sábado, 15 de agosto de 2026

Elvis Presley - Loving You

Elvis Presley - Loving You 
Lançado em 1º de julho de 1957, Loving You foi o primeiro álbum de trilha sonora de Elvis Presley e o seu terceiro álbum de estúdio, ocupando uma posição importante na consolidação de sua carreira cinematográfica. O disco funcionou como trilha sonora do filme Loving You, lançado naquele mesmo mês, e reuniu gravações realizadas principalmente nos estúdios da Paramount e da Radio Recorders, em Hollywood. O álbum representava uma etapa decisiva na carreira de Elvis: depois do impacto revolucionário de seus primeiros singles e de Elvis, de 1956, ele começava a transformar sua popularidade musical em um fenômeno também cinematográfico. O repertório combinava rock and roll, country, baladas e números mais próximos do pop tradicional, permitindo que Presley mostrasse diferentes aspectos de sua personalidade artística. A faixa-título, "Loving You", tornou-se um de seus grandes sucessos daquele período, enquanto "Mean Woman Blues" e "Teddy Bear" reforçaram sua capacidade de alternar entre energia roqueira e romantismo. Loving You também é importante por documentar Elvis no momento exato em que ele deixava de ser apenas uma sensação musical para se transformar em um dos maiores astros populares dos Estados Unidos.

A recepção crítica foi geralmente positiva, especialmente entre as publicações voltadas à indústria fonográfica. A Billboard destacou a força comercial do material e a capacidade de Elvis de transitar entre diferentes estilos, observando que o cantor continuava demonstrando "um extraordinário domínio sobre o mercado juvenil". A Cash Box elogiou a variedade do repertório e apontou "Teddy Bear" como uma das faixas mais acessíveis e comerciais do conjunto. A crítica também observou que Elvis estava começando a desenvolver uma relação mais complexa com o cinema: suas músicas precisavam funcionar dentro da narrativa de um filme, mas continuavam sendo lançadas como produtos independentes nas lojas de discos. A Variety avaliou positivamente a trilha sonora e destacou a presença de Presley como o principal elemento de atração do filme. Para os críticos da época, Loving You confirmava que o sucesso de Elvis não era um fenômeno passageiro, mas uma transformação profunda da indústria do entretenimento.

A imprensa também percebeu que o disco representava uma nova etapa na carreira do cantor. O The New York Times observou que Elvis havia conseguido levar sua popularidade musical para o cinema sem perder completamente a energia que o havia tornado famoso. O Los Angeles Times, por sua vez, chamou atenção para a combinação entre o carisma cinematográfico de Presley e sua capacidade de sustentar um repertório musical variado. A imprensa especializada também destacou a importância de "Teddy Bear", uma balada pop que mostrou que Elvis poderia alcançar públicos muito além dos admiradores tradicionais do rock and roll. A crítica posterior passou a avaliar o álbum dentro do contexto da primeira fase cinematográfica do cantor, reconhecendo que, apesar de sua natureza ligada ao filme, Loving You contém algumas gravações fundamentais de seu repertório de 1957. Especialistas também valorizam a energia das sessões de gravação, nas quais Elvis trabalhou com músicos como Scotty Moore, Bill Black e D. J. Fontana, responsáveis por parte essencial da sonoridade de seus primeiros anos.

Comercialmente, Loving You foi um enorme sucesso. O álbum alcançou o primeiro lugar da parada de álbuns da Billboard, tornando-se mais um LP de Elvis a chegar ao topo da parada americana. O sucesso foi ainda mais impressionante porque ocorreu quando o cantor tinha apenas 22 anos e estava no auge da transformação cultural provocada pelo rock and roll. O single "Teddy Bear" também chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100, permanecendo no topo por sete semanas. "Loving You" também teve excelente desempenho e chegou ao Top 30. O álbum recebeu posteriormente certificação de ouro pela RIAA, comprovando vendas superiores a 500 mil cópias nos Estados Unidos. O desempenho de Loving You confirmou que Elvis possuía uma capacidade extraordinária de transformar praticamente qualquer lançamento em um fenômeno comercial e mostrou à indústria cinematográfica que seus filmes poderiam funcionar também como grandes veículos para sua música.

O legado de Loving You permanece profundamente ligado ao período em que Elvis Presley consolidou sua posição como o maior astro jovem da música americana. Para os historiadores do rock, o álbum registra uma fase em que sua carreira ainda mantinha grande parte da energia rebelde dos primeiros anos, antes que Hollywood passasse a exercer influência cada vez maior sobre seu repertório. Para os fãs, o disco é especialmente importante por reunir gravações de 1957 que mostram Elvis em excelente forma vocal e interpretativa. "Teddy Bear" permanece como uma de suas baladas mais populares, enquanto "Mean Woman Blues" demonstra que o cantor ainda dominava o rock and roll com enorme força. Embora posteriormente Elvis tenha produzido álbuns artisticamente mais sofisticados, Loving You conserva uma importância histórica enorme por representar o primeiro grande encontro entre sua carreira musical e cinematográfica. Mais de seis décadas depois, continua sendo um dos registros essenciais do período clássico do Rei do Rock.

Elvis Presley - Loving You (1957)
Mean Woman Blues
(Let Me Be Your) Teddy Bear
Loving You
Got a Lot o' Livin' to Do!
Lonesome Cowboy
Hot Dog
Party
Blueberry Hill
True Love
Don't Leave Me Now
Have I Told You Lately That I Love You?
I Need You So

Pablo Aluísio. 

The Doors - Strange Days

The Doors - Strange Days
Lançado em 25 de setembro de 1967, Strange Days foi o segundo álbum de estúdio do The Doors e consolidou a reputação do grupo como uma das forças mais originais e provocadoras da psicodelia americana. Gravado após o enorme impacto do álbum de estreia, o disco aprofundou a atmosfera sombria, sensual e experimental que havia caracterizado o primeiro trabalho. Jim Morrison, Ray Manzarek, Robby Krieger e John Densmore utilizaram o estúdio de maneira mais sofisticada, incorporando efeitos eletrônicos, novas técnicas de gravação e uma produção muito mais elaborada. Canções como "Strange Days", "People Are Strange", "Love Me Two Times" e "When the Music's Over" demonstravam que a banda não pretendia simplesmente repetir a fórmula de seu primeiro álbum. O resultado foi uma obra mais experimental e inquietante, refletindo perfeitamente o ambiente cultural de 1967, marcado pela contracultura, pela psicodelia e pelas profundas transformações sociais. Strange Days também revelou um grupo disposto a explorar os limites entre rock, poesia, jazz, blues e música psicodélica.

A recepção crítica foi bastante positiva, embora alguns jornalistas tenham considerado o álbum menos imediatamente acessível que o disco de estreia. A Billboard destacou a "atmosfera hipnótica" do trabalho e elogiou especialmente a combinação entre a voz de Morrison e os teclados de Manzarek. A Cash Box observou que o grupo continuava demonstrando uma personalidade musical incomum, destacando a força de "People Are Strange". A Rolling Stone, em sua avaliação do período, reconheceu a originalidade da banda e a qualidade das composições, embora observasse que o material possuía uma natureza mais experimental. A publicação destacou particularmente a capacidade de Morrison de combinar poesia, teatralidade e música popular. No Reino Unido, a New Musical Express também chamou atenção para a personalidade singular do grupo, especialmente para a maneira como os Doors construíam uma atmosfera musical que parecia simultaneamente ameaçadora e sedutora.

Os grandes jornais e revistas culturais também se interessaram pelo fenômeno Doors. O The New York Times destacou a intensidade da performance vocal de Morrison e a originalidade dos arranjos, observando que o grupo estava entre os nomes mais interessantes da nova geração do rock americano. O Los Angeles Times ressaltou a importância da combinação entre os instrumentos da banda, especialmente o uso do órgão e do teclado de Manzarek para criar uma sonoridade que não dependia de um baixo elétrico convencional. A The New Yorker, em retrospectivas posteriores sobre o rock dos anos 1960, destacou Strange Days como um retrato particularmente expressivo da atmosfera psicodélica de Los Angeles naquele período. A crítica posterior tornou-se ainda mais entusiasmada, com especialistas apontando "When the Music's Over" como uma das grandes experiências psicodélicas do rock. A crescente valorização do álbum ajudou a transformá-lo de um bom sucessor do primeiro disco em um clássico independente da música dos anos 1960.

Comercialmente, Strange Days teve desempenho expressivo, embora não tenha repetido exatamente o impacto de seu antecessor. O álbum alcançou a 3ª posição na Billboard 200, permanecendo por várias semanas entre os discos mais vendidos dos Estados Unidos. No Reino Unido, chegou à 7ª posição, demonstrando que o grupo começava a conquistar também o mercado europeu. O single "People Are Strange" alcançou o 12º lugar na Billboard Hot 100, enquanto "Love Me Two Times" também obteve bom desempenho. O álbum acabou recebendo certificação de platina nos Estados Unidos, com vendas superiores a um milhão de cópias. Seu sucesso confirmou que os Doors não eram apenas uma novidade passageira associada à psicodelia de 1967. O público estava disposto a acompanhar a banda em experiências musicais cada vez mais ousadas, preparando o terreno para os trabalhos posteriores que consolidariam definitivamente seu lugar na história do rock.

O legado de Strange Days é hoje enorme. O álbum é considerado por muitos especialistas um dos melhores trabalhos do The Doors e um dos documentos mais importantes da psicodelia americana de 1967. Sua atmosfera sombria, a produção experimental e a combinação entre rock, blues, jazz e poesia continuam influenciando músicos de diferentes gerações. "People Are Strange" tornou-se uma das canções mais reconhecíveis do repertório da banda, enquanto "When the Music's Over" permanece como uma demonstração da capacidade dos Doors de transformar uma canção de rock em uma experiência quase teatral. Para os fãs, o disco representa um dos momentos mais fascinantes da breve carreira do grupo, quando sua criatividade ainda parecia ilimitada. Mais de cinco décadas depois, Strange Days permanece como um clássico essencial do rock psicodélico e uma obra indispensável para compreender a revolução musical ocorrida nos Estados Unidos no final dos anos 1960.

The Doors - Strange Days (1967)
Strange Days
You're Lost Little Girl
Love Me Two Times
Unhappy Girl
Horse Latitudes
Moonlight Drive
People Are Strange
My Eyes Have Seen You
I Can't See Your Face in My Mind
When the Music's Over

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Hora do Silêncio

Título no Brasil: A Hora do Silêncio 
Título Original: The Silent Hour
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Meridian Pictures
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Dan Hall 
Elenco: Joel Kinnaman, Sandra Mae Frank, Mekhi Phifer, Mark Strong, Michael Eklund, Anthony Grant

Sinopse:
Frank Shaw (Joel Kinnaman) é um policial que sofre um sério acidente durante uma perseguição a um criminoso e perde a capacidade de ouvir. Ainda assim continua na corporação e acaba se envolvendo sem querer numa extensa rede criminosa com policiais corruptos. Esses querem eliminar uma testemunha de um de seus crimes, mas Frank vai fazer de tudo para proteger a jovem, que também tem deficiência auditiva. 

Comentários:
Não faz muito tempo assisti a um filme com o ator Joel Kinnaman em que ele interpretava um policial que perdia a capacidade de falar. Aqui temos quase a mesma coisa. A mudança mais significativa é que nesse filme ele interpreta um policial que está ficando surto após ser atropelado durante uma perseguição a um bandido. A trama se desenvolve praticamente toda dentro de um prédio condenado. Uma jovem surda mora ali e testemunhou um grupo de policiais extorquindo e matando uma pessoa indefesa. Agora eles querem fazer a limpeza de arquivo, mas o personagem de Kinnaman vai tentar proteger a moça. É um roteiro que explora ao máximo aquela situação de gato em perseguição ao rato, só que aqui o rato é o mocinho da história. Gostei do filme. Os roteiristas tiveram competência suficiente para criar situações em que o espectador fica realmente interessado no que vai acontecer na próxima cena. Nos tempos atuais isso já é mais do que satisfatório. 
 
Pablo Aluísio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Supergirl

Título no Brasil: Supergirl
Título Original: Supergirl
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: DC Studios
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, David Corens, Eve Ridley, Emily Pickford, Bruce Lennox

Sinopse:
A jovem Kara Zor-El vive em um planeta distante. Para afogar as mágoas e os traumas de seu passado complicado, ela se tornou uma garota festeira, que não perde uma balada. O problema é que assim vive de ressaca, indo de festa em festa, sem pensar muito em seu futuro. E as coisas vão se complicar muito, principalmente depois que ela cruzar o caminho de um grupo de criminosos espaciais, os bandoleiros. 

Comentários:
Esse filme é um erro desde o começo. A Supergirl é uma tralha dos quadrinhos, criada lá no final dos anos 1950. As vendas andavam em baixa, então inventaram que o Superman tinha uma prima e um cachorro chamado Kripton que também tinha super poderes e tudo mais. Pura vigarice comercial! E ela nunca teve um grande momento no mundo dos quadrinhos. Então fazer um filme com essa personagem, ainda mais nessa tentativa da DC de levantar sua marca no mundo do cinema, realmente não passou de uma grande estupidez por parte dos executivos. O resultado foi uma bilheteria bem ruim. Pior do que isso, o filme é igualmente ruim. Sem ter uma boa fonte para trazer boas ideias para as telas, os roteiristas escreveram uma história muito fraca, que não vai para lugar nenhum. Os vilões são copiados do universo de Mad Max e o tal de Lobo, que deveria ser um destaque, no fundo não serve pra nada. O filme é isso, um blockbuster naufragado, flopado, que no final das contas também não serve para nada. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A Vida e as Mortes de Christopher Lee

Título no Brasil: A Vida e as Mortes de Christopher Lee 
Título Original: The Life and Deaths of Christopher Lee
Ano de Lançamento: 2024
País: Reino Unido
Estúdio: Trigger Films
Direção: Jon Spira
Roteiro: Jon Spira
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Vincent Price, Peter Jackson, John Landis, Joe Dante, George Lucas (em arquivos de imagens). 

Sinopse:
Documentário que se propõe a contar a história de vida e a carreira do ator britânico Christopher Lee. Filho de uma família proveniente da aristocracia inglesa, ele ousou recusar o destino que havia sido traçado por seu pais, a de ser diplomata, para se tornar um ator de teatro e cinema, se tornando, nesse processo, uma das figuras mais famosas e queridas da cultura pop. 

Comentários:
Esse documentário é ótimo! Tem um carinho enorme pelo Christopher Lee, um dos nomes mais presentes em filmes clássicos de terror, que não parou por aí, pois já idoso conseguiu ter um novo auge em sua carreira quando entrou para duas das mais populares franquias do cinema: O Senhor dos Anéis e Star Wars. E sua história pessoal conseguiu ser até mesmo mais interessante do que seus vários filmes. Nesse documentário descobrimos, por exemplo, que Christopher Lee foi agente secreto inglês durante a Segunda Guerra Mundial! Quem poderia imaginar algo assim? Também era um aristrocrata, de uma das famílias mais tradicionais da Inglaterra. Seu avô havia sido um Conde! Imagine que coisa mais surpreendente! Teve uma educação refinada, estudando nos melhores colégios de Londres, mas colocou tudo isso de lado para realizar o seu sonho de ser um ator! Melhor para os cinéfilos que receberam o melhor de seu talento nas salas de cinemas por décadas! Ele merece mesmo todos os nossos aplausos por sua incrível trajetória de vida e principalmente por carreira de amor à arte da interpretação! 

Pablo Aluísio.

Resident Evil 3: A Extinção

Título no Brasil: Resident Evil 3: A Extinção
Título Original: Resident Evil: Extinction
Ano de Lançamento: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Constantin Film
Direção: Russell Mulcahy
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Oded Fehr, Ian Glen, Ashanti

Sinopse:
Em um mundo devastado e sem esperanças, um grupo de sobreviventes caminha em uma jornada que parece não ter fim pelo deserto. Todos parecem estar condenados pelas areias do tempo e pelo sol escaldante. E para piorar essa situação já tão desesperadora, eles passam a ser atacados por zumbis sedentos por cérebros humanos! 

Comentários:
Sendo bem sincero e colocando todas as cartas sobre a mesa devo confessar que nunca fui fã dessa franquia "Resident Evil". Admito que ela trouxe todo um revival do nicho dos mortos-vivos, mas não tenho qualquer receio de dizer que isso foi mais negativo do que positivo para o cinema de terror. Aliás Resident Evil sequer pode ser considerado um filme puro sangue de terror, aqui usando a palavra no sentido mais estrito do gênero. Está mais para um filme Sci-fi com zumbis. E não ajuda muito o fato de que não existe nenhuma grande diferença no roteiro dos diversos filmes lançados. Esse aqui até tenta ser um pouquinho diferente, roubando ideias inclusive de outras franquias como "Mad Max", mas sem resultados satisfatórios. Enfim, assisti uma vez e... nunca mais desejo rever!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Rifles Apaches

Rifles Apaches
A colonização rumo ao oeste dos Estados Unidos foi violenta e repleta de situações de guerra envolvendo os soldados da cavalaria do exército (conhecidos como casacas azuis) e os nativos, tribos e nações indígenas que lutavam por suas terras. Alguns tratados de paz foram celebrados, mas também rompidos, tanto por um lado como pelo outro. A história desse faroeste se passa justamente nesse período histórico marcante dos Estados Unidos, quando brancos e índios entraram em confronto direto, resultando muitas mortes no meio do deserto escaldante do velho oeste.

A história desse filme se passa em 1879, no território do Arizona. Um grupo de guerreiros apaches rompem o tratado de paz, deixam sua reserva e partem em luta contra os soldados do exército. O Capitão Jeff Stanton (Audie Murphy) é designado pelo alto comando para liderar uma unidade da cavalaria para localizar, combater e capturar os Apaches rebeldes. E no meio de todo esse clima de confronto ainda surgem mineradores mal intencionados que desejam roubar os metais preciosos nessas mesmas terras de conflito. Bom filme de western, contando com Audie Murphy, veterano da II Guerra Mundial, que se tornou ator bem popular de filmes de faroeste da época, inclusive no Brasil.

Rifles Apaches (Apache Rifles, Estados Unidos, 1964) Direção: William Witney / Roteiro: Charles Smith, Kenneth Gamet / Elenco: Audie Murphy, Michael Dante, Linda Lawson / Sinopse: Capitão da cavalaria do exército dos Estados Unidos recebe ordens para combater e aprisionar um grupo de violentos guerreiros Apaches que deixaram a reserva onde viviam para partir em uma campanha de vingança contra os homens brancos que invadiram suas terras ancestrais.

Pablo Aluísio.

A Trilha da Amargura

A Trilha da Amargura 
Durante as chamadas guerras indígenas um obstinado tenente da cavalaria americana, Billings (Robert Stack), recebe uma importante missão: levar um tratado de paz até uma nação nativa distante e isolada no meio do deserto do oeste americano. Para tanto ele reúne seus homens (um pelotão do exército americano) e parte em direção a uma região hostil e praticamente desconhecida do homem branco. No meio do caminho encontram o filho do chefe Nuvem Cinzenta que lhes promete levar até seu pai. O problema é que o jovem guerreiro na verdade esconde suas reais intenções pois odeia o homem branco e sua sede de dominação. Assim leva o pelotão a uma viagem sem fim, sem rumo certo, andando em círculos, com a única finalidade de levar todos a morrerem no meio do deserto por sede e fome. Confiando demais no jovem guerreiro o tenente finalmente entende que está trilhando um caminho sem volta, que poderá levar todos os seus homens à morte certa.

"A Trilha da Amargura" é um faroeste com toques de aventura. O deserto, seco e completamente inóspito, acaba virando um dos principais personagens da trama. Os homens sedentos, desesperados e à mercê da natureza implacável precisam se virar como podem para sobreviver. Com locações no famoso Vale da Morte na Califórnia, a produção se destaca por sua escolha por um tom mais realista das vastas planícies desoladas do velho oeste americano. A própria farda azul dos soldados acaba ganhando um tom de cinza de tanta poeira e desolação.

Quando conseguem encontrar algum manancial no meio do nada logo percebem que a água não é potável. Some-se a isso a presença de serpentes venenosas e a própria exaustão da peregrinação rumo a um destino que parece nada agradável. O elenco do filme é liderado por Robert Stack, ator que hoje em dia já não é muito conhecido mas que nas décadas de 50 e 60 marcou época principalmente por interpretar o policial Eliot Ness no famoso seriado de TV "Os Intocáveis". Ficou tão marcado por esse papel que depois sentiu dificuldade em estrelar outros filmes. Felizmente conseguiu realizar produções interessantes como bem prova esse bom western "A Trilha da Amargura".

A Trilha da Amargura (War Paint, Estados Unidos,1953) Direção: Lesley Selander / Roteiro: Fred Freiberger, William Tunberg / Elenco: Robert Stack, Joan Taylor, Charles McGraw / Sinopse: Pelotão da cavalaria americana acaba sendo enganado pelo filho do chefe tribal ao qual o grupo procura para entregar um tratado de paz entre brancos e índios.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Os Canhões de Navarone

Os Canhões de Navarone
Os Canhões de Navarone foi lançado nos Estados Unidos em 22 de junho de 1961, com direção de J. Lee Thompson, a partir do romance homônimo de Alistair MacLean, publicado em 1957. A produção reuniu um elenco internacional de grande prestígio, liderado por Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Anthony Quayle, Stanley Baker e James Darren, além de Irene Papas e Gia Scala. O roteiro foi escrito por Carl Foreman, que também produziu o filme, e a Columbia Pictures transformou o projeto em uma das maiores aventuras de guerra de sua época, com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões. Filmado em grande parte na Grécia, o longa aproveitou as paisagens mediterrâneas para criar uma atmosfera de autenticidade e aventura. A história se passa em 1943, quando dois mil soldados britânicos estão presos na ilha de Kheros e não podem ser resgatados porque enormes canhões alemães instalados na fortaleza da vizinha ilha de Navarone controlam o acesso marítimo. Para destruir essas armas, os Aliados enviam uma pequena equipe comandada pelo capitão Keith Mallory, um especialista em montanhismo interpretado por Gregory Peck. Ao lado dele estão o cabo John Miller, especialista em explosivos; o coronel grego Andrea Stavros; o major Roy Franklin; e outros combatentes. Para cumprir a missão, o grupo precisa atravessar uma ilha fortemente defendida pelos alemães, escalar penhascos praticamente inacessíveis, enfrentar traições e superar conflitos pessoais antes de chegar ao gigantesco complexo de artilharia.

A reação da crítica americana foi bastante favorável, embora não unânime, principalmente porque alguns críticos consideraram a aventura excessivamente melodramática. Bosley Crowther, do The New York Times, reconheceu a força do espetáculo, mas observou que o filme seguia a tradição dos grandes épicos de ação, com "mais ênfase no melodrama do que no caráter ou na credibilidade". Ainda assim, Crowther admitiu que havia muito entretenimento nas cenas de ação e nas demonstrações individuais de heroísmo. A Variety, por outro lado, foi muito mais entusiasmada, considerando que o filme possuía estrelas importantes, excelentes efeitos especiais, situações de grande impacto e uma fotografia competente, chegando à conclusão de que Carl Foreman e J. Lee Thompson haviam produzido um verdadeiro vencedor. A revista The New Yorker, em crítica de Brendan Gill, também incluiu o filme entre os grandes lançamentos daquele período, embora sua abordagem fosse menos entusiasmada do que a da imprensa popular. A principal conclusão da crítica americana foi, portanto, positiva: Os Canhões de Navarone podia ser exagerado e pouco realista em determinados momentos, mas funcionava extraordinariamente bem como cinema de aventura. A combinação de Gregory Peck, David Niven e Anthony Quinn, aliada às sequências de ação e ao cenário grego, fez com que o filme fosse encarado como um espetáculo de primeira linha.

No Reino Unido, entretanto, a avaliação crítica foi mais dividida. O The Guardian reconheceu a dimensão épica da produção e destacou que Carl Foreman e J. Lee Thompson estavam trabalhando em uma escala muito superior à de um filme de guerra convencional, mas a crítica contemporânea foi bastante mais severa ao comparar a obra com outros épicos do período. Um comentário publicado no jornal chegou a considerar Os Canhões de Navarone uma espécie de aventura juvenil, classificando-o como um espetáculo convencional de guerra e questionando a pretensão de Carl Foreman de apresentar uma reflexão sobre a inutilidade do conflito. Essa diferença entre crítica e público é importante para compreender a trajetória do filme: intelectuais e críticos mais interessados em realismo ou profundidade psicológica enxergavam limitações, enquanto o público encontrava exatamente aquilo que procurava em um grande filme de guerra. O reconhecimento da indústria, contudo, foi extraordinário. Os Canhões de Navarone recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor para J. Lee Thompson, Montagem, Trilha Sonora, Som e Roteiro Adaptado, vencendo o Oscar de Melhores Efeitos Especiais. No Globo de Ouro de 1962, venceu Melhor Filme – Drama e Melhor Trilha Sonora, enquanto J. Lee Thompson foi indicado a Melhor Diretor.

Com um orçamento de aproximadamente US$ 6 milhões, uma quantia extraordinariamente elevada para um filme de guerra daquele período, a produção precisava de uma grande bilheteria para se tornar lucrativa. E foi exatamente isso que aconteceu. Segundo o The Numbers, o filme arrecadou cerca de US$ 28,9 milhões somente nos Estados Unidos, transformando-se no filme de maior bilheteria do mercado americano em 1961, à frente de obras como West Side Story, 101 Dálmatas e El Cid. O resultado foi especialmente impressionante porque o filme tinha quase duas horas e quarenta minutos de duração e dependia de grandes investimentos em cenários, locações, efeitos e cenas de ação. O público respondeu com entusiasmo ao espetáculo, e o sucesso não se limitou aos Estados Unidos. Na França, por exemplo, o filme registrou mais de 10 milhões de espectadores, demonstrando a enorme popularidade internacional da produção. A combinação de aventura, guerra, espionagem, suspense e grandes estrelas funcionou perfeitamente junto ao público. Gregory Peck oferecia a figura heroica central, David Niven acrescentava humor e personalidade, enquanto Anthony Quinn dava ao filme uma presença dramática particularmente forte. O resultado comercial confirmou que Os Canhões de Navarone não era apenas um sucesso de crítica técnica e de premiações, mas um genuíno fenômeno popular.

Mais de seis décadas depois, Os Canhões de Navarone continua sendo considerado um dos grandes clássicos do cinema de guerra e aventura produzido no início dos anos 1960. A avaliação contemporânea é especialmente favorável quando se considera a capacidade do filme de combinar espetáculo e desenvolvimento de personagens dentro de uma produção de enorme escala. No Rotten Tomatoes, a obra mantém 92% de aprovação da crítica e 86% entre o público, enquanto a avaliação geral permanece muito positiva. O filme também conserva uma nota de aproximadamente 7,5/10 no IMDb, baseada em dezenas de milhares de avaliações, demonstrando que continua sendo descoberto e apreciado por novas gerações. Críticos modernos costumam reconhecer que alguns elementos envelheceram, especialmente a representação simplificada dos alemães e determinados exageros da narrativa, mas as grandes sequências de ação continuam funcionando. A escalada dos penhascos, a infiltração na fortaleza, as batalhas e a destruição dos canhões permanecem entre os momentos mais memoráveis do cinema de guerra clássico. O filme também ajudou a consolidar o modelo do "grupo de especialistas em missão impossível", estrutura que seria posteriormente utilizada por inúmeras produções de guerra e ação. Sua influência pode ser percebida em filmes posteriores sobre comandos, sabotagem e operações atrás das linhas inimigas. Dessa forma, Os Canhões de Navarone permanece não apenas como uma aventura popular de sua época, mas como um dos filmes que ajudaram a estabelecer a linguagem dos grandes espetáculos bélicos modernos.

Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone, Reino Unido / Estados Unidos, 1961) Direção: J. Lee Thompson / Roteiro: Carl Foreman, baseado no livro The Guns of Navarone, de Alistair MacLean / Elenco: Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Anthony Quayle, Stanley Baker e James Darren. / Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de comandos aliados precisa infiltrar-se em uma ilha grega ocupada pelos nazistas e destruir uma poderosa fortaleza de artilharia antes que seus canhões impeçam definitivamente uma operação de resgate.

Pablo Aluísio. 

Adeus, Amor

Título no Brasil: Adeus, Amor
Título Original: Bye Bye Birdie
Ano de Produção: 1963
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: George Sidney
Roteiro: Michael Stewart, Irving Brecher
Elenco: Ann-Margret, Dick Van Dyke, Janet Leigh, Maureen Stapleton, Bobby Rydell, Jesse Pearson

Sinopse:
Um famoso cantor de rock, ídolo internacional da música jovem, vai até uma cidadezinha perdida no Ohio para gravar seu programa de despedida antes de ir servir o exército americano. Lá é feito um concurso para escolher a fã número 1 dele que ganhará o direito de beijar seu grande ídolo. A adolescente Kim McAfee (Ann-Margret) entra no concurso disposta a sair vencedora.

Comentários:
Um musical simpático, bem humorado e com uma inédita postura de sátira besteirol, algo que era bem raro no começo dos anos 60. Para o cinema em geral o filme revelou a linda Ann-Margret que chamou tanto a atenção do público que o diretor George Sidney a levou para contracenar com Elvis Presley em "Amor a Toda Velocidade". Aliás nada mais conveniente, pois Ann-Margret foi chamada por um cronista de Nova Iorque como a "Elvis de saias". Curiosamente um dos satirizados dentro do enredo é o próprio Elvis, pois o personagem chave da estória é um roqueiro famoso que vai servir o exército deixando suas fãs apavoradas e desesperadas! Era a própria história de Elvis que servia como paródia ao roteiro desse filme.  A produção é apenas mediana. Porém o sabor de nostalgia, principalmente para quem viveu aqueles tempos, é simplesmente impecável. Além disso o espectador é ainda presenteado com a presença carismática da atriz Ann-Margret, aqui bem jovem e no auge de sua beleza. Enfim, deixo a dica desse filme que é pura diversão. Aproveite a festa e caso tenha vivido aqueles anos distantes sinta muitas saudades! Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor música (Johnny Green) e melhor som (Charles J. Rice). Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme - comédia ou musical e melhor atriz - comédia ou musical (Ann-Margret).

Pablo Aluísio.