terça-feira, 28 de julho de 2026

Avatar: O Caminho da Água

Avatar: O Caminho da Água
Avatar: O Caminho da Água estreou mundialmente em 16 de dezembro de 2022, marcando o aguardado retorno do diretor James Cameron ao universo de Pandora, treze anos após o lançamento do primeiro Avatar (2009). Produzido pela 20th Century Studios em parceria com a Lightstorm Entertainment, o filme representou um dos projetos mais ambiciosos da história do cinema, utilizando tecnologias inéditas de captura de movimento subaquática e efeitos visuais de última geração, desenvolvidos ao longo de vários anos. O elenco principal reuniu o retorno de Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Joel David Moore, CCH Pounder e Giovanni Ribisi, além da entrada de Kate Winslet, Cliff Curtis, Edie Falco, Jemaine Clement e Brendan Cowell. Cameron passou mais de uma década aperfeiçoando o roteiro e planejando simultaneamente diversas continuações, transformando a produção em um enorme empreendimento técnico e artístico. A história acompanha Jake Sully e Neytiri vivendo com seus filhos nas florestas de Pandora até que o retorno do coronel Quaritch, agora em um corpo Na'vi recombinante, obriga a família a fugir para os oceanos do planeta. Refugiados entre o povo Metkayina, eles precisam aprender uma nova forma de viver enquanto enfrentam novamente a ameaça da exploração humana, em uma aventura que mistura ação, drama familiar, preservação ambiental e espetaculares batalhas marítimas.

A recepção da crítica norte-americana foi amplamente positiva, embora alguns veículos tenham ressaltado que a narrativa era menos inovadora do que a tecnologia empregada na produção. O The New York Times elogiou a grandiosidade visual do filme, afirmando que James Cameron havia criado "um espetáculo de rara beleza que redefine novamente o cinema de grande escala". A Variety destacou que o diretor "continua sendo o maior cineasta de espetáculos do planeta", enfatizando a impressionante construção do universo aquático de Pandora. O Los Angeles Times escreveu que a experiência era "deslumbrante do começo ao fim", mesmo observando que a história seguia uma estrutura relativamente convencional. Já a revista Premiere considerou que Cameron havia elevado os padrões da produção digital contemporânea, enquanto críticas publicadas na The New Yorker reconheceram a excelência técnica, embora apontassem que o longa dedicava muito tempo à contemplação visual em detrimento do desenvolvimento dramático. No geral, predominou a percepção de que Avatar: O Caminho da Água representava um marco tecnológico capaz de justificar plenamente sua longa espera.

Na Europa, a recepção foi igualmente bastante favorável. No Reino Unido, jornais como The Guardian, The Daily Telegraph e The Times elogiaram a monumental direção de James Cameron e a experiência proporcionada nas salas IMAX e em 3D. O The Guardian descreveu a obra como "um triunfo visual extraordinário", enquanto o The Daily Telegraph afirmou que Cameron permanecia "o mestre absoluto do blockbuster moderno". Na França, veículos como Le Monde, Le Figaro e Cahiers du Cinéma destacaram especialmente o refinamento artístico das imagens submarinas e a ambição da produção, ainda que alguns críticos franceses observassem que o roteiro seguia caminhos previsíveis. O filme recebeu diversas indicações importantes durante a temporada de premiações, incluindo quatro indicações ao Oscar, vencendo o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. Também foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor para James Cameron, além de conquistar várias indicações ao BAFTA e a importantes premiações técnicas da indústria cinematográfica.

Com um orçamento estimado entre US$ 350 milhões e US$ 460 milhões, Avatar: O Caminho da Água tornou-se uma das produções mais caras da história do cinema. Apesar das dúvidas iniciais sobre sua capacidade de repetir o sucesso do primeiro filme, o longa rapidamente transformou-se em um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos arrecadou aproximadamente US$ 684 milhões, enquanto o mercado internacional respondeu por cerca de US$ 1,64 bilhão, levando sua bilheteria global a ultrapassar US$ 2,32 bilhões. O filme encerrou sua carreira como a terceira maior bilheteria da história do cinema naquele momento, atrás apenas de Avatar e Vingadores: Ultimato. Além do enorme sucesso financeiro, a reação do público foi extremamente positiva, refletida nas excelentes avaliações do CinemaScore, nas altas notas em plataformas de avaliação e na forte permanência nas salas durante várias semanas. O desempenho confirmou que o interesse pelo universo criado por James Cameron permanecia extremamente elevado, garantindo imediatamente a continuidade da franquia.

Por se tratar de uma produção relativamente recente, ainda é cedo para definir completamente seu legado histórico, mas o consenso atual é de que Avatar: O Caminho da Água consolidou novamente James Cameron como um dos maiores realizadores de espetáculos cinematográficos da história. O filme continua sendo frequentemente citado como referência absoluta em efeitos visuais, captura de movimento, fotografia digital e exibição em alta resolução. Muitos analistas consideram que sua influência tecnológica será percebida por muitos anos na indústria cinematográfica, especialmente no desenvolvimento de novas técnicas de filmagem subaquática e de animação digital hiper-realista. Além disso, seu extraordinário desempenho comercial praticamente eliminou qualquer dúvida sobre o potencial de longo prazo da franquia Avatar. As sequências planejadas por Cameron passaram a ser vistas como alguns dos projetos mais aguardados do cinema mundial, demonstrando que Pandora continua exercendo enorme fascínio sobre o público de diferentes gerações.

Avatar: O Caminho da Água (Avatar: The Way of Water, Estados Unidos, 2022) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver, baseado nos personagens criados por James Cameron / Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet e Cliff Curtis. / Sinopse: Anos após derrotar a invasão humana, Jake Sully e sua família buscam refúgio entre um clã oceânico de Pandora enquanto enfrentam o retorno de antigos inimigos e lutam para proteger seu novo lar.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Moana

Título no Brasil: Moana
Título Original: Moana
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Thomas Kail
Roteiro: Jared Bush (baseado na animação de 2016)
Elenco: Catherine Lagaʻaia, Dwayne Johnson, John Tui, Frankie Adams, Rena Owen.

Sinopse:
Dez anos após o lançamento da animação original, a Disney levou Moana para o formato live-action, recontando a história da jovem filha do chefe da ilha de Motunui. Escolhida pelo Oceano para restaurar o equilíbrio da natureza, Moana parte em uma perigosa viagem além dos recifes de sua ilha. Em sua jornada, ela reencontra o semideus Maui, que mais uma vez é interpretado por Dwayne Johnson, repetindo o papel que dublou na animação de 2016. Juntos, enfrentam monstros marinhos, tempestades e antigas divindades do Pacífico para devolver o Coração de Te Fiti ao seu lugar de origem. Embora siga de perto a narrativa da animação, o filme amplia diversos momentos dramáticos e utiliza cenários naturais e efeitos visuais para apresentar uma versão mais realista da aventura. Catherine Lagaʻaia, atriz australiana de ascendência samoana, assume o papel de Moana, enquanto Auliʻi Cravalho, voz original da personagem, participa como produtora executiva e interpreta uma nova canção durante os créditos finais.

Comentários:
A versão em live-action de Moana estreou cercada de enorme expectativa, mas dividiu profundamente a crítica americana. Muitos jornalistas elogiaram o compromisso da Disney em escalar um elenco formado majoritariamente por atores das ilhas do Pacífico e destacaram a autenticidade cultural presente na produção. Catherine Lagaʻaia recebeu elogios praticamente unânimes por sua interpretação carismática e por conseguir imprimir personalidade própria à heroína sem tentar imitar Auliʻi Cravalho. Dwayne Johnson também foi apontado como um dos destaques do filme, demonstrando o mesmo carisma que havia marcado sua participação na animação. Entretanto, diversos críticos consideraram que a adaptação acrescentava pouco à obra de 2016. A revista Entertainment Weekly observou que o longa preserva o encanto da história original, mas raramente encontra motivos artísticos para justificar sua existência além da atualização visual. Já a revista People destacou a química entre os protagonistas e o respeito à cultura polinésia como os principais trunfos da produção.

A recepção geral foi significativamente mais fria do que a obtida pela animação original. No Rotten Tomatoes, o filme estreou com avaliações mistas, refletindo uma divisão entre críticos que elogiaram sua produção e aqueles que o consideraram excessivamente dependente do material de origem. O The New York Times observou que a Disney continua produzindo remakes tecnicamente impressionantes, mas nem sempre capazes de reproduzir a magia emocional das animações que lhes deram origem. Analistas também apontaram que o lançamento ocorreu pouco tempo depois do enorme sucesso de Moana 2, fazendo com que parte do público questionasse a necessidade de uma nova versão da mesma história. Apesar das críticas, o filme foi elogiado pela qualidade dos efeitos visuais, pela fotografia das paisagens oceânicas e pela recriação das canções compostas por Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foaʻi e Mark Mancina. Entre os fãs da franquia, muitos destacaram que a produção funciona como uma homenagem respeitosa ao clássico de 2016, ainda que dificilmente substitua o impacto da animação original. Catherine Lagaʻaia foi amplamente reconhecida como a grande revelação do filme e apontada por diversos críticos como uma das jovens atrizes mais promissoras de sua geração.

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Os Intocáveis

Título no Brasil: O Intocáveis
Título Original: The Untouchables
Período de Exibição: 1959 - 1963
País: Estados Unidos
Emissora Original: ABC
Produção: Desilu Productions, CBS Television Film Sales e QM Productions (temporadas finais)
Criador: Quinn Martin
Baseado em: As memórias de Eliot Ness e Oscar Fraley
Elenco: Robert Stack, Abel Fernandez, Nicholas Georgiade, Paul Picerni, Steve London e Bruce Gordon.

Sinopse:
Os Intocáveis dramatiza a atuação do lendário agente federal Eliot Ness durante a Lei Seca nos Estados Unidos, entre o final da década de 1920 e o início dos anos 1930. Liderando um pequeno grupo de agentes incorruptíveis, conhecidos como "Os Intocáveis", Ness trava uma guerra implacável contra o crime organizado, especialmente contra o poderoso chefão Al Capone e seu império do contrabando de bebidas alcoólicas em Chicago. Ao longo de suas quatro temporadas, a série retrata investigações, perseguições, operações secretas e confrontos armados contra mafiosos, contrabandistas, assassinos e políticos corruptos. Embora inspirada em personagens e acontecimentos reais, a produção dramatiza muitos episódios para aumentar a tensão narrativa. Cada capítulo funciona praticamente como uma história independente, explorando diferentes organizações criminosas e mostrando os desafios enfrentados pelos agentes federais em uma das épocas mais violentas da história americana.

Comentários:
Desde sua estreia em 1959, Os Intocáveis tornou-se um dos maiores sucessos da televisão americana. Robert Stack recebeu elogios praticamente unânimes por sua interpretação austera e determinada de Eliot Ness, papel que lhe rendeu o Prêmio Emmy de Melhor Ator em 1960. A revista Variety destacou a produção como uma das séries policiais mais bem realizadas da televisão, elogiando sua fotografia em preto e branco, o ritmo intenso e a atmosfera sombria inspirada no cinema noir. O The New York Times também reconheceu a qualidade da série, especialmente a direção, a narrativa e a atuação de Stack, embora alguns críticos observassem que a violência apresentada era incomum para a televisão da época. A produção ficou famosa por suas cenas de tiroteios, perseguições e execuções, elevando o padrão técnico das séries policiais americanas. Bruce Gordon também foi amplamente elogiado por sua interpretação de Frank Nitti, um dos principais aliados de Al Capone, transformando-se em um dos vilões mais memoráveis da televisão dos anos 1960. Além do Emmy de Robert Stack, a série recebeu diversas indicações a prêmios importantes, consolidando Quinn Martin como um dos grandes produtores da televisão norte-americana.

Apesar do enorme sucesso de audiência, Os Intocáveis também gerou controvérsias. Organizações ítalo-americanas criticaram a série por associar repetidamente personagens de origem italiana ao crime organizado, levando os produtores a reduzir esse tipo de representação nas temporadas seguintes. Ainda assim, o prestígio da produção permaneceu elevado. Em retrospectivas publicadas pela TV Guide, a série é frequentemente incluída entre os maiores dramas policiais da história da televisão americana, sendo considerada pioneira na construção de narrativas policiais adultas e realistas. Muitos críticos modernos observam que seu estilo influenciou diretamente séries posteriores como The F.B.I., Hill Street Blues, Miami Vice e The Sopranos. Entre os fãs, episódios envolvendo Al Capone, Frank Nitti e Ma Barker continuam sendo apontados como alguns dos melhores da televisão da década de 1960. O desempenho de Robert Stack é lembrado como a interpretação definitiva de Eliot Ness, influência evidente no filme Os Intocáveis (1987), dirigido por Brian De Palma e estrelado por Kevin Costner. Hoje, a série permanece como um clássico absoluto do gênero policial, admirada por sua elegância visual, pela tensão dramática e pela contribuição decisiva para a evolução das séries de crime na televisão americana.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

domingo, 26 de julho de 2026

Tarzan e o Leão Sagrado

Capítulo I
O sol ainda surgia por trás das montanhas quando a floresta africana despertava lentamente para mais um dia de vida intensa. Bandos de papagaios riscavam o céu com suas penas coloridas, enquanto macacos saltavam entre as copas das árvores em busca das frutas mais maduras. Rios estreitos serpenteavam pela mata fechada, refletindo a luz dourada da manhã como se fossem espelhos líquidos. Em meio àquela imensidão verde vivia Tarzan, o lendário homem criado pelos grandes símios, cuja força, coragem e respeito pela natureza eram conhecidos por todos os animais e por muitas tribos da região. Seu olhar atento era capaz de perceber qualquer alteração na floresta antes mesmo que o perigo se revelasse. Naquele amanhecer, porém, havia algo diferente no ar. Os pássaros cantavam menos do que o habitual e até os elefantes caminhavam em silêncio. Os predadores pareciam inquietos e os macacos evitavam brincar. Tarzan compreendeu imediatamente que a selva estava tentando lhe dizer alguma coisa. Ela sempre falava com aqueles que sabiam escutá-la.

Poucas horas depois, um jovem guerreiro da tribo M'Baku surgiu correndo pela mata, chamando pelo senhor da floresta. Seu corpo estava coberto de poeira e suor, e seus olhos demonstravam profundo desespero. Assim que encontrou Tarzan, explicou que o grande leão conhecido como Kifaru havia desaparecido de seu território habitual. Para aquela tribo, o majestoso animal não era apenas um leão comum. Durante gerações, seus antepassados acreditavam que o espírito dos antigos chefes protegia a floresta através daquele poderoso felino. Segundo as lendas, enquanto Kifaru permanecesse vivo, as chuvas chegariam no tempo certo, as colheitas seriam fartas e nenhuma doença devastaria o povo. O desaparecimento do leão era visto como um terrível presságio. Os anciãos já iniciavam cerimônias religiosas, temendo que uma grande tragédia estivesse prestes a acontecer.

Tarzan acompanhou o jovem até a aldeia, onde foi recebido com respeito pelo velho chefe M'Goma. O ancião explicou que caçadores brancos haviam sido vistos atravessando o rio dois dias antes, trazendo armas modernas, caminhões e numerosos carregadores. Alguns caçadores falavam francês e diziam vir da Bélgica para organizar uma grande expedição de caça. Não procuravam alimento nem exploravam a floresta em busca de minerais. Seu objetivo era muito mais cruel: desejavam capturar ou matar o enorme leão para vendê-lo como troféu raro a um colecionador europeu extremamente rico. Outros acreditavam que pretendiam levar o animal vivo para um zoológico particular. Nenhuma dessas possibilidades podia ser aceita pela tribo. Para eles, tocar em Kifaru equivalia a desafiar os próprios espíritos da floresta. Tarzan ouviu cada palavra em silêncio, enquanto seu semblante se tornava cada vez mais sério.

Sem perder tempo, o homem-macaco iniciou a busca pelas pegadas deixadas pelos invasores. Sua experiência permitia distinguir marcas quase invisíveis sobre o solo úmido. Ele encontrou rastros de botas pesadas, pneus de caminhões, caixas arrastadas e até marcas profundas deixadas por equipamentos metálicos. Aqueles homens estavam fortemente preparados para uma longa caçada. Também havia pegadas do grande leão, indicando que Kifaru havia passado por ali poucas horas antes. Tarzan percebeu outro detalhe preocupante: manchas de sangue apareciam em algumas folhas esmagadas. O sangue, entretanto, não parecia ser do leão, mas de uma zebra recentemente abatida, provavelmente usada como isca. Os caçadores conheciam seu trabalho e sabiam exatamente como atrair um predador daquele porte. A corrida contra o tempo havia começado.

Ao cair da tarde, Tarzan subiu ao topo de uma gigantesca figueira para observar a região. Dali conseguiu enxergar uma coluna de fumaça elevando-se acima das árvores, distante vários quilômetros dali. Certamente era o acampamento dos caçadores. Enquanto analisava o horizonte, ouviu ao longe um rugido profundo que fez toda a floresta silenciar por alguns instantes. Era Kifaru. O rugido, porém, soava diferente dos outros. Havia dor, cansaço e desafio naquela poderosa voz. Logo em seguida vieram dois estampidos secos de rifle, ecoando entre os vales. Bandos inteiros de aves levantaram voo ao mesmo tempo. Tarzan não esperou mais nenhum segundo. Com um grito que fez os macacos responderem em coro, lançou-se entre os cipós da floresta, desaparecendo na vegetação como uma sombra veloz. A batalha para salvar o leão sagrado finalmente havia começado.

Capítulo II
Tarzan avançava pela floresta com a velocidade de um leopardo, balançando-se entre os cipós enquanto seus olhos percorriam cada detalhe do terreno abaixo. A cada centena de metros surgiam novos sinais da presença dos caçadores: galhos quebrados, latas vazias, pegadas profundas e marcas de pneus onde pequenos veículos haviam atravessado áreas antes intocadas. O cheiro de pólvora também permanecia suspenso no ar, misturado ao odor do combustível derramado pelos caminhões. Macacos, antílopes e búfalos fugiam para regiões mais afastadas, assustados com o barulho constante das máquinas e dos disparos ocasionais. Tarzan percebia que os invasores estavam espantando toda a vida selvagem da região apenas para concentrar seus esforços sobre um único animal. Para ele, aquilo representava um enorme desrespeito à floresta, que sempre oferecia abrigo e alimento aos homens que sabiam viver em equilíbrio. Quanto mais se aproximava do acampamento, maior se tornava sua determinação de impedir aquela caçada antes que fosse tarde demais.

Ao anoitecer, Tarzan alcançou uma elevação rochosa de onde podia observar o acampamento inimigo sem ser percebido. Havia quase vinte homens trabalhando sob a luz de lampiões, organizando caixas de munição, armadilhas de aço, redes reforçadas e rifles de grosso calibre. Dois caminhões estavam estacionados próximos às barracas, enquanto um grande jipe permanecia pronto para partir a qualquer momento. O chefe da expedição era um homem alto, de barba grisalha e chapéu colonial, conhecido entre seus companheiros como Victor Delacroix. Caçador experiente vindo da Bélgica, Delacroix havia construído fama capturando animais raros em diversas regiões da África. Seu orgulho era tão grande quanto sua ambição. Em voz alta, prometia aos homens uma enorme recompensa caso conseguissem levar o lendário leão vivo até a costa. Enquanto observava aquela reunião, Tarzan compreendeu que enfrentaria adversários disciplinados, armados e determinados a cumprir sua missão custasse o que custasse.

Durante a madrugada, Tarzan decidiu agir. Movendo-se em absoluto silêncio, infiltrou-se no acampamento aproveitando a escuridão e o vento que balançava as árvores. Com enorme habilidade, soltou discretamente alguns dos cavalos e cortou as cordas que prendiam várias caixas de suprimentos sobre uma carreta. Em seguida, retirou os ferrolhos de diversas armadilhas metálicas, tornando-as inúteis sem que ninguém percebesse. Também escondeu parte da munição em meio à vegetação e rompeu mangueiras de combustível dos veículos, fazendo com que a gasolina escorresse lentamente pelo solo. Quando um dos vigias ouviu um ruído estranho e apontou sua lanterna para as árvores, Tarzan já havia desaparecido entre os galhos, confundindo-se com as sombras da mata. Os caçadores passaram o restante da noite tentando entender por que tantos equipamentos estavam falhando ao mesmo tempo, acreditando que algum sabotador desconhecido rondava o acampamento.

Enquanto isso, Kifaru vagava sozinho por uma região de colinas cobertas por capim alto. O velho leão era enorme, com uma juba escura marcada por cicatrizes acumuladas ao longo de muitos combates. Apesar da idade avançada, ainda caminhava com imponência e mantinha o olhar firme de um verdadeiro rei da floresta. Porém, uma bala disparada de raspão havia aberto um ferimento em sua pata dianteira, dificultando sua movimentação. Mesmo ferido, recusava-se a abandonar seu território. Ao longe, podia sentir o cheiro dos homens, das máquinas e da fumaça que invadiam seu reino. Seu instinto dizia que aqueles invasores representavam uma ameaça muito maior do que qualquer outro predador que já enfrentara. Tarzan encontrou as marcas recentes do animal e percebeu, pelo sangue espalhado entre as pedras, que o tempo estava se esgotando. Se os caçadores localizassem Kifaru antes dele, dificilmente o leão escaparia.

Antes do nascer do sol, Tarzan reuniu discretamente alguns guerreiros da tribo M'Baku em uma clareira escondida. O chefe M'Goma enviara seus melhores rastreadores para ajudá-lo, todos conhecedores dos caminhos secretos da floresta. Ali, sob a luz fraca da lua, traçaram um plano para proteger o leão sagrado. Enquanto parte dos guerreiros criaria falsas trilhas para confundir os caçadores, outros espalhariam sinais e ruídos em diferentes direções para fazer parecer que Kifaru estava em vários lugares ao mesmo tempo. Tarzan, por sua vez, seguiria sozinho pelo rastro verdadeiro do leão, determinado a encontrá-lo antes dos belgas. Ao terminar a reunião, ergueu os olhos para o céu, onde as primeiras estrelas desapareciam lentamente com a chegada da aurora. Naquele instante, um rugido distante voltou a ecoar pela floresta, mais fraco do que antes, mas ainda carregado de orgulho. Tarzan respondeu com seu famoso grito, prometendo silenciosamente que faria qualquer sacrifício necessário para impedir que o último guardião da selva caísse nas mãos dos caçadores.

Capítulo III
Logo após o amanhecer, Tarzan finalmente encontrou Kifaru escondido entre enormes rochas cobertas por trepadeiras, onde uma pequena nascente alimentava um lago cristalino. O leão respirava com dificuldade, mantendo a cabeça erguida apesar do ferimento na pata. Ao perceber a aproximação do homem-macaco, mostrou os dentes por instinto, soltando um rugido baixo de advertência. Tarzan, porém, permaneceu imóvel, olhando diretamente nos olhos do velho rei da floresta. Durante longos minutos, nenhum dos dois fez qualquer movimento. Aos poucos, Kifaru reconheceu naquele estranho homem o mesmo respeito que encontrava nos demais animais da selva. Tarzan aproximou-se lentamente, lavou o ferimento com água limpa da nascente e retirou pequenos fragmentos de metal e espinhos presos na carne. O leão permaneceu quieto durante todo o procedimento, como se compreendesse que aquele homem estava ali para ajudá-lo. Quando terminou, Tarzan afastou-se alguns passos, e Kifaru respondeu esfregando a enorme cabeça contra o ombro do homem da selva antes de desaparecer novamente entre os arbustos.

Enquanto isso, Victor Delacroix descobria que sua expedição vinha sendo sabotada desde a noite anterior. As armadilhas não funcionavam, parte da munição havia desaparecido, os veículos apresentavam vazamentos e vários cavalos tinham sumido durante a madrugada. Furioso, reuniu seus homens e declarou que estavam enfrentando alguém que conhecia profundamente a floresta. Um velho guia africano, contratado para conduzir a expedição, fez o sinal de respeito usado pelos povos da região e afirmou que apenas um homem seria capaz de mover-se daquela maneira invisível entre as árvores. Em voz baixa, pronunciou um nome que fez alguns carregadores recuarem assustados: Tarzan. Muitos haviam crescido ouvindo histórias sobre o lendário senhor da selva, capaz de convocar elefantes, gorilas e búfalos para lutar ao seu lado. Delacroix, entretanto, respondeu com uma gargalhada de desprezo. Para ele, Tarzan não passava de uma lenda criada por tribos supersticiosas. Decidido a provar sua coragem, ordenou que a caçada continuasse e prometeu uma recompensa ainda maior para quem encontrasse o leão antes do misterioso protetor da floresta.

Naquela mesma tarde, os homens da expedição penetraram numa região conhecida pelos nativos como o Vale dos Ecos, um lugar onde penhascos estreitos amplificavam qualquer som produzido na mata. Tarzan percebeu imediatamente que poderia usar aquele terreno a seu favor. Escondido entre as copas das árvores, começou a emitir seu famoso grito em diferentes pontos do vale, deslocando-se rapidamente entre os cipós. O eco multiplicava sua voz dezenas de vezes, fazendo parecer que havia um exército inteiro cercando os caçadores. Logo depois, ele imitou o rugido de diversos leões, o trombetear de elefantes e o chamado agressivo dos grandes gorilas. Assustados, os cavalos empinaram, carregadores abandonaram caixas de equipamentos e alguns homens dispararam contra as próprias sombras. O pânico espalhou-se rapidamente pelo grupo, enquanto Delacroix tentava restabelecer a disciplina aos gritos. Aproveitando a confusão, Tarzan derrubou um enorme tronco seco que bloqueou a passagem principal, obrigando os caçadores a perderem preciosas horas abrindo um novo caminho pela floresta.

Apesar dos atrasos, Delacroix recusava-se a desistir. Na manhã seguinte, um de seus melhores rastreadores encontrou pelos dourados presos em galhos baixos e marcas recentes deixadas por Kifaru próximo a um riacho. Os caçadores organizaram imediatamente uma grande perseguição, espalhando-se em formação para impedir qualquer rota de fuga. Tarzan, que observava tudo do alto das árvores, percebeu que o cerco começava a se fechar perigosamente. Sem hesitar, soltou um grito que atravessou toda a floresta. Em poucos minutos, bandos de babuínos passaram a lançar galhos e pedras sobre os homens. Logo depois, um grupo de elefantes, assustado pelo alvoroço, atravessou a região em pesada corrida, derrubando barracas improvisadas, caixas de munição e postes de observação. Os caçadores correram em todas as direções para escapar da manada. Em meio ao caos, Tarzan conduziu Kifaru por uma antiga passagem escondida entre as rochas, conhecida apenas pelos animais da região e pelos mais velhos da tribo M'Baku.

Ao cair da noite, Tarzan acreditava finalmente ter conseguido afastar o leão do perigo imediato. Entretanto, ao observar discretamente o acampamento inimigo, descobriu que Delacroix preparava seu último e mais perigoso plano. Sobre uma grande mesa de madeira havia mapas da região, lanternas, explosivos para abrir caminho na mata e uma poderosa espingarda de longo alcance especialmente trazida da Europa para abater animais de grande porte. O caçador anunciava que, ao amanhecer, dividiria seus homens em vários grupos para fechar todas as saídas do vale onde acreditava que Kifaru estivesse escondido. Não haveria espaço para erro. Se o leão tentasse fugir, seria morto. Se permanecesse escondido, seria capturado pelas redes reforçadas. Tarzan percebeu que a batalha decisiva estava prestes a começar. Naquela noite, sentado sobre um galho elevado enquanto observava as estrelas surgirem sobre a floresta, jurou que jamais permitiria que a ambição dos homens destruísse um símbolo sagrado de toda a selva africana. A decisão final seria tomada ao nascer do próximo sol.

Capítulo Final
Quando o primeiro raio de sol atravessou a copa das árvores, a floresta parecia prender a respiração. Tarzan já estava desperto havia horas, observando cada movimento dos caçadores a partir de um enorme baobá. Como Delacroix prometera, seus homens dividiram-se em diversos grupos, cercando lentamente o vale onde acreditavam que Kifaru estivesse escondido. Armadilhas de aço foram posicionadas nas trilhas, atiradores ocuparam pontos elevados e redes resistentes foram preparadas para bloquear qualquer tentativa de fuga. O líder belga caminhava à frente da expedição com a confiança de quem acreditava ter a vitória nas mãos. Tarzan, porém, conhecia cada pedra, cada riacho e cada árvore daquela região. Antes mesmo de os caçadores completarem o cerco, ele percorreu silenciosamente antigos caminhos utilizados pelos elefantes durante a estação das chuvas. Enquanto avançava, convocava seus aliados com assobios e chamados que apenas os animais da floresta conseguiam compreender. Naquele dia, não seria apenas um homem enfrentando uma expedição inteira. Seria toda a selva defendendo um de seus maiores símbolos.

Pouco antes do meio-dia, Delacroix finalmente avistou Kifaru parado sobre uma elevação rochosa. Mesmo ferido, o velho leão permanecia magnífico, com a juba balançando ao vento e os olhos dourados fixos nos invasores. O caçador levantou lentamente sua espingarda de longo alcance, certo de que aquele seria o disparo mais famoso de sua carreira. No exato instante em que pressionava o gatilho, Tarzan lançou-se do alto de uma figueira como um raio. Seu corpo atingiu Delacroix em cheio, desviando a arma para o alto. O estampido ecoou pela floresta sem atingir o leão. Os dois homens rolaram pelo chão em uma luta violenta. Delacroix era forte e experiente, mas jamais enfrentara alguém com a agilidade do homem-macaco. Socos, chutes e golpes sucederam-se rapidamente entre pedras e raízes. Em determinado momento, o caçador conseguiu sacar um revólver escondido no cinturão, mas Tarzan desarmou-o antes que pudesse atirar, arremessando a arma para dentro de um rio de correnteza rápida.

A luta entre Tarzan e Delacroix serviu de sinal para que toda a floresta reagisse. Bandos de macacos passaram a lançar frutos duros e galhos sobre os caçadores. Búfalos atravessaram uma clareira em disparada, obrigando vários homens a abandonar suas posições. Elefantes romperam árvores jovens enquanto avançavam em formação, espalhando pânico entre os carregadores. Das copas das árvores, centenas de aves levantaram voo ao mesmo tempo, formando uma gigantesca nuvem de asas que reduzia a visibilidade dos atiradores. Os guerreiros da tribo M'Baku surgiram silenciosamente pelos flancos, desarmando alguns homens sem derramar sangue, pois desejavam proteger seu leão sagrado, e não provocar um massacre. Cercados pela força da natureza e pela coragem dos defensores da floresta, muitos integrantes da expedição jogaram suas armas no chão e fugiram desesperados. Aqueles que permaneceram logo perceberam que haviam perdido completamente o controle da situação.

Delacroix ainda tentou alcançar sua espingarda caída entre as pedras, mas encontrou Tarzan bloqueando seu caminho. O homem da selva ergueu a arma descarregada e a partiu ao meio com a força dos próprios braços, lançando os pedaços aos pés do caçador. Em seguida, apontou para Kifaru, que permanecia imóvel observando toda a cena do alto da colina. Tarzan explicou, com firmeza, que aquele leão não pertencia a nenhum homem, nenhum governo ou colecionador. Pertencia à floresta, aos animais e ao povo que o respeitava havia gerações. Delacroix, coberto de poeira e derrotado, finalmente compreendeu que jamais venceria alguém que lutava em defesa da própria terra. Humilhado, ordenou a retirada de sua expedição. Os caminhões foram carregados às pressas e, antes do pôr do sol, os últimos veículos desapareceram pela estrada de terra que levava para longe da selva. O silêncio voltou lentamente ao coração da floresta, interrompido apenas pelo canto dos pássaros que retornavam aos galhos.

Naquela noite, a tribo M'Baku realizou uma grande celebração ao redor de uma fogueira gigantesca. Homens, mulheres e crianças dançavam ao som dos tambores enquanto agradeciam aos espíritos da floresta pela proteção concedida ao leão sagrado. Os anciãos declararam que a coragem de Tarzan havia preservado não apenas a vida de Kifaru, mas também a honra das antigas tradições de seu povo. Quando a lua cheia iluminou a savana, o velho leão apareceu no alto de uma colina próxima, majestoso como sempre. Durante alguns instantes, seus olhos encontraram os de Tarzan, como se ambos compartilhassem um entendimento silencioso que nenhuma palavra poderia explicar. Em seguida, Kifaru soltou um rugido poderoso que ecoou por vales, rios e montanhas, anunciando que o rei da floresta continuava livre. Tarzan respondeu com seu famoso grito, recebido pelos macacos, elefantes, pássaros e todos os habitantes da selva. E, enquanto o eco das duas vozes desaparecia na imensidão africana, a lenda do homem-macaco e do leão sagrado passava a fazer parte das histórias contadas ao redor das fogueiras, para que as futuras gerações jamais esquecessem que a verdadeira força nasce da coragem de proteger aquilo que não pode se defender sozinho.

Pablo Aluísio. 

sábado, 25 de julho de 2026

A Casa do Dragão - Terceira Temporada

A Casa do Dragão - Terceira Temporada
A terceira temporada de A Casa do Dragão (House of the Dragon) estreou em 21 de junho de 2026 na HBO e na Max. A série foi criada por Ryan Condal e George R. R. Martin, sendo baseada no livro Fire & Blood. A temporada conta com oito episódios e dá continuidade à guerra civil conhecida como A Dança dos Dragões, conflito que divide a Casa Targaryen entre os partidários de Rhaenyra Targaryen (o "Time Negro") e Aegon II Targaryen (o "Time Verde"). O elenco principal reúne Emma D'Arcy, Matt Smith, Olivia Cooke, Tom Glynn-Carney, Rhys Ifans e Fabien Frankel. A narrativa amplia significativamente a escala do conflito, mostrando batalhas terrestres, confrontos navais e, sobretudo, combates entre dragões que alteram o equilíbrio da guerra. Ao mesmo tempo, alianças políticas são rompidas, novos personagens ganham destaque e importantes acontecimentos do livro passam a ser adaptados para a televisão.

A recepção crítica da terceira temporada foi amplamente positiva. Diversos veículos destacaram que a série aumentou sua ambição em relação às temporadas anteriores, entregando batalhas maiores e um desenvolvimento mais intenso dos personagens. A Forbes elogiou especialmente o crescimento dramático da temporada e a forma como Ryan Condal equilibrou política, ação e tragédia, observando que os episódios mantêm alto nível de tensão. Outros críticos destacaram que a série continua sendo uma das produções televisivas mais impressionantes visualmente, graças à qualidade dos efeitos especiais, da fotografia e da direção de arte. As interpretações de Emma D'Arcy e Matt Smith voltaram a receber elogios consistentes, sendo consideradas o coração dramático da produção.

As análises também ressaltaram a fidelidade ao universo criado por George R. R. Martin, embora algumas adaptações tenham gerado debates entre leitores dos livros. Muitos críticos elogiaram o aprofundamento de personagens como Alicent Hightower, Daemon Targaryen e Aemond Targaryen, além da introdução de novas figuras importantes para o conflito. A imprensa especializada destacou ainda a qualidade dos episódios centrados nas grandes batalhas da Dança dos Dragões, considerados alguns dos mais ambiciosos já produzidos pela HBO. Como a temporada ainda está em exibição, ela ainda não participou da principal temporada de premiações, mas já é apontada como forte candidata às categorias técnicas do Emmy, incluindo efeitos visuais, fotografia, figurino e direção de arte.

Do ponto de vista comercial, a terceira temporada manteve A Casa do Dragão entre as séries de maior audiência da HBO e da Max. A estreia registrou milhões de espectadores em suas primeiras exibições e a série permaneceu entre os conteúdos mais assistidos da plataforma ao longo das semanas seguintes. O lançamento semanal dos episódios impulsionou discussões nas redes sociais e manteve elevado o interesse do público durante toda a temporada. O sucesso foi suficiente para que a HBO reafirmasse seus planos para concluir a história em uma quarta e última temporada, já oficialmente confirmada.

Por ainda estar em exibição, é cedo para definir o legado definitivo da terceira temporada. Entretanto, os primeiros episódios indicam que ela poderá ser considerada o ponto mais grandioso da série até agora, levando a adaptação da Dança dos Dragões ao seu momento mais decisivo. O aumento da escala das batalhas, a evolução dos personagens e a qualidade da produção reforçam o prestígio da série como uma das maiores produções televisivas da atualidade. Caso mantenha o nível apresentado até seu desfecho, a terceira temporada tem potencial para consolidar A Casa do Dragão como uma sucessora à altura de Game of Thrones, preparando o terreno para um encerramento épico na quarta temporada.

A Casa do Dragão - 3ª Temporada (House of the Dragon – Season 3, Estados Unidos, 2026)
Direção: Clare Kilner, Nina Lopez-Corrado, Andrij Parekh e Loni Peristere / Roteiro: Ryan Condal e equipe, baseado no livro Fire & Blood, de George R. R. Martin / Elenco: Emma D'Arcy, Matt Smith, Olivia Cooke, Tom Glynn-Carney, Rhys Ifans e Fabien Frankel / Sinopse: Com a guerra entre os Targaryen atingindo seu ponto mais violento, Rhaenyra e Aegon II disputam o controle dos Sete Reinos enquanto alianças são rompidas, dragões entram em combate e o destino de Westeros é decidido.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elle: Legalmente Loira

Elle: Legalmente Loira
Elle: Legalmente Loira (Elle) estreou em 1º de julho de 2026 no Prime Video. A série foi criada por Laura Kittrell, com produção executiva de Reese Witherspoon, que eternizou a personagem Elle Woods nos filmes de Legalmente Loira. A protagonista é interpretada por Lexi Minetree, acompanhada por June Diane Raphael, Tom Everett Scott, Gabrielle Policano, Jacob Moskovitz e Chandler Kinney. A trama funciona como uma prequela dos filmes, mostrando a adolescência de Elle Woods durante o ensino médio, na década de 1990. A história acompanha sua mudança para Seattle após dificuldades financeiras enfrentadas por sua família, explorando suas amizades, primeiros romances, conflitos escolares e as experiências que moldariam sua personalidade otimista, determinada e confiante antes dos acontecimentos do filme de 2001. A série mantém o humor e o estilo colorido característicos da franquia, mas também dedica maior atenção ao amadurecimento emocional da protagonista.

A recepção crítica foi mista. Muitos críticos elogiaram a escolha de Lexi Minetree, considerada bastante convincente como uma jovem Elle Woods. A produção, o figurino e a recriação da estética dos anos 1990 também receberam muitos elogios. Entretanto, parte da imprensa especializada considerou que a série possui um tom mais melancólico do que os filmes originais. O The Daily Beast observou que a mudança da história para Seattle e o foco nos dramas familiares dividiram os fãs da franquia, enquanto Teen Vogue destacou que a série procura aprofundar a construção da personagem sem abandonar completamente seu espírito otimista.

As primeiras análises também destacaram a atuação de June Diane Raphael como Eva Woods, mãe de Elle, e a participação de Tom Everett Scott como seu pai. A direção de arte, responsável por recriar a moda, os ambientes escolares e a cultura pop da década de 1990, foi frequentemente apontada como um dos maiores trunfos da produção. Houve, contudo, críticas ao ritmo narrativo e à tentativa de tornar a protagonista mais dramática do que a versão interpretada por Reese Witherspoon. Ainda assim, a série despertou grande curiosidade entre os fãs da franquia e gerou intenso debate sobre a expansão do universo de Legalmente Loira. Antes mesmo da estreia, o Prime Video confirmou oficialmente uma segunda temporada, demonstrando confiança no projeto.

Do ponto de vista comercial, Elle estreou como uma das principais apostas do Prime Video em 2026. Todos os oito episódios da primeira temporada foram disponibilizados simultaneamente, favorecendo as maratonas de streaming. A série figurou entre os conteúdos mais assistidos da plataforma em diversos países durante suas primeiras semanas e manteve forte presença nas redes sociais, impulsionada pelo carinho do público pela franquia Legalmente Loira. O bom desempenho levou o serviço de streaming a renovar oficialmente a produção para uma segunda temporada antes mesmo da estreia da primeira, um indicativo da confiança da Amazon MGM Studios no potencial da série.

Por ser uma produção muito recente, ainda é cedo para avaliar seu sucesso definitivo. No entanto, Elle demonstra potencial para conquistar uma nova geração de espectadores ao mesmo tempo em que oferece aos fãs antigos uma visão inédita da juventude de Elle Woods. A presença de Reese Witherspoon como produtora executiva ajuda a preservar a ligação com os filmes originais, enquanto Lexi Minetree recebeu elogios por construir uma versão própria da personagem, sem simplesmente imitá-la. Caso mantenha a boa audiência e desenvolva adequadamente sua protagonista nas próximas temporadas, Elle poderá consolidar-se como uma das prequelas televisivas mais bem-sucedidas dos últimos anos.

Elle: Legalmente Loira (Elle, Estados Unidos, 2026) Criação: Laura Kittrell / Roteiro: Laura Kittrell, Caroline Dries e equipe, baseado na personagem criada por Amanda Brown em seu romance Legally Blonde / Elenco: Lexi Minetree, June Diane Raphael, Tom Everett Scott, Gabrielle Policano, Jacob Moskovitz e Chandler Kinney / Sinopse: Anos antes de ingressar em Harvard, a jovem Elle Woods enfrenta os desafios do ensino médio, das amizades, da família e do primeiro amor, experiências que moldam a personalidade vibrante e determinada que a tornaria uma das personagens mais marcantes da comédia americana.

Erick Steve. 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Águas Mortais

Águas Mortais 
Águas Mortais (Deep Water) foi lançado internacionalmente em 2026, chegando aos cinemas brasileiros em 23 de julho de 2026. O filme é dirigido por Renny Harlin, conhecido por sucessos como Duro de Matar 2 e Do Fundo do Mar. O elenco principal é formado por Aaron Eckhart, Ben Kingsley, Angus Sampson, Kelly Gale, Madeleine West e Li Wenhan. A história acompanha passageiros de um voo entre Los Angeles e Xangai que são obrigados a realizar um pouso de emergência no Oceano Pacífico. Após sobreviverem ao acidente, eles descobrem que estão cercados por tubarões atraídos pelos destroços da aeronave. Enquanto lutam contra a falta de recursos e as tensões entre os sobreviventes, precisam enfrentar sucessivos ataques dos predadores marinhos em uma desesperada corrida contra o tempo.

Quando estreou, Águas Mortais recebeu uma recepção crítica mista, mas relativamente favorável para um filme de desastre e tubarões. O consenso do Rotten Tomatoes destacou que o longa "entrega emoção à moda antiga graças ao confiável instinto de Renny Harlin para o cinema de gênero", classificando-o como um divertido filme B que "nada em vez de afundar". O The Guardian elogiou a condução das cenas de ação e a sequência do acidente aéreo, afirmando que Harlin revive o espírito dos clássicos filmes-catástrofe, embora tenha criticado os diálogos por recorrerem a clichês. Muitos críticos também destacaram a experiência do diretor com filmes de ação e suspense, lembrando seu trabalho anterior em Do Fundo do Mar.

Apesar de não ser considerado um candidato às principais premiações, Águas Mortais recebeu elogios por seus efeitos visuais, pela tensão constante e pelo ritmo acelerado. Diversos críticos observaram que o filme assume conscientemente seu lado de entretenimento, sem pretender oferecer um drama psicológico complexo. A direção de Renny Harlin foi frequentemente apontada como o principal trunfo da produção, conseguindo criar suspense eficiente mesmo utilizando uma premissa bastante conhecida. Entre os destaques também estão a fotografia das sequências em mar aberto e a boa utilização dos tubarões como ameaça constante, sem exagerar sua presença em cena.

Do ponto de vista comercial, Águas Mortais teve um desempenho modesto em seu lançamento. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 40 milhões, arrecadou pouco mais de US$ 5 milhões em seus primeiros mercados de exibição, números considerados abaixo das expectativas iniciais. Como o lançamento ocorreu em diferentes datas ao redor do mundo, a arrecadação ainda estava em evolução nas primeiras semanas. Mesmo assim, o filme despertou interesse entre os fãs de produções de sobrevivência e de ataques de tubarões, principalmente por marcar o retorno de Renny Harlin ao subgênero que ele ajudou a popularizar com Do Fundo do Mar.

Por ser um lançamento de 2026, ainda é cedo para determinar o sucesso de Águas Mortais. No entanto, o filme já conquistou um público entre os apreciadores de thrillers de sobrevivência e terror com tubarões. Muitos espectadores elogiaram o ritmo intenso, as cenas de ação e a direção segura de Harlin, enquanto outros apontaram que a trama segue fórmulas tradicionais do gênero. Caso mantenha um bom desempenho nas plataformas digitais e no mercado de vídeo sob demanda, Águas Mortais tem potencial para tornar-se um título cult entre os fãs de filmes de desastre e sobrevivência marítima.

Águas Mortais (Deep Water, Estados Unidos / Espanha / Nova Zelândia / China / Austrália, 2026) Direção: Renny Harlin / Roteiro: Chris Sparling / Elenco: Aaron Eckhart, Ben Kingsley, Angus Sampson, Kelly Gale, Madeleine West e Li Wenhan / Sinopse: Após um avião fazer um pouso forçado no Oceano Pacífico, um grupo de sobreviventes precisa enfrentar tubarões famintos e superar conflitos internos para encontrar uma forma de escapar com vida.

Erick Steve. 

As Ovelhas Detetives

As Ovelhas Detetives
The Sheep Detectives é uma comédia de mistério lançada em 2026, dirigida por Kyle Balda. O filme é uma adaptação do romance Three Bags Full: A Sheep Detective Story, de Leonie Swann. O elenco principal reúne Hugh Jackman, Emma Thompson, Nicholas Braun, Nicholas Galitzine, Molly Gordon e Hong Chau. A trama se passa em uma pequena vila inglesa, onde um rebanho de ovelhas presencia o misterioso assassinato de seu pastor, George Glenn. Convencidas de que precisam descobrir o culpado, as inteligentes ovelhas iniciam uma investigação por conta própria, interpretando o comportamento dos seres humanos a partir de sua visão peculiar do mundo. Enquanto tentam solucionar o crime, acabam se envolvendo em situações cômicas, perigosas e surpreendentes, misturando humor britânico, suspense e fantasia em uma história voltada para toda a família.

Por ser uma produção muito recente, The Sheep Detectives recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva, com elogios à originalidade de sua premissa e ao equilíbrio entre humor e mistério. Diversos críticos destacaram que a adaptação preserva o espírito bem-humorado do romance de Leonie Swann, explorando a investigação sob o ponto de vista inusitado das ovelhas. Publicações especializadas elogiaram a direção de Kyle Balda, conhecida por seu trabalho em animações, e a maneira como ele conduziu uma narrativa em live-action com forte apelo visual. As atuações de Hugh Jackman e Emma Thompson também foram apontadas como destaques, contribuindo para o charme da produção. Algumas críticas observaram que o humor excêntrico pode não agradar a todos os espectadores, mas o consenso foi de que o filme oferece entretenimento inteligente e original.

Como o filme foi lançado recentemente, The Sheep Detectives ainda não participou da principal temporada de premiações internacionais. Entretanto, analistas destacaram seu potencial em categorias técnicas, especialmente direção de arte, efeitos visuais e trilha sonora. A adaptação também foi elogiada por manter a atmosfera literária da obra original sem perder ritmo cinematográfico. O trabalho do elenco e a combinação de mistério clássico com humor leve foram frequentemente apontados como os principais pontos fortes da produção. Entre os fãs do livro, a recepção inicial foi bastante favorável, principalmente pela fidelidade ao tom da narrativa criada por Leonie Swann.

Do ponto de vista comercial, The Sheep Detectives teve um lançamento internacional em 2026, alcançando bons resultados em mercados como Reino Unido, Alemanha e América do Norte. O desempenho inicial foi considerado sólido para uma produção voltada ao público familiar e aos apreciadores de histórias de mistério. A presença de nomes conhecidos como Hugh Jackman e Emma Thompson ajudou a despertar o interesse do público, enquanto o sucesso do romance original serviu de base para uma campanha de divulgação eficiente. Além das bilheterias, o filme apresentou bom desempenho nas plataformas de streaming após sua estreia nos cinemas, ampliando seu alcance junto ao público internacional.

Por ser um lançamento recente, ainda é cedo para avaliar a relevância de The Sheep Detectives. No entanto, a produção demonstra potencial para tornar-se uma referência entre as adaptações de romances de mistério com forte componente de humor. A proposta de contar uma investigação criminal pela perspectiva de um rebanho de ovelhas diferencia o filme da maioria das comédias policiais contemporâneas. Caso mantenha a boa recepção entre público e crítica, poderá abrir caminho para adaptações de outras obras da série literária de Leonie Swann ou até mesmo para uma sequência original, consolidando-se como uma curiosa e divertida franquia do cinema contemporâneo.

As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives, Reino Unido / Alemanha, 2026) Direção: Kyle Balda / Roteiro: Craig Mazin, baseado no romance Three Bags Full: A Sheep Detective Story, de Leonie Swann / Elenco: Hugh Jackman, Emma Thompson, Nicholas Braun, Nicholas Galitzine, Molly Gordon e Hong Chau / Sinopse: Após o assassinato de seu pastor em uma pequena vila inglesa, um grupo de ovelhas decide investigar o crime por conta própria, usando sua curiosa visão do comportamento humano para tentar descobrir o verdadeiro culpado.

Erick Steve. 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Os Reis da Rua

Os Reis da Rua 
Embora eu seja um saudosista das antigas locadoras de vídeo, das fitas VHS e tudo mais, tenho que reconhecer que os serviços de streaming abrem um leque enorme de filmes para assistir! Filmes que não assistimos na época em que foram lançados originalmente, mas é a tal coisa, tem que fuçar direito, pesquisar, ter paciência, ir nos subterrâneos desses serviços para encontrar algo que ainda não se viu no passado. Foi assim que encontrei esse "Os Reis da Rua", um filme que nunca havia assistido. Pelo visto foi pessimamente lançado no Brasil porque eu definitivamente não conhecia. 

É uma fita policial, daquelas boas mesmo, cheio de personagens interessantes. O curioso é que a trama se passa entre policiais de um departamento de narcóticos e homicídios, mas esqueça tudo o que vai ser mostrado na tela. São tiras sujos, bandidos com distintivos e armas do Estado. Nada poderia ser pior do que isso. Aqui no Brasil conhecemos bem essa realidade que também se repete nos Estados Unidos como bem demonstrado na história desse filme, que inclusive foi baseado em fatos reais. 

O único inocente e honesto policial (pero no mucho!) é o protagonista, em boa interpretação de Keanu Reeves. Em determinado momento ficamos um pouco desconfiados de suas reais boas intenções, uma vez que só tem bandido nesse enredo. Entenda-se, policiais que na verdade são bandidos da pesada mesmo, dispostos até mesmo a matar os colegas da corporação, caso eles atrapalhem suas atividades criminosas. Então deixo a dica para você conhecer esse bom filme policial. Funciona que é uma beleza, embora, como sempre, também tenha lá suas doses de situações clichês. O saldo final, entretanto, é mais do que positivo. Pode ver sem receios. 

Os Reis da Rua (Street Kings, Estados Unidos, 2008) Direção: David Ayer / Roteiro: James Ellroy, Kurt Wimmer, Jamie Moss / Elenco: Keanu Reeves, Forest Whitaker, Hugh Laurie, Chris Evans, Terry Crews, Common / Sinopse: Jovem policial na mira da corregedoria passa a investigar, por conta própria a morte de alguns traficantes que supostamente estariam envolvidos numa sangrenta teia de corrupção envolvendo tiras sujos, corruptos, no mesmo departamento onde trabalha. 

Pablo Aluísio.

Show de Vizinha

Show de Vizinha 
Depois de muitos anos acabei revendo esse filme que pode ser considerado uma bobeirinha divertida, meio piegas, já uma comédia picante tardia, uma vez que esse estilo de filme era bom mesmo nos anos 80, quando os melhores desse estilo foram produzidos. Curioso, porque na época em que esse "Show de Vizinha" foi feito já havia a patrulha do politicamente correto em plantão, então ele tem vários "freios de mão" na condução de sua história. Não é como nos anos 80 onde valia de tudo, até exagerar na esculhambação total. 

Para falar a mais pura verdade só revi esse filme por causa da atriz canadense Elisha Cuthbert. Como um eterno apreciador da beleza feminina não iria perder a oportunidade de ficar admirando seu rosto perfeito por quase duas horas. Pena que isso foi há mais de 20 anos! (como o tempo passa rápido!) e ela hoje em dia, depois de dois filhos e um casamento com um jogador de hockey, tenha perdido grande parte dessa beleza. A idade é mesmo demolidora, infelizmente. 

Dizem até que ela quase não fez o filme porque o papel era a de uma pornstar e ela não queria fazer de jeito nenhum a personagem. Que bobagem! Pelo visto até as deusas das belezas possuem sua dose de preconceito! Fora isso, nada de muito relevante para dizer sobre o filme em si. Tem todos aqueles clichês que bem conhecemos desses filmes colegiais picantes (aqui bem suavizados, como frisei). No final de tudo o que se salva mesmo é a Elisha e nada muito além disso. 

Show de Vizinha (The Girl Next Door, Estados Unidos, 2004) Direção: Luke Greenfield / Roteiro: David Wagner, Brent Goldberg / Elenco: Emile Hirsch, Elisha Cuthbert, Timothy Olyphant / Sinopse: Jovem que está terminando o ensino médio, um rapaz bem estudioso que planeja entrar numa excelente universidade, acaba se apaixonando pela nova vizinha, uma tremenda gatinha loira. Só tem um problema: ela é uma pornstar, uma estrela de filmes pornôs, o que vai colocar sua paixão em uma situação mais do que delicada.

Pablo Aluísio.