quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Terror em Silent Hill - O Regresso Para o Inferno

Terror em Silent Hill - O Regresso Para o Inferno 
Há uma regra não escrita em Hollywood em que se afirma que o terceiro filme de qualquer franquia sempre é o pior de todos. Bom, há exceções certamente sobre isso, mas pelo menos em filmes de terror esse fato curioso parece sempre acontecer. É o que temos aqui. Dos três filmes da franquia cinematográfica "Silent Hill" esse é certamente o mais fraco. Isso não quer dizer que seja um filme de todo ruim, muito pelo contrário. Há aspectos nesse filme que certamente apreciei. Um deles foi a forma como o roteiro conta a sua história. Não temos uma história tão linear como se pensava. Idas e vindas entre passado e presente são intercaladas e de modo muito criativo. O espectador vai precisar de uma certa paciência até que todos os pedaços venham a formar um todo com sentido lógico.

Tentado colocar ordem no enredo vou aqui resumir do que se trata: Dois jovens se conhecem por mero acaso do destino, se apaixonam e vão morar em Silent Hill, uma pequena cidade de interior. Lugar bucólico, com pessoas gentis. Só que o passado da garota é bem sombrio. Seu pai era líder de uma estranha seita e quando morre, ela, mesmo sem querer, acaba se tornando sua herdeira espiritual. Passam os anos. O rapaz, eternamente apaixonado e até mesmo um tanto obcecado por seu amor do passado, está de volta a Silent Hill em busca de sua amada. Uma jornada fadada ao fracasso completo pois a cidade está abandonada. Pior do que isso, estranhas criaturas vagam por suas ruas desertas. Não há uma única alma viva naquele lugar!

Por falar em criaturas uma das melhores coisas de Silent Hill é sua coleção de monstros estranhos, com designs mais do que bizarros. Um bom filme de Silent Hill se sobressai justamente por apresentar o maior número possível desses seres. Pois bem, nesse quesito o terceiro filme deixa mesmo a desejar. Está lá o "Pyramide Head", símbolo da franquia, mas fora ele nenhuma grande novidade. Apenas a própria criatura alada, com dois braços e duas pernas, no melhor estilo demônio voador, soa como novidade. Faltou mesmo um maior leque de criaturas interessantes. Então é isso. Um filme menor dentro de uma das franquias de terror mais interessantes que ainda estão na ativa. 

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (Return to Silent Hill, Estados Unidos, França, Japão, 2026) Direção: Christophe Gans / Roteiro: Christophe Gans, Sandra Vo-Anh e William Josef Schneider - Baseado no jogo: Silent Hill 2, da Konami  / Elenco: Jeremy Irvine, Hannah Emily Anderson, Evie Templeton, Robert Strange e Pearse Egan / Sinopse: Jovem apaixonado volta a Silent Hill em busca de sua amada, há muito desaparecida, e acaba encontrando o inferno na Terra!

Pablo Aluísio. 

Os Estranhos

Os Estranhos
Os Estranhos (The Strangers) foi lançado em 30 de maio de 2008, dirigido por Bryan Bertino e estrelado por Liv Tyler e Scott Speedman, com participações de Gemma Ward, Kip Weeks e Laura Margolis. Inserido no subgênero do terror de invasão domiciliar, o filme acompanha um casal que se refugia em uma casa isolada após uma noite emocionalmente difícil. O ponto de partida da narrativa ocorre quando batidas misteriosas à porta iniciam uma sequência de acontecimentos perturbadores, revelando a presença de figuras mascaradas que passam a cercar a residência. A partir desse momento, o longa constrói uma atmosfera crescente de medo, silêncio e vulnerabilidade, explorando a sensação de ameaça constante e imprevisível. A história se desenvolve de forma minimalista e claustrofóbica, concentrando-se na experiência psicológica das vítimas sem antecipar os desdobramentos finais do confronto.

No momento de seu lançamento, Os Estranhos recebeu uma reação crítica mista, com elogios ao clima de tensão e críticas à simplicidade narrativa. O The New York Times destacou a eficácia do suspense construído a partir do silêncio e da espera, observando que o filme era “perturbador justamente por sua aparente banalidade”. O jornal ressaltou ainda a atuação contida de Liv Tyler, capaz de transmitir medo genuíno sem recorrer a excessos melodramáticos. Já o Los Angeles Times elogiou a direção de Bryan Bertino por privilegiar atmosfera em vez de sustos fáceis, embora tenha apontado limitações no desenvolvimento dramático dos personagens.

A revista Variety classificou o longa como “um exercício de tensão eficiente e cruel”, enfatizando que sua força residia na sensação de realismo e na ausência de explicações reconfortantes. O The New Yorker observou que o filme parecia interessado em provocar desconforto existencial mais do que entretenimento convencional, ainda que isso resultasse em narrativa deliberadamente simples. Parte da crítica considerou o minimalismo uma qualidade essencial, enquanto outra parte viu nisso uma limitação estrutural. O consenso geral permaneceu dividido, mas reconhecendo a capacidade do filme de gerar medo intenso com poucos elementos.

No aspecto comercial, Os Estranhos foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 9 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 52 milhões nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 80 milhões mundialmente. O forte retorno financeiro demonstrou a viabilidade comercial de produções de terror de baixo custo baseadas em atmosfera e conceito simples. O desempenho também consolidou Bryan Bertino como novo nome do gênero e abriu caminho para continuações e expansão da marca anos depois.

Com o passar do tempo, Os Estranhos conquistou status de terror cult moderno, sendo frequentemente citado entre os filmes mais perturbadores dos anos 2000. Críticos contemporâneos tendem a valorizar ainda mais sua abordagem minimalista, a sensação de realismo cruel e a ausência de explicações sobrenaturais ou morais claras. A obra passou a ser estudada como exemplo eficaz de horror baseado em vulnerabilidade cotidiana e violência aleatória. Mesmo divisivo, o filme mantém forte reputação entre fãs do gênero e influência perceptível em produções posteriores de invasão domiciliar.

Os Estranhos (The Strangers, Estados Unidos, 2008) Direção: Bryan Bertino / Roteiro: Bryan Bertino / Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman, Gemma Ward, Kip Weeks, Laura Margolis, Glenn Howerton / Sinopse: Um casal isolado em uma casa de campo passa a ser aterrorizado por invasores mascarados que transformam uma noite comum em uma experiência extrema de medo e sobrevivência.

Erick Steve. 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mais Forte que a Vingança

Mais Forte que a Vingança
Depois de muitos, muitos anos, decidi rever esse filme. Minhas lembranças eram boas e essa antiga sensação de ser um filme muito bom voltou a se confirmar nessa reprise tardia. Primeiro de tudo temos que reconhecer a coragem que Robert Redford teve na época em estrelar esse filme. O Western já era considerado um gênero do passado e não rendia mais boas bilheterias. Imagine então atuar em um filme assim, bem no auge de sua carreira, sendo considerado naquele momento o "Golden Boy" de Hollywood. E ainda mais interpretando um papel nada condizente com sua imagem de galã. Afinal Redford surgia em cena barbudo, sujo de lama, despenteado,  o que era de acordo com o papel que interpretava, a de um homem que largava tudo para ir viver nas montanhs rochosas, um dos lugares mais inóspitos à vida humana que se tem notícia. Era um ermitão, um homem que pretendia viver isolado, na mais completa solidão. 

Quando o filme começa não temos maiores informações sobre o protagonista. Ele simplesmente surge numa cidade no pé da montanha. Compra uma mula, munições, alguns suprimentos e vai embora para o alto da montanha. No caminho, em busca de solitude, acaba encontrando pessoas bem interessantes, como um velho caçador de ursos, já meio louco, que vive numa cabana afundada na neve. E mesmo sem querer, acaba até mesmo unindo sua vida à de uma indígena, de uma tribo das "Black Hills". Para quem buscava por uma vida solitária ele acaba mesmo arranjando até uma pequena família nesse processo de isolamento voluntário!

O personagem de Redford acaba assim vivendo uma vida dura, no velho oeste mais selvagem que você possa imaginar. E a luta pela sobrevivência é algo normal para quem vive nessas condições. E ele está disposto e lutar por seu alimento, pelo território em que está vivendo, pelo seu direito de existir em essência. Claro que indo para uma região como aquela, dominada por tribos hostis como os Siouxs, Corvos e Pés Pretos, ele iria ter problemas com os nativos. A história é assim intercalada com grandes combates que ele trava com os índios, até finalmente ganhar o respeito de todos esses guerreiros que o colocaram à prova por anos e anos. Afinal era um homem branco, mas que provou seu valor, mostrando que conseguia morar e viver nas montanhas. Enfim, excelente filme, que rendeu um reconhecimento merecido pela coragem de Robert Redford naquele momento crucial de sua filmografia. 

Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson, Estados Unidos, 1972) Direção: Sydney Pollack / Roteiro: Vardis Fisher, Raymond W. Thorp, Robert Bunker / Elenco: Robert Redford, Will Geer, Delle Bolton / Sinopse: Homem errante decide ir morar no alto das montanhas rochosas. Não vai ser uma vida fácil, com muitas adversidades, entre elas o combate contra nativos hostis, ursos e demais animais selvagens, além da diária luta por comida e sobrevivência. 

Pablo Aluísio.

A Morte Anda a Cavalo

A Morte Anda a Cavalo
Lee Van Cleef (1925–1989) era americano, mas se notabilizou mesmo quando começou a estrelar uma série de filmes do estilo Western Spaguetti na Itália. Enquanto esteve nos EUA conseguiu participar do elenco de grandes filmes, disso não resta a menor dúvida, mas só conseguiu mesmo se tornar protagonista de seus próprios filmes quando descobriu o segredo do sucesso, que nada mais era do que os filmes de faroeste rodados na Europa, principalmente Itália e Espanha. Um exemplo perfeito disso podemos encontrar aqui nesse muito interessante "A Morte Anda a Cavalo". Distribuído nos Estados Unidos pela United Artists, o filme foi todo rodado na península ibérica com dinheiro italiano que naquele período estava realmente no auge comercial de seus filmes de western spaguetti. Como cenário ideal essas produções geralmente usavam locações na Andalucía, Espanha, onde nem o mais observador dos espectadores conseguiria notar qualquer diferença entre o deserto espanhol e o americano, pois de fato eram extremamente parecidos. O filme já demonstrava ter uma boa produção, fruto é claro do desenvolvimento técnico do cinema italiano já naquela época. Por isso passa longe de decepcionar os fãs de faroestes. Afinal ele foi realizado também pensando no mercado americano, o que exigia uma certa qualidade cinematográfica.

O enredo gira em torno de uma vingança. Quando garoto o pistoleiro errante Bill Meceita (John Phillip Law) viu toda a sua família ser morta por bandoleiros liderados pelo psicótico Burt Cavanaugh (Anthony Dawson). Nesse meio tempo, um outro às do gatilho, Ryan (Lee Van Cleef), finalmente deixa a prisão após cumprir 15 anos de pena em um buraco sujo e poeirento do velho oeste. Seu caminho cruzará com Bill, uma vez que ambos tem contas a acertar com Cavanaugh e seu bando de facínoras sanguinários. A partir do momento em que se unem para dar fim aos bandidos, tudo passa a se resumir em encontrar o local e a hora certa para o acerto de contas final com todos eles.

Em termos de roteiro e argumento o filme "A Morte Anda a Cavalo" realmente não traz nada de novo. É a velha saga de justiça pelas próprias mãos, lavando a honra e o sangue da família morta pelos malfeitores. É um tema de vingança. O que de fato salva o filme é a boa participação de Lee Van Cleef que adota uma posição dúbia em relação ao seu jovem parceiro, ora o traindo, ora sentindo-se próximo a ele. No final haverá uma pequena reviravolta sobre essa amizade que dará uma pequena sobrevida ao filme, mas isso de certa forma não tem tanta importância. O que vale aqui é realmente a pura diversão, com cenas ao estilo spaguetti que certamente deixaria Tarantino louco de inveja após assistir.

A Morte Anda a Cavalo (Da uomo a uomo, Itália, Espanha, 1967) Direção: Giulio Petroni / Roteiro: Luciano Vincenzoni / Elenco: Lee Van Cleef, John Phillip Law, Mario Brega / Sinopse: Jovem pistoleiro (Law) se une a veterano (Cleef) para liquidar um bando de bandidos que matou sua família no passado. Unidos, terão que matar homem a homem, da forma mais rápida possível.

Pablo Aluísio.