sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Verity

Verity
Lowen Ashleigh é uma escritora que enfrenta dificuldades financeiras quando recebe uma proposta que pode mudar sua carreira. Ela é contratada para atuar como ghostwriter dos três últimos livros de uma famosa série da escritora Verity Crawford, que ficou incapacitada depois de sofrer um grave e misterioso acidente. A convite de Jeremy Crawford, marido de Verity, Lowen muda-se temporariamente para a isolada residência da família para pesquisar os manuscritos e conhecer melhor o trabalho da autora. Enquanto procura entender a forma de escrever de Verity, Lowen encontra um documento autobiográfico secreto que não deveria ter descoberto. O texto apresenta revelações perturbadoras sobre o passado da família, incluindo acontecimentos relacionados à tragédia que atingiu os filhos do casal. Conforme continua lendo, Lowen começa a questionar aquilo que sabe sobre Verity, Jeremy e o próprio acidente. A escritora também passa a desenvolver uma relação cada vez mais complicada com Jeremy, ao mesmo tempo em que tenta descobrir se o manuscrito representa fatos reais ou uma obra de ficção particularmente perturbadora.

Verity é uma adaptação do romance de suspense psicológico publicado por Colleen Hoover e foi dirigida por Michael Showalter, com roteiro de Nick Antosca. O filme reúne Dakota Johnson como Lowen, Anne Hathaway como Verity e Josh Hartnett como Jeremy, formando o trio central da história. A produção procura combinar mistério, drama, romance e elementos de thriller psicológico, utilizando a isolada residência dos Crawford como cenário principal para aumentar a sensação de tensão. Dakota Johnson interpreta uma escritora que inicialmente acredita ter encontrado uma grande oportunidade profissional, mas gradualmente percebe que está entrando em uma situação muito mais complexa. Anne Hathaway assume uma personagem cuja presença domina a narrativa mesmo permanecendo incapacitada durante grande parte da história. Josh Hartnett interpreta Jeremy, cuja personalidade e relação com as duas mulheres também se tornam fundamentais para o desenvolvimento do suspense. 

A recepção crítica inicial foi dividida, com diferentes veículos destacando tanto o elenco quanto a mistura de suspense, romance e melodrama. O Los Angeles Times considerou que Michael Showalter encontrou uma maneira mais adequada de transportar o universo de Colleen Hoover para o cinema e destacou o tom deliberadamente exagerado da produção. Já a Variety e outras publicações apontaram diferenças na forma como o filme trabalha o material original e observaram que a atuação de Anne Hathaway é um dos elementos mais chamativos da adaptação. O The New Yorker, por outro lado, apresentou uma avaliação bastante negativa, criticando a lógica de alguns acontecimentos e o desenvolvimento dos personagens. No Rotten Tomatoes, as primeiras avaliações registravam 43% de aprovação da crítica, embora esse número ainda possa mudar com a entrada de novas análises. A produção também desperta interesse por ser a terceira adaptação cinematográfica de uma obra de Colleen Hoover e por reunir três atores bastante conhecidos em uma história construída sobre segredos, manipulação e dúvidas sobre a verdade.

O filme também chama atenção pela maneira como trabalha a dúvida sobre o que é verdade e o que pode ser manipulação ou ficção. Essa ambiguidade é fundamental para a história, já que Lowen passa a descobrir diferentes versões sobre Verity, Jeremy e os acontecimentos envolvendo a família. A própria Anne Hathaway explicou que procurou interpretar Verity principalmente a partir da perspectiva de Lowen, fazendo com que o público também questionasse constantemente a verdadeira personalidade da personagem. Dakota Johnson, por sua vez, constrói uma Lowen inicialmente vulnerável, mas progressivamente mais envolvida nos segredos da família. Josh Hartnett completa o trio central como Jeremy, personagem cuja aparente tranquilidade também esconde aspectos que alimentam o suspense. Verity aposta em uma atmosfera sofisticada, sensual e perturbadora para transportar o romance de Colleen Hoover para o cinema.

Verity (Estados Unidos, 2026) Estúdio: Amazon MGM Studios / Direção: Michael Showalter / Roteiro: Nick Antosca, baseado no romance de Colleen Hoover / Elenco: Dakota Johnson, Anne Hathaway, Josh Hartnett, Ismael Cruz Córdova, Chase Infiniti / Informações adicionais: O filme tem 1 hora e 54 minutos de duração e recebeu classificação R nos Estados Unidos por conteúdo sexual, violência, linguagem, nudez e imagens de sangue. A estreia comercial brasileira ocorreu em 1º de outubro de 2026, enquanto o lançamento amplo nos Estados Unidos aconteceu em 2 de outubro.

Erick Steve.

A Leste do Éden

Título no Brasil: A Leste do Éden
Título Original: East of Eden
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Garth Davis e Laure de Clermont-Tonnerre
Roteiro: Zoe Kazan, baseado no romance de John Steinbeck
Elenco: Florence Pugh, Christopher Abbott, Mike Faist, Hoon Lee, Tracy Letts, Martha Plimpton, Ciarán Hinds, Joseph Zada e Joe Anders.

Sinopse: 
No início do século XX, a família Trask vive uma história marcada por conflitos, rivalidades e disputas que atravessam várias gerações. Adam e Charles Trask são irmãos muito diferentes, mas ambos carregam as consequências da relação difícil com o pai, Cyrus. A chegada de Cathy Ames à vida dos dois muda completamente o destino da família. Cathy, interpretada por Florence Pugh, é uma mulher misteriosa e independente que desperta sentimentos diferentes nos irmãos e acaba se casando com Adam. A partir desse momento, sua presença passa a influenciar profundamente a trajetória dos Trask. A história acompanha também a geração seguinte, formada pelos gêmeos Cal e Aron, que reproduzem de maneira diferente a antiga rivalidade entre irmãos. Ambientada principalmente no Vale de Salinas, na Califórnia, a narrativa aborda família, amor, ciúme, herança, escolhas pessoais e a eterna luta entre o bem e o mal. A minissérie procura adaptar de maneira muito mais ampla o romance de John Steinbeck do que o famoso filme de 1955 "Vidas Amargas", estrelado por James Dean. 

Comentários: 
A Leste do Éden é uma minissérie de sete episódios baseada no clássico romance publicado por John Steinbeck em 1952. A adaptação foi escrita por Zoe Kazan, que também atua como co-showrunner ao lado de Jeb Stuart. A produção possui uma ligação especial com a história cinematográfica da obra, já que o avô de Zoe Kazan, Elia Kazan, dirigiu o conhecido filme de 1955 estrelado por James Dean. Diferentemente daquela versão, que concentrou sua narrativa principalmente na segunda geração da família Trask, a minissérie procura percorrer uma parcela muito maior da história original. Florence Pugh ocupa posição central como Cathy Ames, personagem que recebe uma interpretação mais aprofundada e complexa. Christopher Abbott interpreta Adam Trask, enquanto Mike Faist vive Charles, seu irmão. Hoon Lee interpreta Lee, personagem fundamental para a história, e Ciarán Hinds aparece como Samuel Hamilton. Os quatro primeiros episódios foram dirigidos por Garth Davis, enquanto Laure de Clermont-Tonnerre comandou os três últimos.

A estreia mundial aconteceu na Netflix em 1º de outubro de 2026, com os sete episódios disponibilizados de uma só vez. A produção recebeu atenção especialmente pelo desempenho de Florence Pugh e pela decisão de dar maior espaço à perspectiva de Cathy, procurando mostrar também os acontecimentos que ajudaram a formar sua personalidade. A Variety destacou Pugh e Hoon Lee como importantes forças dramáticas da adaptação, enquanto o Los Angeles Times chamou atenção para a atuação de Pugh e para a maneira como a série coloca Cathy no centro da narrativa. O The Guardian elogiou a produção visualmente luxuosa e as atuações, embora tenha observado que a série nem sempre consegue dar ao material toda a dimensão filosófica do romance. No Rotten Tomatoes, a primeira temporada aparece com 85% de aprovação da crítica, em um levantamento ainda recente após a estreia. A minissérie também chama atenção pela fotografia e pela reconstituição de época, tendo sido filmada extensivamente na Nova Zelândia para representar a Califórnia do início do século XX.

Erick Steve. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Digger

Título no Brasil: Digger
Título Original: Digger
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Roteiro: Alejandro G. Iñárritu, Sabina Berman
Elenco: Tom Cruise, Riz Ahmed, Sandra Hüller, John Goodman, Jesse Plemons, Sophie Wilde, Emma D'Arcy, Michael Stuhlbarg e Robert John Burke.

Sinopse:
Digger Rockwell é um dos homens mais poderosos do mundo, um bilionário do setor petrolífero cuja ambição e influência parecem não conhecer limites. Quando uma catástrofe de enormes proporções começa a ameaçar o planeta, Digger percebe que o desastre está diretamente relacionado às consequências das próprias ações de seu império. Diante da possibilidade de perder tudo e testemunhar uma destruição em escala global, ele parte para uma missão desesperada para tentar impedir o pior. Ao mesmo tempo em que procura encontrar uma solução para a crise, precisa lidar com o governo, seus aliados, adversários e as consequências de suas próprias decisões. A história mistura drama, comédia sombria, sátira e elementos apocalípticos para acompanhar um homem acostumado a controlar tudo sendo colocado diante de uma situação que está muito além de seu poder. Tom Cruise interpreta Digger em uma atuação bastante diferente dos tradicionais heróis de ação de sua carreira. O filme acompanha sua tentativa de convencer o mundo de que ele próprio pode ser a pessoa capaz de salvá-lo antes que o desastre provocado por suas ações destrua tudo.

Comentários: 
Digger marca a colaboração de Tom Cruise com o diretor Alejandro G. Iñárritu, vencedor do Oscar por Birdman e O Regresso, e apresenta o ator em um papel muito diferente daquele associado aos seus grandes filmes de ação. Cruise interpreta Digger Rockwell, um poderoso magnata do petróleo que aparece caracterizado como uma figura extravagante, arrogante e extremamente consciente de sua própria importância. A produção foi filmada inteiramente em VistaVision e reúne uma equipe técnica de grande destaque, incluindo o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki e o montador Stephen Mirrione. Riz Ahmed, Sandra Hüller, John Goodman e Jesse Plemons completam um elenco formado por atores de diferentes gerações. A proposta combina sátira, humor negro, drama e elementos de desastre ambiental, utilizando a trajetória do protagonista para discutir poder, responsabilidade e as consequências de decisões tomadas por pessoas extremamente influentes. A estreia internacional ocorreu no fim de setembro de 2026, com lançamento nos Estados Unidos em 2 de outubro pela Warner Bros.

A recepção crítica inicial foi bastante dividida. A Variety descreveu o filme como uma sátira grandiosa e destacou a interpretação exagerada de Tom Cruise, enquanto outras avaliações chamaram atenção justamente pela proposta incomum e pela tentativa de Iñárritu de combinar humor absurdo, crítica social e uma história de catástrofe. A publicação também registrou que as primeiras reações dos jornalistas foram bastante variadas, com opiniões indo de avaliações negativas a elogios à ambição visual e à atuação de Cruise. O The Times apresentou uma avaliação bastante crítica, questionando o tom da sátira e a forma como a produção desenvolve sua mensagem ambiental. Ao mesmo tempo, outras análises destacaram que o filme representa uma mudança significativa dentro da filmografia de Cruise por colocá-lo em um papel mais excêntrico e distante do tradicional protagonista heroico. Com sua combinação de ficção apocalíptica, humor sombrio e comentário social, Digger ocupa um espaço bastante diferente dos blockbusters de ação pelos quais o ator ficou conhecido.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Slow Horses

Título no Brasil: Slow Horses
Título Original: Slow Horses
Ano de Lançamento: 2022
País: Reino Unido
Estúdio: See-Saw Films / Apple TV+
Direção: James Hawes, Jeremy Lovering, Saul Metzstein, Adam Randall e outros
Roteiro: Will Smith e outros, baseado nos livros de Mick Herron
Elenco: Gary Oldman, Jack Lowden, Kristin Scott Thomas, Olivia Cooke, Saskia Reeves, Rosalind Eleazar, Christopher Chung, Aimee-Ffion Edwards, Jonathan Pryce e Hugo Weaving.

Sinopse: 
A série acompanha um grupo de agentes do serviço de inteligência britânico MI5 que, depois de cometerem erros que prejudicaram suas carreiras, são transferidos para Slough House, um departamento considerado praticamente um depósito de profissionais afastados das grandes operações. O grupo é comandado por Jackson Lamb, um agente veterano brilhante, mas extremamente mal-humorado e pouco convencional, interpretado por Gary Oldman. Apesar da aparência de incompetência e da falta de prestígio, os agentes acabam envolvidos em situações que apresentam riscos muito maiores do que os trabalhos burocráticos que deveriam realizar. Quando acontecimentos relacionados ao terrorismo, espionagem, assassinatos e conspirações começam a ameaçar a segurança britânica, os integrantes de Slough House precisam agir. River Cartwright, um jovem agente interpretado por Jack Lowden, torna-se um dos principais personagens dessa equipe. Enquanto os agentes tentam descobrir em quem podem confiar, precisam enfrentar não apenas inimigos externos, mas também conflitos dentro do próprio MI5. A série combina suspense, espionagem, ação e humor negro, acompanhando as operações de uma equipe improvável que frequentemente acaba envolvida nos acontecimentos mais perigosos.

Comentários: 
Slow Horses estreou na Apple TV+ em abril de 2022 como uma adaptação dos romances de espionagem de Mick Herron. A primeira temporada foi adaptada do livro Slow Horses e teve seus seis episódios dirigidos por James Hawes, enquanto Will Smith ficou responsável pela adaptação para televisão. Gary Oldman interpreta Jackson Lamb, personagem que se tornou o centro da série e apresenta uma combinação de inteligência, sarcasmo, mau humor e experiência profissional. Jack Lowden também ganhou grande destaque como River Cartwright, um agente jovem que tenta recuperar sua reputação depois de ser enviado para Slough House. Kristin Scott Thomas interpreta Diana Taverner, uma importante figura da estrutura do MI5, enquanto Saskia Reeves, Rosalind Eleazar e Christopher Chung integram a equipe principal. Ao longo das temporadas, a produção ampliou seu elenco e adaptou outros livros da série de Mick Herron. A série foi reconhecida com indicações e prêmios importantes, incluindo BAFTA Television Awards, consolidando-se como uma das principais produções de espionagem da Apple TV+.

O sucesso de Slow Horses fez com que a Apple renovasse rapidamente a produção para novas temporadas, e atualmente a série já chegou à sexta temporada, lançada em setembro de 2026. A sexta temporada adapta elementos dos romances Joe Country e Slough House e coloca novamente os agentes em uma situação de alto risco, enquanto Diana Taverner os envolve em uma trama de retaliação e vingança. A Apple também confirmou uma oitava temporada, mostrando que a história continuará sendo desenvolvida nos próximos anos. Um dos principais atrativos da produção é justamente a combinação entre suspense sério e humor negro, com personagens imperfeitos que frequentemente precisam resolver situações maiores do que suas próprias capacidades. Gary Oldman encontrou em Jackson Lamb um dos papéis mais marcantes de sua carreira televisiva, enquanto o restante do elenco contribui para formar uma equipe bastante diversificada. A série também se diferencia de produções tradicionais de espionagem porque seus protagonistas não são apresentados como agentes perfeitos, mas como profissionais cheios de falhas, conflitos e problemas pessoais. Essa característica dá à narrativa um tom mais humano e permite que as histórias de espionagem sejam acompanhadas também pelo relacionamento entre os integrantes de Slough House.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Pablo Aluísio: Coleção de Livros

Pablo Aluísio: Coleção de Livros
Segue abaixo nossa relação atualizada de livros lançados. Ao todo, até o momento, contamos com nove títulos disponíveis para venda em diversos sites, entre eles Amazon, Clube dos Leitores e Uiclap. É uma evolução natural dos próprios textos dos blogs e sites, unindo o novo, o moderno, o mundo virtual, com o clássico, o elegante, que é o livro impresso. Eu sou da época dos livros e das revistas de papel... pois é, sou um clássico! Então embora sempre presente na internet desde seu começo (meu primeiro site entrou online em 1999) também decidi preservar meus textos em forma de publicações. Abaixo seguem pequenos resumos sobre cada um deles...

Contos da Alma Sombria 
Esse foi meu primeiro livro. Apenas peguei duas histórias góticas que havia escrito para o público, as melhorei um pouquinho e lancei nessa coletânea de contos de 120 páginas. Foi uma primeira experiência que achei bem válida. Faz parte desse livro os contos "Lobo da Escócia" e "O Vampiro de Versalhes", meus primeiros escritos, ainda na minha juventude, em uma época em que nem existia Internet! Minha opinião é que ficaram bem interessantes. 

Contos das Sombras Eternas
Nesse livro eu reuni diversos contos avulsos que havia escrito há muitos anos. Patrulha Policial, Assassina das Estradas, Fantasmas da Velha Mansão, entre outros, fazem parte desse livro. Gostei bastante de escrever na época esses contos e não havia cogitado e nem planejado de reunir todos eles em um livro, mas eis que aconteceu. Penso que ficou muito bom! Minha inspiração aqui veio das publicações Pulp dos Estados Unidos na década de 1930. São histórias fortes, bem exageradas, sensacionalistas até, exatamente o estilo que imperava nesse tipo de publicação naqueles tempos. 

Marlon Brando 
Minha primeira publicação com o tema cinema. Cinema clássico, é bom frisar. Escolhi logo um ator que foi símbolo de uma era em Hollywood. Aqui minha ideia inicial era escrever um livro sobre Cinema Clássico, mas no meio do caminho decidi escrever apenas sobre Brando. Apenas juntei todos os textos que havia escrito por anos e os reuni nesse livro. Cada filme do ator é comentado, destalhes de sua vida pessoal emergem em crônicas e vejo essa publicação como um verdadeiro Guia para quem deseja conhecer a obra desse grande ator. Acabou virando uma edição com 170 páginas!

Marilyn Monroe
O melhor livro que escrevi até o momento (e o mais bem vendido da coleção!). Segue basicamente a filosofia do livro de Marlon Brando, ou seja, é um Guia sobre a atriz. Novamente reuni uma série de textos, crônicas e materiais diversos que escrevi ao longo dos anos sobre a adorável Marilyn e publiquei. Penso que ficou realmente muito bom. Com papel creme é um daqueles livros que realmente dão prazer em ler. Além disso é o único que conheço que comenta detalhadamente (inclusive com fichas técnicas) sobre todos os filmes da carreira de Marilyn Monroe. Um bom livro de Cinema Clássico para os cinéfilos possuírem em sua biblioteca particular. 



Elvis Presley - Volume 1
Esse foi o meu primeiro livro sobre Elvis Presley. Em relação a Elvis eu escrevi tanto material por anos e anos que ficou impossível reunir tudo apenas em uma edição. Assim decidi nomear esse primeiro livro de Volume 1 (outros virão com o tempo). Essa primeira edição traz muitas informações sobre os primeiros discos e filmes da carreira de Elvis. Aqui o leitor é apresentado aos primeiros discos e filmes da carreira de Elvis Presley. Os tempos de Sun Records, as primeiras gravações, a estreia em Hollywood, os singles e os álbuns pela RCA Victor. O Elvis roqueiro em seus primeiros anos de carreira. Um resgate com muitas informações, fruto de uma pesquisa que durou anos. Essa é a história do jovem artista que revolucionou o mundo da música desde os seus primeiros anos de fama, sucesso e impacto cultural. 

Cinema Classe A - Volume 1
Nesse primeiro livro temos as filmografias de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Russell Crowe em destaque. Seus filmes são analisados, com resenhas e fichas técnicas. Um livro para quem gosta de ler sobre Cinema Internacional. E tudo com o cuidado técnico que caracteriza nossos textos sobre a história do cinema. Na realidade é um livro que reúne material que eu havia publicado antes em dois livros separados, mas que agora estão reunidos em uma única edição. Nessa linha desejo publicar exatamente isso, as filmografias de determinados atores e atrizes que marcaram Hollywood com suas carreiras. 



Crônicas do Velho Oeste
Quem acompanha meus textos na Internet sabe que sempre tive um grande carinho pelos filmes de western. Então era natural que mais cedo ou mais tarde iria também publicar um livro apenas sobre o bom e velho faroeste. E aqui está! Uma seleção especial trazendo os melhores filmes de western, em textos com muitas informações. E não é só. Essa edição ainda traz histórias de western, todas se passando no velho oeste americano. Uma coletânea de contos de faroeste. São 200 páginas com muito faroeste para o leitor que é fã desse gênero imortal! 

James Dean 
Mais um livro sobre a era de ouro do cinema! James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano.

Cine Terror
Como venho fazendo já há algum tempo tenho lançado livros sobre cinema, com resenhas, informações, etc. São Guias para quem aprecia cinema também como algo importante em suas vidas. Edições especiais exclusivas para cinéfilos!  Nessa publicação "Cine Terror", o foco se concentra no gênero terror e suspense. Esse livro contém contos de terror e um guia com 100 filmes de terror comentados, contendo fichas técnicas e sinopses. Na parte de contos temos em primeira mão um conto inédito de Drácula. Além disso nas sessões de textos cinematográficos temos uma extensa lista com filmes de vampiros, com uma relação se concentrando exatamente no personagem Drácula e os últimos lançamentos do gênero terror. Um livro ideal para quem aprecia levar bons sustos assistindo a seus filmes preferidos. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Willie Boy

Willie Boy 
Eu sempre gostei muito do trabalho do ator Robert Redford e durante todos esses anos procurei assistir a praticamente todos os seus filmes. Só que nem todos consegui ver na época, alguns me escaparam. Esse "Willie Boy" foi um deles. Felizmente nesse fim de semana finalmente assisti. Pode ser considerado um western moderno pois a história, que foi baseada em um fato histórico real, já se passa no momento em que o velho oeste estava morrendo, dando lugar a carros e estradas por todo o país. Para muitos historiadores foi a última grande história do western tradicional. E nesse momento de transição entre eras, existiu de fato um nativo americano chamado Willie Boy. Ele era daquele tipo de sujeito que não levava desaforo para casa e gostava muito de beber. Uma combinação não muito recomendável e completamente explosiva. Assim, quando brigou com o pai de uma garota pela qual era apaixonado, a situação saiu do controle e ele o matou. Depois do crime precisou fugir para o deserto, levando sua amada junto. Uma fuga a pé, de puro desespero pessoal. 

Isso criou uma enorme caçada humana liderada por um xerife branco chamado Cooper, personagem interpretado justamente pelo Robert Redford. Ele organizou um grupo e foi para o deserto em busca do Willie Boy. Foi uma situação delicada porque o presidente dos Estados Unidos estava visitando aquela região naquele exato momento, então a coisa toda tomou proporções enormes. Não era apenas caçar um fugitivo no deserto. De repente virou até mesmo uma questão de segurança nacional, ainda mais depois que boatos afirmarem que Willie Boy estava organizando um levante indígena. Não era verdade, mas as pessoas da época acreditaram. 

O desfecho do filme não está totalmente de acordo com os fatos históricos, mas mantém uma certa linha de coerência. A cena final do xerife de Redford caçando Willie Boy nas montanhas daquele deserto rochoso é ótima! Ficaria muito bem em qualquer faroeste clássico da velha Hollywood. Só que esse filme na verdade foi produzido no final dos anos 1960 (sendo mais exato, 1969), quando o próprio movimento Hippie encontrava seu fim (graças aos alucinados da família Manson). O mundo estava mudando, assim como aconteceu na história original que o filme contava.  Enfim, gostei do filme. É um daquele tipo de western que começa meio vacilante, mas que vai pegando ritmo com o passar do tempo. No final ficamos com a certeza de termos assistido a um grande filme. Merece ser redescoberto. 

Willie Boy (Willie Boy, Estados Unidos, 1969) Direção: Abraham Polonsky / Roteiro: Harry Lawton, Abraham Polonsky / Elenco: Robert Redford, Robert Blake, Katharine Ross, Susan Clark / Sinopse: História baseada em fatos reais. Um nativo americano chamado Willie Boy (Black) mata um homem e foge para o deserto. O xerife Cooper (Redford) então organiza um grupo para localizar e prender o assassino. E essa perseguição acaba se tornando uma verdadeira caçada humana no meio de um deserto verdadeiramente infernal. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Inferno na Torre

Título no Brasil: Inferno na Torre
Título Original: The Towering Inferno
Ano de Lançamento: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: John Guillermin
Roteiro: Stirling Silliphant, Richard Martin Stern
Elenco: Paul Newman, Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway, Fred Astaire, Richard Chamberlain, Jennifer Jones, Robert Vaughn, Robert Wagner, O.J. Simpson

Sinopse:
A mais alta torre de San Francisco está em seu dia de inauguração. Para tanto é realizado um jantar de gala com figurões da cidade. Estão presentes políticos, autoridades, celebridades e pessoas influentes nesse rico encontro em um dos andares mais altos do prédio. Só que uma falha em um equipamento de energia de má qualidade causa um curto circuito em um dos andares abaixo. E isso dá origem a um incêndio. Logo o fogo se alastra, fazendo com que o grande arranha-céu se torne uma armadilha mortal em um mar de labaredas de grandes proporções. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção de Fotografia, Melhor Edição e Melhor Música Original. 

Comentários:
Esse foi o mais bem sucedido filme desse gênero chamado nos anos 70 de "Cinema Catástrofe". E ao rever recentemente pude perceber que a produção até que resistiu bem ao passar do tempo e esse sempre foi um teste de fogo para Hollywood. As cenas de ação não são frenéticas e de alto impacto, como vemos nos filmes hoje em dia. Existe esse diferencial em relação ao que vemos atualmente, mas não vejo isso como uma falha, mas sim como uma característica daqueles tempos. Em termos de elenco "Inferno na Torre" tem ótimos atores em cena. Fred Astaire, já velhinho, empresta seu carisma ao personagem que interpreta. Ele finge que é um agente importante na bolsa de valores. Pura ilusão. Já Paul Newman e Steve McQueen estão em um "duelo" particular. McQueen se sai melhor pois seu personagem, a de um chefe do corpo de bombeiros, tem mais espaço para desfilar seu heroísmo. Newman, mais contido, interpreta o arquiteto do grande edifício que se sente traído por não terem seguido suas instruções na construção da torre. Então é isso. Um bom filme, sem dúvida. Ainda hoje funciona como bom entretenimento e também como aviso do perigo envolvido nos projetos de construção desses prédios enormes. 

Pablo Aluísio.

domingo, 27 de setembro de 2026

Imperador Romano Calígula

Imperador Romano Calígula 
Caio Júlio César Augusto Germânico, conhecido pela história como Calígula, foi o terceiro imperador romano e governou entre os anos 37 e 41 d.C., durante uma das fases mais controversas da dinastia júlio-claudiana. Nascido em 31 de agosto do ano 12 d.C., na cidade de Âncio, na Itália, era filho de Germânico, um dos mais populares generais romanos, e de Agripina Maior, neta do imperador Augusto. Seu apelido, Calígula, significa aproximadamente “pequena botinha” e surgiu durante sua infância, quando acompanhava o pai nas campanhas militares na Germânia, vestindo um pequeno uniforme de soldado. O apelido, originalmente carinhoso, tornou-se tão conhecido que acabou substituindo seu nome oficial na memória histórica. Durante a juventude, Calígula viveu em meio às intrigas políticas da família imperial, especialmente durante o governo de Tibério, sucessor de Augusto. A morte de seu pai, em 19 d.C., e posteriormente a perseguição contra sua mãe e seus irmãos marcaram profundamente sua vida. Vários membros de sua família foram presos, exilados ou morreram em circunstâncias suspeitas, enquanto o próprio Calígula permaneceu durante algum tempo sob a vigilância de Tibério. Em 31 d.C., foi chamado para viver junto ao imperador na ilha de Capri, onde permaneceu até a morte de Tibério, em março de 37. Quando Tibério faleceu, Calígula, então com aproximadamente 24 anos, foi reconhecido como sucessor e recebeu o apoio do Senado e da população de Roma. Sua ascensão despertou enormes expectativas, pois muitos romanos viam nele o herdeiro de Germânico, considerado um símbolo de virtude militar e de proximidade com o povo.

Os primeiros meses do governo de Calígula foram recebidos com entusiasmo extraordinário. O novo imperador tomou medidas para demonstrar que pretendia romper com os aspectos mais impopulares do governo de Tibério, cuja administração final havia sido marcada por julgamentos políticos, acusações de traição e execuções de membros da aristocracia. Calígula concedeu anistia a pessoas condenadas durante o reinado anterior, chamou de volta alguns exilados e procurou homenagear a memória de sua mãe e de seus irmãos falecidos. Também organizou grandes espetáculos públicos, distribuiu dinheiro à população e promoveu celebrações em homenagem à família imperial. O Senado, inicialmente, recebeu o novo príncipe com grande satisfação, e a população de Roma demonstrou entusiasmo nas ruas. A posição de Calígula era particularmente favorável porque reunia o prestígio de Germânico e a legitimidade dinástica herdada de Augusto. Entretanto, essa popularidade começou a sofrer abalos ainda em 37, quando o imperador enfrentou uma grave enfermidade, cuja natureza exata permanece desconhecida. Alguns autores antigos afirmaram que, após a doença, seu comportamento teria mudado profundamente, tornando-se mais cruel, imprevisível e desconfiado. Essa interpretação, porém, deve ser tratada com cautela, pois os relatos foram escritos em grande parte por autores pertencentes à elite senatorial, frequentemente hostil ao imperador. A doença pode ter contribuído para mudanças em sua administração, mas não existe documentação médica capaz de esclarecer o episódio. O que se observa historicamente é que, depois dos primeiros meses, as relações entre Calígula e setores importantes da aristocracia romana tornaram-se cada vez mais tensas. O imperador passou a concentrar maior autoridade em suas próprias mãos, demonstrando pouca disposição para compartilhar decisões políticas com o Senado.

A imagem tradicional de Calígula como um governante completamente dominado pela loucura foi construída principalmente por historiadores antigos, como Suetônio, Tácito e Dião Cássio, cujos relatos apresentam diferentes graus de hostilidade em relação à sua administração. Segundo essas narrativas, Calígula teria demonstrado comportamento extravagante, promovido humilhações públicas de senadores e exigido manifestações exageradas de submissão. Entre as histórias mais conhecidas está a afirmação de que teria planejado nomear seu cavalo Incitato para o consulado, episódio frequentemente utilizado para ilustrar sua suposta insanidade. Entretanto, não há confirmação segura de que essa nomeação tenha efetivamente ocorrido; a história pode representar uma crítica simbólica à maneira como o imperador desprezava a dignidade dos magistrados senatoriais. Outra tradição afirma que Calígula teria exigido honras divinas ainda em vida, aproximando sua imagem dos deuses e promovendo manifestações religiosas em seu próprio benefício. O culto imperial, contudo, já existia antes dele, e a maneira como era praticado variava entre Roma e as províncias. Em algumas regiões orientais, era comum atribuir honras divinas aos governantes, enquanto em Roma essa prática encontrava maior resistência entre determinados setores da aristocracia. Calígula também enfrentou dificuldades financeiras após os gastos realizados no início do governo e a organização de grandes espetáculos. Para obter novos recursos, promoveu medidas fiscais e confiscos que atingiram membros ricos da sociedade romana. As relações com o Senado deterioraram-se ainda mais, pois muitos senadores consideravam suas atitudes uma ameaça às tradições republicanas que, apesar de já subordinadas ao imperador, continuavam sendo importantes para a identidade política da aristocracia.

No campo militar, Calígula também protagonizou episódios que contribuíram para a construção de sua reputação controversa. Em 39 d.C., iniciou preparativos para uma campanha na Germânia, aparentemente relacionada à necessidade de reafirmar a autoridade romana nas fronteiras e fortalecer sua posição perante o exército. No ano seguinte, deslocou-se para a região do Canal da Mancha, onde reuniu tropas com a intenção declarada de realizar uma expedição contra a Britânia. A campanha, entretanto, não resultou na invasão da ilha. Autores antigos ridicularizaram o episódio, afirmando que o imperador teria ordenado aos soldados que recolhessem conchas marinhas como se fossem troféus de uma vitória sobre o oceano. Essa história tornou-se uma das anedotas mais famosas sobre Calígula, mas seu significado histórico permanece discutido. É possível que tenha ocorrido algum tipo de operação militar ou demonstração de força, posteriormente apresentada pelos adversários do imperador de maneira satírica. Enquanto isso, a administração imperial enfrentava tensões religiosas e políticas em diferentes regiões. Na Judeia, a tentativa de instalar uma estátua do imperador no Templo de Jerusalém provocou uma grave crise. A ordem foi recebida com oposição entre a população judaica, que considerava a medida uma violação de suas tradições religiosas. O governador da Síria, Públio Petrônio, procurou evitar uma revolta e retardou a execução da determinação. A morte de Calígula, em 41 d.C., impediu que a crise chegasse a um desfecho militar. Esse episódio demonstra que, apesar das narrativas sobre extravagâncias pessoais, seu governo também esteve envolvido em questões administrativas, diplomáticas e religiosas de grande importância para o Império Romano.

O governo de Calígula terminou violentamente em 24 de janeiro de 41 d.C., quando o imperador foi assassinado em uma conspiração organizada por membros da Guarda Pretoriana e outros participantes ligados à corte. Entre os principais envolvidos estava Cássio Quereia, um oficial da guarda que, segundo as fontes antigas, nutria ressentimentos pessoais contra o imperador. Calígula foi atacado durante uma passagem próxima ao teatro, após participar de atividades relacionadas aos jogos e às celebrações imperiais. Sua esposa, Cesônia, e sua filha, Júlia Drusila, também foram mortas durante os acontecimentos que se seguiram. O assassinato provocou uma crise sucessória, pois Calígula não havia deixado um herdeiro masculino adulto reconhecido. Entretanto, os soldados da Guarda Pretoriana encontraram seu tio Cláudio, irmão de Germânico, e o proclamaram imperador. O Senado chegou a discutir a possibilidade de restaurar a República, mas não conseguiu estabelecer um governo alternativo. Cláudio assumiu o poder e, posteriormente, puniu alguns dos responsáveis pela conspiração. A morte de Calígula marcou o fim de um reinado de apenas quatro anos, mas sua figura continuou a exercer enorme fascínio sobre historiadores, escritores e artistas. As fontes antigas ajudaram a consolidar a imagem de um imperador cruel e demente, embora a historiografia moderna procure distinguir os acontecimentos comprováveis das anedotas e das acusações políticas. Calígula certamente entrou em conflito com a aristocracia, promoveu medidas autoritárias e esteve associado a decisões controversas, mas os detalhes mais extremos de sua reputação permanecem sujeitos a debate. Seu governo revela as dificuldades de um sistema imperial ainda recente, no qual o poder do príncipe dependia tanto do exército e da população quanto da relação com o Senado. A trajetória de Calígula, de herdeiro popular de Germânico a imperador assassinado, permanece como um dos episódios mais dramáticos da história política da Roma Antiga.

sábado, 26 de setembro de 2026

Elvis Presley - Elvis (1973)

Elvis Presley - Elvis (1973)
O álbum Elvis, lançado em 16 de julho de 1973 pela RCA Victor, ocupa um lugar bastante singular na discografia de Elvis Presley. Também conhecido como The Fool Album, em referência à primeira faixa do disco, o trabalho foi o décimo oitavo álbum de estúdio do cantor e chegou ao mercado durante uma fase de grandes transformações em sua carreira pessoal e profissional. Depois do enorme sucesso do especial televisivo Aloha from Hawaii, transmitido mundialmente por satélite em janeiro daquele ano, Elvis encontrava-se novamente no centro das atenções, embora sua produção de estúdio começasse a apresentar características bastante diferentes das gravações realizadas na década anterior. O álbum foi produzido por Felton Jarvis e reuniu dez canções provenientes principalmente de sessões realizadas em Nashville, em março e maio de 1971, além de gravações mais recentes de 1972. A RCA aproveitou material que permanecia inédito em seus arquivos para oferecer ao público um novo LP de Elvis, numa época em que a companhia havia adquirido os direitos sobre as gravações anteriores do artista. A decisão estava relacionada ao acordo firmado em março de 1973, pelo qual a RCA pagou aproximadamente 5,4 milhões de dólares para assumir o controle do catálogo fonográfico anterior de Elvis. O resultado foi um disco heterogêneo, que mistura baladas românticas, country, música popular internacional e interpretações intimistas. Embora não tenha sido concebido como um álbum inteiramente planejado em estúdio, apresenta momentos de grande interesse artístico. 

A abertura com “Fool” estabelece imediatamente o caráter sentimental do trabalho. A canção, baseada na composição “No Words”, de James Last, recebeu letra de Carl Sigman e foi gravada por Elvis em março de 1972. Sua interpretação combina elementos do country e da balada pop, com arranjo orquestral e uma performance vocal marcada pela intensidade emocional que caracterizava muitas de suas gravações dos anos 1970. “Where Do I Go from Here”, composta por Paul Williams, também pertence às sessões de 1972 e apresenta uma atmosfera melancólica, com Elvis explorando as possibilidades expressivas de sua voz madura. Já “Love Me, Love the Life I Lead” destaca o lado romântico do repertório, apoiando-se numa melodia suave e numa interpretação que valoriza a expressividade vocal. Um dos grandes atrativos do álbum, entretanto, aparece nas gravações mais despojadas realizadas em Nashville. “It's Still Here”, “I Will Be True” e “I'll Take You Home Again, Kathleen” apresentam Elvis ao piano, em interpretações de caráter quase doméstico, com acompanhamento mínimo ou inexistente. Essas gravações revelam um artista disposto a experimentar sem a estrutura elaborada de seus discos comerciais. A presença do piano permite ouvir nuances de sua interpretação que muitas vezes ficavam escondidas em arranjos mais grandiosos. Para os admiradores de Elvis, essas três faixas constituem alguns dos momentos mais pessoais de todo o álbum. 

A recepção crítica do disco foi marcada por avaliações distintas, em grande parte devido à natureza irregular de sua seleção musical. A revista AllMusic, em uma análise retrospectiva assinada por Neal Umphred, observa que o álbum reúne sobras de projetos anteriores, mas ressalta que justamente essas gravações menos convencionais permitem conhecer um aspecto diferente do artista. O crítico destaca especialmente “It's Still Here” e “I Will Be True”, nas quais Elvis canta ao piano, sem acompanhamento instrumental, considerando essas interpretações momentos extraordinários que justificam a audição do LP. Essa avaliação ajuda a compreender por que o álbum passou a despertar interesse entre colecionadores e admiradores mais atentos à obra de Elvis. Por outro lado, a seleção de repertório nem sempre foi considerada equilibrada. “Padre”, por exemplo, segue uma linha dramática e grandiosa, enquanto “Love Me, Love the Life I Lead” e “Fool” procuram dialogar com o gosto popular da época. A diversidade de estilos impede que o álbum tenha uma identidade musical tão uniforme quanto a de trabalhos anteriores, como From Elvis in Memphis ou Elvis Country. A inclusão de “It's Impossible”, registrada ao vivo em Las Vegas, também contribui para essa sensação de coleção de momentos distintos, em vez de um projeto concebido como uma unidade artística. Ainda assim, as gravações mais intimistas demonstram a capacidade de Elvis de transmitir emoção mesmo em condições simples de gravação. 

Comercialmente, Elvis chegou ao mercado num período em que a presença do cantor nas paradas americanas continuava significativa, embora os resultados variassem bastante conforme o lançamento. O álbum alcançou a 52ª posição na parada de álbuns da Billboard nos Estados Unidos, enquanto obteve desempenho mais expressivo em determinadas listas de música country. No Reino Unido, o disco também encontrou público, acompanhando o interesse contínuo pela obra do cantor. A faixa “Fool” ganhou destaque como single, embora nos Estados Unidos tenha sido lançada originalmente no lado B de “Steamroller Blues”, canção que havia sido apresentada no álbum Aloha from Hawaii via Satellite. A combinação das duas músicas chegou à 17ª posição da Billboard Hot 100, enquanto “Fool” alcançou a 15ª colocação na parada britânica de singles. A revista Billboard, em sua avaliação da gravação, descreveu “Fool” como uma balada forte, de orientação country-rock, seguindo a linha de outros sucessos românticos de Elvis. O desempenho comercial do LP ficou, portanto, abaixo do alcançado pelo álbum ao vivo Aloha from Hawaii, mas confirmou que o cantor ainda mantinha uma presença considerável no mercado fonográfico internacional. A página oficial de Elvis observa que as vendas do álbum ficaram em torno de 200 mil cópias, resultado que refletiu, em parte, a natureza pouco convencional do lançamento e a apresentação gráfica considerada pouco elaborada. 

Com o passar das décadas, Elvis (The Fool Album) adquiriu importância principalmente entre os admiradores interessados nas gravações menos conhecidas do cantor. Não é geralmente considerado um dos grandes álbuns conceituais de sua carreira, mas oferece uma oportunidade especial de acompanhar Elvis em interpretações mais espontâneas e pessoais. A versão de “Don't Think Twice, It's All Right”, de Bob Dylan, é um dos exemplos mais interessantes dessa liberdade interpretativa. Elvis transforma a composição numa performance acústica descontraída, com fraseado vocal flexível e uma abordagem que se afasta da estrutura mais rígida de algumas de suas gravações comerciais. A edição original apresenta uma versão bastante reduzida da interpretação, enquanto registros mais extensos permitem conhecer melhor o desenvolvimento da sessão. A presença dessa canção também demonstra o interesse de Elvis pelo repertório de outros compositores importantes de sua época. “(That's What You Get) For Lovin' Me”, de Gordon Lightfoot, acrescenta ao disco uma ligação com a tradição da música folk e country norte-americana. Já as três gravações ao piano continuam sendo lembradas como registros especialmente reveladores da personalidade musical de Elvis. O álbum, assim, representa um documento de transição dentro de sua trajetória nos anos 1970: um lançamento comercialmente modesto, mas que preserva interpretações de grande valor histórico e artístico. Para quem deseja conhecer não apenas os grandes sucessos, mas também o lado mais reservado e experimental do Rei do Rock, The Fool Album permanece uma audição indispensável.

Elvis Presley - Elvis (The Fool Album) (1973)
Fool
Where Do I Go from Here
Love Me, Love the Life I Lead
It's Still Here
It's Impossible
(That's What You Get) For Lovin' Me
Padre
I'll Take You Home Again, Kathleen
I Will Be True
Don't Think Twice, It's All Right

Erick Steve. 

The Beatles - Let It Be

The Beatles - Let It Be
Música: Let It Be
Artista: The Beatles
Álbum: Let It Be
Selo: Apple Records
Produtor: George Martin (gravação original); Phil Spector (versão do álbum de 1970)
Músicos: Paul McCartney (vocais, piano, baixo); John Lennon (guitarra, vocais de apoio); George Harrison (guitarra solo, vocais de apoio); Ringo Starr (bateria); Billy Preston (órgão Hammond); Linda McCartney (vocais de apoio, na versão do álbum)
Data de gravação: 31 de janeiro de 1969; overdubs em 30 de abril de 1969 e 4 de janeiro de 1970
Data de Lançamento: 6 de março de 1970, como single; 8 de maio de 1970, no álbum Let It Be

Comentários:
“Let It Be” foi composta principalmente por Paul McCartney durante um dos períodos mais turbulentos da história dos Beatles. A inspiração veio de um sonho que McCartney teve com sua mãe, Mary McCartney, falecida quando ele ainda era adolescente, e a figura de “Mother Mary” presente na letra nasceu dessa experiência pessoal. Em meio às tensões que marcavam o relacionamento entre os quatro Beatles durante as sessões do projeto que originalmente se chamaria Get Back, McCartney encontrou na canção uma mensagem de serenidade, aceitação e esperança. A composição apresenta uma estrutura extremamente acessível, baseada em uma melodia ampla e memorável, com forte influência do gospel e da tradição das grandes baladas populares. A expressão “let it be”, repetida como uma espécie de conselho ou mantra, deu à música uma dimensão universal que ultrapassou o contexto particular em que foi escrita. A gravação foi realizada no Apple Studio, em Londres, durante as sessões de janeiro de 1969, quando os Beatles tentavam recuperar a espontaneidade de seus primeiros anos e voltar a tocar de maneira mais direta. Billy Preston participou das sessões ao piano e órgão, contribuindo para a sonoridade da gravação.

“Let It Be” adquiriu uma importância ainda maior porque acabou sendo lançada quando a história dos Beatles estava chegando ao fim. O single chegou ao mercado em 6 de março de 1970, pouco antes de Paul McCartney anunciar publicamente sua saída do grupo, enquanto o álbum Let It Be seria lançado em maio daquele ano, tornando-se o último álbum dos Beatles a ser lançado. A produção do single e a do álbum também apresentam diferenças: a versão do single foi produzida por George Martin, enquanto Phil Spector posteriormente trabalhou nas fitas para a edição do álbum, produzindo uma versão diferente. Comercialmente, a música foi um enorme sucesso e tornou-se uma das gravações mais reconhecidas do repertório dos Beatles. Sua força está na combinação entre a simplicidade da composição, a interpretação vocal emotiva de McCartney, o piano, o órgão de Billy Preston e o crescendo instrumental que conduz a música ao seu encerramento. Com o passar das décadas, “Let It Be” deixou de ser apenas uma canção associada ao fim dos Beatles e passou a representar uma mensagem universal de esperança diante das dificuldades. Sua presença constante em coletâneas, programas de rádio, apresentações e versões de outros artistas consolidou seu lugar entre as grandes canções da música popular do século XX. Seu legado permanece justamente porque, mesmo nascida em um momento de crise e separação, conseguiu transformar uma experiência pessoal de perda e um período de instabilidade em uma mensagem musical de conforto que continua reconhecida mundialmente.

Erick Steve.