que a seleção de faixas demonstrava a consistência de Elvis como artista de sucesso. Muitos elogiaram a energia de músicas como “Hound Dog”. Outros destacaram a emoção presente em baladas como “Love Me Tender”. A crítica também reconheceu o impacto cultural dessas canções. No geral, as publicações musicais consideraram o álbum uma coletânea indispensável. Assim o disco foi recebido como um retrato fiel do auge da carreira inicial de Elvis Presley.

Grandes jornais também analisaram o álbum sob a perspectiva de sua importância histórica e cultural. O The New York Times observou que o disco reunia gravações que haviam transformado o panorama da música popular americana. Um crítico escreveu que Elvis “não apenas canta essas músicas, mas redefine a maneira como o rock and roll é interpretado”. O Los Angeles Times destacou que a coletânea evidenciava a capacidade do cantor de dominar diferentes estilos musicais. Já a revista The New Yorker comentou o impacto cultural de Elvis, observando que suas gravações haviam influenciado profundamente a juventude da época. Alguns jornalistas ressaltaram que o álbum funcionava quase como um documento histórico da ascensão do rock. Outros destacaram a importância das canções na formação da identidade musical dos anos 1950. Em várias análises, Elvis foi descrito como uma figura central na transformação da música popular. O álbum também foi visto como uma forma de preservar esses momentos importantes. A crítica jornalística reforçou a ideia de que essas gravações eram essenciais para compreender a evolução do rock. Dessa forma, o disco foi amplamente reconhecido por seu valor histórico.

No aspecto comercial, o disco também teve um desempenho significativo, refletindo a enorme popularidade do artista. O álbum alcançou posições de destaque na parada da Billboard, permanecendo por várias semanas entre os mais vendidos. Embora fosse uma coletânea, o disco vendeu grandes quantidades de cópias nos Estados Unidos e internacionalmente. O sucesso comercial foi impulsionado pela familiaridade do público com as músicas incluídas. Muitas das faixas já haviam sido sucessos número um nas paradas. Isso garantiu ao álbum um apelo imediato junto aos consumidores. O disco também recebeu certificações importantes ao longo dos anos. A presença contínua de Elvis nas rádios ajudou a manter o interesse pelo álbum. Mesmo durante sua ausência do cenário musical ativo, sua popularidade permaneceu intacta. O lançamento da coletânea reforçou a força de seu catálogo musical. Assim esse álbum consolidou-se como mais um sucesso comercial na carreira do cantor.

Com o passar do tempo, “Elvis’ Golden Records” passou a ser visto como uma das coletâneas mais importantes da história do rock. Especialistas frequentemente destacam o álbum como um registro essencial da fase inicial da carreira de Elvis Presley. Fãs consideram o disco uma introdução perfeita ao trabalho do artista. Muitas das músicas incluídas continuam sendo amplamente reconhecidas e celebradas até hoje. Críticos modernos apontam que o álbum reúne alguns dos momentos mais influentes do rock and roll. Ele também é frequentemente citado em estudos sobre a evolução da música popular. A coletânea ajuda a compreender o impacto cultural de Elvis nos anos 1950. Além disso, demonstra a força de suas gravações originais. Mesmo décadas após seu lançamento, o álbum continua relevante. Ele é constantemente redescoberto por novas gerações de ouvintes. Dessa forma, seu legado permanece sólido. Esse disco portanto, é um marco duradouro na história da música.

Elvis Presley - Elvis’ Golden Records (1958)
Hound Dog
Loving You
All Shook Up
Heartbreak Hotel
Jailhouse Rock
Love Me Tender
Too Much
Don’t Be Cruel
That’s When Your Heartaches Begin
(Let Me Be Your) Teddy Bear
Treat Me Nice
Anyway You Want Me (That's How I Will Be)
I Want You, I Need You, I Love You

Erick Steve. 

sábado, 4 de abril de 2026

Elvis Presley - 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong: Elvis' Gold Records, Volume 2

Lançado em 13 de novembro de 1959, é uma das coletâneas mais icônicas da carreira de Elvis Presley. Produzido pela gravadora RCA Victor, o disco reúne uma série de singles de enorme sucesso lançados entre 1958 e 1959, período em que Elvis estava servindo no exército dos Estados Unidos. Mesmo afastado dos palcos, o cantor continuava dominando as paradas musicais, e este álbum foi lançado como uma forma de manter sua presença ativa no mercado. A famosa capa, que mostra Elvis multiplicado diversas vezes vestindo um uniforme dourado, tornou-se um símbolo visual marcante da cultura pop. O título provocativo do álbum reforça a dimensão de sua popularidade naquele momento. Musicalmente, o disco apresenta uma mistura de rock and roll, baladas e canções com forte apelo pop, refletindo a versatilidade do artista. Entre as faixas mais conhecidas estão “A Big Hunk o’ Love” e “I Need Your Love Tonight". Embora seja uma coletânea, o álbum funciona como um retrato fiel da fase final dos anos 1950 na carreira de Elvis. Ele também evidencia a transição do rock mais cru de seus primeiros anos para um som mais polido. Assim, o disco consolidou ainda mais o status de Elvis como o maior nome da música popular da época.

A recepção crítica ao álbum foi bastante positiva, especialmente por se tratar de uma coletânea que reunia sucessos já consagrados. A revista Billboard destacou o lançamento como um produto de enorme apelo comercial, afirmando que “cada faixa representa um sucesso comprovado nas paradas”. A publicação elogiou a consistência do material e a força das interpretações de Elvis. A revista Variety também comentou o impacto do álbum, ressaltando que ele era “uma demonstração clara do domínio de Elvis sobre o mercado musical”. Já o jornal britânico NME observou que a coletânea reunia alguns dos momentos mais populares da carreira recente do cantor. Críticos destacaram a energia contagiante de faixas como “A Big Hunk o’ Love”. Outros elogiaram a suavidade das baladas incluídas no disco. A crítica também ressaltou a capacidade de Elvis de transitar entre diferentes estilos musicais. Mesmo sendo uma compilação, o álbum foi visto como coeso e bem estruturado. Muitos jornalistas consideraram o disco essencial para fãs do artista. Assim, a recepção crítica reforçou a ideia de que Elvis continuava sendo uma força dominante na música.

Os grandes jornais também analisaram o álbum sob a ótica de sua importância cultural e do fenômeno Elvis Presley. O The New York Times destacou que o disco reunia gravações que haviam ajudado a definir o som da música popular americana no final dos anos 1950. Um crítico escreveu que Elvis “permanece como a figura central do rock and roll, mesmo quando ausente do palco”. Já o Los Angeles Times observou que o álbum demonstrava a incrível capacidade do cantor de manter sua relevância. A revista The New Yorker comentou o impacto cultural do artista, afirmando que sua influência ia além da música e atingia o comportamento e a estética da juventude. Alguns jornalistas apontaram que o álbum funcionava como um registro histórico de uma fase crucial do rock. Outros destacaram o apelo duradouro das canções. Em diversas análises, Elvis foi descrito como um fenômeno cultural sem precedentes. O disco também foi visto como uma forma de preservar esse legado. A crítica jornalística reconheceu a importância das gravações reunidas no álbum. Dessa forma, o disco foi amplamente celebrado como um documento significativo da história da música popular.

No aspecto comercial, “50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong” foi um grande sucesso, confirmando a força do nome de Elvis Presley mesmo durante seu período de serviço militar. O álbum alcançou a segunda posição na parada de álbuns da Billboard, permanecendo por várias semanas entre os mais vendidos. Nos Estados Unidos, o disco vendeu mais de três milhões de cópias, sendo certificado multiplatina ao longo dos anos. Internacionalmente, Elvis continuava extremamente popular, e o álbum também teve bom desempenho em diversos mercados. Os singles incluídos no disco já haviam alcançado posições de destaque nas paradas, o que contribuiu para o sucesso da coletânea. A forte presença de Elvis nas rádios também impulsionou as vendas. Mesmo sem lançar material totalmente inédito, o cantor conseguiu manter um alto nível de sucesso comercial. O álbum demonstrou que seu público permanecia fiel. Além disso, reforçou a estratégia de lançar coletâneas como forma de manter o artista em evidência. Assim, o disco consolidou-se como mais um êxito comercial importante na carreira de Elvis.

Com o passar das décadas, “50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong” passou a ser reconhecido como uma das coletâneas mais importantes da discografia de Elvis Presley. Especialistas em música frequentemente destacam o álbum como um retrato fiel do impacto do cantor no final dos anos 1950. A capa do disco tornou-se uma das mais famosas da história da música. Fãs continuam a valorizar o álbum por reunir alguns dos maiores sucessos do artista. Críticos modernos apontam que o disco é essencial para compreender a evolução do rock and roll. Ele também é frequentemente citado em listas e estudos sobre a história da música popular. Muitas das canções incluídas continuam sendo amplamente conhecidas e apreciadas. O álbum ajuda a ilustrar a transição de Elvis para uma fase mais voltada ao entretenimento de massa. Ainda assim, preserva a energia e o carisma que o tornaram um ícone. Décadas após seu lançamento, o disco continua relevante e influente. Dessa forma, seu legado permanece sólido, reafirmando Elvis como uma das figuras mais importantes da música do século XX.

Elvis Presley - 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong: Elvis' Gold Records, Volume 2 (1959)
I Need Your Love Tonight
Don't
Wear My Ring Around Your Neck
My Wish Came True
I Got Stung
One Night
A Big Hunk o' Love
I Beg of You
(Now and Then There's) A Fool Such as I
Doncha' Think It's Time

Erick Steve e Pablo Aluísio. 

sábado, 14 de março de 2026

Elvis Presley - Elvis in Concert (1977)

Elvis Presley - Elvis in Concert (1977)
O especial televisivo Elvis Presley in Concert foi exibido originalmente em 3 de outubro de 1977 pela rede americana CBS, pouco tempo após a morte de Elvis Presley, ocorrida em agosto daquele mesmo ano. Dirigido por Dwight Hemion e produzido como um especial musical de televisão, o programa reúne imagens de dois shows realizados durante a última turnê de Elvis, registrados nas cidades de Omaha, Nebraska, em 19 de junho de 1977, e Rapid City, Dakota do Sul, em 21 de junho do mesmo ano. O espetáculo apresenta o cantor interpretando vários de seus sucessos diante de grandes plateias, acompanhado por sua tradicional banda, orquestra e grupo vocal de apoio. Entre as músicas apresentadas estão clássicos como “Love Me”, “My Way”, “Are You Lonesome Tonight?” e “Can't Help Falling in Love”. O especial também inclui momentos de bastidores e depoimentos de fãs que acompanhavam o artista em suas últimas apresentações. A proposta era registrar Elvis ainda em atividade nos palcos, preservando para a televisão um retrato final do artista em concerto. No entanto, após a morte do cantor, o programa acabou ganhando um tom de despedida emocional. Assim, o especial passou a ser visto como um documento histórico das últimas performances públicas do chamado “Rei do Rock”.

Quando foi transmitido pela primeira vez, Elvis in Concert recebeu uma reação crítica bastante dividida e muitas vezes negativa da imprensa americana. Muitos jornalistas culturais elogiaram o valor histórico do registro, mas criticaram o estado físico e vocal do cantor durante aquelas apresentações. O jornal The New York Times comentou que o programa era “mais comovente como documento histórico do que como espetáculo musical”, destacando a importância emocional das imagens, mas observando sinais evidentes de desgaste na performance de Elvis. Já o Los Angeles Times afirmou que o especial mostrava um artista que ainda possuía carisma e presença de palco, porém claramente distante do auge de sua carreira. Alguns críticos observaram que o público presente nos shows reagia com entusiasmo, demonstrando o forte vínculo emocional entre Elvis e seus fãs. A revista Variety descreveu o programa como “um tributo melancólico a uma lenda da música popular americana”. Muitos comentaristas reconheceram que a transmissão foi profundamente impactada pelo contexto da morte recente do cantor. Assim, a avaliação crítica inicial misturava respeito pela importância histórica de Elvis com tristeza ao ver seu estado naqueles últimos concertos. O resultado foi uma recepção crítica marcada por sentimentos de nostalgia e melancolia.

Outras publicações também analisaram o especial sob essa perspectiva de documento histórico. A revista Rolling Stone comentou que o programa era difícil de assistir sem levar em conta o trágico contexto da morte de Elvis poucas semanas antes da exibição. Alguns críticos argumentaram que o especial deveria ser visto menos como um espetáculo musical e mais como um registro do fim de uma era na cultura popular americana. Houve também discussões sobre a decisão da CBS de transmitir o programa sem grandes alterações após o falecimento do artista. Certos jornalistas sugeriram que o especial revelava de forma crua o desgaste físico que Elvis enfrentava em seus últimos meses. Apesar dessas críticas, muitos reconheceram que momentos específicos das apresentações ainda demonstravam a potência interpretativa do cantor, especialmente em músicas emocionais como “My Way”. O programa não foi produzido com foco em premiações e, portanto, não recebeu indicações relevantes em grandes eventos como o Emmy naquele período. Mesmo assim, o impacto cultural da transmissão foi significativo. Para muitos espectadores, o especial representou um último contato televisivo com uma das maiores figuras da música do século XX. Dessa forma, o programa acabou sendo lembrado mais por seu valor histórico do que por méritos puramente artísticos.

Do ponto de vista de audiência, entretanto, Elvis in Concert foi um enorme sucesso para a televisão americana. A transmissão pela CBS alcançou índices de audiência extremamente altos, atraindo milhões de telespectadores que ainda estavam profundamente impactados pela morte do cantor. O interesse do público era enorme, já que se tratava do último registro profissional de Elvis se apresentando ao vivo. A rede CBS promoveu o especial como um grande evento televisivo, enfatizando o caráter histórico da gravação. Muitos fãs assistiram ao programa como uma forma de prestar homenagem ao artista que havia marcado gerações. A forte resposta da audiência demonstrou o tamanho da popularidade de Elvis mesmo após sua morte. O especial também gerou grande repercussão na imprensa e nas emissoras de televisão nos dias seguintes à transmissão. Embora algumas críticas tenham sido duras, o público em geral reagiu com emoção e nostalgia ao ver o ídolo novamente no palco. O programa acabou se tornando um dos especiais musicais mais comentados da época. Assim, comercialmente e em termos de audiência televisiva, a exibição foi considerada um grande sucesso.

Com o passar das décadas, Elvis in Concert passou a ser analisado sob uma perspectiva mais histórica e documental. Muitos fãs e estudiosos da carreira de Elvis veem o especial como um retrato honesto, ainda que doloroso, dos últimos dias de um artista lendário. Ao mesmo tempo, o programa também se tornou objeto de controvérsia entre admiradores do cantor. Alguns consideram que ele mostra Elvis em um momento muito frágil de sua vida, enquanto outros acreditam que o registro possui grande valor emocional e histórico. Durante muitos anos, a família Presley e a empresa que administra o legado do cantor evitaram relançar oficialmente o especial em vídeo ou DVD. Essa decisão foi tomada justamente para preservar a imagem do artista em seus momentos mais gloriosos. Ainda assim, trechos do programa continuam circulando entre fãs e historiadores da música popular. Para muitos estudiosos da cultura americana, o especial representa um capítulo importante na narrativa final da carreira de Elvis. Hoje ele é visto menos como um espetáculo musical tradicional e mais como um documento histórico sobre o fim da trajetória de um ícone global. Dessa forma, seu valor reside principalmente em seu significado histórico e emocional.

Elvis Presley - Elvis in Concert (1977)
See See Rider
That´s All Right (mama)
Are You Lonesome Tonight
Teddy Bear - Don´t Be Cruel
You Gave Me a Mountaim
Jailhouse Rock
How Great Thou Art
I Really Don´t Want to Know
Hurt
Hound Dog
My Way
Can´t Help Falling in Love
I Got a Woman
Love Me
If You Love Me
It´s Now or Never
Tryn´to Get To You
Hawaiian Weeding Song
Fairytale
Little Sister
Early Morning Rain
What´d I Say
Johnny B. Goode
And I Love You So
America

Erick Steve. 

sábado, 7 de março de 2026

Elvis Presley - Pot Luck

Elvis Presley - Pot Luck
O álbum Pot Luck with Elvis, lançado em 5 de junho de 1962, representa um momento interessante na carreira de Elvis Presley, um dos maiores ícones da história do rock and roll. Naquele período, Elvis já era uma estrela mundial consolidada, mas sua carreira passava por uma fase diferente, muito marcada por gravações ligadas aos seus filmes de Hollywood. Mesmo assim, “Pot Luck with Elvis” mostrou que o cantor ainda era capaz de produzir um álbum de estúdio consistente e com forte identidade musical. O disco reúne gravações feitas entre 1961 e 1962 e apresenta uma mistura de rock, pop e baladas românticas, estilos que haviam ajudado a definir o sucesso do artista desde os anos 1950. Muitas das faixas foram escritas por compositores importantes do circuito de Nashville e da indústria musical americana da época. Embora não tenha sido tão revolucionário quanto seus primeiros discos, o álbum reforçou o talento vocal de Elvis e sua habilidade de interpretar diferentes estilos. A produção também refletia o som mais polido que dominava a música pop do início dos anos 1960. Em meio às mudanças do cenário musical, com o surgimento de novos artistas e tendências, Elvis continuava sendo uma presença dominante. O álbum também mostrou que o cantor ainda mantinha uma enorme base de fãs fiel. Dessa forma, “Pot Luck with Elvis” tornou-se um registro importante da fase intermediária da carreira do “Rei do Rock”.

A recepção crítica ao álbum na época de seu lançamento foi geralmente positiva, ainda que alguns críticos observassem que Elvis estava adotando uma abordagem mais conservadora em comparação com o impacto revolucionário de seus primeiros trabalhos. A revista Billboard destacou o disco como um lançamento forte no mercado pop, elogiando principalmente a qualidade das interpretações vocais de Presley. Em uma de suas notas sobre o álbum, a publicação comentou que “Elvis continua demonstrando um carisma vocal que poucos artistas conseguem igualar”. A tradicional revista Variety também avaliou positivamente o álbum, ressaltando o potencial comercial das músicas e afirmando que o cantor ainda possuía enorme apelo junto ao público jovem. Já o jornal musical britânico NME destacou que, embora o disco não apresentasse grandes inovações, ele mantinha o padrão de qualidade associado ao nome de Elvis Presley. Alguns críticos elogiaram particularmente a faixa “Kiss Me Quick”, considerada uma das canções mais memoráveis do álbum. Outros apontaram que a voz de Elvis estava mais madura e controlada do que em suas gravações dos anos 1950. A crítica também notou a presença de arranjos mais suaves e sofisticados. No geral, as revistas musicais consideraram “Pot Luck with Elvis” um álbum sólido dentro da discografia do artista. Embora não fosse visto como um divisor de águas, o disco reafirmava o talento interpretativo de Presley.

Grandes jornais americanos também comentaram o lançamento do álbum e refletiram sobre o lugar de Elvis no cenário musical da época. O The New York Times observou que Elvis havia se transformado de um rebelde do rock em um intérprete mais refinado de música popular. Um crítico do jornal escreveu que o cantor “continua possuindo uma das vozes mais reconhecíveis da música americana”. Já o Los Angeles Times destacou que o álbum demonstrava a versatilidade do artista, capaz de interpretar tanto baladas românticas quanto canções com ritmo mais animado. A revista The New Yorker também mencionou Elvis em artigos sobre a indústria cultural da época, observando que sua influência permanecia enorme mesmo após quase uma década de sucesso. Alguns jornalistas notaram que a imagem pública do cantor estava cada vez mais associada ao cinema e ao entretenimento de massa. Ainda assim, suas gravações continuavam a atrair grande atenção do público. Para vários críticos, o álbum mostrava que Elvis mantinha um lugar especial na música popular americana. Mesmo sem a mesma carga revolucionária de seus primeiros anos, sua presença artística permanecia relevante. As análises jornalísticas, portanto, reforçaram a ideia de que Elvis continuava sendo uma figura central na cultura pop dos anos 1960.

No aspecto comercial, “Pot Luck with Elvis” foi um sucesso considerável, confirmando o enorme poder de vendas do cantor. O álbum alcançou a quarta posição na parada de álbuns da Billboard, um resultado bastante forte para a época. Nos Estados Unidos, o disco vendeu centenas de milhares de cópias e permaneceu por várias semanas nas paradas musicais. Internacionalmente, Elvis também continuava extremamente popular, e o álbum encontrou público em vários países. O single “Kiss Me Quick”, por exemplo, tornou-se um grande sucesso em mercados europeus alguns anos depois de sua gravação. Mesmo em um período em que Elvis dedicava grande parte de sua carreira ao cinema, suas gravações ainda tinham grande impacto no mercado musical. A força de sua base de fãs ajudava a garantir boas vendas para praticamente todos os seus lançamentos. As rádios também continuavam tocando suas músicas com frequência. A combinação entre fama cinematográfica e sucesso musical ajudava a manter Elvis constantemente em evidência. Assim, “Pot Luck with Elvis” consolidou-se como mais um lançamento comercialmente bem-sucedido na discografia do artista. O desempenho nas paradas mostrou que o público ainda respondia com entusiasmo a seus novos trabalhos.

Com o passar do tempo, o álbum passou a ser visto pelos especialistas como um retrato fiel da fase de transição da carreira de Elvis Presley no início dos anos 1960. Historiadores da música costumam observar que, nesse período, o cantor estava mais focado em filmes e trilhas sonoras do que em álbuns de estúdio tradicionais. Mesmo assim, “Pot Luck with Elvis” é frequentemente lembrado como um dos discos mais consistentes dessa fase. Fãs do artista apreciam especialmente a qualidade das baladas e a força da interpretação vocal de Elvis. Algumas músicas do álbum também ganharam nova valorização em retrospectivas da carreira do cantor. Críticos modernos destacam que o disco mostra um Elvis mais maduro e tecnicamente seguro como intérprete. Em listas e análises sobre sua discografia, o álbum costuma ser citado como uma obra sólida, embora menos famosa do que seus trabalhos clássicos dos anos 1950. Ainda assim, ele representa um capítulo importante na evolução artística do “Rei do Rock”. O disco também ajuda a compreender como Elvis conseguiu manter sua relevância ao longo de diferentes fases da indústria musical. Décadas após seu lançamento, o álbum continua sendo ouvido e discutido por fãs e estudiosos. Dessa forma, “Pot Luck with Elvis” permanece como um registro significativo dentro da longa e influente carreira de Elvis Presley.

Elvis Presley - Pot Luck with Elvis (1962)
Kiss Me Quick
Just for Old Time Sake
Gonna Get Back Home Somehow
(Such an) Easy Question
Steppin' Out of Line
I'm Yours
Something Blue
Suspicion
I Feel That I've Known You Forever
Night Rider
Fountain of Love
That's Someone You Never Forget

Erick Steve. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Double Trouble (1967)

Deve ter sido frustrante, no mínimo, para Elvis gravar a trilha sonora de "Double Trouble". A maioria das músicas eram esquecíveis, e com certeza não acrescentariam nada para o cantor. Logo ele que há um mês estava em Nashville gravando o espetacular disco gospel "How Great Thou Art", além de várias outras músicas incríveis como "Tomorrow is a Long Time", "Down in the Alley" e "I´ll Remember You". Elvis se atrasou para a sessão de gravação e como resultado a MGM mudou o endereço das gravações para o seu próprio estúdio, que era simplesmente horrível. A essa altura ninguém ligava mais para a qualidade de nada e o porquê de Elvis se submeter a essa humilhação, tendo que gravar para a trilha péssimas canções como "Old Mac Donald", é um dos grandes mistérios de sua carreira!

Uma das poucas coisas boas dessa sessão foi que Elvis teve a chance de conhecer pessoalmente seu ídolo Jackie Wilson, que estava pelas redondezas. Uma curiosidade é que Elvis, em 1975, ajudou financeiramente Jackie quando ele sofreu um ataque cardíaco. O filme "Double Trouble" (Canções e Confusões, no Brasil) não é tão ruim e teve a vantagem de teoricamente ser ambientado na Europa, mudando o ambiente. Teoricamente, pois foi todo filmado nos EUA. Possui alguns personagens interessantes como os dois ladrões, bem engraçados, uma trama previsível, mas bem legal e uma intrigante atriz como a principal. Annete Day fez sua estreia no cinema com Elvis nesse filme e aparentemente não gostou, pois esse foi seu único. Ela tinha apenas 18 anos quando contracenou com Elvis e os dois tiveram uma boa química, mais cômica do que romântica. O clima sombrio do filme envolvendo tentativas de assassinato de Guy Lambert (nome do personagem de Elvis) parece que previa o naufrágio nas bilheterias, sendo que este filme foi um dos cinco que menos renderam na carreira de Elvis. A trilha sonora foi a primeira a nem conseguir entrar para o top 40 americano conseguindo a lastimável 47ª posição. Na Inglaterra foi um pouco melhor sendo 34º lugar.

DOUBLE TROUBLE (D. Pomus / M. Shuman) - Doc Pomus e Mort Shuman foram responsáveis por grande parte do melhor material gravado por Elvis de 1960 a 1963, porém, sua última contribuição (Elvis ainda viria em 69 a gravar a belíssima "You´ll Think of Me" de Mort Shuman) não é lá essas coisas e seguia a mediocridade de músicas recentemente escritas por eles como: "What Every Woman Lives For" e "Never Say Yes". Não que "Double Trouble" seja ruim, mas comparada com músicas como "Little Sister" e "Viva Las Vegas", também escritas pela dupla, mostram claramente que Pomus e Shuman não estavam exatamente inspirados. Mas Elvis e a banda estão ok. A letra é bobinha e a música muito curta. Destaque para a escandalosa introdução da orquestra, fato raro em músicas de Elvis à época.

BABY IF YOU GIVE ALL OF YOUR LOVE (Joy Byers) - Mais uma excelente contribuição de Joy Byers para a discografia de Elvis. Essa música super animada é uma das melhores das últimas trilhas sonoras e junto com "City by Night", a melhor do filme. Merecia um lançamento em single, talvez como lado B de "Long Legged Girl". Foi bastante subestimada pela gravadora.

COULD I FALL IN LOVE (Randy Starr) - Os filmes de Elvis sempre possuíam boas baladas e esse aqui não é exceção. Pena que o arranjo dessa não seja tão bom quanto de "Am I Ready?" por exemplo, o que tirou seu potencial de single. Interessante é a cena em que Elvis a canta para Annete Day, onde o acompanhamento da música é oriundo de um pequeno single que Elvis bota para tocar. Na capa a foto de Guy Lambert! (o personagem interpretado por Elvis).

LONG LEGGED GIRL (J.L. Mc Farland / W. Scotty) - Outro grande rock da trilha que sofre do mal de ser muito curto. Essa música agitada, com uma guitarra estridente, foi lançada como single alcançando a péssima 63ª posição nos EUA. Nunca um lado A de Elvis havia entrado nas paradas e conseguido como posição máxima, colocação tão baixa. E dessa vez a culpa não era da música, que era boa, e sim porque o público já não estava mais prestando atenção nos lançamentos de Elvis Presley por essa época! Curiosidade: Foi a música mais curta de Elvis a entrar no Hot 100, com apenas 1 minuto e vinte e sete segundos de duração.

CITY BY NIGHT (Giant / Baum / Kaye) - Definitivamente uma das melhores músicas de Elvis nas trilhas da década 60, essa canção foi o mais próximo que Elvis chegou de cantar um jazz em sua carreira. Com um trompete sinistro, a banda afiadíssima e a voz de Elvis em perfeitas condições, com um "yeah" no final que lembra "Trouble", essa verdadeira pérola não recebeu a menor atenção em sua época de lançamento. Talvez seu próprio estilo, diferente de tudo que Elvis havia gravado, tenha desagradado aos fãs mais tradicionalistas do cantor. Além disso, o disco "Double Trouble" foi um dos maiores fracassos da carreira de Elvis. Lançado em 1967, ano em que Elvis amargou o seu pior ano de apatia com o público, com a carreira praticamente arruinada por seus filmes em Hollywood. Em um cenário tão desolador, que chance de atenção essa preciosidade poderia ter tido?

OLD MAC DONALD (Randy Starr) - Você está escutando esse disco e pensa: "É, não é tão ruim quanto dizem". Porém seu pensamento é diluído com os primeiros acordes de simplesmente o pior momento de Elvis no cinema: o Rei do Rock cantando "Old Mac Donald"!!! A cena do filme é pior ainda, com Elvis na traseira de um caminhão cheio de animais (isso mesmo!), cantando a mais degradante de todas as suas canções. Como é que alguém se atreveu a por essa música no filme, e o pior, como Elvis aceitou cantá-la? A trilha e o filme até que não são ruins, mas tudo vai por água abaixo com essa música. Quem, em sua sã consciência, em pleno verão do amor de 67, iria pagar para ver Elvis se humilhando cantando porcarias? Entendam, a música em si, cantada para crianças é excelente. Mas botá-la num filme de Elvis foi a pior das ideias!

I LOVE ONLY ONE GIRL (S. Tepper / R.C. Bennett) - Adorava essa música quando tinha 10 anos, mas agora ela me parece bem bobinha, algo tirado de uma peça teatral para crianças. E o ritmo dela é uma marchinha! Que horror! A cena do filme com essa música, conta com um absolutamente desnecessário número de dança de uma garotinha. Detalhe: em 1972 algum gênio da RCA teve a brilhante ideia de botar no mesmo disco em que a fenomenal e clássica Burning Love foi lançada, vários besteiróis dos filmes. Adivinhem qual música estava presente também? Vou dar uma dica: uma marchinha bobinha de "Double Trouble". Ai... ai... se pudesse matar o Coronel Parker e os dirigentes da RCA...

THERE´S TOO MUCH WORLD TO SEE - Depois de duas músicas horrorosas, qualquer coisa de nível regular é um alívio. É o caso dessa música, da qual 2 minutos depois que você escutar não vai mais se lembrar dela. É a típica música que só Elvis consegue tornar audível. Pelo menos tem uma letrinha interessante, apesar do ritmo esquecível e se você for o tipo do cara aventureiro e que quer sua liberdade, ficando longe de qualquer relacionamento sério, vai se identificar com essa aqui.

IT WON'T BE LONG - Para encerrar a parte da trilha de "Double Trouble" temos essa música, que se não chega a ser excepcional, mantém a dignidade, com um ritmo bom e bem executado. Solando em toda a canção temos a preciosa participação do guitarrista Tiny Timbrell. É bem acima da média do restante do material do filme, porém não é nada demais, apenas correta no final das contas.

NEVER ENDING (Buddy Kaye / Phil Springer) - Nesse disco originalmente foram lançadas três músicas bônus, todas gravadas em 1963 e essa é a primeira delas. "Never Ending" é uma bonita balada, com um ritmo acima da média, contando com o ótimo trabalho da banda de Elvis em Nashville. A voz de Elvis parece diferente, lembrando algo como "I love you Because". Se não soubesse diria que essa música era de 54, ou então 55. Foi lançada em um single como lado B de "Such a Night" (gravada em 60 e cujo single tinha uma foto de Elvis em 56 na capa!) em 1964 e não conseguiu entrar nas paradas. Ganhou um pouco de destaque em um disco no Brasil lançado em 89: Good Rocking Tonight- The Best of Elvis vol 2.

BLUE RIVER (Paul Evans / Fred Tapias) - Em 1965, enquanto os Beatles dominavam a cena musical, os produtores de Elvis quebravam a cabeça para encontrar alguma música para lançar como single de fim de ano, visto que fazia quase dois anos que Elvis não gravava nada além de trilhas sonoras. Cavucando, encontraram uma gravação de 1957, "Tell Me Why", que foi lançada alcançando a mera 33º posição. Para o lado B do single lançaram uma música gravada em 1963, um roquinho bastante curto com conteúdo que lembrava ligeiramente "Heartbreak Hotel", mas que nem chegava ao dedão do pé desse grande clássico. A música era "Blue River" e alcançou a péssima 95º posição, quase nem entrando no Hot 100, merecidamente, pois não é lá essas coisas. Legalzinha, no máximo. Essa música foi lançada em fevereiro de 1966 na Inglaterra como lado A, tendo como lado B uma música gravada para a trilha de "Girl Happy" (!): "Do Not Disturb". Oh bagunça que eram os singles de Elvis dessa época! Os fãs ingleses apreciaram mais a música, que chegou ao 22º lugar nas paradas.

WHAT NOW, WHAT NEXT, WHERE TO (Don Robertson / Hal Blair) - O disco encerra com essa composição bem fraquinha de Don Robertson, que escreveu com certeza material muito melhor como "Love Me Tonight", gravado na mesma sessão dessa música. Com um ritmo arrastado e um letra esquecível não acrescenta nada ao disco. Curiosidade: Foi gravada em uma única tentativa.

Elvis Presley - Double Trouble (1967): Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Buddy Harmon (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Pete Drake (Steel Guitar) / Charlie McCoy (Harmonica) / Boots Randolph (sax) / Richard Noel (Trombone) / The Jordanaires (Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker) / City By Night: Michael Deasy (guitarra) / Jerry Scheff (baixo) / Toxey French (bateria) / Michael Anderson (Sax) / Butch Parker (sax) / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California exceto "Never Ending", "What Now, What Next, Where To" e "Blue River" gravadas no RCA Studio B, Nashville / Data de gravação: 28 e 29 de junho de 1966, exceto "City By Night" gravada em 14 de julho de 1966 e "Never Ending", "What Now, What Next, Where To" e "Blue River" gravadas em maio de 1963 / Produzido e arranjado por Felton Jarvis e Jeff Alexander / Data de lançamento: junho de 1967 / Melhor posição nas charts: #47 (USA) e #34 (UK).

Pablo Aluísio e Victor Alves - março de 2005.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Elvis is Back!

Elvis Presley - Elvis is Back!
O álbum “Elvis Is Back!” foi lançado em 8 de abril de 1960, pela RCA Victor, marcando o aguardado retorno de Elvis Presley após cumprir serviço militar na Alemanha. Gravado em março e abril de 1960, nos estúdios da RCA em Nashville, o disco simboliza uma nova fase artística, mais madura e refinada. Havia grande expectativa do público e da indústria sobre como Elvis soaria depois de dois anos afastado dos palcos e das gravações. Sob produção de Steve Sholes e com músicos de alto nível como os integrantes da chamada “Nashville A-Team”, o cantor apresentou interpretações sofisticadas que transitavam entre rock, blues, pop e baladas românticas. O contexto cultural também era de mudança, com o rock and roll evoluindo e novos artistas surgindo. O álbum, portanto, precisava reafirmar sua relevância. E conseguiu: mostrou um Elvis vocalmente mais seguro e tecnicamente impressionante. Sua importância na carreira do artista é imensa, pois consolidou seu retorno como intérprete adulto. Foi um recomeço artístico à altura de sua lenda.

A recepção crítica foi bastante positiva, destacando principalmente a qualidade vocal do cantor. O The New York Times observou que Elvis retornava “com maior controle técnico e impressionante maturidade interpretativa”. Já o Los Angeles Times destacou que o disco demonstrava “um artista que evoluiu sem perder sua essência”. Muitos críticos ficaram surpresos com a diversidade estilística do repertório. Faixas como Fever e Reconsider Baby chamaram atenção pelo clima mais sofisticado e bluesy. A imprensa musical reconheceu que Elvis não apenas manteve sua popularidade, mas elevou seu padrão artístico. Alguns textos da época mencionaram que o cantor parecia mais confiante e menos dependente da energia juvenil do início da carreira. Isso foi visto como sinal de crescimento. O álbum foi considerado forte prova de sua permanência no topo. A crítica percebeu que o “Rei” estava de volta em grande forma.

Revistas especializadas como a Billboard elogiaram o potencial comercial do disco, chamando-o de “um retorno sólido e artisticamente consistente”. A Rolling Stone, anos depois, classificaria o álbum como um dos melhores da discografia de Elvis. Críticos ressaltaram especialmente a interpretação contida e sensual de Fever, que se tornaria uma das gravações mais icônicas de sua carreira. A produção limpa e os arranjos elegantes foram amplamente elogiados. Mesmo analistas mais exigentes reconheceram que Elvis havia superado expectativas. O álbum não soava nostálgico; parecia contemporâneo e seguro. Com o passar do tempo, a reputação crítica do disco só cresceu. Hoje é frequentemente apontado como um de seus trabalhos mais completos. A recepção histórica consolidou sua posição como clássico.

Comercialmente, “Elvis Is Back!” foi um sucesso expressivo. O álbum alcançou o 2º lugar na Billboard Top LPs nos Estados Unidos e obteve forte desempenho no Reino Unido, chegando ao topo das paradas britânicas. As vendas ultrapassaram milhões de cópias ao longo das décadas, rendendo certificações importantes. O público respondeu com entusiasmo ao retorno do cantor. O sucesso comercial demonstrou que sua base de fãs permanecia fiel. Além disso, o disco ajudou a abrir caminho para novos projetos e para a fase cinematográfica que dominaria parte dos anos seguintes. Mesmo com a mudança de estilo, os ouvintes abraçaram a nova sonoridade. O impacto nas paradas confirmou a força de sua marca artística. Foi um retorno triunfante também em números. Comercialmente, reafirmou sua supremacia.

O legado de “Elvis Is Back!” é amplamente reconhecido. O álbum é visto hoje como um dos melhores trabalhos de estúdio de Elvis Presley, frequentemente citado ao lado de From Elvis in Memphis como ápice artístico. Fãs valorizam a mistura equilibrada entre energia e sofisticação. Críticos destacam o controle vocal e a maturidade emocional demonstrados nas gravações. O disco também representa um modelo de como um artista pode retornar após período de ausência e ainda superar expectativas. Sua influência pode ser percebida em cantores que buscaram unir técnica refinada e expressividade emocional. Reedições e remasterizações mantêm o álbum vivo para novas gerações. Ele simboliza o renascimento de uma lenda. É peça essencial na compreensão da evolução de Elvis. Um clássico incontestável do rock e da música popular.

Elvis Presley - Elvis Is Back! (1960)
Make Me Know It
Fever
The Girl of My Best Friend
I Will Be Home Again
Dirty, Dirty Feeling
Thrill of Your Love

Soldier Boy
Such a Night
It Feels So Right
The Girl Next Door Went A’Walking
Like a Baby
Reconsider Baby

Erick Steve. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Something For Everybody

Elvis Presley - Something For Everybody
O álbum “Something for Everybody” foi lançado em 17 de junho de 1961, pela RCA Victor, em um momento de transição artística na carreira de Elvis Presley. Gravado em sessões realizadas entre 1960 e 1961, o disco surgiu logo após o retorno definitivo do cantor do serviço militar e durante o período em que sua produção estava fortemente ligada ao cinema de Hollywood. Diferente de muitos álbuns compostos apenas por músicas de filmes, este trabalho reuniu gravações de estúdio independentes, pensadas para o mercado fonográfico tradicional. O título refletia a proposta de alcançar diferentes públicos, combinando baladas românticas, canções pop suaves e números mais animados. Havia também a intenção comercial clara de manter Elvis relevante em um cenário musical que começava a mudar com a ascensão de novos artistas. Musicalmente, o álbum apresenta arranjos polidos e vocais controlados, evidenciando maturidade interpretativa. Esse contexto faz do disco um retrato fiel da fase inicial dos anos 1960 do cantor. Sua importância reside na consolidação de Elvis como artista versátil e ainda dominante nas paradas. Mesmo sem o impacto revolucionário dos anos 1950, o álbum reforçou sua permanência no topo da indústria.

A recepção crítica na época foi, em geral, positiva, embora menos entusiasmada do que nos primeiros anos de carreira. O The New York Times observou que o disco demonstrava “um intérprete mais contido, mas tecnicamente seguro”, destacando a qualidade das baladas. Já o Los Angeles Times ressaltou a consistência comercial do trabalho, afirmando que Elvis “continua oferecendo exatamente o que seu público espera ouvir”. Críticos apontaram que o repertório privilegiava melodias acessíveis e produção refinada. Alguns viram isso como sinal de amadurecimento; outros, como acomodação artística. Ainda assim, a execução vocal foi amplamente elogiada. A imprensa reconheceu que poucas vozes do pop possuíam tamanho alcance emocional. O álbum foi entendido como produto sólido dentro do mainstream. Mesmo sem ousadia, mantinha alto padrão profissional. Isso garantiu respeito crítico contínuo.

Revistas especializadas como a Billboard destacaram o potencial radiofônico do disco, descrevendo-o como “um conjunto de canções cuidadosamente escolhido para amplo apelo popular”. Publicações do setor musical observaram que Elvis mantinha forte presença comercial mesmo em meio às mudanças culturais do início da década. Alguns críticos notaram a ausência do rock mais energético que marcara seus primeiros sucessos, mas reconheceram a eficiência das interpretações românticas. Comentários da época ressaltavam que o cantor havia se tornado um entertainer completo. A recepção, portanto, misturava admiração profissional com certa nostalgia do passado rebelde. Com o passar dos anos, essas análises passaram a ver o álbum com maior equilíbrio histórico. Hoje ele é compreendido como peça representativa de sua fase hollywoodiana. A crítica moderna tende a valorizar mais sua qualidade vocal. Assim, o julgamento do disco tornou-se mais favorável ao longo do tempo.

Comercialmente, “Something for Everybody” foi um grande sucesso. O álbum alcançou o 1º lugar na Billboard 200, confirmando a força de Elvis no mercado norte-americano. Também obteve boas posições em paradas internacionais, refletindo sua popularidade global contínua. As vendas ultrapassaram milhões de cópias, garantindo certificações importantes ao longo das décadas. O público respondeu positivamente ao repertório romântico e acessível. Muitas faixas tornaram-se favoritas dos fãs, especialmente as baladas. O desempenho sólido reforçou a estratégia de diversificação musical do cantor. Mesmo sem singles revolucionários, o conjunto vendeu de forma consistente. Isso demonstrou a lealdade de sua base de ouvintes. Comercialmente, o disco cumpriu plenamente seu papel. Foi mais uma prova do domínio de Elvis nas paradas do início dos anos 1960.

O legado de Something for Everybody está ligado à consolidação da imagem de Elvis como artista universal do entretenimento. Embora não seja considerado tão inovador quanto seus trabalhos dos anos 1950 ou o retorno de 1968, o álbum representa estabilidade artística e sucesso contínuo. Fãs valorizam especialmente a qualidade das interpretações vocais e o clima romântico predominante. Críticos modernos o veem como documento importante da fase hollywoodiana do cantor. O disco também ajuda a compreender a adaptação de Elvis às transformações do mercado musical. Sua permanência nas reedições demonstra interesse duradouro. Dentro da discografia do artista, ocupa posição de transição histórica. É um trabalho que evidencia profissionalismo e consistência. Seu valor está menos na inovação e mais na solidez. Ainda assim, permanece parte essencial do legado do Rei do Rock.

Elvis Presley - Something for Everybody (1961)
There’s Always Me
Give Me the Right
It’s a Sin
Sentimental Me
Starting Today
Gently
I’m Comin’ Home
In Your Arms
Put the Blame on Me
Judy
I Want You with Me
I Slipped, I Stumbled, I Fell

Erick Steve. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - From Elvis in Memphis

Elvis Presley - From Elvis in Memphis
O álbum “From Elvis in Memphis” foi lançado em 17 de junho de 1969, pela RCA Victor, marcando um dos momentos mais importantes da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios American Sound, em Memphis, no início de 1969, o disco surgiu após o sucesso do especial televisivo de retorno do cantor em 1968, que havia recolocado Elvis no centro da cultura popular. Diferente de muitos de seus trabalhos anteriores da década, ligados a trilhas sonoras de filmes, este projeto representou um retorno sério à música de estúdio com forte identidade artística. Sob produção de Chips Moman, Elvis gravou com músicos de alto nível, explorando sonoridades que misturavam soul, country, pop e rhythm and blues. O clima das sessões foi de renovação criativa e confiança artística. Esse contexto fez do álbum um verdadeiro renascimento musical. Sua importância reside no fato de consolidar a volta de Elvis como intérprete relevante no cenário contemporâneo. Muitos críticos consideram este o melhor disco de estúdio de toda a sua carreira.

A recepção crítica foi extremamente positiva desde o lançamento. O The New York Times destacou que o álbum mostrava “um Elvis maduro, emocionalmente convincente e artisticamente focado”, ressaltando a profundidade interpretativa inédita em sua discografia recente. Já o Los Angeles Times afirmou que o cantor havia encontrado “o material ideal para sua voz, combinando sofisticação e intensidade emocional”. Críticos observaram que a escolha de repertório era particularmente forte, com composições modernas e arranjos elegantes. A interpretação de Elvis foi vista como sincera e poderosa. Muitos textos ressaltaram que o disco soava contemporâneo, não nostálgico. Isso era crucial para sua reinserção artística. O álbum rapidamente ganhou reputação de obra séria dentro do rock e da música popular. A crítica percebeu que não se tratava apenas de um retorno comercial, mas de um verdadeiro renascimento criativo.

Revistas especializadas como a Rolling Stone elogiaram a coesão sonora do projeto, afirmando que “Elvis nunca soou tão comprometido com a música quanto aqui”. A Billboard destacou o potencial duradouro das canções, especialmente “In the Ghetto”, chamando-a de “uma das interpretações mais socialmente conscientes já gravadas pelo artista”. O The New Yorker observou que havia no disco “uma dignidade emocional rara, que reposiciona Elvis como intérprete adulto”. Mesmo críticas mais cautelosas reconheceram a qualidade excepcional das gravações. Com o tempo, essas avaliações iniciais foram reforçadas. O álbum passou a figurar em listas de melhores discos dos anos 1960. A consistência artística tornou-se consenso. Assim, a recepção crítica consolidou o trabalho como clássico imediato. Poucos discos de retorno foram tão celebrados.

Comercialmente, “From Elvis in Memphis” também obteve grande sucesso. O álbum alcançou o Top 15 da Billboard 200 e teve desempenho expressivo em diversos países. O single “In the Ghetto” tornou-se um grande êxito internacional, entrando no Top 10 dos Estados Unidos e ampliando a relevância cultural do disco. Estima-se que o álbum tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, recebendo certificações de ouro e platina. O público respondeu com entusiasmo ao novo direcionamento musical de Elvis. Muitos fãs consideraram o disco seu melhor trabalho em anos. O sucesso ajudou a sustentar a fase de apresentações ao vivo que viria em seguida. Comercialmente e artisticamente, foi um triunfo. Esse desempenho confirmou a força duradoura do cantor.

O legado de “From Elvis in Memphis” é profundo dentro da história da música popular. Hoje, o álbum é frequentemente citado como o maior disco de estúdio de Elvis Presley e um dos grandes trabalhos do final dos anos 1960. Fãs e críticos o veem como prova definitiva de sua capacidade interpretativa e sensibilidade musical. O disco influenciou gerações de cantores que buscaram unir emoção soul com narrativa country. Também representa um exemplo clássico de reinvenção artística bem-sucedida. Sua sonoridade permanece atual décadas depois. Reedições contínuas mantêm o álbum vivo para novos ouvintes. Poucos retornos na música tiveram impacto comparável. Trata-se de uma obra central no legado de Elvis.

Elvis Presley – From Elvis in Memphis (1969)
Wearin’ That Loved On Look
Only the Strong Survive
I’ll Hold You in My Heart (Till I Can Hold You in My Arms)
Long Black Limousine
It Keeps Right On A-Hurtin’
I’m Movin’ On
Power of My Love
Gentle on My Mind
After Loving You
True Love Travels on a Gravel Road
Any Day Now
In the Ghetto

Erick Steve. 

sábado, 31 de janeiro de 2026

Elvis Presley - Elvis as Recorded at Madison Square Garden

O álbum “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” foi lançado oficialmente em 18 de junho de 1972, pela RCA Victor, em um momento decisivo da carreira de Elvis Presley. O disco reúne gravações ao vivo realizadas nos dias 9 e 10 de junho de 1972, durante quatro apresentações históricas no Madison Square Garden, em Nova York, um dos palcos mais emblemáticos do mundo. O contexto dessas gravações é marcado pelo auge do chamado “Elvis da fase Las Vegas”, quando o cantor já havia retornado triunfalmente aos palcos após os anos dedicados ao cinema. Registrar Elvis no Madison Square Garden tinha um peso simbólico enorme, pois representava sua consagração definitiva também no circuito cultural mais exigente dos Estados Unidos. Para Elvis, o álbum reafirmava sua relevância artística nos anos 1970 e demonstrava que ele ainda era capaz de mobilizar multidões. O projeto também serviu como resposta às críticas que afirmavam que Elvis já não tinha a mesma força vocal de outrora. Assim, o disco se tornou um marco de prestígio e afirmação em sua trajetória.

A recepção crítica inicial foi amplamente positiva, com destaque para o impacto cultural do evento e a potência do desempenho de Elvis. O The New York Times descreveu os concertos como “um espetáculo de pura presença de palco, no qual Elvis demonstra controle absoluto da plateia”, ressaltando o carisma quase mítico do artista. Já o Los Angeles Times enfatizou a força vocal do cantor, afirmando que “mesmo distante do rock cru dos anos 1950, Elvis ainda canta com uma autoridade que poucos intérpretes de sua geração conseguem igualar”. A crítica também apontou a diversidade do repertório como um ponto forte, misturando rock, country, soul e música popular americana. Revistas especializadas destacaram a qualidade técnica da gravação, considerada superior à maioria dos discos ao vivo da época. O consenso geral era de que o álbum não era apenas um souvenir de shows históricos, mas um registro artístico sólido. Isso contribuiu para elevar ainda mais o status do lançamento.

No Variety, a análise foi igualmente favorável, descrevendo o álbum como “um documento essencial da fase madura de Elvis Presley”, destacando a reação entusiasmada do público nova-iorquino. A revista Billboard elogiou o disco pela capacidade de traduzir a energia do palco para o vinil, afirmando que “Elvis prova que continua sendo um artista de massas, capaz de dominar uma arena lendária como o Madison Square Garden”. A The New Yorker, conhecida por sua postura mais crítica, reconheceu que, embora o espetáculo tivesse elementos grandiosos, Elvis ainda mantinha uma conexão genuína com a música e com o público. Segundo a revista, “há momentos de emoção sincera que transcendem o espetáculo e revelam o intérprete por trás do ícone”. Essas análises ajudaram a consolidar o álbum como um dos registros ao vivo mais respeitados da carreira do cantor. Mesmo críticos mais céticos admitiram a importância histórica do lançamento.

Do ponto de vista comercial, “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” foi um grande sucesso. O álbum alcançou rapidamente o Top 20 da Billboard 200, chegando ao 13º lugar, um feito expressivo para um disco ao vivo naquele período. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 3 milhões de cópias em todo o mundo, recebendo certificações de ouro e platina em diversos países. Na Europa, o disco também teve bom desempenho, figurando nas paradas do Reino Unido e da Alemanha. O público respondeu de forma extremamente positiva, especialmente os fãs que viam no álbum uma oportunidade de “participar” de um evento histórico. As gravações capturam aplausos intensos e reações emocionadas da plateia, o que reforçou a sensação de autenticidade. Comercialmente, o álbum provou que Elvis ainda era uma força dominante na indústria fonográfica. Esse sucesso ajudou a manter sua relevância no competitivo mercado musical dos anos 1970.

O legado do álbum é significativo e duradouro. Atualmente, “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” é visto como um dos registros ao vivo mais importantes da carreira de Elvis Presley. Fãs e críticos o consideram um retrato fiel de sua fase madura, marcada por performances poderosas e um repertório diversificado. O disco também é frequentemente citado como um exemplo de como um artista pode se reinventar sem perder sua identidade. No contexto da história da música, o álbum reforça a ideia de Elvis como um artista capaz de atravessar gerações e estilos. Muitos músicos e estudiosos destacam esse trabalho como prova de sua habilidade vocal e de sua presença de palco incomparável. O álbum continua sendo reeditado em vinil e formatos digitais, mantendo-se relevante décadas após seu lançamento. Seu impacto permanece vivo tanto na cultura pop quanto na memória coletiva dos fãs.

Elvis Presley – Elvis as Recorded at Madison Square Garden (1972)
Also Sprach Zarathustra
That’s All Right
Proud Mary
Never Been to Spain
You Don’t Have to Say You Love Me
Polk Salad Annie
Love Me
All Shook Up
Heartbreak Hotel
Teddy Bear / Don’t Be Cruel
Love Me Tender
Blue Suede Shoes
Johnny B. Goode
Hound Dog
What Now My Love
Suspicious Minds
Introductions
I’ll Remember You
An American Trilogy
Funny How Time Slips Away
I Can’t Stop Loving You
Bridge Over Troubled Water
Can’t Help Falling in Love

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Elvis Now

Disco de Vinil: Elvis Now
Elvis Now, lançado em 20 de fevereiro de 1972, representa um momento curioso e relativamente subestimado da discografia de Elvis Presley. Diferente dos grandes álbuns conceituais ou dos discos ligados a filmes, este trabalho reuniu gravações feitas entre 1969 e 1971, período em que Elvis vivia uma forte retomada artística após o especial televisivo de 1968. O repertório mistura baladas introspectivas, country sofisticado e pop adulto, revelando um Elvis mais contido, maduro e emocionalmente direto.

Comercialmente, Elvis Now teve um desempenho sólido, embora discreto se comparado aos grandes sucessos do cantor na década de 1950 ou mesmo aos álbuns de retorno do final dos anos 1960. O disco alcançou posições respeitáveis na Billboard 200, beneficiando-se da enorme base de fãs que Elvis ainda mantinha no início dos anos 1970. As vendas foram consistentes, confirmando que, mesmo sem um single explosivo, Presley continuava sendo uma presença dominante no mercado fonográfico americano.

A reação da crítica na época foi moderadamente positiva, com destaque para a qualidade vocal do artista. O jornal The New York Times comentou que Elvis demonstrava “uma maturidade interpretativa rara, cantando menos para impressionar e mais para comunicar sentimento”. Já a revista Billboard descreveu o álbum como “um retrato honesto de um cantor que domina plenamente sua voz e seu estilo”, elogiando especialmente as faixas de clima introspectivo.

Alguns críticos, no entanto, apontaram a falta de unidade do álbum, resultado direto de sua natureza compilatória. O Rolling Stone, em resenha publicada em 1972, observou que o disco “carece de um conceito claro, mas compensa com interpretações vocais de alto nível”. Ainda assim, a imprensa reconheceu que Elvis soava mais confortável e confiante do que em muitos de seus trabalhos da fase final dos anos 1960.

Com o passar do tempo, Elvis Now passou a ser visto como um registro importante da fase adulta de Elvis Presley. O álbum revela um artista menos preocupado com tendências e mais focado na expressividade vocal e emocional. Embora não figure entre seus discos mais celebrados, permanece como um testemunho valioso de um Elvis experiente, tecnicamente refinado e ainda profundamente conectado à música que interpretava.

Erick Steve. 

sábado, 29 de novembro de 2025

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 5

"We Can Make the Morning" tem um belo trabalho vocal por parte dos grupos de apoio de Elvis. Essa canção sempre considerei uma das melhores sob esse aspecto. Talvez não tenha sido tão bem recebida pelo público porque sua sonoridade destoava um pouco do que tocava nas rádios na época. "American Pie" de Don McLean era um hit nas paradas e mostrava bem o que todos estavam querendo ouvir por volta de 1972. Músicas grandiosas como essa de Elvis Presley dificilmente iriam se sobressair no mercado.

A RCA Victor porém resolveu ignorar isso e colocou a música de Jay Ramsey como lado B do novo single de Elvis. Não houve boa receptividade, fazendo com que o compacto chegasse apenas ao quadragésimo lugar entre os compactos mais vendidos, um resultado muito longe do que a gravadora pretendia. É uma pena já que definitivamente a canção era bonita e bem executada. Apenas não era a ideal para ser lançada como single naquela ocasião. De qualquer maneira acabou recebendo boas críticas por parte de revistas especializadas em música. Se não foi tão bom do ponto de vista comercial, pelo menos ganhou a simpatia dos críticos musicais.

O Lado A desse mesmo single veio com a melancólica "Until It's Time For You To Go". Essa era uma nova versão de Elvis para um sucesso de meados dos anos 60. A música havia sido escrita e lançada pela artista canadense Buffy Sainte-Marie. Ela foi uma nativa que cantando sobre paz, amor e ativismo político, conseguiu se sobressair no cenário da música naquele período. Sua versão original é bem de acordo com o movimento hippie, com apenas voz e violão, algo singelo, simples, mas ao mesmo tempo bonito e harmonioso.

Elvis de certa forma tirou a melodia de suas origens e a levou para um estilo mais country and western. Também sua banda TCB vinha nessa pegada. Elvis assim tornava a música mais palatável para o público do sul dos Estados Unidos, que tinha mais familiaridade com a sonoridade vinda de Nashville. Muito provavelmente Elvis nem tenha se inspirada na gravação original de Sainte-Marie, mas sim na versão do grupo britânico The Four Pennies. Eles a gravaram em 1965 e conseguiram transformar sua gravação em um top 20 da parada. Um feito e tanto. Pena que na voz de Elvis a música não voltou a obter muito sucesso na parada de singles. Muito provavelmente ela já havia chegado ao máximo em termos de êxito comercial com os ingleses, sete anos antes.

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de novembro de 2025

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 4

Elvis Now - Parte 4
É fato que os americanos nunca deram muita bola para a balada romântica "Sylvia". Nos Estados Unidos essa música nunca chegou a ser um sucesso. Nem entre os fãs mais ardorosos daquele país há qualquer destaque dado para a canção. Assim ela é considerada mesmo um verdadeiro "Lado B", ou seja, uma faixa gravada apenas para completar o espaço de um disco. Nada mais do que isso. O curioso é que mesmo em fóruns de colecionadores no exterior há um certo desprezo pela gravação.

No Brasil as coisas mudam de figura. "Sylvia" foi certamente um dos maiores sucessos da carreira de Elvis Presley. A música tocou muito nas rádios, ajudou o álbum "Elvis Now" a vender muito em nosso país, além de ter sido colocada como single nacional para aproveitar o sucesso na época. O compacto (único no mundo todo) até hoje é cobiçado por quem coleciona discos de vinil.

Em suma, "Sylvia" foi um grande hit verde e amarelo, sob qualquer ponto de vista. Fazendo um exercício de imaginação, se Elvis tivesse vindo ao Brasil realizar algum show por aqui nos anos 70 certamente ele teria que colocar "Sylvia" como um dos destaques de seus concertos, já que o público brasileiro não iria admitir uma apresentação sem essa canção tão querida dos fãs brasileiros. Como infelizmente isso nunca aconteceu e como Elvis ficou mesmo enclausurado dentro dos Estados Unidos pelo resto de sua vida, ele nunca chegou a interpretar a música ao vivo, afinal para os americanos ela nunca passou de ser um mero "Lado B" da discografia do cantor. Que pena!

Avançando no disco temos ainda "Put Your Hand in the Hand". Confesso que nunca gostei muito dessa faixa. Ela tem uma melodia até agradável, mas o excesso de repetições da letra e do refrão cansam o ouvinte após algumas audições. A letra é gospel, trazendo de volta o Elvis religioso, sempre louvando a Deus. A letra basicamente é quase uma oração, incentivando o ouvinte a colocar seu destino nas mãos de Deus, ou melhor dizendo, colocando suas mãos nas mãos do homem da Galileia, que com suas próprias mãos acalmou as águas do mar. Basicamente é isso. Como se trata de uma música religiosa o refrão é repetido inúmeras vezes. Não há nada de errado nesse tipo de composição harmônica, apenas acredito que canse um pouco, funcionando melhor mesmo dentro de um culto religioso, com todos batendo palmas e cantando juntos.

Pablo Aluísio.

sábado, 4 de outubro de 2025

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 3

Elvis Now - Parte 3
Elvis nasceu em berço evangélico, mas jamais se fechou dentro da doutrina religiosa dos seguidores de Lutero. Pelo contrário, ao longo da vida ele procurou por várias manifestações religiosas diferentes, tendo estudado as religiões orientais (que sempre o fascinaram, até o fim da vida) e o cristianismo dito mais tradicional. Elvis tinha muito apreço com a religião católica, a primeira religião cristã a surgir na história, principalmente na forma como os católicos tratavam a Virgem Maria. Uma das orações preferidas do cantor aliás era a "Ave Maria" que ele sempre rezava em momentos de reflexão.

Assim Elvis decidiu que iria trazer a "Ave Maria" para seus discos. A forma que ele encontrou para isso foi gravar a canção religiosa católica "Miracle of the Rosary", que ele considerava belíssima! Tão inspirado ficou ao ouvi-la pela primeira vez que comprou algumas imagens católicas para ter em sua casa, tanto em Graceland, como na Califórnia. Elvis não se importava com críticas de que aquilo seria algum tipo de idolatria, porque havia estudado o catecismo romano e entendido a razão de ser das imagens católicas. Nada a ver com idolatria ou algo do tipo. Esse era um velho preconceito evangélico que Elvis não aceitava, pelo contrário, sempre tentava explicar teologicamente que as imagens serviam apenas como instrumentos de fé. Além disso ele amava a arte sacra dos católicos, tendo trazido para seu figurino inúmeros crucifixos e adornos da igreja de Roma.

Um dos sonhos de Elvis inclusive era fazer uma viagem até Roma, para conhecer o Vaticano. Quando estava servindo o exército na Alemanha ele chegou a programar uma viagem que só foi cancelada na última hora por causa de imprevistos. Acabou assim indo até Paris, mas sem deixar de lado seus planos de ir até a Basílica de São Pedro. Nos anos 70 ele teve bastante vontade de realizar uma grande turnê por toda a Europa, com Roma incluída dentro do cronograma, mas tudo foi por água abaixo por causa do Coronel Parker que não tinha passaporte e não poderia acompanhar o cantor por seus shows pelas grandes cidades históricas da Europa.

Outro bom momento desse álbum "Elvis Now" veio com a faixa "Early Morning Rain". Um belo country, com melodia agradável e relaxante. De todas as canções desse disco essa foi certamente uma das que ele mais utilizou em seus concertos durante os anos 70. Aliás é interessante notar que também foi incluída no especial de TV "Aloha From Hawaii". Aqui Elvis não a usou no show propriamente dito, mas numa sequência própria, sem público, apenas a cantando de forma sóbria, concentrada. Curiosamente apesar de ser um country (um gênero nascido no sul dos Estados Unidos), a canção havia sido composta por um canadense, Gordon Lightfoot, em 1966. A versão porém que inspirou Elvis a gravar a faixa foi a de Peter, Paul and Mary. Elvis simplesmente adorava o estilo vocal desse trio que fez grande sucesso nos anos 60.

Pablo Aluísio.

sábado, 27 de setembro de 2025

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 2

Elvis Now - Parte 2
Havia uma variedade de gêneros musicais nesse álbum de Elvis lançado em 1972, mas era inegável também que a country music se fazia muito presente em seu repertório. A primeira faixa do disco era justamente um country chamado  "Help Me Make It Through The Night" de autoria do cantor e compositor Kris Kristofferson. Era uma canção bem recente na época, lançada no disco "Kristofferson" de 1970. Esse álbum tinha se tornado um dos preferidos de Elvis, justamente pelo seu estilo country / rock de Nashville que estava começando a se sobressair nas rádios do sul.

A história de criação dessa canção é bem curiosa. Ela foi explicada pelo autor alguns anos depois, em entrevista. Ele disse que leu uma entrevista de Frank Sinatra para a revista Esquire onde o cantor se esquivava de uma pergunta sobre suas crenças religiosas. Frank respondeu: "Em que eu acredito? Eu acredito em um copo de whisky, em uma boa companhia, na bíblia... ou em qualquer coisa que me ajude a atravessar a noite!".

Sinatra vinha passando por uma crise depressiva após o fim de seu casamento e passava as noites em claro, tentando chegar no dia seguinte. Foi justamente em cima dessa declaração que Kris Kristofferson escreveu sua canção. Inicialmente ele ofereceu a música para Dottie West, mas ela recusou. Assim ele acabou a gravando originalmente para o seu álbum de 1970. A versão de Elvis surgiria dois anos depois. Para alguns Elvis havia se identificado com a letra, pois ele também vinha passando por problemas relacionados a uma grave depressão, após o fim de seu casamento com Priscilla. Além disso Elvis tinha sérios problemas de insônia, que o deixava acordado por noites seguidas. Assim se tornava bem óbvio que ele tinha muitos motivos para se ver naquelas palavras escritas por Kristofferson.

Outro country do disco foi a faixa "Fools Rush In". A primeira versão veio com Johnny Mercer em 1940. Tempo de guerra, com os soldados americanos se preparando para lutar na Europa contra os nazistas. Essa versão porém era bem antiga, não marcando muito Elvis (afinal ele tinha apenas cinco anos de idade quando ela foi lançada) As versões que parecem ter inspirado Elvis vieram bem depois, primeiro com Frank Sinatra e depois com Ricky Nelson que a transformou em um grande sucesso em 1963. A letra também demonstrava trazer uma certa identificação para Elvis na época. Afinal apenas os tolos abriam completamente seu coração. Com a traição de Priscilla, o divórcio e tudo o mais que de ruim lhe havia acontecido não era mesmo de se admirar que Elvis não se sentisse apenas magoado com o fracasso de seu casamento, mas também como um verdadeiro tolo por ter acreditado demais no amor.

Pablo Aluísio. 

sábado, 13 de setembro de 2025

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 1

Elvis Now - Parte 1
Os brasileiros de forma em geral gostam bastante desse álbum "Elvis Now". As razões para isso são várias. Vai desde a inclusão de um dos maiores sucessos de Elvis no Brasil com a canção "Sylvia", passa pelo fato de ter uma das músicas mais marcantes dos Beatles, "Hey Jude" (o que levou muitos a comprarem o disco naquele distante ano de 1972), indo até seu design de capa, multicolorida, com jeitão hippie. Também foi um dos LPs mais vendidos de Elvis em nosso país, ganhando várias reedições ao longo dos anos. De fato temos aqui um excelente disco de estúdio, um pouco diferente em sua produção dos grandes discos de Elvis da época, mas que se firmou mesmo por causa de sua bela qualidade artística. Por essa época Elvis estava vivendo seu inferno astral, com o conturbado e complicado divórcio de Priscilla. Isso porém ainda era meio ocultado do público em geral, assim todos apenas pensavam que Elvis estava vivendo mais um bom momento em sua carreira profissional, cantando regularmente em Las Vegas, fazendo turnês, etc. Uma época bacana de sua vida, isso apesar das pistas deixadas por Presley em várias das letras que cantava nesse período.

Bom, é consenso que uma das razões do sucesso de vendas de "Elvis Now" foi mesmo a inclusão de uma bela versão de "Hey Jude", o clássico imortal dos Beatles. Elvis deu uma leveza toda própria à sua versão, culminando em uma sonoridade e uma performance realmente magistral. Um aspecto que gosto muito dessa gravação é que Elvis canta a balada com uma certa suavidade, uma leveza, que não havia nem mesmo na versão original dos Beatles. Isso se deveu ao fato de que Elvis na verdade não tinha programado nada no sentido de gravar a música dos Beatles. A coisa simplesmente aconteceu dentro do estúdio, quase como se fosse um ensaio sem maiores compromissos. Perceba que Elvis não segue à risca a ordem da letra original. Ele começa até mesmo com um verso errado. Também podemos perceber o quanto ele estava relaxado ao rir um pouco quase no final da faixa (coisa que nos velhos tempos inutilizaria qualquer take com pretensões de se tornar uma faixa oficial). No final das contas era apenas Elvis cantarolando uma música de que gostava, sem pressão, sem pretensão de soar perfeito. 

Outro fato curioso é que durante anos os Beatles silenciaram sobre a gravação de "Hey Jude" por parte de Elvis. Na realidade eles nem sequer existiam mais como grupo em 1972. Isso porém não evitou uma certa expectativa sobre a opinião do quarteto sobre essa faixa. Tudo ficou meio omisso até que Paul McCartney visitou Memphis durante uma de suas concorridas turnês. Ele foi até Graceland, visitou o museu, posou ao lado das guitarras que tinham pertencido a Elvis e depois, falando com a imprensa americana, confidenciou que havia amado a versão de Elvis para uma de suas maiores criações, justamente a versão de "Hey Jude" que ouvimos nesse disco. O próprio explicou tudo com seu jeito peculiar de se expressar ao afirmar: "Adoro ouvir Elvis cantando Hey Jude! É ótimo, tenho o disco até hoje comigo! Fantástica interpretação!". Assim se o próprio criador desse hino imortal dos anos 60 adorou a faixa quem somos nós para criticar qualquer coisa, não é mesmo?

Outro aspecto curioso desse disco foi a opção da RCA Victor em colocar a versão completa, sem cortes, de "I Was Born About Ten Thousand Years Ago". Como sabemos essa música foi picotada no disco "Elvis Country" de maneira até interessante, original, mas também torturante para quem queria ouvi-la completa. Para apaziguar as críticas de quem ficou insatisfeito por tê-la apenas aos pedaços no disco de 1971, a gravadora resolveu ouvir as reclamações, a selecionando aqui da forma como foi gravada, completa, sem  Interrupções ou algo do tipo. A letra, como já tivemos a oportunidade de explicar, ia bem ao encontro de algumas crenças e doutrinas religiosas que Elvis vinha estudando naqueles tempos, com referências a reencarnação e imortalidade da alma. Por isso a afirmação de se ter mais de dez mil anos! Coisas que Elvis conversava praticamente todos os dias com seu cabeleireiro e "guru" Larry Geller. Ler e debater temas religiosos era um dos passatempos preferidos do cantor, algo que ele nunca abandonou, colecionando literatura sobre o assunto até o dia em que morreu.

Pablo Aluísio.