quinta-feira, 7 de maio de 2026

O Silêncio de Melinda

Título no Brasil: O Silêncio de Melinda
Título Original: Speak
Ano de Lançamento: 2004
País: Estados Unidos
Estúdio: Showtime Networks
Direção: Jessica Sharzer
Roteiro: Jessica Sharzer
Elenco: Kristen Stewart, Michael Angarano, Steve Zahn, Elizabeth Perkins

Sinopse:
O filme Speak acompanha Melinda Sordino (Stewart), uma adolescente que se torna isolada e rejeitada pelos colegas após chamar a polícia durante uma festa de escola. Incapaz de explicar o que realmente aconteceu naquela noite, ela mergulha em um profundo silêncio emocional, afastando-se dos amigos, da família e da própria identidade. Enquanto enfrenta dificuldades no ambiente escolar e os traumas psicológicos do abuso que sofreu, Melinda encontra na arte uma forma de expressar sua dor e buscar recuperação.

Comentários:
Quando conheci o trabalho da atriz Kristen Stewart, eu sinceramente achei ela um tanto estranha. Só que é aquela coisa, para certos personagens a estranheza cai como uma luva. É o caso desse drama colegial em que ela interpreta essa jovem estudante que vira uma espécie de pária em sua escola. Na realidade ela é a verdadeira vítima da história, tendo sido estuprada por outro aluno, um daqueles tipos bonitões e populares nos corredores da escola. Sem ter condições psicológicas de falar o que sofreu, acaba se tornando solitária, estigmatizada e colocada de lado por todos, o que nessa idade se torna algo muito doloroso. O filme é muito bem conduzido e o jeito de ser da Kristen Stewart é perfeito para seu papel. Eu sempre vou gostar de filmes colegiais, sejam comédias ou dramas. Nessa última categoria esse é um dos melhores que já assisti, sem exagero algum. Excelente filme mesmo. 

Pablo Aluísio. 

Cidade dos Anjos

Título no Brasil: Cidade dos Anjos
Título Original: City of Angels
Ano de Lançamento: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Brad Silberling
Roteiro: Dana Stevens
Elenco: Nicolas Cage, Meg Ryan, Andre Braugher, Dennis Franz

Sinopse:
O filme City of Angels acompanha Seth, um anjo que observa silenciosamente os seres humanos e os guia nos momentos finais da vida. Durante uma de suas missões, ele conhece Maggie, uma dedicada cirurgiã por quem acaba se apaixonando. Fascinado pelas emoções humanas e pelo desejo de experimentar a vida mortal, Seth começa a questionar sua existência eterna e considera abrir mão de sua condição angelical para viver ao lado da mulher que ama. A história mistura romance, fantasia e reflexões sobre amor, mortalidade e sacrifício.

Comentários:
Assisti na época de seu lançamento original, nos anos 90. Foi um filme bem badalado, até por ser o remake americano de um consagrado filme de Win Wenders. Só que o cinema americano, vamos ser sinceros, nunca teve a elegância intelectual do cinema europeu. São escolas diferentes. Então o que era intelectualmente desafiante no filme original aqui se transformou em uma espécie de obra romântica pueril, com toques religiosos, ainda mais acentuada com a presença de Meg Ryan, considerada na época como a "Namoradinha da América". O filme funciona, apesar de ter algumas coisas estranhas, todas provenientes da atuação de Nicolas Cage. Ele colocou na cabeça que os anjos teriam alguns cacoetes, movimentos involuntários, típicos das aves. Então o Cage passa o filme inteiro com esses movimentos bizarros. Vai entender o que ele pensou na época... Enfim, não deixa de ser um bom filme, mas tem essas bizarrices. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A Noiva!

A Noiva!
Sendo bem simplista, o que temos aqui é um remake moderno de um filme bem antigo, "A Noiva de Frankenstein" de 1935. O primeiro desafio era fugir do ridículo. Como fazer um remake de uma história que hoje em dia soaria basicamente como puro nonsense? Apesar dos desafios iniciais eles conseguiram fazer um bom filme. Não é uma comédia  total porque não era bem isso que os realizadores queriam. Ainda assim o humor não foi descartado, pelo contrário, está presente em vários momentos do filme. Usaram até mesmo de números musicais para tornar tudo mais aceitável nos dias atuais. Assim o filme vai intercalando momentos mais sérios, até dramáticos, com suavidades pontuais. O saldo final, ao meu ver, soa positivo. Mesmo estranho e apelativo em algumas cenas, penso que os desafios foram superados. Vai ter gente estranhando muito o que verá na tela, mas o número de pessoas que vai dizer que o filme é simplesmente só ruim não será muito expressivo. 

Entre altos e baixos, o filme consegue se sustentar. O ponto mais positivo é o trabalho da atriz Jessie Buckley. Ela não apenas interpreta a noiva, com toques bizarros e grotescos, como exigia sua personagem, como também traz de volta uma Mary Shelley embriagada, soltando frases de efeito do além, muito decepcionada com a própria vida que teve e que agora quer destruir tudo, inclusive seu legado como escritora. A presença de Mary Shelley como personagem do filme é uma das grandes sacadas desse roteiro que só desliza mesmo quando tenta copiar descaradamente aspectos do filme "Coringa". De qualquer forma o filme se salva, como eu já escrevi. É estranho e bizarro nas doses exatas, como a própria obra original que tenta ressuscitar. Os fãs de terror clássico não terão muito o que reclamar. 

A Noiva! (The Bride!, Estados Unidos, 2026) Direção: Maggie Gyllenhaal / Roteiro: Maggie Gyllenhaal, baseada na obra escrita por Mary Shelley / Elenco: Jessie Buckley, Christian Bale, Annette Bening / Sinopse: A criatura criada pelos experimentos do Dr. Victor Frankenstein está viva, mas solitária. Chamado de Frank (Bale) ele então procura por uma cientista que pode criar uma mulher para viver ao seu lado, só que tudo acaba saindo do controle rapidamente, criando caos e destruição por toda a sociedade. 

Pablo Aluísio.

A Noiva de Frankenstein

Título no Brasil: A Noiva de Frankenstein
Título Original: The Bride of Frankenstein
Ano de Lançamento: 1935
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: James Whale
Roteiro: William Hurlbut, John L. Balderston
Elenco: Boris Karloff, Elsa Lanchester, Colin Clive, Ernest Thesiger

Sinopse:
O clássico The Bride of Frankenstein continua a história iniciada em Frankenstein, mostrando as consequências das experiências do Dr. Henry Frankenstein. Após sobreviver aos eventos anteriores, o cientista é coagido pelo sinistro Dr. Pretorius a criar uma companheira para a criatura. Enquanto isso, o monstro vagueia em busca de aceitação e compreensão, enfrentando rejeição e violência por onde passa. A criação da “noiva” culmina em um dos momentos mais icônicos do cinema, misturando horror, tragédia e uma reflexão sobre solidão e humanidade.

Comentários:
Considerado por muitos críticos como superior ao filme original, The Bride of Frankenstein é um dos maiores clássicos do terror da era de ouro de Hollywood. A direção de James Whale imprime um tom sofisticado, combinando elementos góticos com toques de humor ácido e até subtexto social. A atuação de Boris Karloff aprofunda a dimensão emocional do monstro, transformando-o em uma figura trágica e comovente. Já Elsa Lanchester, mesmo com pouco tempo em cena, criou uma das imagens mais icônicas da história do cinema. O filme consolidou o legado dos chamados “Monstros da Universal” e permanece influente até hoje, tanto estética quanto narrativamente.

Erick Steve. 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Duelo ao Sol

Duelo ao Sol
Gregory Peck construiu sua carreira em Hollywood interpretando homens honestos, íntegros, verdadeiros pilares de suas comunidades. Entretanto, como toda regra, existem exceções. E aqui temos uma delas. Nesse filme Peck interpreta um sujeito completamente asqueroso. Ele é o filho caçula de um latifundiário, dono de vastas terras. Já tendo sido senador em seu passado, esse sujeito manda na região. Ele acredita estar acima de lei por ser rico e poderoso. Assim o personagem de Peck, sempre protegido pelo pai, se vê no direito de cometer várias barbaridades, entre elas assediar mulheres, ser bruto com elas e até mesmo matar desafetos. É um criminoso vil. E as coisas só pioram quando Pearl (Jennifer Jones) vai morar na fazenda dele. A partir daí as coisas ficam completamente fora do controle. 

"Duelo ao Sol" é um filme de faroeste, mas também é um novelão daqueles bem dramáticos. São dois irmãos, filhos do fazendeiro, disputando uma mulher, justamente a mestiça Pearl. Ela é um vulcão, muito sexualizada, mas ao mesmo tempo tenta impor um certo limite e valor em sua vida. Não que isso faça diferença para todos aqueles que habitam aquela fazenda do velho oeste. Tirando o irmão primogênito, que é um homem correto e ético, tanto o pai como seu filho caçula são racistas, com perfis criminosos e machistas ao velho estilo. E quem sofre tudo na pele é justamente a personagem de Jones. 

Aliás cabe aqui algumas críticas em relação ao desempenho da atriz Jennifer Jones. Achei tudo muito exagerado! Tentando impressionar o público ela exagerou na dose! São caras, bocas e poses em excesso. Algumas vezes beira o humor involuntário. No fundo uma história de irmão bonzinho versus irmão malvado, lutando pela mesma garota, quem acabou se saindo melhor foi mesmo Peck, ainda que fazendo um vilão dos mais perversos de sua carreira. E se você ficar com raiva dele no final do filme, saiba que isso apenas significa que o ator fez um belo trabalho de atuação. 

Duelo ao Sol (Duel in the Sun, Estados Unidos, 1946) Direção: King Victor / Roteiro: David O. Selznick, Niven Busch / Elenco: Gregory Peck, Jennifer Jones, Joseph Cotten, Lionel Barrymore, Lilia Gish / Sinopse: Dois irmãos, filhos de um rico fazendeiro, disputam o coração de uma jovem mestiça que vai morar na fazenda de seu pai. E o conflito vai ser o estopim de uma grande rivalidade entre eles. 

Pablo Aluísio. 

A Volta do Pistoleiro

A Volta do Pistoleiro
Pistoleiro (Robert Taylor) sai da prisão de Yuma e recebe carta de um amigo que precisa de sua ajuda pois está sendo ameaçado por bandidos locais que querem expulsá-lo de seu rancho na fronteira com o México. Robert Taylor foi um dos galãs mais populares de Hollywood nas décadas de 40 e 50, estrelando várias produções de luxo dos principais estúdios. Passeou em vários gêneros desde filmes épicos (Quo Vadis), de capa e espada (Os Cavaleiros da Tavola Redonda, Ivanhoé) até produções de guerra (O Dia D). O problema é que Taylor era aquele tipo de ator que se baseava apenas em sua aparência física, algo que é inerente a todos os galãs aliás. Quando a idade chega eles obviamente são trocados por atores mais jovens e caem no ostracismo. Acontece com todos e aconteceu com Robert Taylor também. No final dos anos 50 ele já demonstrava sinais de declínio na carreira. Tentou sobreviver indo para a TV e até conseguiu uma sobrevida com séries como The Detectives mas a partir de 1962 os trabalhos foram ficando cada vez mais escassos.

Quando realizou "A Volta do Pistoleiro" Robert Taylor já estava praticando aposentado das telas. Para falar a verdade esse foi seu último filme americano nos cinemas (decadente chegou a filmar na Itália e após um breve retorno à TV morreria dois anos depois em 1969). Aqui temos uma produção B da MGM. Não é um grande western, não tem uma grande produção e o roteiro para falar a verdade é mais do mesmo (a velha estória do pistoleiro rápido do gatilho que parte em busca de vingança). Taylor está visivelmente envelhecido e sem pique, aparentando inclusive problemas de obesidade (sua barriga saliente é constrangedora). De qualquer forma tenta trazer alguma dignidade ao papel usando de seus velhos maneirismos (como o levantar das sobrancelhas e o cerramento dos olhos nos momentos de tensão). No saldo final "Return of the Gunfighter" serve apenas como uma despedida desse galã hollywoodiano dos velhos tempos. Claro que ainda é melhor vê-lo no auge, como em "Quo Vadis" mas essa produção não deixa de ser curiosa também para conferir um dos últimos trabalhos dele nas telas.

A Volta do Pistoleiro (Return of the Gunfighterm Estados Unidos, 1967) / Direção de James Neilson / Roteiro de Robert Buckner e Burt Kennedy / Com Robert Taylor, Ana Martin e Chad Everett / Sinopse: Pistoleiro (Robert Taylor) sai da prisão de Yuma e recebe carta de um amigo que precisa de sua ajuda pois está sendo ameaçado por bandidos locais que querem expulsá-lo de seu rancho na fronteira com o México.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Terra de Gigantes

Título no Brasil: Terra de Gigantes
Título Original: Land of the Giants
Ano de Produção: 1968 a 1970
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox Television
Criação: Irwin Allen
Direção: Vários diretores
Elenco: Gary Conway, Don Marshall, Stefan Arngrim, Don Matheson, Kurt Kasznar

Sinopse:
A série Land of the Giants acompanha a tripulação de uma nave espacial suborbital que, durante uma viagem de rotina, atravessa uma estranha anomalia e acaba em um planeta misterioso. Nesse novo mundo, tudo é gigantesco: objetos cotidianos, animais e até mesmo os seres humanos locais possuem dimensões colossais em comparação aos protagonistas. Lutando para sobreviver e encontrar uma forma de retornar à Terra, o grupo enfrenta inúmeros perigos, escondendo-se dos gigantes e improvisando soluções com recursos limitados.

Comentários:
Criada por Irwin Allen, conhecido como o “mestre das séries” da televisão, Terra de Gigantes seguia a linha de outras produções de ficção científica do produtor, combinando aventura, suspense e efeitos visuais criativos para a época. O grande destaque da série estava no uso engenhoso de cenários ampliados e objetos gigantes para criar a ilusão de escala, algo bastante inovador no final dos anos 1960. Embora os roteiros fossem episódicos e simples, o conceito era muito criativo, garantindo à série um lugar marcante na cultura pop. Com apenas duas temporadas, tornou-se uma produção cult, lembrada até hoje pelo seu visual único e pela premissa fascinante de sobrevivência em um mundo fora de proporção. No Brasil foi campeão de audiência. Quem tem mais de 50 anos de idade certamente lembra de "Terra de Gigantes" com muita nostalgia!

Pablo Aluísio. 

Aventura Submarina

Título no Brasil: Aventura Submarina
Título Original: Sea Hunt
Ano de Lançamento: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Ziv Television Programs
Criação: Ivan Tors
Direção: Vários diretores
Elenco: Lloyd Bridges, Ken Drake, Jack Nicholson (participação especial em alguns episódios)

Sinopse:
A série Sea Hunt acompanha as aventuras de Mike Nelson, um ex-mergulhador da Marinha que trabalha como especialista em mergulho profissional. Em cada episódio, Nelson se envolve em missões perigosas no fundo do mar, incluindo resgates, investigações e operações ligadas à lei. Utilizando equipamentos de mergulho que eram inovadores para a época, ele enfrenta desafios como naufrágios, contrabandistas, criminosos e condições adversas no ambiente submarino. A série combina ação, suspense e elementos educativos sobre mergulho e exploração marítima.

Comentários:
Sea Hunt foi uma das séries mais populares do final dos anos 1950 e início dos anos 1960, ajudando a popularizar o mergulho autônomo (scuba diving) junto ao grande público. O carisma de Lloyd Bridges foi fundamental para o sucesso da produção, tornando seu personagem um ícone da televisão da época. A série também se destacou pelo uso extensivo de filmagens subaquáticas reais, algo relativamente inovador para o período. Embora os roteiros sigam uma estrutura episódica simples, o programa possui grande valor histórico e cultural, sendo lembrado como um precursor de produções televisivas voltadas para aventuras aquáticas e exploração submarina.

Erick Steve. 

domingo, 3 de maio de 2026

Stalin

Stalin
Joseph Stalin foi uma das figuras mais influentes e controversas do século XX, desempenhando um papel central na consolidação da União Soviética como uma superpotência mundial. Nascido em 1878, na cidade de Gori, na atual Geórgia, com o nome Iosif Vissarionovich Dzhugashvili, Stalin teve uma infância humilde e marcada por dificuldades. Ainda jovem, envolveu-se com movimentos revolucionários inspirados pelas ideias do Karl Marx, tornando-se membro ativo do Partido Bolchevique liderado por Vladimir Lenin. Sua ascensão política foi gradual, baseada em sua habilidade estratégica, disciplina organizacional e capacidade de consolidar poder nos bastidores.

Após a Revolução Russa de 1917, Stalin assumiu diversos cargos importantes dentro do novo governo soviético, sendo nomeado secretário-geral do partido em 1922. Embora esse cargo fosse inicialmente visto como administrativo, ele utilizou sua posição para construir uma vasta rede de apoio e eliminar rivais políticos, incluindo Leon Trotsky, que acabou exilado e posteriormente assassinado. Após a morte de Lenin em 1924, Stalin emergiu como o principal líder da União Soviética, consolidando um regime autoritário que duraria até sua morte em 1953. Seu governo foi caracterizado por forte centralização do poder e pelo controle absoluto do Estado sobre a sociedade.

Durante seu governo, Stalin implementou uma série de políticas econômicas radicais, incluindo os famosos Planos Quinquenais, que tinham como objetivo transformar a União Soviética de uma economia agrária em uma potência industrial. A coletivização forçada da agricultura, embora tenha aumentado o controle estatal, resultou em graves consequências, como a fome em larga escala, especialmente na Ucrânia, episódio frequentemente associado ao Holodomor. Apesar do alto custo humano, essas políticas contribuíram para a rápida industrialização do país, fortalecendo sua capacidade militar e econômica em um curto período de tempo.

Outro aspecto marcante do regime de Stalin foi o uso sistemático da repressão política, especialmente durante o período conhecido como Grande Expurgo, na década de 1930. Milhões de pessoas foram presas, enviadas para campos de trabalho forçado ou executadas sob acusações muitas vezes infundadas. O sistema de campos de trabalho, conhecido como Gulag, tornou-se símbolo do terror estatal. Ao mesmo tempo, Stalin promoveu um culto à sua própria personalidade, sendo retratado como um líder infalível e quase mítico, o que ajudou a manter seu controle sobre a população.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin desempenhou um papel crucial na liderança da União Soviética contra a Alemanha Nazista. Apesar das dificuldades iniciais, como a invasão alemã em 1941, o país conseguiu se reorganizar e, com grandes sacrifícios, derrotar as forças nazistas, culminando na vitória soviética em batalhas decisivas como Stalingrado. Esse triunfo elevou a União Soviética ao status de superpotência global e consolidou a posição de Stalin como um dos líderes mais importantes do cenário internacional da época.

O legado de Joseph Stalin permanece profundamente controverso até os dias atuais. Para alguns, ele foi um líder forte que transformou a União Soviética em uma potência mundial e desempenhou papel fundamental na derrota do nazismo. Para outros, é lembrado como um ditador responsável por milhões de mortes, repressão brutal e violações sistemáticas dos direitos humanos. Sua figura simboliza tanto o poder transformador quanto os perigos do autoritarismo extremo. Ao analisar sua trajetória, fica evidente que Stalin foi um dos personagens mais complexos e impactantes da história moderna, cuja influência ainda é debatida por historiadores e estudiosos em todo o mundo.

O Primeiro Imperador da China

O Primeiro Imperador da China
Qin Shi Huang, conhecido como o Primeiro Imperador da China, foi uma das figuras mais marcantes e transformadoras da história antiga. Nascido em 259 a.C. com o nome Ying Zheng, ele ascendeu ao trono do estado de Qin ainda jovem, em um período conhecido como Período dos Estados Combatentes, caracterizado por intensos conflitos entre diversos reinos. Demonstrando grande habilidade política e militar, Zheng iniciou uma série de campanhas para conquistar os estados rivais, culminando na unificação da China em 221 a.C. Ao alcançar esse feito, ele adotou o título de “Shi Huangdi”, que significa “Primeiro Imperador”, estabelecendo um novo sistema político centralizado que rompia com as tradições feudais anteriores e marcava o início do império chinês.

Uma das maiores contribuições de Qin Shi Huang foi a padronização de diversos aspectos fundamentais da sociedade chinesa, o que facilitou a administração de um território tão vasto. Ele unificou a escrita, a moeda, os pesos e medidas, além de estabelecer uma rede de estradas que conectava as diferentes regiões do império. Essas reformas foram essenciais para integrar economicamente e culturalmente o país, permitindo maior eficiência administrativa e comercial. O imperador também adotou a filosofia legalista como base de seu governo, impondo leis rígidas e punições severas para manter a ordem. Embora eficaz, esse sistema também gerou críticas por sua dureza e pela repressão às ideias divergentes, incluindo a queima de livros e perseguição a estudiosos.

Outro aspecto marcante do reinado de Qin Shi Huang foi seu ambicioso programa de obras públicas. Entre elas, destaca-se a construção das primeiras seções da Grande Muralha da China, que tinha como objetivo proteger o império contra invasões de povos nômades do norte. Além disso, ele ordenou a construção de um elaborado sistema de canais e estradas, facilitando tanto o comércio quanto o deslocamento militar. No entanto, essas grandes obras exigiram enormes contingentes de trabalhadores, muitas vezes recrutados à força, o que causou sofrimento à população e contribuiu para o descontentamento social. Ainda assim, essas realizações deixaram um legado duradouro na infraestrutura chinesa.

Talvez o legado mais fascinante e misterioso de Qin Shi Huang seja seu grandioso mausoléu, guardado pelo famoso Exército de Terracota. Descoberto em 1974, esse complexo funerário contém milhares de estátuas em tamanho real de soldados, cavalos e carruagens, todas dispostas para proteger o imperador na vida após a morte. Cada figura possui características únicas, demonstrando um nível impressionante de detalhe e habilidade artística. O mausoléu é considerado uma das maiores descobertas arqueológicas do século XX e revela tanto o poder quanto a obsessão de Qin Shi Huang com a imortalidade. Ele também buscou elixires da vida eterna durante sua vida, o que, ironicamente, pode ter contribuído para sua morte prematura.

Apesar de suas realizações, o governo de Qin Shi Huang foi frequentemente criticado por sua tirania e autoritarismo. A imposição de leis severas, o controle rígido da sociedade e o uso intensivo de trabalho forçado geraram grande insatisfação entre a população. Após sua morte em 210 a.C., o império Qin rapidamente entrou em declínio, com revoltas e disputas pelo poder levando à sua queda poucos anos depois. Ainda assim, as bases estabelecidas por Qin Shi Huang foram fundamentais para as dinastias posteriores, especialmente a Dinastia Han, que consolidou muitos dos sistemas administrativos e culturais iniciados por ele.

A figura de Qin Shi Huang permanece até hoje envolta em controvérsias, sendo visto tanto como um grande unificador quanto como um governante implacável. Sua influência na formação da China como um estado unificado é inegável, e suas reformas moldaram profundamente a identidade do país ao longo dos séculos. Ao mesmo tempo, seu governo autoritário serve como um exemplo dos perigos do poder absoluto. Mesmo com essas contradições, Qin Shi Huang continua sendo uma das figuras mais importantes da história mundial, simbolizando tanto a grandiosidade quanto os excessos do poder imperial na antiguidade.