segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Ursus

Título no Brasil: Urdus
Título Original: Ursus (também lançado internacionalmente como Mighty Ursus e, na televisão americana, como Ursus, Son of Hercules)
Ano de Lançamento: 1961
País: Itália e Espanha
Estúdio: Cine Italia Film e Atenea Films
Direção: Carlo Campogalliani
Roteiro: Giuseppe Mangione, Giuliano Carnimeo e Sergio Sollima
Elenco: Ed Fury, Moira Orfei, Cristina Gaioni, María Luisa Merlo, Mario Scaccia, Luis Prendes e Soledad Miranda. O filme foi o primeiro da série cinematográfica dedicada ao herói Ursus.

Sinopse:
Após anos lutando em uma guerra distante, o poderoso Ursus finalmente retorna à sua terra natal com o desejo de casar-se com sua noiva, Attea. No entanto, ao chegar, descobre que ela foi sequestrada por uma misteriosa seita liderada por uma rainha cruel que realiza sacrifícios humanos em honra à sua divindade. Determinado a resgatá-la, Ursus inicia uma perigosa jornada ao lado de Doreide, uma jovem escrava cega que demonstra grande coragem e lealdade. Durante a missão, o herói enfrenta mercenários, sacerdotes fanáticos, desertos, armadilhas e um império governado pelo medo. Ao descobrir que a conspiração é muito maior do que imaginava, Ursus lidera uma revolta dos escravos contra a tirania da rainha. O clímax acontece em uma arena, onde o herói enfrenta um gigantesco touro em uma das cenas mais lembradas do cinema peplum, antes de conduzir o ataque final contra os opressores.

Comentários:
Lançado em 1961, Ursus foi um dos filmes responsáveis por consolidar o enorme sucesso do gênero peplum — conhecido como "espada e sandália" — que dominou o cinema italiano no início da década de 1960. Embora não tenha alcançado a mesma popularidade internacional dos filmes estrelados por Steve Reeves, a produção foi bem recebida pelo público apreciador do gênero graças à presença física impressionante de Ed Fury e ao ritmo constante de aventura. A crítica da época tratou o filme como entretenimento popular, destacando principalmente as sequências de ação e a direção segura de Carlo Campogalliani. O roteiro, que contou com a colaboração do futuro diretor Sergio Sollima, foi elogiado por oferecer uma narrativa mais dinâmica do que a média das produções mitológicas de baixo orçamento. A fotografia de Eloy Mella valorizou as paisagens espanholas utilizadas como cenário da Antiguidade, enquanto a trilha sonora de Roman Vlad ajudou a criar a atmosfera épica. Os críticos também chamaram atenção para a presença de uma jovem Soledad Miranda, que anos depois se tornaria um dos grandes nomes cult do cinema fantástico europeu.

Com o passar das décadas, Ursus ganhou reconhecimento como um dos títulos mais representativos do auge do cinema peplum. Historiadores do cinema observam que seu sucesso deu origem a uma série de aventuras protagonizadas pelo personagem, incluindo Ursus na Vale dos Leões e Ursus na Terra de Fogo. O filme passou a ser bastante valorizado por colecionadores e admiradores do cinema italiano clássico, especialmente por preservar todas as características do gênero: heróis de força extraordinária, vilões extravagantes, rainhas perversas, batalhas, cenários grandiosos e confrontos espetaculares. Em retrospectivas publicadas por revistas especializadas, Ed Fury costuma ser lembrado como um dos grandes astros do ciclo dos filmes mitológicos, mesmo sem atingir a fama de Steve Reeves ou Reg Park. Atualmente, Ursus é considerado um clássico cult entre os fãs de aventuras históricas, sendo frequentemente exibido em mostras dedicadas ao cinema italiano e reconhecido como uma obra importante para compreender a evolução do gênero "espada e sandália" durante a Era de Ouro do cinema popular europeu.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Ursus na Terra de Fogo

Título no Brasil: Ursus na Terra de Fogo
Título Original: Ursus nella terra di fuoco
Título Internacional: Ursus in the Land of Fire
Ano de Lançamento: 1963
País: Itália
Estúdio: Cine Italia Film
Direção: Giorgio Simonelli
Roteiro: Arpad DeRiso, Nino Stresa e Giorgio Simonelli
Elenco: Reg Park, Ettore Manni, Mimmo Palmara, Maria Perschy, Luciana Gilli e Alberto Lupo.

Sinopse:
Em uma época lendária, o reino de Thessalia vive sob a ameaça constante do tirânico General Milo, que pretende conquistar os povos vizinhos por meio da força. Durante uma campanha militar, o herói Ursus, famoso por sua força extraordinária e por seu senso de justiça, retorna para defender o reino e libertar a princesa Diana, mantida prisioneira pelos invasores. Enquanto enfrenta exércitos, traições e conspirações políticas, Ursus também precisa atravessar uma região conhecida como "Terra de Fogo", marcada por vulcões ativos, rios de lava e perigos naturais que tornam a missão ainda mais difícil. Com sua coragem e força sobre-humana, ele lidera a resistência contra os usurpadores, enfrentando sucessivos desafios até o confronto final pelo destino do reino. O filme segue a tradição dos épicos italianos de espada e sandália (peplum), combinando aventura, romance e grandes demonstrações de heroísmo.

Comentários:
Lançado em 1963, Ursus na Terra de Fogo pertence ao período áureo do cinema peplum italiano, gênero que dominou as produções de aventura na Itália entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1960. Embora não tenha alcançado a notoriedade internacional de títulos estrelados por Steve Reeves, o filme recebeu avaliações positivas da crítica especializada em cinema de aventura por seu ritmo ágil e pela presença carismática de Reg Park, um dos mais famosos fisiculturistas da época e tricampeão do concurso Mr. Universe. Revistas italianas dedicadas ao cinema popular elogiaram a direção de Giorgio Simonelli por explorar ao máximo os cenários naturais e os efeitos especiais artesanais utilizados para representar erupções vulcânicas e rios de lava. Críticos também destacaram a trilha sonora de Carlo Franci e a fotografia colorida, que contribuíram para criar uma atmosfera épica mesmo com um orçamento modesto. Nos Estados Unidos, onde foi lançado em circuitos de cinema de bairro e sessões duplas, o filme recebeu pouca atenção da grande imprensa, mas foi bem acolhido pelos admiradores dos filmes de aventura mitológica.

Com o passar das décadas, Ursus na Terra de Fogo conquistou status de clássico cult entre os fãs do gênero peplum. Historiadores do cinema reconhecem que a série de filmes de Ursus ajudou a popularizar os heróis musculosos que dominaram o cinema italiano antes da ascensão dos westerns spaghetti. Em retrospectivas publicadas por revistas especializadas como Video Watchdog e Filmfax, a produção é frequentemente lembrada pelo desempenho físico impressionante de Reg Park, cuja presença influenciou jovens fisiculturistas, entre eles Arnold Schwarzenegger, que sempre citou Park como uma de suas maiores inspirações. Os fãs também elogiam as cenas de batalha, os figurinos coloridos e o clima de fantasia heroica característico do período. Embora alguns efeitos especiais pareçam simples para os padrões atuais, eles são vistos com simpatia por representar a criatividade do cinema italiano de baixo orçamento. Hoje, Ursus na Terra de Fogo continua sendo considerado um dos títulos mais divertidos da franquia Ursus e uma obra representativa da fase final dos grandes épicos de espada e sandália produzidos na Itália antes da mudança de preferência do público para outros gêneros cinematográficos.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

domingo, 16 de agosto de 2026

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band 
Lançado em 26 de maio de 1967, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi o oitavo álbum de estúdio dos The Beatles e um dos discos mais importantes da história da música popular. Gravado ao longo de vários meses nos estúdios Abbey Road, em Londres, o álbum representou uma transformação radical na maneira como um disco poderia ser concebido. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, trabalhando ao lado do produtor George Martin, utilizaram técnicas de gravação extremamente inovadoras para a época. A banda abandonou definitivamente a obrigação de reproduzir suas músicas nos palcos e passou a tratar o estúdio como um verdadeiro instrumento musical. O resultado incorporou rock, psicodelia, música indiana, música clássica, music hall e experimentação eletrônica. A famosa capa, criada por Peter Blake e Jann Haworth, também se tornou uma das imagens mais famosas da cultura popular. Sgt. Pepper transformou o conceito de álbum de rock e marcou profundamente o cenário cultural de 1967.

A reação da crítica foi extraordinária, embora algumas avaliações iniciais tenham sido cautelosas diante de tamanha novidade. A Billboard destacou a criatividade do álbum e sua produção "revolucionária", reconhecendo que os Beatles haviam levado a música popular a um território até então pouco explorado. A New Musical Express publicou uma avaliação entusiasmada, tratando o disco como uma demonstração da extraordinária capacidade criativa do grupo. A Melody Maker também ressaltou a qualidade das composições e a inovação dos arranjos. Nos Estados Unidos, a Rolling Stone ainda não existia quando o álbum foi lançado — a revista seria fundada apenas em novembro de 1967 —, mas posteriormente passou a considerar Sgt. Pepper uma referência absoluta na história do rock. O crítico Jon Landau e outros jornalistas da época reconheceram que os Beatles haviam ultrapassado a ideia tradicional de um grupo de rock para se transformarem em artistas de estúdio.

A imprensa generalista também percebeu imediatamente que havia algo excepcional naquele lançamento. O The New York Times publicou uma análise extremamente favorável, descrevendo Sgt. Pepper como uma obra que demonstrava a crescente sofisticação da música popular. O crítico musical William Mann, do The Times, já havia chamado atenção desde 1963 para a sofisticação harmônica dos Beatles, e a evolução observada em Sgt. Pepper confirmou aquelas primeiras impressões. A The New Yorker também acompanhou a transformação cultural provocada pelo grupo, reconhecendo que os Beatles haviam se tornado protagonistas de uma mudança muito maior do que simplesmente musical. Entre os aspectos mais admirados estavam "A Day in the Life", "Lucy in the Sky with Diamonds", "With a Little Help from My Friends" e "Within You Without You". A avaliação retrospectiva tornou-se ainda mais impressionante: críticos passaram a considerar o álbum um dos exemplos definitivos de como o estúdio poderia ser utilizado para ampliar as possibilidades criativas da música popular.

Comercialmente, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi um fenômeno mundial. No Reino Unido, chegou imediatamente ao primeiro lugar da UK Albums Chart e permaneceu no topo durante 27 semanas, tornando-se um dos maiores sucessos da história da indústria fonográfica britânica. Nos Estados Unidos, também alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, permanecendo no topo por 15 semanas. O álbum vendeu milhões de cópias em todo o mundo e recebeu múltiplas certificações de platina. Apesar de não ter sido lançado inicialmente como um álbum de singles, músicas como "With a Little Help from My Friends" e "Lucy in the Sky with Diamonds" tornaram-se mundialmente conhecidas. A influência comercial do disco foi acompanhada por um enorme impacto cultural: praticamente todos os elementos do lançamento — capa, conceito, produção e repertório — transformaram-se em referências da cultura popular. O sucesso de Sgt. Pepper demonstrou definitivamente que um álbum poderia ser simultaneamente um fenômeno comercial e uma obra de arte.

O legado de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band é monumental. O disco é frequentemente classificado entre os maiores álbuns de todos os tempos e, durante décadas, ocupou o primeiro lugar em diversas listas de especialistas. Sua influência alcançou o rock progressivo, a psicodelia, o art rock, o pop e inúmeras outras vertentes da música popular. O álbum também ajudou a estabelecer a ideia de que o LP poderia possuir uma importância artística comparável à de outras formas de expressão cultural. Para os fãs dos Beatles, representa o momento em que o grupo atingiu uma liberdade criativa praticamente ilimitada. "A Day in the Life" permanece como uma das composições mais ambiciosas da carreira dos Beatles, enquanto a capa continua sendo uma das mais reconhecidas da história da música. Mais de cinco décadas depois, Sgt. Pepper continua sendo estudado, ouvido e redescoberto por novas gerações, permanecendo como um dos grandes marcos da história do século XX.

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
With a Little Help from My Friends
Lucy in the Sky with Diamonds
Getting Better
Fixing a Hole
She's Leaving Home
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Within You Without You
When I'm Sixty-Four
Lovely Rita
Good Morning Good Morning
Sgt. Pepper's Lonely Hearts

Pablo Aluísio. 

sábado, 15 de agosto de 2026

Elvis Presley - Loving You

Elvis Presley - Loving You 
Lançado em 1º de julho de 1957, Loving You foi o primeiro álbum de trilha sonora de Elvis Presley e o seu terceiro álbum de estúdio, ocupando uma posição importante na consolidação de sua carreira cinematográfica. O disco funcionou como trilha sonora do filme Loving You, lançado naquele mesmo mês, e reuniu gravações realizadas principalmente nos estúdios da Paramount e da Radio Recorders, em Hollywood. O álbum representava uma etapa decisiva na carreira de Elvis: depois do impacto revolucionário de seus primeiros singles e de Elvis, de 1956, ele começava a transformar sua popularidade musical em um fenômeno também cinematográfico. O repertório combinava rock and roll, country, baladas e números mais próximos do pop tradicional, permitindo que Presley mostrasse diferentes aspectos de sua personalidade artística. A faixa-título, "Loving You", tornou-se um de seus grandes sucessos daquele período, enquanto "Mean Woman Blues" e "Teddy Bear" reforçaram sua capacidade de alternar entre energia roqueira e romantismo. Loving You também é importante por documentar Elvis no momento exato em que ele deixava de ser apenas uma sensação musical para se transformar em um dos maiores astros populares dos Estados Unidos.

A recepção crítica foi geralmente positiva, especialmente entre as publicações voltadas à indústria fonográfica. A Billboard destacou a força comercial do material e a capacidade de Elvis de transitar entre diferentes estilos, observando que o cantor continuava demonstrando "um extraordinário domínio sobre o mercado juvenil". A Cash Box elogiou a variedade do repertório e apontou "Teddy Bear" como uma das faixas mais acessíveis e comerciais do conjunto. A crítica também observou que Elvis estava começando a desenvolver uma relação mais complexa com o cinema: suas músicas precisavam funcionar dentro da narrativa de um filme, mas continuavam sendo lançadas como produtos independentes nas lojas de discos. A Variety avaliou positivamente a trilha sonora e destacou a presença de Presley como o principal elemento de atração do filme. Para os críticos da época, Loving You confirmava que o sucesso de Elvis não era um fenômeno passageiro, mas uma transformação profunda da indústria do entretenimento.

A imprensa também percebeu que o disco representava uma nova etapa na carreira do cantor. O The New York Times observou que Elvis havia conseguido levar sua popularidade musical para o cinema sem perder completamente a energia que o havia tornado famoso. O Los Angeles Times, por sua vez, chamou atenção para a combinação entre o carisma cinematográfico de Presley e sua capacidade de sustentar um repertório musical variado. A imprensa especializada também destacou a importância de "Teddy Bear", uma balada pop que mostrou que Elvis poderia alcançar públicos muito além dos admiradores tradicionais do rock and roll. A crítica posterior passou a avaliar o álbum dentro do contexto da primeira fase cinematográfica do cantor, reconhecendo que, apesar de sua natureza ligada ao filme, Loving You contém algumas gravações fundamentais de seu repertório de 1957. Especialistas também valorizam a energia das sessões de gravação, nas quais Elvis trabalhou com músicos como Scotty Moore, Bill Black e D. J. Fontana, responsáveis por parte essencial da sonoridade de seus primeiros anos.

Comercialmente, Loving You foi um enorme sucesso. O álbum alcançou o primeiro lugar da parada de álbuns da Billboard, tornando-se mais um LP de Elvis a chegar ao topo da parada americana. O sucesso foi ainda mais impressionante porque ocorreu quando o cantor tinha apenas 22 anos e estava no auge da transformação cultural provocada pelo rock and roll. O single "Teddy Bear" também chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100, permanecendo no topo por sete semanas. "Loving You" também teve excelente desempenho e chegou ao Top 30. O álbum recebeu posteriormente certificação de ouro pela RIAA, comprovando vendas superiores a 500 mil cópias nos Estados Unidos. O desempenho de Loving You confirmou que Elvis possuía uma capacidade extraordinária de transformar praticamente qualquer lançamento em um fenômeno comercial e mostrou à indústria cinematográfica que seus filmes poderiam funcionar também como grandes veículos para sua música.

O legado de Loving You permanece profundamente ligado ao período em que Elvis Presley consolidou sua posição como o maior astro jovem da música americana. Para os historiadores do rock, o álbum registra uma fase em que sua carreira ainda mantinha grande parte da energia rebelde dos primeiros anos, antes que Hollywood passasse a exercer influência cada vez maior sobre seu repertório. Para os fãs, o disco é especialmente importante por reunir gravações de 1957 que mostram Elvis em excelente forma vocal e interpretativa. "Teddy Bear" permanece como uma de suas baladas mais populares, enquanto "Mean Woman Blues" demonstra que o cantor ainda dominava o rock and roll com enorme força. Embora posteriormente Elvis tenha produzido álbuns artisticamente mais sofisticados, Loving You conserva uma importância histórica enorme por representar o primeiro grande encontro entre sua carreira musical e cinematográfica. Mais de seis décadas depois, continua sendo um dos registros essenciais do período clássico do Rei do Rock.

Elvis Presley - Loving You (1957)
Mean Woman Blues
(Let Me Be Your) Teddy Bear
Loving You
Got a Lot o' Livin' to Do!
Lonesome Cowboy
Hot Dog
Party
Blueberry Hill
True Love
Don't Leave Me Now
Have I Told You Lately That I Love You?
I Need You So

Pablo Aluísio. 

The Doors - Strange Days

The Doors - Strange Days
Lançado em 25 de setembro de 1967, Strange Days foi o segundo álbum de estúdio do The Doors e consolidou a reputação do grupo como uma das forças mais originais e provocadoras da psicodelia americana. Gravado após o enorme impacto do álbum de estreia, o disco aprofundou a atmosfera sombria, sensual e experimental que havia caracterizado o primeiro trabalho. Jim Morrison, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore utilizaram o estúdio de maneira mais sofisticada, incorporando efeitos eletrônicos, novas técnicas de gravação e uma produção muito mais elaborada. Canções como "Strange Days", "People Are Strange", "Love Me Two Times" e "When the Music's Over" demonstravam que a banda não pretendia simplesmente repetir a fórmula de seu primeiro álbum. O resultado foi uma obra mais experimental e inquietante, refletindo perfeitamente o ambiente cultural de 1967, marcado pela contracultura, pela psicodelia e pelas profundas transformações sociais. Strange Days também revelou um grupo disposto a explorar os limites entre rock, poesia, jazz, blues e música psicodélica.

A recepção crítica foi bastante positiva, embora alguns jornalistas tenham considerado o álbum menos imediatamente acessível que o disco de estreia. A Billboard destacou a "atmosfera hipnótica" do trabalho e elogiou especialmente a combinação entre a voz de Morrison e os teclados de Manzarek. A Cash Box observou que o grupo continuava demonstrando uma personalidade musical incomum, destacando a força de "People Are Strange". A Rolling Stone, em sua avaliação do período, reconheceu a originalidade da banda e a qualidade das composições, embora observasse que o material possuía uma natureza mais experimental. A publicação destacou particularmente a capacidade de Morrison de combinar poesia, teatralidade e música popular. No Reino Unido, a New Musical Express também chamou atenção para a personalidade singular do grupo, especialmente para a maneira como os Doors construíam uma atmosfera musical que parecia simultaneamente ameaçadora e sedutora.

Os grandes jornais e revistas culturais também se interessaram pelo fenômeno Doors. O The New York Times destacou a intensidade da performance vocal de Morrison e a originalidade dos arranjos, observando que o grupo estava entre os nomes mais interessantes da nova geração do rock americano. O Los Angeles Times ressaltou a importância da combinação entre os instrumentos da banda, especialmente o uso do órgão e do teclado de Manzarek para criar uma sonoridade que não dependia de um baixo elétrico convencional. A The New Yorker, em retrospectivas posteriores sobre o rock dos anos 1960, destacou Strange Days como um retrato particularmente expressivo da atmosfera psicodélica de Los Angeles naquele período. A crítica posterior tornou-se ainda mais entusiasmada, com especialistas apontando "When the Music's Over" como uma das grandes experiências psicodélicas do rock. A crescente valorização do álbum ajudou a transformá-lo de um bom sucessor do primeiro disco em um clássico independente da música dos anos 1960.

Comercialmente, Strange Days teve desempenho expressivo, embora não tenha repetido exatamente o impacto de seu antecessor. O álbum alcançou a 3ª posição na Billboard 200, permanecendo por várias semanas entre os discos mais vendidos dos Estados Unidos. No Reino Unido, chegou à 7ª posição, demonstrando que o grupo começava a conquistar também o mercado europeu. O single "People Are Strange" alcançou o 12º lugar na Billboard Hot 100, enquanto "Love Me Two Times" também obteve bom desempenho. O álbum acabou recebendo certificação de platina nos Estados Unidos, com vendas superiores a um milhão de cópias. Seu sucesso confirmou que os Doors não eram apenas uma novidade passageira associada à psicodelia de 1967. O público estava disposto a acompanhar a banda em experiências musicais cada vez mais ousadas, preparando o terreno para os trabalhos posteriores que consolidariam definitivamente seu lugar na história do rock.

O legado de Strange Days é hoje enorme. O álbum é considerado por muitos especialistas um dos melhores trabalhos do The Doors e um dos documentos mais importantes da psicodelia americana de 1967. Sua atmosfera sombria, a produção experimental e a combinação entre rock, blues, jazz e poesia continuam influenciando músicos de diferentes gerações. "People Are Strange" tornou-se uma das canções mais reconhecíveis do repertório da banda, enquanto "When the Music's Over" permanece como uma demonstração da capacidade dos Doors de transformar uma canção de rock em uma experiência quase teatral. Para os fãs, o disco representa um dos momentos mais fascinantes da breve carreira do grupo, quando sua criatividade ainda parecia ilimitada. Mais de cinco décadas depois, Strange Days permanece como um clássico essencial do rock psicodélico e uma obra indispensável para compreender a revolução musical ocorrida nos Estados Unidos no final dos anos 1960.

The Doors - Strange Days (1967)
Strange Days
You're Lost Little Girl
Love Me Two Times
Unhappy Girl
Horse Latitudes
Moonlight Drive
People Are Strange
My Eyes Have Seen You
I Can't See Your Face in My Mind
When the Music's Over

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Hora do Silêncio

Título no Brasil: A Hora do Silêncio 
Título Original: The Silent Hour
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Meridian Pictures
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Dan Hall 
Elenco: Joel Kinnaman, Sandra Mae Frank, Mekhi Phifer, Mark Strong, Michael Eklund, Anthony Grant

Sinopse:
Frank Shaw (Joel Kinnaman) é um policial que sofre um sério acidente durante uma perseguição a um criminoso e perde a capacidade de ouvir. Ainda assim continua na corporação e acaba se envolvendo sem querer numa extensa rede criminosa com policiais corruptos. Esses querem eliminar uma testemunha de um de seus crimes, mas Frank vai fazer de tudo para proteger a jovem, que também tem deficiência auditiva. 

Comentários:
Não faz muito tempo assisti a um filme com o ator Joel Kinnaman em que ele interpretava um policial que perdia a capacidade de falar. Aqui temos quase a mesma coisa. A mudança mais significativa é que nesse filme ele interpreta um policial que está ficando surto após ser atropelado durante uma perseguição a um bandido. A trama se desenvolve praticamente toda dentro de um prédio condenado. Uma jovem surda mora ali e testemunhou um grupo de policiais extorquindo e matando uma pessoa indefesa. Agora eles querem fazer a limpeza de arquivo, mas o personagem de Kinnaman vai tentar proteger a moça. É um roteiro que explora ao máximo aquela situação de gato em perseguição ao rato, só que aqui o rato é o mocinho da história. Gostei do filme. Os roteiristas tiveram competência suficiente para criar situações em que o espectador fica realmente interessado no que vai acontecer na próxima cena. Nos tempos atuais isso já é mais do que satisfatório. 
 
Pablo Aluísio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Supergirl

Título no Brasil: Supergirl
Título Original: Supergirl
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: DC Studios
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, David Corens, Eve Ridley, Emily Pickford, Bruce Lennox

Sinopse:
A jovem Kara Zor-El vive em um planeta distante. Para afogar as mágoas e os traumas de seu passado complicado, ela se tornou uma garota festeira, que não perde uma balada. O problema é que assim vive de ressaca, indo de festa em festa, sem pensar muito em seu futuro. E as coisas vão se complicar muito, principalmente depois que ela cruzar o caminho de um grupo de criminosos espaciais, os bandoleiros. 

Comentários:
Esse filme é um erro desde o começo. A Supergirl é uma tralha dos quadrinhos, criada lá no final dos anos 1950. As vendas andavam em baixa, então inventaram que o Superman tinha uma prima e um cachorro chamado Kripton que também tinha super poderes e tudo mais. Pura vigarice comercial! E ela nunca teve um grande momento no mundo dos quadrinhos. Então fazer um filme com essa personagem, ainda mais nessa tentativa da DC de levantar sua marca no mundo do cinema, realmente não passou de uma grande estupidez por parte dos executivos. O resultado foi uma bilheteria bem ruim. Pior do que isso, o filme é igualmente ruim. Sem ter uma boa fonte para trazer boas ideias para as telas, os roteiristas escreveram uma história muito fraca, que não vai para lugar nenhum. Os vilões são copiados do universo de Mad Max e o tal de Lobo, que deveria ser um destaque, no fundo não serve pra nada. O filme é isso, um blockbuster naufragado, flopado, que no final das contas também não serve para nada. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A Vida e as Mortes de Christopher Lee

Título no Brasil: A Vida e as Mortes de Christopher Lee 
Título Original: The Life and Deaths of Christopher Lee
Ano de Lançamento: 2024
País: Reino Unido
Estúdio: Trigger Films
Direção: Jon Spira
Roteiro: Jon Spira
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price, Peter Jackson, John Landis, Joe Dante, George Lucas (em arquivos de imagens). 

Sinopse:
Documentário que se propõe a contar a história de vida e a carreira do ator britânico Christopher Lee. Filho de uma família proveniente da aristocracia inglesa, ele ousou recusar o destino que havia sido traçado por seu pais, a de ser diplomata, para se tornar um ator de teatro e cinema, se tornando, nesse processo, uma das figuras mais famosas e queridas da cultura pop. 

Comentários:
Esse documentário é ótimo! Tem um carinho enorme pelo Christopher Lee, um dos nomes mais presentes em filmes clássicos de terror, que não parou por aí, pois já idoso conseguiu ter um novo auge em sua carreira quando entrou para duas das mais populares franquias do cinema: O Senhor dos Anéis e Star Wars. E sua história pessoal conseguiu ser até mesmo mais interessante do que seus vários filmes. Nesse documentário descobrimos, por exemplo, que Christopher Lee foi agente secreto inglês durante a Segunda Guerra Mundial! Quem poderia imaginar algo assim? Também era um aristrocrata, de uma das famílias mais tradicionais da Inglaterra. Seu avô havia sido um Conde! Imagine que coisa mais surpreendente! Teve uma educação refinada, estudando nos melhores colégios de Londres, mas colocou tudo isso de lado para realizar o seu sonho de ser um ator! Melhor para os cinéfilos que receberam o melhor de seu talento nas salas de cinemas por décadas! Ele merece mesmo todos os nossos aplausos por sua incrível trajetória de vida e principalmente por carreira de amor à arte da interpretação! 

Pablo Aluísio.

Resident Evil 3: A Extinção

Título no Brasil: Resident Evil 3: A Extinção
Título Original: Resident Evil: Extinction
Ano de Lançamento: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Constantin Film
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Oded Fehr, Ian Glen, Ashanti

Sinopse:
Em um mundo devastado e sem esperanças, um grupo de sobreviventes caminha em uma jornada que parece não ter fim pelo deserto. Todos parecem estar condenados pelas areias do tempo e pelo sol escaldante. E para piorar essa situação já tão desesperadora, eles passam a ser atacados por zumbis sedentos por cérebros humanos! 

Comentários:
Sendo bem sincero e colocando todas as cartas sobre a mesa devo confessar que nunca fui fã dessa franquia "Resident Evil". Admito que ela trouxe todo um revival do nicho dos mortos-vivos, mas não tenho qualquer receio de dizer que isso foi mais negativo do que positivo para o cinema de terror. Aliás Resident Evil sequer pode ser considerado um filme puro sangue de terror, aqui usando a palavra no sentido mais estrito do gênero. Está mais para um filme Sci-fi com zumbis. E não ajuda muito o fato de que não existe nenhuma grande diferença no roteiro dos diversos filmes lançados. Esse aqui até tenta ser um pouquinho diferente, roubando ideias inclusive de outras franquias como "Mad Max", mas sem resultados satisfatórios. Enfim, assisti uma vez e... nunca mais desejo rever!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Rifles Apaches

Rifles Apaches
A colonização rumo ao oeste dos Estados Unidos foi violenta e repleta de situações de guerra envolvendo os soldados da cavalaria do exército (conhecidos como casacas azuis) e os nativos, tribos e nações indígenas que lutavam por suas terras. Alguns tratados de paz foram celebrados, mas também rompidos, tanto por um lado como pelo outro. A história desse faroeste se passa justamente nesse período histórico marcante dos Estados Unidos, quando brancos e índios entraram em confronto direto, resultando muitas mortes no meio do deserto escaldante do velho oeste.

A história desse filme se passa em 1879, no território do Arizona. Um grupo de guerreiros apaches rompem o tratado de paz, deixam sua reserva e partem em luta contra os soldados do exército. O Capitão Jeff Stanton (Audie Murphy) é designado pelo alto comando para liderar uma unidade da cavalaria para localizar, combater e capturar os Apaches rebeldes. E no meio de todo esse clima de confronto ainda surgem mineradores mal intencionados que desejam roubar os metais preciosos nessas mesmas terras de conflito. Bom filme de western, contando com Audie Murphy, veterano da II Guerra Mundial, que se tornou ator bem popular de filmes de faroeste da época, inclusive no Brasil.

Rifles Apaches (Apache Rifles, Estados Unidos, 1964) Direção: William Witney / Roteiro: Charles Smith, Kenneth Gamet / Elenco: Audie Murphy, Michael Dante, Linda Lawson / Sinopse: Capitão da cavalaria do exército dos Estados Unidos recebe ordens para combater e aprisionar um grupo de violentos guerreiros Apaches que deixaram a reserva onde viviam para partir em uma campanha de vingança contra os homens brancos que invadiram suas terras ancestrais.

Pablo Aluísio.

A Trilha da Amargura

A Trilha da Amargura 
Durante as chamadas guerras indígenas um obstinado tenente da cavalaria americana, Billings (Robert Stack), recebe uma importante missão: levar um tratado de paz até uma nação nativa distante e isolada no meio do deserto do oeste americano. Para tanto ele reúne seus homens (um pelotão do exército americano) e parte em direção a uma região hostil e praticamente desconhecida do homem branco. No meio do caminho encontram o filho do chefe Nuvem Cinzenta que lhes promete levar até seu pai. O problema é que o jovem guerreiro na verdade esconde suas reais intenções pois odeia o homem branco e sua sede de dominação. Assim leva o pelotão a uma viagem sem fim, sem rumo certo, andando em círculos, com a única finalidade de levar todos a morrerem no meio do deserto por sede e fome. Confiando demais no jovem guerreiro o tenente finalmente entende que está trilhando um caminho sem volta, que poderá levar todos os seus homens à morte certa.

"A Trilha da Amargura" é um faroeste com toques de aventura. O deserto, seco e completamente inóspito, acaba virando um dos principais personagens da trama. Os homens sedentos, desesperados e à mercê da natureza implacável precisam se virar como podem para sobreviver. Com locações no famoso Vale da Morte na Califórnia, a produção se destaca por sua escolha por um tom mais realista das vastas planícies desoladas do velho oeste americano. A própria farda azul dos soldados acaba ganhando um tom de cinza de tanta poeira e desolação.

Quando conseguem encontrar algum manancial no meio do nada logo percebem que a água não é potável. Some-se a isso a presença de serpentes venenosas e a própria exaustão da peregrinação rumo a um destino que parece nada agradável. O elenco do filme é liderado por Robert Stack, ator que hoje em dia já não é muito conhecido mas que nas décadas de 50 e 60 marcou época principalmente por interpretar o policial Eliot Ness no famoso seriado de TV "Os Intocáveis". Ficou tão marcado por esse papel que depois sentiu dificuldade em estrelar outros filmes. Felizmente conseguiu realizar produções interessantes como bem prova esse bom western "A Trilha da Amargura".

A Trilha da Amargura (War Paint, Estados Unidos,1953) Direção: Lesley Selander / Roteiro: Fred Freiberger, William Tunberg / Elenco: Robert Stack, Joan Taylor, Charles McGraw / Sinopse: Pelotão da cavalaria americana acaba sendo enganado pelo filho do chefe tribal ao qual o grupo procura para entregar um tratado de paz entre brancos e índios.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Os Canhões de Navarone

Os Canhões de Navarone
Os Canhões de Navarone foi lançado nos Estados Unidos em 22 de junho de 1961, com direção de J. Lee Thompson, a partir do romance homônimo de Alistair MacLean, publicado em 1957. A produção reuniu um elenco internacional de grande prestígio, liderado por Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Anthony Quayle, Stanley Baker e James Darren, além de Irene Papas e Gia Scala. O roteiro foi escrito por Carl Foreman, que também produziu o filme, e a Columbia Pictures transformou o projeto em uma das maiores aventuras de guerra de sua época, com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões. Filmado em grande parte na Grécia, o longa aproveitou as paisagens mediterrâneas para criar uma atmosfera de autenticidade e aventura. A história se passa em 1943, quando dois mil soldados britânicos estão presos na ilha de Kheros e não podem ser resgatados porque enormes canhões alemães instalados na fortaleza da vizinha ilha de Navarone controlam o acesso marítimo. Para destruir essas armas, os Aliados enviam uma pequena equipe comandada pelo capitão Keith Mallory, um especialista em montanhismo interpretado por Gregory Peck. Ao lado dele estão o cabo John Miller, especialista em explosivos; o coronel grego Andrea Stavros; o major Roy Franklin; e outros combatentes. Para cumprir a missão, o grupo precisa atravessar uma ilha fortemente defendida pelos alemães, escalar penhascos praticamente inacessíveis, enfrentar traições e superar conflitos pessoais antes de chegar ao gigantesco complexo de artilharia.

A reação da crítica americana foi bastante favorável, embora não unânime, principalmente porque alguns críticos consideraram a aventura excessivamente melodramática. Bosley Crowther, do The New York Times, reconheceu a força do espetáculo, mas observou que o filme seguia a tradição dos grandes épicos de ação, com "mais ênfase no melodrama do que no caráter ou na credibilidade". Ainda assim, Crowther admitiu que havia muito entretenimento nas cenas de ação e nas demonstrações individuais de heroísmo. A Variety, por outro lado, foi muito mais entusiasmada, considerando que o filme possuía estrelas importantes, excelentes efeitos especiais, situações de grande impacto e uma fotografia competente, chegando à conclusão de que Carl Foreman e J. Lee Thompson haviam produzido um verdadeiro vencedor. A revista The New Yorker, em crítica de Brendan Gill, também incluiu o filme entre os grandes lançamentos daquele período, embora sua abordagem fosse menos entusiasmada do que a da imprensa popular. A principal conclusão da crítica americana foi, portanto, positiva: Os Canhões de Navarone podia ser exagerado e pouco realista em determinados momentos, mas funcionava extraordinariamente bem como cinema de aventura. A combinação de Gregory Peck, David Niven e Anthony Quinn, aliada às sequências de ação e ao cenário grego, fez com que o filme fosse encarado como um espetáculo de primeira linha.

No Reino Unido, entretanto, a avaliação crítica foi mais dividida. O The Guardian reconheceu a dimensão épica da produção e destacou que Carl Foreman e J. Lee Thompson estavam trabalhando em uma escala muito superior à de um filme de guerra convencional, mas a crítica contemporânea foi bastante mais severa ao comparar a obra com outros épicos do período. Um comentário publicado no jornal chegou a considerar Os Canhões de Navarone uma espécie de aventura juvenil, classificando-o como um espetáculo convencional de guerra e questionando a pretensão de Carl Foreman de apresentar uma reflexão sobre a inutilidade do conflito. Essa diferença entre crítica e público é importante para compreender a trajetória do filme: intelectuais e críticos mais interessados em realismo ou profundidade psicológica enxergavam limitações, enquanto o público encontrava exatamente aquilo que procurava em um grande filme de guerra. O reconhecimento da indústria, contudo, foi extraordinário. Os Canhões de Navarone recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor para J. Lee Thompson, Montagem, Trilha Sonora, Som e Roteiro Adaptado, vencendo o Oscar de Melhores Efeitos Especiais. No Globo de Ouro de 1962, venceu Melhor Filme – Drama e Melhor Trilha Sonora, enquanto J. Lee Thompson foi indicado a Melhor Diretor.

Com um orçamento de aproximadamente US$ 6 milhões, uma quantia extraordinariamente elevada para um filme de guerra daquele período, a produção precisava de uma grande bilheteria para se tornar lucrativa. E foi exatamente isso que aconteceu. Segundo o The Numbers, o filme arrecadou cerca de US$ 28,9 milhões somente nos Estados Unidos, transformando-se no filme de maior bilheteria do mercado americano em 1961, à frente de obras como West Side Story, 101 Dálmatas e El Cid. O resultado foi especialmente impressionante porque o filme tinha quase duas horas e quarenta minutos de duração e dependia de grandes investimentos em cenários, locações, efeitos e cenas de ação. O público respondeu com entusiasmo ao espetáculo, e o sucesso não se limitou aos Estados Unidos. Na França, por exemplo, o filme registrou mais de 10 milhões de espectadores, demonstrando a enorme popularidade internacional da produção. A combinação de aventura, guerra, espionagem, suspense e grandes estrelas funcionou perfeitamente junto ao público. Gregory Peck oferecia a figura heroica central, David Niven acrescentava humor e personalidade, enquanto Anthony Quinn dava ao filme uma presença dramática particularmente forte. O resultado comercial confirmou que Os Canhões de Navarone não era apenas um sucesso de crítica técnica e de premiações, mas um genuíno fenômeno popular.

Mais de seis décadas depois, Os Canhões de Navarone continua sendo considerado um dos grandes clássicos do cinema de guerra e aventura produzido no início dos anos 1960. A avaliação contemporânea é especialmente favorável quando se considera a capacidade do filme de combinar espetáculo e desenvolvimento de personagens dentro de uma produção de enorme escala. No Rotten Tomatoes, a obra mantém 92% de aprovação da crítica e 86% entre o público, enquanto a avaliação geral permanece muito positiva. O filme também conserva uma nota de aproximadamente 7,5/10 no IMDb, baseada em dezenas de milhares de avaliações, demonstrando que continua sendo descoberto e apreciado por novas gerações. Críticos modernos costumam reconhecer que alguns elementos envelheceram, especialmente a representação simplificada dos alemães e determinados exageros da narrativa, mas as grandes sequências de ação continuam funcionando. A escalada dos penhascos, a infiltração na fortaleza, as batalhas e a destruição dos canhões permanecem entre os momentos mais memoráveis do cinema de guerra clássico. O filme também ajudou a consolidar o modelo do "grupo de especialistas em missão impossível", estrutura que seria posteriormente utilizada por inúmeras produções de guerra e ação. Sua influência pode ser percebida em filmes posteriores sobre comandos, sabotagem e operações atrás das linhas inimigas. Dessa forma, Os Canhões de Navarone permanece não apenas como uma aventura popular de sua época, mas como um dos filmes que ajudaram a estabelecer a linguagem dos grandes espetáculos bélicos modernos.

Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone, Reino Unido / Estados Unidos, 1961) Direção: J. Lee Thompson / Roteiro: Carl Foreman, baseado no livro The Guns of Navarone, de Alistair MacLean / Elenco: Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Anthony Quayle, Stanley Baker e James Darren. / Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de comandos aliados precisa infiltrar-se em uma ilha grega ocupada pelos nazistas e destruir uma poderosa fortaleza de artilharia antes que seus canhões impeçam definitivamente uma operação de resgate.

Pablo Aluísio. 

Adeus, Amor

Título no Brasil: Adeus, Amor
Título Original: Bye Bye Birdie
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: George Sidney
Roteiro: Michael Stewart, Irving Brecher
Elenco: Ann-Margret, Dick Van Dyke, Janet Leigh, Maureen Stapleton, Bobby Rydell, Jesse Pearson

Sinopse:
Um famoso cantor de rock, ídolo internacional da música jovem, vai até uma cidadezinha perdida no Ohio para gravar seu programa de despedida antes de ir servir o exército americano. Lá é feito um concurso para escolher a fã número 1 dele que ganhará o direito de beijar seu grande ídolo. A adolescente Kim McAfee (Ann-Margret) entra no concurso disposta a sair vencedora.

Comentários:
Um musical simpático, bem humorado e com uma inédita postura de sátira besteirol, algo que era bem raro no começo dos anos 60. Para o cinema em geral o filme revelou a linda Ann-Margret que chamou tanto a atenção do público que o diretor George Sidney a levou para contracenar com Elvis Presley em "Amor a Toda Velocidade". Aliás nada mais conveniente, pois Ann-Margret foi chamada por um cronista de Nova Iorque como a "Elvis de saias". Curiosamente um dos satirizados dentro do enredo é o próprio Elvis, pois o personagem chave da estória é um roqueiro famoso que vai servir o exército deixando suas fãs apavoradas e desesperadas! Era a própria história de Elvis que servia como paródia ao roteiro desse filme.  A produção é apenas mediana. Porém o sabor de nostalgia, principalmente para quem viveu aqueles tempos, é simplesmente impecável. Além disso o espectador é ainda presenteado com a presença carismática da atriz Ann-Margret, aqui bem jovem e no auge de sua beleza. Enfim, deixo a dica desse filme que é pura diversão. Aproveite a festa e caso tenha vivido aqueles anos distantes sinta muitas saudades! Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor música (Johnny Green) e melhor som (Charles J. Rice). Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme - comédia ou musical e melhor atriz - comédia ou musical (Ann-Margret).

Pablo Aluísio.

domingo, 9 de agosto de 2026

Gladiador Bestiário

Gladiador Bestiário
O que era um Gladiador Bestiário? Na Roma antiga havia diversos tipos de gladiadores, homens que subiam nas arenas de luta para um combate de vida ou morte. Entre esses tipos diferentes de gladiadores havia um bem especializado chamado de Bestiário. Esse lutava apenas com bestas, feras selvagens, que eram trazidas de todo o império. Assim o Bestiario enfrentava leões, leopardos, tigres e até mesmo ursos nas areias do Coliseu. Um deles se tornou notório, pois afirmava sua lenda que havia vencido mais de 20 feras em apenas um dia durante o império de Domiciano. Uma enorme prova de sua coragem e perícia de luta na arena. 

O gladiador bestiário, conhecido no mundo romano como bestiarius, era um combatente especializado em enfrentar animais selvagens nas arenas do Império Romano. Sua atuação estava ligada principalmente aos espetáculos públicos realizados em anfiteatros, onde multidões se reuniam para assistir a combates e execuções. Diferentemente dos gladiadores mais famosos, como os murmillos ou os secutores, o bestiário tinha como principal adversário uma fera. Leões, leopardos, ursos, javalis, touros e outros animais podiam ser utilizados nesses espetáculos. Esses confrontos faziam parte das chamadas venationes, apresentações que simulavam caçadas diante do público. Em algumas ocasiões, os animais eram trazidos de regiões distantes do império, demonstrando a enorme capacidade logística de Roma. A presença dessas feras também servia para demonstrar o poder romano sobre territórios e povos considerados exóticos. Para a população, o espetáculo misturava entretenimento, violência, medo e fascínio pela natureza selvagem. O bestiário, portanto, ocupava uma posição particular dentro da complexa sociedade dos gladiadores. Sua profissão revelava também a dimensão brutal e espetacularizada da cultura dos anfiteatros romanos.

Nem todos os bestiários possuíam a mesma origem ou condição social, e é importante evitar a ideia de que todos eram simplesmente gladiadores profissionais treinados da mesma maneira. Alguns eram escravos ou prisioneiros condenados a participar dos espetáculos, enquanto outros podiam ser homens livres que procuravam fama ou remuneração. Existiam ainda especialistas treinados para lidar com determinados animais e participar de caçadas encenadas. O treinamento precisava considerar não apenas a habilidade de combate, mas também o comportamento imprevisível das feras. Conhecer os movimentos de um animal podia representar a diferença entre sobreviver e morrer diante da multidão. Armas como lanças, espadas, redes e escudos podiam ser empregadas, dependendo do tipo de apresentação. O equipamento também variava conforme o espetáculo e a função desempenhada pelo combatente. Em determinadas apresentações, o objetivo era matar o animal; em outras, capturá-lo ou demonstrar habilidade diante dele. Havia também espetáculos em que condenados eram simplesmente colocados na arena sem treinamento adequado. Nesse caso, a pessoa não participava propriamente de um combate equilibrado, mas de uma execução pública diante de milhares de espectadores.

As venationes ganharam enorme importância durante o desenvolvimento dos grandes anfiteatros romanos, especialmente a partir do período imperial. A inauguração do Coliseu, em Roma, no século I, proporcionou um dos maiores palcos para esse tipo de espetáculo. Ali podiam ser apresentados animais provenientes da África, da Ásia e de outras regiões controladas ou alcançadas pelas redes comerciais romanas. Elefantes, rinocerontes, hipopótamos, crocodilos, leões e leopardos estavam entre os animais que podiam aparecer nos espetáculos romanos. A chegada dessas criaturas despertava enorme curiosidade entre os espectadores, muitos dos quais jamais haviam visto animais semelhantes. Os organizadores utilizavam cenários, estruturas e recursos especiais para transformar a arena em uma espécie de teatro de caça. Algumas apresentações procuravam reproduzir ambientes selvagens, criando uma experiência visual impressionante para o público. O espetáculo também transmitia uma mensagem política, pois apresentava Roma como senhora de um vastíssimo mundo natural e territorial. O sangue derramado na arena fazia parte de uma cultura pública que transformava a violência em entretenimento. Por isso, o bestiário deve ser compreendido não apenas como combatente, mas como personagem de uma sociedade profundamente marcada pelos espetáculos públicos.

A vida de um bestiário era extremamente perigosa, e mesmo os homens treinados tinham poucas garantias de sobrevivência. Um animal selvagem possuía força, velocidade e instintos que podiam superar rapidamente a capacidade de reação de um ser humano. Um leão podia atacar de maneira repentina, enquanto um touro podia derrubar um homem com enorme violência. O perigo aumentava quando vários animais eram soltos simultaneamente na arena. Além disso, o combatente precisava lidar com a pressão de milhares de espectadores que esperavam uma apresentação emocionante. Para alguns participantes, entretanto, a arena também podia oferecer uma oportunidade de melhorar sua condição social e econômica. Gladiadores bem-sucedidos podiam alcançar fama, receber recompensas e conquistar prestígio dentro do universo dos espetáculos. Existiam também treinadores, empresários e organizadores que transformavam os combates em uma atividade altamente estruturada. A figura do bestiário, portanto, encontrava-se no cruzamento entre escravidão, profissão, espetáculo e sobrevivência. Sua história demonstra como o entretenimento romano podia transformar tanto homens quanto animais em instrumentos de uma gigantesca indústria pública de diversão.

Com o passar dos séculos, os espetáculos envolvendo animais começaram a desaparecer juntamente com as transformações políticas, econômicas, religiosas e culturais do mundo romano. A expansão do cristianismo também contribuiu para modificar a percepção social sobre determinados tipos de espetáculos violentos. Embora os combates de gladiadores e as venationes tenham deixado de existir, sua memória permaneceu registrada em textos antigos, inscrições, mosaicos, esculturas e representações artísticas. O bestiário tornou-se uma das figuras que ajudam a compreender a dimensão espetacular da civilização romana. Ele representa, ao mesmo tempo, a coragem humana diante da natureza e a extrema brutalidade dos entretenimentos antigos. Seu destino também revela as desigualdades de uma sociedade na qual escravos, prisioneiros e pessoas socialmente vulneráveis podiam ser utilizados como protagonistas involuntários de grandes eventos. Hoje, o estudo dos bestiários permite compreender melhor a organização dos anfiteatros e a mentalidade das multidões romanas. Mais do que um simples lutador contra animais, ele foi parte de uma complexa tradição de espetáculos que combinava política, religião, propaganda, violência e diversão. A imagem do homem enfrentando uma fera tornou-se uma das representações mais marcantes da cultura dos anfiteatros. Por isso, a história do gladiador bestiário permanece como um dos capítulos mais impressionantes e sombrios da história do mundo romano.

Pablo Aluísio. 

O Império Romano no Século IV

O Império Romano no Século IV
O século IV foi um dos períodos mais importantes da história do Império Romano, marcado por profundas transformações políticas, militares, religiosas e sociais. No início desse século, Roma ainda enfrentava as consequências das crises ocorridas durante o século III, quando o Império havia sofrido guerras civis, problemas econômicos e ameaças nas fronteiras. O imperador Diocleciano, que governou a partir de 284, iniciou uma série de reformas destinadas a reorganizar o Estado e fortalecer o poder imperial. Uma de suas principais medidas foi a criação da Tetrarquia, sistema que dividia a administração do Império entre quatro governantes. A intenção era facilitar o controle de um território gigantesco e permitir uma resposta mais rápida às ameaças militares. Diocleciano também reorganizou o exército, a administração provincial e o sistema tributário. Apesar dessas mudanças, a estrutura imperial tornou-se cada vez mais complexa e centralizada. O século IV começou, portanto, com uma tentativa de reconstrução da autoridade romana. Essa reorganização preparou o cenário para algumas das maiores mudanças da história do mundo romano.

A figura mais importante da primeira metade do século IV foi o imperador Constantino, que conseguiu derrotar seus adversários e tornou-se o principal governante do Império. Em 312, antes da batalha da Ponte Mílvia, Constantino teria associado sua vitória a uma intervenção divina ligada ao cristianismo. No ano seguinte, ele e Licínio promoveram o chamado Édito de Milão, que estabeleceu uma política de tolerância religiosa e permitiu aos cristãos praticar sua religião de maneira aberta. Constantino não apenas interrompeu as grandes perseguições contra os cristãos, mas também passou a favorecer a Igreja e seus líderes. O imperador participou diretamente de questões religiosas e convocou o Concílio de Niceia, em 325, que discutiu importantes controvérsias sobre a natureza de Cristo. Ao mesmo tempo, Constantino fundou ou transformou a cidade de Constantinopla, inaugurada oficialmente em 330, tornando-a uma nova capital imperial no Oriente. A cidade possuía uma localização estratégica entre a Europa e a Ásia e tornou-se um dos maiores centros políticos, econômicos e culturais do mundo antigo. A mudança de centro de gravidade para o Oriente teria consequências enormes para a história posterior do Império Romano.

Após a morte de Constantino, em 337, seus filhos e outros membros da família imperial disputaram o poder, provocando novos conflitos internos. Apesar dessas dificuldades, o Império continuava sendo uma das maiores estruturas políticas do mundo antigo. Durante o século IV, as fronteiras romanas foram invadidas por diferentes povos, especialmente na região do Danúbio e do Oriente. Os persas sassânidas constituíam uma das principais ameaças ao Império no Oriente, disputando territórios estratégicos da Mesopotâmia e da Armênia. Ao mesmo tempo, povos germânicos, como os godos, aumentavam sua presença junto às fronteiras do Danúbio. O imperador Juliano, que governou entre 361 e 363, tentou fortalecer o exército e conduziu uma grande campanha contra os persas. Juliano também ficou conhecido por sua tentativa de restaurar os antigos cultos pagãos, depois da crescente expansão do cristianismo durante os governos anteriores. Sua morte durante a campanha persa, em 363, encerrou esse projeto. Posteriormente, os imperadores voltaram a favorecer o cristianismo, que se tornou cada vez mais profundamente integrado às estruturas do Estado romano. A relação entre poder imperial e religião passou por uma transformação definitiva ao longo desse século.

O final do século IV foi marcado pelo fortalecimento ainda maior do cristianismo e pelo aumento das dificuldades militares enfrentadas pelo Império. Em 380, durante o governo de Teodósio I, o cristianismo niceno recebeu posição privilegiada dentro do Estado imperial por meio do Édito de Tessalônica. Nos anos seguintes, medidas imperiais restringiram progressivamente os antigos cultos tradicionais, embora as práticas pagãs não tenham desaparecido imediatamente. Teodósio também enfrentou uma situação militar cada vez mais complicada nas fronteiras. Em 376, grandes grupos de godos atravessaram o Danúbio em busca de refúgio dentro do território romano, pressionados pela expansão dos hunos. As relações entre esses grupos e as autoridades romanas rapidamente se deterioraram. Em 378, o exército romano sofreu uma derrota catastrófica na Batalha de Adrianópolis, na qual o imperador Valente morreu. O episódio revelou as dificuldades do Império em controlar grandes populações bárbaras instaladas em suas fronteiras. Teodósio conseguiu posteriormente estabilizar a situação por meio de acordos e políticas de integração. Mesmo assim, a presença crescente de povos germânicos dentro do território romano tornou-se uma característica cada vez mais importante da política imperial.

O século IV terminou com um Império Romano profundamente diferente daquele que havia existido no início do período. O Estado havia se tornado mais centralizado, burocrático e militarizado, enquanto o cristianismo havia passado de religião perseguida a elemento fundamental da ordem imperial. A cidade de Constantinopla consolidava-se como grande centro político do Oriente, enquanto Roma perdia gradualmente parte de sua antiga importância administrativa. A divisão entre as partes oriental e ocidental do Império também se tornou cada vez mais evidente, embora ainda existisse a ideia de um único Império Romano. Após a morte de Teodósio I, em 395, seus filhos Arcádio e Honório assumiram respectivamente o governo do Oriente e do Ocidente, consolidando uma divisão administrativa que teria enorme importância para os séculos seguintes. O Império do Oriente continuaria existindo por muitos séculos, enquanto o Ocidente enfrentaria novas invasões, crises políticas e dificuldades econômicas. Por isso, o século IV pode ser considerado um período de transição entre a Roma da Antiguidade Clássica e o mundo da Antiguidade Tardia. Foi um século de reformas, guerras, mudanças religiosas e transformações culturais. As decisões tomadas durante esse período ajudaram a determinar o destino do Império Romano e a formação do mundo medieval europeu. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Elvis Presley - His Hand in Mine

Elvis Presley - His Hand in Mine
Lançado em 10 de novembro de 1960, His Hand in Mine foi o primeiro álbum de estúdio de música gospel de Elvis Presley e ocupa um lugar especial em sua discografia. O disco surgiu pouco depois do retorno de Elvis do serviço militar e mostrou uma dimensão artística que muitas vezes ficava escondida por trás de sua imagem de astro do rock e do cinema. Elvis tinha uma ligação profunda com a música gospel desde a infância, tendo crescido ouvindo música religiosa e cantando em igrejas e grupos vocais. O álbum reúne hinos tradicionais e canções gospel contemporâneas, interpretados com uma abordagem que combina a intensidade vocal característica de Elvis com harmonias tradicionais do gênero. Entre os destaques estão "His Hand in Mine", "Milky White Way", "Joshua Fit the Battle" e "Swing Down, Sweet Chariot". Mais do que uma simples incursão em outro gênero, o disco revelou uma faceta profundamente pessoal do cantor e demonstrou que sua relação com o gospel era artística e emocionalmente genuína.

A crítica especializada recebeu His Hand in Mine de maneira bastante positiva, principalmente pela sinceridade das interpretações. A Billboard destacou a qualidade vocal de Elvis e observou que o cantor conseguia "transmitir uma sinceridade incomum" nas interpretações religiosas. A revista Cash Box elogiou a escolha do repertório e as harmonias vocais, considerando o álbum uma demonstração da versatilidade do artista. Publicações especializadas em música gospel também reconheceram que Elvis tratava o material com respeito, sem transformar os hinos simplesmente em veículos para sua personalidade de astro do rock. Isso foi especialmente importante porque, naquele período, ainda havia certa resistência em alguns círculos religiosos à figura de Elvis, considerado por parte do público conservador um símbolo da rebeldia juvenil. His Hand in Mine, porém, ajudou a demonstrar que sua ligação com o gospel era muito anterior à fama.

A imprensa generalista também percebeu a importância do projeto. O The New York Times destacou a capacidade de Elvis de adaptar sua voz a um repertório completamente diferente daquele que o havia transformado em fenômeno mundial. O Los Angeles Times ressaltou a contenção das interpretações, observando que o cantor evitava transformar as músicas religiosas em simples demonstrações de virtuosismo. Décadas mais tarde, críticos da Rolling Stone passaram a considerar His Hand in Mine um dos registros fundamentais para compreender a personalidade musical de Elvis fora do rock and roll. A crítica posterior também destacou a importância do grupo vocal de apoio, incluindo os Jordanaires, cujas harmonias ajudaram a criar a atmosfera tradicional do álbum. O resultado foi um trabalho em que Elvis aparece menos como o "Rei do Rock" e mais como um cantor apaixonado pela música que conheceu desde criança.

Comercialmente, His Hand in Mine teve um desempenho bastante respeitável para um álbum exclusivamente gospel. O disco alcançou a 13ª posição na parada de álbuns da Billboard nos Estados Unidos, um resultado expressivo considerando que não havia um grande single pop impulsionando suas vendas. Ao longo dos anos, tornou-se um dos álbuns religiosos mais importantes da discografia de Elvis e continuou vendendo para além de seu período inicial. O sucesso também mostrou à RCA Victor que existia um público disposto a acompanhar Elvis em projetos fora do rock e das trilhas sonoras de seus filmes. Embora não tenha alcançado as cifras dos grandes álbuns populares do cantor, His Hand in Mine adquiriu uma importância comercial e cultural duradoura. O disco posteriormente recebeu certificação de ouro da Recording Industry Association of America, confirmando sua longevidade no catálogo de Presley.

O legado de His Hand in Mine é particularmente importante porque inaugurou a sequência de grandes trabalhos gospel de Elvis Presley. O cantor voltaria ao gênero em How Great Thou Art, de 1967, e em He Touched Me, de 1972, construindo uma pequena mas extremamente respeitada trilogia gospel que culminaria em três prêmios Grammy para suas gravações religiosas. Para os especialistas, His Hand in Mine permanece como uma das demonstrações mais autênticas da personalidade musical de Elvis, justamente porque não dependia das exigências comerciais de Hollywood ou das tendências das paradas. Para os fãs, o álbum representa o Elvis mais íntimo e espiritual, mostrando uma paixão pelo gospel que acompanhou toda a sua vida. Mais de seis décadas depois, continua sendo considerado um clássico do gospel popular e uma peça essencial para compreender a amplitude artística de Elvis Presley.

Elvis Presley – His Hand in Mine (1960)
His Hand in Mine
I'm Gonna Walk Dem Golden Stairs
In My Father's House
Milky White Way
Known Only to Him
I Believe in the Man in the Sky
Joshua Fit the Battle
He Knows Just What I Need
Swing Down, Sweet Chariot
Mansion Over the Hilltop
If I Can Dream
Working on a Building

Pablo Aluísio. 

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy
Lançado em 25 de julho de 1960, Nice 'n' Easy é um dos álbuns mais representativos da extraordinária fase de Frank Sinatra na Capitol Records. O disco surgiu em um período especialmente importante da carreira do cantor, quando Sinatra já havia deixado para trás a fase de declínio comercial do início dos anos 1950 e havia se transformado em um dos intérpretes mais sofisticados da música popular americana. Produzido por Nelson Riddle, o álbum apresenta uma sequência de canções românticas interpretadas com extrema economia e elegância. A faixa-título, "Nice 'n' Easy", tornou-se imediatamente uma das gravações mais conhecidas do repertório de Sinatra. O disco também demonstra a extraordinária química entre sua voz e os arranjos orquestrais de Riddle, que utilizava cordas, metais e madeiras de maneira extremamente refinada. Em 1960, Sinatra estava no auge de sua influência cultural, e Nice 'n' Easy ajudou a consolidar definitivamente o chamado conceito moderno de álbum vocal. Mais do que uma coleção de canções românticas, o trabalho representa o domínio absoluto de Sinatra sobre interpretação, fraseado, dinâmica e atmosfera.

A crítica musical recebeu Nice 'n' Easy de maneira muito favorável. A Billboard destacou a elegância da produção e a capacidade de Sinatra de transformar material conhecido em interpretações pessoais, ressaltando particularmente a faixa-título. A publicação considerou que o álbum confirmava a posição do cantor entre os grandes intérpretes da música popular americana. A Cash Box também elogiou a combinação entre a voz de Sinatra e os arranjos de Nelson Riddle, destacando a atmosfera relaxada e sofisticada do repertório. Na imprensa britânica, críticos observaram que Sinatra representava uma tradição vocal americana diferente do nascente rock britânico, mas continuava exercendo enorme influência internacional. A crítica posterior da Rolling Stone passou a valorizar ainda mais o álbum, especialmente pela sutileza do canto de Sinatra e pela maneira como ele utilizava pequenas alterações de ritmo e pronúncia para dar nova personalidade às canções. O consenso crítico acabou reconhecendo Nice 'n' Easy como um exemplo particularmente refinado da chamada era dos grandes álbuns de standards.

Os grandes jornais americanos também acompanharam a fase extraordinária vivida por Sinatra naquele momento. O The New York Times ressaltava regularmente a capacidade do cantor de transformar canções populares em interpretações profundamente pessoais, característica evidente em Nice 'n' Easy. O Los Angeles Times destacava a importância dos arranjos de Nelson Riddle para criar um ambiente musical sofisticado sem jamais encobrir a voz do cantor. A publicação também reconhecia que Sinatra havia ajudado a transformar o álbum de música popular em uma forma de expressão artística mais elaborada. A The New Yorker, ao abordar a obra de Sinatra e a tradição do chamado Great American Songbook, destacou justamente esse domínio interpretativo: Sinatra não precisava cantar mais alto para transmitir emoção; ele utilizava dicção, pausa, respiração e pequenas mudanças de andamento. Essa característica aparece com enorme clareza em Nice 'n' Easy. O disco, portanto, deve ser entendido dentro de uma transformação maior da música popular americana, na qual Sinatra ajudou a estabelecer o álbum como uma experiência artística coerente.

Comercialmente, Nice 'n' Easy foi um dos grandes sucessos de Sinatra no início dos anos 1960. O álbum alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, permanecendo no topo por várias semanas e demonstrando que o cantor continuava extremamente popular mesmo diante da explosão do rock and roll e da ascensão de uma nova geração de artistas. A faixa "Nice 'n' Easy" também teve excelente desempenho como single, chegando ao 17º lugar da Billboard Hot 100 e tornando-se uma das gravações mais conhecidas de Sinatra. O álbum permaneceu durante um longo período nas paradas americanas, revelando uma extraordinária longevidade comercial. Seu sucesso foi particularmente significativo porque demonstrava que um álbum predominantemente formado por standards e baladas podia competir comercialmente em uma época de profundas mudanças na indústria fonográfica. Nice 'n' Easy ajudou ainda a consolidar a estratégia artística de Sinatra na Capitol, baseada em álbuns cuidadosamente planejados, grandes arranjadores e repertórios selecionados para criar uma determinada atmosfera.

O legado de Nice 'n' Easy permanece muito forte entre especialistas em música popular e admiradores de Sinatra. O álbum é frequentemente lembrado como um dos exemplos mais perfeitos de sua parceria com Nelson Riddle e como uma demonstração do extraordinário controle vocal alcançado pelo cantor naquele período. Embora outros discos de Sinatra, como In the Wee Small Hours, Songs for Swingin' Lovers! e Only the Lonely, sejam geralmente colocados ainda mais alto nas listas de seus maiores trabalhos, Nice 'n' Easy é considerado um clássico essencial de sua fase na Capitol. Para os fãs, o disco representa o Sinatra romântico, elegante e extremamente seguro de si, capaz de transformar uma simples canção de amor em uma interpretação sofisticada. Sua influência pode ser percebida em inúmeras gerações posteriores de cantores que aprenderam com seu fraseado e sua maneira de interpretar letras. Mais de seis décadas depois, Nice 'n' Easy continua sendo uma das gravações fundamentais para compreender por que Frank Sinatra é considerado um dos maiores intérpretes da história da música popular.

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy (1960)
Nice 'n' Easy
That Old Feeling
It's a Lonesome Old Town
Spring Is Here
Goody Goody
Someone to Watch Over Me
I Got It Bad and That Ain't Good
It Could Happen to You
I've Got You Under My Skin
Fools Rush In
Nevertheless
She's Funny That Way
Try a Little Tenderness

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dia D

Título no Brasil: Dia D
Título Original: Disclosure Day
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg, David Koepp
Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson, Wyatt Russell

Sinopse:
Margaret Fairchild (Emily Blunt) é uma jornalista de Kansas City que apresenta o boletim do tempo no telejornal local. Um dia ela basicamente surta ao vivo, falando uma estranha linguagem, causando surpresa em todos. A partir daí sua vida se transforma em um caos, sendo perseguida por pessoas que ela nunca viu em sua vida. E por trás de tudo parece haver a tentativa de encobertar um segredo envolvendo seres de outros planetas. 

Comentários:
Eu sempre terei Steven Spielberg na mais alta consideração. Em minha opinião nenhum cineasta foi mais relevante do que ele nesses últimos 50 anos. É o maior diretor de cinema ainda vivo e em atividade. O conjunto de sua obra, como diretor e também como produtor de cinema, é imenso, incomparável. Só que infelizmente até os gênios erram... Esse novo filme de Spielberg é bem decepcionante! Até que funciona, na maior parte do tempo, como um bom filme de perseguição. Só que fica nisso. Muita correria para absolutamente nada! O pior momento vem no clímax, no desfecho da história. É cafona, piegas, fora de moda, ultrapassado e para ser muito sincero, causa até vergonha alheia. E eu nunca havia sentido nada parecido com os filmes anteriores de Spielberg. E a decepção é maior porque foi criado uma expectativa pelo fato do diretor voltar ao tema dos aliens. Bastava lembrar de "ET" e "Contatos Imediatos de Terceiro Grau" para esperar, com muita boa vontade, a chegada de uma nova obra-prima. Não deu! Não aconteceu, muito pelo contrário! Esse é certamente um dos piores filmes de Spielberg nos últimos anos. Uma lástima! Lamento muito!

Pablo Aluísio.

Emergência Radioativa

Título no Brasil: Emergência Radioativa
Título Original: Emergência Radioativa
Ano de Lançamento: 2026
País: Brasil
Estúdio: Netflix
Direção: Fernando Coimbra, Iberê Carvalho
Roteiro: Fernando Coimbra, Gustavo Lipsztein
Elenco: Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, 
Bukassa Kabengele, Tuca Andrada, Leandra Leal

Sinopse:
Essa é uma minissérie da Netflix que conta o acidente radioativo que aconteceu em Goiânia, durante os anos 80. Foi o mais sério incidente desse tipo ocorrido no Brasil em toda a sua história. E tudo aconteceu por causa de um descaso envolvendo um equipamento de radiação que ficou abandonado em um velho hospital desativado. Localizado por catadores de lixo, acabou sendo levado, contaminando uma enorme área da cidade.

Comentários:
Ficou excelente essa minissérie baseada nesse trágico fato. Eu me lembro muito bem desse acidente, porque foi muito noticiado na época, causando grande repercussão dentro e também fora do Brasil. O roteiro da minissérie toma algumas liberdades com os acontecimentos reais, para dar maior consistência dramática aos espisódos. Nada que comprometa o resgate histórico do que de fato aconteceu. Foi uma sucessão de erros, principalmente envolvendo autoridades, que acabou colocando a vida dessa população em risco. E o mais triste é saber que houve mortes, inclusive de uma criança inocente que manipulou o Césio (elemento extremamente radioativa) em suas próprias mãos. É sempre necessário relembrar essa tragédia para que ela nunca mais venha a ocorrer novamente. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Mestres do Universo

Título no Brasil: Mestres do Universo
Título Original: Masters of the Universe
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Amazon
Direção: Travis Knight
Roteiro: Travis Knight, Aaron Nee
Elenco: Nicholas Galitzine, Jared Leto, Camila Mendes, Morena Baccarin, Idris Elba, Dolph Lundgren

Sinopse:
Após a tomada do poder em Eternia pelo vilão Esqueleto, o príncipe Adam é enviado para a Terra. Após muitos anos ele descobre que precisará voltar ao seu antigo lar, para restaurar a monaquia de seu pai, expulsando o mal supremo representado por Esqueleto e seus seguidores. 

Comentários:
Finalmente assisti e gostei! O filme sofreu inúmeras críticas desde que chegou aos cinemas. A bilheteria também não correspondeu às expectativas, mas agora a Amazon espera recuperar seu investimento no streaming. No fundo é a revitalização de uma antiga propriedade intelectual que, em um primeiro momento, dialoga com os cinquentões (que assistiam ao desenho nos anos 80) para só depois conquistar uma nova base de fãs para esse personagem (de preferência crianças). De minha parte não tenho o que reclamar. Eu me diverti muito e ao contrário de muitos não me incomodei com o humor do filme. É por aí mesmo, He-Man não é sagrado, é um personagem de cultura pop que vai sendo adaptado aos novos tempos. O filme é bem produzido, tem um visual colorido, cheio de personagens de desenho animado. Acertaram no alvo! Era justamente o que eu queria ver. Fiquei muito satisfeito com o resultado. 

Pablo Aluísio.

Homem de Guerra

Título no Brasil: Homem de Guerra
Título Original: Men of War
Ano de Lançamento: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Perry Lang
Roteiro: Stan Rogow, John Sayles
Elenco: Dolph Lundgren, Charlotte Lewis, BD Wong

Sinopse:
Veterano de guerra, ex-membro das forças especiais do exército americano, embarca em uma nova missão extremamente perigosa que deverá ser executada em uma região controlada a mão de ferro pelo exército da China. Em terreno inimigo ele vai descobrir que o mais importante passa a ser sobreviver naquele ambiente hostil. 

Comentários:
Os anos 90 foram bem ruins para os brutamontes dos anos 80. Principalmente para os que eram de terceiro escalão como o brucutu Dolph Lundgren. Eles foram perdendo totalmente a pouca relevância que tinham na década anterior. Seus filmes sequer eram lançados nos cinemas. Na maioria das vezes se limitavam a produções B que iam direto para as locadoras de vídeo. Esse filme aqui (é mais correto chamar de "fita") exemplifica mesmo essa situação. Sem muita qualidade, se limitava a tentar ressuscitar os filmes de "exército de um homem só" que tanto sucesso tinham feito nos anos 80. Só que nos anos 90 esse tipo de filme já era mesmo considerado algo ultrapassado. Sinal dos novos tempos. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A Casa dos Rituais Satânicos

Título no Brasil: A Casa dos Rituais Satânicos
Título Original: Madhouse
Ano de Lançamento: 1974
País: Reino Unido
Estúdio: Amicus Pictures
Direção: Jim Clark
Roteiro: Angus Hall, Ken Levison
Elenco: Vincent Price, Peter Cushing, Boris Karloff, Basil Rathbone, Robert Quarry

Sinopse:
Vincent Price interpreta um ator veterano. Ele construiu toda a sua carreira em clássicos filmes de terror, onde interpretava um personagem chamado Dr. Morte. Agora, anos depois, retorna ao mesmo papel em uma série de televisão. Seu retorno se deve unicamente a questões financeiras pois pessoalmente não queria voltar a fazer esse antigo monstro. Só que as coisas fogem do controle e várias atrizes que iriam trabalhar ao seu lado aparecem mortas. Pior do que isso, a Polícia de Londres acredita que ele seria o verdadeiro asassino!

Comentários:
Muito interessante esse filme. Na realidade é um bem bolado exercício de metalinguagem. Afinal o que temos aqui é Vincent Price interpretando... Vincent Price! E não está sozinho, vários astros do antigo terror clássico aparecem no filme, seja como coadjuvantes, seja em participações especiais, pontuais. Na questão medo e suspense, admito, o filme não é grande coisa. Envelheceu bastante, mas termos todos esses atores aqui, em um só filme, faz toda a diferença e compensa tudo. Todos eles veteranos, todos eles em participações que para muitos foi a despedida das telas de cinema. Além disso o filme aproveita também para, de certa maneira, homenagear o próprio Vincent Price, com cenas de seus antigos clássicos surgindo no decorrer da história. Como eu escrevi, seu personagem era inteiramente baseado em sua própria história e carreira. Enfim, um banquete de terror com velhos amigos. Assim poderia resumir esse terror já um tanto temporão, até fora de moda para a época em que foi lançado, mas que consegue se superar, sem perder totalmente seu charme de pura nostalgia de um passado que já não existia mais. 

Pablo Aluísio.