quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Digger

Título no Brasil: Digger
Título Original: Digger
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Roteiro: Alejandro G. Iñárritu, Sabina Berman
Elenco: Tom Cruise, Riz Ahmed, Sandra Hüller, John Goodman, Jesse Plemons, Sophie Wilde, Emma D'Arcy, Michael Stuhlbarg e Robert John Burke.

Sinopse:
Digger Rockwell é um dos homens mais poderosos do mundo, um bilionário do setor petrolífero cuja ambição e influência parecem não conhecer limites. Quando uma catástrofe de enormes proporções começa a ameaçar o planeta, Digger percebe que o desastre está diretamente relacionado às consequências das próprias ações de seu império. Diante da possibilidade de perder tudo e testemunhar uma destruição em escala global, ele parte para uma missão desesperada para tentar impedir o pior. Ao mesmo tempo em que procura encontrar uma solução para a crise, precisa lidar com o governo, seus aliados, adversários e as consequências de suas próprias decisões. A história mistura drama, comédia sombria, sátira e elementos apocalípticos para acompanhar um homem acostumado a controlar tudo sendo colocado diante de uma situação que está muito além de seu poder. Tom Cruise interpreta Digger em uma atuação bastante diferente dos tradicionais heróis de ação de sua carreira. O filme acompanha sua tentativa de convencer o mundo de que ele próprio pode ser a pessoa capaz de salvá-lo antes que o desastre provocado por suas ações destrua tudo.

Comentários: 
Digger marca a colaboração de Tom Cruise com o diretor Alejandro G. Iñárritu, vencedor do Oscar por Birdman e O Regresso, e apresenta o ator em um papel muito diferente daquele associado aos seus grandes filmes de ação. Cruise interpreta Digger Rockwell, um poderoso magnata do petróleo que aparece caracterizado como uma figura extravagante, arrogante e extremamente consciente de sua própria importância. A produção foi filmada inteiramente em VistaVision e reúne uma equipe técnica de grande destaque, incluindo o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki e o montador Stephen Mirrione. Riz Ahmed, Sandra Hüller, John Goodman e Jesse Plemons completam um elenco formado por atores de diferentes gerações. A proposta combina sátira, humor negro, drama e elementos de desastre ambiental, utilizando a trajetória do protagonista para discutir poder, responsabilidade e as consequências de decisões tomadas por pessoas extremamente influentes. A estreia internacional ocorreu no fim de setembro de 2026, com lançamento nos Estados Unidos em 2 de outubro pela Warner Bros.

A recepção crítica inicial foi bastante dividida. A Variety descreveu o filme como uma sátira grandiosa e destacou a interpretação exagerada de Tom Cruise, enquanto outras avaliações chamaram atenção justamente pela proposta incomum e pela tentativa de Iñárritu de combinar humor absurdo, crítica social e uma história de catástrofe. A publicação também registrou que as primeiras reações dos jornalistas foram bastante variadas, com opiniões indo de avaliações negativas a elogios à ambição visual e à atuação de Cruise. O The Times apresentou uma avaliação bastante crítica, questionando o tom da sátira e a forma como a produção desenvolve sua mensagem ambiental. Ao mesmo tempo, outras análises destacaram que o filme representa uma mudança significativa dentro da filmografia de Cruise por colocá-lo em um papel mais excêntrico e distante do tradicional protagonista heroico. Com sua combinação de ficção apocalíptica, humor sombrio e comentário social, Digger ocupa um espaço bastante diferente dos blockbusters de ação pelos quais o ator ficou conhecido.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Slow Horses

Título no Brasil: Slow Horses
Título Original: Slow Horses
Ano de Lançamento: 2022
País: Reino Unido
Estúdio: See-Saw Films / Apple TV+
Direção: James Hawes, Jeremy Lovering, Saul Metzstein, Adam Randall e outros
Roteiro: Will Smith e outros, baseado nos livros de Mick Herron
Elenco: Gary Oldman, Jack Lowden, Kristin Scott Thomas, Olivia Cooke, Saskia Reeves, Rosalind Eleazar, Christopher Chung, Aimee-Ffion Edwards, Jonathan Pryce e Hugo Weaving.

Sinopse: 
A série acompanha um grupo de agentes do serviço de inteligência britânico MI5 que, depois de cometerem erros que prejudicaram suas carreiras, são transferidos para Slough House, um departamento considerado praticamente um depósito de profissionais afastados das grandes operações. O grupo é comandado por Jackson Lamb, um agente veterano brilhante, mas extremamente mal-humorado e pouco convencional, interpretado por Gary Oldman. Apesar da aparência de incompetência e da falta de prestígio, os agentes acabam envolvidos em situações que apresentam riscos muito maiores do que os trabalhos burocráticos que deveriam realizar. Quando acontecimentos relacionados ao terrorismo, espionagem, assassinatos e conspirações começam a ameaçar a segurança britânica, os integrantes de Slough House precisam agir. River Cartwright, um jovem agente interpretado por Jack Lowden, torna-se um dos principais personagens dessa equipe. Enquanto os agentes tentam descobrir em quem podem confiar, precisam enfrentar não apenas inimigos externos, mas também conflitos dentro do próprio MI5. A série combina suspense, espionagem, ação e humor negro, acompanhando as operações de uma equipe improvável que frequentemente acaba envolvida nos acontecimentos mais perigosos.

Comentários: 
Slow Horses estreou na Apple TV+ em abril de 2022 como uma adaptação dos romances de espionagem de Mick Herron. A primeira temporada foi adaptada do livro Slow Horses e teve seus seis episódios dirigidos por James Hawes, enquanto Will Smith ficou responsável pela adaptação para televisão. Gary Oldman interpreta Jackson Lamb, personagem que se tornou o centro da série e apresenta uma combinação de inteligência, sarcasmo, mau humor e experiência profissional. Jack Lowden também ganhou grande destaque como River Cartwright, um agente jovem que tenta recuperar sua reputação depois de ser enviado para Slough House. Kristin Scott Thomas interpreta Diana Taverner, uma importante figura da estrutura do MI5, enquanto Saskia Reeves, Rosalind Eleazar e Christopher Chung integram a equipe principal. Ao longo das temporadas, a produção ampliou seu elenco e adaptou outros livros da série de Mick Herron. A série foi reconhecida com indicações e prêmios importantes, incluindo BAFTA Television Awards, consolidando-se como uma das principais produções de espionagem da Apple TV+.

O sucesso de Slow Horses fez com que a Apple renovasse rapidamente a produção para novas temporadas, e atualmente a série já chegou à sexta temporada, lançada em setembro de 2026. A sexta temporada adapta elementos dos romances Joe Country e Slough House e coloca novamente os agentes em uma situação de alto risco, enquanto Diana Taverner os envolve em uma trama de retaliação e vingança. A Apple também confirmou uma oitava temporada, mostrando que a história continuará sendo desenvolvida nos próximos anos. Um dos principais atrativos da produção é justamente a combinação entre suspense sério e humor negro, com personagens imperfeitos que frequentemente precisam resolver situações maiores do que suas próprias capacidades. Gary Oldman encontrou em Jackson Lamb um dos papéis mais marcantes de sua carreira televisiva, enquanto o restante do elenco contribui para formar uma equipe bastante diversificada. A série também se diferencia de produções tradicionais de espionagem porque seus protagonistas não são apresentados como agentes perfeitos, mas como profissionais cheios de falhas, conflitos e problemas pessoais. Essa característica dá à narrativa um tom mais humano e permite que as histórias de espionagem sejam acompanhadas também pelo relacionamento entre os integrantes de Slough House.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Pablo Aluísio: Coleção de Livros

Pablo Aluísio: Coleção de Livros
Segue abaixo nossa relação atualizada de livros lançados. Ao todo, até o momento, contamos com nove títulos disponíveis para venda em diversos sites, entre eles Amazon, Clube dos Leitores e Uiclap. É uma evolução natural dos próprios textos dos blogs e sites, unindo o novo, o moderno, o mundo virtual, com o clássico, o elegante, que é o livro impresso. Eu sou da época dos livros e das revistas de papel... pois é, sou um clássico! Então embora sempre presente na internet desde seu começo (meu primeiro site entrou online em 1999) também decidi preservar meus textos em forma de publicações. Abaixo seguem pequenos resumos sobre cada um deles...

Contos da Alma Sombria 
Esse foi meu primeiro livro. Apenas peguei duas histórias góticas que havia escrito para o público, as melhorei um pouquinho e lancei nessa coletânea de contos de 120 páginas. Foi uma primeira experiência que achei bem válida. Faz parte desse livro os contos "Lobo da Escócia" e "O Vampiro de Versalhes", meus primeiros escritos, ainda na minha juventude, em uma época em que nem existia Internet! Minha opinião é que ficaram bem interessantes. 

Contos das Sombras Eternas
Nesse livro eu reuni diversos contos avulsos que havia escrito há muitos anos. Patrulha Policial, Assassina das Estradas, Fantasmas da Velha Mansão, entre outros, fazem parte desse livro. Gostei bastante de escrever na época esses contos e não havia cogitado e nem planejado de reunir todos eles em um livro, mas eis que aconteceu. Penso que ficou muito bom! Minha inspiração aqui veio das publicações Pulp dos Estados Unidos na década de 1930. São histórias fortes, bem exageradas, sensacionalistas até, exatamente o estilo que imperava nesse tipo de publicação naqueles tempos. 

Marlon Brando 
Minha primeira publicação com o tema cinema. Cinema clássico, é bom frisar. Escolhi logo um ator que foi símbolo de uma era em Hollywood. Aqui minha ideia inicial era escrever um livro sobre Cinema Clássico, mas no meio do caminho decidi escrever apenas sobre Brando. Apenas juntei todos os textos que havia escrito por anos e os reuni nesse livro. Cada filme do ator é comentado, destalhes de sua vida pessoal emergem em crônicas e vejo essa publicação como um verdadeiro Guia para quem deseja conhecer a obra desse grande ator. Acabou virando uma edição com 170 páginas!

Marilyn Monroe
O melhor livro que escrevi até o momento (e o mais bem vendido da coleção!). Segue basicamente a filosofia do livro de Marlon Brando, ou seja, é um Guia sobre a atriz. Novamente reuni uma série de textos, crônicas e materiais diversos que escrevi ao longo dos anos sobre a adorável Marilyn e publiquei. Penso que ficou realmente muito bom. Com papel creme é um daqueles livros que realmente dão prazer em ler. Além disso é o único que conheço que comenta detalhadamente (inclusive com fichas técnicas) sobre todos os filmes da carreira de Marilyn Monroe. Um bom livro de Cinema Clássico para os cinéfilos possuírem em sua biblioteca particular. 



Elvis Presley - Volume 1
Esse foi o meu primeiro livro sobre Elvis Presley. Em relação a Elvis eu escrevi tanto material por anos e anos que ficou impossível reunir tudo apenas em uma edição. Assim decidi nomear esse primeiro livro de Volume 1 (outros virão com o tempo). Essa primeira edição traz muitas informações sobre os primeiros discos e filmes da carreira de Elvis. Aqui o leitor é apresentado aos primeiros discos e filmes da carreira de Elvis Presley. Os tempos de Sun Records, as primeiras gravações, a estreia em Hollywood, os singles e os álbuns pela RCA Victor. O Elvis roqueiro em seus primeiros anos de carreira. Um resgate com muitas informações, fruto de uma pesquisa que durou anos. Essa é a história do jovem artista que revolucionou o mundo da música desde os seus primeiros anos de fama, sucesso e impacto cultural. 

Cinema Classe A - Volume 1
Nesse primeiro livro temos as filmografias de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Russell Crowe em destaque. Seus filmes são analisados, com resenhas e fichas técnicas. Um livro para quem gosta de ler sobre Cinema Internacional. E tudo com o cuidado técnico que caracteriza nossos textos sobre a história do cinema. Na realidade é um livro que reúne material que eu havia publicado antes em dois livros separados, mas que agora estão reunidos em uma única edição. Nessa linha desejo publicar exatamente isso, as filmografias de determinados atores e atrizes que marcaram Hollywood com suas carreiras. 



Crônicas do Velho Oeste
Quem acompanha meus textos na Internet sabe que sempre tive um grande carinho pelos filmes de western. Então era natural que mais cedo ou mais tarde iria também publicar um livro apenas sobre o bom e velho faroeste. E aqui está! Uma seleção especial trazendo os melhores filmes de western, em textos com muitas informações. E não é só. Essa edição ainda traz histórias de western, todas se passando no velho oeste americano. Uma coletânea de contos de faroeste. São 200 páginas com muito faroeste para o leitor que é fã desse gênero imortal! 

James Dean 
Mais um livro sobre a era de ouro do cinema! James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano.

Cine Terror
Como venho fazendo já há algum tempo tenho lançado livros sobre cinema, com resenhas, informações, etc. São Guias para quem aprecia cinema também como algo importante em suas vidas. Edições especiais exclusivas para cinéfilos!  Nessa publicação "Cine Terror", o foco se concentra no gênero terror e suspense. Esse livro contém contos de terror e um guia com 100 filmes de terror comentados, contendo fichas técnicas e sinopses. Na parte de contos temos em primeira mão um conto inédito de Drácula. Além disso nas sessões de textos cinematográficos temos uma extensa lista com filmes de vampiros, com uma relação se concentrando exatamente no personagem Drácula e os últimos lançamentos do gênero terror. Um livro ideal para quem aprecia levar bons sustos assistindo a seus filmes preferidos. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Willie Boy

Willie Boy 
Eu sempre gostei muito do trabalho do ator Robert Redford e durante todos esses anos procurei assistir a praticamente todos os seus filmes. Só que nem todos consegui ver na época, alguns me escaparam. Esse "Willie Boy" foi um deles. Felizmente nesse fim de semana finalmente assisti. Pode ser considerado um western moderno pois a história, que foi baseada em um fato histórico real, já se passa no momento em que o velho oeste estava morrendo, dando lugar a carros e estradas por todo o país. Para muitos historiadores foi a última grande história do western tradicional. E nesse momento de transição entre eras, existiu de fato um nativo americano chamado Willie Boy. Ele era daquele tipo de sujeito que não levava desaforo para casa e gostava muito de beber. Uma combinação não muito recomendável e completamente explosiva. Assim, quando brigou com o pai de uma garota pela qual era apaixonado, a situação saiu do controle e ele o matou. Depois do crime precisou fugir para o deserto, levando sua amada junto. Uma fuga a pé, de puro desespero pessoal. 

Isso criou uma enorme caçada humana liderada por um xerife branco chamado Cooper, personagem interpretado justamente pelo Robert Redford. Ele organizou um grupo e foi para o deserto em busca do Willie Boy. Foi uma situação delicada porque o presidente dos Estados Unidos estava visitando aquela região naquele exato momento, então a coisa toda tomou proporções enormes. Não era apenas caçar um fugitivo no deserto. De repente virou até mesmo uma questão de segurança nacional, ainda mais depois que boatos afirmarem que Willie Boy estava organizando um levante indígena. Não era verdade, mas as pessoas da época acreditaram. 

O desfecho do filme não está totalmente de acordo com os fatos históricos, mas mantém uma certa linha de coerência. A cena final do xerife de Redford caçando Willie Boy nas montanhas daquele deserto rochoso é ótima! Ficaria muito bem em qualquer faroeste clássico da velha Hollywood. Só que esse filme na verdade foi produzido no final dos anos 1960 (sendo mais exato, 1969), quando o próprio movimento Hippie encontrava seu fim (graças aos alucinados da família Manson). O mundo estava mudando, assim como aconteceu na história original que o filme contava.  Enfim, gostei do filme. É um daquele tipo de western que começa meio vacilante, mas que vai pegando ritmo com o passar do tempo. No final ficamos com a certeza de termos assistido a um grande filme. Merece ser redescoberto. 

Willie Boy (Willie Boy, Estados Unidos, 1969) Direção: Abraham Polonsky / Roteiro: Harry Lawton, Abraham Polonsky / Elenco: Robert Redford, Robert Blake, Katharine Ross, Susan Clark / Sinopse: História baseada em fatos reais. Um nativo americano chamado Willie Boy (Black) mata um homem e foge para o deserto. O xerife Cooper (Redford) então organiza um grupo para localizar e prender o assassino. E essa perseguição acaba se tornando uma verdadeira caçada humana no meio de um deserto verdadeiramente infernal. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Inferno na Torre

Título no Brasil: Inferno na Torre
Título Original: The Towering Inferno
Ano de Lançamento: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: John Guillermin
Roteiro: Stirling Silliphant, Richard Martin Stern
Elenco: Paul Newman, Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway, Fred Astaire, Richard Chamberlain, Jennifer Jones, Robert Vaughn, Robert Wagner, O.J. Simpson

Sinopse:
A mais alta torre de San Francisco está em seu dia de inauguração. Para tanto é realizado um jantar de gala com figurões da cidade. Estão presentes políticos, autoridades, celebridades e pessoas influentes nesse rico encontro em um dos andares mais altos do prédio. Só que uma falha em um equipamento de energia de má qualidade causa um curto circuito em um dos andares abaixo. E isso dá origem a um incêndio. Logo o fogo se alastra, fazendo com que o grande arranha-céu se torne uma armadilha mortal em um mar de labaredas de grandes proporções. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção de Fotografia, Melhor Edição e Melhor Música Original. 

Comentários:
Esse foi o mais bem sucedido filme desse gênero chamado nos anos 70 de "Cinema Catástrofe". E ao rever recentemente pude perceber que a produção até que resistiu bem ao passar do tempo e esse sempre foi um teste de fogo para Hollywood. As cenas de ação não são frenéticas e de alto impacto, como vemos nos filmes hoje em dia. Existe esse diferencial em relação ao que vemos atualmente, mas não vejo isso como uma falha, mas sim como uma característica daqueles tempos. Em termos de elenco "Inferno na Torre" tem ótimos atores em cena. Fred Astaire, já velhinho, empresta seu carisma ao personagem que interpreta. Ele finge que é um agente importante na bolsa de valores. Pura ilusão. Já Paul Newman e Steve McQueen estão em um "duelo" particular. McQueen se sai melhor pois seu personagem, a de um chefe do corpo de bombeiros, tem mais espaço para desfilar seu heroísmo. Newman, mais contido, interpreta o arquiteto do grande edifício que se sente traído por não terem seguido suas instruções na construção da torre. Então é isso. Um bom filme, sem dúvida. Ainda hoje funciona como bom entretenimento e também como aviso do perigo envolvido nos projetos de construção desses prédios enormes. 

Pablo Aluísio.

domingo, 27 de setembro de 2026

Imperador Romano Calígula

Imperador Romano Calígula 
Caio Júlio César Augusto Germânico, conhecido pela história como Calígula, foi o terceiro imperador romano e governou entre os anos 37 e 41 d.C., durante uma das fases mais controversas da dinastia júlio-claudiana. Nascido em 31 de agosto do ano 12 d.C., na cidade de Âncio, na Itália, era filho de Germânico, um dos mais populares generais romanos, e de Agripina Maior, neta do imperador Augusto. Seu apelido, Calígula, significa aproximadamente “pequena botinha” e surgiu durante sua infância, quando acompanhava o pai nas campanhas militares na Germânia, vestindo um pequeno uniforme de soldado. O apelido, originalmente carinhoso, tornou-se tão conhecido que acabou substituindo seu nome oficial na memória histórica. Durante a juventude, Calígula viveu em meio às intrigas políticas da família imperial, especialmente durante o governo de Tibério, sucessor de Augusto. A morte de seu pai, em 19 d.C., e posteriormente a perseguição contra sua mãe e seus irmãos marcaram profundamente sua vida. Vários membros de sua família foram presos, exilados ou morreram em circunstâncias suspeitas, enquanto o próprio Calígula permaneceu durante algum tempo sob a vigilância de Tibério. Em 31 d.C., foi chamado para viver junto ao imperador na ilha de Capri, onde permaneceu até a morte de Tibério, em março de 37. Quando Tibério faleceu, Calígula, então com aproximadamente 24 anos, foi reconhecido como sucessor e recebeu o apoio do Senado e da população de Roma. Sua ascensão despertou enormes expectativas, pois muitos romanos viam nele o herdeiro de Germânico, considerado um símbolo de virtude militar e de proximidade com o povo.

Os primeiros meses do governo de Calígula foram recebidos com entusiasmo extraordinário. O novo imperador tomou medidas para demonstrar que pretendia romper com os aspectos mais impopulares do governo de Tibério, cuja administração final havia sido marcada por julgamentos políticos, acusações de traição e execuções de membros da aristocracia. Calígula concedeu anistia a pessoas condenadas durante o reinado anterior, chamou de volta alguns exilados e procurou homenagear a memória de sua mãe e de seus irmãos falecidos. Também organizou grandes espetáculos públicos, distribuiu dinheiro à população e promoveu celebrações em homenagem à família imperial. O Senado, inicialmente, recebeu o novo príncipe com grande satisfação, e a população de Roma demonstrou entusiasmo nas ruas. A posição de Calígula era particularmente favorável porque reunia o prestígio de Germânico e a legitimidade dinástica herdada de Augusto. Entretanto, essa popularidade começou a sofrer abalos ainda em 37, quando o imperador enfrentou uma grave enfermidade, cuja natureza exata permanece desconhecida. Alguns autores antigos afirmaram que, após a doença, seu comportamento teria mudado profundamente, tornando-se mais cruel, imprevisível e desconfiado. Essa interpretação, porém, deve ser tratada com cautela, pois os relatos foram escritos em grande parte por autores pertencentes à elite senatorial, frequentemente hostil ao imperador. A doença pode ter contribuído para mudanças em sua administração, mas não existe documentação médica capaz de esclarecer o episódio. O que se observa historicamente é que, depois dos primeiros meses, as relações entre Calígula e setores importantes da aristocracia romana tornaram-se cada vez mais tensas. O imperador passou a concentrar maior autoridade em suas próprias mãos, demonstrando pouca disposição para compartilhar decisões políticas com o Senado.

A imagem tradicional de Calígula como um governante completamente dominado pela loucura foi construída principalmente por historiadores antigos, como Suetônio, Tácito e Dião Cássio, cujos relatos apresentam diferentes graus de hostilidade em relação à sua administração. Segundo essas narrativas, Calígula teria demonstrado comportamento extravagante, promovido humilhações públicas de senadores e exigido manifestações exageradas de submissão. Entre as histórias mais conhecidas está a afirmação de que teria planejado nomear seu cavalo Incitato para o consulado, episódio frequentemente utilizado para ilustrar sua suposta insanidade. Entretanto, não há confirmação segura de que essa nomeação tenha efetivamente ocorrido; a história pode representar uma crítica simbólica à maneira como o imperador desprezava a dignidade dos magistrados senatoriais. Outra tradição afirma que Calígula teria exigido honras divinas ainda em vida, aproximando sua imagem dos deuses e promovendo manifestações religiosas em seu próprio benefício. O culto imperial, contudo, já existia antes dele, e a maneira como era praticado variava entre Roma e as províncias. Em algumas regiões orientais, era comum atribuir honras divinas aos governantes, enquanto em Roma essa prática encontrava maior resistência entre determinados setores da aristocracia. Calígula também enfrentou dificuldades financeiras após os gastos realizados no início do governo e a organização de grandes espetáculos. Para obter novos recursos, promoveu medidas fiscais e confiscos que atingiram membros ricos da sociedade romana. As relações com o Senado deterioraram-se ainda mais, pois muitos senadores consideravam suas atitudes uma ameaça às tradições republicanas que, apesar de já subordinadas ao imperador, continuavam sendo importantes para a identidade política da aristocracia.

No campo militar, Calígula também protagonizou episódios que contribuíram para a construção de sua reputação controversa. Em 39 d.C., iniciou preparativos para uma campanha na Germânia, aparentemente relacionada à necessidade de reafirmar a autoridade romana nas fronteiras e fortalecer sua posição perante o exército. No ano seguinte, deslocou-se para a região do Canal da Mancha, onde reuniu tropas com a intenção declarada de realizar uma expedição contra a Britânia. A campanha, entretanto, não resultou na invasão da ilha. Autores antigos ridicularizaram o episódio, afirmando que o imperador teria ordenado aos soldados que recolhessem conchas marinhas como se fossem troféus de uma vitória sobre o oceano. Essa história tornou-se uma das anedotas mais famosas sobre Calígula, mas seu significado histórico permanece discutido. É possível que tenha ocorrido algum tipo de operação militar ou demonstração de força, posteriormente apresentada pelos adversários do imperador de maneira satírica. Enquanto isso, a administração imperial enfrentava tensões religiosas e políticas em diferentes regiões. Na Judeia, a tentativa de instalar uma estátua do imperador no Templo de Jerusalém provocou uma grave crise. A ordem foi recebida com oposição entre a população judaica, que considerava a medida uma violação de suas tradições religiosas. O governador da Síria, Públio Petrônio, procurou evitar uma revolta e retardou a execução da determinação. A morte de Calígula, em 41 d.C., impediu que a crise chegasse a um desfecho militar. Esse episódio demonstra que, apesar das narrativas sobre extravagâncias pessoais, seu governo também esteve envolvido em questões administrativas, diplomáticas e religiosas de grande importância para o Império Romano.

O governo de Calígula terminou violentamente em 24 de janeiro de 41 d.C., quando o imperador foi assassinado em uma conspiração organizada por membros da Guarda Pretoriana e outros participantes ligados à corte. Entre os principais envolvidos estava Cássio Quereia, um oficial da guarda que, segundo as fontes antigas, nutria ressentimentos pessoais contra o imperador. Calígula foi atacado durante uma passagem próxima ao teatro, após participar de atividades relacionadas aos jogos e às celebrações imperiais. Sua esposa, Cesônia, e sua filha, Júlia Drusila, também foram mortas durante os acontecimentos que se seguiram. O assassinato provocou uma crise sucessória, pois Calígula não havia deixado um herdeiro masculino adulto reconhecido. Entretanto, os soldados da Guarda Pretoriana encontraram seu tio Cláudio, irmão de Germânico, e o proclamaram imperador. O Senado chegou a discutir a possibilidade de restaurar a República, mas não conseguiu estabelecer um governo alternativo. Cláudio assumiu o poder e, posteriormente, puniu alguns dos responsáveis pela conspiração. A morte de Calígula marcou o fim de um reinado de apenas quatro anos, mas sua figura continuou a exercer enorme fascínio sobre historiadores, escritores e artistas. As fontes antigas ajudaram a consolidar a imagem de um imperador cruel e demente, embora a historiografia moderna procure distinguir os acontecimentos comprováveis das anedotas e das acusações políticas. Calígula certamente entrou em conflito com a aristocracia, promoveu medidas autoritárias e esteve associado a decisões controversas, mas os detalhes mais extremos de sua reputação permanecem sujeitos a debate. Seu governo revela as dificuldades de um sistema imperial ainda recente, no qual o poder do príncipe dependia tanto do exército e da população quanto da relação com o Senado. A trajetória de Calígula, de herdeiro popular de Germânico a imperador assassinado, permanece como um dos episódios mais dramáticos da história política da Roma Antiga.

sábado, 26 de setembro de 2026

Elvis Presley - Elvis (1973)

Elvis Presley - Elvis (1973)
O álbum Elvis, lançado em 16 de julho de 1973 pela RCA Victor, ocupa um lugar bastante singular na discografia de Elvis Presley. Também conhecido como The Fool Album, em referência à primeira faixa do disco, o trabalho foi o décimo oitavo álbum de estúdio do cantor e chegou ao mercado durante uma fase de grandes transformações em sua carreira pessoal e profissional. Depois do enorme sucesso do especial televisivo Aloha from Hawaii, transmitido mundialmente por satélite em janeiro daquele ano, Elvis encontrava-se novamente no centro das atenções, embora sua produção de estúdio começasse a apresentar características bastante diferentes das gravações realizadas na década anterior. O álbum foi produzido por Felton Jarvis e reuniu dez canções provenientes principalmente de sessões realizadas em Nashville, em março e maio de 1971, além de gravações mais recentes de 1972. A RCA aproveitou material que permanecia inédito em seus arquivos para oferecer ao público um novo LP de Elvis, numa época em que a companhia havia adquirido os direitos sobre as gravações anteriores do artista. A decisão estava relacionada ao acordo firmado em março de 1973, pelo qual a RCA pagou aproximadamente 5,4 milhões de dólares para assumir o controle do catálogo fonográfico anterior de Elvis. O resultado foi um disco heterogêneo, que mistura baladas românticas, country, música popular internacional e interpretações intimistas. Embora não tenha sido concebido como um álbum inteiramente planejado em estúdio, apresenta momentos de grande interesse artístico. 

A abertura com “Fool” estabelece imediatamente o caráter sentimental do trabalho. A canção, baseada na composição “No Words”, de James Last, recebeu letra de Carl Sigman e foi gravada por Elvis em março de 1972. Sua interpretação combina elementos do country e da balada pop, com arranjo orquestral e uma performance vocal marcada pela intensidade emocional que caracterizava muitas de suas gravações dos anos 1970. “Where Do I Go from Here”, composta por Paul Williams, também pertence às sessões de 1972 e apresenta uma atmosfera melancólica, com Elvis explorando as possibilidades expressivas de sua voz madura. Já “Love Me, Love the Life I Lead” destaca o lado romântico do repertório, apoiando-se numa melodia suave e numa interpretação que valoriza a expressividade vocal. Um dos grandes atrativos do álbum, entretanto, aparece nas gravações mais despojadas realizadas em Nashville. “It's Still Here”, “I Will Be True” e “I'll Take You Home Again, Kathleen” apresentam Elvis ao piano, em interpretações de caráter quase doméstico, com acompanhamento mínimo ou inexistente. Essas gravações revelam um artista disposto a experimentar sem a estrutura elaborada de seus discos comerciais. A presença do piano permite ouvir nuances de sua interpretação que muitas vezes ficavam escondidas em arranjos mais grandiosos. Para os admiradores de Elvis, essas três faixas constituem alguns dos momentos mais pessoais de todo o álbum. 

A recepção crítica do disco foi marcada por avaliações distintas, em grande parte devido à natureza irregular de sua seleção musical. A revista AllMusic, em uma análise retrospectiva assinada por Neal Umphred, observa que o álbum reúne sobras de projetos anteriores, mas ressalta que justamente essas gravações menos convencionais permitem conhecer um aspecto diferente do artista. O crítico destaca especialmente “It's Still Here” e “I Will Be True”, nas quais Elvis canta ao piano, sem acompanhamento instrumental, considerando essas interpretações momentos extraordinários que justificam a audição do LP. Essa avaliação ajuda a compreender por que o álbum passou a despertar interesse entre colecionadores e admiradores mais atentos à obra de Elvis. Por outro lado, a seleção de repertório nem sempre foi considerada equilibrada. “Padre”, por exemplo, segue uma linha dramática e grandiosa, enquanto “Love Me, Love the Life I Lead” e “Fool” procuram dialogar com o gosto popular da época. A diversidade de estilos impede que o álbum tenha uma identidade musical tão uniforme quanto a de trabalhos anteriores, como From Elvis in Memphis ou Elvis Country. A inclusão de “It's Impossible”, registrada ao vivo em Las Vegas, também contribui para essa sensação de coleção de momentos distintos, em vez de um projeto concebido como uma unidade artística. Ainda assim, as gravações mais intimistas demonstram a capacidade de Elvis de transmitir emoção mesmo em condições simples de gravação. 

Comercialmente, Elvis chegou ao mercado num período em que a presença do cantor nas paradas americanas continuava significativa, embora os resultados variassem bastante conforme o lançamento. O álbum alcançou a 52ª posição na parada de álbuns da Billboard nos Estados Unidos, enquanto obteve desempenho mais expressivo em determinadas listas de música country. No Reino Unido, o disco também encontrou público, acompanhando o interesse contínuo pela obra do cantor. A faixa “Fool” ganhou destaque como single, embora nos Estados Unidos tenha sido lançada originalmente no lado B de “Steamroller Blues”, canção que havia sido apresentada no álbum Aloha from Hawaii via Satellite. A combinação das duas músicas chegou à 17ª posição da Billboard Hot 100, enquanto “Fool” alcançou a 15ª colocação na parada britânica de singles. A revista Billboard, em sua avaliação da gravação, descreveu “Fool” como uma balada forte, de orientação country-rock, seguindo a linha de outros sucessos românticos de Elvis. O desempenho comercial do LP ficou, portanto, abaixo do alcançado pelo álbum ao vivo Aloha from Hawaii, mas confirmou que o cantor ainda mantinha uma presença considerável no mercado fonográfico internacional. A página oficial de Elvis observa que as vendas do álbum ficaram em torno de 200 mil cópias, resultado que refletiu, em parte, a natureza pouco convencional do lançamento e a apresentação gráfica considerada pouco elaborada. 

Com o passar das décadas, Elvis (The Fool Album) adquiriu importância principalmente entre os admiradores interessados nas gravações menos conhecidas do cantor. Não é geralmente considerado um dos grandes álbuns conceituais de sua carreira, mas oferece uma oportunidade especial de acompanhar Elvis em interpretações mais espontâneas e pessoais. A versão de “Don't Think Twice, It's All Right”, de Bob Dylan, é um dos exemplos mais interessantes dessa liberdade interpretativa. Elvis transforma a composição numa performance acústica descontraída, com fraseado vocal flexível e uma abordagem que se afasta da estrutura mais rígida de algumas de suas gravações comerciais. A edição original apresenta uma versão bastante reduzida da interpretação, enquanto registros mais extensos permitem conhecer melhor o desenvolvimento da sessão. A presença dessa canção também demonstra o interesse de Elvis pelo repertório de outros compositores importantes de sua época. “(That's What You Get) For Lovin' Me”, de Gordon Lightfoot, acrescenta ao disco uma ligação com a tradição da música folk e country norte-americana. Já as três gravações ao piano continuam sendo lembradas como registros especialmente reveladores da personalidade musical de Elvis. O álbum, assim, representa um documento de transição dentro de sua trajetória nos anos 1970: um lançamento comercialmente modesto, mas que preserva interpretações de grande valor histórico e artístico. Para quem deseja conhecer não apenas os grandes sucessos, mas também o lado mais reservado e experimental do Rei do Rock, The Fool Album permanece uma audição indispensável.

Elvis Presley - Elvis (The Fool Album) (1973)
Fool
Where Do I Go from Here
Love Me, Love the Life I Lead
It's Still Here
It's Impossible
(That's What You Get) For Lovin' Me
Padre
I'll Take You Home Again, Kathleen
I Will Be True
Don't Think Twice, It's All Right

Erick Steve. 

The Beatles - Let It Be

The Beatles - Let It Be
Música: Let It Be
Artista: The Beatles
Álbum: Let It Be
Selo: Apple Records
Produtor: George Martin (gravação original); Phil Spector (versão do álbum de 1970)
Músicos: Paul McCartney (vocais, piano, baixo); John Lennon (guitarra, vocais de apoio); George Harrison (guitarra solo, vocais de apoio); Ringo Starr (bateria); Billy Preston (órgão Hammond); Linda McCartney (vocais de apoio, na versão do álbum)
Data de gravação: 31 de janeiro de 1969; overdubs em 30 de abril de 1969 e 4 de janeiro de 1970
Data de Lançamento: 6 de março de 1970, como single; 8 de maio de 1970, no álbum Let It Be

Comentários:
“Let It Be” foi composta principalmente por Paul McCartney durante um dos períodos mais turbulentos da história dos Beatles. A inspiração veio de um sonho que McCartney teve com sua mãe, Mary McCartney, falecida quando ele ainda era adolescente, e a figura de “Mother Mary” presente na letra nasceu dessa experiência pessoal. Em meio às tensões que marcavam o relacionamento entre os quatro Beatles durante as sessões do projeto que originalmente se chamaria Get Back, McCartney encontrou na canção uma mensagem de serenidade, aceitação e esperança. A composição apresenta uma estrutura extremamente acessível, baseada em uma melodia ampla e memorável, com forte influência do gospel e da tradição das grandes baladas populares. A expressão “let it be”, repetida como uma espécie de conselho ou mantra, deu à música uma dimensão universal que ultrapassou o contexto particular em que foi escrita. A gravação foi realizada no Apple Studio, em Londres, durante as sessões de janeiro de 1969, quando os Beatles tentavam recuperar a espontaneidade de seus primeiros anos e voltar a tocar de maneira mais direta. Billy Preston participou das sessões ao piano e órgão, contribuindo para a sonoridade da gravação.

“Let It Be” adquiriu uma importância ainda maior porque acabou sendo lançada quando a história dos Beatles estava chegando ao fim. O single chegou ao mercado em 6 de março de 1970, pouco antes de Paul McCartney anunciar publicamente sua saída do grupo, enquanto o álbum Let It Be seria lançado em maio daquele ano, tornando-se o último álbum dos Beatles a ser lançado. A produção do single e a do álbum também apresentam diferenças: a versão do single foi produzida por George Martin, enquanto Phil Spector posteriormente trabalhou nas fitas para a edição do álbum, produzindo uma versão diferente. Comercialmente, a música foi um enorme sucesso e tornou-se uma das gravações mais reconhecidas do repertório dos Beatles. Sua força está na combinação entre a simplicidade da composição, a interpretação vocal emotiva de McCartney, o piano, o órgão de Billy Preston e o crescendo instrumental que conduz a música ao seu encerramento. Com o passar das décadas, “Let It Be” deixou de ser apenas uma canção associada ao fim dos Beatles e passou a representar uma mensagem universal de esperança diante das dificuldades. Sua presença constante em coletâneas, programas de rádio, apresentações e versões de outros artistas consolidou seu lugar entre as grandes canções da música popular do século XX. Seu legado permanece justamente porque, mesmo nascida em um momento de crise e separação, conseguiu transformar uma experiência pessoal de perda e um período de instabilidade em uma mensagem musical de conforto que continua reconhecida mundialmente.

Erick Steve. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Coração Selvagem

Título no Brasil: Coração Selvagem
Título Original: Heart of the Beast
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Plan B Entertainment 
Direção: David Ayer
Roteiro: Cameron Alexander
Elenco: Brad Pitt, J.K. Simmons e Anna Lambe.

Sinopse: 
James Belmont é um veterano das Forças Especiais que decide passar alguns dias no remoto Alasca na companhia de Odin, seu cão de combate e fiel companheiro. Durante o voo sobre uma região selvagem, James sofre um grave acidente e os dois acabam isolados em uma área praticamente inacessível. Sem contato com a civilização e enfrentando temperaturas extremas, eles precisam encontrar uma maneira de sobreviver e retornar para casa. James precisa utilizar seus conhecimentos militares para conseguir abrigo, alimento e proteção contra os perigos da natureza. Odin, por sua vez, torna-se fundamental para sua sobrevivência e para sua estabilidade emocional. Ao longo da jornada, os dois enfrentam tempestades, animais selvagens, ferimentos e outros obstáculos. A situação também faz James reviver lembranças dolorosas de seu passado militar. A história acompanha principalmente a luta dos dois companheiros pela sobrevivência e o forte vínculo construído entre um homem e seu cão.

Comentários: 
Coração Selvagem é um filme de aventura e sobrevivência dirigido por David Ayer, que volta a trabalhar com Brad Pitt depois de Corações de Ferro. A produção utiliza a relação entre James e Odin como seu principal elemento emocional, colocando os dois personagens praticamente sozinhos durante grande parte da história. Brad Pitt interpreta o protagonista de maneira mais contida, com poucas falas e grande parte da atuação baseada em expressões e ações físicas. O cão Odin também possui um papel fundamental e foi interpretado principalmente por um pastor-alemão chamado Uber, com outros cães utilizados em determinadas cenas. A fotografia de Mauro Fiore aproveita as paisagens naturais para criar uma sensação de isolamento e grandiosidade. O lançamento comercial nos Estados Unidos se deu em 25 de setembro de 2026, enquanto no Brasil chegou aos cinemas em 24 de setembro.

A recepção crítica inicial tem destacado principalmente a relação entre Brad Pitt e o cachorro. O The New York Times observou que Pitt consegue dar força ao filme ao interpretar um veterano acompanhado por seu cão, enquanto o Los Angeles Times destacou que Odin acaba se tornando o grande destaque da produção. A Associated Press considerou a história simples e algumas situações previsíveis, mas ressaltou a emoção proporcionada pela relação entre homem e animal. No Rotten Tomatoes, o filme aparece atualmente com 88% de aprovação dos críticos, embora esse índice ainda possa mudar conforme novas avaliações sejam adicionadas. A produção também chama atenção pela combinação de cenas de ação, paisagens do Alasca e momentos mais intimistas entre James e Odin. Assim, Coração Selvagem utiliza uma história tradicional de sobrevivência para explorar companheirismo, trauma, resistência e a ligação entre um soldado e seu animal de serviço.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Mayday

Título no Brasil: Mayday
Título Original: Mayday
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Apple Original Films / Skydance Media 
Direção: Jonathan Goldstein e John Francis Daley
Roteiro: Jonathan Goldstein e John Francis Daley
Elenco: Ryan Reynolds, Kenneth Branagh, Maria Bakalova, Marcin Dorociński, David Morse, Lovell Adams-Gray, Clark Johnson e Louis Cancelmi.

Sinopse: 
Durante o auge da Guerra Fria, o tenente Troy “Assassin” Kelly é um piloto da Marinha dos Estados Unidos enviado para uma missão ultrassecreta em território soviético. Quando a operação dá errado, Troy é obrigado a fazer um pouso de emergência e acaba isolado em uma região selvagem e gelada, atrás das linhas inimigas. Sem possibilidade de contato imediato com seus superiores, ele precisa encontrar uma maneira de sobreviver e escapar da área. Sua situação muda quando ele é encontrado por Nikolai Ustinov, um antigo agente da KGB que vive afastado de suas antigas atividades. Apesar de estarem em lados opostos durante a Guerra Fria, os dois percebem que precisam colaborar para sobreviver. A relação começa de maneira desconfiada e cheia de conflitos, mas gradualmente surge uma inesperada amizade entre eles. Juntos, Troy e Nikolai enfrentam perigos, perseguições e obstáculos enquanto tentam encontrar uma maneira segura de escapar do território inimigo.

Comentários: 
Mayday combina ação, aventura e drama de amizade em uma história ambientada durante a Guerra Fria. Ryan Reynolds interpreta Troy como um piloto confiante e impulsivo, enquanto Kenneth Branagh assume o papel de Nikolai Ustinov, um ex-agente da KGB de personalidade muito diferente. A principal proposta do filme está justamente no contraste entre os dois protagonistas, que precisam deixar de lado suas diferenças para sobreviver. Jonathan Goldstein e John Francis Daley, conhecidos também pelo trabalho em Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes, dirigem e escrevem o longa. A produção foi desenvolvida como um filme de ação com elementos e pitadas de comédia, utilizando a relação entre os dois personagens como seu principal elemento narrativo. Sua estreia mundial aconteceu no Apple TV em 4 de setembro de 2026.

A recepção inicial foi relativamente positiva entre os críticos, que destacaram principalmente a combinação entre ação e humor e a parceria de Ryan Reynolds com Kenneth Branagh. O Rotten Tomatoes registra atualmente 83% de aprovação da crítica, com mais de cem avaliações, embora esses números possam continuar mudando à medida que novas críticas sejam registradas. A produção também recebeu atenção por sua longa espera até o lançamento, já que as filmagens haviam sido realizadas em 2024 e o filme chegou ao público apenas em 2026. Visualmente, Mayday utiliza paisagens geladas e ambientes de aparência desolada para reforçar a sensação de isolamento enfrentada pelo protagonista. A presença de Maria Bakalova e Marcin Dorociński amplia o elenco internacional e acrescenta outros personagens à história de espionagem. O resultado é uma aventura que utiliza o cenário da Guerra Fria como ponto de partida para uma história de sobrevivência e amizade improvável.

Pablo Aluísio e Erick Steve.