sábado, 21 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Elvis is Back!

Elvis Presley - Elvis is Back!
O álbum “Elvis Is Back!” foi lançado em 8 de abril de 1960, pela RCA Victor, marcando o aguardado retorno de Elvis Presley após cumprir serviço militar na Alemanha. Gravado em março e abril de 1960, nos estúdios da RCA em Nashville, o disco simboliza uma nova fase artística, mais madura e refinada. Havia grande expectativa do público e da indústria sobre como Elvis soaria depois de dois anos afastado dos palcos e das gravações. Sob produção de Steve Sholes e com músicos de alto nível como os integrantes da chamada “Nashville A-Team”, o cantor apresentou interpretações sofisticadas que transitavam entre rock, blues, pop e baladas românticas. O contexto cultural também era de mudança, com o rock and roll evoluindo e novos artistas surgindo. O álbum, portanto, precisava reafirmar sua relevância. E conseguiu: mostrou um Elvis vocalmente mais seguro e tecnicamente impressionante. Sua importância na carreira do artista é imensa, pois consolidou seu retorno como intérprete adulto. Foi um recomeço artístico à altura de sua lenda.

A recepção crítica foi bastante positiva, destacando principalmente a qualidade vocal do cantor. O The New York Times observou que Elvis retornava “com maior controle técnico e impressionante maturidade interpretativa”. Já o Los Angeles Times destacou que o disco demonstrava “um artista que evoluiu sem perder sua essência”. Muitos críticos ficaram surpresos com a diversidade estilística do repertório. Faixas como Fever e Reconsider Baby chamaram atenção pelo clima mais sofisticado e bluesy. A imprensa musical reconheceu que Elvis não apenas manteve sua popularidade, mas elevou seu padrão artístico. Alguns textos da época mencionaram que o cantor parecia mais confiante e menos dependente da energia juvenil do início da carreira. Isso foi visto como sinal de crescimento. O álbum foi considerado forte prova de sua permanência no topo. A crítica percebeu que o “Rei” estava de volta em grande forma.

Revistas especializadas como a Billboard elogiaram o potencial comercial do disco, chamando-o de “um retorno sólido e artisticamente consistente”. A Rolling Stone, anos depois, classificaria o álbum como um dos melhores da discografia de Elvis. Críticos ressaltaram especialmente a interpretação contida e sensual de Fever, que se tornaria uma das gravações mais icônicas de sua carreira. A produção limpa e os arranjos elegantes foram amplamente elogiados. Mesmo analistas mais exigentes reconheceram que Elvis havia superado expectativas. O álbum não soava nostálgico; parecia contemporâneo e seguro. Com o passar do tempo, a reputação crítica do disco só cresceu. Hoje é frequentemente apontado como um de seus trabalhos mais completos. A recepção histórica consolidou sua posição como clássico.

Comercialmente, “Elvis Is Back!” foi um sucesso expressivo. O álbum alcançou o 2º lugar na Billboard Top LPs nos Estados Unidos e obteve forte desempenho no Reino Unido, chegando ao topo das paradas britânicas. As vendas ultrapassaram milhões de cópias ao longo das décadas, rendendo certificações importantes. O público respondeu com entusiasmo ao retorno do cantor. O sucesso comercial demonstrou que sua base de fãs permanecia fiel. Além disso, o disco ajudou a abrir caminho para novos projetos e para a fase cinematográfica que dominaria parte dos anos seguintes. Mesmo com a mudança de estilo, os ouvintes abraçaram a nova sonoridade. O impacto nas paradas confirmou a força de sua marca artística. Foi um retorno triunfante também em números. Comercialmente, reafirmou sua supremacia.

O legado de “Elvis Is Back!” é amplamente reconhecido. O álbum é visto hoje como um dos melhores trabalhos de estúdio de Elvis Presley, frequentemente citado ao lado de From Elvis in Memphis como ápice artístico. Fãs valorizam a mistura equilibrada entre energia e sofisticação. Críticos destacam o controle vocal e a maturidade emocional demonstrados nas gravações. O disco também representa um modelo de como um artista pode retornar após período de ausência e ainda superar expectativas. Sua influência pode ser percebida em cantores que buscaram unir técnica refinada e expressividade emocional. Reedições e remasterizações mantêm o álbum vivo para novas gerações. Ele simboliza o renascimento de uma lenda. É peça essencial na compreensão da evolução de Elvis. Um clássico incontestável do rock e da música popular.

Elvis Presley - Elvis Is Back! (1960)
Make Me Know It
Fever
The Girl of My Best Friend
I Will Be Home Again
Dirty, Dirty Feeling
Thrill of Your Love

Soldier Boy
Such a Night
It Feels So Right
The Girl Next Door Went A’Walking
Like a Baby
Reconsider Baby

Erick Steve. 

The Beatles - With The Beatles

The Beatles - With The Beatles
O álbum “With The Beatles” foi lançado em 22 de novembro de 1963, no Reino Unido, pela Parlophone, em meio à explosão inicial da Beatlemania. Gravado rapidamente entre julho e outubro daquele ano, o disco surgiu poucos meses após o sucesso arrebatador do álbum de estreia Please Please Me. O contexto era de agenda intensa, turnês constantes e crescente histeria coletiva em torno do grupo. Produzido por George Martin, o álbum consolidou a sonoridade vibrante da banda, misturando composições próprias com versões de clássicos do rhythm and blues americano. A famosa capa em preto e branco, fotografada por Robert Freeman, tornou-se um ícone visual da década. O disco mostrou uma banda mais confiante, vocalmente mais ousada e instrumentalmente mais segura. Sua importância na carreira dos Beatles reside no fortalecimento da identidade artística do grupo. Ele confirmou que o sucesso inicial não fora acidental. Foi o passo decisivo para a dominação do mercado britânico.

A recepção crítica foi amplamente positiva, especialmente na imprensa britânica, que acompanhava de perto o fenômeno cultural. O The Times observou que o grupo demonstrava “energia contagiante e crescente maturidade musical”. Já o New Musical Express (NME) destacou a harmonia vocal como diferencial marcante do quarteto. Embora a crítica tradicional ainda tratasse o pop com certa cautela, muitos jornalistas reconheceram a habilidade composicional de Lennon e McCartney. O entusiasmo do público também influenciou o tom das análises. O álbum foi visto como evolução natural do primeiro trabalho. Alguns críticos notaram a forte influência do R&B americano. Isso foi interpretado como sinal de bom gosto musical. A imprensa percebeu que havia algo novo acontecendo na música britânica. “With The Beatles” consolidava essa mudança.

Publicações musicais especializadas ressaltaram especialmente as composições autorais. A revista Melody Maker afirmou que o disco provava que os Beatles eram mais do que intérpretes carismáticos, chamando-os de “força criativa emergente”. Análises posteriores, como as da Rolling Stone, classificaram o álbum como peça fundamental do início da carreira da banda. A crítica moderna costuma enfatizar a força de faixas como All My Loving e It Won’t Be Long. Mesmo as versões de músicas americanas foram elogiadas pela energia e personalidade. O disco passou a ser visto como marco da consolidação da identidade sonora beatle. Ao longo das décadas, sua reputação apenas cresceu. Muitos o consideram um dos melhores álbuns da fase inicial do grupo. A recepção histórica foi amplamente favorável. Hoje, é tratado como clássico.

Comercialmente, “With The Beatles” foi um fenômeno. O álbum alcançou o 1º lugar nas paradas britânicas, permanecendo no topo por 21 semanas. Vendeu mais de 500 mil cópias no Reino Unido em tempo recorde, tornando-se um dos discos mais vendidos da época. O sucesso foi tão grande que superou o desempenho do álbum de estreia. Embora ainda não tivesse sido lançado oficialmente nos Estados Unidos naquele momento (onde parte do material sairia como Meet The Beatles!), o impacto internacional já era evidente. O público britânico abraçou o disco com entusiasmo absoluto. A Beatlemania atingia seu auge inicial. O álbum ajudou a consolidar o domínio da banda no mercado europeu. Foi um triunfo comercial incontestável. Confirmou os Beatles como fenômeno cultural.

O legado de “With The Beatles” é profundo dentro da história do rock. O álbum representa o momento em que o grupo deixou de ser promessa para se tornar força dominante. Sua estética visual minimalista influenciou gerações de capas de discos. Musicalmente, ajudou a popularizar o R&B e o pop britânico em escala massiva. Fãs e críticos reconhecem nele a energia juvenil que definiu o início dos anos 1960. Ele também demonstra o crescimento composicional de Lennon e McCartney. Hoje, é frequentemente incluído em listas dos álbuns mais importantes da década. Seu impacto vai além das vendas: moldou tendências culturais. Permanece como símbolo da ascensão meteórica dos Beatles. É peça essencial na formação da música pop moderna.

The Beatles  With The Beatles (1963)
It Won’t Be Long
All I’ve Got to Do
All My Loving
Don’t Bother Me
Little Child
Till There Was You
Please Mister Postman

Roll Over Beethoven
Hold Me Tight
You Really Got a Hold on Me
I Wanna Be Your Man
Devil in Her Heart
Not a Second Time
Money (That’s What I Want)

Erick Steve. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rocketman

O filme do Queen abriu as portas dos estúdios para esse tipo de filme. Cinebiografias de cantores famosos, principalmente nas décadas de 70 e 80. Um tipo de marketing de nostalgia que parecia perfeito. O resultado comercial desse filme sobre Elton John porém tem sido morno. Nada comparável ao sucesso do filme enfocando Mercury e seus colegas de banda. O público provavelmente torceu o nariz para a proposta desse roteiro, que tencionava contar a história de Elton John ao mesmo tempo em que transformaria os momentos importantes de sua vida em bem elaboradas coreografias musicais, bem ao estilo da velha escola, da Broadway.

Esse talvez seja o ponto mais vulnerável do filme. Nem todos vão comprar a ideia de, por exemplo, saber mais sobre a infância do cantor através de um garotinho vestido de aluno, dançando ao lado de seus pais em plena rua de um subúrbio londrino da década de 1950. Particularmente não me incomodei com isso, aceitei a proposta do filme, mas claro, muita gente achou fora de foco. Até porque o roteiro realmente não se decide se é um drama convencional ou um musical filmado da Broadway.

O ator que interpreta Elton John, chamado Taron Egerton, é muito bom, porém é mais alto e mais esquio do que o Elton John do mundo real. Assim mesmo fantasiado com todas aquelas fantasias espalhafatosas dele, nem sempre consegue convencer de que estamos vendo Elton John na tela. Por fim e não menos importante: o que novamente salva o filme, o redime completamente, é a excelente trilha sonora, cheia de sucessos do passado. A trilha é excelente, mas devo dizer que não completa. Esqueceram de "Nikita" e outros sucessos. Mesmo assim, no saldo final, é um bom filme. Tem seus erros e desacertos, porém no final agrada.

Rocketman (Estados Unidos, Inglaterra, 2019) Direção: Dexter Fletcher / Roteiro: Lee Hall / Elenco: Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden, Bryce Dallas Howard / Sinopse: O filme se propõe a contar a história do cantor e compositor Elton John. Através de sua música, cenas mais dramáticas e coreografias em sequências musicais, somos apresentados à obra e a vida desse artista inglês.

Pablo Aluísio.

Elvis

Título no Brasil: Elvis
Título Original: Elvis
Ano de Lançamento: 2022
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann, Sam Bromell
Elenco: Tom Hanks, Austin Butler, Olivia DeJonge, Helen Thomson, Richard Roxburgh, Kelvin Harrison Jr.

Sinopse:
Em seus últimos momentos de vida, o Coronel Tom Parker (Tom Hanks) relembra seus anos ao lado de Elvis Presley (Austin Butler). Acima de tudo ele quer deixar claro que não foi um dos responsáveis pela morte do artista, mas que sim o levou ao sucesso que alcançou! Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme. Premiado pelo Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Austin Butler). 

Comentários:
Eu já havia visto em seu lançamento, mas como o filme chegou na Netflix resolvi rever pela primeira vez. Eu continuo gostando do filme. Sim, ele tem seus erros e deslizes com a história original, mas olhando bem de perto continua funcionando muito bem aos seus propósitos. Outro dia li um texto sobre os últimos dias do Coronel Parker e penso que ali há elementos que ficariam muito bem no filme, mas não se deve exigir tanto de um filme como esse que afinal teve a complicada tarefa de mostrar toda a carreira de Elvis, se concentrando nos momentos mais importantes. E nesse aspecto, volto a frisar, o filme se saiu bem. Dessa leva de cinebiografias de grandes nomes da música, penso inclusive, que esse é sem dúvida um dos melhores filmes produzidos. Tem um bom roteiro e não cai no marasmo em nenhum momento. Como não é um documentário, não precisou ser assim tão ferrenho no quesito histórico. É diversão e um cartão de apresentação de Elvis para essa nova geração. Nesse ponto de vista está mais do que satisfatório. O ilusionista Parker certamente teria gostado! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Temporada de Sangue

Título no Brasil: Temporada de Sangue
Título Original: Hunting Season
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Buffalo 8 Productions
Direção: RJ Collins
Roteiro: Adam Hampton
Elenco: Mel Gibson, Shelley Hennig, Sofia Hublitz, Jordi Mollà, A.J. Buckley, Scarlet Rose Stallone, James DuMont, Lola Manzini

Sinopse:
Bowdrie (Mel Gibson) vive sua aposentadoria tranquila em uma casa confortável bem no meio de uma grande reserva florestal. Durante uma de suas caminhadas acaba encontrando uma jovem muiro ferida. Ela foi vítima de uma tentativa de assassinato. Tentando ajudar, Bowdrie a leva para casa. Não é uma boa ideia, pois os homens que tentaram assassinar a jovem vão voltar para completar seu "serviço" de execução. 

Comentários:
Aos 70 anos de idade, Mel Gibson não pensa em se aposentar. Por essa razão segue fazendo seus filmes regularmente. Essas produções não são mais eventos cinematográficos como em seu passado. São filmes B, de orçamentos bem modestos. Alguns bons, outros bem fracos. Esse aqui fica no meio termo. O roteiro não é grande coisa, aquela típica história de rendenção que depois vira uma busca por vingança. O mais interessante, no meio dessa banalidade toda, é ver o desenvolvimento do personagem de Mel, um sujeito envelhecido, que procura por uma velhice tranquila, morando no meio de uma reserva natural. Infelizmente, como bem conhecemos desse tipo de personagem, a confusão acaba chegando nele. E aí, não tem jeito, é pegar o rifle e partir para o confronto armado. Como toda boa fita de ação lá dos distantes anos 80. Enfim, não faça comparações com os grandes filmes do passado de Gibson, que dessa forma, pelo menos, você terá um bom entretenimento para o fim de noite. 

Pablo Aluísio. 

O Vingador do Futuro

O Vingador do Futuro
Depois de "O Exterminador do Futuro" esse é o melhor filme de ficção da carreira de Arnold Schwarzenegger. O roteiro foi baseado no conto intitulado "We Can Remember It for You Wholesale", de Philip K. Dick. Esse autor teve vários de seus  livros adaptados para o cinema com grande êxito. Basta lembrar de "Blade Runner" para entender sua importância para a sétima arte. Aqui temos uma adaptação bem mais livre do texto original. O escritos de Dick nem sempre são facilmente transpostos para o cinema e por essa razão alguns filmes apenas usam da idéia central para construir a partir daí todo um argumento novo, com cenas e sequências que nunca foram criadas pelo escritor. "O Vingador do Futuro" reflete bem isso.  A trama se passa no distante ano de 2084. A estória começa quando um operário resolve entrar no programa Total Recall que promete simular uma viagem de férias dentro da mente do usuário. Ele terá assim as mesmas sensações e prazeres de uma viagem real só que com custo muito menor e sem o aborrecimento de ter que enfrentar os preparativos de  uma viagem real. O problema é que algo dá errado e Quaid (Schwarzenegger) se vê envolvido numa complicada rede de conspirações envolvendo o planeta vermelho, nosso vizinho Marte.

O filme foi dirigido pelo ótimo cineasta Paul Verhoeven bem no auge criativo de sua carreira. "O Vingador do Futuro" foi muito badalado em seu lançamento porque trazia efeitos especiais inovadores que utilizavam a ainda nova tecnologia dos efeitos digitais que anos depois virariam lugar comum nas produções do gênero. Como não poderia deixar de ser a película também procurava tirar bastante proveito da presença de Arnold Schwarzenegger, na época um campeão de bilheteria absoluto que conseguia atrair um grande público para seus filmes. Por essa razão o roteiro usa e abusa de espetaculares cenas de ação e lutas - algo que sequer foi pensando pelo autor Philip K. Dick em seus escritos originais. Outro destaque é a presença de linda Sharon Stone. Amargando alguns filmes fraquinhos no currículo no começo de sua carreira ela aqui tinha a primeira grande chance de chamar mais a atenção do grande público. Dois anos depois seria alçada a mito sexual do cinema com o grande sucesso de "Instinto Selvagem", naquele que seria o papel definitivo de sua vida. Em suma é isso. "O Vingador do Futuro" é uma excelente ficção que mistura ação, aventura e fantasia na medida certa. Recentemente houve um mal sucedido remake estrelado por Colin Farrell, o que prova mais uma vez que certas obras já encontraram sua versão definitiva no mundo do cinema. Tentar refazer algo assim é simplesmente desnecessário.

O Vingador do Futuro (Total Recall, Estados Unidos, 1990) Direção: Paul Verhoeven / Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett e Gary Goldman baseados na obra de Philip K. Dick / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Sharon Stone, Rachel Ticotin, Ronny Cox / Sinopse: Operário resolve fazer uma viagem virtual em sua mente usando de um programa que simula férias para seu usuário. Devido a uma pane no sistema ele acaba se vendo envolvido numa complicada teia de conspirações sobre o planeta vermelho, Marte. Vencedor do prêmio Saturn na categoria melhor filme de ficção científica do ano.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Os Estranhos: Capítulo 2

Título no Brasil: Os Estranhos: Capítulo 2
Título Original: The Strangers: Chapter 2
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Fifth Element Productions
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland
Elenco: Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Ema Horvath, JR Esposito, Gerard Brake

Sinopse:
A estranha família de psicopatas mascarados e encapuzados vai atrás da única sobrevivente de um de seus ataques sanguinários recentes. Não vai ser nada fácil colocar as mãos nela, já que a jovem garota mostra muita disposição para fugir e lutar por sua vida. 

Comentários:
Mais um filme dessa franquia que já conta com quatro filmes! O roteiro não foge, em nenhum momento, da fórmula que foi usada nos filmes anteriores, mas pelo menos temos pequenas novidades que valem a pena mencionar nesse capítulo 2. O diretor sempre foi mais voltado para filmes de ação, então era previsível que ele iria dar mais agilidade nesse filme, priorizando justamente mais a ação do que o suspense. E o filme segue nessa linha, com muita correria e tudo mais. Sendo bem sincero essa é uma fita de caçada humana mais do que qualquer outra coisa. E nesse ponto vale a citação da cena com o javali selvagem. Ficou muito boa e me lembrou de "O Corte da Navalha". Outra cena digna de nota é a da invasão da casa, que remete aos filmes anteriores dessa mesma franquia. Já as cenas no hospital pecam por serem muito improváveis. Um hospital daquele tamanho, em pleno funcionamento, jamais ficaria à mercê desses psicóticos como vemos acontecer nesse filme, ainda mais na era dos celulares. Enfim, pequenos tropeços de lógica que são até bem comuns em filmes de terror. Não tem como exigir nada muito diferente disso. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Abrindo Horizontes

Abrindo Horizontes
Faroeste B da companhia cinematográfica Allied Artists Pictures. Essa empresa, que já não existe mais, começou distribuindo filmes pelo interior dos Estados Unidos e depois que alcançou grande sucesso nessa atividade começou a produzir seus próprios filmes. Nessa nova função chegou a produzir quase 150 filmes, quando problemas financeiros a levaram à falência. Suas produções tinham pequenos orçamentos, geralmente com nomes de segundo escalão em Hollywood, mas que conseguiam levar público em cinemas dos rincões das cidades do interior do país, geralmente nos cinemas do tipo drive-in, em programação dupla, onde o espectador pagava uma entrada para assistir a dois filmes.

“Abrindo Horizontes” fez parte desse tipo de pacote. Estrelado pelo ator cowboy Sterling Hayden, o filme de baixo orçamento se dava ao luxo de surgir nas telas em cores (technicolor), um luxo para filmes de western B da época como esse. Sterling Hayden era um ator bem limitado, ainda mais nesse ano em que trabalhou nesse filme, pois não passava de um aspirante ao estrelado. Nunca o achei bom ator, Ficava bem abaixo até mesmo de outros atores do gênero. De um jeito ou outro, conseguiria estrelar com êxito um ano depois o clássico “Johnny Guitar” onde interpretava justamente o próprio protagonista chamado Johnny “Guitar” Logan. Esse seria o grande filme de sua carreira. Também seria o único que ganharia o status de cult movie.

Nesse “Abrindo os Horizontes” ele interpreta um oficial do exército americano que se disfarça de engenheiro para ajudar a companhia ferroviária que está construindo uma linha entre o Kansas e o Pacífico. Por essa razão o filme tem o título original de “Kansas Pacific”, justamente o nome da ferrovia em questão. A construção era inevitavelmente alvo de ataques por parte de sulistas que viam a neutralidade do Kansas como um afronta aos interesses dos estados americanos confederados. De ataque em ataque, eles foram minando os trabalhos pois ninguém mais desejava trabalhar na ferrovia com medo de ser morto em algum atentado.

Assim o Capitão Nelson (Hayden) é enviado para a região para dar proteção e segurança aos trabalhadores. O filme é pequeno, quase um média metragem (meros 72 minutos de duração) e se parece demais com um outro filme de Randolph Scott chamado “Devastando Caminhos” de 1949. Plágio? Não diria que chegaria a tanto, apenas um “reciclagem” de ideias por parte da Allied. De qualquer modo, por ser tão curto e com enredo tão redondinho, passa longe de aborrecer alguém. No fundo é uma boa oportunidade de conhecer um típico faroeste da Aliied Artists. E pensar que a juventude da década de 1950 ia para os cinemas drive-in naquela época para namorar e acompanhar faroestes desse tipo.

Abrindo Horizontes (Kansas Pacific, Estados Unidos, 1953) Direção: Ray Nazarro / Roteiro: Daniel B. Ullman / Elenco: Sterling Hayden, Eve Miller, Burton MacLane, Harry Shannon / Sinopse: Capitão do exército americano é enviado para o Kansas para ajudar na proteção dos trabalhadores que estão construindo uma importante ferrovia. Os trabalhos são alvos de vários ataques promovidos por confederados que desejam a guerra entre norte e sul.

Pablo Aluísio. 

Ringo Não Discute... Mata!

Ringo Não Discute... Mata!
Outro ator que cruzou caminho com Franco Nero e seu Django foi Giuliano Gemma, ator romano que fez inúmeros filmes de faroeste espaguetti. Produtivo, estrelou um número enorme de filmes do gênero, feitos em escala industrial. Seu grande sucesso foi “O Dólar Furado” mas esse foi apenas um entre centenas de outros que seguiam a mesma linha. Geralmente atuando com o nome americanizado de Montgomery Brown, Gemma foi colecionando filmes atrás de filmes, criando toda uma legião de fãs nos chamados cinemas de bairro aqui no Brasil que não cansavam de passar suas fitas rápidas e ligeiras. Com preços promocionais, geralmente em sessão dupla, os cinemas rendiam excelentes bilheterias. O curioso é que em muitos desses filmes Giuliano Gemma usava não apenas o nome de Montgomery Brown como seu próprio pseudônimo artístico, mas os seus personagens também levavam esse nome. É o caso desse “Ringo não discute... Mata!”. Antes de mais nada esqueça o personagem Ringo dos westerns americanos. Nas produções Made in Hollywood, Ringo era sempre derivado do famoso pistoleiro Johnny Ringo (que efetivamente existiu de fato). Já no cinema italiano Ringo era apenas um nome sonoro, comercial, que se prestava a todo tipo de caracterização que ia desde pistoleiros a soldados, bandidos, mocinhos e o que mais a imaginação dos roteiristas criassem.

Aqui Gemma interpreta um soldado da União de nome Montgomery Brown (vulgo Ringo) que ao retornar da guerra civil encontra sua esposa e filha sob o domínio de uma família de mexicanos cruel e facínora. O pai é um porco beberrão e o filho um sádico perverso. Além disso descobre que seu pai, um senador honesto, havia sido covardemente assassinado pelos mesmos mal feitores. Disfarçado de humilde jardineiro, Ringo começa aos poucos a planejar sua vingança que tardará mas não falhará. O filme tem produção modesta mas não chega a ser pobre. Existem até bons cenários (todos localizados no deserto da Espanha) que mantém a dignidade. Gemma não se esforça muito – ele não era tão bom ator por essa época, mas apenas um italiano que parecia americano e que por isso era escolhido pelos diretores.

O filme como não poderia deixar de ser termina em um grande tiroteio em que não escapam nem o padre e nem os moradores pacíficos do lugar. Um acerto de contas envolvendo toda a cidade. Era o usual nesse tipo de filme. De bom mesmo temos a trilha sonora de Ennio Morricone – sempre bem realizada, a ponto inclusive de ser lançada em disco de sucesso na época. Aqui no Brasil o filme teve vários títulos diferentes que iam do original “Ringo Retorna” até “Uma Pistola Para Ringo” (esse último inclusive também foi usado em uma outra produção que nada tinha a ver com essa). De qualquer modo é um exemplo do que o cinema italiano realizava na década de 60 – muita ação, balas e diversão com os atores italianos posando de americanos da fronteira no velho oeste daquele país.

Ringo Não Discute... Mata! / O Retorno de Ringo / Uma Pistola Para Ringo (Il Ritorno di Ringo, Itália, Espanha, 1965) Direção: Duccio Tessari / Roteiro: Duccio Tessari, Fernando Di Leo e Alfonso Balcázar / Elenco: Giuliano Gemma, Fernando Sancho, Lorella De Luca, George Martin, Nieves Navarro / Sinopse: Em busca de vingança um veterano do exército da União volta para sua cidade natal para liquidar os assassinos de seu pai. Disfarçado de pobre jardineiro ele começa a colocar em prática seu plano de vingança.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Corações Solitários

Corações Solitários 
Esse filme também é conhecido como "Corações Solitários". Na história um Jovem jornalista desempregado chamado Adam White (Montgomery Clift) aceita trabalhar em um jornal escrevendo a coluna "Corações Solitários". Nela leitores pedem conselhos sentimentais. Inicialmente o jornalista pensa ser tudo uma bobagem, sem maior importância para sua carreira, mas conforme vai se envolvendo nas histórias acaba descobrindo os dramas pessoais de cada pessoa que lhe escreve. Como se já não bastasse os problemas profissionais ele ainda tem que lidar com sua noiva (Dolores Hart) que está perdendo a paciência com sua indefinição, pois ela quer se casar logo, mas ele vacila sobre essa decisão.

O argumento desse filme é muito interessante. Existe um subtexto envolvendo o personagem de Clift, um jovem idealista, com seu editor, um sujeito cínico e descrente com a humanidade em geral, que rende ótimos diálogos. Em um deles, impagável, o editor diz a Clift o seguinte: "Não se engane, as pessoas em geral são animais, não existe bondade no mundo". A tese de um e do outro acabará sendo testada justamente nos leitores da coluna "Corações Solitários" - inclusive no personagem de uma dona de casa insatisfeita, casada com um homem impotente.

Como facilmente se percebe, o texto que foi baseado em uma famosa peça da época, é forte, tratando de temas polêmicos. Clift novamente dá show com seu personagem, um jornalista bom e decente que tenta driblar inclusive seu passado nebuloso (que acabará voltando à tona para lhe assombrar). Outro destaque é a presença da starlet Dolores Hart. Ela ficou famosa por aparecer em um filme com Elvis Presley chamado "A Mulher Que eu Amo" (Loving You). Sua história é bem curiosa, pois pouco tempo depois ela largaria a carreira e o cinema para virar uma freira católica em sua cidade natal. Ela ainda está viva e hoje é uma irmã beneditina de um mosteiro americano. Em suma, "Corações Solitários" tem excelente elenco, inteligente roteiro e um final aberto que nos deixa a seguinte pergunta: Afinal quem tinha razão, o editor ou o jornalista? Assista para responder.

Por um Pouco de Amor / Corações Solitários (Lonelyhearts, Estados Unidos, 1958) Direção: Vincent J. Donehue / Rioteiro: Dore Schary, baseado na peça de Howard Teichmann / Elenco: Montgomery Clift, Myrna Loy, Maureen Stapleton, Robert Ryan / Sinopse: Adam White (Montgomery Clift) é um jovem jornalista escritor que aceita o convite para escrever uma coluna sentimental no jornal de sua cidade. No começo ele não leva muito à sério a nova função, mas aos poucos vai descobrindo os dramas reais de pessoas sofrendo com inúmeros problemas emocionais. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz coadjuvante (Maureen Stapleton).

Pablo Aluísio.