Título no Brasil: Conflitos d'Alma
Título Original: Conflict
Ano de Produção: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Curtis Bernhardt
Roteiro: Arthur T. Horman, Dwight Taylor
Elenco: Humphrey Bogart, Alexis Smith, Sydney Greenstreet, Rose Hobart, Charles Drake, Grant Mitchell
Sinopse:
Richard Mason (Humphrey Bogart) é um engenheiro bem sucedido, casado há muitos anos, que acaba se apaixonando justamente pela irmã da esposa. Ele então decide matar ela, para assim ter uma nova chance de quem sabe um dia, ter um novo casamento com a irmã mais nova dela.
Comentários:
O ator Humphrey Bogart nunca conseguia fugir de um certo tipo de papel. Durante anos ele interpretou criminosos e gângsters em filmes B da Warner. Aqui ele interpreta um sujeito normal, um engenheiro, mas que na primeira oportunidade cria um plano para matar a própria esposa. Eles cultivam um casamento de fachada. Ele já não gosta dela e ela sabe disso. Mesmo assim força a barra para impor uma situação de pura aparência. Quando estão para sair em um jantar de comemoração de aniversário de seu casamento, ela decide então encarar a situação e pergunta se ele está apaixonado por sua própria irmã. O personagem de Bogart nem hesita e diz que sim. Bem, depois disso não há mais nada a preservar e ele arquiteta um plano de forjar a morte dela, como se fosse um acidente de carro. O roteiro é bem orquestrado. Depois da suposta morte dela, a presença da esposa começa a assombrar o marido. O corpo dela nunca foi encontrado pela polícia. Afinal ela teria morrido ou não? O roteiro vai desenvolvendo o mistério até um desfecho que me agradou bastante. Há uma figura secundária dentro da trama, um psiquiatra especializado em mentes criminosas, que acaba sendo um elo importante dentro da história. Fique de olho nele. Enfim, bom filme, pouco conhecido, do grande Bogart, aqui como um criminoso de elite. O mais perigoso assassino é aquele que não se parece com um.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
Anos de Ternura
Título no Brasil: Anos de Ternura
Título Original: The Green Years
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Victor Saville
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Charles Coburn, Tom Drake, Beverly Tyler, Dean Stockwell, Gladys Cooper, Jessica Tandy
Sinopse:
Com roteiro baseado na novela escrita por A.J. Cronin, o filme "Anos de Ternura" conta a história do jovem irlandês Robert Shannon, Quando seus pais morrem, ele é enviado para morar com seus parentes na Escócia. E lá fica muito próximo do avô, Alexander Gow (Charles Coburn), um homem de bom coração, embora fosse dado a contar lorotas e beber em demasia. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Charles Coburn) e melhor fotografia (George J. Folsey).
Comentários:
Que ótimo filme! Adorei! É uma daquelas belas obras cinematográficas que caem injustamente no esquecimento. É um drama que conta a história de um rapaz que passa a ser criado por uma numerosa família escocesa após a morte de seus pais. E cada um dos parentes que passa a conhecer tem sua própria visão de mundo. Seu tio é um sujeito com mania de economizar em tudo, o que é até compreensível pois a família Leckie não é rica e tendo muitos membros precisa contar com cada centavo. A avó é do tipo austera, religiosa ao extremo. E aqui o filme abre um aspecto interessante. O pequeno rapaz por ter sido criado na Irlanda é católico, mas sua nova família é toda protestante, pois eles são escoceses. Porém nada supera o grande talento do ator Charles Coburn. Ele é o avô do menino. Um homem de coração imenso, mas incorrigível na questão da bebida e da mania de contar mentiras, lorotas sobre seu passado. Coburn foi indicado ao Oscar por esse papel e na minha opinião deveria ter vencido. Ele está excepcional no filme. No mais é um belo clássico do cinema que merece ser conhecido pelas novas gerações. Muitos jovens vão se identificar, principalmente na luta do jovem protagonista em estudar para entrar numa boa universidade. Um tipo de batalha pessoal que é realmente atemporal.
Pablo Aluísio.
Título Original: The Green Years
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Victor Saville
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Charles Coburn, Tom Drake, Beverly Tyler, Dean Stockwell, Gladys Cooper, Jessica Tandy
Sinopse:
Com roteiro baseado na novela escrita por A.J. Cronin, o filme "Anos de Ternura" conta a história do jovem irlandês Robert Shannon, Quando seus pais morrem, ele é enviado para morar com seus parentes na Escócia. E lá fica muito próximo do avô, Alexander Gow (Charles Coburn), um homem de bom coração, embora fosse dado a contar lorotas e beber em demasia. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Charles Coburn) e melhor fotografia (George J. Folsey).
Comentários:
Que ótimo filme! Adorei! É uma daquelas belas obras cinematográficas que caem injustamente no esquecimento. É um drama que conta a história de um rapaz que passa a ser criado por uma numerosa família escocesa após a morte de seus pais. E cada um dos parentes que passa a conhecer tem sua própria visão de mundo. Seu tio é um sujeito com mania de economizar em tudo, o que é até compreensível pois a família Leckie não é rica e tendo muitos membros precisa contar com cada centavo. A avó é do tipo austera, religiosa ao extremo. E aqui o filme abre um aspecto interessante. O pequeno rapaz por ter sido criado na Irlanda é católico, mas sua nova família é toda protestante, pois eles são escoceses. Porém nada supera o grande talento do ator Charles Coburn. Ele é o avô do menino. Um homem de coração imenso, mas incorrigível na questão da bebida e da mania de contar mentiras, lorotas sobre seu passado. Coburn foi indicado ao Oscar por esse papel e na minha opinião deveria ter vencido. Ele está excepcional no filme. No mais é um belo clássico do cinema que merece ser conhecido pelas novas gerações. Muitos jovens vão se identificar, principalmente na luta do jovem protagonista em estudar para entrar numa boa universidade. Um tipo de batalha pessoal que é realmente atemporal.
Pablo Aluísio.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Roma Antiga: A Escandalosa Vida do Imperador Heliogábalo
Quando o jovem Heliogábalo se tornou imperador do poderoso Império Romano, a elite tradicional ficou bem desconfiada. Embora ele tivesse linhagem para ser o novo imperador, o rapaz era na verdade desconhecido em Roma. Ele havia sido criado em terras estrangeiras e ninguém na cidade eterna o conhecia de verdade. Sua subida ao poder só era explicada por uma intrigada rede em sua árvore genealógica. E como algumas vezes acontecia em monarquias, ele acabou herdando o poder. A desconfiança da classe Patrícia (formada pelas famílias nobres de Roma) logo se revelaria certeira. Heliogábalo era muito desequilibrado! Psicológos modernos estudando suas atitudes acreditam que ele sofria de um transtorno psicológico conhecido pela sigla TOD (Transtorno Opositivo Desafiador). Esse transtorno faz com que a pessoa seja sempre do contra, tentando destruir todas as bases da sociedade. Qualquer conselho sensato era violentamente negado pelo jovem imperador que começou a desafiar abertamente os valores da sociedade romana.
Ele promoveu orgias em templos religiosos, se vestia como mulher e no ato de supremo desafio contra as elites romanas decidiu que iria se casar com um escravo! Era o fim da picada para os romanos. Imagine presenciar um imperador vestido de mulher, sendo submisso (ou submissa) a um escravo, que estava na base completa da sociedade em Roma, pois o escravo sequer era considerado uma pessoa naqueles tempos antigos, mas sim um bem, um objeto de propriedade de seu senhor.
Heliogábalo passou a exigir que fosse chamado de senhora, imperatriz e não imperador! E passou até mesmo a apanhar de seu marido (escravo) na frente de todos. Certa vez, seu escravo, em uma cerimônia pública, deu uns tapas no imperador! Depois mandou que Heliogábalo se abaixasse perante ele, em posição de dominação! Todos ficaram chocados com tudo aquilo!
Diante de tantas afrontas para a mentalidade de Roma, a elite logo deu autorização para o exército romano dar cabo da vida do imperador. Primeiro foi capturado seu marido, o escravo. Não tardou para que os soldados o colocassem numa cruz romana, para que morresse em agonia e fosse devorado por aves de rapina e cães selvagens, fora dos muros da cidade. Heliogábalo foi caçado por seus próprio legionários, depois de capturado teve a cabeça decepada e no último ato de humilhação seu corpo foi jogado nos esgotos do rio Tibre. Esse tipo de execução era reservada para os piores criminosos. Foi o fim daquele que foi considerado em sua época o pior imperador romano da história.
Pablo Aluísio.
Napoleão Bonaparte no Egito
A campanha de Napoleão Bonaparte no Egito teve início em 1798, durante o período do Diretório na França, e fazia parte de uma estratégia ambiciosa para enfraquecer o Império Britânico. Ao ocupar o Egito, Napoleão pretendia interromper as rotas comerciais inglesas com a Índia e, ao mesmo tempo, ampliar a influência francesa no Mediterrâneo oriental. A expedição reuniu não apenas tropas militares, mas também cientistas, engenheiros, artistas e estudiosos, demonstrando o caráter político, científico e cultural do empreendimento. Esse aspecto diferenciou a campanha egípcia de outras operações militares da época, pois combinava conquista territorial com produção de conhecimento. A chegada das forças francesas marcou um choque entre o mundo europeu moderno e a realidade política do Império Otomano, que dominava a região.
Logo após desembarcar em Alexandria, Napoleão conduziu suas tropas rumo ao interior do Egito e enfrentou os mamelucos na célebre Batalha das Pirâmides, em julho de 1798. A vitória francesa foi decisiva e consolidou o controle inicial sobre o território egípcio, graças à superioridade tática e ao uso disciplinado da infantaria em formações de quadrado. Apesar do sucesso em terra, a situação estratégica francesa tornou-se frágil quando a frota britânica, comandada pelo almirante Horatio Nelson, destruiu a esquadra francesa na Batalha do Nilo. Esse evento isolou o exército de Napoleão no Egito, impedindo reforços e dificultando a comunicação com a França. A partir desse momento, a campanha passou a enfrentar sérios desafios logísticos e políticos, além de revoltas locais contra a ocupação estrangeira.
Mesmo em meio às dificuldades militares, a expedição produziu resultados científicos extraordinários. Os estudiosos que acompanharam Napoleão realizaram extensos levantamentos sobre a geografia, a fauna, a flora, a arquitetura e a história do Egito antigo. Um dos acontecimentos mais importantes foi a descoberta da Pedra de Roseta, em 1799, que posteriormente permitiu a decifração dos hieróglifos egípcios por Jean-François Champollion. Esse achado revolucionou a egiptologia e ampliou o conhecimento europeu sobre as civilizações antigas do Nilo. Além disso, os registros reunidos deram origem à monumental obra “Description de l’Égypte”, que influenciou profundamente a ciência, a arqueologia e até o imaginário artístico europeu do século XIX.
Militarmente, porém, a campanha começou a se deteriorar. Napoleão tentou avançar para a Síria em 1799, buscando enfraquecer as forças otomanas e talvez abrir caminho para novos domínios no Oriente. Durante essa ofensiva, enfrentou resistência intensa em cidades como Acre, cuja defesa, apoiada pelos britânicos, impediu o sucesso francês. As tropas sofreram com doenças, escassez de suprimentos e desgaste contínuo, tornando inviável a continuidade da expansão. Diante desse cenário, Napoleão decidiu retornar secretamente à França, deixando o comando do exército para o general Kléber. Pouco tempo depois, a presença francesa no Egito entrou em colapso, culminando na retirada definitiva em 1801.
Apesar do fracasso militar, a campanha egípcia teve enorme impacto político e cultural. O retorno de Napoleão à França contribuiu para sua ascensão ao poder no golpe do 18 de Brumário, que o transformou em primeiro-cônsul e, posteriormente, imperador. No campo intelectual, a expedição despertou grande fascínio europeu pelo Egito antigo, influenciando a arte, a arquitetura e a ciência. Também evidenciou os limites do expansionismo francês diante do poder naval britânico, elemento central das guerras napoleônicas. Assim, a experiência no Egito representou ao mesmo tempo derrota estratégica e triunfo simbólico, consolidando a imagem de Napoleão como líder militar audacioso e figura decisiva da história moderna.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Elvis Presley - From Elvis in Memphis
O álbum “From Elvis in Memphis” foi lançado em 17 de junho de 1969, pela RCA Victor, marcando um dos momentos mais importantes da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios American Sound, em Memphis, no início de 1969, o disco surgiu após o sucesso do especial televisivo de retorno do cantor em 1968, que havia recolocado Elvis no centro da cultura popular. Diferente de muitos de seus trabalhos anteriores da década, ligados a trilhas sonoras de filmes, este projeto representou um retorno sério à música de estúdio com forte identidade artística. Sob produção de Chips Moman, Elvis gravou com músicos de alto nível, explorando sonoridades que misturavam soul, country, pop e rhythm and blues. O clima das sessões foi de renovação criativa e confiança artística. Esse contexto fez do álbum um verdadeiro renascimento musical. Sua importância reside no fato de consolidar a volta de Elvis como intérprete relevante no cenário contemporâneo. Muitos críticos consideram este o melhor disco de estúdio de toda a sua carreira.
A recepção crítica foi extremamente positiva desde o lançamento. O The New York Times destacou que o álbum mostrava “um Elvis maduro, emocionalmente convincente e artisticamente focado”, ressaltando a profundidade interpretativa inédita em sua discografia recente. Já o Los Angeles Times afirmou que o cantor havia encontrado “o material ideal para sua voz, combinando sofisticação e intensidade emocional”. Críticos observaram que a escolha de repertório era particularmente forte, com composições modernas e arranjos elegantes. A interpretação de Elvis foi vista como sincera e poderosa. Muitos textos ressaltaram que o disco soava contemporâneo, não nostálgico. Isso era crucial para sua reinserção artística. O álbum rapidamente ganhou reputação de obra séria dentro do rock e da música popular. A crítica percebeu que não se tratava apenas de um retorno comercial, mas de um verdadeiro renascimento criativo.
Revistas especializadas como a Rolling Stone elogiaram a coesão sonora do projeto, afirmando que “Elvis nunca soou tão comprometido com a música quanto aqui”. A Billboard destacou o potencial duradouro das canções, especialmente “In the Ghetto”, chamando-a de “uma das interpretações mais socialmente conscientes já gravadas pelo artista”. O The New Yorker observou que havia no disco “uma dignidade emocional rara, que reposiciona Elvis como intérprete adulto”. Mesmo críticas mais cautelosas reconheceram a qualidade excepcional das gravações. Com o tempo, essas avaliações iniciais foram reforçadas. O álbum passou a figurar em listas de melhores discos dos anos 1960. A consistência artística tornou-se consenso. Assim, a recepção crítica consolidou o trabalho como clássico imediato. Poucos discos de retorno foram tão celebrados.
Comercialmente, “From Elvis in Memphis” também obteve grande sucesso. O álbum alcançou o Top 15 da Billboard 200 e teve desempenho expressivo em diversos países. O single “In the Ghetto” tornou-se um grande êxito internacional, entrando no Top 10 dos Estados Unidos e ampliando a relevância cultural do disco. Estima-se que o álbum tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, recebendo certificações de ouro e platina. O público respondeu com entusiasmo ao novo direcionamento musical de Elvis. Muitos fãs consideraram o disco seu melhor trabalho em anos. O sucesso ajudou a sustentar a fase de apresentações ao vivo que viria em seguida. Comercialmente e artisticamente, foi um triunfo. Esse desempenho confirmou a força duradoura do cantor.
O legado de “From Elvis in Memphis” é profundo dentro da história da música popular. Hoje, o álbum é frequentemente citado como o maior disco de estúdio de Elvis Presley e um dos grandes trabalhos do final dos anos 1960. Fãs e críticos o veem como prova definitiva de sua capacidade interpretativa e sensibilidade musical. O disco influenciou gerações de cantores que buscaram unir emoção soul com narrativa country. Também representa um exemplo clássico de reinvenção artística bem-sucedida. Sua sonoridade permanece atual décadas depois. Reedições contínuas mantêm o álbum vivo para novos ouvintes. Poucos retornos na música tiveram impacto comparável. Trata-se de uma obra central no legado de Elvis.
Elvis Presley – From Elvis in Memphis (1969)
Wearin’ That Loved On Look
Only the Strong Survive
I’ll Hold You in My Heart (Till I Can Hold You in My Arms)
Long Black Limousine
It Keeps Right On A-Hurtin’
I’m Movin’ On
Power of My Love
Gentle on My Mind
After Loving You
True Love Travels on a Gravel Road
Any Day Now
In the Ghetto
Erick Steve.
The Beatles - The White Album
O álbum “The Beatles”, mundialmente conhecido como “The White Album”, foi lançado em 22 de novembro de 1968 nos Estados Unidos (e em 22 de novembro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de intensas transformações internas na banda. Gravado principalmente entre maio e outubro de 1968, logo após a viagem do grupo à Índia para estudar meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi, o disco reflete um momento de fragmentação criativa entre John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Diferente da unidade estética de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o White Album apresenta uma coleção ampla e diversa de estilos, do rock cru ao folk, do blues ao experimentalismo sonoro. As tensões pessoais dentro do estúdio influenciaram diretamente o resultado artístico, com vários membros gravando faixas praticamente de forma solo. Ainda assim, o projeto revelou uma liberdade criativa sem precedentes. Sua importância na carreira dos Beatles reside justamente nessa pluralidade e no retrato honesto de uma banda em transformação.
A recepção crítica inicial foi dividida, mas profundamente atenta ao impacto cultural do lançamento. O The New York Times observou que o álbum era “uma obra vasta e irregular, mas impossível de ignorar”, destacando sua ambição artística. Já o Los Angeles Times descreveu o disco como “um mosaico de ideias que expande os limites do que um álbum pop pode conter”. Muitos críticos ficaram impressionados com a variedade de gêneros e abordagens, embora alguns tenham considerado o conjunto excessivamente longo. Revistas musicais reconheceram que, mesmo com inconsistências, o álbum continha algumas das composições mais fortes do grupo. A diversidade sonora foi vista tanto como virtude quanto como desafio para o público. Ainda assim, a magnitude do lançamento dominou o debate cultural daquele ano. O White Album rapidamente se tornou um evento artístico.
Publicações como a Rolling Stone exaltaram a ousadia do projeto, afirmando que “os Beatles demonstram que não há limites para sua imaginação musical”. A Billboard destacou o potencial comercial do disco duplo, chamando-o de “uma vitrine impressionante da versatilidade do grupo”. O The New Yorker adotou um tom mais analítico, sugerindo que o álbum refletia “quatro trajetórias criativas distintas coexistindo sob o mesmo nome”. Mesmo críticas mais céticas reconheciam a relevância histórica do trabalho. Com o passar do tempo, muitas avaliações iniciais foram revistas de forma mais positiva. O álbum passou a ser entendido como um retrato complexo do fim da década de 1960. Hoje, essas leituras críticas ajudam a contextualizar sua grandeza. O consenso posterior consolidou o White Album como uma obra essencial do rock.
Comercialmente, “The White Album” foi um enorme sucesso mundial. Nos Estados Unidos, alcançou o 1º lugar na Billboard 200, permanecendo por várias semanas no topo, enquanto no Reino Unido também liderou as paradas. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 20 milhões de cópias apenas nos EUA e dezenas de milhões globalmente, tornando-se um dos discos mais vendidos da história. O formato duplo não impediu sua popularidade; pelo contrário, ampliou a percepção de grandiosidade. O público respondeu com entusiasmo, impulsionando singles e faixas que se tornaram clássicos. Mesmo canções menos convencionais ganharam status cult ao longo do tempo. O sucesso confirmou a permanência dos Beatles como força dominante na indústria musical. Foi um triunfo tanto artístico quanto comercial.
O legado do White Album é profundo e duradouro. Frequentemente listado entre os maiores álbuns de todos os tempos, ele é visto como símbolo máximo da liberdade criativa no rock. Fãs e críticos valorizam sua diversidade, que permite múltiplas interpretações e descobertas contínuas. O disco influenciou gerações de músicos a experimentar estilos variados dentro de um mesmo projeto. Também representa um documento histórico do momento em que a unidade dos Beatles começava a se desfazer. Sua capa minimalista, totalmente branca, tornou-se um ícone do design gráfico musical. Décadas após o lançamento, continua sendo objeto de estudo, reedições e debates. Poucos álbuns possuem impacto cultural comparável.
The Beatles – The Beatles (The White Album) (1968)
Back in the U.S.S.R.
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Wild Honey Pie
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness Is a Warm Gun
Martha My Dear
I’m So Tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Don’t Pass Me By
Why Don’t We Do It in the Road?
I Will
Julia
Birthday
Yer Blues
Mother Nature’s Son
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Helter Skelter
Long, Long, Long
Revolution 1
Honey Pie
Savoy Truffle
Cry Baby Cry
Revolution 9
Good Night
Erick Steve.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Feliz Ano Velho
Título Original: Feliz Ano Velho
Ano de Lançamento: 1987
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Roberto Gervitz
Roteiro: Roberto Gervitz, Marcelo Rubens Paiva
Elenco: Marcos Breda, Malu Mader, Betty Gofman, Paulo Betti, Denise Del Vecchio, Chico Díaz
Sinopse:
Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, o filme acompanha a vida de um jovem estudante que sofre um grave acidente ao mergulhar em um lago, ficando tetraplégico. A partir desse momento, ele precisa enfrentar não apenas as limitações físicas, mas também conflitos familiares, angústias existenciais e a necessidade de reconstruir sua identidade. Entre lembranças do passado, reflexões sobre juventude e o contexto político do Brasil, a história revela um processo doloroso, porém sensível, de amadurecimento e esperança.
Comentários:
É, acima de tudo, uma história real bem triste, mas que se abraça na esperança de um futuro melhor! Um jovem que na flor da idade, nos anos universitários (os melhores da vida de muitas pessoas), acaba perdendo o movimento das mãos e pernas após um acidente banal, mas que mudou sua vida para sempre. Ao mergulhar numa cachoeira, cuja base de água era muito rasa, ele acabou batendo a cabeça numa pedra. E depois disso nunca mais andou! Eu me recordo que esse livro foi bem popular nos anos 80. Sempre tinha algum estudante lendo ele pelos corredores das escolas e colégios. A linha narrativa do filme, para minha surpresa, não é convencional e nem linear. É mais sensorial. Os eventos e acontecimentos na vida do protagonista vão se sucedendo, mas não em ordem cronológica. Como algúem se lembrando de fatos do passado, a maioria deles dolorosos. Eu gostei bastante do que assisti. É, sem dúvida, um filme muito humano. E se você assistiu "Ainda Estou Aqui" e gostou, serve como um complemento a toda essa história.
Pablo Aluísio.
Perdoa-me Por Me Traíres
Título Original: Perdoa-me Por Me Traíres
Ano de Lançamento: 1983
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Braz Chediak
Roteiro: Braz Chediak, Nelson Rodrigues
Elenco: Vera Fischer, Tarcísio Meira, Cláudio Marzo, Ítala Nandi, Carlos Alberto Riccelli, Lídia Brondi
Sinopse:
Ambientado no universo moralmente sufocante da classe média carioca, o filme acompanha Glorinha, uma jovem criada sob rígidos valores familiares, cuja vida é marcada por repressão, culpa e desejo. Após um trauma devastador, segredos vêm à tona e revelam uma rede de hipocrisia, violência emocional e sexualidade reprimida. A narrativa expõe a corrosão das relações familiares e o peso destrutivo do moralismo extremo.
Comentários:
Nelson Rodrigues capturou, como ninguém, a alma podre de certos setores do povo brasileiro. Queira você goste dele ou não, essa é a verdade! E aqui temos um de seus textos mais consagrados. O filme é uma adaptação da peça homônima de Nelson Rodrigues, um dos textos mais polêmicos do autor. Dirigido por Braz Chediak, cineasta conhecido por levar obras rodrigueanas ao cinema com fidelidade temática. Vera Fischer tem uma atuação marcante, explorando fragilidade psicológica e intensidade dramática. A obra mantém os temas centrais de Nelson Rodrigues: hipocrisia social, repressão sexual, culpa e tragédia familiar. À época do lançamento, o filme gerou debates por seu conteúdo forte e abordagem direta de tabus. É considerado um dos exemplos mais representativos das adaptações cinematográficas do teatro rodrigueano nos anos 1980.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Steven Spielberg e o Dia D
O Resgate do Soldado Ryan
O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) foi lançado em 24 de julho de 1998 e dirigido por Steven Spielberg, reunindo um elenco liderado por Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns e Barry Pepper. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, o filme se inicia no contexto da invasão aliada à Normandia, colocando o espectador diante da brutalidade do conflito desde seus primeiros minutos. A história acompanha um grupo de soldados americanos encarregados de atravessar território inimigo para localizar um paraquedista cuja família já sofreu perdas irreparáveis na guerra. A missão, aparentemente simples no papel, rapidamente se revela moralmente complexa e emocionalmente extenuante, colocando os personagens diante de dilemas éticos profundos. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma reflexão intensa sobre sacrifício, dever, liderança e o valor da vida humana em meio ao caos da guerra, sem jamais antecipar o desfecho da jornada.
No momento de seu lançamento, O Resgate do Soldado Ryan foi recebido com entusiasmo imediato pela crítica americana, sendo rapidamente reconhecido como um marco do cinema de guerra. O The New York Times descreveu o filme como “assustadoramente realista e emocionalmente devastador”, destacando a maneira como Spielberg recriou o campo de batalha com um grau de autenticidade raramente visto até então. O jornal ressaltou ainda a atuação de Tom Hanks, elogiando sua interpretação como “contida, humana e profundamente comovente”. Já o Los Angeles Times afirmou que o filme redefinia o gênero ao abandonar o heroísmo estilizado e apresentar a guerra como uma experiência caótica, confusa e aterradora.
A revista Variety classificou o longa como “um feito técnico e narrativo extraordinário”, elogiando especialmente a sequência inicial do desembarque na Normandia, considerada instantaneamente histórica. O The New Yorker observou que o filme possuía “uma honestidade brutal”, recusando qualquer romantização do combate e obrigando o espectador a encarar o custo humano da guerra. Embora alguns críticos tenham apontado o sentimentalismo presente em certos momentos, o consenso geral foi amplamente positivo, com a maioria reconhecendo o filme como uma obra-prima contemporânea. A recepção crítica consolidou rapidamente o longa como referência definitiva do gênero bélico moderno.
No aspecto comercial, O Resgate do Soldado Ryan foi um enorme sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 70 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 216 milhões apenas nos Estados Unidos. No mercado internacional, o desempenho foi igualmente expressivo, elevando a arrecadação mundial para cerca de US$ 482 milhões. Esses números colocaram o filme entre os maiores sucessos comerciais de 1998 e demonstraram que um drama de guerra intenso, adulto e sem concessões poderia alcançar grande público. O sucesso financeiro foi reforçado por sua forte presença em premiações e por uma longa permanência em cartaz.
Com o passar dos anos, O Resgate do Soldado Ryan consolidou-se como um dos filmes mais respeitados da história recente do cinema. Atualmente, é amplamente considerado um dos maiores filmes de guerra já realizados, sendo citado como referência tanto por críticos quanto por cineastas. A influência do filme é visível em produções posteriores que buscaram maior realismo na representação do combate. A obra venceu cinco Oscars, incluindo Melhor Diretor para Steven Spielberg, e segue sendo elogiada por veteranos de guerra e historiadores por sua representação crua e impactante do conflito. Hoje, o filme é visto como um clássico moderno e um marco definitivo na filmografia de Spielberg.
O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, Estados Unidos, 1998) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Robert Rodat / Elenco: Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper, Giovanni Ribisi / Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados atravessa território inimigo em uma missão arriscada que coloca em questão o valor da vida, do dever e do sacrifício em meio ao horror da guerra.
Erick Steve.
O Conan de Arnold Schwarzenegger
Conan, O Bárbaro
Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian) foi lançado em 14 de maio de 1982 e marcou a estreia de John Milius na direção de um épico de fantasia sombria que se tornaria referência no gênero. O filme revelou Arnold Schwarzenegger como protagonista absoluto, ao lado de James Earl Jones, Sandahl Bergman e Gerry Lopez. Ambientado em um mundo fictício inspirado na Era Hiboriana criada por Robert E. Howard, o filme acompanha Conan desde a infância marcada por tragédia até sua transformação em um guerreiro moldado pela dor, pela escravidão e pelo desejo de vingança. A narrativa se inicia com a destruição de sua aldeia por um culto misterioso liderado por um líder carismático e cruel, evento que define toda a trajetória do personagem. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma jornada brutal e mitológica sobre força, destino, liberdade e sobrevivência, sem jamais antecipar o desfecho da saga.
Quando lançado, Conan, o Bárbaro provocou uma reação crítica mista, dividindo a imprensa americana. O The New York Times descreveu o filme como “excessivamente violento e narrativamente primitivo”, embora tenha reconhecido a força visual e a trilha sonora marcante de Basil Poledouris. Já o Los Angeles Times foi mais receptivo, elogiando a ambição épica do projeto e afirmando que o filme possuía “uma energia mitológica rara no cinema comercial da época”. A atuação física de Schwarzenegger foi vista com ceticismo por alguns críticos, mas também reconhecida como adequada à natureza quase arquetípica do personagem.
A revista Variety destacou o filme como “um espetáculo visual poderoso”, apontando que sua força residia menos nos diálogos e mais na construção imagética e simbólica. O The New Yorker, por sua vez, observou que o filme parecia “mais interessado em criar um mundo e uma atmosfera do que em contar uma história convencional”, o que afastou parte da crítica tradicional. Ainda assim, muitos analistas reconheceram que havia algo singular na abordagem de John Milius, que tratava a fantasia com seriedade operística e um tom quase filosófico. Na época, o consenso crítico foi dividido, com elogios ao visual e à trilha sonora, mas reservas quanto ao roteiro e à brutalidade explícita.
No campo comercial, Conan, o Bárbaro foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 20 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 68 milhões mundialmente. Nos Estados Unidos, o desempenho foi especialmente forte, consolidando o filme como um dos maiores sucessos de fantasia do início dos anos 1980. O retorno financeiro expressivo garantiu não apenas a continuação direta, mas também transformou Arnold Schwarzenegger em uma estrela internacional, abrindo caminho para sua carreira dominante no cinema de ação da década seguinte.
Com o passar dos anos, Conan, o Bárbaro passou por uma reavaliação crítica altamente positiva. Atualmente, o filme é visto como um clássico cult e um dos exemplos mais influentes da fantasia adulta no cinema. Críticos contemporâneos destacam a trilha sonora monumental, a direção visual rigorosa e o tom sério com que o filme trata seus temas. A obra é frequentemente elogiada por não suavizar seu universo e por abraçar uma estética brutal e mitológica, diferenciando-se das fantasias mais leves que viriam depois. Hoje, é considerado o capítulo definitivo do personagem no cinema e um marco cultural dos anos 1980.
Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian, Estados Unidos, 1982) Direção: John Milius / Roteiro: John Milius e Oliver Stone (baseado nos personagens criados por Robert E. Howard) / Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Sandahl Bergman, Gerry Lopez, Max von Sydow, Mako / Sinopse: Um guerreiro moldado pela tragédia e pela escravidão parte em uma jornada de sobrevivência e vingança em um mundo brutal, onde força, destino e liberdade se confrontam constantemente.
Erick Steve.
Assinar:
Comentários (Atom)









