domingo, 25 de outubro de 2026

Os Outros Messias da Época de Jesus

Os Outros Messias da Época de Jesus
A Judeia do século I d.C. era uma região marcada por tensões religiosas, políticas e sociais, na qual a expectativa pela chegada de um Messias ocupava um lugar importante na vida de muitos judeus. Submetida ao domínio romano desde a conquista de Pompeu, em 63 a.C., a região enfrentava impostos, disputas entre governantes locais e autoridades imperiais, além de conflitos envolvendo diferentes grupos religiosos. A palavra Messias, derivada do hebraico mashiach, significa “ungido” e originalmente designava alguém consagrado para uma função especial, como um rei ou sacerdote. Com o desenvolvimento de determinadas tradições judaicas, o termo passou a estar associado também à esperança de um futuro governante escolhido por Deus, que restauraria Israel, faria justiça e libertaria o povo da opressão. Entretanto, não existia uma única concepção messiânica compartilhada por todos os judeus. Alguns esperavam um descendente do rei Davi que restabeleceria a soberania nacional; outros valorizavam a expectativa de um sacerdote ideal, de um profeta semelhante a Moisés ou de uma intervenção divina que transformaria radicalmente o mundo. Essas esperanças encontravam expressão em textos bíblicos, interpretações proféticas e movimentos religiosos diversos. A presença romana tornou essas expectativas particularmente intensas, pois muitos associavam a libertação religiosa à recuperação da autonomia política. Nesse ambiente, surgiram pregadores, líderes populares e personagens que atraíram seguidores por anunciarem uma intervenção iminente de Deus ou por serem considerados libertadores. Nem todos esses indivíduos se proclamaram explicitamente Messias, e, em vários casos, são as autoridades romanas ou os historiadores posteriores que os descrevem como agitadores ou pretendentes a uma liderança régia. Jesus de Nazaré foi uma das figuras mais importantes desse contexto, mas não foi o único líder religioso a despertar esperanças de transformação. Conhecer os demais personagens ajuda a compreender melhor a diversidade religiosa da Judeia e o cenário histórico no qual surgiu o cristianismo.

Um dos personagens mais conhecidos desse período foi João Batista, pregador judeu que atuou nas proximidades do rio Jordão no início do século I. Os Evangelhos cristãos apresentam João como aquele que preparou o caminho para Jesus, anunciando arrependimento e a proximidade do Reino de Deus. Sua atividade também é mencionada pelo historiador judeu Flávio Josefo, que o descreve como um homem que convocava seus compatriotas à virtude e à purificação moral por meio do batismo. João não é apresentado de maneira inequívoca por Josefo como alguém que reivindicava o título de Messias, e por isso é mais correto considerá-lo um pregador profético inserido no ambiente de expectativas religiosas da época. Sua influência despertou preocupação em Herodes Antipas, governante da Galileia e da Pereia, que acabou ordenando sua execução. Outro personagem importante foi Judas, o Galileu, associado a uma revolta contra o recenseamento realizado por Quirino, governador romano da Síria, por volta de 6 d.C. Segundo Josefo, Judas e o fariseu Sadoc incentivaram a resistência à tributação e defenderam que Deus era o único soberano de Israel. Sua atuação está relacionada ao surgimento de uma corrente de resistência ao domínio estrangeiro, frequentemente associada pelos historiadores às origens do movimento zelota, embora a evolução desses grupos tenha sido complexa. Não há evidência segura de que Judas tenha se proclamado Messias, mas sua defesa da soberania divina revela como a religião podia inspirar oposição política a Roma. Também merece destaque Teudas, um líder popular mencionado por Josefo, que reuniu seguidores e prometeu conduzi-los até o rio Jordão, aparentemente esperando que ocorresse um sinal extraordinário. O governador romano Fado enviou tropas contra o grupo, e Teudas foi capturado e executado, provavelmente na década de 40 d.C., já depois da morte de Jesus. Sua atividade demonstra que movimentos proféticos continuaram a aparecer mesmo após o período tradicionalmente associado ao ministério de Jesus. Esses casos mostram que o ambiente religioso judaico era bastante diversificado e que nem todos os líderes populares podem ser classificados como pretendentes messiânicos em sentido estrito.

Outro personagem importante foi Simão da Pereia, que surgiu após a morte de Herodes, o Grande, em 4 a.C., portanto algumas décadas antes do ministério de Jesus. Segundo Flávio Josefo, Simão era um antigo escravo de Herodes que se proclamou rei, reuniu seguidores e atacou propriedades e instalações ligadas à antiga dinastia. Seu movimento foi derrotado pelas forças romanas, e ele acabou morto durante os confrontos. Também nesse período apareceu Atronges, um pastor que, segundo Josefo, assumiu o título de rei e organizou uma resistência armada contra as forças que procuravam restaurar a ordem após a morte de Herodes. Atronges e seus irmãos lideraram ataques contra soldados romanos e contra grupos associados à antiga administração herodiana. Embora esses dois personagens tenham reivindicado a realeza, não há provas de que se apresentassem especificamente como o Messias anunciado nas tradições proféticas judaicas. Sua importância está em demonstrar que a expectativa de um governante capaz de libertar o povo podia assumir uma dimensão política e militar. Décadas depois, durante o governo do procurador Pôncio Pilatos, entre aproximadamente 26 e 36 d.C., outros movimentos populares provocaram a reação das autoridades romanas. Josefo relata que Pilatos reprimiu grupos de samaritanos reunidos em torno de um homem que prometia revelar objetos sagrados no monte Gerizim. Esse episódio ocorreu entre os samaritanos, uma comunidade religiosa distinta dos judeus da Judeia, embora compartilhassem parte de suas tradições antigas. O líder em questão não é identificado por Josefo como Messias, e seu movimento deve ser entendido com cautela, sem atribuir-lhe uma identidade que as fontes não confirmam. Ainda assim, esses acontecimentos ajudam a perceber que a esperança de uma intervenção divina e a reunião de multidões em torno de líderes religiosos não eram fenômenos isolados. A administração romana acompanhava com desconfiança qualquer mobilização capaz de reunir grandes grupos e desafiar sua autoridade. Em uma região submetida a tensões constantes, profecias, sinais religiosos e reivindicações de realeza podiam rapidamente adquirir consequências políticas. Por isso, os governadores romanos frequentemente recorriam à força para dispersar movimentos que consideravam ameaças à estabilidade.

Entre os líderes associados à expectativa messiânica, Jesus de Nazaré ocupa uma posição singular porque seu movimento deu origem ao cristianismo, uma religião que posteriormente se difundiu por todo o Império Romano e muito além dele. Os Evangelhos apresentam Jesus anunciando o Reino de Deus, realizando curas, reunindo discípulos e interpretando as Escrituras judaicas à luz de sua mensagem. Seus seguidores passaram a reconhecê-lo como o Messias, ou Cristo, palavra de origem grega que também significa “ungido”. Entretanto, a concepção cristã de Messias desenvolveu características próprias, sobretudo a interpretação da morte de Jesus e da crença em sua ressurreição como acontecimentos centrais para a salvação. Durante sua vida, a relação entre sua mensagem e as expectativas políticas de libertação era complexa, e os estudiosos discutem como diferentes grupos de seus contemporâneos o compreenderam. A inscrição colocada na cruz, conforme os relatos dos Evangelhos, associava sua execução à acusação de ser “rei dos judeus”, uma expressão com evidente significado político sob o domínio romano. A crucificação era uma punição utilizada pelas autoridades romanas contra escravizados, rebeldes e pessoas consideradas ameaças à ordem imperial. Ao contrário de líderes que organizaram revoltas armadas, os Evangelhos não descrevem Jesus comandando um exército para expulsar os romanos. Sua execução, contudo, ocorreu num contexto em que as autoridades estavam atentas a qualquer reivindicação de realeza. Depois de sua morte, seus discípulos passaram a proclamar que ele havia ressuscitado e que era o Messias esperado. Essa convicção foi decisiva para a formação das primeiras comunidades cristãs. É importante, porém, distinguir a perspectiva religiosa dos cristãos das informações que podem ser estabelecidas pela investigação histórica. A existência de Jesus e sua execução por crucificação sob Pôncio Pilatos são amplamente aceitas pelos historiadores, enquanto os significados teológicos atribuídos a esses acontecimentos pertencem à interpretação religiosa. O contexto dos demais movimentos proféticos ajuda a situar Jesus em seu ambiente histórico, mas não torna todos esses líderes equivalentes em suas mensagens, objetivos ou consequências.

A expectativa messiânica não desapareceu com a morte de Jesus e continuou a influenciar a história judaica nas décadas seguintes. Um dos movimentos mais importantes ocorreu durante a grande revolta judaica contra Roma, iniciada em 66 d.C. e encerrada, em sua fase principal, com a destruição de Jerusalém e do Segundo Templo em 70 d.C. Entre os acontecimentos posteriores destacou-se a atuação de Simão bar Giora, um dos líderes militares da revolta, que comandou forças rebeldes e chegou a exercer grande influência em Jerusalém. Ele é descrito pelas fontes como um comandante que disputou o poder com outros líderes judeus, mas não existe consenso para classificá-lo como pretendente messiânico. Já Simão bar Kokhba surgiu durante a revolta contra Roma de 132 a 135 d.C., portanto mais de um século depois do nascimento de Jesus. Bar Kokhba liderou uma grande insurreição e foi reconhecido como Messias por alguns de seus contemporâneos, entre eles o influente rabino Akiva, segundo tradições judaicas posteriores. A revolta foi derrotada pelo imperador Adriano, e a repressão romana provocou consequências profundas para a população judaica da região. Bar Kokhba não pertence à mesma geração de Jesus, mas seu movimento demonstra a permanência das esperanças de libertação nacional e restauração religiosa. Ao analisar todos esses personagens, é fundamental reconhecer os limites das fontes antigas: Flávio Josefo fornece informações valiosas sobre diversos líderes e movimentos, mas escreve a partir de uma posição particular e nem sempre esclarece as crenças exatas de cada grupo. Os Evangelhos, por sua vez, possuem objetivos religiosos próprios, enquanto os textos rabínicos e outras tradições foram preservados e desenvolvidos em períodos posteriores. Portanto, não é correto afirmar que todos os indivíduos mencionados se proclamaram Messias, pois alguns foram reis autoproclamados, outros pregadores proféticos e outros líderes de resistência. O conjunto desses movimentos revela, entretanto, uma Judeia profundamente marcada pela expectativa de mudança, pela interpretação religiosa da história e pela oposição, em diferentes graus, à dominação estrangeira. É nesse cenário plural que devemos compreender Jesus de Nazaré e os demais líderes de sua época, distinguindo cuidadosamente o que as fontes registram, aquilo que os historiadores conseguem reconstruir e as interpretações religiosas que se desenvolveram ao longo dos séculos.

Flávio Josefo

Flávio Josefo
Quem foi Flávio Josefo? Flávio Josefo foi um historiador, escritor e líder judeu do século I d.C., cuja obra se tornou uma das fontes mais importantes para o conhecimento da história da Judeia durante o domínio romano. Nasceu por volta de 37 ou 38 d.C., em Jerusalém, quando a região estava submetida à influência política de Roma, embora mantivesse suas tradições religiosas e instituições judaicas. Seu nome original era Yosef ben Matityahu, geralmente traduzido como José, filho de Matias. Ele pertencia a uma família judaica de posição elevada e possuía vínculos com o sacerdócio, circunstância que lhe proporcionou acesso à educação religiosa e ao conhecimento das tradições de seu povo. Desde jovem, demonstrou interesse pelo estudo das leis judaicas, da história e das diferentes correntes religiosas existentes na sociedade hebraica. Em seus escritos autobiográficos, Josefo afirma ter estudado as principais correntes do judaísmo de sua época, incluindo fariseus, saduceus e essênios, antes de se aproximar dos fariseus, grupo conhecido pela interpretação da Lei e pela valorização das tradições religiosas. 

Sua formação ocorreu em um período de crescentes tensões entre os judeus e a administração romana, que exercia influência sobre a política local por meio de governadores, autoridades regionais e governantes aliados. A situação era agravada por disputas internas, diferenças religiosas, conflitos sociais e ressentimentos contra a presença estrangeira. Josefo viveu diretamente os acontecimentos que culminaram na grande revolta judaica contra Roma, iniciada em 66 d.C. Sua trajetória tornou-se particularmente controversa porque, depois de participar da resistência judaica, passou a viver sob proteção romana e escreveu suas principais obras em um ambiente ligado à corte imperial. Por esse motivo, sua figura é estudada tanto como testemunha dos acontecimentos quanto como autor cuja posição política influenciou a maneira de narrá-los. Apesar das controvérsias, seus escritos preservaram informações fundamentais sobre a sociedade judaica, a política romana no Oriente e os acontecimentos que transformaram profundamente a história de Jerusalém.

Em 66 d.C., a Judeia mergulhou em uma grande revolta contra o domínio romano. O conflito teve diversas causas, entre elas tensões relacionadas à administração imperial, disputas religiosas, dificuldades econômicas e confrontos entre grupos judaicos com diferentes projetos políticos. Josefo recebeu o comando de forças rebeldes na Galileia, região situada ao norte da Judeia, e passou a organizar a resistência diante do avanço das legiões romanas. Sua atuação militar ocorreu em circunstâncias difíceis, pois as tropas judaicas enfrentavam um adversário com maior experiência, recursos e capacidade de mobilização. Em 67 d.C., o general romano Vespasiano iniciou uma campanha sistemática para recuperar o controle da região. As forças romanas conquistaram sucessivas posições, enquanto os defensores judeus enfrentavam problemas de coordenação e divergências internas. Josefo acabou cercado em Jotapata, uma fortaleza que resistiu durante semanas antes de ser tomada pelos romanos. Os relatos sobre os acontecimentos posteriores provêm principalmente do próprio historiador e devem ser interpretados com cautela. Segundo sua narrativa, ele e outros sobreviventes refugiaram-se em uma caverna e, diante da possibilidade de captura, participaram de uma decisão coletiva que levou à morte de vários companheiros. Josefo sobreviveu e se entregou aos romanos. Durante o encontro com Vespasiano, teria previsto que o general se tornaria imperador, profecia que, segundo seu relato, contribuiu para preservar sua vida. Quando Vespasiano assumiu o trono imperial, em 69 d.C., Josefo passou a receber proteção romana e adotou o nome Flávio Josefo, associado à família imperial Flávia. A mudança de posição provocou acusações de traição entre aqueles que continuaram a resistir a Roma, embora o próprio Josefo tenha apresentado sua sobrevivência como resultado das circunstâncias e de sua interpretação dos acontecimentos. A partir desse momento, sua vida passou a estar ligada aos círculos de poder romanos, e ele acompanhou de perto a fase final da guerra que culminaria na destruição de Jerusalém.

A principal obra de Flávio Josefo sobre esse conflito é A Guerra dos Judeus, escrita originalmente em aramaico, segundo o próprio autor, e posteriormente publicada em grego. O livro descreve as tensões que antecederam a revolta, as operações militares romanas, as disputas entre facções judaicas e a queda de Jerusalém em 70 d.C. Josefo apresenta Vespasiano e seu filho Tito como comandantes capazes e procura demonstrar que a revolta foi agravada pela atuação de grupos radicais e por conflitos internos entre os próprios judeus. Essa interpretação reflete tanto sua experiência pessoal quanto sua necessidade de explicar os acontecimentos a leitores do mundo greco-romano. Em 70 d.C., Tito conduziu o cerco de Jerusalém, que terminou com a conquista da cidade e a destruição do Segundo Templo, centro religioso e simbólico da vida judaica. O Templo havia sido reconstruído após o retorno dos judeus do exílio babilônico e ampliado durante o governo de Herodes, o Grande. Sua destruição representou uma transformação histórica de enormes consequências para o judaísmo, alterando a organização religiosa centrada no culto sacrificial e contribuindo para o desenvolvimento de novas formas de vida comunitária e interpretação das Escrituras. Josefo descreve a fome, a violência, as lutas internas e o sofrimento da população durante o cerco, embora os números de vítimas e prisioneiros apresentados nas fontes antigas sejam discutidos pelos historiadores modernos. Depois da conquista de Jerusalém, a resistência judaica continuou em outros locais, incluindo a fortaleza de Massada, tomada pelos romanos em 73 ou 74 d.C. Josefo também fornece informações sobre as estruturas militares, as práticas de cerco, os costumes judaicos e as decisões políticas dos comandantes romanos. Como testemunha de parte dos acontecimentos e autor próximo do poder imperial, ele combina observações relevantes com justificativas e interpretações pessoais. Sua obra é indispensável para estudar a guerra, mas deve ser comparada com evidências arqueológicas e outras fontes antigas sempre que possível.

Além de A Guerra dos Judeus, Flávio Josefo escreveu Antiguidades Judaicas, uma extensa obra concluída por volta de 93 ou 94 d.C., na qual procurou apresentar a história de seu povo a leitores do mundo greco-romano. Dividida em vinte livros, a obra começa com narrativas sobre as origens do mundo e a história dos patriarcas bíblicos, prosseguindo por acontecimentos relacionados aos antigos reinos de Israel e Judá, ao exílio, ao período do Segundo Templo e às transformações políticas que antecederam a revolta contra Roma. Josefo recorreu às Escrituras judaicas, a tradições históricas e a autores anteriores, procurando explicar a antiguidade das instituições e dos costumes de seu povo. Seu objetivo também era combater preconceitos e apresentar o judaísmo como uma tradição antiga, dotada de leis, práticas religiosas e uma história própria. Em Contra Apião, outra de suas obras, respondeu a críticas dirigidas aos judeus e defendeu a antiguidade e a dignidade de suas tradições diante de autores que questionavam sua história. Josefo escreveu ainda Vida, um relato autobiográfico no qual procurou justificar suas decisões durante a revolta e responder a acusações relacionadas à sua atuação na Galileia. Essa obra é especialmente importante porque oferece informações sobre sua família, sua formação, seus contatos políticos e suas relações com outros líderes judaicos. Ao mesmo tempo, constitui uma defesa pessoal, e suas afirmações sobre adversários e sobre o próprio comportamento precisam ser analisadas criticamente. Os escritos de Josefo também são relevantes para o estudo do ambiente religioso no qual surgiu o cristianismo, pois apresentam informações sobre personagens e acontecimentos da Judeia do século I. Uma passagem de Antiguidades Judaicas menciona Jesus, embora a redação transmitida pelos manuscritos contenha elementos cuja autenticidade é debatida pelos especialistas. Muitos estudiosos consideram que o trecho sofreu alterações de copistas cristãos, enquanto outras referências a personagens como João Batista são geralmente tratadas como importantes testemunhos antigos. Essas passagens não transformam Josefo em autor cristão: ele permaneceu ligado à tradição judaica, e suas observações devem ser compreendidas no contexto de sua formação e de seus objetivos historiográficos.

Flávio Josefo morreu provavelmente no final do século I ou no início do século II d.C., mas não existe uma data definitiva para sua morte. Sua importância histórica permaneceu significativa porque seus livros foram preservados e copiados ao longo dos séculos, sobretudo por estudiosos judeus e cristãos do mundo antigo e medieval. Embora sua posição diante de Roma tenha provocado críticas, suas obras conservaram relatos de acontecimentos que, em muitos casos, seriam conhecidos de outra forma apenas de maneira fragmentária. Para os historiadores modernos, Josefo é simultaneamente uma fonte extraordinária e um autor que exige leitura crítica: testemunhou eventos decisivos, conheceu personagens importantes e teve acesso a informações políticas e militares, mas também escreveu para públicos específicos e procurou defender sua reputação. Sua narrativa sobre a revolta judaica é essencial para compreender o cerco e a destruição de Jerusalém, as divisões internas da sociedade judaica e a atuação dos comandantes romanos. Antiguidades Judaicas permanece valiosa para o estudo das tradições bíblicas, do período do Segundo Templo e das relações entre judeus e outros povos da Antiguidade. Seus textos também ajudaram gerações posteriores a compreender o contexto histórico do cristianismo primitivo, embora não substituam outras fontes nem eliminem as incertezas sobre determinados acontecimentos. A destruição do Segundo Templo, narrada por Josefo, tornou-se um marco na história judaica e contribuiu para mudanças profundas na vida religiosa e política do povo judeu. Sua própria trajetória, que passou da liderança militar rebelde à condição de protegido dos vencedores, exemplifica os dilemas enfrentados por indivíduos em períodos de guerra e conquista. Hoje, Flávio Josefo é estudado em universidades e centros de pesquisa de todo o mundo, tanto por historiadores da Antiguidade quanto por especialistas em judaísmo, religião e história romana. Seu legado não depende de ser considerado um observador imparcial, mas do valor documental de seus escritos, da amplitude de suas narrativas e da possibilidade de confrontá-las com outras evidências. Por meio de suas obras, permanece uma das principais testemunhas literárias de uma época que transformou de maneira decisiva a história do Mediterrâneo oriental.

sábado, 24 de outubro de 2026

Paul McCartney - Give My Regards to Broad Street - Parte 1

Nos anos 80 Paul decidiu retornar ao cinema. Desde "Let it Be" com os Beatles, ele estava afastado da sétima arte. Ele mesmo criou a história, o argumento, os personagens, etc. Só que Paul cometeu um velho erro que ele havia cometido lá nos anos 60. Como havia acontecido com "Magical Mystery Tour" Paul tinha apenas uma vaga ideia do que seria o filme. Ele sabia de onde partia a história, só não sabia onde ela iria chegar! Não havia um bom roteiro escrito e aí... não teve jeito... o filme fracassou nas bilheterias. 

Eu gosto tanto do filme como da sua trilha sonora. Eu sei, reconheço todos os seus problemas em termos de roteiro. As críticas da época foram justas. É um fiapinho de enredo mesmo. Ainda assim aprecio muito a direção de arte de "Give My Regards to Broad Street". Eu me recordo que ao abrir o álbum nas lojas de discos, lá nos anos 80, fiquei com uma boa impressão dos figurinos e principalmente da maquiagem (estranha, fora dos padrões) usada por Paul e Linda. Havia algo novo ali. E essa boa impressão estética segue comigo até hoje. Acho a produção do filme um luxo só, com muito bom gosto. Se as pessoas da época não gostaram, azar o delas.

De qualquer forma havia a música de Paul. E ela sempre salvou qualquer experiência que o astro tenha tido no cinema ou na televisão. A música era a essência, a energia que sempre segurou tudo. O mesmo aconteceu nesse trabalho dos anos 80 de Paul McCartney. Ele aqui fez um mix bem interessante. Trouxe material inédito e regravou antigos clássicos dos Beatles. Para uma boa parcela dos Beatlemaníacos da época aquilo era uma verdadeira heresia! Eu sempre vi esse tipo de mentalidade como uma enorme bobagem. Essas músicas eram do Paul e ele, como criador, poderia fazer qualquer coisa com elas. 

Tudo bem, reconheço que não são comparáveis às versões originais. Não tem como comparar com os Beatles, mas vamos colocar as cartas na mesa. Paul não maculou nenhuma de suas criações musicais, apenas deu uma roupagem moderna a todas elas. Eu gosto de todas as versões das músicas dos Beatles que estão presentes nesse álbum e irei comentar sobre cada uma delas nos próximos textos. Até lá!

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Girls, Girls, Girls - Parte 6

Dando continuidade aos textos sobre essa trilha sonora de Elvis nos anos 60, vamos tecer alguns comentários sobre as músicas restantes desse disco. Eu costumo dizer que muitos álbuns de filmes de Elvis nessa fase de sua carreira foram salvos pelas baladas românticas. Sempre tem alguma canção sentimental boa nesses discos, contando sempre com um vocal inspirado por parte de Elvis. Ele tinha consciência que sempre haveria algum tipo de material de qualidade nesse estilo musical. Nessas faixas ele procurava caprichar melhor. 

A faixa "I Don't Want To" faz parte dessa coleção de boas baladas sentimentais de Elvis nos anos 60. A letra é bem interessante mostrando um homem apaixonado que tem muita hesitação em se entregar aos seus sentimentos, perdendo sua liberdade pessoal nesse processo, nesse relacionamento. Bem de acordo com o mundo real. O vocal de Elvis está contido, mas curiosamente ao mesmo tempo bem marcante. É uma das músicas que fazem valer a trilha sonora. 

Infelizmente essas trilhas também tinham aquele lote de bobagens que os fãs de Elvis bem conhecem. No caso de "Girls, Girls, Girls" uma das maiores representantes desse besteirol é "Song of the Shrimp". Como o personagem de Elvis era um jovem que sonhava ter um barco de pesca, os produtores acharam por bem colocar uma música sobre um camarão na lista. Apesar dos arranjos, a letra é aquela coisa... sem valor. 

"Earth Boy" é bonitinha, feita para mais um daqueles momentos nos filmes em que Elvis contracenava com crianças. Fazia parte da "Fórmula" dos filmes do cantor. Conquistava o público nesses momentos. No caso aqui Elvis dividia a tela com uma chinesinha (eram duas atrizes mirins na verdade). Por essa razão o arranjo trazia essa sonoridade "oriental" (dentro dos padrões de Hollywood da época, é claro). Para finalizar temos "We're Coming in Loaded", outra faixa que só funcionava dentro do contexto do filme, falando sobre pescaria comercial, voltar ao porto com carregamento cheio, encher os bolsos com a venda do pescado, etc. O curioso é que ela foi composta por dois grandes compositores, Otis Blackwell e Winfield Scott. Aqui eles se contentaram em garantir apenas o cachê dos direitos autorais e nada muito além disso. É um ponto fraco de seu legado musical. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Laços de Ternura

Título no Brasil: Laços de Ternura
Título Original: Terms of Endearment
Ano de Lançamento: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: James L. Brooks
Roteiro: James L. Brooks, baseado no romance de Larry McMurtry
Elenco: Shirley MacLaine, Debra Winger, Jack Nicholson, Jeff Daniels, Danny DeVito, John Lithgow, Lisa Hart Carroll, Betty King, Troy Bishop e Huckleberry Fox. 

Sinopse:
Aurora Greenway é uma viúva que mantém uma relação intensa e complicada com sua filha, Emma, a quem dedica grande parte de sua vida. Embora ame profundamente a filha, Aurora é uma mulher controladora, exigente e frequentemente incapaz de demonstrar seus sentimentos de maneira tranquila. Emma, por sua vez, deseja conquistar independência e construir sua própria família, mesmo contrariando as expectativas da mãe. Quando se casa com Flap Horton, um jovem professor universitário, Emma começa uma nova etapa de sua vida, mas o relacionamento passa a enfrentar dificuldades, especialmente por causa das infidelidades do marido. Enquanto tenta cuidar dos filhos e preservar o casamento, Emma continua recorrendo à mãe em busca de apoio, apesar das discussões frequentes entre as duas. Ao mesmo tempo, Aurora começa a descobrir novas possibilidades para sua própria vida amorosa ao se aproximar de Garrett Breedlove, um antigo astronauta que mora nas proximidades. A relação entre mãe e filha passa por transformações profundas quando Emma enfrenta problemas de saúde que mudam completamente suas prioridades. Diante de uma situação dolorosa, as duas precisam deixar de lado antigas mágoas e compreender a verdadeira dimensão do amor que sempre existiu entre elas. 

Comentários:
Laços de Ternura é um dos grandes dramas familiares do cinema americano dos anos 1980, combinando humor, romance e emoção em uma história sobre as dificuldades dos relacionamentos entre pais e filhos. Dirigido e escrito por James L. Brooks, o filme foi baseado no romance homônimo publicado por Larry McMurtry em 1975. Shirley MacLaine apresenta uma atuação marcante como Aurora Greenway, uma mulher de personalidade forte, às vezes difícil, mas profundamente ligada à filha. Debra Winger interpreta Emma, trazendo sensibilidade a uma personagem que procura encontrar seu próprio caminho sem romper completamente os laços com a mãe. Jack Nicholson também se destaca como Garrett Breedlove, um homem irreverente, sedutor e aparentemente despreocupado que acaba desenvolvendo uma relação significativa com Aurora. Jeff Daniels interpreta Flap Horton, enquanto Danny DeVito aparece como Vernon Dahlart, amigo e funcionário de Aurora. John Lithgow também integra o elenco como Sam Burns, acrescentando outra dimensão às histórias amorosas que se desenvolvem ao longo da narrativa. Um dos maiores méritos da produção é a capacidade de alternar momentos cômicos com situações dramáticas, construindo personagens que parecem reais em suas qualidades, defeitos, inseguranças e contradições. 

O filme foi um enorme sucesso de crítica e público, tornando-se um dos títulos mais importantes de 1983. Na cerimônia do Oscar de 1984, recebeu onze indicações e conquistou cinco estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado para James L. Brooks, Melhor Atriz para Shirley MacLaine e Melhor Ator Coadjuvante para Jack Nicholson. Debra Winger também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz, demonstrando o reconhecimento alcançado pelas interpretações das duas protagonistas.  A produção arrecadou aproximadamente US$ 108 milhões nas bilheterias domésticas, diante de um orçamento estimado em US$ 8 milhões, resultado que confirmou sua enorme popularidade. Além do sucesso comercial, a obra tornou-se especialmente conhecida por sua abordagem honesta das relações familiares, mostrando como o amor pode coexistir com conflitos, ressentimentos e diferenças de personalidade. A relação entre Aurora e Emma constitui o coração da narrativa e é responsável por grande parte de sua força emocional. O roteiro evita apresentar os personagens como figuras perfeitas e permite que o humor alivie, em vários momentos, a intensidade do drama. Décadas depois de seu lançamento, Laços de Ternura continua sendo lembrado como um clássico do cinema americano, principalmente pelas atuações de Shirley MacLaine, Debra Winger e Jack Nicholson e pela maneira sensível como aborda o amor entre mãe e filha, a passagem do tempo e a importância dos vínculos familiares.

Erick Steve. 

A Força do Destino

Título no Brasil: A Força do Destino
Título Original: An Officer and a Gentleman
Ano de Lançamento: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Taylor Hackford
Roteiro: Douglas Day Stewart
Elenco: Richard Gere, Debra Winger, Louis Gossett Jr., David Keith, Robert Loggia, Lisa Blount

Sinopse:
Zack Mayo é um jovem problemático que decide mudar de vida ingressando na Escola de Candidatos a Oficiais da Marinha dos Estados Unidos. Submetido ao rigoroso treinamento do sargento Emil Foley, ele precisa superar sua indisciplina, seu passado familiar conturbado e suas próprias limitações para conseguir se tornar oficial. Durante o treinamento, Zack conhece Paula Pokrifki, uma jovem que trabalha em uma fábrica próxima à base naval. O relacionamento entre os dois se desenvolve paralelamente à trajetória de amadurecimento de Zack, enquanto seu amigo e companheiro de treinamento Sid Worley enfrenta seus próprios conflitos pessoais.

Comentários:
Lançado em 1982, A Força do Destino foi um dos grandes sucessos cinematográficos de sua época e recebeu uma recepção crítica bastante favorável. O filme foi elogiado principalmente pela força de suas atuações e pela combinação entre romance, drama e história de amadurecimento. Janet Maslin, do The New York Times, reconheceu que a produção possuía certo sentimentalismo, mas considerou-a uma obra de primeira linha e destacou a qualidade de suas interpretações. A Variety também foi entusiástica, ressaltando a quantidade de personagens bem construídos e capazes de despertar o interesse do público. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, foi ainda mais positivo, considerando-o um dos melhores filmes sobre o amor que havia visto em muito tempo. No agregador Metacritic, o filme alcançou 75 pontos, classificação considerada de recepção geralmente favorável.

Comercialmente, o filme foi um enorme êxito. A Força do Destino arrecadou aproximadamente US$ 130 milhões nos Estados Unidos e Canadá, tornando-se o terceiro filme de maior bilheteria de 1982, atrás apenas de E.T. – O Extraterrestre e Tootsie. Considerando também o mercado internacional, sua arrecadação mundial chegou a cerca de US$ 190 milhões. O sucesso ajudou a consolidar Richard Gere como um dos principais astros românticos de sua geração, enquanto Louis Gossett Jr. conquistou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por sua interpretação do rigoroso sargento Foley; o filme também venceu o Oscar de Melhor Canção Original por “Up Where We Belong”. Atualmente, A Força do Destino é lembrado como um dos romances dramáticos mais emblemáticos do cinema comercial dos anos 1980 e como um filme decisivo na carreira de Richard Gere. Sua famosa cena final, a química entre Gere e Debra Winger e a atuação de Gossett Jr. contribuíram para transformar a produção em um clássico popular, mantendo-a reconhecida décadas depois de seu lançamento.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Mad Max 2

Mad Max 2
Mad Max 2 (Mad Max 2: The Road Warrior) foi lançado em 24 de dezembro de 1981 na Austrália (chegando a outros países em 1982), dirigido por George Miller e estrelado por Mel Gibson, com participações de Bruce Spence, Vernon Wells, Michael Preston e Kjell Nilsson. Situado em um futuro pós-apocalíptico marcado pela escassez de combustível e pelo colapso da civilização, o filme acompanha Max, um ex-policial solitário que vagueia pelas estradas desertas tentando sobreviver. O ponto de partida da narrativa surge quando ele encontra uma pequena comunidade que protege um valioso suprimento de gasolina, tornando-se alvo de uma violenta gangue liderada por um tirano carismático. A partir desse encontro, Max é gradualmente envolvido no conflito entre sobrevivência individual e responsabilidade coletiva, dando início a uma jornada de ação intensa e atmosfera desoladora, sem antecipar o destino final dos personagens.

No momento de seu lançamento internacional, Mad Max 2 recebeu uma aclamação crítica significativa, surpreendendo parte da imprensa que esperava apenas uma continuação de baixo orçamento. O The New York Times destacou a energia visual do filme e sua narrativa quase sem diálogos, observando que a obra funcionava como “uma perseguição cinematográfica contínua, conduzida com precisão extraordinária”. Já o Los Angeles Times elogiou a imaginação visual de George Miller e a construção de um universo convincente com recursos limitados, ressaltando que o diretor transformava ação física em linguagem cinematográfica pura.

A revista Variety descreveu o longa como “um espetáculo de ação feroz e inventivo”, apontando que sua coreografia de perseguições elevava o padrão do gênero. O The New Yorker observou que o filme possuía uma qualidade quase mítica, comparando Max a um cavaleiro solitário em um faroeste futurista. Embora a violência estilizada tenha causado alguma reserva entre críticos mais conservadores, o consenso geral foi claramente positivo, reconhecendo o filme como uma sequência superior ao original e um marco inovador do cinema de ação moderno.

No campo comercial, Mad Max 2 foi um grande sucesso internacional, especialmente considerando seu orçamento modesto de cerca de US$ 4,5 milhões. O filme arrecadou aproximadamente US$ 36 milhões apenas nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 100 milhões mundialmente em diferentes relançamentos e mercados. Esse desempenho transformou a produção australiana em fenômeno global, consolidando a carreira internacional de Mel Gibson e garantindo a continuidade da franquia. O sucesso também demonstrou que filmes de ação visualmente inventivos poderiam competir com grandes produções de Hollywood mesmo com recursos limitados.

Com o passar das décadas, Mad Max 2 tornou-se amplamente considerado um dos maiores filmes de ação já realizados. Sua influência estética pode ser vista em inúmeros filmes, videogames e obras de cultura pop que exploram cenários pós-apocalípticos e perseguições motorizadas. Críticos contemporâneos frequentemente destacam a clareza visual das sequências de ação, a narrativa minimalista e a construção de mundo extremamente eficiente. Hoje, o longa é visto não apenas como o ponto alto da trilogia original, mas como uma referência fundamental para o cinema de ação e aventura das décadas seguintes.

Mad Max 2 (Mad Max 2: The Road Warrior, Austrália, 1981) Direção: George Miller / Roteiro: Terry Hayes, George Miller e Brian Hannant / Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Vernon Wells, Michael Preston, Kjell Nilsson, Emil Minty / Sinopse: Em um deserto pós-apocalíptico dominado pela escassez de combustível, um guerreiro solitário envolve-se na defesa de uma comunidade sitiada por saqueadores violentos, enfrentando escolhas entre sobrevivência individual e solidariedade.

Erick Steve.

Máquina de Guerra

Título no Brasil: Máquina de Guerra
Título Original: War Machine
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Lionsgate
Direção: Patrick Hughes
Roteiro: Patrick Hughes, James Beaufort
Elenco: Alan Ritchson, Dennis Quaid, Stephan James, Jai Courtney, Esai Morales, Keiynan Lonsdale

Sinopse:
O filme acompanha um grupo de soldados que participa de um intenso programa de treinamento das forças especiais do Exército dos Estados Unidos. Entre eles está o misterioso e experiente soldado conhecido apenas como “81”, um militar marcado por traumas do passado e reconhecido por suas habilidades em combate. Durante o exercício final do treinamento, o que deveria ser apenas uma simulação militar se transforma em uma verdadeira batalha pela sobrevivência. Uma poderosa máquina de origem desconhecida — aparentemente ligada a uma força alienígena — surge no campo de treinamento e começa a atacar os soldados. Isolados, mal equipados e enfrentando um inimigo tecnologicamente superior, os militares precisam improvisar estratégias para sobreviver e impedir que a ameaça se espalhe para o resto do planeta.

Comentários:
O filme foi lançado em 2026, chegando primeiro aos cinemas na Austrália antes de estrear mundialmente no catálogo da Netflix em 6 de março do mesmo ano. A produção mistura ação militar com ficção científica, algo que chamou atenção da crítica especializada. Alguns veículos elogiaram o ritmo acelerado, as cenas de combate e o carisma de Alan Ritchson, enquanto outros apontaram que o roteiro segue fórmulas tradicionais do gênero. No site Rotten Tomatoes, o longa estreou com cerca de 70% de aprovação, indicando uma recepção geralmente positiva entre críticos. Entre o público, Máquina de Guerra teve um desempenho impressionante logo após sua estreia no streaming, acumulando cerca de 39 milhões de visualizações em apenas três dias e liderando o ranking de filmes mais assistidos da Netflix em vários países. O sucesso imediato levantou discussões sobre a possibilidade de uma sequência e consolidou o longa como um dos grandes lançamentos de ação da plataforma em 2026. O filme é visto como um típico blockbuster do streaming — um espetáculo de ação e ficção científica feito para o grande público — e um projeto que pode dar origem a uma nova franquia dentro do catálogo da Netflix. 

Erick Steve. 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Invocação do Mal 4

Invocação do Mal 4
O filme Invocação do Mal 4 (The Conjuring: Last Rites) teve seu lançamento comercial em 2025, marcando o encerramento da saga principal do universo criado por James Wan, embora a direção tenha ficado a cargo de Michael Chaves, responsável também pelo terceiro capítulo. O elenco traz o retorno de Patrick Wilson e Vera Farmiga como Ed e Lorraine Warren, acompanhados por Ruairi O’Connor, Mia Tomlinson, Ben Hardy e Shannon Kook. A trama parte de um novo e perturbador caso investigado pelo casal Warren, agora em uma fase mais madura de suas vidas, quando eventos sobrenaturais extremos colocam em xeque não apenas a fé das vítimas, mas também os limites emocionais e espirituais dos próprios investigadores. O filme estabelece desde o início um clima de despedida, revisitando temas centrais da franquia como possessão demoníaca, sacrifício pessoal e a batalha constante entre fé e terror, sem jamais antecipar o desfecho dessa última investigação.

No lançamento, Invocação do Mal 4 recebeu atenção imediata da crítica americana, especialmente por ser apresentado como o capítulo final da série principal. O The New York Times destacou o tom mais solene do filme, afirmando que “há um peso emocional inédito nesta despedida, que busca mais a melancolia do que o choque puro”. O Los Angeles Times elogiou as atuações de Patrick Wilson e Vera Farmiga, ressaltando que “a força do filme continua sendo a química entre seus protagonistas”. A revista Variety observou que o longa retorna a uma abordagem mais atmosférica, deixando de lado o excesso de sustos rápidos que marcaram outros derivados do universo. Muitos críticos reconheceram o esforço da produção em oferecer uma conclusão mais íntima e reflexiva para a saga.

Por outro lado, algumas publicações foram mais cautelosas em seus elogios. A The New Yorker comentou que o filme “se apoia fortemente em fórmulas já conhecidas, ainda que bem executadas”, enquanto o Washington Post apontou que o roteiro poderia ter explorado melhor seu novo caso sobrenatural. Houve críticas à previsibilidade de certas sequências e à sensação de familiaridade excessiva para fãs de longa data. Ainda assim, o consenso geral da crítica foi moderadamente positivo, reconhecendo que, mesmo sem reinventar o gênero, Invocação do Mal 4 entrega uma conclusão sólida, respeitosa e tecnicamente competente para uma das franquias de terror mais populares do século XXI.

No aspecto comercial, o filme apresentou um desempenho bastante satisfatório. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 40 milhões, Invocação do Mal 4 arrecadou aproximadamente US$ 115 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa teve forte apelo, especialmente na América Latina e na Europa, elevando sua arrecadação mundial para algo em torno de US$ 260 milhões. Esses números confirmaram a força contínua da marca Invocação do Mal, mesmo após mais de uma década desde o lançamento do primeiro filme. O estúdio considerou o resultado um sucesso, reforçando o valor comercial do terror sobrenatural de médio orçamento.

Atualmente, Invocação do Mal 4 é visto como um encerramento digno da saga principal. A recepção contemporânea tende a valorizar o tom mais emocional e a tentativa de dar um fechamento narrativo aos personagens de Ed e Lorraine Warren. Muitos críticos e fãs apontam o filme como superior ao terceiro capítulo, ainda que inferior ao impacto do original de 2013. Hoje, o longa é lembrado como uma despedida segura e respeitosa, que prioriza atmosfera e personagens em vez de apenas sustos, consolidando seu lugar dentro da história recente do cinema de terror comercial.

Invocação do Mal 4 (The Conjuring: Last Rites, Estados Unidos, 2025) Direção: Michael Chaves / Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick e James Wan (baseado em personagens criados por Chad Hayes e Carey W. Hayes) / Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ruairi O’Connor, Mia Tomlinson, Ben Hardy, Shannon Kook / Sinopse: Ed e Lorraine Warren enfrentam um novo e perigoso caso sobrenatural que desafia suas crenças e limites pessoais, colocando-os diante de forças malignas que testam sua fé e sua união como nunca antes.

Erick Steve. 

O Telefone Preto

O Telefone Preto
O filme O Telefone Preto (The Black Phone) foi lançado nos Estados Unidos em 24 de junho de 2022, com direção de Scott Derrickson, conhecido por seu trabalho no terror contemporâneo, e produção da Blumhouse. O elenco principal é liderado por Mason Thames, em sua estreia como protagonista, ao lado de Madeleine McGraw, Jeremy Davies e Ethan Hawke, que interpreta um dos vilões mais perturbadores do cinema recente. Ambientado na década de 1970, o filme acompanha um garoto tímido que vive em um bairro marcado por violência e medo, até ser sequestrado por um assassino em série conhecido apenas como “O Pegador”. Preso em um porão à prova de som, o menino encontra um telefone desconectado que, misteriosamente, começa a tocar. A partir desse ponto inicial, a narrativa constrói uma atmosfera de terror psicológico baseada em isolamento, trauma infantil e forças sobrenaturais, sem jamais revelar o destino final dos personagens.

Quando foi lançado, O Telefone Preto recebeu uma reação amplamente positiva da crítica americana, sendo elogiado por sua abordagem atmosférica e contida do terror. O The New York Times descreveu o filme como “um exercício de medo eficaz que se apoia mais na sugestão do que no choque explícito”. O Los Angeles Times destacou a atuação de Ethan Hawke, afirmando que o ator “cria um vilão aterrador mesmo quando permanece parcialmente oculto”. A revista Variety ressaltou que o filme se destacava dentro do catálogo da Blumhouse por seu cuidado narrativo e emocional, apontando que o terror estava profundamente ligado à experiência do crescimento e da vulnerabilidade infantil.

O The Washington Post elogiou o equilíbrio entre horror sobrenatural e drama humano, observando que o filme “usa o medo como metáfora para a perda da inocência”. Já a The New Yorker destacou que o longa se beneficiava da ambientação nos anos 1970, criando uma sensação constante de perigo cotidiano. Embora alguns críticos tenham apontado que o ritmo do terceiro ato poderia ser mais ousado, o consenso geral foi claramente positivo. A maioria das análises reconheceu O Telefone Preto como um retorno de Scott Derrickson ao terror mais pessoal e atmosférico, afastando-se do excesso de sustos fáceis e apostando em tensão psicológica duradoura.

No aspecto comercial, O Telefone Preto foi um grande sucesso. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 18 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 89 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa somou mais de US$ 72 milhões, alcançando uma arrecadação mundial próxima de US$ 161 milhões. Esses números representaram um excelente retorno financeiro, consolidando o filme como um dos maiores sucessos da Blumhouse em 2022. O desempenho expressivo reforçou o apelo do terror de médio orçamento e abriu caminho imediato para o desenvolvimento de uma continuação.

Atualmente, O Telefone Preto é considerado um dos filmes de terror mais bem avaliados da década de 2020. A obra passou a ser frequentemente citada em listas de melhores filmes de terror recentes, especialmente por sua combinação de atmosfera opressiva, personagens bem construídos e temática emocionalmente pesada. A atuação de Ethan Hawke é vista hoje como uma de suas performances mais inquietantes, enquanto Mason Thames e Madeleine McGraw receberam elogios pela naturalidade e intensidade emocional. Com o passar do tempo, o filme consolidou sua reputação como um exemplo de terror eficaz que vai além do susto imediato, focando em medo psicológico e trauma infantil.

O Telefone Preto (The Black Phone, Estados Unidos, 2022) Direção: Scott Derrickson / Roteiro: Scott Derrickson e C. Robert Cargill (baseado no conto de Joe Hill) / Elenco: Mason Thames, Ethan Hawke, Madeleine McGraw, Jeremy Davies, Miguel Cazarez Mora, James Ransone / Sinopse: Um garoto sequestrado por um assassino em série descobre que um telefone aparentemente desligado pode conectá-lo a vozes do passado, oferecendo uma chance de sobrevivência em meio ao isolamento e ao terror.

Erick Steve.