terça-feira, 28 de abril de 2026

Hondo: Caminhos Ásperos

Hondo
Hondo Lane (John Wayne) é um pistoleiro que atravessa o deserto sozinho ao lado de seu cão Sam durante as chamadas guerras Apaches. No caminho acaba encontrando um pequeno rancho onde vivem Angie (Geraldine Page) e seu pequeno filho. Estão sozinhos pois seu marido saiu atrás de parte de seu rebanho mas jamais retornou. O problema é que em breve os Apaches chegarão no local e Hondo não consegue convencer a jovem senhora a abandonar o local onde vive. Esse "Hondo - Caminhos Ásperos" me surpreendeu por alguns motivos. O primeiro é o próprio personagem interpretado por John Wayne. Um pistoleiro de passado nebuloso. Sua caracterização de viajante no meio do nada ao lado de seu cachorro seria imitada anos depois em "Mad Max" e até por Clint Eastwood em "O Estranho Sem Nome". Afinal quem realmente é Hondo? Outro aspecto curioso na produção é a forma como Wayne lida com um papel mestiço. Ele também é metade Apache e se vê envolvido em um conflito que mal consegue entender. No final do filme ao saber que provavelmente os Apaches serão todos liquidados pela cavalaria americana ele diz uma bela frase: "Isso não será apenas o fim dos Apaches mas sim o fim de um modo de viver.... e um bom modo de se viver é bom salientar".

O elenco de Hondo é muito bom. Além de Wayne - em papel marcante - ainda temos a grande Geraldine Page dividindo a tela com ele. Considerada uma das grandes atrizes do cinema americano aqui ela interpreta uma jovem rancheira que se recusa a abandonar seu lar frente à ameaça Apache. Suas cenas com o Duke são muito boas o que garante a qualidade do filme. Wayne e Page ficam praticamente sozinhos no rancho no terço inicial de "Hondo" e se não se entrosassem bem em cena certamente o roteiro perderia parte importante de seu impacto. Felizmente isso não ocorre. Ambos estão perfeitos em seus respectivos personagens. Em suma "Hondo" é um western de primeira, com belas atuações e cenários naturais grandiosos. Vale a pena assistir.

Hondo - Caminhos Ásperos (Hondo, EUA, 1953) / Direção de John Farrow / Roteiro de James Edward Grant e Louis L'Amour / Com John Wayne, Geraldine Page e Ward Bond / Sinopse: Em plena era das guerras apaches pistoleiro errante (John Wayne) tenta convencer jovem rancheira (Geraldine Chaplin) a abandonar o lugar em que vive por sua própria segurança.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Peter O'Toole

Peter O'Toole
Peter O'Toole foi um dos atores mais carismáticos e talentosos do cinema britânico e internacional, conhecido por sua presença magnética, voz marcante e intensidade intelectual em cena. Nascido em 2 de agosto de 1932, na Irlanda (embora tenha sido criado na Inglaterra), O’Toole formou-se na prestigiada Royal Academy of Dramatic Art (RADA), onde desenvolveu sólida base teatral antes de migrar para o cinema. Sua consagração mundial veio com Lawrence da Arábia (1962), dirigido por David Lean, no qual interpretou T. E. Lawrence. A performance foi imediatamente reconhecida como histórica, revelando um ator capaz de unir fragilidade psicológica, ambição e complexidade emocional em um personagem épico. O filme transformou O’Toole em estrela internacional e lhe rendeu a primeira de várias indicações ao Oscar.

Ao longo das décadas de 1960 e 1970, Peter O’Toole construiu uma filmografia marcada por personagens intensos, frequentemente ligados a figuras históricas ou a conflitos existenciais profundos. Em Becket (1964) e O Leão no Inverno (1968), demonstrou grande domínio dramático ao interpretar o rei Henrique II, explorando nuances de poder, orgulho e vulnerabilidade com extraordinária força interpretativa. Embora nunca tenha vencido um Oscar competitivo, foi indicado oito vezes ao longo da carreira, um feito que reforça o reconhecimento contínuo de seu talento. Em 2003, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra, consagrando oficialmente sua contribuição ao cinema. A ausência de uma estatueta regular tornou-se quase lendária, mas jamais diminuiu seu prestígio artístico.

Além do cinema, O’Toole manteve forte ligação com o teatro, retornando frequentemente aos palcos para interpretar clássicos de Shakespeare e dramaturgos modernos. Essa base teatral conferia às suas performances cinematográficas uma intensidade verbal e expressiva rara, marcada por dicção precisa e presença cênica imponente. Sua personalidade fora das telas também contribuiu para sua fama. Conhecido por inteligência afiada, humor sarcástico e vida boêmia intensa, O’Toole tornou-se figura quase mítica no meio artístico. Apesar dos excessos e problemas de saúde ao longo dos anos, sua dedicação à arte da atuação permaneceu constante.

Nos anos 1980 e 1990, continuou a atuar em produções variadas, demonstrando versatilidade e maturidade. Em O Último Imperador (1987), participou de uma obra premiada internacionalmente, reafirmando sua relevância mesmo em papéis coadjuvantes. Sua presença sempre adicionava gravidade e sofisticação aos projetos. Peter O’Toole faleceu em 14 de dezembro de 2013, deixando um legado artístico monumental. Sua carreira atravessou mais de cinco décadas, marcada por personagens grandiosos e performances memoráveis. Ele ajudou a redefinir o arquétipo do herói épico ao introduzir fragilidade e ambiguidade psicológica. Hoje, Peter O’Toole é lembrado como um dos grandes intérpretes do século XX, símbolo de talento, elegância e intensidade dramática. Sua atuação em Lawrence da Arábia permanece como uma das mais icônicas da história do cinema, garantindo-lhe um lugar permanente entre os maiores atores de todos os tempos.

Erick Steve. 

domingo, 26 de abril de 2026

O Pirata Barba Negra

Muitas pessoas acreditam que o Pirata Barba Negra é apenas um personagem da literatura, do gênero Piratas do Caribe e aventuras dos sete mares. Nada mais longe da realidade. Ele existiu e foi um personagem histórico, mas quem foi realmente o Barba Negra? O pirata conhecido como Edward Teach, mais famoso pelo apelido de Barba Negra, é uma das figuras mais emblemáticas da chamada Idade de Ouro da Pirataria, que ocorreu entre o final do século XVII e o início do XVIII. Nascido por volta de 1680, possivelmente em Bristol, Teach iniciou sua carreira como marinheiro antes de se envolver com a pirataria. Ele ganhou notoriedade por sua aparência assustadora, cultivando uma longa barba negra que frequentemente era trançada e adornada com fitas, além de acender pavios lentos sob o chapéu durante batalhas, criando uma imagem quase demoníaca. Sua reputação não vinha apenas de sua aparência, mas também de sua habilidade como estrategista e comandante. Atuando principalmente nas águas do Caribe e da costa leste das colônias americanas, Barba Negra se tornou sinônimo de terror entre os navegantes da época. Sua figura ajudou a construir o imaginário popular dos piratas como homens temíveis, ousados e quase sobrenaturais.

A ascensão de Barba Negra está intimamente ligada à sua associação com o pirata Benjamin Hornigold, sob cujo comando ele serviu inicialmente. Com o tempo, Teach ganhou autonomia e assumiu o comando de suas próprias embarcações, sendo a mais famosa o navio Queen Anne's Revenge. Este navio era originalmente um navio negreiro francês capturado, posteriormente armado com dezenas de canhões, tornando-se uma das embarcações mais poderosas da pirataria. Com ele, Barba Negra realizou diversos ataques a navios mercantes, acumulando riquezas e espalhando medo. Um dos episódios mais marcantes de sua carreira foi o bloqueio do porto de Charleston, em 1718, quando manteve a cidade sob ameaça e exigiu um resgate em medicamentos. Esse ato demonstrou não apenas sua audácia, mas também sua capacidade de planejamento e controle estratégico, elevando ainda mais sua fama entre aliados e inimigos.

Apesar de sua reputação violenta, alguns relatos históricos sugerem que Barba Negra nem sempre recorria à violência extrema, preferindo muitas vezes intimidar suas vítimas para evitar combates desnecessários. Sua imagem cuidadosamente construída desempenhava um papel psicológico crucial, fazendo com que muitos navios se rendessem sem resistência. Isso não diminui, no entanto, sua participação em atos de pirataria, que incluíam saques e ameaças. Sua vida também reflete o contexto social e econômico da época, marcada por guerras, desigualdades e oportunidades limitadas para marinheiros, o que levava muitos a se voltarem para a pirataria. A figura de Barba Negra acabou se tornando maior que o próprio homem, alimentada por histórias exageradas e relatos de sobreviventes que contribuíram para consolidar seu mito. Assim, ele passou a ser visto tanto como um vilão quanto como uma figura quase lendária dos mares.

O fim de Barba Negra ocorreu em um confronto dramático contra forças britânicas lideradas pelo tenente Robert Maynard, em 22 de novembro de 1718, próximo à costa da Carolina do Norte. Determinado a eliminar a ameaça pirata, o governador da colônia da Virgínia havia ordenado a captura ou morte de Teach. O confronto foi intenso e violento, com relatos indicando que Barba Negra lutou ferozmente até o fim, sendo atingido por vários tiros e golpes de espada antes de cair. Após sua morte, sua cabeça foi cortada e pendurada no mastro do navio de Maynard como prova de sua derrota e como aviso a outros piratas. Esse episódio marcou simbolicamente o declínio da Idade de Ouro da Pirataria, embora outros piratas ainda continuassem ativos por algum tempo. A morte de Barba Negra reforçou sua imagem como um guerreiro destemido e contribuiu ainda mais para sua lenda.

Ao longo dos séculos, a figura de Barba Negra continuou a fascinar o público, sendo retratada em livros, filmes e outras formas de cultura popular. Ele se tornou um arquétipo do pirata clássico, influenciando personagens fictícios como Capitão Jack Sparrow e inúmeras outras representações. Sua história mistura fatos e mitos, dificultando a separação entre realidade e ficção, mas isso apenas aumenta seu apelo duradouro. Pesquisas arqueológicas recentes, incluindo a descoberta de possíveis restos do Queen Anne’s Revenge, ajudaram a lançar nova luz sobre sua vida e atividades. Hoje, Barba Negra é lembrado não apenas como um criminoso dos mares, mas como uma figura histórica que simboliza uma era de aventura, perigo e liberdade. Seu legado permanece vivo, alimentando a imaginação de gerações e consolidando seu lugar como o mais famoso pirata da história.

sábado, 25 de abril de 2026

Elvis Presley - Elvis Today

Elvis Today
Lançado em 7 de maio de 1975, Elvis Today representa um dos momentos mais interessantes e, ao mesmo tempo, subestimados da fase final da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios da RCA em Hollywood, o álbum surgiu em um período em que Elvis enfrentava desafios pessoais e profissionais, mas ainda demonstrava grande capacidade interpretativa. Diferente de muitos de seus trabalhos da década de 1960, fortemente ligados ao cinema, Elvis Today apresenta um repertório mais contemporâneo para a época, com influências do country, pop e soft rock. O disco inclui regravações de sucessos recentes e canções de compositores modernos, mostrando um Elvis tentando se reconectar com as tendências musicais dos anos 1970. Embora não tenha causado um impacto revolucionário no cenário musical, o álbum foi importante por evidenciar o esforço do artista em permanecer relevante em um mercado em transformação, dominado por novos estilos e nomes emergentes.

A recepção crítica ao álbum foi relativamente positiva, especialmente no que diz respeito à performance vocal de Elvis. A revista Billboard destacou que o cantor “mostra-se em boa forma vocal, trazendo interpretações sólidas e emocionalmente envolventes”, elogiando particularmente sua capacidade de adaptar músicas contemporâneas ao seu estilo. Já a Variety comentou que o disco “apresenta um Elvis mais maduro, com escolhas musicais que refletem as tendências do momento”, embora tenha observado que o álbum carecia de material verdadeiramente marcante. No Reino Unido, a NME (New Musical Express) teve uma visão mais crítica, sugerindo que Elvis parecia “seguir tendências ao invés de ditá-las”, o que contrastava com seu papel inovador no início da carreira. Ainda assim, houve reconhecimento geral de que sua presença vocal continuava sendo um dos grandes atrativos do álbum.

A imprensa mais ampla também contribuiu para o debate em torno do disco. O The New York Times observou que Elvis “continua sendo um intérprete de grande sensibilidade, capaz de dar nova vida a canções contemporâneas”, embora tenha apontado que o material não era sempre à altura de seu talento. O Los Angeles Times destacou a consistência do álbum, afirmando que ele “oferece um retrato honesto de um artista veterano navegando em um novo cenário musical”. Já a The New Yorker adotou um tom mais analítico, sugerindo que “Elvis parece dividido entre sua identidade clássica e a necessidade de se adaptar às mudanças da indústria”. Essas avaliações mostram que, embora não tenha sido unanimemente celebrado, Elvis Today foi visto como um trabalho digno, especialmente considerando o contexto da carreira do artista naquele momento.

No aspecto comercial, Elvis Today teve um desempenho sólido, ainda que não espetacular quando comparado aos maiores sucessos da carreira de Elvis. O álbum alcançou boas posições nas paradas, chegando ao Top 10 da Billboard Country Albums e ao Top 60 da Billboard 200. Nos Estados Unidos, vendeu bem o suficiente para garantir certificações de ouro, refletindo a base fiel de fãs que Elvis ainda mantinha na década de 1970. Internacionalmente, o disco também teve uma recepção razoável, embora sem o impacto global de seus trabalhos anteriores. Singles como “T-R-O-U-B-L-E” ajudaram a promover o álbum e demonstraram que Elvis ainda podia alcançar o público com material mais animado. Mesmo não sendo um fenômeno comercial, o álbum confirmou que ele continuava relevante no mercado fonográfico.

Com o passar dos anos, o legado de Elvis Today foi sendo reavaliado de forma mais positiva por críticos e fãs. Hoje, o álbum é frequentemente citado como um dos melhores trabalhos de estúdio de Elvis na década de 1970, especialmente por sua consistência e pela qualidade de suas interpretações. Especialistas destacam que o disco captura um momento em que Elvis, apesar das dificuldades pessoais, ainda conseguia produzir música de alto nível. Para os fãs, ele representa uma fase mais madura e introspectiva do artista, com interpretações carregadas de emoção e autenticidade. Embora não seja tão icônico quanto seus álbuns clássicos dos anos 1950 e início dos 1960, Elvis Today permanece como um testemunho da resiliência artística de Elvis Presley e de sua capacidade de se reinventar, mesmo em circunstâncias adversas.

Elvis Presley - Elvis Today (1975)
T-R-O-U-B-L-E
And I Love You So
Susan When She Tried
Woman Without Love
Shake a Hand
Pieces of My Life
Fairytale
I Can Help
Bringin’ It Back
Green, Green Grass of Home

Erick Steve. 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O Mestre do Crime

O Mestre do Crime  
Achei esse filme fraco. Não é culpa nem do elenco e nem tampouco da direção. Do ponto de vista técnico, o filme é bem realizado. O problema é maior e até mesmo externo. Essa coisa de filmes sobre assassinos profissionais já era desgastado nos anos 80, então imagine hoje em dia como está. É algo mais do que saturado. E não importa o talento dos roteiristas envolvidos, todas as histórias acabam ficando semelhantes demais entre si! Há um certo glamour envolvendo esses criminosos, pelo menos no cinema. Só que hoje em dia, acredito que a fórmula já está por demais desgastada. 

De bom esse filme tem uma boa direção de fotografia e um elenco carismático. A Irlanda tem esse clima meio decadente e sombrio, mas com um charme medieval. Suas cidades de pedras escurecidas pelo tempo mantém uma certa conexão com a história do próprio protagonista, considerado velho e ultrapassado, mas ainda assim útil. Do elenco temos alguns atrativos. Sempre considerei o Christoph Waltz um bom ator, mas ele precisa abrir o olho pois está ficando prisioneiro de seus próprios cacoetes. O ator que interpreta seu parceiro jovem é sem graça, mas pelo menos serve de escada para Waltz. Então é isso. Filme de mediano para fraco, por causa de seu tema saturado. 

O Mestre do Crime (Old Guy, Reino Unido, Irlanda, 2024) Direção: Simon West / Roteiro: Greg Johnson / Elenco: Christoph Waltz, Lucy Liu, Cooper Hoffman / Sinopse: Danny Dolinski (Waltz) é um velho assassino profissional. Agora a idade cobra seu preço e ele mal consegue apertar o gatilho de sua arma. Para seu novo serviço, seu cliente envia um jovem para lhe acompanhar. E isso é algo ruim. Pode não ser uma boa ideia ter como parceiro um jovem criminoso que está tentando ocupar seu próprio espaço na "profissão". 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Michael

Título no Brasil: Michael
Título Original: Michael
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony Pictures
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: John Logan
Elenco: Jaafar Jackson, Juliano Valdi, Colman Domingo, Jayden Harville, Jaylen Lyndon Hunter, Judah Edwards

Sinopse:
Cinebiografia musical que conta a história de Michael Jackson, um dos artistas mais populares da música mundial. Inicialmente como cantor mirim em um grupo musical onde se apresentava ao lado de seus irmãos mais velhos, até o sucesso incrível que alcançou mais tarde, como artista solo. 

Comentários:
Esse filme não presta porque é um filme sobre o Michael Jackson, mas sem o Michael Jackson! Explico. O protagonista que vemos nesse filme não é de carne e osso e nem tem personalidade. Tampouco tem falhas, é um homem santo! É uma capa de disco, um produto de marketing. Esconderam o verdadeiro Michael atrás das cortinas para ninguém ver! Também não tem o Michael Jackson cercado de criancinhas ao redor, se envolvendo em todo tipo de confusão judicial. O Michael aqui é um ser angelical, santo nas alturas,  canonizado por fãs fanáticos e cegos. Posso imaginar ele naqueles santinhos que encontramos na portas das igrejas. Não tem nada do Michael histórico. É isso, o que temos aqui é uma mera fantasia idealizada. Os fãs, obviamente, vão amar e chorar nas salas de cinemas. O resto das pessoas vai encarar o filme pelo que ele é, uma jogada de marketing para levantar uma marca que no passado já valeu muitos milhões de dólares!

Erick Steve.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

As Filhas de Drácula

As Filhas de Drácula 
Antes de qualquer coisa vamos explicando a picaretagem do título nacional desse filme. Não tem Drácula nele, nem muito menos suas filhas. Na realidade o título nacional seria mais honesto se fosse próximo ao original, algo na linha "As Gêmeas do Mal". É a história de duas jovens, gêmeas, que vão morar com o tio após a morte de seus pais. O tio é um fanático caçador de bruxas. Ao lado de seu bando, um coletivo de religiosos fanatizados, sádios e violentos, ele sai perseguindo mulheres acusando elas de serem bruxas. Pior do que isso, as matando em grandes fogueiras. Ele é um puritano e a história nos deixou relatos precisos sobre essa gente. Não há exageros nesse aspecto no que vemos no filme. Vale também destacar o excelente trabalho de atuação de Peter Cushing nesse papel. 

Então, uma dessas sobrinhas dele se apaixona por um nobre que tem um grande castelo na região. Protegido pelo imperador da Alemanha, ele é o único que enfrenta o inquisidor protestante. Só tem um probleminha a superar: o sujeito é um vampiro, mais do que isso, é um satanista de renome. O que temos aqui é outro bom filme da Hammer Studios. Uma produção muito bem orquestrada, com todos os personagens funcionando bem para o eixo da história seguir em frente. Eu gostei bastante! A única coisa, no final das contas, que não gostei, foi justamente esse título nacional, mais do que picareta! 

As Filhas de Drácula (Twins of Evil, Reino Unido, 1971) Direção: John Hough / Roteiro: Tudor Gates, Sheridan Le Fanu / Elenco: Peter Cushing, Dennis Price, Mary Collinson, Madeleine Collinson / Sinopse: Gustav Weil (Cushing) é um inquisidor, caçador de bruxas violento, que começa a ter problemas com um poderoso nobre local. Pior do que isso, uma de suas sobrinhas acaba se apaixonando por ele, seu pior inimigo. 

Pablo Aluísio. 

A Casa do Terror

Título no Brasil: A Casa do Terror
Título Original: Madhouse
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: American International Pictures (AIP), Amicus Productions
Direção: Jim Clark
Roteiro: Angus Hall, Ken Levison
Elenco: Vincent Price, Peter Cushing, Robert Quarry, Adrienne Corri, Michael Parkinson, Linda Hayden

Sinopse: 
Paul Toombes (Vincent Price) é um ator de terror cujo personagem de maior sucesso era conhecido como "Dr. Morte". Quando sua mulher é assassinada, Toombes é preso e colocado em um hospício, acusado de ter cometido o crime. Anos depois, o ator é solto e volta a interpretar seu personagem em um programa de TV. O problema e que pessoas começam a morrer da mesma forma de seus antigos filmes de terror.

Comentários:
Mais um clássico de terror da vasta filmografia do ator Vincent Price, aqui contracenando com outro grande ídolo desse gênero cinematográfico, Peter Cushing. O curioso é que esse filme também ficou conhecido pelos títulos de "Dr Morte" e "A Casa dos Rituais Satânicos". Mais uma vez Price brinca com sua persona nas telas. Chama a atenção o fato do filme ter sido produzido já na década de 1970 quando o cinema começava a mudar, com novos estilos de produções de terror fazendo sucesso, o que fazia com que Vincent Price enfrentasse uma nova concorrência de jovens diretores dentro do gênero. Para sobreviver ele aumentava o tom de suas atuações. Aqui o ator usa uma estranha (porém criativa) maquiagem, que a despeito das limitações técnicas da época, era extremamente eficiente e bem feita. Veja como uma equipe talentosa de maquiagem poderia fazer toda a diferença em um filme como esse. Peter Cushing surge ao lado do ator em uma amostra muito interessante da união de dois veteranos mantendo o velho charme das produções antigas em voga com os novos rumos do cinema de terror da década de 1970. Esse filme também foi lançado em  DVD duplo nos Estados Unidos com "Theather of Blood" com o mesmo Price em uma mesma embalagem. Imperdível para os apreciadores e colecionadores do gênero.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Gary Cooper - Parte 6

Durante uma entrevista em um hotel de Beverly Hills durante os anos 40, Cooper baixou um pouco sua tela de proteção e foi bem sincero com a jornalista que o entrevistava, dizendo: "Eu sou grato todos os dias por ainda fazer filmes. Sabe, eu comecei nesse negócio há muitos anos, ainda no cinema mudo. Fico realmente surpreso de ainda ter estúdios que me contratem. É uma espécie de sorte grande que tirei em minha vida!". 

E Cooper poderia se dar mesmo por satisfeito, pois ao contrário de outros atores de Hollywood de sua época, sua carreira foi ficando cada vez mais rica e importante enquanto ele envelhecia. Naquela Hollywood, com muito preconceito e etarismo, era mesmo uma novidade. De muitas maneiras isso abriu as portas para atores mais velhos. Nesse aspecto Cooper foi mesmo um pioneiro. Para um ator, ser velho, não era mais motivo para ser descartado pelos produtores. 

Sua carreira ia muito bem, mas na vida pessoal o ator enfrentava problemas. Sua esposa de longa data, Veronica Balfe, estava firme em sua decisão de pedir o divórcio. Ciumenta, ela comprava todas as revistas de fofocas de Hollywood, muitas delas trazendo supostos casos de seu marido com atrizes e até mesmo bailarinas. Algumas histórias eram verdadeiras, mas a maioria delas não passavam de mexericos. Cooper negava tudo, mas sua esposa não acreditava nele. Tentando evitar o pior, o ator então propôs uma sepração temporária, até que as coisas se acalmassem. Ela acabou aceitando sua sugestão. Mudou-se para outra mansão em Beverly Hills, tudo sob custas do marido. 

E novas oportunidades foram surgindo no cinema. Cooper não queria fazer apenas um tipo de filme, mas passear pelos mais diversos gêneros cinematográficos. Por essa época ele estrelou filmes românticos, comédias, dramas e até mesmo um interessante filme de espionagem chamado "O Grande Segredo". Uma nova arma de grandes proporções havia surgido, a Bomba Atômica, e o roteiro do filme enfocava justamente esse novo cenário dos espiões internacionais, mas sem deixar de lado o aspecto romântico do protagonista. Dirigido pelo prestigiado Fritz Lang, acabou se tornando uma das produções preferidas do ator e uma espécie de inspiração para os filmes de James Bond que iriam surgir duas décadas depois. 

Pablo Aluísio. 

Os Poderosos Também Caem

Os Poderosos Também Caem
Dois caçadores de recompensas chegam em uma velha e isolada cidade do velho oeste. Assim que entram na rua principal logo chamam muito a atenção da população. Eles são negros e os moradores locais não costumam ver negros em liberdade naqueles tempos assolados pela chaga da escravidão. Mesmo assim eles se impõe, não só por sua dignidades pessoais, mas também por serem rápidos no gatilho. E em pouco tempo a dupla se torna um alvo, não apenas dos criminosos, mas também de civis e pessoas incomodadas com sua presença na cidade, com maioria de população branca. 

Esse filme faz parte de um movimento que aconteceu no cinema americano durante os anos 70. Eram filmes estrelados por atores negros, feitos para o público preto (nota: até hoje não consigo saber se o termo negro ainda é válido pois tenho visto muitos textos utilizando o termo preto. Em minha época de juventude o termo preto era ofensivo, negro não era ofensivo). Pois bem, o filme também investe em um bom humor que deixa tudo mais leve. Um bom filme desse movimento conhecido nos dias de hoje como Blaxploitation! Enfim, um bom filme, valorizado pelo elenco. Não é formado por grandes atores, mas eram carismáticos e estavam empenhados em fazer um bom filme. 

Os Poderosos Também Caem (Boss Nigger, Estados Unidos, 1974) Direção: Jack Arnold / Roteiro: Fred Williamson / Elenco: Fred Williamson, D'Urville Martin, William Smih / Sinopse: Dois caçadores de recompensas negros chegam a cavalo em uma cidadezinha do velho oeste. O lugar, uma cidade de brancos, jamais será o mesmo depois de sua chegada.

Pablo Aluísio.