sábado, 12 de setembro de 2026

Elvis Presley - Roustabout

Elvis Presley - Roustabout
Lançado em 20 de outubro de 1964, Roustabout foi o décimo álbum de trilha sonora de Elvis Presley e acompanhou o filme de mesmo nome, no qual o cantor interpretou Charlie Rogers, um motociclista que acaba trabalhando em um parque de diversões itinerante. O disco pertence a uma fase extremamente produtiva da carreira de Elvis, quando seus compromissos cinematográficos faziam com que grande parte de sua produção musical estivesse ligada aos filmes de Hollywood. Mesmo assim, Roustabout apresenta algumas canções bastante interessantes, especialmente a faixa-título, "Roustabout", "Little Egypt" e "There's a Brand New Day on the Horizon". Musicalmente, o álbum combina rock and roll, pop, country e números de entretenimento típicos das trilhas cinematográficas de Elvis. A gravação da trilha ocorreu em Hollywood, com produção de Joseph Lilley e canções compostas por compositores como Fred Wise, Ben Weisman e outros profissionais ligados à produção musical da época. O trabalho também é importante por registrar Elvis em um período de enorme popularidade comercial, mesmo que artisticamente sua carreira estivesse começando a se afastar da força criativa de seus primeiros anos. Roustabout representa, portanto, muito bem a relação cada vez mais estreita entre a carreira cinematográfica e a carreira fonográfica do cantor.

A recepção crítica de Roustabout foi moderada, refletindo a crescente percepção de que as trilhas sonoras de Elvis estavam se tornando mais previsíveis. A Billboard reconheceu o potencial comercial do lançamento e destacou a capacidade de Presley de continuar produzindo material atraente para seu enorme público. A revista observava que a presença de Elvis era suficiente para transformar uma trilha cinematográfica em um produto importante para as lojas de discos. A Cash Box também recebeu o álbum favoravelmente, chamando atenção para a faixa-título e para o apelo comercial do repertório. Entretanto, os críticos começaram a estabelecer uma comparação cada vez mais desfavorável entre esses trabalhos e os primeiros discos de Elvis. A energia e a criatividade do rock dos anos 1950 já não estavam tão presentes, enquanto as exigências dos filmes determinavam cada vez mais o tipo de música que o cantor gravava. A avaliação retrospectiva tornou-se mais crítica, mas também mais contextualizada: especialistas reconhecem que Roustabout não deve ser comparado apenas com os melhores álbuns de Elvis, mas entendido como produto de uma indústria cinematográfica que utilizava sua enorme popularidade para alimentar simultaneamente as bilheterias e as vendas de discos.

A crítica posterior também encontrou qualidades específicas no álbum. A faixa "Little Egypt", por exemplo, tornou-se uma das gravações mais lembradas da trilha e demonstra que Elvis ainda conseguia imprimir personalidade a material relativamente simples. "Roustabout" possui uma sonoridade mais direta e representa melhor a imagem rebelde que o cinema ainda procurava associar ao cantor. Ao mesmo tempo, músicas como "Poison Ivy League" e "Hard Knocks" revelam a natureza mais leve e humorística que dominava muitos dos filmes de Elvis naquele período. Publicações especializadas em sua obra passaram posteriormente a observar que o álbum possui uma importância documental: ele mostra exatamente onde Elvis estava artisticamente em 1964, pouco antes da chegada da Beatlemania e da transformação radical do mercado musical. A imprensa cultural americana, incluindo veículos como o The New York Times e o Los Angeles Times, acompanhava a crescente presença de Elvis no cinema, embora as trilhas sonoras nem sempre recebessem o mesmo tratamento crítico dedicado aos grandes discos de música popular. Hoje, os especialistas tendem a reconhecer que Roustabout não está entre seus trabalhos mais importantes, mas algumas de suas melhores faixas mostram que o cantor ainda possuía recursos vocais e carisma suficientes para elevar material convencional.

Comercialmente, porém, Roustabout foi um grande sucesso. O álbum alcançou o primeiro lugar da Billboard 200 nos Estados Unidos, permanecendo no topo durante duas semanas. Esse resultado foi particularmente impressionante porque ocorreu em 1964, justamente quando os Beatles e outros artistas britânicos começavam a dominar o mercado americano. A trilha sonora conseguiu superar diversos lançamentos importantes da época e tornou-se o último álbum de Elvis nos anos 60 a alcançar o primeiro lugar da parada americana durante sua vida. O single "Roustabout" também teve bom desempenho e chegou ao 47º lugar da Billboard Hot 100. O sucesso comercial demonstrou que, apesar da queda relativa na qualidade de seu repertório, Elvis continuava sendo uma das maiores forças comerciais da indústria fonográfica. A popularidade do filme também ajudou o álbum, criando uma poderosa combinação entre cinema, televisão, rádio e lojas de discos. Roustabout acabaria recebendo certificação de ouro pela RIAA, confirmando vendas superiores a 500 mil cópias nos Estados Unidos. Dessa maneira, o disco representa um dos últimos grandes triunfos comerciais da fase de trilhas sonoras de Elvis.

O legado de Roustabout é hoje bastante particular. Entre os fãs mais dedicados de Elvis, o álbum é lembrado principalmente por representar o auge comercial de uma fórmula que começaria a apresentar sinais cada vez mais evidentes de desgaste. Embora não tenha a importância artística de Elvis Is Back!, From Elvis in Memphis ou mesmo de algumas de suas trilhas anteriores, o disco possui valor histórico por ter chegado ao número 1 da Billboard em um momento de profundas transformações na música popular. "Roustabout" e "Little Egypt" continuam sendo as faixas mais lembradas, enquanto o restante do repertório oferece um retrato bastante fiel do Elvis cinematográfico de 1964. O álbum também ajuda a compreender por que sua carreira precisaria de uma renovação poucos anos depois, quando o especial de televisão de 1968 e as gravações de Memphis recolocariam sua música em primeiro plano. Atualmente, Roustabout é geralmente visto como uma obra secundária, mas interessante dentro de sua discografia. Para os fãs, continua sendo uma peça importante da coleção de trilhas de Hollywood e um documento de uma época em que Elvis ainda conseguia transformar praticamente qualquer lançamento em sucesso comercial.

Elvis Presley - Roustabout (1964)
Roustabout
Little Egypt
Poison Ivy League
Hard Knocks
It's a Wonderful World
Big Love, Big Heartache
One Track Heart
It's Carnival Time
Carny Town
There's a Brand New Day on the Horizon
Wheels on My Heels

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

The Beatles - We Can Work It Out

The Beatles - We Can Work It Out
Música: We Can Work It Out
Artista: The Beatles
Álbum: Não lançada originalmente em álbum — primeiro lançamento no single We Can Work It Out / Day Tripper
Selo: Parlophone (Reino Unido); Capitol (Estados Unidos)
Produtor: George Martin
Músicos: Paul McCartney (vocais, baixo); John Lennon (vocais, guitarra acústica, harmônio); George Harrison (pandeiro); Ringo Starr (bateria)
Data de gravação: 20 de outubro de 1965; overdubs e finalização em 29 de outubro de 1965
Data de Lançamento: 3 de dezembro de 1965, Reino Unido; 6 de dezembro de 1965, Estados Unidos

Comentários:
“We Can Work It Out” surgiu em um momento particularmente fértil da carreira dos Beatles, durante as sessões que dariam origem a Rubber Soul. A composição foi desenvolvida principalmente por Paul McCartney, que levou a ideia a John Lennon para que os dois trabalhassem juntos na conclusão da canção. McCartney escreveu essencialmente as estrofes, construídas em torno de um apelo à conciliação, enquanto Lennon contribuiu decisivamente para a seção “Life is very short”, que introduz uma mudança de atmosfera e de andamento. George Harrison também teve participação importante no desenvolvimento do arranjo, sugerindo que essa passagem fosse executada em compasso ternário, criando o característico efeito de valsa. A letra apresenta uma discussão amorosa sob a perspectiva de duas pessoas que enxergam uma situação de maneiras diferentes, mas ainda acreditam ser possível salvar o relacionamento. Embora frequentemente relacionada à vida pessoal de McCartney, especialmente ao seu relacionamento com Jane Asher, a canção funciona também como uma reflexão universal sobre conflitos afetivos, comunicação e compromisso. Musicalmente, a combinação entre o pop melódico de McCartney e a intervenção mais impaciente de Lennon é uma das suas grandes virtudes. O harmônio tocado por Lennon acrescenta uma sonoridade incomum ao repertório dos Beatles, enquanto a mudança para o ritmo de valsa dá à composição uma dimensão dramática e sofisticada. O resultado demonstra como o grupo estava rapidamente ampliando os limites da canção pop convencional.

A gravação também revela o crescente interesse dos Beatles em utilizar o estúdio como parte fundamental do processo criativo. Em 20 de outubro de 1965, o grupo registrou a faixa básica e trabalhou durante quase onze horas na música, naquele momento o período mais longo que havia dedicado a uma única canção. Os trabalhos continuaram em 29 de outubro, com overdubs e mixagem. O resultado foi lançado como lado A de um dos primeiros grandes singles em que duas músicas receberam tratamento de dupla face A, ao lado de “Day Tripper”. A recepção comercial foi extraordinária: o single chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e também alcançou o topo das paradas norte-americanas, tornando-se o sexto single consecutivo dos Beatles a atingir o número um nos Estados Unidos. Mais importante ainda, “We Can Work It Out” consolidou a capacidade do grupo de transformar experiências pessoais e conflitos cotidianos em canções acessíveis a milhões de pessoas. A alternância entre a seção pop de McCartney e o trecho em três tempos associado a Lennon tornou-se uma de suas características mais reconhecíveis. A canção permanece como um excelente exemplo da complementaridade existente entre os dois principais compositores dos Beatles, mostrando como suas personalidades musicais diferentes podiam produzir algo maior quando combinadas. Seu legado está justamente nessa capacidade de unir melodia, experimentação e uma mensagem extremamente simples sobre diálogo e compreensão, características que ajudaram a fazer de “We Can Work It Out” uma das composições mais duradouras da fase clássica dos Beatles.

Erick Steve. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Hamnet - A Vida Depois de Hamlet

Título no Brasil: Hamnet - A Vida Depois de Hamlet 
Título Original: Hamnet
Ano de Lançamento: 2025
País: Reino Unido
Estúdio: Focus Features
Direção: Chloé Zhao
Roteiro: Chloé Zhao, Maggie O'Farrell
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Jacobi Jupe, Joe Alwyn, Justine Michell, Eva Wishart

Sinopse:
O jovem autor de peças de teatro William Shakespeare se apaixona por uma vizinha chamada Agnes. Ela tem um comportamento meio fora dos padrões, pois adora ir para a floresta, se sentindo integrada com a força da natureza. De qualquer forma acabam se casando numa união que vai ser marcada por muitos sofrimentos, dramas e perdas, entre elas a dolorida morte do filho, um garoto chamado Hamnet. 

Comentários:
Noventa por cento do que vemos nesse filme é ficção! Os historiadores apenas sabem que William Shakespeare realmente perdeu seu filho, um garoto chamado Hamnet. Essa é a informação crua que chegou até nossos dias. Não sabemos como era o relacionamento dele com a esposa, as circunstâncias corretas da morte do menino, se ele realmente se inspirou em Hamnet para escrever sua peça imortal Hamlet e tudo mais. Afinal o roteiro desse filme foi escrito a partir de um romance, muito bem escrito, baseado em teses históricas até bem interessantes, mas nada muito além disso. Não sabemos sobre toda a verdade histórica. Isso se perdeu nas areias do tempo. Esse aspecto porém não desmerece o filme em nada. Eu gostei muito!  É um drama romântico com um realismo que ás vezes até mesmo incomoda. Tenta imaginar como seria a vida cotidiana das pessoas, das famílias que viveram naqueles tempos. E a família Shakespeare não era diferente em nada das demais. Ele era um artista, que sofria para sustentar sua casa, indo trabalhar em outra cidade, sofrendo as durezas e os fardos da vida. Pensando bem, essa é a grande qualidade desse filme, transportar o espectador para um mundo que já não existe há séculos. Enfim, outro bom drama histórico que vale muito a pena assistir. 

Pablo Aluísio.

A História Verdadeira

Título no Brasil: A História Verdadeira 
Título Original: True Story
Ano de Lançamento: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Regency Enterprises
Direção: Rupert Goold
Roteiro: Rupert Goold, David Kajganich
Elenco: James Franco, Jonah Hill, Felicity Jones, Maria Dizzia, Ethan Suplee, Conor Kikot

Sinopse:
Michael Finkel (Jonah Hill) é um renomado jornalista do New York Times. Durante uma matéria investigativa ele altera fatos, esconde determinadas verdades e assim cai em desgraça. Acaba sendo demitido. Sua chance de redenção surge quando decide contar a história de um assassino que está no corredor da morte chamado Christian Long (Franco). 

Comentários:
Um filme para quem gosta desse gênero que atualmente passou a ser conhecido como True Crime, contando uma história baseada em fatos reais. Um jornalista e um assassino condenado à morte se unem para a elaboração de um livro que vai contar toda a história de um crime terrível. O personagem de James Franco é um criminoso condenado à morte. Ele foi julgado por ter matado toda a sua família. Só que mesmo no corredor da morte ele ainda alega inocência. Jonah Hill interpreta o personagem do jornalista. Ele vai escrever esse livro, contando tudo, esperando assim voltar ao meio do qual foi praticamente expulso após mentir numa reportagem de capa do New York Times. O espectador é manipulado pelo bom roteiro. Ora ficamos com a impressão de que se trata de um assassino frio e calculista, ora achamos que se trata de um homem inocente. E assim o filme vai jogando com as circunstâncias do caso. Como eu sempre gosto de dizer esse mundo do direito criminal é mesmo para quem tem coragem e espírito forte. E o filme bem demonstra isso ao jogar com os detalhes do suposto crime. Gostei bastante do filme e deixo assim minha recomendação. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O Mandaloriano e Grogu

Título no Brasil: O Mandaloriano e Grogu
Título Original: Star Wars: The Mandalorian and Grogu
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Disney, Lucasfilm
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau, Dave Filoni
Elenco: Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Jeremy Allen White, Jonny Coyne, Matthew Willig, Steve Blum

Sinopse:
O Mandaloriano e seu fiel escudeiro, o Grogu, são contratados para uma perigosa missão na terra dos Hutts, os maiores criminosos e vilões do universo. A Força Rebelde quer que eles localizem e salvem o filho de Jabba, que supostamente estaria sendo feito de prisioneiro por um corrupto promotor de lutas violentas em um planeta onde impera o submundo do crime. A dupla não demora muito a perceber que essa não será uma missão fácil, muito pelo contrário. 

Comentários:
Depois de sete longos anos a marca "Star Wars" voltou aos cinemas. E muitos fãs ficaram bem decepcionados. Eles queriam a continuidade das histórias próprias da franquia cinematográfica, mas ao invés disso. a Disney resolveu fazer um filme com os personagens da série "O Mandaloriano". Eu até entendo porque essa série foi uma das poucas que realmente fez sucesso no universo do streaming. E obviamente vendeu muitos brinquedos por causa do "Baby Yoda" (Grogu). Então a Disney resolveu apostar nas cartas que já tinham dado certo nesse jogo de muita concorrência. Só que vamos ser sinceros, esse filme não passa de um episódio estendido da série de televisão. É bem feito, bem produzido, tem muitos bichinhos fofinhos e brinquedos ambulantes, mas em momento nenhum empolga ou causa qualquer tipo de surpresa ao espectador. É mais do mesmo. A única coisa que achei bem estranha nessa nova produção foi aquele filho do Jabba, o Hutt, um dos maiores vilões da trilogia original. Aqui seu filho não tem a maldade do pai, muito pelo contrário, é gente boa, super amigão, um típico jovem da geração Z. Até músculos desfila nos campos de combate! Sim, um Hutt musculoso... Pois é, "Star Wars" não escapou dos novos tempos e nem da Disney, obviamente...

Pablo Aluísio.

Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan

Título no Brasil: Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan
Título Original: Star Trek II: The Wrath of Khan
Ano de Lançamento: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Nicholas Meyer
Roteiro: Jack B. Sowards, Harve Bennett
Elenco: William Shatner, Leonard Nimoy, Ricardo Montalbán, DeForest Kelley, James Doohan, Kirstie Alley

Sinopse:
Uma nave da federação recebe um pedido de ajuda da Zona Neutra. Trata-se na verdade de uma emboscada. Logo Khan e seus homens tomam conta da nave e partem para uma jornada de vingança contra Kirk, o homem que o havia deixado exilado em um planeta distante e poeirento do universo. 

Comentários:
Fazia décadas que havia assistido a esse segundo filme de Star Trek. Revi essa semana e para minha surpresa pude perceber que o filme envelheceu muito bem! Filmes de ficção são os que mais envelhecem com o passar dos anos, mas Jornada nas Estrelas parece ser imune a essa situação porque sempre apresentou bons roteiros, boas histórias. Esse segundo filme é sempre celebrado como um dos melhores da franquia cinematográfica. Aproveitaram um vilão dos tempos da série clássica, o Khan (em ótima interpretação de Ricardo Montalbán) para caprichar na aventura e na ação. O primeiro filme, como sabemos, havia sido considerado cerebral demais! Então nesse segundo filme priorizaram as cenas de aventura, inclusive com uma grande batalha espacial entre duas naves da federação. O curioso é que esse segundo filme foi mais aplaudido pela crítica da época do que o primeiro, mas não fez o mesmo sucesso, ainda que tenha se tornado mais lucrativo. É um filme de matinê dos anos 80, mas com muito charme e inteligência em seu roteiro. Esse tipo de coisa o tempo não destrói. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Homens das Terras Bravas (1958)

Homens das Terras Bravas (1958)
The Badlanders, conhecido no Brasil como Os Homens das Terras Bravas, foi lançado nos Estados Unidos em 3 de setembro de 1958, com direção de Delmer Daves, um dos mais respeitados realizadores de faroestes de Hollywood. O filme foi produzido por Aaron Rosenberg, através da Arcola Pictures, em associação com a Metro-Goldwyn-Mayer, e teve roteiro de Richard Collins, adaptando o romance The Asphalt Jungle, de W. R. Burnett, publicado em 1949. A produção representou uma curiosa transformação do clássico filme noir The Asphalt Jungle, de John Huston, transportando a história de um sofisticado assalto para o Arizona de 1898. O elenco reuniu Alan Ladd, Ernest Borgnine, Katy Jurado, Claire Kelly, Kent Smith e Nehemiah Persoff. Ladd interpreta Peter Van Hoek, conhecido como "Dutchman", um engenheiro de mineração que acaba de sair da prisão de Yuma depois de ter sido injustamente condenado por um roubo de ouro. Borgnine interpreta John "Mac" McBain, outro ex-presidiário que deseja começar uma nova vida depois de matar o homem que o enganou e roubou suas terras. Os dois homens chegam à cidade de Prescott por caminhos diferentes, mas acabam unidos por circunstâncias semelhantes e pelo desejo de enfrentar aqueles que destruíram suas vidas. Dutchman decide planejar um grande roubo de ouro, enquanto McBain inicialmente tenta permanecer longe do crime. Entretanto, a corrupção existente na cidade, a exploração dos trabalhadores mexicanos e a presença de um poderoso proprietário de mina fazem com que os dois homens acabem envolvidos em uma elaborada tentativa de assalto. 

A reação da crítica americana no lançamento foi mista, com alguns elogios à ação e à direção de Delmer Daves, mas também críticas à falta de originalidade. A Variety, em sua avaliação publicada em julho de 1958, chegou a chamar o filme de "a truly original frontier drama", destacando o tratamento do material e a presença dos dois protagonistas. A ironia dessa avaliação ficou mais evidente posteriormente, porque a produção era justamente uma nova adaptação de The Asphalt Jungle, e sua estrutura de filme de assalto estava longe de ser inédita. O The New York Times, por sua vez, foi mais favorável ao funcionamento do suspense e observou que "the action is smooth and rewards are liberal", reconhecendo que o filme entregava com eficiência as situações de aventura que o público esperava. O problema apontado por vários observadores era que Delmer Daves estava realizando uma obra muito mais convencional do que seus melhores westerns, como 3:10 to Yuma. A transformação do sofisticado universo noir de Burnett em um faroeste acabava retirando parte da complexidade moral da história original. A atuação de Alan Ladd também recebeu avaliações contraditórias: alguns críticos consideravam adequada sua interpretação fria e econômica, enquanto outros achavam que o ator parecia excessivamente contido. Ernest Borgnine, por outro lado, acrescentava energia e agressividade ao filme, criando um contraste interessante com Ladd. A presença de Katy Jurado também foi considerada um dos pontos fortes da produção. Dessa forma, a crítica americana enxergou The Badlanders como um western competente, mas dificilmente como uma obra de primeira categoria.

A recepção europeia seguiu caminho semelhante, com o filme sendo mais valorizado como entretenimento de gênero do que como uma grande realização artística. No Reino Unido, a produção foi observada principalmente dentro da tradição dos westerns americanos do período, destacando-se a combinação de assalto, vingança e aventura. Décadas depois, a avaliação britânica de Jeff Arnold's West considerou The Badlanders um filme que vale ao menos uma sessão, mas afirmou que ele não estava entre os melhores trabalhos de Delmer Daves. O crítico destacou a fotografia de John F. Seitz e as locações no Arizona como alguns dos principais atributos da produção, mas considerou o resultado final apenas mediano. Outra avaliação britânica contemporânea, publicada no David's Guide to Westerns, definiu o filme como "watchable but ultimately slightly mediocre", observando que a adaptação de The Asphalt Jungle funcionava razoavelmente bem, mas sofria por adaptar o material de maneira simultaneamente rígida e pouco desenvolvida. Na França e em outros mercados europeus, o interesse pelo filme esteve igualmente ligado à presença de Alan Ladd, Ernest Borgnine e Katy Jurado, além da reputação de Delmer Daves como diretor de westerns. Não houve indicações ao Oscar ou ao Globo de Ouro, e o filme permaneceu fora das grandes premiações de 1958. Seu maior interesse histórico está justamente na experiência de transformar um clássico do cinema policial em uma história de fronteira, preservando a estrutura de personagens criminosos, planejamento de roubo e traições, mas acrescentando elementos típicos do western, como cidades mineiras, conflitos de terra, violência armada e tensões étnicas.

Com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 1,436 milhão, The Badlanders era uma produção relativamente modesta para os padrões da MGM naquele período. As filmagens foram realizadas nos estúdios da MGM e também em locações no Arizona, incluindo Kingman e Old Tucson, o que permitiu que Delmer Daves obtivesse paisagens autênticas para a narrativa. O desempenho comercial, entretanto, ficou abaixo do necessário para transformar o filme em um grande sucesso. Segundo os registros da MGM, a produção arrecadou aproximadamente US$ 970 mil nos Estados Unidos e Canadá e US$ 1,135 milhão em outros mercados, totalizando cerca de US$ 2,105 milhões em receitas de aluguel e bilheteria registradas, mas os números internos indicam um prejuízo de aproximadamente US$ 373 mil para o estúdio. Portanto, apesar de ter recuperado mais dinheiro do que seu orçamento de produção, o filme não conseguiu cobrir completamente os custos totais de distribuição e exploração. O público parece ter recebido a obra de maneira moderadamente favorável, sobretudo entre os admiradores de westerns de ação. Atualmente, o IMDb registra 6,4/10, baseado em aproximadamente 1.800 avaliações, enquanto o Rotten Tomatoes apresenta 100% de aprovação do público, embora a amostra seja pequena e deva ser interpretada com cautela. A avaliação do público moderno, portanto, é um pouco mais simpática do que a reputação crítica tradicional. A combinação de Alan Ladd, Ernest Borgnine, assalto a uma mina de ouro e paisagens do Arizona oferece exatamente o tipo de entretenimento que muitos admiradores do western clássico procuram.

Atualmente, The Badlanders é geralmente considerado um filme menor, porém interessante, dentro da carreira de Delmer Daves e Alan Ladd. Ele não possui o prestígio de 3:10 to Yuma, Broken Arrow ou Jubal, mas merece atenção pela curiosa maneira como transforma The Asphalt Jungle em um western. A comparação com o filme de John Huston é inevitável: enquanto a obra de 1950 é considerada um dos grandes filmes noir americanos, a versão de Daves é mais direta, aventureira e convencional. Ainda assim, existem elementos bastante interessantes. O filme apresenta dois homens que, apesar de terem passado pelo crime, não são simplesmente vilões. McBain quer reconstruir sua vida, enquanto Dutchman busca vingança contra aqueles que o colocaram injustamente na prisão. Essa ambiguidade moral é uma característica importante do cinema de Delmer Daves. O diretor também introduz uma dimensão social através da exploração dos mexicanos na cidade e da corrupção dos poderosos proprietários de minas, algo que diferencia a obra de um western puramente aventureiro. A fotografia de John F. Seitz continua sendo um dos aspectos mais admirados, especialmente nas cenas realizadas em locações. Outro detalhe curioso da produção foi o romance entre Ernest Borgnine e Katy Jurado, que se conheceram durante as filmagens e posteriormente se casaram. Assim, embora The Badlanders não tenha alcançado o status de clássico, continua sendo uma peça interessante do western dos anos 1950 e uma curiosa adaptação de um dos grandes romances policiais americanos.

Os Homens das Terras Bravas (The Badlanders, Estados Unidos, 1958) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Richard Collins, baseado no livro The Asphalt Jungle, de W. R. Burnett / Elenco: Alan Ladd, Ernest Borgnine, Katy Jurado, Claire Kelly, Kent Smith e Nehemiah Persoff / Sinopse: Dois ex-presidiários chegam a uma cidade mineira do Arizona e unem forças para roubar o ouro de um poderoso empresário, transformando o golpe em uma oportunidade de vingança contra aqueles que destruíram suas vidas.

Erick Steve e Pablo Aluísio. 

O Preço de um Covarde

Título no Brasil: O Preço de um Covarde
Título Original: Bandolero!
Ano de Lançamento: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Andrew V. McLaglen
Roteiro: James Lee Barrett, Stanley Hough
Elenco: James Stewart, Dean Martin, Raquel Welch, George Kennedy, Andrew Prine, Will Geer

Sinopse:
No Texas de 1867, o criminoso Dee Bishop e sua gangue são capturados pelo xerife July Johnson e condenados à forca. No entanto, Mace Bishop, irmão de Dee, chega à cidade disfarçado de carrasco e consegue libertá-los. Durante a fuga, os bandidos assaltam um banco e sequestram Maria Stoner, uma jovem viúva interpretada por Raquel Welch. Perseguidos pelo xerife e seus homens, os fugitivos atravessam a fronteira e chegam ao México, onde acabam entrando em território dominado pelos temidos bandoleros. Mace, mais experiente e interessado em abandonar a vida criminosa, tenta convencer Dee a mudar de comportamento, mas o irmão continua ligado à violência e ao crime. A situação se complica quando os dois grupos são obrigados a enfrentar os bandoleiros mexicanos, levando a história para um confronto final marcado por violência, lealdade e redenção.

Comentários:
Bandolero! foi lançado em 1968 em um momento em que o western americano já começava a sofrer forte transformação, com produções mais violentas e revisionistas ganhando espaço. Andrew V. McLaglen, entretanto, optou por realizar um western tradicional, apoiado principalmente no enorme prestígio de James Stewart, na popularidade de Dean Martin e na presença de Raquel Welch como estrela feminina. A crítica da época recebeu o filme de maneira pouco entusiasmada. A. H. Weiler, do The New York Times, considerou que James Stewart e Dean Martin eram prejudicados por uma tentativa pouco convincente de tornar o western mais "adulto", criticando especialmente os longos diálogos motivacionais que interrompiam a ação. A Variety foi ainda mais direta, descrevendo Bandolero! como um western pouco empolgante e criticando o roteiro excessivamente prolongado e a direção convencional. A revista Time, em sua edição de agosto de 1968, também foi bastante negativa, afirmando que o filme possuía um elenco de primeira linha, mas não conseguia transformar essa vantagem em um western realmente vigoroso. A publicação criticou particularmente a mistura entre violência e humor, considerando que o resultado era pesado e pouco natural. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, concedeu apenas duas estrelas em quatro, embora tenha encontrado alguns momentos divertidos, sobretudo nas cenas em que James Stewart interpreta o falso carrasco. Para Ebert, a história principal era bastante convencional, mas Stewart conseguia conferir personalidade a algumas situações.

Apesar da recepção crítica apenas moderada, Bandolero! teve desempenho comercial considerável para um western de 1968. Produzido com orçamento de aproximadamente US$ 4,45 milhões, o filme arrecadou cerca de US$ 12 milhões, demonstrando que o gênero ainda possuía força junto ao público. Os registros da época mostram, contudo, uma situação financeira mais complexa para a 20th Century Fox: os aluguéis norte-americanos inicialmente registrados foram de aproximadamente US$ 5,5 milhões, enquanto os registros internos do estúdio indicavam que seriam necessários US$ 10,2 milhões em rentals para atingir o ponto de equilíbrio. A produção contou com um elenco extremamente comercial. James Stewart ainda era uma das maiores estrelas da história de Hollywood e possuía uma associação particularmente forte com o western, enquanto Dean Martin vinha de uma carreira bem-sucedida tanto no cinema quanto na música. Raquel Welch, por sua vez, encontrava-se em pleno processo de consolidação como uma das grandes estrelas internacionais da década de 1960. George Kennedy, já conhecido por importantes papéis em filmes de ação e westerns, completava o grupo principal. A combinação desses nomes ajudou a transformar o filme em um produto comercialmente atraente, mesmo que a crítica não tenha acompanhado o entusiasmo do público. O filme também se beneficiou do interesse contínuo pelos westerns tradicionais, pouco antes de o gênero sofrer uma transformação ainda mais profunda com a ascensão do western revisionista e do chamado western spaghetti.

Um dos elementos mais interessantes de Bandolero! é justamente sua posição intermediária entre o western clássico e as tendências mais modernas do gênero. O filme ainda apresenta heróis, bandidos, xerifes, perseguições, assaltos a bancos e confrontos armados típicos do cinema de faroeste tradicional, mas também introduz personagens moralmente mais ambíguos. Mace Bishop, interpretado por James Stewart, é um criminoso que procura convencer o irmão a abandonar a violência, enquanto Dee Bishop, vivido por Dean Martin, permanece preso a uma existência de roubos e assassinatos. Essa relação entre os dois irmãos é uma das principais tentativas do roteiro de conferir maior profundidade dramática à história. Raquel Welch também desempenha um papel importante na dinâmica entre os personagens, embora sua personagem, Maria Stoner, tenha sido considerada por alguns críticos excessivamente dependente dos clichês femininos do gênero. A trilha sonora de Jerry Goldsmith é outro componente relevante da produção e ajuda a reforçar o caráter épico das perseguições e confrontos. A direção de fotografia de William H. Clothier contribui para a aparência clássica do filme, enquanto as locações mexicanas e texanas ampliam a dimensão visual da aventura. Atualmente, essas características permitem observar Bandolero! não apenas como mais um western comercial, mas como um exemplo interessante da fase de transição do gênero durante os anos 1960.

A avaliação do filme mudou pouco ao longo das décadas, mas Bandolero! conquistou uma posição relativamente estável entre os westerns de grande elenco de seu período. O Rotten Tomatoes apresenta atualmente apenas 20% de aprovação da crítica, embora a aprovação do público seja consideravelmente superior, chegando a aproximadamente 49%. Roger Ebert, cuja crítica continua disponível atualmente, manteve sua avaliação de duas estrelas e destacou que o principal interesse do filme está na atuação de James Stewart e na presença de diversos bons atores característicos do cinema americano. Outras avaliações retrospectivas são um pouco mais generosas e reconhecem que a produção é um western irregular, mas divertido em determinados momentos. O interesse contemporâneo também é reforçado pela importância histórica de seu elenco. James Stewart estava em uma das fases finais de sua extraordinária carreira cinematográfica, Dean Martin continuava consolidado como estrela e Raquel Welch estava no auge de sua projeção internacional. O filme também representa um dos vários trabalhos de Stewart dirigidos por Andrew V. McLaglen, que posteriormente faria outras produções de ação e westerns para Hollywood. A existência de diversas versões de pôsteres originais americanos, incluindo o tradicional one-sheet de 27 × 41 polegadas, demonstra ainda o investimento promocional feito pela Fox no lançamento da produção.

Atualmente, Bandolero! é visto como um western tradicional, competente, mas longe de ser considerado uma obra-prima do gênero. Sua importância está menos em uma suposta inovação artística e mais na reunião de três grandes nomes populares do cinema americano da década de 1960: James Stewart, Dean Martin e Raquel Welch. O filme também possui interesse histórico por ter chegado às telas justamente durante a transformação do western americano, quando o público começava a se interessar por personagens mais ambíguos e histórias mais violentas e pessimistas. Comparado aos grandes westerns de John Ford, Howard Hawks ou Sergio Leone, Bandolero! apresenta uma abordagem muito mais convencional e frequentemente sentimental. Mesmo assim, algumas sequências permanecem memoráveis, particularmente a abertura envolvendo o falso carrasco interpretado por Stewart e o confronto final com os bandoleros. A presença de Jerry Goldsmith na trilha também acrescenta valor à produção e contribui para sua identidade. O filme acabou não alcançando o mesmo status de clássicos contemporâneos como Era uma Vez no Oeste, Butch Cassidy and the Sundance Kid ou Meu Ódio Será Sua Herança, mas continua sendo redescoberto por admiradores do western clássico e pelos interessados na filmografia de Stewart e Martin. Seu legado é, portanto, o de uma produção comercial representativa do western americano do final dos anos 1960, marcada por um elenco excepcional, belas paisagens, ação tradicional e uma narrativa de redenção entre irmãos.

Erick Steve. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O Túnel do Tempo

Título no Brasil: O Túnel do Tempo
Título Original: The Time Tunnel
Período de Exibição: 1966 - 1967
País: Estados Un
Emissora Original: ABC
Produção: 20th Century Fox Television e Irwin Allen Productions
Criador: Irwin Allen
Produtores: Irwin Allen, William Welch e Leonard Katzman
Elenco: James Darren, Robert Colbert, Whit Bissell, Lee Meriwether, John Zaremba e Wesley Lau.

Sinopse:
Túnel do Tempo é uma série de ficção científica criada por Irwin Allen, o mesmo produtor de sucessos como Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço e Terra de Gigantes. A história gira em torno do Projeto Tic-Toc, uma instalação secreta do governo dos Estados Unidos construída no subsolo do deserto do Arizona para pesquisar a viagem no tempo. Durante um teste experimental, o cientista Dr. Tony Newman decide atravessar o gigantesco equipamento conhecido como Túnel do Tempo antes da conclusão dos estudos. Ele acaba sendo lançado para o desastre do RMS Titanic, em 1912. Para tentar resgatá-lo, seu colega Dr. Doug Phillips também entra na máquina e passa a viajar descontroladamente através da História. Incapazes de retornar ao presente, os dois cientistas visitam acontecimentos históricos e futuros imaginários, encontrando personagens como Napoleão Bonaparte, Abraham Lincoln, Marco Polo, Robin Hood e participando de eventos como a Guerra Civil Americana, a Revolução Francesa, o ataque a Pearl Harbor, a erupção do Krakatoa e a queda de Troia. Enquanto isso, a equipe do Projeto Tic-Toc tenta desesperadamente controlar o Túnel do Tempo e trazer os dois exploradores de volta.

Comentários:
Quando estreou em setembro de 1966, Túnel do Tempo impressionou o público pela ambição de sua proposta e pelos efeitos especiais desenvolvidos por Irwin Allen, considerado na época o "Mestre da Ficção Científica" da televisão americana. A crítica especializada, entretanto, apresentou opiniões bastante divididas. A revista Variety elogiou a criatividade da premissa e o alto valor de produção para os padrões da televisão da década de 1960, destacando os cenários, os efeitos visuais e o uso frequente de imagens de grandes produções cinematográficas da 20th Century Fox para recriar acontecimentos históricos. Por outro lado, alguns críticos do The New York Times observaram que o roteiro frequentemente sacrificava o rigor científico em favor da aventura, recorrendo a soluções fantasiosas e repetitivas. Ainda assim, James Darren e Robert Colbert receberam elogios pela química entre seus personagens, enquanto Whit Bissell destacou-se como o General Kirk, líder do Projeto Tic-Toc. A série também foi reconhecida pelo uso inovador de efeitos ópticos e pela representação futurista da tecnologia, conquistando uma indicação ao Emmy pelos efeitos especiais, algo incomum para produções televisivas daquele período.

Embora tenha durado apenas uma temporada com 30 episódios, Túnel do Tempo tornou-se um dos maiores clássicos da ficção científica na televisão. O cancelamento ocorreu principalmente devido ao alto custo de produção e à queda na audiência em relação às expectativas da ABC, apesar da enorme popularidade entre os jovens espectadores. Nas décadas seguintes, a série conquistou status cult e passou a ser constantemente exibida em reprises ao redor do mundo, especialmente na América Latina, onde alcançou enorme sucesso. Em retrospectivas publicadas por revistas como TV Guide, a produção é frequentemente lembrada como uma das séries mais criativas de Irwin Allen, sendo elogiada por despertar o interesse do público por acontecimentos históricos através da ficção científica. Em comunidades de fãs, episódios como "Rendezvous with Yesterday" (o desastre do Titanic), "The Day the Sky Fell In" (o ataque a Pearl Harbor) e "The Alamo" figuram entre os mais memoráveis da série. Apesar de hoje alguns efeitos especiais parecerem datados, muitos críticos consideram que seu espírito de aventura permanece extremamente envolvente. Atualmente, Túnel do Tempo é reconhecida como uma das produções mais influentes da televisão de ficção científica dos anos 1960, servindo de inspiração para diversas séries sobre viagens temporais produzidas nas décadas seguintes e mantendo seu lugar entre os grandes clássicos do gênero.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Flipper

Título no Brasil: Flipper
Título Original: Flipper
Ano de Lançamento: 1964 – 1967
País: Estados Unidos
Estúdio: Ivan Tors Productions / Metro-Goldwyn-Mayer Television
Criador: Jack Cowden, Ricou Browning
Direção: Vários (incluindo Ricou Browning e Leon Benson)
Roteiro: Jack Cowden e equipe
Elenco: Brian Kelly, Luke Halpin, Tommy Norden, Ulla Strömstedt

Sinopse:
A série acompanha as aventuras de Porter Ricks, guarda-florestal de um parque marinho na Flórida, e seus dois filhos, Sandy e Bud, que vivem em constante contato com a natureza. O grande destaque da trama é Flipper, um golfinho extremamente inteligente e amigável que se torna companheiro inseparável da família. Juntos, eles enfrentam perigos no mar, ajudam pessoas em situações difíceis e protegem a vida marinha de ameaças diversas. A série mistura aventura, emoção e ensinamentos sobre respeito à natureza, sempre com histórias envolventes e acessíveis para toda a família.

Comentários:
A série Flipper é um dos grandes clássicos da televisão dos anos 60, marcada principalmente pelo carisma de seu protagonista animal e pela forma sensível como aborda a relação entre humanos e a natureza. Em uma época em que a televisão ainda explorava fortemente temas familiares, a produção se destacou por levar o público para um ambiente pouco comum: o universo marinho. As histórias, embora simples em sua estrutura, eram eficazes ao transmitir mensagens sobre amizade, coragem e preservação ambiental. O golfinho Flipper rapidamente se tornou um ícone cultural, sendo reconhecido por sua inteligência e comportamento quase humano, o que encantava tanto crianças quanto adultos. Além disso, a ambientação em belas paisagens naturais da Flórida contribuía para o apelo visual da série, criando uma atmosfera tranquila e ao mesmo tempo cheia de aventura. A trilha sonora e o famoso chamado característico de Flipper também ajudaram a fixar a série na memória do público. Outro ponto forte era a dinâmica familiar, que transmitia valores positivos de união e respeito. Mesmo décadas após sua exibição original, a série continua sendo lembrada com carinho, especialmente por aqueles que cresceram assistindo às suas histórias. Seu legado permanece vivo como um exemplo de entretenimento simples, mas profundamente cativante.

Pablo Aluísio e Erick Steve.