sábado, 8 de agosto de 2026

Elvis Presley - His Hand in Mine

Elvis Presley - His Hand in Mine
Lançado em 10 de novembro de 1960, His Hand in Mine foi o primeiro álbum de estúdio de música gospel de Elvis Presley e ocupa um lugar especial em sua discografia. O disco surgiu pouco depois do retorno de Elvis do serviço militar e mostrou uma dimensão artística que muitas vezes ficava escondida por trás de sua imagem de astro do rock e do cinema. Elvis tinha uma ligação profunda com a música gospel desde a infância, tendo crescido ouvindo música religiosa e cantando em igrejas e grupos vocais. O álbum reúne hinos tradicionais e canções gospel contemporâneas, interpretados com uma abordagem que combina a intensidade vocal característica de Elvis com harmonias tradicionais do gênero. Entre os destaques estão "His Hand in Mine", "Milky White Way", "Joshua Fit the Battle" e "Swing Down, Sweet Chariot". Mais do que uma simples incursão em outro gênero, o disco revelou uma faceta profundamente pessoal do cantor e demonstrou que sua relação com o gospel era artística e emocionalmente genuína.

A crítica especializada recebeu His Hand in Mine de maneira bastante positiva, principalmente pela sinceridade das interpretações. A Billboard destacou a qualidade vocal de Elvis e observou que o cantor conseguia "transmitir uma sinceridade incomum" nas interpretações religiosas. A revista Cash Box elogiou a escolha do repertório e as harmonias vocais, considerando o álbum uma demonstração da versatilidade do artista. Publicações especializadas em música gospel também reconheceram que Elvis tratava o material com respeito, sem transformar os hinos simplesmente em veículos para sua personalidade de astro do rock. Isso foi especialmente importante porque, naquele período, ainda havia certa resistência em alguns círculos religiosos à figura de Elvis, considerado por parte do público conservador um símbolo da rebeldia juvenil. His Hand in Mine, porém, ajudou a demonstrar que sua ligação com o gospel era muito anterior à fama.

A imprensa generalista também percebeu a importância do projeto. O The New York Times destacou a capacidade de Elvis de adaptar sua voz a um repertório completamente diferente daquele que o havia transformado em fenômeno mundial. O Los Angeles Times ressaltou a contenção das interpretações, observando que o cantor evitava transformar as músicas religiosas em simples demonstrações de virtuosismo. Décadas mais tarde, críticos da Rolling Stone passaram a considerar His Hand in Mine um dos registros fundamentais para compreender a personalidade musical de Elvis fora do rock and roll. A crítica posterior também destacou a importância do grupo vocal de apoio, incluindo os Jordanaires, cujas harmonias ajudaram a criar a atmosfera tradicional do álbum. O resultado foi um trabalho em que Elvis aparece menos como o "Rei do Rock" e mais como um cantor apaixonado pela música que conheceu desde criança.

Comercialmente, His Hand in Mine teve um desempenho bastante respeitável para um álbum exclusivamente gospel. O disco alcançou a 13ª posição na parada de álbuns da Billboard nos Estados Unidos, um resultado expressivo considerando que não havia um grande single pop impulsionando suas vendas. Ao longo dos anos, tornou-se um dos álbuns religiosos mais importantes da discografia de Elvis e continuou vendendo para além de seu período inicial. O sucesso também mostrou à RCA Victor que existia um público disposto a acompanhar Elvis em projetos fora do rock e das trilhas sonoras de seus filmes. Embora não tenha alcançado as cifras dos grandes álbuns populares do cantor, His Hand in Mine adquiriu uma importância comercial e cultural duradoura. O disco posteriormente recebeu certificação de ouro da Recording Industry Association of America, confirmando sua longevidade no catálogo de Presley.

O legado de His Hand in Mine é particularmente importante porque inaugurou a sequência de grandes trabalhos gospel de Elvis Presley. O cantor voltaria ao gênero em How Great Thou Art, de 1967, e em He Touched Me, de 1972, construindo uma pequena mas extremamente respeitada trilogia gospel que culminaria em três prêmios Grammy para suas gravações religiosas. Para os especialistas, His Hand in Mine permanece como uma das demonstrações mais autênticas da personalidade musical de Elvis, justamente porque não dependia das exigências comerciais de Hollywood ou das tendências das paradas. Para os fãs, o álbum representa o Elvis mais íntimo e espiritual, mostrando uma paixão pelo gospel que acompanhou toda a sua vida. Mais de seis décadas depois, continua sendo considerado um clássico do gospel popular e uma peça essencial para compreender a amplitude artística de Elvis Presley.

Elvis Presley – His Hand in Mine (1960)
His Hand in Mine
I'm Gonna Walk Dem Golden Stairs
In My Father's House
Milky White Way
Known Only to Him
I Believe in the Man in the Sky
Joshua Fit the Battle
He Knows Just What I Need
Swing Down, Sweet Chariot
Mansion Over the Hilltop
If I Can Dream
Working on a Building

Pablo Aluísio. 

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy
Lançado em 25 de julho de 1960, Nice 'n' Easy é um dos álbuns mais representativos da extraordinária fase de Frank Sinatra na Capitol Records. O disco surgiu em um período especialmente importante da carreira do cantor, quando Sinatra já havia deixado para trás a fase de declínio comercial do início dos anos 1950 e havia se transformado em um dos intérpretes mais sofisticados da música popular americana. Produzido por Nelson Riddle, o álbum apresenta uma sequência de canções românticas interpretadas com extrema economia e elegância. A faixa-título, "Nice 'n' Easy", tornou-se imediatamente uma das gravações mais conhecidas do repertório de Sinatra. O disco também demonstra a extraordinária química entre sua voz e os arranjos orquestrais de Riddle, que utilizava cordas, metais e madeiras de maneira extremamente refinada. Em 1960, Sinatra estava no auge de sua influência cultural, e Nice 'n' Easy ajudou a consolidar definitivamente o chamado conceito moderno de álbum vocal. Mais do que uma coleção de canções românticas, o trabalho representa o domínio absoluto de Sinatra sobre interpretação, fraseado, dinâmica e atmosfera.

A crítica musical recebeu Nice 'n' Easy de maneira muito favorável. A Billboard destacou a elegância da produção e a capacidade de Sinatra de transformar material conhecido em interpretações pessoais, ressaltando particularmente a faixa-título. A publicação considerou que o álbum confirmava a posição do cantor entre os grandes intérpretes da música popular americana. A Cash Box também elogiou a combinação entre a voz de Sinatra e os arranjos de Nelson Riddle, destacando a atmosfera relaxada e sofisticada do repertório. Na imprensa britânica, críticos observaram que Sinatra representava uma tradição vocal americana diferente do nascente rock britânico, mas continuava exercendo enorme influência internacional. A crítica posterior da Rolling Stone passou a valorizar ainda mais o álbum, especialmente pela sutileza do canto de Sinatra e pela maneira como ele utilizava pequenas alterações de ritmo e pronúncia para dar nova personalidade às canções. O consenso crítico acabou reconhecendo Nice 'n' Easy como um exemplo particularmente refinado da chamada era dos grandes álbuns de standards.

Os grandes jornais americanos também acompanharam a fase extraordinária vivida por Sinatra naquele momento. O The New York Times ressaltava regularmente a capacidade do cantor de transformar canções populares em interpretações profundamente pessoais, característica evidente em Nice 'n' Easy. O Los Angeles Times destacava a importância dos arranjos de Nelson Riddle para criar um ambiente musical sofisticado sem jamais encobrir a voz do cantor. A publicação também reconhecia que Sinatra havia ajudado a transformar o álbum de música popular em uma forma de expressão artística mais elaborada. A The New Yorker, ao abordar a obra de Sinatra e a tradição do chamado Great American Songbook, destacou justamente esse domínio interpretativo: Sinatra não precisava cantar mais alto para transmitir emoção; ele utilizava dicção, pausa, respiração e pequenas mudanças de andamento. Essa característica aparece com enorme clareza em Nice 'n' Easy. O disco, portanto, deve ser entendido dentro de uma transformação maior da música popular americana, na qual Sinatra ajudou a estabelecer o álbum como uma experiência artística coerente.

Comercialmente, Nice 'n' Easy foi um dos grandes sucessos de Sinatra no início dos anos 1960. O álbum alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, permanecendo no topo por várias semanas e demonstrando que o cantor continuava extremamente popular mesmo diante da explosão do rock and roll e da ascensão de uma nova geração de artistas. A faixa "Nice 'n' Easy" também teve excelente desempenho como single, chegando ao 17º lugar da Billboard Hot 100 e tornando-se uma das gravações mais conhecidas de Sinatra. O álbum permaneceu durante um longo período nas paradas americanas, revelando uma extraordinária longevidade comercial. Seu sucesso foi particularmente significativo porque demonstrava que um álbum predominantemente formado por standards e baladas podia competir comercialmente em uma época de profundas mudanças na indústria fonográfica. Nice 'n' Easy ajudou ainda a consolidar a estratégia artística de Sinatra na Capitol, baseada em álbuns cuidadosamente planejados, grandes arranjadores e repertórios selecionados para criar uma determinada atmosfera.

O legado de Nice 'n' Easy permanece muito forte entre especialistas em música popular e admiradores de Sinatra. O álbum é frequentemente lembrado como um dos exemplos mais perfeitos de sua parceria com Nelson Riddle e como uma demonstração do extraordinário controle vocal alcançado pelo cantor naquele período. Embora outros discos de Sinatra, como In the Wee Small Hours, Songs for Swingin' Lovers! e Only the Lonely, sejam geralmente colocados ainda mais alto nas listas de seus maiores trabalhos, Nice 'n' Easy é considerado um clássico essencial de sua fase na Capitol. Para os fãs, o disco representa o Sinatra romântico, elegante e extremamente seguro de si, capaz de transformar uma simples canção de amor em uma interpretação sofisticada. Sua influência pode ser percebida em inúmeras gerações posteriores de cantores que aprenderam com seu fraseado e sua maneira de interpretar letras. Mais de seis décadas depois, Nice 'n' Easy continua sendo uma das gravações fundamentais para compreender por que Frank Sinatra é considerado um dos maiores intérpretes da história da música popular.

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy (1960)
Nice 'n' Easy
That Old Feeling
It's a Lonesome Old Town
Spring Is Here
Goody Goody
Someone to Watch Over Me
I Got It Bad and That Ain't Good
It Could Happen to You
I've Got You Under My Skin
Fools Rush In
Nevertheless
She's Funny That Way
Try a Little Tenderness

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dia D

Título no Brasil: Dia D
Título Original: Disclosure Day
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg, David Koepp
Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson, Wyatt Russell

Sinopse:
Margaret Fairchild (Emily Blunt) é uma jornalista de Kansas City que apresenta o boletim do tempo no telejornal local. Um dia ela basicamente surta ao vivo, falando uma estranha linguagem, causando surpresa em todos. A partir daí sua vida se transforma em um caos, sendo perseguida por pessoas que ela nunca viu em sua vida. E por trás de tudo parece haver a tentativa de encobertar um segredo envolvendo seres de outros planetas. 

Comentários:
Eu sempre terei Steven Spielberg na mais alta consideração. Em minha opinião nenhum cineasta foi mais relevante do que ele nesses últimos 50 anos. É o maior diretor de cinema ainda vivo e em atividade. O conjunto de sua obra, como diretor e também como produtor de cinema, é imenso, incomparável. Só que infelizmente até os gênios erram... Esse novo filme de Spielberg é bem decepcionante! Até que funciona, na maior parte do tempo, como um bom filme de perseguição. Só que fica nisso. Muita correria para absolutamente nada! O pior momento vem no clímax, no desfecho da história. É cafona, piegas, fora de moda, ultrapassado e para ser muito sincero, causa até vergonha alheia. E eu nunca havia sentido nada parecido com os filmes anteriores de Spielberg. E a decepção é maior porque foi criado uma expectativa pelo fato do diretor voltar ao tema dos aliens. Bastava lembrar de "ET" e "Contatos Imediatos de Terceiro Grau" para esperar, com muita boa vontade, a chegada de uma nova obra-prima. Não deu! Não aconteceu, muito pelo contrário! Esse é certamente um dos piores filmes de Spielberg nos últimos anos. Uma lástima! Lamento muito!

Pablo Aluísio.

Emergência Radioativa

Título no Brasil: Emergência Radioativa
Título Original: Emergência Radioativa
Ano de Lançamento: 2026
País: Brasil
Estúdio: Netflix
Direção: Fernando Coimbra, Iberê Carvalho
Roteiro: Fernando Coimbra, Gustavo Lipsztein
Elenco: Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, 
Bukassa Kabengele, Tuca Andrada, Leandra Leal

Sinopse:
Essa é uma minissérie da Netflix que conta o acidente radioativo que aconteceu em Goiânia, durante os anos 80. Foi o mais sério incidente desse tipo ocorrido no Brasil em toda a sua história. E tudo aconteceu por causa de um descaso envolvendo um equipamento de radiação que ficou abandonado em um velho hospital desativado. Localizado por catadores de lixo, acabou sendo levado, contaminando uma enorme área da cidade.

Comentários:
Ficou excelente essa minissérie baseada nesse trágico fato. Eu me lembro muito bem desse acidente, porque foi muito noticiado na época, causando grande repercussão dentro e também fora do Brasil. O roteiro da minissérie toma algumas liberdades com os acontecimentos reais, para dar maior consistência dramática aos espisódos. Nada que comprometa o resgate histórico do que de fato aconteceu. Foi uma sucessão de erros, principalmente envolvendo autoridades, que acabou colocando a vida dessa população em risco. E o mais triste é saber que houve mortes, inclusive de uma criança inocente que manipulou o Césio (elemento extremamente radioativa) em suas próprias mãos. É sempre necessário relembrar essa tragédia para que ela nunca mais venha a ocorrer novamente. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Mestres do Universo

Título no Brasil: Mestres do Universo
Título Original: Masters of the Universe
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Amazon
Direção: Travis Knight
Roteiro: Travis Knight, Aaron Nee
Elenco: Nicholas Galitzine, Jared Leto, Camila Mendes, Morena Baccarin, Idris Elba, Dolph Lundgren

Sinopse:
Após a tomada do poder em Eternia pelo vilão Esqueleto, o príncipe Adam é enviado para a Terra. Após muitos anos ele descobre que precisará voltar ao seu antigo lar, para restaurar a monaquia de seu pai, expulsando o mal supremo representado por Esqueleto e seus seguidores. 

Comentários:
Finalmente assisti e gostei! O filme sofreu inúmeras críticas desde que chegou aos cinemas. A bilheteria também não correspondeu às expectativas, mas agora a Amazon espera recuperar seu investimento no streaming. No fundo é a revitalização de uma antiga propriedade intelectual que, em um primeiro momento, dialoga com os cinquentões (que assistiam ao desenho nos anos 80) para só depois conquistar uma nova base de fãs para esse personagem (de preferência crianças). De minha parte não tenho o que reclamar. Eu me diverti muito e ao contrário de muitos não me incomodei com o humor do filme. É por aí mesmo, He-Man não é sagrado, é um personagem de cultura pop que vai sendo adaptado aos novos tempos. O filme é bem produzido, tem um visual colorido, cheio de personagens de desenho animado. Acertaram no alvo! Era justamente o que eu queria ver. Fiquei muito satisfeito com o resultado. 

Pablo Aluísio.

Homem de Guerra

Título no Brasil: Homem de Guerra
Título Original: Men of War
Ano de Lançamento: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Perry Lang
Roteiro: Stan Rogow, John Sayles
Elenco: Dolph Lundgren, Charlotte Lewis, BD Wong

Sinopse:
Veterano de guerra, ex-membro das forças especiais do exército americano, embarca em uma nova missão extremamente perigosa que deverá ser executada em uma região controlada a mão de ferro pelo exército da China. Em terreno inimigo ele vai descobrir que o mais importante passa a ser sobreviver naquele ambiente hostil. 

Comentários:
Os anos 90 foram bem ruins para os brutamontes dos anos 80. Principalmente para os que eram de terceiro escalão como o brucutu Dolph Lundgren. Eles foram perdendo totalmente a pouca relevância que tinham na década anterior. Seus filmes sequer eram lançados nos cinemas. Na maioria das vezes se limitavam a produções B que iam direto para as locadoras de vídeo. Esse filme aqui (é mais correto chamar de "fita") exemplifica mesmo essa situação. Sem muita qualidade, se limitava a tentar ressuscitar os filmes de "exército de um homem só" que tanto sucesso tinham feito nos anos 80. Só que nos anos 90 esse tipo de filme já era mesmo considerado algo ultrapassado. Sinal dos novos tempos. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A Casa dos Rituais Satânicos

Título no Brasil: A Casa dos Rituais Satânicos
Título Original: Madhouse
Ano de Lançamento: 1974
País: Reino Unido
Estúdio: Amicus Pictures
Direção: Jim Clark
Roteiro: Angus Hall, Ken Levison
Elenco: Vincent Price, Peter Cushing, Boris Karloff, Basil Rathbone, Robert Quarry

Sinopse:
Vincent Price interpreta um ator veterano. Ele construiu toda a sua carreira em clássicos filmes de terror, onde interpretava um personagem chamado Dr. Morte. Agora, anos depois, retorna ao mesmo papel em uma série de televisão. Seu retorno se deve unicamente a questões financeiras pois pessoalmente não queria voltar a fazer esse antigo monstro. Só que as coisas fogem do controle e várias atrizes que iriam trabalhar ao seu lado aparecem mortas. Pior do que isso, a Polícia de Londres acredita que ele seria o verdadeiro asassino!

Comentários:
Muito interessante esse filme. Na realidade é um bem bolado exercício de metalinguagem. Afinal o que temos aqui é Vincent Price interpretando... Vincent Price! E não está sozinho, vários astros do antigo terror clássico aparecem no filme, seja como coadjuvantes, seja em participações especiais, pontuais. Na questão medo e suspense, admito, o filme não é grande coisa. Envelheceu bastante, mas termos todos esses atores aqui, em um só filme, faz toda a diferença e compensa tudo. Todos eles veteranos, todos eles em participações que para muitos foi a despedida das telas de cinema. Além disso o filme aproveita também para, de certa maneira, homenagear o próprio Vincent Price, com cenas de seus antigos clássicos surgindo no decorrer da história. Como eu escrevi, seu personagem era inteiramente baseado em sua própria história e carreira. Enfim, um banquete de terror com velhos amigos. Assim poderia resumir esse terror já um tanto temporão, até fora de moda para a época em que foi lançado, mas que consegue se superar, sem perder totalmente seu charme de pura nostalgia de um passado que já não existia mais. 

Pablo Aluísio.

O Túmulo do Horror

Título no Brasil: O Túmulo do Horror
Título Original: La cripta e l'incubo
Ano de Lançamento: 1964
País: Itália, Espanha
Estúdio: EI Pictures
Direção: Camillo Mastrocinque
Roteiro: Tonino Valerii, Ernesto Gastaldi
Elenco: Christopher Lee, Adriana Ambesi, Ursula Davis, José Campos, Angela Minervini

Sinopse:
Christopher Lee interpreta um Conde, membro de uma antiga linhagem familiar da aristocracia mais poderosa de sua região. No passado uma de suas antepassadas havia sido queimada viva, acusada de bruxaria pela inquisição. Séculos depois começam a surgir certos fenômenos paranormais no velho castelo onde o nobre mora. Ele então decide contratar um especialista em história, arte e documentação antiga. Ele quer saber toda a verdade sobre a história de sua família pois se considera uma pessoa amaldiçoada. 

Comentários:
Curioso filme de terror italiano. Christopher Lee deu um tempo nos filmes de Conde Drácula em Londres e foi até o país europeu vizinho para rodar essa película. Ele voltou a interpretar um Conde, mas fiquem tranquilos, não era um vampiro, nem muito menos o próprio Drácula. Apenas um ser humano normal assombrado pelas velhas histórias de sua família, algumas bem terríveis. Sua filha parece estar sendo afetada pelo espírito de uma antepessada, uma mulher que teria sido acusada de bruxaria. Pois é, o filme assim caminha, abraçando mais o estilo dos antigos filmes de terror psicológico. Nada de grandes efeitos visuais ou sustos gratuitos. Nesse ponto apreciei o roteiro do filme pois ele é mesmo bem construído. Se o filme não é melhor, não é culpa do que foi escrito ou pensado pelos roteiristas, mas sim das próprias limitações do cinema da época, ainda bem analógico, socorrendo a luzes e sombras para assustar seu público. De certa maneira não deixava de ser uma maneira talentosa de superar os limites técnicos daquela época. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Pistoleiros do Entardecer

Pistoleiros do Entardecer
Grande filme. Esse western mostra muito bem a diferença que faz um grande diretor. Veja, tinha tudo para ser mais um faroeste de rotina da carreira de Randolph Scott mas isso seria óbvio demais. Sam Peckinpah consegue reverter certas máximas do gênero ao mesmo tempo em que é respeitoso à mitologia do velho oeste. Ao contrário de usar personagens que são indiscutivelmente mocinhos ou bandidos, o diretor coloca em cena sujeitos dúbios, que transitam entre cometer crimes ou protagonizar momentos de grande honra pessoal. É o caso de Gil Westrum (o último personagem da carreira de Randolph Scott que abandonaria o cinema logo após). Gil tem como objetivo roubar o ouro que foi contratado a transportar mas como acompanhamos no desenrolar do filme esse é apenas o ponto de partida de tudo o que acontecerá nas montanhas.

É bom frisar porém que a estética da violência que seria marca registrada do diretor ainda não está presente nesse filme, o que era de se esperar. Filmado na primeira metade dos anos 60 o cineasta ainda não havia levado às últimas consequências suas escolhas estéticas e cinematográficas. Mesmo assim o filme é surpreendentemente bem roteirizado, com um clímax excelente, de tirar o chapéu. No final quem melhor define a essência do filme é a personagem Elsa (interpretada pela atriz Meriette Hartley). Ela explica que sempre foi levada a crer que havia o bem e o mal absolutos na vida, mas que depois de tudo o que passou compreendeu que na vida há pessoas que transitam de um lado ao outro, em uma zona cinzenta, tal como os personagens desse western. Uma conclusão simplesmente perfeita.

Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country, Estados Unidos, 1962) / Direção: Sam Peckinpah / Roteiro:N.B. Stone Jr./ Com Randolph Scott, Joel McCrea, Mariette Hartley, Ron Starr e Edgar Buchanan / Sinopse: Um envelhecido ex-xerife, Steve Judd (Joel McCrea), é contratado para transportar uma remessa de ouro através de um território perigoso. Ele contrata um velho parceiro, Gil Westrum (Randolph Scott), e seu protegido, o jovem Heck Longtre (Ron Starr), para ajudá-lo. Porém Steve não imagina que Gil e Heck planejam roubar o ouro, com ou sem a ajuda dele.

Pablo Aluísio.

O Xerife do Oeste

O Xerife do Oeste
"O Xerife do Oeste" faz parte da última fase da carreira do ator John Wayne. É um dos últimos trabalhos do Duke. O fato é que Wayne se recusava a se aposentar pois acreditava que a aposentadoria acabaria com ele. Além disso sempre afirmava que iria trabalhar até o final de seus dias pois era a única coisa que sabia fazer na vida. Ostracismo, nem pensar. Curiosamente mesmo já envelhecido, beirando os 70 anos, o ator ainda conseguia passar carisma e prender a atenção do espectador, arrecadando boas bilheterias, isso em uma época em que o western já mostrava claros sinais de esgotamento. "O Xerife do Oeste", também conhecido como "Cahill" repete de certa forma os velhos clichês do gênero. John Wayne sabia o que o público queria dele e procurava não inventar muito. Assim ele fez questão de realizar mais um faroeste ao velho estilo, com o roteiro que poderia muito bem ter sido escrito nos anos 50. E quando digo "realizar" não é força de expressão, o filme é dele, foi produzido por seu filho, Michael Wayne, e a produção contou com dinheiro saído do próprio bolso do ator. Alguns estudiosos da carreira de John Wayne inclusive vão mais longe e afirmam que diretor apenas assinou pois foi Wayne quem realmente dirigiu as cenas.

Tanto empenho pessoal valeu a pena. "Cahill" é o que eu chamo de um produto honesto. Os fãs de John Wayne receberam justamente aquilo que esperavam, ou seja, o velho cowboy ainda liquidando seus inimigos sem fazer muita força (e sem despentear a peruca impecável), um vilão asqueroso (o ótimo George Kennedy, velho companheiro de Wayne dos filmes antigos) e um pouco de humor em pequenas pitadas aqui e ali. Só não gostei muito do final, que tem um moralismo um tanto quanto questionável. Mas isso é o de menos, "O Xerife do Oeste" vale a pena, principalmente para quem quer matar saudades do antigo astro de Hollywood. A lenda do velho oeste vive!

O Xerife do Oeste (Cahill U.S. Marshal, Estados Unidos, 1973) / Direção: Andrew V. McLaglen / Com John Wayne, George Kennedy e Gary Grimes / Sinopse: De volta a sua cidade, o xerife (John Wayne) encontra dois de seus assistentes mortos num assalto e na cadeia quatro presos, entre eles seu filho, acusados de ter participado da chacina. O obstinado agente da justiça passa a perseguir um grupo de bandidos.

Pablo Aluísio.