segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Ursus

Título no Brasil: Urdus
Título Original: Ursus (também lançado internacionalmente como Mighty Ursus e, na televisão americana, como Ursus, Son of Hercules)
Ano de Lançamento: 1961
País: Itália e Espanha
Estúdio: Cine Italia Film e Atenea Films
Direção: Carlo Campogalliani
Roteiro: Giuseppe Mangione, Giuliano Carnimeo e Sergio Sollima
Elenco: Ed Fury, Moira Orfei, Cristina Gaioni, María Luisa Merlo, Mario Scaccia, Luis Prendes e Soledad Miranda. O filme foi o primeiro da série cinematográfica dedicada ao herói Ursus.

Sinopse:
Após anos lutando em uma guerra distante, o poderoso Ursus finalmente retorna à sua terra natal com o desejo de casar-se com sua noiva, Attea. No entanto, ao chegar, descobre que ela foi sequestrada por uma misteriosa seita liderada por uma rainha cruel que realiza sacrifícios humanos em honra à sua divindade. Determinado a resgatá-la, Ursus inicia uma perigosa jornada ao lado de Doreide, uma jovem escrava cega que demonstra grande coragem e lealdade. Durante a missão, o herói enfrenta mercenários, sacerdotes fanáticos, desertos, armadilhas e um império governado pelo medo. Ao descobrir que a conspiração é muito maior do que imaginava, Ursus lidera uma revolta dos escravos contra a tirania da rainha. O clímax acontece em uma arena, onde o herói enfrenta um gigantesco touro em uma das cenas mais lembradas do cinema peplum, antes de conduzir o ataque final contra os opressores.

Comentários:
Lançado em 1961, Ursus foi um dos filmes responsáveis por consolidar o enorme sucesso do gênero peplum — conhecido como "espada e sandália" — que dominou o cinema italiano no início da década de 1960. Embora não tenha alcançado a mesma popularidade internacional dos filmes estrelados por Steve Reeves, a produção foi bem recebida pelo público apreciador do gênero graças à presença física impressionante de Ed Fury e ao ritmo constante de aventura. A crítica da época tratou o filme como entretenimento popular, destacando principalmente as sequências de ação e a direção segura de Carlo Campogalliani. O roteiro, que contou com a colaboração do futuro diretor Sergio Sollima, foi elogiado por oferecer uma narrativa mais dinâmica do que a média das produções mitológicas de baixo orçamento. A fotografia de Eloy Mella valorizou as paisagens espanholas utilizadas como cenário da Antiguidade, enquanto a trilha sonora de Roman Vlad ajudou a criar a atmosfera épica. Os críticos também chamaram atenção para a presença de uma jovem Soledad Miranda, que anos depois se tornaria um dos grandes nomes cult do cinema fantástico europeu.

Com o passar das décadas, Ursus ganhou reconhecimento como um dos títulos mais representativos do auge do cinema peplum. Historiadores do cinema observam que seu sucesso deu origem a uma série de aventuras protagonizadas pelo personagem, incluindo Ursus na Vale dos Leões e Ursus na Terra de Fogo. O filme passou a ser bastante valorizado por colecionadores e admiradores do cinema italiano clássico, especialmente por preservar todas as características do gênero: heróis de força extraordinária, vilões extravagantes, rainhas perversas, batalhas, cenários grandiosos e confrontos espetaculares. Em retrospectivas publicadas por revistas especializadas, Ed Fury costuma ser lembrado como um dos grandes astros do ciclo dos filmes mitológicos, mesmo sem atingir a fama de Steve Reeves ou Reg Park. Atualmente, Ursus é considerado um clássico cult entre os fãs de aventuras históricas, sendo frequentemente exibido em mostras dedicadas ao cinema italiano e reconhecido como uma obra importante para compreender a evolução do gênero "espada e sandália" durante a Era de Ouro do cinema popular europeu.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Ursus na Terra de Fogo

Título no Brasil: Ursus na Terra de Fogo
Título Original: Ursus nella terra di fuoco
Título Internacional: Ursus in the Land of Fire
Ano de Lançamento: 1963
País: Itália
Estúdio: Cine Italia Film
Direção: Giorgio Simonelli
Roteiro: Arpad DeRiso, Nino Stresa e Giorgio Simonelli
Elenco: Reg Park, Ettore Manni, Mimmo Palmara, Maria Perschy, Luciana Gilli e Alberto Lupo.

Sinopse:
Em uma época lendária, o reino de Thessalia vive sob a ameaça constante do tirânico General Milo, que pretende conquistar os povos vizinhos por meio da força. Durante uma campanha militar, o herói Ursus, famoso por sua força extraordinária e por seu senso de justiça, retorna para defender o reino e libertar a princesa Diana, mantida prisioneira pelos invasores. Enquanto enfrenta exércitos, traições e conspirações políticas, Ursus também precisa atravessar uma região conhecida como "Terra de Fogo", marcada por vulcões ativos, rios de lava e perigos naturais que tornam a missão ainda mais difícil. Com sua coragem e força sobre-humana, ele lidera a resistência contra os usurpadores, enfrentando sucessivos desafios até o confronto final pelo destino do reino. O filme segue a tradição dos épicos italianos de espada e sandália (peplum), combinando aventura, romance e grandes demonstrações de heroísmo.

Comentários:
Lançado em 1963, Ursus na Terra de Fogo pertence ao período áureo do cinema peplum italiano, gênero que dominou as produções de aventura na Itália entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1960. Embora não tenha alcançado a notoriedade internacional de títulos estrelados por Steve Reeves, o filme recebeu avaliações positivas da crítica especializada em cinema de aventura por seu ritmo ágil e pela presença carismática de Reg Park, um dos mais famosos fisiculturistas da época e tricampeão do concurso Mr. Universe. Revistas italianas dedicadas ao cinema popular elogiaram a direção de Giorgio Simonelli por explorar ao máximo os cenários naturais e os efeitos especiais artesanais utilizados para representar erupções vulcânicas e rios de lava. Críticos também destacaram a trilha sonora de Carlo Franci e a fotografia colorida, que contribuíram para criar uma atmosfera épica mesmo com um orçamento modesto. Nos Estados Unidos, onde foi lançado em circuitos de cinema de bairro e sessões duplas, o filme recebeu pouca atenção da grande imprensa, mas foi bem acolhido pelos admiradores dos filmes de aventura mitológica.

Com o passar das décadas, Ursus na Terra de Fogo conquistou status de clássico cult entre os fãs do gênero peplum. Historiadores do cinema reconhecem que a série de filmes de Ursus ajudou a popularizar os heróis musculosos que dominaram o cinema italiano antes da ascensão dos westerns spaghetti. Em retrospectivas publicadas por revistas especializadas como Video Watchdog e Filmfax, a produção é frequentemente lembrada pelo desempenho físico impressionante de Reg Park, cuja presença influenciou jovens fisiculturistas, entre eles Arnold Schwarzenegger, que sempre citou Park como uma de suas maiores inspirações. Os fãs também elogiam as cenas de batalha, os figurinos coloridos e o clima de fantasia heroica característico do período. Embora alguns efeitos especiais pareçam simples para os padrões atuais, eles são vistos com simpatia por representar a criatividade do cinema italiano de baixo orçamento. Hoje, Ursus na Terra de Fogo continua sendo considerado um dos títulos mais divertidos da franquia Ursus e uma obra representativa da fase final dos grandes épicos de espada e sandália produzidos na Itália antes da mudança de preferência do público para outros gêneros cinematográficos.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

domingo, 16 de agosto de 2026

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band 
Lançado em 26 de maio de 1967, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi o oitavo álbum de estúdio dos The Beatles e um dos discos mais importantes da história da música popular. Gravado ao longo de vários meses nos estúdios Abbey Road, em Londres, o álbum representou uma transformação radical na maneira como um disco poderia ser concebido. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, trabalhando ao lado do produtor George Martin, utilizaram técnicas de gravação extremamente inovadoras para a época. A banda abandonou definitivamente a obrigação de reproduzir suas músicas nos palcos e passou a tratar o estúdio como um verdadeiro instrumento musical. O resultado incorporou rock, psicodelia, música indiana, música clássica, music hall e experimentação eletrônica. A famosa capa, criada por Peter Blake e Jann Haworth, também se tornou uma das imagens mais famosas da cultura popular. Sgt. Pepper transformou o conceito de álbum de rock e marcou profundamente o cenário cultural de 1967.

A reação da crítica foi extraordinária, embora algumas avaliações iniciais tenham sido cautelosas diante de tamanha novidade. A Billboard destacou a criatividade do álbum e sua produção "revolucionária", reconhecendo que os Beatles haviam levado a música popular a um território até então pouco explorado. A New Musical Express publicou uma avaliação entusiasmada, tratando o disco como uma demonstração da extraordinária capacidade criativa do grupo. A Melody Maker também ressaltou a qualidade das composições e a inovação dos arranjos. Nos Estados Unidos, a Rolling Stone ainda não existia quando o álbum foi lançado — a revista seria fundada apenas em novembro de 1967 —, mas posteriormente passou a considerar Sgt. Pepper uma referência absoluta na história do rock. O crítico Jon Landau e outros jornalistas da época reconheceram que os Beatles haviam ultrapassado a ideia tradicional de um grupo de rock para se transformarem em artistas de estúdio.

A imprensa generalista também percebeu imediatamente que havia algo excepcional naquele lançamento. O The New York Times publicou uma análise extremamente favorável, descrevendo Sgt. Pepper como uma obra que demonstrava a crescente sofisticação da música popular. O crítico musical William Mann, do The Times, já havia chamado atenção desde 1963 para a sofisticação harmônica dos Beatles, e a evolução observada em Sgt. Pepper confirmou aquelas primeiras impressões. A The New Yorker também acompanhou a transformação cultural provocada pelo grupo, reconhecendo que os Beatles haviam se tornado protagonistas de uma mudança muito maior do que simplesmente musical. Entre os aspectos mais admirados estavam "A Day in the Life", "Lucy in the Sky with Diamonds", "With a Little Help from My Friends" e "Within You Without You". A avaliação retrospectiva tornou-se ainda mais impressionante: críticos passaram a considerar o álbum um dos exemplos definitivos de como o estúdio poderia ser utilizado para ampliar as possibilidades criativas da música popular.

Comercialmente, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi um fenômeno mundial. No Reino Unido, chegou imediatamente ao primeiro lugar da UK Albums Chart e permaneceu no topo durante 27 semanas, tornando-se um dos maiores sucessos da história da indústria fonográfica britânica. Nos Estados Unidos, também alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, permanecendo no topo por 15 semanas. O álbum vendeu milhões de cópias em todo o mundo e recebeu múltiplas certificações de platina. Apesar de não ter sido lançado inicialmente como um álbum de singles, músicas como "With a Little Help from My Friends" e "Lucy in the Sky with Diamonds" tornaram-se mundialmente conhecidas. A influência comercial do disco foi acompanhada por um enorme impacto cultural: praticamente todos os elementos do lançamento — capa, conceito, produção e repertório — transformaram-se em referências da cultura popular. O sucesso de Sgt. Pepper demonstrou definitivamente que um álbum poderia ser simultaneamente um fenômeno comercial e uma obra de arte.

O legado de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band é monumental. O disco é frequentemente classificado entre os maiores álbuns de todos os tempos e, durante décadas, ocupou o primeiro lugar em diversas listas de especialistas. Sua influência alcançou o rock progressivo, a psicodelia, o art rock, o pop e inúmeras outras vertentes da música popular. O álbum também ajudou a estabelecer a ideia de que o LP poderia possuir uma importância artística comparável à de outras formas de expressão cultural. Para os fãs dos Beatles, representa o momento em que o grupo atingiu uma liberdade criativa praticamente ilimitada. "A Day in the Life" permanece como uma das composições mais ambiciosas da carreira dos Beatles, enquanto a capa continua sendo uma das mais reconhecidas da história da música. Mais de cinco décadas depois, Sgt. Pepper continua sendo estudado, ouvido e redescoberto por novas gerações, permanecendo como um dos grandes marcos da história do século XX.

The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
With a Little Help from My Friends
Lucy in the Sky with Diamonds
Getting Better
Fixing a Hole
She's Leaving Home
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Within You Without You
When I'm Sixty-Four
Lovely Rita
Good Morning Good Morning
Sgt. Pepper's Lonely Hearts

Pablo Aluísio. 

sábado, 15 de agosto de 2026

Elvis Presley - Loving You

Elvis Presley - Loving You 
Lançado em 1º de julho de 1957, Loving You foi o primeiro álbum de trilha sonora de Elvis Presley e o seu terceiro álbum de estúdio, ocupando uma posição importante na consolidação de sua carreira cinematográfica. O disco funcionou como trilha sonora do filme Loving You, lançado naquele mesmo mês, e reuniu gravações realizadas principalmente nos estúdios da Paramount e da Radio Recorders, em Hollywood. O álbum representava uma etapa decisiva na carreira de Elvis: depois do impacto revolucionário de seus primeiros singles e de Elvis, de 1956, ele começava a transformar sua popularidade musical em um fenômeno também cinematográfico. O repertório combinava rock and roll, country, baladas e números mais próximos do pop tradicional, permitindo que Presley mostrasse diferentes aspectos de sua personalidade artística. A faixa-título, "Loving You", tornou-se um de seus grandes sucessos daquele período, enquanto "Mean Woman Blues" e "Teddy Bear" reforçaram sua capacidade de alternar entre energia roqueira e romantismo. Loving You também é importante por documentar Elvis no momento exato em que ele deixava de ser apenas uma sensação musical para se transformar em um dos maiores astros populares dos Estados Unidos.

A recepção crítica foi geralmente positiva, especialmente entre as publicações voltadas à indústria fonográfica. A Billboard destacou a força comercial do material e a capacidade de Elvis de transitar entre diferentes estilos, observando que o cantor continuava demonstrando "um extraordinário domínio sobre o mercado juvenil". A Cash Box elogiou a variedade do repertório e apontou "Teddy Bear" como uma das faixas mais acessíveis e comerciais do conjunto. A crítica também observou que Elvis estava começando a desenvolver uma relação mais complexa com o cinema: suas músicas precisavam funcionar dentro da narrativa de um filme, mas continuavam sendo lançadas como produtos independentes nas lojas de discos. A Variety avaliou positivamente a trilha sonora e destacou a presença de Presley como o principal elemento de atração do filme. Para os críticos da época, Loving You confirmava que o sucesso de Elvis não era um fenômeno passageiro, mas uma transformação profunda da indústria do entretenimento.

A imprensa também percebeu que o disco representava uma nova etapa na carreira do cantor. O The New York Times observou que Elvis havia conseguido levar sua popularidade musical para o cinema sem perder completamente a energia que o havia tornado famoso. O Los Angeles Times, por sua vez, chamou atenção para a combinação entre o carisma cinematográfico de Presley e sua capacidade de sustentar um repertório musical variado. A imprensa especializada também destacou a importância de "Teddy Bear", uma balada pop que mostrou que Elvis poderia alcançar públicos muito além dos admiradores tradicionais do rock and roll. A crítica posterior passou a avaliar o álbum dentro do contexto da primeira fase cinematográfica do cantor, reconhecendo que, apesar de sua natureza ligada ao filme, Loving You contém algumas gravações fundamentais de seu repertório de 1957. Especialistas também valorizam a energia das sessões de gravação, nas quais Elvis trabalhou com músicos como Scotty Moore, Bill Black e D. J. Fontana, responsáveis por parte essencial da sonoridade de seus primeiros anos.

Comercialmente, Loving You foi um enorme sucesso. O álbum alcançou o primeiro lugar da parada de álbuns da Billboard, tornando-se mais um LP de Elvis a chegar ao topo da parada americana. O sucesso foi ainda mais impressionante porque ocorreu quando o cantor tinha apenas 22 anos e estava no auge da transformação cultural provocada pelo rock and roll. O single "Teddy Bear" também chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100, permanecendo no topo por sete semanas. "Loving You" também teve excelente desempenho e chegou ao Top 30. O álbum recebeu posteriormente certificação de ouro pela RIAA, comprovando vendas superiores a 500 mil cópias nos Estados Unidos. O desempenho de Loving You confirmou que Elvis possuía uma capacidade extraordinária de transformar praticamente qualquer lançamento em um fenômeno comercial e mostrou à indústria cinematográfica que seus filmes poderiam funcionar também como grandes veículos para sua música.

O legado de Loving You permanece profundamente ligado ao período em que Elvis Presley consolidou sua posição como o maior astro jovem da música americana. Para os historiadores do rock, o álbum registra uma fase em que sua carreira ainda mantinha grande parte da energia rebelde dos primeiros anos, antes que Hollywood passasse a exercer influência cada vez maior sobre seu repertório. Para os fãs, o disco é especialmente importante por reunir gravações de 1957 que mostram Elvis em excelente forma vocal e interpretativa. "Teddy Bear" permanece como uma de suas baladas mais populares, enquanto "Mean Woman Blues" demonstra que o cantor ainda dominava o rock and roll com enorme força. Embora posteriormente Elvis tenha produzido álbuns artisticamente mais sofisticados, Loving You conserva uma importância histórica enorme por representar o primeiro grande encontro entre sua carreira musical e cinematográfica. Mais de seis décadas depois, continua sendo um dos registros essenciais do período clássico do Rei do Rock.

Elvis Presley - Loving You (1957)
Mean Woman Blues
(Let Me Be Your) Teddy Bear
Loving You
Got a Lot o' Livin' to Do!
Lonesome Cowboy
Hot Dog
Party
Blueberry Hill
True Love
Don't Leave Me Now
Have I Told You Lately That I Love You?
I Need You So

Pablo Aluísio. 

The Doors - Strange Days

The Doors - Strange Days
Lançado em 25 de setembro de 1967, Strange Days foi o segundo álbum de estúdio do The Doors e consolidou a reputação do grupo como uma das forças mais originais e provocadoras da psicodelia americana. Gravado após o enorme impacto do álbum de estreia, o disco aprofundou a atmosfera sombria, sensual e experimental que havia caracterizado o primeiro trabalho. Jim Morrison, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore utilizaram o estúdio de maneira mais sofisticada, incorporando efeitos eletrônicos, novas técnicas de gravação e uma produção muito mais elaborada. Canções como "Strange Days", "People Are Strange", "Love Me Two Times" e "When the Music's Over" demonstravam que a banda não pretendia simplesmente repetir a fórmula de seu primeiro álbum. O resultado foi uma obra mais experimental e inquietante, refletindo perfeitamente o ambiente cultural de 1967, marcado pela contracultura, pela psicodelia e pelas profundas transformações sociais. Strange Days também revelou um grupo disposto a explorar os limites entre rock, poesia, jazz, blues e música psicodélica.

A recepção crítica foi bastante positiva, embora alguns jornalistas tenham considerado o álbum menos imediatamente acessível que o disco de estreia. A Billboard destacou a "atmosfera hipnótica" do trabalho e elogiou especialmente a combinação entre a voz de Morrison e os teclados de Manzarek. A Cash Box observou que o grupo continuava demonstrando uma personalidade musical incomum, destacando a força de "People Are Strange". A Rolling Stone, em sua avaliação do período, reconheceu a originalidade da banda e a qualidade das composições, embora observasse que o material possuía uma natureza mais experimental. A publicação destacou particularmente a capacidade de Morrison de combinar poesia, teatralidade e música popular. No Reino Unido, a New Musical Express também chamou atenção para a personalidade singular do grupo, especialmente para a maneira como os Doors construíam uma atmosfera musical que parecia simultaneamente ameaçadora e sedutora.

Os grandes jornais e revistas culturais também se interessaram pelo fenômeno Doors. O The New York Times destacou a intensidade da performance vocal de Morrison e a originalidade dos arranjos, observando que o grupo estava entre os nomes mais interessantes da nova geração do rock americano. O Los Angeles Times ressaltou a importância da combinação entre os instrumentos da banda, especialmente o uso do órgão e do teclado de Manzarek para criar uma sonoridade que não dependia de um baixo elétrico convencional. A The New Yorker, em retrospectivas posteriores sobre o rock dos anos 1960, destacou Strange Days como um retrato particularmente expressivo da atmosfera psicodélica de Los Angeles naquele período. A crítica posterior tornou-se ainda mais entusiasmada, com especialistas apontando "When the Music's Over" como uma das grandes experiências psicodélicas do rock. A crescente valorização do álbum ajudou a transformá-lo de um bom sucessor do primeiro disco em um clássico independente da música dos anos 1960.

Comercialmente, Strange Days teve desempenho expressivo, embora não tenha repetido exatamente o impacto de seu antecessor. O álbum alcançou a 3ª posição na Billboard 200, permanecendo por várias semanas entre os discos mais vendidos dos Estados Unidos. No Reino Unido, chegou à 7ª posição, demonstrando que o grupo começava a conquistar também o mercado europeu. O single "People Are Strange" alcançou o 12º lugar na Billboard Hot 100, enquanto "Love Me Two Times" também obteve bom desempenho. O álbum acabou recebendo certificação de platina nos Estados Unidos, com vendas superiores a um milhão de cópias. Seu sucesso confirmou que os Doors não eram apenas uma novidade passageira associada à psicodelia de 1967. O público estava disposto a acompanhar a banda em experiências musicais cada vez mais ousadas, preparando o terreno para os trabalhos posteriores que consolidariam definitivamente seu lugar na história do rock.

O legado de Strange Days é hoje enorme. O álbum é considerado por muitos especialistas um dos melhores trabalhos do The Doors e um dos documentos mais importantes da psicodelia americana de 1967. Sua atmosfera sombria, a produção experimental e a combinação entre rock, blues, jazz e poesia continuam influenciando músicos de diferentes gerações. "People Are Strange" tornou-se uma das canções mais reconhecíveis do repertório da banda, enquanto "When the Music's Over" permanece como uma demonstração da capacidade dos Doors de transformar uma canção de rock em uma experiência quase teatral. Para os fãs, o disco representa um dos momentos mais fascinantes da breve carreira do grupo, quando sua criatividade ainda parecia ilimitada. Mais de cinco décadas depois, Strange Days permanece como um clássico essencial do rock psicodélico e uma obra indispensável para compreender a revolução musical ocorrida nos Estados Unidos no final dos anos 1960.

The Doors - Strange Days (1967)
Strange Days
You're Lost Little Girl
Love Me Two Times
Unhappy Girl
Horse Latitudes
Moonlight Drive
People Are Strange
My Eyes Have Seen You
I Can't See Your Face in My Mind
When the Music's Over

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Hora do Silêncio

Título no Brasil: A Hora do Silêncio 
Título Original: The Silent Hour
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Meridian Pictures
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Dan Hall 
Elenco: Joel Kinnaman, Sandra Mae Frank, Mekhi Phifer, Mark Strong, Michael Eklund, Anthony Grant

Sinopse:
Frank Shaw (Joel Kinnaman) é um policial que sofre um sério acidente durante uma perseguição a um criminoso e perde a capacidade de ouvir. Ainda assim continua na corporação e acaba se envolvendo sem querer numa extensa rede criminosa com policiais corruptos. Esses querem eliminar uma testemunha de um de seus crimes, mas Frank vai fazer de tudo para proteger a jovem, que também tem deficiência auditiva. 

Comentários:
Não faz muito tempo assisti a um filme com o ator Joel Kinnaman em que ele interpretava um policial que perdia a capacidade de falar. Aqui temos quase a mesma coisa. A mudança mais significativa é que nesse filme ele interpreta um policial que está ficando surto após ser atropelado durante uma perseguição a um bandido. A trama se desenvolve praticamente toda dentro de um prédio condenado. Uma jovem surda mora ali e testemunhou um grupo de policiais extorquindo e matando uma pessoa indefesa. Agora eles querem fazer a limpeza de arquivo, mas o personagem de Kinnaman vai tentar proteger a moça. É um roteiro que explora ao máximo aquela situação de gato em perseguição ao rato, só que aqui o rato é o mocinho da história. Gostei do filme. Os roteiristas tiveram competência suficiente para criar situações em que o espectador fica realmente interessado no que vai acontecer na próxima cena. Nos tempos atuais isso já é mais do que satisfatório. 
 
Pablo Aluísio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Supergirl

Título no Brasil: Supergirl
Título Original: Supergirl
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: DC Studios
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, David Corens, Eve Ridley, Emily Pickford, Bruce Lennox

Sinopse:
A jovem Kara Zor-El vive em um planeta distante. Para afogar as mágoas e os traumas de seu passado complicado, ela se tornou uma garota festeira, que não perde uma balada. O problema é que assim vive de ressaca, indo de festa em festa, sem pensar muito em seu futuro. E as coisas vão se complicar muito, principalmente depois que ela cruzar o caminho de um grupo de criminosos espaciais, os bandoleiros. 

Comentários:
Esse filme é um erro desde o começo. A Supergirl é uma tralha dos quadrinhos, criada lá no final dos anos 1950. As vendas andavam em baixa, então inventaram que o Superman tinha uma prima e um cachorro chamado Kripton que também tinha super poderes e tudo mais. Pura vigarice comercial! E ela nunca teve um grande momento no mundo dos quadrinhos. Então fazer um filme com essa personagem, ainda mais nessa tentativa da DC de levantar sua marca no mundo do cinema, realmente não passou de uma grande estupidez por parte dos executivos. O resultado foi uma bilheteria bem ruim. Pior do que isso, o filme é igualmente ruim. Sem ter uma boa fonte para trazer boas ideias para as telas, os roteiristas escreveram uma história muito fraca, que não vai para lugar nenhum. Os vilões são copiados do universo de Mad Max e o tal de Lobo, que deveria ser um destaque, no fundo não serve pra nada. O filme é isso, um blockbuster naufragado, flopado, que no final das contas também não serve para nada. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A Vida e as Mortes de Christopher Lee

Título no Brasil: A Vida e as Mortes de Christopher Lee 
Título Original: The Life and Deaths of Christopher Lee
Ano de Lançamento: 2024
País: Reino Unido
Estúdio: Trigger Films
Direção: Jon Spira
Roteiro: Jon Spira
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price, Peter Jackson, John Landis, Joe Dante, George Lucas (em arquivos de imagens). 

Sinopse:
Documentário que se propõe a contar a história de vida e a carreira do ator britânico Christopher Lee. Filho de uma família proveniente da aristocracia inglesa, ele ousou recusar o destino que havia sido traçado por seu pais, a de ser diplomata, para se tornar um ator de teatro e cinema, se tornando, nesse processo, uma das figuras mais famosas e queridas da cultura pop. 

Comentários:
Esse documentário é ótimo! Tem um carinho enorme pelo Christopher Lee, um dos nomes mais presentes em filmes clássicos de terror, que não parou por aí, pois já idoso conseguiu ter um novo auge em sua carreira quando entrou para duas das mais populares franquias do cinema: O Senhor dos Anéis e Star Wars. E sua história pessoal conseguiu ser até mesmo mais interessante do que seus vários filmes. Nesse documentário descobrimos, por exemplo, que Christopher Lee foi agente secreto inglês durante a Segunda Guerra Mundial! Quem poderia imaginar algo assim? Também era um aristrocrata, de uma das famílias mais tradicionais da Inglaterra. Seu avô havia sido um Conde! Imagine que coisa mais surpreendente! Teve uma educação refinada, estudando nos melhores colégios de Londres, mas colocou tudo isso de lado para realizar o seu sonho de ser um ator! Melhor para os cinéfilos que receberam o melhor de seu talento nas salas de cinemas por décadas! Ele merece mesmo todos os nossos aplausos por sua incrível trajetória de vida e principalmente por carreira de amor à arte da interpretação! 

Pablo Aluísio.

Resident Evil 3: A Extinção

Título no Brasil: Resident Evil 3: A Extinção
Título Original: Resident Evil: Extinction
Ano de Lançamento: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Constantin Film
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Oded Fehr, Ian Glen, Ashanti

Sinopse:
Em um mundo devastado e sem esperanças, um grupo de sobreviventes caminha em uma jornada que parece não ter fim pelo deserto. Todos parecem estar condenados pelas areias do tempo e pelo sol escaldante. E para piorar essa situação já tão desesperadora, eles passam a ser atacados por zumbis sedentos por cérebros humanos! 

Comentários:
Sendo bem sincero e colocando todas as cartas sobre a mesa devo confessar que nunca fui fã dessa franquia "Resident Evil". Admito que ela trouxe todo um revival do nicho dos mortos-vivos, mas não tenho qualquer receio de dizer que isso foi mais negativo do que positivo para o cinema de terror. Aliás Resident Evil sequer pode ser considerado um filme puro sangue de terror, aqui usando a palavra no sentido mais estrito do gênero. Está mais para um filme Sci-fi com zumbis. E não ajuda muito o fato de que não existe nenhuma grande diferença no roteiro dos diversos filmes lançados. Esse aqui até tenta ser um pouquinho diferente, roubando ideias inclusive de outras franquias como "Mad Max", mas sem resultados satisfatórios. Enfim, assisti uma vez e... nunca mais desejo rever!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Rifles Apaches

Rifles Apaches
A colonização rumo ao oeste dos Estados Unidos foi violenta e repleta de situações de guerra envolvendo os soldados da cavalaria do exército (conhecidos como casacas azuis) e os nativos, tribos e nações indígenas que lutavam por suas terras. Alguns tratados de paz foram celebrados, mas também rompidos, tanto por um lado como pelo outro. A história desse faroeste se passa justamente nesse período histórico marcante dos Estados Unidos, quando brancos e índios entraram em confronto direto, resultando muitas mortes no meio do deserto escaldante do velho oeste.

A história desse filme se passa em 1879, no território do Arizona. Um grupo de guerreiros apaches rompem o tratado de paz, deixam sua reserva e partem em luta contra os soldados do exército. O Capitão Jeff Stanton (Audie Murphy) é designado pelo alto comando para liderar uma unidade da cavalaria para localizar, combater e capturar os Apaches rebeldes. E no meio de todo esse clima de confronto ainda surgem mineradores mal intencionados que desejam roubar os metais preciosos nessas mesmas terras de conflito. Bom filme de western, contando com Audie Murphy, veterano da II Guerra Mundial, que se tornou ator bem popular de filmes de faroeste da época, inclusive no Brasil.

Rifles Apaches (Apache Rifles, Estados Unidos, 1964) Direção: William Witney / Roteiro: Charles Smith, Kenneth Gamet / Elenco: Audie Murphy, Michael Dante, Linda Lawson / Sinopse: Capitão da cavalaria do exército dos Estados Unidos recebe ordens para combater e aprisionar um grupo de violentos guerreiros Apaches que deixaram a reserva onde viviam para partir em uma campanha de vingança contra os homens brancos que invadiram suas terras ancestrais.

Pablo Aluísio.