sábado, 20 de junho de 2026

Crônicas de Elvis Presley - Texto I

Para aquele jovem Elvis, que se apresentava em parques de diversões e feiras de gado pelo sul dos Estados Unidos, o máximo que ele poderia atingir em termos de fama e sucesso era se tornar um astro em Hollywood. Era sua mentalidade juvenil da época. Elvis sonhava com aquilo desde que era um adolescente loiro e sem grana, louco por cinema. Todas as semanas lá estava ele assistindo aos novos filmes no pequeno cinema de Memphis. Tão apaixonado era por sétima arte que quando precisou arranjar seu primeiro emprego para ajudar seus pais, ele foi atrás de um no próprio cinema. Acabou virando lanterninha! 

Aquilo havia sido anos atrás. Agora Elvis era um jovem cantor tentando a sorte. Ele já havia encontrado um pequeno selo que lançara seus primeiros compactos, disquinhos com duas músicas. Não vendiam muito, mas ajudavam a vender seu show itinerante. As coisas só iriam mudar quando ele conheceu um sujeito de lábia encantadora. Aliás ele gostava de dizer que era também um ilusionista de parque de diversões. Sempre com um sorrisso no rosto, aquela era uma pessoa para no mínimo se ter cuidado! 

Era o "Coronel" Tom Parker. Que na verdade não era Coronel, nem Tom, nem Parker. Esse era o personagem que esse imigrante holândes havia criado, algo que tinha dado muito certo por anos. Até o sotaque do sulista americano ele imitava com perfeição! Parker passou anos trabalhando em parques de diversões pelo sul dos Estados Unidos. Ali aprendeu as manhas dessa profissão. Ele tinha um lema que todo dia era um bom dia para tirar dinheiro fácil dos que iam aos parques. Em troca ele lhes oferecia alguma ilusão, alguma mágica, que deixava todos com um sorriso no rosto. 

Parker não era um vigarista na acepção mais restrita do termo. Ele jamais cometeria crimes, até por causa de sua condição de imigrante ilegal nos Estados Unidos, mas sabia aplicar pequenos golpes inocentes em determinadas pessoas mais ingênuas. Quando conheceu aquele jovem cantor esse lhe disse que seu sonho era chegar um dia em Hollywood. Era a isca que Parker esperava. Quando ouviu isso, o velho empresário disse a Elvis: "Assine comigo rapaz que você se tornará um astro em Hollywood! Eu prometo!". Os olhos de Elvis brilharam nesse momento e o resto é história. 

Pablo Aluísio. 

Crônicas dos Beatles - Texto I

A linda jovem Jane Asher começou apresentando um programa de rádio em Londres. O sucesso foi tão grande que logo ela estava apresentando seu próprio programa de televisão que, na época, era uma grande novidade tecnológica. O foco de seu programa era a música jovem. Ela apresentava e entrevistava os músicos dessas bandas que começavam a ficar populares entre os jovens ingleses. Mais cedo ou mais tarde ela iria cruzar caminho com os Beatles.

Foi justamente o que aconteceu. Os Beatles foram convidados para se apresentarem em seu programa. No dia marcado as coisas não começaram muito bem. O primeiro Beatle que Jane conheceu foi John Lennon. Ela não gostou nada dele, principalmente depois que fez uma piada machista e suja em sua presença. Jane era muito educada, fazia parte da elite de Londres, filha de um médico e de uma professora de música. Ela não estava acostumada com aquilo. E John poderia ser um sujeito muito sem noção em certas ocasiões. 

Quando Paul chegou ele percebeu que havia um "climão" entre ela e John. Logo entendeu que seu colega de banda deveria ter falado algum tipo de bobagem para Jane. Paul conhecia muito bem John. Então ele tentou consertar as coisas e conseguiu. Paul McCartney sempre foi considerado o "diplomata dos Beatles", aquele que conversava amigavelmente com os jornalistas, que fazia amizade, que procurava ter boas relações com todos. Servia chá, se sentava, conversava e se mostrava muito amigo de todos que queriam conhecer melhor os Beatles. Com Jane Asher não seria diferente. 

O diferencial é que Paul realmente ficou muito interessado em Jane. Ela era extremamente bonita, uma ruiva de parar o trânsito. Paul não a conhecia pessoalmente e pensava que ela fosse loira pois só havia TV preto e branco naquela época. Ficou surpreso em ver que era uma mulher ruiva, a mais bonita que já tinha encontrado em sua vida. Querendo conhecer ela melhor, Paul, com muita polidez, conseguiu seu número de telefone. O pretexto era manter um canal aberto entre Jane e os Beatles. Só que havia mais, Paul queria convidar a beldade para jantar. Seria o começo de uma longa história entre eles.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

House of Guinness - Primeira Temporada

House of Guinness - Primeira Temporada
Nova série da Netflix, dos mesmos produtores e realizadores do sucesso "Peaky Blinders". Conta a história de uma família que herda uma grande cervejaria na Irlanda. A indústria é a maior de seu país e vai parar nas mãos de quatro filhos de seu fundador, cujo funeral acompanhamos no primeiro episódio. Como se é de esperar todos os filhos tem seus próprios problemas. Um é vítima de alcoolismo severo, o que o impede de participar da administração da fábrica. A irmã, a única mulher, também sofre com problemas pessoais, embora seja uma das únicas que demonstre alguma empatia pelo sofrimento dos mais desfavorecidos. 

O núcleo central assim foca nos dois irmãos mais velhos. Um deles toca a fábrica de fato. É um sujeito trabalhador e responsável, mas acaba se apaixonando pela mulher errada que jamais será aceita em seu rico meio social. O outro irmão é homossexual e tem pretensões políticas. Para amenizar esse aspecto ele se casa com uma mulher da sociedade, mesmo sabendo que tudo não passa de uma fachada. Ela inclusive pode ter seus casinhos por fora, até mesmo com um dos empregados da fábrica, mas as coisas complicam quando ela fica grávida dele! Enfim, gostei dessa primeira temporada. Ela termina em um momento crucial quando um tiro é disparado contra um dos herdeiros. Prova que vem uma segunda temporada por aí. Esperemos pelo melhor. 

House of Guinness (Irlanda / Reino Unido, 2025) Direção: Tom Shankland, Mounia Akl Roteiro: Steven Knight / Elenco: Anthony Boyle, Louis Partridge, Emily Fairn, Fionn O'Shea, James Norton, Niamh McCormack, Seamus O'Hara  / Sinopse: Ambientada em Dublin no ano de 1868, a série acompanha os acontecimentos que se seguem à morte de Sir Benjamin Guinness, o homem responsável por transformar a cervejaria Guinness em um dos maiores empreendimentos da Irlanda. Após sua morte a fábrica passa a ser administrada por seus herdeiros.

Pablo Aluísio.

Boots

Boots
Outra série que terminei recentemente de ver na Netflix. Aliás cabe aqui uma observação. A Netflix acerta em produzir séries mais curtinhas, com no máximo oito episódios. É o tamanho ideal. Nada de produzir séries como tínhamos nos anos 90 com mais de 20 episódios em cada temporada! Hoje em dia isso não cabe mais. Pois bem, aqui temos uma história que foi baseada nas experiências de um ex-fuzileiro naval dos Estados Unidos. Ele se alistou jovem (muito mais jovem do que se pensava, como vemos nos últimos episódios) e acabou indo parar em um dos treinamentos mais severos das forças armadas americanas. Até aí nada de novo! Já vimos muitos filmes sobre isso. O diferencial é que ele era gay!

A série foi baseada no livro de memórias desse mariner. No Brasil, o título traduzido seria algo como "O Fuzileiro Cor de Rosa". Claro que isso despertou a fúria dos conservadores de plantão nos Estados Unidos. Até o Presidente Trump protestou dizendo que era uma afronta aos militares e tudo mais... OK, ele tem direito a dar opinião, ainda que bem homofóbica, mas acabou com isso fazendo publicidade gratuita e a série acabou sendo uma das mais assistidas da Netflix nesse ano. O tiro saiu pela culatra! Eu ignorei a polêmica, assisti, gostei, mas devo dizer que lá pela metade dos episódios, a história se arrasta um tanto... Poderia ser bem menor. Essa aqui caberia facilmente em quatro episódios. Por fim e antes tarde do que nunca, a atriz Vera Farmiga está no elenco! É a única conhecida, pelo menos no meu caso. Os demais, atores jovens, não conhecia. São todos novatos!

Boots (Estados Unidos, 2025) Direção: Andy Parker / Roteiro: Andy Parker / Elenco: Miles Heizer, Vera Farmiga, Ana Ayora, Blake Burt / Sinopse: Jovem se alista no corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos. Ele quer ter uma carreira militar, mas há problemas à vista pois ele na verdade é gay! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Maldito Futebol Clube

Maldito Futebol Clube
Como é tempo de Copa do Mundo vale a pena indicar um filme cujo assunto principal é o futebol. A história contada aqui foi baseada em fatos reais acontecidos na Inglaterra por volta dos anos 70. Um técnico de um time de quinta categoria acaba levando sua pequena equipe para o alto da tabela do campeonato inglês da primeira divisão, surpreendendo a todos, desde os torcedores até a imprensa esportiva daquele país. Assim ele próprio passa a ser disputado pelos grandes times ingleses, indo parar no Chelsea, um dos clubes mais tradicionais do esporte bretão. Só que em seu novo posto logo vai descobrir que as coisas não serão facéis de se lidar, uma vez que ele tem muitos desafetos entre os próprios jogadores do novo clube. 

Eis aqui um bom filme sobre futebol. O protagonista não é nada cordial, um técnico que não tem limites no que fala, que faz inimigos por onde passa, mas que a despeito de sua personalidade complicada vai subindo na carreira, em rápida ascensão. Só que no Chelsea ele acaba encontrando um muro, formado pelos próprios jogadores que o detestam. E eles são muitos! E quando isso acontece, já sabemos, nada mais vai para a frente e ele começa a descer a ladeira, com derrota em cima de derrota. É um filme divertido, principalmente na cena quando ele é contratado pelo Chelsea. Assim que assume o posto compra logo a briga contra os jogadores e parte para cima. Uma guerra declarada e  perdida, afinal o Futebol é um esporte coletivo e quando o técnico transforma a equipe em inimiga e vice versa, não há outro caminho a se trilhar, sobrando apenas o fracasso esportivo. Fica a lição de vida no final. 

Maldito Futebol Clube (The Damned United, Reino Unido, 2009) Direção: Tom Hooper / Roteiro: Peter Morgan, David Peace / Elenco: Michael Sheen, Colm Meaney, Henry Goodman, David Roper / Sinopse: O técnico de uma modesta equipe acaba transformando seu time na sensação do futebol inglês. Depois do sucesso é contratado para dirigir o Chelsea, mas acaba enfrentando um boicote branco promovido pelos próprios jogadores da equipe.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Sentinela

Sentinela 
Nunca havia assistido a esse filme do Michael Douglas. Ele interpreta um agente do serviço secreto. Sua especialidade é garantir a segurança do Presidente dos Estados Unidos e da Primeira Dama. Só que ele acaba se envolvendo romanticamente com a esposa do Presidente e aí... as coisas vão ficando nebulosas, ainda mais depois que passa a ser suspeito de estar envolvido numa conspiração para matar o próprio Presidente. O que faz sentido, já que está de amante da esposa daquele que seria seu chefe, seu superior! Leva a Primeira Dama para a cama e conspira para enviar seu marido para a cova... Mas será que isso seria verdade?

Outro destaque do elenco vem com Kiefer Sutherland. Ele também interpreta um agente, com muitos problemas pessoais envolvendo o personagem de Michael Douglas. No passado eram amigos próximos, mas sua esposa o traiu justamente com ele, o agora amante da Primeira Dama. Como se pode ver e usando uma gíria popular do povo brasileiro, o agente de Douglas é uma autêntico "talarico". Enquanto passa de amigo, vai seduzindo e levando para a cama as mulheres de seus "amigos". O Agente de Sutherland gostava muito dele e aí já viu... Douglas não perdeu tempo, o levando a um chifre constrangedor dentro da agência. Enfim, no saldo geral gostei do filme e o roteiro só peca em uma coisa: forma-se uma grande conspiração durante todo o filme para depois tudo se resolver rápido demais e de maneiras pouco convincentes nos minutos finais. Faltou maior capricho por parte dos roteiristas. 

Sentinela (The Sentinel, Estados Unidos, 2006) Direção: Clark Johnson / Roteiro: George Nolfi, Gerald Petievich / Elenco: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Kim Basinger / Sinopse: Agente do serviço secreto que está tendo um caso com a Primeira Dama dos Estados Unidos, passa a ser suspeito de fazer parte de uma grande conspiração para assassinar justamente o próprio Presidente. 

Pablo Aluísio. 

Terror na Penumbra

Terror na Penumbra
Uma mãe perde a guarda da filha para o Estado que a envia para um orfanato administrado por uma série de filantropos ricos, pertencentes a fina flor da elite britânica. Assim que ela chega no lugar uma série de crimes violentos começam a ocorrer. E as vítimas são justamente esses senhores e senhoras ricas que mantém o lugar. São chamados de curadores pelos funcionários do lugar. Para investigar um Coronel (Christopher Lee) e um patologista forense (Peter Cushing) começam a seguir pistas para entender o que de fato estaria acontecendo. 

Esse filme, também conhecido como "Enigma Fatal" é uma produção do terror clássico do cinema britânico durante os anos 70. Começa bem devagar, em um enredo que me deixou perplexo a maior parte do tempo. Eu pensei que iria assistir a um filme de terror, mas parecia ser apenas mais um drama familiar da época. Tudo levaria a crer, durante a maior parte do filme, que se trata da dolorosa luta de uma mãe (um tanto desequilibrada) para reaver a filha, levada para um orfanato. Só no finalzinho do filme, na última cena mesmo, nos últimos minutos, é que o elemento "terror" se faz presente. E é uma daquelas soluções dignas de "Amazing Stories" ou "Além da Imaginação". Claro, muita gente vai achar absurdo, mas eu curti! Fazia parte do jogo nesse tipo de roteiro. Não nego que seja absurda a conclusão, mas que diverte também, olha, isso ninguém poderá negar!

Terror na PenumbraEnigma Fatal (Nothing But the Night, Reino Unido, 1973) Direção: Peter Sasdy / Roteiro: Brian Hayles, John Blackburn / Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Diana Dors / Sinopse: Um investigar e um patologista forense passam a investigar uma série de estranhas mortes envolvendo curadores de um orfanato na Inglaterra. E por trás de tudo parece haver algo simplesmente aterrorizante!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 16 de junho de 2026

O Oeste Selvagem

O filme "Buffalo Bill and the Indians" (no Brasil, O Oeste Selvagem) é um filme inteligente, bem escrito, do aclamado diretor Robert Altman que aqui prova mais uma vez seu grande talento como cineasta. O roteiro conta a histórica verídica do grande mito do western americano Buffalo Bill. O personagem por si só já era extremamente rico em detalhes e nuances e caiu como uma luva nessa película que brinca com o imaginário popular ianque. Para quem não sabe Buffalo Bill (nome artístico de William Cody) foi um verdadeiro Barão de Munchausen da história dos Estados Unidos. Pródigo em contar lorotas e inventar histórias sobre si mesmo que nunca aconteceram na vida real, Bill criou toda uma mitologia em torno de si. Um dia teve a brilhante ideia de criar todo um show em cima de suas fantasias e acabou criando um espetáculo com alto teor circense composto por cowboys falsos, índios de araque e bandidos de mentirinha. Era denominado Oeste Selvagem e foi uma mina de ouro para seu criador, o tornando extremamente rico e bem sucedido. Embora fosse um mentiroso contumaz, Bill acabou criando, sem querer, todos os clichês que até hoje conhecemos da mitologia do western. Os filmes mudos, surgidos no nascimento do cinema, eram claramente inspirados nas encenações do espetáculo de Buffalo, que também teve sua mitológica figura explorada por vários filmes do gênero nos anos seguintes à sua morte.

Em "Buffalo Bill and the Indians", somos levados a conhecer um período bem interessante da vida de Bill, quando ele contratou um mito de verdade do velho oeste para estrelar seu show, o cacique Touro Sentado, famoso por seus feitos contra o exército americano. As cenas em que ambos contracenam mostram verdadeiros duelos entre o personagem de ficção auto inventado e o homem que realmente vivenciou toda a luta pela conquista do oeste selvagem (Touro Sentado). O farsante e o real em lados opostos. Enquanto um vive de contar mentiras sobre si mesmo o outro tenta apenas sobreviver com o pouco de dignidade que ainda lhe resta e de quebra tenta ajudar seu povo, nessa altura da história completamente subjugado pelos brancos. O choque entre a dura realidade e a mais pura fantasia escapista é o grande mérito dessa brilhante e ácida crítica em cima da construção de mitos irreais, que é bem típica da sociedade consumista e vazia dos norte-americanos.

Paul Newman na pele do deslumbrado ídolo está perfeito, numa daquelas atuações que dificilmente esquecemos. A própria surrealidade do cotidiano de Bill (que gostava de namorar cantoras de óperas fracassadas), reforça e torna ainda mais forte sua caracterização. Por fim temos uma participação extremamente inspiradora do grande mito Burt Lancaster. Fazendo o papel de uma pessoa do passado de Bill (que obviamente conhece todas as suas invencionices), Lancaster empresta uma dignidade ímpar a essa película. Sem dúvida Buffalo Bill and the Indians é um excelente filme que nos leva a pensar em vários temas relevantes, como a própria destruição da cultura indígena e a dignidade desse povo que foi massacrado impiedosamente pelos colonos americanos. Um libero que merece ser conhecido por todos.

O Oeste Selvagem (Buffalo Bill and the Indians, Estados Unidos, 1976) Direção: Robert Altman / Roteiro: Arthur Kopit e Alan Rudolph / Elenco: Paul Newman, Harvey Keitel, Geraldine Chaplin, Burt Lancaster, Joel Grey, Kevin McCarthy, Allan F. Nicholls / Sinopse: Buffalo Bill (Paul Newman) é um empresário circense que contrata o lendário Touro Sentado para fazer parte de seu show itinerante. Assim ele parte rumo ao interior dos Estados Unidos para mostrar seu novo espetáculo sensacional sobre o velho oeste selvagem. Filme premiado no Berlin International Film Festival.

Pablo Aluísio.

Rio Lobo

Hoje assisti ao filme Rio Lobo, com o grande mito do Western John Wayne. Curiosamente não me lembrava se já o tinha assistido antes ou não. John Wayne fez tantos filmes e tive o privilégio de acompanhar tantos momentos brilhantes desse ator, seja pela TV ou pelo extinto vídeocassete, que sinceramente bateu uma dúvida se já o tinha assistido ou não. De qualquer forma foi um grande prazer reencontrar o velho Duke novamente. Sou fã de carteirinha de longa data do eterno cowboy, tanto que cheguei a manter um site dedicado apenas ao ator por anos. Algumas cenas me soaram familiares como a parte inicial do filme, onde um grupo de soldados do exército confederado rouba um trem de carregamento de ouro dos ianques. Porém para minha surpresa esse é apenas o primeiro ato da película, que se desenvolve excepcionalmente bem nos dois outros atos da trama. Nem vou me alongar em explicar a sinopse pois esse tipo de coisa é facilmente encontrado na net, apenas vou descer alguns comentários pertinentes sobre o filme.

John Wayne está perfeito em sua caracterização de eterno justiceiro do velho oeste. O elenco de apoio também é muito bom, com destaque para o "Tarzan" Mike Henry, que havia largado o papel do Rei das Selvas após sofrer um ataque de um macaco em fúria nos sets de filmagem. Curioso notar que o filme é da fase final da carreira do astro, já entrando na década de 70 e os velhos filmes de cowboy já eram considerados fora de moda por essa época. Mero detalhe. Em nenhum momento sentimos que o filme esteja datado ou ultrapassado, nada disso, ele é brilhantemente fotografado, com ótimas tomadas externas. Não poderia ser diferente, "Rio Lobo" foi dirigido pelo ótimo e lendário diretor Howard Hawks, o mesmo que colecionou tantos momentos inspirados ao lado de John Wayne em sua carreira, como por exemplo, os eternos clássicos "Rio Bravo", "El Dorado" e até o simpático "Hatari!". Howard inclusive costumava transitar bem em todos os gêneros, dos épicos às comédias de costumes como bem podemos conferir no delicioso filme estrelado pela eterna Marilyn Monroe, "Os Homens Preferem as Loiras".

Rio Lobo foi a última parceria entre John Wayne e Howard Hawks e posso dizer que a despedida foi à altura do talento dos dois. Ambos morreriam na segunda metade dos anos 70 (Hawks em 1977 e Wayne em 1979) e deixariam muitas saudades nos amantes dos velhos westerns. Definitivamente a velha escola do gênero não sobreviveria a essa década, pois nos anos 80 os filmes de faroeste iriam cair em um injusto ostracismo, com meros lampejos de sobrevida em filmes como Silverado e similares. Recentemente assisti novamente ao último filme de John Wayne, chamado providencialmente de "O último pistoleiro" e fiquei realmente triste. Os heróis ao estilo de Wayne, durões, certos em suas opiniões, inabaláveis em suas convicções, com extrema força moral, deixaram definitivamente de existir. Em seu lugar surgiram atores que representavam vulnerabilidade, dúvida, incerteza moral. John Wayne, o símbolo máximo do velho oeste deixou saudades. Ainda bem que sempre poderemos relembrar essa grande fase dourada de Hollywood pela extensa fimografia que ele nos legou.

Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Howard Hawks / Roteiro de Burton Wohl e Leigh Brackett / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Mike Henry, Jennifer O'Neill, Christopher Mitchum, Susana Dosamantes / Sinopse: Após a guerra civil americana um Coronel do exército americano chamado Cord McNally (John Wayne) parte em busca do paradeiro de um traidor de guerra.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Larápios

Título no Brasil: Larápios
Título Original: I Was a Shoplifter
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Charles Lamont
Roteiro: Irwin Gielgud
Elenco: Scott Brady, Mona Freeman, Andrea King, Tony Curtis, Rock Hudson

Sinopse:
Jovem é presa após furtar objetos em uma grande loja de departamentos. Na central de polícia lhe é oferecido um acordo. Ela não irá presa, mas vai colaborar com os policiais, se tornando informante, para que os demais criminosos da região, ladrões em especial, sejam identificados e presos pelos detetives do Departamento de Polícia. 

Comentários:
Um cult movie do chamado cinema noir. Esse foi um movimento cinematográfico bem interessante surgido dentro da indústria americana. Copiando a estética de filmes europeus, usando principalmente do jogo de luzes e sombras, com tramas envolvendo investigações policiais e personagens sórdidos, foi um excelente investimento para os estúdios de Hollywood. Custavam pouco e faturavam bem nas bilheterias. Aqui a Universal colocou seu time de jovens atores, astros em potencial na época, para ir pegando experiência no cinema. Entre eles temos Rock Hudson e Tony Curtis. Eram jovens e ainda desconhecidos do grande público. Ambos iriam se tornar campeões de bilheteria nos anos que viriam. É um bom filme, bem de acordo com a filosofia noir. Por isso acabou se tornando, com o passar dos anos, um dos mais conhecidos exemplares do gênero. 

Pablo Aluísio.