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terça-feira, 16 de junho de 2026

O Oeste Selvagem

O filme "Buffalo Bill and the Indians" (no Brasil, O Oeste Selvagem) é um filme inteligente, bem escrito, do aclamado diretor Robert Altman que aqui prova mais uma vez seu grande talento como cineasta. O roteiro conta a histórica verídica do grande mito do western americano Buffalo Bill. O personagem por si só já era extremamente rico em detalhes e nuances e caiu como uma luva nessa película que brinca com o imaginário popular ianque. Para quem não sabe Buffalo Bill (nome artístico de William Cody) foi um verdadeiro Barão de Munchausen da história dos Estados Unidos. Pródigo em contar lorotas e inventar histórias sobre si mesmo que nunca aconteceram na vida real, Bill criou toda uma mitologia em torno de si. Um dia teve a brilhante ideia de criar todo um show em cima de suas fantasias e acabou criando um espetáculo com alto teor circense composto por cowboys falsos, índios de araque e bandidos de mentirinha. Era denominado Oeste Selvagem e foi uma mina de ouro para seu criador, o tornando extremamente rico e bem sucedido. Embora fosse um mentiroso contumaz, Bill acabou criando, sem querer, todos os clichês que até hoje conhecemos da mitologia do western. Os filmes mudos, surgidos no nascimento do cinema, eram claramente inspirados nas encenações do espetáculo de Buffalo, que também teve sua mitológica figura explorada por vários filmes do gênero nos anos seguintes à sua morte.

Em "Buffalo Bill and the Indians", somos levados a conhecer um período bem interessante da vida de Bill, quando ele contratou um mito de verdade do velho oeste para estrelar seu show, o cacique Touro Sentado, famoso por seus feitos contra o exército americano. As cenas em que ambos contracenam mostram verdadeiros duelos entre o personagem de ficção auto inventado e o homem que realmente vivenciou toda a luta pela conquista do oeste selvagem (Touro Sentado). O farsante e o real em lados opostos. Enquanto um vive de contar mentiras sobre si mesmo o outro tenta apenas sobreviver com o pouco de dignidade que ainda lhe resta e de quebra tenta ajudar seu povo, nessa altura da história completamente subjugado pelos brancos. O choque entre a dura realidade e a mais pura fantasia escapista é o grande mérito dessa brilhante e ácida crítica em cima da construção de mitos irreais, que é bem típica da sociedade consumista e vazia dos norte-americanos.

Paul Newman na pele do deslumbrado ídolo está perfeito, numa daquelas atuações que dificilmente esquecemos. A própria surrealidade do cotidiano de Bill (que gostava de namorar cantoras de óperas fracassadas), reforça e torna ainda mais forte sua caracterização. Por fim temos uma participação extremamente inspiradora do grande mito Burt Lancaster. Fazendo o papel de uma pessoa do passado de Bill (que obviamente conhece todas as suas invencionices), Lancaster empresta uma dignidade ímpar a essa película. Sem dúvida Buffalo Bill and the Indians é um excelente filme que nos leva a pensar em vários temas relevantes, como a própria destruição da cultura indígena e a dignidade desse povo que foi massacrado impiedosamente pelos colonos americanos. Um libero que merece ser conhecido por todos.

O Oeste Selvagem (Buffalo Bill and the Indians, Estados Unidos, 1976) Direção: Robert Altman / Roteiro: Arthur Kopit e Alan Rudolph / Elenco: Paul Newman, Harvey Keitel, Geraldine Chaplin, Burt Lancaster, Joel Grey, Kevin McCarthy, Allan F. Nicholls / Sinopse: Buffalo Bill (Paul Newman) é um empresário circense que contrata o lendário Touro Sentado para fazer parte de seu show itinerante. Assim ele parte rumo ao interior dos Estados Unidos para mostrar seu novo espetáculo sensacional sobre o velho oeste selvagem. Filme premiado no Berlin International Film Festival.

Pablo Aluísio.

Rio Lobo

Hoje assisti ao filme Rio Lobo, com o grande mito do Western John Wayne. Curiosamente não me lembrava se já o tinha assistido antes ou não. John Wayne fez tantos filmes e tive o privilégio de acompanhar tantos momentos brilhantes desse ator, seja pela TV ou pelo extinto vídeocassete, que sinceramente bateu uma dúvida se já o tinha assistido ou não. De qualquer forma foi um grande prazer reencontrar o velho Duke novamente. Sou fã de carteirinha de longa data do eterno cowboy, tanto que cheguei a manter um site dedicado apenas ao ator por anos. Algumas cenas me soaram familiares como a parte inicial do filme, onde um grupo de soldados do exército confederado rouba um trem de carregamento de ouro dos ianques. Porém para minha surpresa esse é apenas o primeiro ato da película, que se desenvolve excepcionalmente bem nos dois outros atos da trama. Nem vou me alongar em explicar a sinopse pois esse tipo de coisa é facilmente encontrado na net, apenas vou descer alguns comentários pertinentes sobre o filme.

John Wayne está perfeito em sua caracterização de eterno justiceiro do velho oeste. O elenco de apoio também é muito bom, com destaque para o "Tarzan" Mike Henry, que havia largado o papel do Rei das Selvas após sofrer um ataque de um macaco em fúria nos sets de filmagem. Curioso notar que o filme é da fase final da carreira do astro, já entrando na década de 70 e os velhos filmes de cowboy já eram considerados fora de moda por essa época. Mero detalhe. Em nenhum momento sentimos que o filme esteja datado ou ultrapassado, nada disso, ele é brilhantemente fotografado, com ótimas tomadas externas. Não poderia ser diferente, "Rio Lobo" foi dirigido pelo ótimo e lendário diretor Howard Hawks, o mesmo que colecionou tantos momentos inspirados ao lado de John Wayne em sua carreira, como por exemplo, os eternos clássicos "Rio Bravo", "El Dorado" e até o simpático "Hatari!". Howard inclusive costumava transitar bem em todos os gêneros, dos épicos às comédias de costumes como bem podemos conferir no delicioso filme estrelado pela eterna Marilyn Monroe, "Os Homens Preferem as Loiras".

Rio Lobo foi a última parceria entre John Wayne e Howard Hawks e posso dizer que a despedida foi à altura do talento dos dois. Ambos morreriam na segunda metade dos anos 70 (Hawks em 1977 e Wayne em 1979) e deixariam muitas saudades nos amantes dos velhos westerns. Definitivamente a velha escola do gênero não sobreviveria a essa década, pois nos anos 80 os filmes de faroeste iriam cair em um injusto ostracismo, com meros lampejos de sobrevida em filmes como Silverado e similares. Recentemente assisti novamente ao último filme de John Wayne, chamado providencialmente de "O último pistoleiro" e fiquei realmente triste. Os heróis ao estilo de Wayne, durões, certos em suas opiniões, inabaláveis em suas convicções, com extrema força moral, deixaram definitivamente de existir. Em seu lugar surgiram atores que representavam vulnerabilidade, dúvida, incerteza moral. John Wayne, o símbolo máximo do velho oeste deixou saudades. Ainda bem que sempre poderemos relembrar essa grande fase dourada de Hollywood pela extensa fimografia que ele nos legou.

Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Howard Hawks / Roteiro de Burton Wohl e Leigh Brackett / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Mike Henry, Jennifer O'Neill, Christopher Mitchum, Susana Dosamantes / Sinopse: Após a guerra civil americana um Coronel do exército americano chamado Cord McNally (John Wayne) parte em busca do paradeiro de um traidor de guerra.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Cavalgada Trágica

Cavalgada Trágica
"Cavalgada Trágica" é um dos melhores westerns da carreira de Randolph Scott. Não é de se admirar já que aqui temos novamente Scott dirigido pelo ótimo cineasta Budd Boetticher. O diferencial de Budd para outros diretores de faroestes é que ele tinha profundo respeito pela mitologia do gênero. Admirador do estilo de vida do velho oeste o diretor tirava o máximo de roteiros que em essência eram simples. Esse é um exemplo típico. No filme Randolph Scott interpreta Jefferson Cody, um ex veterano das guerras indígenas que dedica sua vida em uma busca desesperada. Sua esposa há muito fora raptada por tribos Comanches hostis e assim Scott percorre os territórios indígenas na esperança de um dia encontrá-la. Numa dessas buscas acaba libertando a jovem e bela Nancy (Nancy Lowe) cujo marido ofereceu uma recompensa de 5 mil dólares para seu resgate. Claro que com tanto dinheiro em jogo vários caçadores de recompensas sairiam em seu encalço. É justamente isso que motiva Ben (Claude Atkins) e seu bando que querem colocar as mãos na mulher para receberem eles próprios sua recompensa.

Todos os ingredientes que fizeram a fama de Scott no cinema estão lá: o cavaleiro errante, a busca pelo ente querido, as tribos Comanches sedentas por sangue e os bandoleiros com más intenções. A locação é de rara beleza, rochedos de forte impacto na tela, localizados em Alabama Hills em Lone Pine, Califórnia. Além disso o diretor Budd Boetticher capricha no desenvolvimento psicológico dos personagens e no clima de tensão entre eles. O desfecho é brilhante, se tornando mais um dos grandes trabalhos da dupla Scott / Boetticher. Juntos realizaram alguns dos faroestes mais elegantes da história do cinema americano. A cena final com Randolph Scott e o por do sol ao longe, cavalgando nas pradarias é marcante, um momento único, difícil de se esquecer depois.

Cavalgada Trágica (Comanche Station, Estados Unidos, 1960) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Burt Kennedy / Elenco: Randolph Scott, Nancy Lowe, Claude Atkins / Sinopse: No filme Randolph Scott interpreta Jefferson Cody, um ex veterano da guerras indígenas que dedica sua vida em uma busca desesperada. Sua esposa há muito fora raptada por tribos Comanches hostis e assim Scott percorre os territórios indígenas na esperança de um dia encontrá-la. Numa dessas buscas acaba libertando a jovem e bela Nancy (Nancy Lowe) cujo marido ofereceu uma recompensa de 5 mil dólares para seu resgate.

Pablo Aluísio.

O Homem do Rifle

Título no Brasil: O Homem do Rifle
Título Original: The Rifleman
Ano de Produção: 1958 - 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Joseph H. Lewis, Arnold Laven
Roteiro: Ed Adamson, Skippy Adelman     
Elenco: Chuck Connors, Johnny Crawford, Paul Fix, Joe Benson, Patricia Blair, Harlan Warde

Sinopse:
Lucas McCain (Chuck Connors) é um viúvo que toca seu rancho ao lado de seu jovem filho. Dono de uma ética e um senso de responsabilidade fora do comum, ele tenta passar para o garoto os mais altos valores de uma vida de trabalho e honestidade no campo. Conhecido na região como homem bom e íntegro, ele resolve modificar um velho rifle Winchester, adicionando maior velocidade de disparo. Algo necessário naqueles tempos perigosos e conflitantes.

Comentários:
O universo das séries televisivas de faroeste nos Estados Unidos foi muito vasto e rico. Infelizmente poucas dessas séries foram exibidas no Brasil em decorrência do nosso atraso tecnológico. Veja o caso desse "The Rifleman". No total foram quase 170 episódios em cinco longas temporadas. O seriado, mostrando a vida de um rancheiro e seu filho, logo caiu no gosto do público americano mas no Brasil passou em brancas nuvens. Apenas com o lançamento das três primeiras temporadas em DVD é que o fã de western de nosso país poderá curtir um pouco do que foi essa série. É tudo muito cativante e nostálgico, explorando bem a vida rural americana no século XIX. Lutando contra as forças da natureza e perigos de toda ordem (como ataques de tribos indígenas selvagens) esses pioneiros conseguiram construir aquela grande nação praticamente apenas com o esforço de seu trabalho pessoal. O sucesso de audiência acabou transformando Chuck Connors em um rosto conhecido e ele tentaria passar para o mundo do cinema mas sem o mesmo êxito. Assim deixamos a dica para conhecer mais esse interessante seriado sobre a vida no velho oeste. Certamente você irá gostar.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Sangue em Sonora

Filmado em locações no Estado americano de Utah, em 1966, o filme "Sangue em Sonora" trouxe um Marlon Brando estrelando um western de estrutura tradicional, o que de certa forma era um surpresa já que o ator era conhecido não só por seu talento, mas também por sempre procurar trabalhar em projetos mais ousados e polêmicos. O que teria acontecido então para Brando embarcar em um projeto, digamos assim, tão comum? Conforme explicou em sua própria autobiografia "Canções que minha mãe me ensinou" o que o levou a filmes como esse foi a simples necessidade de ganhar muito dinheiro para bancar os problemas financeiros que enfrentou.

Na década de 1960 Brando teve que enfrentar uma incrível série de contratempos. Suas ex-esposas o processaram, a guarda de seus filhos exigia que o ator desembolsasse somas cada vez maiores para pagar os advogados e sua querida ilha Tetiroa só lhe trazia prejuízos. Mal conseguia construir seu hotel um furacão vinha e destruía com tudo. O ator pretendia transformar o local em ponto turístico ambiental mas jamais concretizou seus planos por causa da irascível natureza da região. Assim, atolado com muitas dívidas, Marlon Brando se dispôs a se deslocar para uma locação de díficil acesso para começar as filmagens desse faroeste.

Em seu livro Brando recordou que ficou surpreso ao chegar lá e saber que tinha sido o mesmo local onde John Wayne havia filmado um conhecido western na era de ouro do cinema. O problema era que o local ficava muito próximo de uma base americana de testes nucleares. Para Brando muito provavelmente foi nesse local que John Wayne teria sido contaminado por depósitos de lixo nuclear (urânio), o que teria sido decisivo para o desenvolvimento do câncer que vitimaria o veterano ator anos depois. Brando afirmaria depois: "Não deixava de ser uma ironia o fato do grande defensor da indústria armamentista nuclear norte-americana ter sido morto justamente por ter sido contaminado por seu lixo deixado no local". Não era novidade para ninguém que ambos os atores se detestavam na vida pessoal, pois Brando era um típico liberal enquanto John Wayne era um defensor ferrenho dos ideais do partido Republicano, símbolo do conservadorismo nos Estados Unidos.

Deixando de lado todos esses problemas de egos tão comuns nos grandes atores de cinema, vamos ao filme em si. Como afirmei antes o filme tem uma estrutura comum e simples. O diretor Sidney J Furie não quis arriscar muito, até porque na época não passava de um novato com poucos filmes significantes no currículo. Trabalhar com Marlon Brando também não era nada fácil, pois o ator tinha um histórico de problemas com diretores nos sets de filmagens. A sorte de Furie foi que na ocasião Brando estava envolvido em tantos problemas pessoais que simplesmente não quis infernizar ainda mais sua vida com confusões de bastidores no set de filmagens.

Assim os trabalhos transcorreram sem grandes incidentes, tudo resultando em um filme que é um bom western, embora muito longe do que se esperaria de um gênio da atuação como Brando. Na realidade só existem dois bons momentos para Brando em toda a (curta) duração do filme. A cena inicial do filme, por exemplo, com Brando na Igreja, gera bons momentos ao roteiro, porém a melhor parte acontece depois quando Brando enfrenta o vilão Chuy Medina (interpretado por um irreconhecível John Saxon) na taberna. A queda de braço com escorpiões realmente foi uma excelente idéia, que casou muito bem com a proposta do filme que no fundo não passava de um Western de rotina com altas doses de Tequila. "Sangue em Sonora" não é nem de longe o mais brilhante momento do mito Brando nas telas nos anos 1960, mas mantém o interesse e diverte, o que no final é o que realmente importa.

Sangue em Sonora (The Appaloosa, Estados Unidos, 1966) Direção: Sidney J. Furie / Roteiro: James Bridges, Roland Kibbee / Elenco: Marlon Brando, Anjanette Comen, John Saxon / Sinopse: Matt Fletcher (Marlon Brando) chega em uma cidade perdida na fronteira entre EUA e México. Lá pretende encontrar com um amigo do passado que agora está casado e com família. Os eventos porém se interpõe em seu caminho o lançando em uma luta de proporções gigantescas com bandoleiros e patifes que infestam a região. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (John Saxon).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Sete Homens e Um Destino

Sete Homens e Um Destino
Moradores de um pacato vilarejo mexicano pedem ajuda a um grupo de pistoleiros liderados por Chris (Yul Brynner) e Vin (Steve McQueen) para que os protejam do terrível bando de bandidos e assassinos do pistoleiro Calvera (Eli Wallach). Refilmagem americana do filme "Os Sete Samurais" de Akira Kurosawa. Uma das grandes ideias dos roteiristas foi transpor a estória para o velho oeste, pois essa é a verdadeira mitologia americana. Saem os samurais e entram os pistoleiros e cowboys do filme. Nada mais adequado. Mas não foi apenas por essa adaptação que a produção se tornou um clássico. Provavelmente esse seja o western com a mais lembrada e famosa música tema da história do cinema. Muito evocativa e tocada várias vezes ao longo do filme em diversas versões diferentes logo fica claro porque se tornou um marco no estilo. Elmer Bernstein era realmente um grande compositor como bem demonstrado aqui. Basta a música tocar para o espectador entrar imediatamente no clima do gênero western.

Outro ponto muito forte de "The Magnificent Seven" é seu elenco acima da média, liderado pelos carismas de Yul Brynner e Steve McQueen, ambos estrelas em ascensão em Hollywood na época. Os sete pistoleiros contratados para defender a pequena vila são variações do velho mito do cavalheiro solitário e errante (como bem resume uma cena em que eles discutem sobre os prós e contras da vida que levam). O elenco de apoio é excepcionalmente bom, com destaque para Charles Bronson (ainda em sua fase de coadjuvante), Robert Vaughn (que iria virar astro da TV anos depois) e James Coburn (um dos atores que melhor personificou pistoleiros em filmes de faroeste). Produzido pela Mirisch cia, a produção não é muito rica (essa empresa era especializada em fitas B que depois eram distribuídas pelos grandes estúdios como Universal e MGM) mas esse pequeno detalhe não compromete o filme em nenhum momento. Já a direção do veterano John Sturges é eficiente (embora um corte na duração final cairia bem). De qualquer forma não há como negar que para quem gosta de western esse é sem dúvida um filme obrigatório.

Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, Estados Unidos, 1960) Direção: John Sturges / Roteiro: William Roberts / Musica: Elmer Bernstein / Elenco: Steve McQueen, Yul Brynner, Charles Bronson, Eli Wallach, Robert Vaughn, James Coburn / Sinopse: Moradores de um pacata vilarejo mexicano pedem ajuda a um grupo de pistoleiros liderados por Chris (Yul Brynner) e Vin (Steve McQueen) para que os protejam do terrível bando de bandidos e assassinos do pistoleiro Calvera (Eli Wallach).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Wyatt Earp

Geralmente as pessoas mistificam certos personagens da história e se aborrecem seriamente quando certas passagens das vidas desses mitos são desmistificadas. Um caso bem exemplificativo disso aconteceu quando Kevin Costner resolver levar para as telas a biografia do lendário xerife do velho oeste, Wyatt Earp. O uso da expressão lendário aqui não é mero enfeite, Earp realmente foi um dos personagens mais conhecidos e celebrados do chamado Oeste Selvagem. Ao lado de seus irmãos e do amigo, o dentista, pistoleiro e tuberculoso Doc Holliday, Wyatt enfrentou uma quadrilha de bandidos no famoso Ok Curral, duelo esse que jamais foi esquecido na vasta mitologia do western americano e que consagrou seu nome para sempre na história dos Estados Unidos. Kevin Costner poderia muito bem apenas endossar a velha lenda mas corajosamente preferiu filmar uma biografia bem mais realista e de acordo com o que realmente aconteceu. O filme, que tem mais de 3 horas de duração, é um primor de qualidade. Na época foi recebido com certas reservas, talvez justamente por ser "real demais".


E afinal, o que tanto aborreceu a alguns segmentos da sociedade ianque? Primeiramente o fato de que certos aspectos da biografia de Earp vieram à tona pela primeira vez no cinema com esse filme. Por exemplo, em todos os filmes que retrataram Wyatt antes ele sempre era mostrado como um homem da lei, acima do bem e do mal. Honesto, correto e incorruptível. A verdade histórica porém não foi bem assim. No filme descobrimos que Wyatt antes de virar xerife teve que fugir de sua terra natal para não ser preso por roubo de cavalos. Isso mesmo, o xerife modelo do oeste americano era na realidade um ladrão de cavalos foragido. Durma-se com um barulho desses. 

Outros aspectos nada lisonjeiros na biografia de Wyatt Earp vão desfilhando pelas cenas: sua dureza com os que o desafiavam, sua fria relação com sua segunda companheira (a primeira esposa faleceu de tifo ainda muito cedo) e os não explicados assassinatos da antiga quadrilha que matou dois dos irmãos Earp. Tudo no filme é retratado de forma corajosa e sem meias palavras. Para quem gosta de história como eu, um roteiro honesto e definitivamente leal à veracidade dos fatos como esse é um prato cheio, um grande prazer. Enfim, Wyatt Earp é item obrigatório para todos aqueles que desejam conhecer a verdade por trás dos mitos do velho oeste, sem enfeites ou fantasias. O velho xerife, mostrado com a veracidade e a velocidade de um colt 45, se revela por inteiro no quadro pintado por Kevin Costner. É a biografia definitiva sobre Wyatt Earp no cinema. Por essa razão se ainda não assistiu, não perca a oportunidade.

Wyatt Earp (Estados Unidos, 1994) Direção: Lawrence Kasdan / Roteiro: Dan Gordon, Lawrence Kasdan / Elenco: Kevin Costner, Dennis Quaid, Gene Hackman / Sinopse: Cinebiografia do famoso xerife e homem da lei Wyatt Earp (Kevin Costner). Ao lado de seus irmãos e do amigo Doc Holliday (Dennis Quaid), Earp se envolveu no famoso duelo do OK Curral, que entrou na história do velho oeste.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 5 de maio de 2026

A Volta do Pistoleiro

A Volta do Pistoleiro
Pistoleiro (Robert Taylor) sai da prisão de Yuma e recebe carta de um amigo que precisa de sua ajuda pois está sendo ameaçado por bandidos locais que querem expulsá-lo de seu rancho na fronteira com o México. Robert Taylor foi um dos galãs mais populares de Hollywood nas décadas de 40 e 50, estrelando várias produções de luxo dos principais estúdios. Passeou em vários gêneros desde filmes épicos (Quo Vadis), de capa e espada (Os Cavaleiros da Tavola Redonda, Ivanhoé) até produções de guerra (O Dia D). O problema é que Taylor era aquele tipo de ator que se baseava apenas em sua aparência física, algo que é inerente a todos os galãs aliás. Quando a idade chega eles obviamente são trocados por atores mais jovens e caem no ostracismo. Acontece com todos e aconteceu com Robert Taylor também. No final dos anos 50 ele já demonstrava sinais de declínio na carreira. Tentou sobreviver indo para a TV e até conseguiu uma sobrevida com séries como The Detectives mas a partir de 1962 os trabalhos foram ficando cada vez mais escassos.

Quando realizou "A Volta do Pistoleiro" Robert Taylor já estava praticando aposentado das telas. Para falar a verdade esse foi seu último filme americano nos cinemas (decadente chegou a filmar na Itália e após um breve retorno à TV morreria dois anos depois em 1969). Aqui temos uma produção B da MGM. Não é um grande western, não tem uma grande produção e o roteiro para falar a verdade é mais do mesmo (a velha estória do pistoleiro rápido do gatilho que parte em busca de vingança). Taylor está visivelmente envelhecido e sem pique, aparentando inclusive problemas de obesidade (sua barriga saliente é constrangedora). De qualquer forma tenta trazer alguma dignidade ao papel usando de seus velhos maneirismos (como o levantar das sobrancelhas e o cerramento dos olhos nos momentos de tensão). No saldo final "Return of the Gunfighter" serve apenas como uma despedida desse galã hollywoodiano dos velhos tempos. Claro que ainda é melhor vê-lo no auge, como em "Quo Vadis" mas essa produção não deixa de ser curiosa também para conferir um dos últimos trabalhos dele nas telas.

A Volta do Pistoleiro (Return of the Gunfighterm Estados Unidos, 1967) / Direção de James Neilson / Roteiro de Robert Buckner e Burt Kennedy / Com Robert Taylor, Ana Martin e Chad Everett / Sinopse: Pistoleiro (Robert Taylor) sai da prisão de Yuma e recebe carta de um amigo que precisa de sua ajuda pois está sendo ameaçado por bandidos locais que querem expulsá-lo de seu rancho na fronteira com o México.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Hondo: Caminhos Ásperos

Hondo
Hondo Lane (John Wayne) é um pistoleiro que atravessa o deserto sozinho ao lado de seu cão Sam durante as chamadas guerras Apaches. No caminho acaba encontrando um pequeno rancho onde vivem Angie (Geraldine Page) e seu pequeno filho. Estão sozinhos pois seu marido saiu atrás de parte de seu rebanho mas jamais retornou. O problema é que em breve os Apaches chegarão no local e Hondo não consegue convencer a jovem senhora a abandonar o local onde vive. Esse "Hondo - Caminhos Ásperos" me surpreendeu por alguns motivos. O primeiro é o próprio personagem interpretado por John Wayne. Um pistoleiro de passado nebuloso. Sua caracterização de viajante no meio do nada ao lado de seu cachorro seria imitada anos depois em "Mad Max" e até por Clint Eastwood em "O Estranho Sem Nome". Afinal quem realmente é Hondo? Outro aspecto curioso na produção é a forma como Wayne lida com um papel mestiço. Ele também é metade Apache e se vê envolvido em um conflito que mal consegue entender. No final do filme ao saber que provavelmente os Apaches serão todos liquidados pela cavalaria americana ele diz uma bela frase: "Isso não será apenas o fim dos Apaches mas sim o fim de um modo de viver.... e um bom modo de se viver é bom salientar".

O elenco de Hondo é muito bom. Além de Wayne - em papel marcante - ainda temos a grande Geraldine Page dividindo a tela com ele. Considerada uma das grandes atrizes do cinema americano aqui ela interpreta uma jovem rancheira que se recusa a abandonar seu lar frente à ameaça Apache. Suas cenas com o Duke são muito boas o que garante a qualidade do filme. Wayne e Page ficam praticamente sozinhos no rancho no terço inicial de "Hondo" e se não se entrosassem bem em cena certamente o roteiro perderia parte importante de seu impacto. Felizmente isso não ocorre. Ambos estão perfeitos em seus respectivos personagens. Em suma "Hondo" é um western de primeira, com belas atuações e cenários naturais grandiosos. Vale a pena assistir.

Hondo - Caminhos Ásperos (Hondo, EUA, 1953) / Direção de John Farrow / Roteiro de James Edward Grant e Louis L'Amour / Com John Wayne, Geraldine Page e Ward Bond / Sinopse: Em plena era das guerras apaches pistoleiro errante (John Wayne) tenta convencer jovem rancheira (Geraldine Chaplin) a abandonar o lugar em que vive por sua própria segurança.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 17 de março de 2026

Assim São os Fortes

Assim São os Fortes
Um dos aspectos mais curiosos da carreira do ator Clark Gable foi sua pouca aparição em filmes de Western. No auge do gênero, sendo um dos mais populares filões da época, era de se esperar que o galã Gable se utilizasse desse tipo de produção para manter sua popularidade em alta, mas isso não aconteceu. Para falar a verdade Gable sempre foi considerado uma ausente ilustre nos faroestes da época, sempre preferindo participar muito mais de filmes de aventura, romances e dramas urbanos. Talvez ele se sentisse deslocada no velho oeste, quem sabe, a verdade nunca saberemos ao certo. Uma exceção a essa regra é justamente esse bom western chamado "Assim São os Fortes" que fez um belo sucesso na época - o que infelizmente não pareceu ter empolgado o ator a estrelar mais filmes como esse. O filme foi considerado até mesmo ousado para a época, pois mostrava um romance entre um branco (Flint Mitchell, personagem de Gable no filme) e uma indígena! O roteiro é uma adaptação do livro vencedor do Pulitzer, "Across the Wide Missouri" de autoria do aclamado escritor Bernard DeVoto.  Esse é um clássico do mundo da literatura dos Estados Unidos. Uma obra prima.

A história se passa na década de 1830. Flint Mitchell (Gable) é um caçador e desbravador que sai em busca de caças e metais preciosos nas montanhas distantes e desabitadas de Montana e Idaho. As terras são ricas em recursos naturais e logo chamariam a atenção de outros homens brancos gananciosos. Mitchell, por sua vez, deseja apenas levar uma vida bucólica, tirando o necessário da natureza para sua sobrevivência. Em sua expedição acaba conhecendo a tribo dos índios Blackffoot e se apaixona por uma das mulheres da comunidade. Clark Gable se esforça bastante para dar uma certa veracidade ao seu papel. Ao invés de surgir como um galã de cabelo penteado, cheio de brilhantina, ele tenta capturar o estilo de vida desses pioneiros das montanhas. O figurino é o mais adequado, além do modo mais rude de ser. 

 O resultado é muito bom e o filme foi de certa forma subestimado pois não chamou qualquer atenção da Academia (revelando um certo preconceito contra o gênero western em suas premiações). O que mais se destaca na produção é sua linda fotografia. “Assim São os Fortes” foi todo filmado em locações do Colorado, em maravilhosas reservas florestais e se torna logo um colírio para os amantes da natureza. Seu roteiro foca mais nas diferenças de costumes entre brancos e índios e não há tantas cenas de ação ou tiroteios como se vê em outras produções de western da época. Mesmo assim tem um final eletrizante que empolga o espectador. Fica assim a dica desse "Assim São os Fortes" um dos poucos filmes de faroeste estrelados pelo grande ídolo Clark Gable.

Assim São os Fortes (Acroos The Wide Missouri, Estados Unidos, 1951) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Talbot Jennings baseado no livro de Bernard DeVoto / Elenco: Clark Gable, Ricardo Montalban, John Hodiak / Sinopse: A estória se passa na década de 1830. Flint Mitchell (Gable) é um caçador e desbravador que sai em busca de caças e metais preciosos nas montanhas distantes e desabitadas de Montana e Idaho. As terras ricas logo chamariam a atenção de outros homens brancos, mas Mitchell deseja apenas levar uma vida bucólica, tirando o necessário da natureza para sua sobrevivência. Em sua expedição acaba conhecendo a tribo dos índios da tribo Blackffoot e se apaixona por uma das mulheres da comunidade.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 3 de março de 2026

Herança Sagrada

Após a morte do cacique Cochise (Jeff Chandler), a nação Apache se divide em dois blocos de guerreiros. Os que desejam continuar a manter a paz com os brancos são liderados por Taza (Rock Hudson), filho sucessor e novo chefe da tribo. Já o grupo que deseja uma guerra final para expulsar os brancos das terras indígenas é liderado pelo famoso guerreiro Geronimo (Ian MacDonald) e pelo irmão de Taza, o impiedoso Naiche (Rex Reason). No meio do conflito se situa o Forte Apache, guarnição da sexta cavalaria do exército americano que se encontra na região para manter a ordem e a paz. Esse filme “Herança Sagrada” é um western curioso por vários motivos. O primeiro é o fato de ser dirigido por Douglas Sirk, um diretor mais conhecido por seus dramas sentimentais e urbanos. Dentro do gênero faroeste ele realmente não tinha muita intimidade e nem experiência. Nem por isso deixou de desenvolver um excelente trabalho, haja visto que o filme se mantém muito bem, com doses exatas de aventura, ação e até romance. Por exemplo o personagem nativo Taza almeja se casar com a filha de um apache que pertence à ala guerreira do chefe Geronimo, o que lhe trará muitos problemas. A parceria do diretor Sirk com Rock Hudson funcionou novamente muito bem nesse improvável western. Ele era um cineasta hábil que conseguia extrair o melhor de seu elenco, mesmo em filmes como esse.

Em sua autobiografia, o ator Rock Hudson relembrou algumas impressões sobre esse filme. Inicialmente ele afirmou que não se sentia completamente à vontade interpretando um nativo, um índio, pois tinha um biótipo bastante caucasiano, não servindo para interpretar com veracidade esse tipo de guerreiro. Ele obviamente ficaria mais convincente como um soldado da cavalaria dos Estados Unidos, com seus uniformes azuis. Depois relembrou com muito bom humor as dificuldades no set de filmagens. “Herança Sagrada” foi todo rodado em locações reais, no meio do deserto, numa região rica em barro vermelho. Rock no livro escreveu que todos os dias, após filmar suas cenas, tinha que tomar um prolongado banho onde segundo suas próprias palavras havia “toneladas de barro que desciam pelo ralo do banheiro”.

Apesar de tudo Rock Hudson reconheceu em seu livro de memórias que o filme foi bom para sua carreira pois fez sucesso de bilheteria, o ajudando a se transformar em um astro. Deixando esses detalhes de lado a conclusão que se chega após assistir a esse “Herança Sagrada” é a de que se trata realmente de um bom western, com cenas bem realizadas (como a emboscada dentro do cânion com os apaches promovendo um verdadeiro massacre da sexta cavalaria) e uma boa dose de realismo na forma como os índios são retratados em cena. “Herança Sagrada” é acima de tudo um filme muito interessante, por colocar os índios como protagonistas da estória e não apenas como inimigos sem alma e nem personalidade, que só serviam para morrer nas mãos  do colonizador branco. Por essa razão “Herança Sagrada” pode ser incluído até mesmo no panteão dos melhores filmes de faroeste já produzidos pela Universal Pictures.

Herança Sagrada (Taza, Son of Cochise, Estados Unidos, 1954) Direção: Douglas Sirk / Roteiro: Gerald Drayson Adams / Elenco: Rock Hudson, Barbara Rush, Gregg Palmer, Jeff Chandler, Ian MacDonald, Rex Reason / Sinopse: Após a morte do chefe Cochise (Jeff Chandler) o jovem Taza (Rock Hudson) assume a liderança de sua tribo. Ele deseja paz com os brancos mas enfrenta forte resistência de seu próprio irmão e Gerônimo, lendário guerreiro da nação Apache, que desejava a guerra contra o inimigo invasor.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Os Imperdoáveis

Os Imperdoáveis
Os Imperdoáveis (Unforgiven) foi lançado em 7 de agosto de 1992 e marcou um dos pontos mais altos da carreira de Clint Eastwood, que atuou como diretor e protagonista. O elenco principal reúne ainda Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris, formando um conjunto de interpretações hoje consideradas antológicas. Ambientado nos últimos anos do Velho Oeste, o filme acompanha William Munny, um ex-pistoleiro envelhecido que tenta viver de forma honesta após um passado marcado pela violência. A trama se inicia quando uma recompensa é oferecida pela morte de dois homens acusados de mutilar uma prostituta, levando Munny a aceitar um último trabalho. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma reflexão profunda sobre justiça, vingança, culpa e o preço moral da violência, desconstruindo deliberadamente o mito romântico do faroeste clássico. 

No momento de seu lançamento, Os Imperdoáveis foi recebido com entusiasmo quase unânime pela crítica americana. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste maduro, melancólico e profundamente humano”, elogiando a maneira como Eastwood revisita e subverte os arquétipos que ele próprio ajudou a consagrar décadas antes. O Los Angeles Times destacou a direção contida e elegante, afirmando que o filme “transforma o silêncio e o peso do passado em elementos dramáticos tão importantes quanto os tiros”. Já a Variety ressaltou o equilíbrio entre espetáculo e introspecção, apontando que o longa era “tão brutal quanto necessário e tão reflexivo quanto raro dentro do gênero”.

No terceiro momento da recepção crítica, revistas como The New Yorker e Time enfatizaram o caráter quase crepuscular do filme. A Time escreveu que Os Imperdoáveis era “um epitáfio para o western tradicional”, enquanto o The New Yorker elogiou especialmente o roteiro de David Webb Peoples, afirmando que o texto recusava qualquer glamourização da violência. A atuação de Gene Hackman como o xerife Little Bill foi amplamente celebrada, sendo descrita como “terrivelmente carismática e moralmente perturbadora”. O consenso crítico à época foi amplamente positivo, com muitos analistas já apontando o filme como uma obra-prima instantânea e um divisor de águas dentro do gênero.

Do ponto de vista comercial, Os Imperdoáveis também obteve um desempenho notável. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 14 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 101 milhões em bilheteria mundial. Somente nos Estados Unidos, o longa ultrapassou a marca de US$ 80 milhões, resultado expressivo para um western adulto, sem apelo juvenil e de ritmo deliberadamente lento. O sucesso financeiro foi potencializado pela forte presença do filme na temporada de premiações, o que ampliou sua longevidade nos cinemas e consolidou seu status como um raro exemplo de prestígio crítico aliado a retorno comercial sólido.

Com o passar dos anos, Os Imperdoáveis se firmou como um dos filmes mais respeitados da história do cinema americano. Atualmente, é frequentemente citado em listas de “melhores westerns de todos os tempos” e também entre os grandes filmes da década de 1990. A obra é estudada por sua abordagem ética da violência, pela desconstrução do heroísmo e pela maneira como trata a memória e a culpa. O filme venceu quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e hoje é visto não apenas como o auge do western moderno, mas também como uma síntese madura da carreira de Clint Eastwood diante e atrás das câmeras.

Os Imperdoáveis (Unforgiven, Estados Unidos, 1992) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: David Webb Peoples / Elenco: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Saul Rubinek / Sinopse: Um ex-pistoleiro tenta escapar de seu passado violento, mas acaba envolvido em uma caçada motivada por vingança, confrontando antigas escolhas, códigos morais frágeis e as duras consequências da violência no Velho Oeste.

Erick Steve. 

Pacto de Justiça

Pacto de Justiça
Pacto de Justiça (Open Range) foi lançado em 15 de agosto de 2003 e é dirigido por Kevin Costner, que também protagoniza o filme ao lado de Robert Duvall, Annette Bening e Michael Gambon. Ambientado no final do século XIX, o longa retorna ao western clássico, mas com uma abordagem madura e contemplativa. A história acompanha dois vaqueiros que conduzem gado livremente pelas grandes planícies do Oeste americano, vivendo à margem das cidades e das leis impostas por grandes proprietários de terra. Esse modo de vida entra em choque quando eles cruzam o caminho de uma cidade dominada por um fazendeiro autoritário, que controla a região por meio da violência e da intimidação. A partir desse conflito inicial, o filme constrói uma narrativa sobre liberdade, justiça, amizade e a difícil transição entre o Velho Oeste selvagem e uma sociedade cada vez mais regulada.

Na época de seu lançamento, Pacto de Justiça foi recebido de forma majoritariamente positiva pela crítica americana, especialmente entre os defensores do western clássico. O The New York Times elogiou o tom humanista do filme, afirmando que Costner “resgata a dignidade moral do gênero sem cair na nostalgia vazia”. O jornal destacou ainda a relação entre os personagens vividos por Costner e Duvall, descrevendo-a como “silenciosa, profunda e construída com rara sensibilidade”. Já o Los Angeles Times ressaltou a fotografia e o ritmo deliberado da narrativa, apontando que o filme “prefere a construção lenta de tensão ao espetáculo imediato”.

No Variety, a crítica reconheceu que o filme não reinventava o western, mas fazia isso com extrema competência, chamando-o de “um retorno sólido e elegante às raízes do gênero”. A revista também elogiou o vilão interpretado por Michael Gambon, descrito como “frio, calculista e assustadoramente realista”. O The New Yorker destacou o cuidado de Costner com os detalhes históricos e com o silêncio, observando que grande parte da força dramática do filme reside nos gestos contidos e nas pausas. De forma geral, o consenso crítico apontou Pacto de Justiça como um western clássico moderno, respeitoso à tradição e consciente de seu tempo, com elogios recorrentes à direção e às atuações centrais.

No aspecto comercial, Pacto de Justiça teve um desempenho moderado, porém respeitável. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 26 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 68 milhões em bilheteria mundial. Nos Estados Unidos, o longa somou pouco mais de US$ 58 milhões, enquanto o mercado internacional contribuiu de forma mais modesta para o total. Embora não tenha sido um blockbuster, o filme garantiu retorno financeiro satisfatório, especialmente considerando seu gênero clássico e seu ritmo mais lento, distante das tendências comerciais dominantes do início dos anos 2000.

Com o passar do tempo, Pacto de Justiça passou por uma reavaliação crítica positiva. Hoje, o filme é frequentemente citado como um dos westerns mais subestimados das últimas décadas. Muitos críticos contemporâneos destacam a famosa sequência final como uma das mais realistas e tensas já filmadas no gênero, além da maturidade com que o filme aborda temas como justiça privada, violência e moralidade. A parceria entre Kevin Costner e Robert Duvall é constantemente lembrada como um dos grandes pontos fortes do longa, e o filme conquistou um público fiel que o considera um herdeiro direto dos grandes westerns clássicos de John Ford e Howard Hawks.

Pacto de Justiça (Open Range, Estados Unidos, 2003) Direção: Kevin Costner / Roteiro: Craig Storper (baseado no romance The Open Range Men, de Lauran Paine) / Elenco: Kevin Costner, Robert Duvall, Annette Bening, Michael Gambon, Diego Luna, Abraham Benrubi / Sinopse: Dois vaqueiros que vivem à margem da lei entram em conflito com um poderoso fazendeiro ao desafiar o controle violento imposto sobre uma pequena cidade do Velho Oeste.

Erick Steve. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Céu Amarelo

Céu Amarelo
Baseado num conto de W.R Burnett, o western, "Céu Amarelo" (Yellow Sky,1948) conta a história de James Stretch Dawson (Gregory Peck) e seu bando de assaltantes. A quadrilha, após assaltar o banco da pequena cidade de Rameyville, foge, tendo em seu encalço vários soldados da união. Para fugir do pequeno exército, Stretch e seus capangas desviam a rota e resolvem atravessar a imensidão do deserto na região do Vale da Morte. Depois de vários dias de travessia pelo deserto com sol abrasador, o bando está em frangalhos. O calor inclemente, além da sede e da fome, devastam pouco a pouco Stretch, seus comparsas e os cavalos. Quando ninguém mais acreditava, a quadrilha trôpega e moribunda, chega a uma cidade fantasma chamada Yellow Sky. Na busca desesperada por água o bando encontra uma mulher que os recebem armada com um rifle. Seu nome: Mike (Anne Baxter). Mike mora na pequena cidade com seu avô (James Barton) e juntos guardam um segredo a sete chaves: uma mina de ouro. A beleza e o charme de Mike passam a chamar a atenção do bando, mas especialmente de dois deles: Stretch (Gregory Peck) e Dude (Richard Widmark). Passado alguns dias o bando descobre que Mike e seu avô escondem uma mina de ouro e passam a pressioná-los para que indiquem a posição. O velho, já doente, informa ao bando que na mina existem 50.000 dólares em ouro e que topa fazer a divisão entre todos.

O maior problema é que Stretch está cada dia mais apaixonado por Mike, fazendo brotar em Dude sentimentos de ciúme, ódio e vingança. Dude então reúne o bando para juntos roubarem a mina, traindo não só Stretch mas também Mike e seu avô. Quando descobre a traição do resto do bando, Stretch se une a Mike e seu avô e juntos irão enfrentar o resto do bando pela posse de todo o ouro. Entrincheirados na casa de Mike para se protegerem dos bandidos que agora tem Dude como líder, a batalha pelo ouro e também pelo coração de Mike, inicia-se com uma ferrenha troca de tiros que culminará num final sensacional, inesperado e digno dos grandes clássicos.

Céu Amarelo é um dos maiores western feitos até hoje. Seu revestimento estético projeta na tela uma aura e um charme que só os eternos clássicos do western possuem. Além disso, o longa é ancorado por excelentes performances de Gregory Peck, Richard Widmarck e Anne Baxter. A fotografia em preto e branco de Joseph MacDonald é um espetáculo à parte, principalmente na cena da travessia do deserto onde ele explora as tomadas com um excesso quase letal de claridade. Palmas também para mais um show de direção do grande William A.Wellman que também já havia dirigido o inesquecível "Beau Geste" em 1939.

Céu Amarelo (Yellow Sky, Estados Unidos, 1948) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Lamar Trotti, W.R. Burnett / Elenco: Gregory Peck, Anne Baxter, Richard Widmark / Sinopse: Grupo de assaltantes chegam numa pequena cidade perdida do velho oeste e descobrem que no local há uma rica mina de ouro. Agora terão que lutar para colocar as mãos na fortuna do local.

Telmo Vilela Jr.

Em Cartaz: Céu Amarelo
O faroeste Céu Amarelo estreou nos cinemas em dezembro de 1948, dirigido por William A. Wellman e estrelado por Gregory Peck, Anne Baxter e Richard Widmark. Ambientado em uma cidade fantasma no deserto, o filme acompanha um grupo de fora da lei que, após um assalto, encontra apenas uma jovem e seu avô vivendo entre ruínas, dando início a um confronto moral entre ganância, sobrevivência e redenção. Desde o lançamento, a obra se destacou por seu tom sombrio e psicológico, distanciando-se do faroeste clássico mais aventureiro.

Em termos de bilheteria, Céu Amarelo obteve um desempenho sólido, embora não tenha sido um dos maiores sucessos comerciais do gênero naquele ano. Produzido pela 20th Century Fox, o filme atraiu público suficiente para justificar seu investimento, beneficiando-se da popularidade crescente de Gregory Peck e do interesse do público por westerns com maior densidade dramática e visual mais estilizado.

A reação da crítica em 1948 foi majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste tenso e inteligentemente construído”, elogiando sua atmosfera opressiva e o uso expressivo da paisagem desértica. A revista Time comentou que a produção era “mais dura e mais adulta do que a maioria dos westerns de estúdio”, destacando o equilíbrio entre ação e conflito psicológico.

As atuações também receberam atenção especial da imprensa. Gregory Peck foi elogiado por interpretar um fora da lei dividido entre cinismo e consciência moral, com críticos afirmando que sua atuação era “contida e progressivamente humana”. Richard Widmark, conhecido por papéis intensos, foi apontado como o elemento mais imprevisível do elenco, descrito em jornais como “ameaçador e eletricamente instável”. Anne Baxter foi valorizada por trazer força e ambiguidade a uma personagem feminina rara para o gênero na época.

Com o passar do tempo, Céu Amarelo passou a ser visto como um western precursor de abordagens mais modernas, antecipando temas e atmosferas que se tornariam comuns no gênero nas décadas seguintes. Já em 1948, alguns críticos observavam que o filme possuía uma seriedade incomum para o faroeste tradicional. Hoje, a obra é considerada um clássico subestimado, lembrado por sua fotografia marcante, por seu clima moralmente ambíguo e por representar uma fase mais sombria e madura do cinema western americano.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Homem do Colorado

O Homem do Colorado
Também conhecido como "No Velho Colorado", esse western conta uma história que se passa nos últimos dias da guerra civil americana, quando um coronel do exército da União chamado Owen Devereaux (Glenn Ford) encurrala um grupo confederado em um vale deserto. Sem saída os sulistas levantam a bandeira branca de rendição, mas o velho coronel os ignora, abrindo fogo com seus canhões, matando todos de forma covarde. Quando a guerra chega ao seu final, ele é honrado como um herói (apesar dos crimes que cometeu no campo de batalha). Logo é escolhido para ser o novo juiz de uma cidade do Colorado e leva seu capitão favorito, Del Stewart (William Holden), para ser o novo xerife. De volta à vida civil porém o coronel começa a apresentar desvios de comportamento, fruto dos traumas sofridos durante a guerra civil. Seu desequilíbrio mental se torna um sério problema quando tenta resolver disputas por terras ricas em ouro na região.

Glenn Ford se notabilizou pelos grandes personagens que interpretou na era de ouro do cinema americano. Em termos de western sua filmografia certamente é rica e importante. Aqui em "O Homem do Colorado" (relembrando que passou anos depois na TV como "No Velho Colorado") ele interpreta um personagem bem diferente, um coronel veterano que começa a enlouquecer aos poucos. De fato dentro da trama ele é o verdadeiro vilão do enredo. O roteiro é muito bem desenvolvido mas também apresenta alguns problemas morais ao meu ver. Há na história um grupo de veteranos que acaba indo para a criminalidade pois depois de dar baixa no exército não encontram mais trabalho e nem tampouco terras para começarem uma nova vida pois perderam o direito de extrair o ouro por terem servido por três anos na guerra. Sem alternativas viram criminosos sociais, roubando, promovendo assaltos e até mortes!

E para surpresa geral o roteiro se torna simpático em relação a esse bando de criminosos, chegando ao ponto de colocar o personagem do xerife ao lado deles! É um argumento complicado de aceitar. Mesmo assim, com esse problema ético, o filme é acima da média. Ford e Holden estão em grande forma e seguram as pontas muito bem, do começo ao fim. De qualquer maneira fica a indicação de "O Homem do Colorado", um faroeste típico dos anos 50, muito bem realizado e movimentado, que certamente vai agradar aos fãs do gênero.

O Homem do Colorado / No Velho Colorado (The Man from Colorado, Estados Unidos, 1948) Estúdio: Columbia Pictures / Direção: Henry Levin / Roteiro: Robert Hardy Andrews, Ben Maddow / Elenco: Glenn Ford, William Holden, Ellen Drew / Sinopse: Veterano da guerra civil, com histórico de crimes de guerra, acaba ganhando uma posição de juiz numa cidade do Colorado, onde começa a apresentar problemas emocionais e mentais no cargo. E isso se torna mais complicado no meio de uma disputa por terras onde se descobre ouro. Filme indicado ao Writers Guild of America na categoria Melhor roteiro de filme de western.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: O Homem do Colorado
O western O Homem do Colorado estreou nos cinemas em 1948, dirigido por Henry Levin e estrelado por William Holden e Glenn Ford. Produzido pela Columbia Pictures, o filme se destacou por fugir do maniqueísmo tradicional do gênero ao retratar a transformação psicológica de um herói da Guerra Civil em um homem dominado pela violência e pela paranoia. Ambientado no período de reconstrução do Oeste americano, o longa chamou atenção desde o lançamento por sua abordagem sombria e adulta, pouco comum nos westerns da época.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho respeitável, sem se tornar um grande sucesso comercial. Para os padrões da Columbia no final dos anos 1940, O Homem do Colorado foi considerado um resultado satisfatório, especialmente por se tratar de um western mais psicológico do que aventureiro. O interesse do público foi impulsionado pela presença de William Holden, então em ascensão, e pelo duelo dramático com Glenn Ford, já um nome consolidado do gênero.

A reação da crítica em 1948 foi amplamente positiva, com muitos jornais destacando o tom incomum do filme. O The New York Times escreveu que se tratava de “um western surpreendentemente intenso, que troca o romantismo habitual por um estudo sério do poder e da corrupção”, elogiando a coragem da produção em abordar temas mais sombrios. A revista Variety afirmou que o longa era “bem acima da média do gênero, com interpretações fortes e uma história de peso dramático real”.

Grande parte dos elogios concentrou-se na atuação de William Holden. Críticos da época observaram que o ator oferecia “uma interpretação perturbadora e convincente de um homem que se desfaz moralmente diante dos olhos do espectador”. Já o Los Angeles Times comentou que Glenn Ford funcionava como “o contraponto humano e ético da narrativa, equilibrando a descida do protagonista à brutalidade”, destacando o conflito moral no centro do filme.

Com o passar dos anos, O Homem do Colorado passou a ser visto como um precursor do western psicológico e revisionista, antecipando temas que seriam explorados com mais força nas décadas seguintes. As críticas publicadas em 1948 já indicavam que o filme era algo diferente dentro do gênero, mais preocupado com caráter e consequências do que com heroísmo simples. Hoje, ele é lembrado como um dos westerns mais ousados de seu período, valorizado tanto pela crítica quanto por historiadores do cinema.

terça-feira, 30 de abril de 2024

O Preço de um Homem

Título no Brasil: O Preço de um Homem
Título Original: The Naked Spur
Ano de Lançamento: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Anthony Mann
Roteiro: Sam Rolfe, Harold Jack Bloom
Elenco: James Stewart, Janet Leigh, Robert Ryan, Ralph Meeker, Millard Mitchell, Aaron Stevens

Sinopse:
Howard Kemp (James Stewart) é um caçador de recompensas que há muito tempo persegue o assassino Ben Vandergroat (Ryan). Ao longo do caminho, Kemp é forçado a lidar com certos sujeitos, entre eles um velho garimpeiro chamado Jesse Tate e um soldado da União dispensado de forma desonrosa. Quando eles descobrem que Vandergroat tem uma recompensa de US$ 5.000 por sua cabeça, a ganância começa a tomar conta deles. Vandergroat aproveita ao máximo a situação, semeando dúvidas entre os dois homens em todas as oportunidades, finalmente convencendo um deles a ajudá-lo a escapar.

Comentários:
Quando você se deparar com qualquer faroeste contando com essa dupla Stewart e Mann, pode assistir ao filme sem nem pensar duas vezes. No mínimo será mais um grande western, isso se não for um clássico absoluto do gênero cinematográfico. É impressionante como eles só fizeram bons filmes. Nunca houve espaço para a mediocridade no trabalho deles em Hollywood. E esse filme só vem confirmar isso. É um daqueles excelentes filmes do passado, com linda direção de fotografia, captando toda a beleza natural onde foi filmado e contando com um elenco muito bom, onde destaco não apenas James Stewart, aqui em um papel um pouco fora do seu habitual, como também da estrela Janet Leigh. De cabelos loiros curtinhos, muito bronzeada, ela convence demais como uma garota durona do velho oeste. Tão durona que na época em que o filme chegou nos cinemas houve quem acusasse sua personagem de ser uma lésbica, isso apesar dela se relacionar com os personagens masculinos do filme. Mas enfim, gostei demais. Esse é um daqueles filmes que não podem faltar na coleção do cinéfilo que aprecia filmes de faroeste. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

A Verdadeira Glória

Título no Brasil: A Verdadeira Glória
Título Original: The Real Glory
Ano de Lançamento: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Henry Hathaway
Roteiro: Jo Swerling, Robert Presnell Sr
Elenco: Gary Cooper, David Niven, Andrea Leeds

Sinopse:
Uma aventura nas selvas das Filipinas após a Guerra Hispano-Americana. Cooper lidera um pequeno grupo de soldados americanos e pessoal médico que é enviado para uma região distante. Sua principal missão é treinar os moradores locais para lutarem contra os cruéis piratas que aterrorizam e atacam aquela região distante. 

Comentários:
Esse clássico filme é na realidade uma espécie de continuação de "Lanceiros da Índia", um dos grandes filmes da carreira de Gary Cooper. Muitos nem o consideram um faroeste de verdade pois a história se passa em grande parte nas Filipinas. Eu não penso dessa maneira. Os personagens são do velho oeste, muitos deles são membros da cavalaria dos Estados Unidos. A mudança de cenário não altera a essência dessa produção. Assim considero um legítimo western da era de ouro de Hollywood. Um pouco diferente, devo admitir, mas ainda assim um faroeste. No mais o espectador não vai se decepcionar com as cenas de ação e o bom roteiro. Sem dúvida um dos melhores filmes da filmografia de Cooper. 

Pablo Aluísio.

Resgate de Honra

Título no Brasil: Resgate de Honra
Título Original: Return of the Frontiersman
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Richard L. Bare
Roteiro: Edna Anhalt
Elenco: Gordon MacRae, Julie London, Rory Calhoun

Sinopse:
O xerife Sam Barrett (Jack Holt) é considerado um homem íntegro e honesto, a tal ponto que leva para a prisão seu próprio filho, Logan Barrett (Gordon MacRae), acusado de um assassinato na região. Sam está determinado a encarcerar o jovem até o dia de seu julgamento mas antes disso ele consegue escapar com a ajuda de seu amigo, Larrabee (Rory Calhoun), que é na verdade o verdadeiro assassino do crime pelo qual Logan está sendo injustamente acusado.

Comentários:
Western dos bons, produzido pelo sempre competente estúdio Warner Bros. Aqui o mais interessante é o roteiro que lida muito bem com a situação central, onde um dos personagens, o filho do xerife, é acusado de matar um cowboy nas redondezas, só que na verdade o real assassino é aquele que ele considera ser o seu melhor amigo. Um dos grandes trunfos também vem do papel interpretado por Rory Calhoun. Ela dá vida a Larrabee, o amigo. Durante praticamente todo o tempo o espectador fica numa grande dúvida se ele é de fato uma amizade sincera ou apenas um escroque sem escrúpulos. Embora não caiba aqui revelar o final devo antecipar que o achei muito bem bolado e até mesmo inesperado. Também contribui muito o fato de gostar bastante dos faroestes dirigidos por Richard Leland Bare que era muito eficaz nesse tipo de fita, basta lembrar dos também ótimos "Cheyenne" (1955) e um dos meus preferidos de sua safra, "No Rastro dos Bandoleiros" (1957). Ainda falaremos muito de sua obra por aqui, por enquanto fica a recomendação desse "Return of the Frontiersman" que merece fazer parte de sua coleção.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

A Senda do Ódio

Título no Brasil: A Senda do Ódio
Título Original: One Foot in Hell
Ano de Lançamento: 1960
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: James B. Clark
Roteiro: Aaron Spelling, Sydney Boehm
Elenco: Alan Ladd, Don Murray, Dan O'Herlihy

Sinopse:
Mitch Barrett (Alan Ladd) é um velho homem do oeste que após muitos anos retorna para uma pequena cidade da fronteira. Os tempos são outros, os novos moradores da cidade nem o conhecem mais. Só que Barrett não está de volta para passar suas férias ou apreciar uma nostalgia do passado. Ele quer vingança por algo terrível que lhe aconteceu muitos anos antes. 

Comentários:
Inegavelmente, ao longo de sua carreira, o ator Alan Ladd estrelou grandes filmes de faroeste. Alguns são considerados clássicos absolutos como "Os Brutos Também Amam". Só que conforme os anos foram passando os roteiros que lhe eram oferecidos já não eram tão bons como no passado. Ele também já estava entrando em uma certa idade em que os estúdios já não o chamavam mais para as grandes produções. Restou ao veterano ator aparecer em filmes menores, mais modestos, filmes B de faroeste como esse aqui. É um filme bem de rotina dentro do gênero. Isso em uma época em que o western já começava a perder espaço para outros tipos de filmes. Ladd também vinha com problemas de depressão, o que dificultava sua capacidade de trabalho. Ainda assim atuou profissionalmente bem, dando plenamente conta do recado. Enfim, deixo a dica desse que foi um dos últimos filmes de faroeste desse simbólico ator do western americano. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

O Justiceiro Mascarado

Na fronteira entre um reserva indígena e o território do homem branco, se instala um clima de tensão, com acusações de ambas as partes de violação do tratado que foi assinado entre os Apaches e o governo americano. Os índios acusam os brancos de invadirem suas terras sagradas e os brancos acusam os indígenas de roubo de gado e cavalos. No centro da briga se encontra uma montanha sagrada para a nação Apache. O que poucos sabem é que na realidade a região é um grande depósito de prata, o que obviamente desperta cobiça e inveja nos bandidos da região. Para evitar o iminente conflito entre as partes e manter a paz, surge um desconhecido cavaleiro errante mascarado, cavalgando nas montanhas conhecido apenas como “Lone Ranger”. Ele tentará de todas as formas desmascarar os interesses daqueles que desejam a guerra entre brancos e índios, com o claro propósito de se apoderar da prata pertencente às terras da reserva indígena. Ao lado de seu cavalo Silver e seu assistente nativo conhecido como Tonto, o Lone Ranger vem para trazer justiça e paz ao velho oeste.

Ótimo western que trouxe para as telas de cinema as aventuras desse personagem tão carismático do faroeste em sua era de ouro. Originalmente conhecido como Lone Ranger, ele no Brasil também recebeu o nome de Zorro ou "Zorro Americano", para não ser confundido com o "Zorro Espanhol", de capa e espada, que aliás era o verdadeiro Zorro. Esse Zorro Made in USA também tinha suas características pessoais como as balas de prata, o figurino azul e branco e o famoso grito “Hi-Yo Silver” – que marcou muito o Lone Ranger, ou Cavaleiro Solitário. Esse foi seu primeiro grande filme de sucesso, fruto da imensa popularidade da série de TV que ficou no ar praticamente uma década, com imenso sucesso de audiência. Para se ter uma idéia da popularidade desse personagem basta dizer que ao total foram realizados 23 filmes com ele ao longo de todos aqueles anos. Ele também virou revistas em quadrinhos e deu origem a uma bem sucedida linha de brinquedos, roupas, etc. A garotada realmente amava esse personagem, que era de certa forma um "super-herói" que atuava no velho oeste americano.

Nesse western de 1956 é interessante destacar seu roteiro bem trabalhado. Principalmente se formos levar em conta que esse filme era uma produção direcionada para o público infanto-juvenil. Outro ponto de destaque era a excelente presença do astro Clayton Moore que além de galã e herói, se revelava também bom ator, como bem prova quando interpreta “o mineiro”, um dos disfarces que o Lone Ranger usa para se infiltrar e obter informações com o inimigo. Enfim, não deixe de assistir pois é um dos filmes mais deliciosamente nostálgicos já feitos.

O Justiceiro Mascarado / Zorro e o Ouro do Cacique (The Lone Ranger, Estados Unidos, 1956) Direção: Stuart Heisler / Roteiro: Herb Meadow / Elenco: Clayton Moore, Jay Silverheels, Lyle Bettger / Sinopse: O misterioso cowboy Lone Ranger (Clayton Moore) ao lado do parceiro e amigo Tonto, tentam evitar uma guerra entre brancos e índios na fronteira de uma reserva indígena da nação Apache.

Pablo Aluísio.