quarta-feira, 3 de abril de 2002

Cinquenta Tons de Cinza

Título no Brasil: Cinquenta Tons de Cinza
Título Original: Fifty Shades of Grey
Ano de Lançamento: 2015
País: Estados Unidos
Direção: Sam Taylor-Johnson
Roteiro: Kelly Marcel, baseado no romance de E. L. James
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Jennifer Ehle, Marcia Gay Harden, Rita Ora, Luke Grimes, Victor Rasuk e Eloise Mumford.
Duração: 125 minutos.

Sinopse:
Cinquenta Tons de Cinza acompanha Anastasia Steele, uma jovem estudante de literatura que vive uma existência bastante discreta e está prestes a concluir a faculdade. Por circunstâncias inesperadas, ela precisa entrevistar o bilionário Christian Grey para o jornal universitário e fica imediatamente impressionada com sua personalidade, riqueza e comportamento enigmático. Christian também demonstra interesse por Anastasia, iniciando uma relação marcada por forte atração física e diferenças profundas de personalidade. Aos poucos, ele revela que possui preferências sexuais específicas e apresenta a Anastasia um contrato que estabelece os termos de uma relação baseada em dominação e submissão. A jovem, entretanto, percebe que os sentimentos entre os dois são muito mais complexos do que Christian inicialmente admite. Enquanto ela tenta compreender o passado traumático do empresário e os motivos de seu comportamento controlador, Christian luta contra sua dificuldade de estabelecer uma relação emocional convencional. A história combina romance, erotismo e drama psicológico, tendo como centro a tentativa dos dois personagens de descobrir se é possível transformar uma relação inicialmente baseada em regras e desejos físicos em algo emocionalmente mais profundo.

Comentários:
Quando Cinquenta Tons de Cinza chegou aos cinemas, em fevereiro de 2015, tornou-se imediatamente um dos filmes mais discutidos do ano, em grande parte devido à enorme popularidade do romance de E. L. James. A reação da crítica americana, porém, foi predominantemente negativa. O The New York Times, em crítica de Manohla Dargis, reconheceu o interesse comercial do fenômeno, mas foi bastante crítica em relação ao roteiro e à construção do relacionamento entre Anastasia e Christian. A revista Variety considerou que Dakota Johnson apresentava uma atuação mais interessante do que o material sugeria, destacando seu senso de humor e sua capacidade de conferir personalidade a Anastasia. O Los Angeles Times também apontou Johnson como um dos principais elementos positivos, observando que a atriz conseguia evitar que a protagonista se tornasse completamente passiva diante de Christian. Já a revista The Hollywood Reporter avaliou que o filme possuía uma estética visual elegante, mas não conseguia desenvolver adequadamente os aspectos psicológicos presentes no romance. Parte importante da controvérsia veio da maneira como o filme retratava poder, consentimento e controle dentro do relacionamento. Alguns críticos consideraram que a adaptação suavizava determinados elementos do livro, enquanto outros argumentaram que a própria dinâmica entre os personagens permanecia problemática. Jamie Dornan recebeu críticas mais divididas, sendo considerado por alguns jornalistas excessivamente rígido como Christian Grey, enquanto outros entenderam que essa frieza fazia parte da caracterização do personagem.

Apesar da recepção crítica pouco entusiasmada, o desempenho comercial foi extraordinário. Produzido com orçamento relativamente modesto, Cinquenta Tons de Cinza arrecadou mais de US$ 569 milhões mundialmente, transformando-se em um dos grandes sucessos cinematográficos de 2015. O filme também consolidou Dakota Johnson como estrela internacional e tornou Jamie Dornan mundialmente conhecido como Christian Grey. A revista Entertainment Weekly e outras publicações americanas destacaram a enorme curiosidade do público e o fenômeno cultural provocado pelo lançamento, enquanto críticos posteriores passaram a considerar o filme um importante exemplo da maneira como Hollywood tentou adaptar para o cinema um fenômeno editorial originalmente associado ao público feminino adulto. A direção de Sam Taylor-Johnson foi frequentemente elogiada pela fotografia sofisticada e pela tentativa de manter o erotismo dentro de uma estética mais próxima do drama romântico convencional. A trilha sonora, por sua vez, tornou-se um grande sucesso comercial, impulsionada por músicas como "Love Me Like You Do", de Ellie Goulding, e "Earned It", de The Weeknd. O longa recebeu várias indicações ao Golden Raspberry Awards, mas também conquistou enorme público e originou duas continuações, Cinquenta Tons Mais Escuros (2017) e Cinquenta Tons de Liberdade (2018). Com o passar do tempo, Cinquenta Tons de Cinza passou a ser visto menos como um triunfo da crítica e mais como um fenômeno cultural e comercial que marcou a década de 2010, demonstrando o extraordinário poder de uma franquia literária popular para mobilizar espectadores e transformar um romance erótico em um acontecimento cinematográfico mundial.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

terça-feira, 2 de abril de 2002

Como Ser Solteira

Título no Brasil: Como Ser Solteira
Título Original: How to Be Single
Ano de Lançamento: 2016
País: Estados Unidos
Direção: Christian Ditter
Roteiro: Abby Kohn, Marc Silverstein e Dana Fox, baseado no livro de Liz Tuccillo
Elenco: Dakota Johnson, Rebel Wilson, Leslie Mann, Damon Wayans Jr., Anders Holm, Nicholas Braun, Jason Mantzoukas e Alison Brie.
Duração: 110 minutos.

Sinopse:
Alice Kepley, interpretada por Dakota Johnson, é uma jovem recém-formada que decide fazer uma pausa em seu relacionamento com Josh, seu namorado desde a faculdade, para descobrir quem ela é fora de uma relação amorosa. Ela se muda para Nova York e começa a trabalhar como assistente de uma advogada, convivendo com diferentes personagens que possuem maneiras completamente distintas de encarar a vida sentimental. Entre eles está Robin, interpretada por Rebel Wilson, uma mulher independente que aproveita intensamente a vida noturna e não demonstra qualquer interesse em estabelecer um relacionamento convencional. Lucy, vivida por Alison Brie, procura obsessivamente encontrar o parceiro perfeito por meio de aplicativos e sites de relacionamento. Já Meg, interpretada por Leslie Mann, é uma médica bem-sucedida que acredita não precisar de filhos ou de um relacionamento estável, embora suas certezas sejam gradualmente colocadas em dúvida. A narrativa acompanha essas mulheres enquanto enfrentam encontros, separações, relações casuais, expectativas familiares e a dificuldade de descobrir o que realmente desejam. O filme utiliza a vida de solteiro não simplesmente como ausência de relacionamento, mas como uma etapa de autoconhecimento.

Comentários:
Como Ser Solteira recebeu uma recepção crítica moderadamente positiva, especialmente pela maneira como procura tratar a vida sem relacionamento como algo mais complexo do que simplesmente uma situação a ser corrigida. O The New York Times reconheceu a energia do elenco e observou que o filme apresentava uma visão relativamente moderna das relações amorosas, embora considerasse sua estrutura episódica irregular. A revista Variety destacou Dakota Johnson e Rebel Wilson, apontando que as duas possuem personalidades cinematográficas muito diferentes, mas conseguem estabelecer uma dinâmica divertida. O Los Angeles Times foi favorável à proposta de apresentar diferentes maneiras de viver a solteirice, observando que o filme funciona melhor quando abandona as convenções da comédia romântica tradicional. A revista Entertainment Weekly também chamou atenção para Rebel Wilson, cuja interpretação de Robin proporciona grande parte dos momentos mais engraçados da produção. Ao mesmo tempo, alguns críticos americanos consideraram que o roteiro frequentemente recorre a situações previsíveis e estereótipos típicos das comédias românticas. Dakota Johnson recebeu elogios por apresentar uma personagem mais vulnerável e menos caricatural, permitindo que Alice funcionasse como o centro emocional da narrativa. Leslie Mann também foi destacada pela transformação de Meg, uma personagem inicialmente extremamente segura de suas escolhas, mas que passa a reconsiderar suas convicções quando sua vida toma um rumo inesperado.

Um dos aspectos mais interessantes de Como Ser Solteira é justamente o fato de que o filme não apresenta uma única resposta para a questão de como viver sem um parceiro. Cada personagem representa uma possibilidade diferente: Alice precisa aprender a ficar sozinha depois de passar praticamente toda a vida adulta em um relacionamento; Robin transforma a liberdade sexual e a vida noturna em uma forma de independência; Lucy procura desesperadamente alguém para preencher aquilo que considera uma falta em sua vida; e Meg precisa enfrentar o conflito entre sua independência profissional e desejos que inicialmente se recusava a reconhecer. O The Hollywood Reporter observou que o filme consegue equilibrar momentos de comédia e reflexão, embora sua narrativa por vezes pareça excessivamente construída para transmitir mensagens sobre autoestima e independência. Comercialmente, a produção foi bem-sucedida, arrecadando aproximadamente US$ 112 milhões mundialmente, diante de um orçamento estimado em US$ 38 milhões. A trilha sonora e a ambientação em Nova York também contribuíram para sua identidade visual e comercial. Embora não tenha sido transformado em uma franquia, Como Ser Solteira encontrou seu público e tornou-se um representante bastante característico das comédias românticas americanas da década de 2010. Com o passar do tempo, o filme ganhou interesse também pela presença de Dakota Johnson, que posteriormente se consolidaria como uma das atrizes mais conhecidas de sua geração. No conjunto, trata-se de uma comédia leve que procura defender uma ideia simples: estar solteiro não significa necessariamente estar incompleto, e aprender a viver consigo mesmo pode ser tão importante quanto encontrar alguém para amar.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Chloe e Theo

 Título no Brasil: Chloe e Theo
Título Original: Chloe & Theo
Ano de Lançamento: 2015
País: Canadá / Estados Unidos
Direção: Ezna Sands
Roteiro: Ezna Sands
Elenco: Dakota Johnson, Theo Ikummaq, Mira Sorvino, Ashley Springer e Andre D. Miller.
Duração: 81 minutos.

Sinopse:
Chloe & Theo acompanha Theo, um jovem inuit do Ártico que viaja até Nova York com uma missão determinada: encontrar pessoas capazes de ouvir sua mensagem sobre as consequências das mudanças climáticas e a destruição do ambiente em que seu povo vive. Perdido em uma cidade completamente diferente de sua realidade, Theo encontra Chloe, uma jovem sem-teto interpretada por Dakota Johnson. Apesar de inicialmente não compreender completamente os motivos de sua viagem, Chloe decide ajudá-lo e passa a acompanhá-lo pelas ruas de Nova York. Os dois procuram encontrar alguém que possa levar a mensagem de Theo às autoridades e aos grandes responsáveis pelas mudanças ambientais. Durante essa jornada, eles encontram diferentes personagens e entram em contato com realidades sociais distintas. A história combina drama, comédia e temática ambiental, utilizando a relação entre os dois protagonistas para discutir pobreza, desigualdade, mudanças climáticas e a distância entre as populações tradicionais e os centros de poder. Theo representa uma cultura diretamente ameaçada pelo aquecimento global, enquanto Chloe simboliza uma jovem marginalizada que encontra naquele encontro uma possibilidade de reconstruir sua própria vida.

Comentários:
Chloe & Theo recebeu uma recepção crítica bastante limitada e predominantemente negativa, apesar de sua proposta ambiental e social. O The Hollywood Reporter reconheceu que o filme possuía uma intenção claramente humanista e elogiou a presença de Dakota Johnson, mas considerou que o roteiro simplificava excessivamente questões complexas como mudanças climáticas, pobreza e desigualdade. A revista Variety também apontou que a produção tinha uma mensagem importante, porém considerou sua execução excessivamente didática. A atuação de Johnson foi um dos poucos elementos frequentemente mencionados de maneira positiva: a atriz interpreta Chloe com uma combinação de vulnerabilidade, humor e energia, evitando transformar a personagem em uma simples vítima das circunstâncias. Theo Ikummaq, estreando no cinema, proporciona ao filme uma presença diferente, especialmente porque sua própria experiência cultural está diretamente relacionada ao tema central da história. A Los Angeles Times observou que a interação entre Chloe e Theo constitui a parte mais interessante do filme, já que os dois personagens vêm de mundos completamente diferentes e encontram uma espécie de solidariedade mútua. Entretanto, vários críticos consideraram que os diálogos excessivamente explicativos retiravam naturalidade das situações. O filme foi percebido por parte da imprensa como uma produção independente bem-intencionada, mas limitada por um roteiro que frequentemente transforma seus personagens em porta-vozes de determinadas ideias.

A questão ambiental é claramente o coração de Chloe & Theo. O filme procura chamar atenção para o impacto das mudanças climáticas sobre as comunidades indígenas do Ártico, especialmente através da trajetória de Theo e de sua tentativa desesperada de levar sua mensagem para os grandes centros urbanos. A produção também procura estabelecer uma conexão entre a crise ambiental e outros problemas sociais, sugerindo que os grupos mais vulneráveis são frequentemente os primeiros a sofrer as consequências das transformações provocadas pela sociedade industrial. A crítica, entretanto, considerou que essa abordagem poderia ter sido muito mais sofisticada. A estrutura de road movie urbano permite que Chloe e Theo atravessem diferentes ambientes de Nova York, mas o roteiro nem sempre consegue aproveitar essas situações dramaticamente. Dakota Johnson, que havia alcançado enorme projeção internacional naquele mesmo ano com Cinquenta Tons de Cinza e posteriormente apareceria em Como Ser Solteira, oferece aqui uma atuação muito mais independente de sua imagem comercial. O filme também possui interesse histórico por abordar mudanças climáticas em um momento em que o tema começava a ocupar espaço cada vez maior no cinema e no debate público americano. Apesar de suas limitações e de sua recepção crítica pouco favorável, Chloe & Theo permanece como uma produção independente de mensagem ambiental bastante clara, sobretudo interessante para aqueles que acompanham os primeiros trabalhos de Dakota Johnson no cinema e produções que procuram combinar questões sociais contemporâneas com uma narrativa de amizade e transformação pessoal.

Erick Steve.