sábado, 30 de maio de 2026

Norah Jones - Visions

Norah Jones - Visions 
O álbum mais recente de Norah Jones é Visions, lançado em 8 de março de 2024 pela Blue Note Records. Trata-se do nono álbum de estúdio solo da cantora e pianista norte-americana e representa mais um capítulo de sua constante evolução artística. Produzido por Leon Michels, o disco nasceu de sessões bastante espontâneas, nas quais Jones e Michels desenvolveram muitas das músicas a partir de improvisações e ideias surgidas durante a madrugada. A própria cantora explicou que o título do álbum foi inspirado por ideias que lhe vinham nos momentos entre o sono e a vigília. Musicalmente, Visions apresenta uma sonoridade mais vibrante e experimental do que alguns de seus trabalhos recentes, incorporando elementos de soul, pop, folk e psicodelia leve. O álbum foi anunciado juntamente com o lançamento do single Running, que rapidamente chamou atenção dos fãs por sua energia e leveza. O trabalho também marcou seu primeiro álbum de material inédito desde Pick Me Up Off the Floor (2020), desconsiderando o disco natalino lançado em 2021.

A recepção crítica foi bastante positiva. Diversos veículos elogiaram a atmosfera descontraída e a renovação sonora apresentada por Norah Jones. O álbum alcançou uma média de 81 no agregador Metacritic, classificação considerada de aclamação universal. Críticos destacaram especialmente a parceria com Leon Michels e a combinação entre arranjos orgânicos e experimentação moderna. O jornal Los Angeles Times descreveu o trabalho como um disco de soul com toques psicodélicos e espírito de garagem, enquanto a revista MOJO considerou o álbum uma das obras mais interessantes da artista em muitos anos. Entre os destaques estão canções como Paradise, Running e Staring at the Wall. Comercialmente, o álbum alcançou o primeiro lugar da parada de Jazz da Billboard nos Estados Unidos e ainda conquistou o prêmio Grammy de Melhor Álbum Vocal Pop Tradicional.

O legado de Visions ainda está sendo construído, mas muitos críticos já o apontam como um dos trabalhos mais criativos da fase madura da carreira de Norah Jones. Desde o enorme sucesso de Come Away with Me em 2002, a cantora sempre evitou repetir fórmulas, explorando diferentes estilos musicais ao longo de sua trajetória. Em Visions, ela demonstra mais uma vez sua capacidade de se reinventar sem perder a elegância e a intimidade que caracterizam sua música. O álbum apresenta uma artista confortável em experimentar novas texturas sonoras, mantendo ao mesmo tempo a delicadeza vocal que a tornou famosa mundialmente. Entre fãs e colecionadores, o disco foi muito bem recebido, sendo frequentemente citado como um dos lançamentos mais fortes de sua discografia recente. Hoje, Visions é visto como uma obra que reafirma a relevância artística de Norah Jones mais de duas décadas após sua estreia, provando que ela continua sendo uma das intérpretes mais respeitadas da música contemporânea.

Norah Jones – Visions (2024)
All This Time
Staring at the Wall
Paradise
Queen of the Sea
Visions
Running
I Just Wanna Dance
I'm Awake
Swept Up in the Night
On My Way
Alone with My Thoughts
That's Life
Can You Believe 

Erick Steve. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Spider-Noir

Spider-Noir 
Ambientada em uma versão alternativa da Nova York dos anos 1930, a série acompanha Ben Reilly, um investigador particular envelhecido e marcado por tragédias pessoais. Anos antes, ele era conhecido como “O Aranha”, o único super-herói da cidade, mas abandonou sua identidade heroica após acontecimentos que mudaram sua vida para sempre. Quando uma nova conspiração criminosa ameaça a cidade, Reilly é forçado a confrontar seu passado e voltar à ação. Misturando elementos de filmes policiais clássicos, histórias de detetive e aventura de super-heróis, Spider-Noir apresenta uma abordagem sombria e estilizada do universo do Homem-Aranha. A produção foi lançada em versões colorida e em preto e branco, reforçando sua inspiração no cinema noir clássico.

A recepção da crítica americana para Spider-Noir foi amplamente positiva, com muitos veículos destacando a ousadia da série ao misturar o universo do Homem-Aranha com o cinema noir dos anos 1930. No agregador Rotten Tomatoes, a primeira temporada estreou com cerca de 90% de aprovação entre os críticos profissionais. A revista Empire concedeu nota máxima e classificou a produção como uma experiência surpreendente que “fica cada vez melhor”, elogiando especialmente a atuação de Nicolas Cage. O Los Angeles Times descreveu a série como uma engenhosa fusão entre o Homem-Aranha e os filmes estrelados por Humphrey Bogart, ressaltando a atmosfera retrô e a identidade própria da produção. Já o Guardian avaliou a obra com quatro estrelas em cinco, afirmando que, mesmo sem reinventar completamente o gênero, a série é divertida, ágil e repleta de reviravoltas. O Financial Times também atribuiu quatro estrelas, considerando-a uma alternativa criativa ao desgaste das tradicionais produções de super-heróis.

Nem todas as avaliações, entretanto, foram entusiasmadas. A crítica Variety considerou que a série possui muito estilo visual, mas pouca profundidade dramática, classificando-a como “muita forma e pouco conteúdo”. O Hollywood Reporter foi ainda mais severo, apontando que a narrativa se apoia excessivamente em clichês dos filmes de detetive e não desenvolve plenamente suas ideias. Apesar dessas ressalvas, o consenso geral permaneceu favorável. Diversos críticos destacaram que Cage “abraça totalmente suas excentricidades” e transforma Ben Reilly em um protagonista único e imprevisível. Entre os elogios mais recorrentes estiveram a fotografia expressionista, a possibilidade de assistir aos episódios em preto e branco ou coloridos, e a coragem da produção em oferecer algo diferente dentro do saturado mercado de adaptações de quadrinhos. Muitos críticos chegaram a afirmar que a versão em preto e branco é a forma ideal de apreciar a série, por valorizar sua estética noir e sua atmosfera sombria.

Spider-Noir (Spider-Noir, Estados Unidos, 2026) Direção: Harry Bradbeer, Nzingha Stewart e outros / Roteiro: Oren Uziel, Steve Lightfoot, Megan Liao, Tori Sampson, Jennifer Frazin, Jack Henderson e Bruce Marshall Romans / Elenco: Nicolas Cage, Lamorne Morris, Li Jun Li, Karen Rodriguez, Abraham Popoola, Jack Huston e Brendan Gleeson / Sinopse: Uma série considerada inovadora que mescla a estética dos velhos filmes do cinema Noir com as aventuras do Homem-Aranha. 

Erick Steve. 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

O Jogo do Predador

Título no Brasil: O Jogo do Predador
Título Original: Apex
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Baltasar Kormákur
Roteiro: Jeremy Robbins
Elenco: Charlize Theron, Taron Egerton, Eric Bana, Clive Standen

Sinopse:
Durante uma perigosa escalada na montanha, no meio de uma tempestade hostil, a alpinista Sasha (Theron) perde seu marido, que cai no abismo. Tentando se recuperar para superar o trauma, ela embarca numa viagem de aventuras no interior da Austrália e passa a ser perseguida por um psicopata violento e sádico. 

Comentários:
O título nacional é equivocado demais. Primeiro porque o termo Predador já é fortemente associado a uma outra franquia. Segundo porque já existe um filme com esse nome, uma produção B dos anos 80 com Rutger Hauer. Mas tudo bem, deixemos isso de lado. A atriz Charlize Theron se esforçou muito para promover esse filme, inclusive participando de escaladas reais. Aliás a cena da escalada, no começo do filme, é seu grande momento. Pensei que o filme seria todo nesse estilo, nesse ritmo, o que seria ótimo, mas não, fui frustrado em minhas expectativas. A história toma outro rumo, com a Charlize Theron sendo caçada por um maluco no meio do nada, numa região desabitada da Austrália. Aí está o grande problema. Não achei nada demais, sem nenhuma novidade. Já vi esse tipo de história sendo contada em um monte de filmes no passado. A fita até fez sucesso na Netflix e recebeu resenhas elogiosas por parte da imprensa americana, mas, de minha parte, achei meramente mediano, sem nenhuma grande novidade e até mesmo cansativo. Não gostei.  

Pablo Aluísio. 

Truque de Mestre: O Terceiro Ato

Título no Brasil: Truque de Mestre: O Terceiro Ato
Título Original: Now You See Me: Now You Don’t
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Seth Grahame-Smith, Michael Lesslie, 
Elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco, Isla Fisher, Morgan Freeman, Mark Ruffalo, Ariana Greenblatt, Justice Smith

Sinopse:
O filme traz de volta os famosos “Quatro Cavaleiros”, grupo de ilusionistas especializados em roubos espetaculares realizados diante do público. Anos após os eventos do segundo filme, uma nova geração de mágicos digitais começa a desafiar a influência do grupo original, obrigando os veteranos a retornarem para enfrentar uma conspiração internacional ligada a tecnologia, vigilância e manipulação financeira. Enquanto elaboram novos truques impossíveis e fugas mirabolantes, os personagens precisam descobrir quem está controlando os bastidores de um esquema que ameaça expor os segredos da organização conhecida como “O Olho”.

Comentários:
Terceiro filme dessa franquia que nunca me convenceu. Simplesmente acho que todos os filmes sofrem de uma falta de personalidade incrível. É um daqueles projetos que nascem e são desenvolvidos por executivos de grandes estúdios. Esses profissionais não estão em busca de produzir arte cinematográfica com extremo cuidado, mas sim projetar filmes feitos para o sucesso fácil. Aqui temos um exemplo perfeito disso. São tantos personagens, com atores famosos (ou não) querendo aparecer que todos eles acabam caindo no vazio. A trama é chatinha, sem nenhuma novidade. Agora imperdoável mesmo são as cenas de mágica. Essas deveriam compor o núcleo duro do filme, aquilo que o justifica, mas fica pelo meio do caminho. Assim não tem jeito, a coisa toda afunda. Enfim, não gostei dos filmes anteriores e nem muito menos desse. É dispensável. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jacknife

Título no Brasil: Jacknife
Título Original: Jacknife
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate Pictures
Direção: David Hugh Jones
Roteiro: Stephen Metcalfe
Elenco: Robert De Niro, Kathy Baker, Ed Harris

Sinopse:
Um conflito se instala entre um veterano do Vietnã e sua irmã, que resolve se envolver romanticamente com um ex-companheiro seu, dos tempos do exército. A volta da convivência entre ambos acaba despertando velhos fantasmas do passado. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Ed Harris).
 
Comentários:
Um filme de Robert De Niro que poucos se lembram hoje em dia. Uma injustiça pois gosto bastante da estética mais barra pesada dessa produção. Além disso o personagem de De Niro é um achado e tanto, ótimo para um ator com tantas possibilidades como ele. Infelizmente em termos de Brasil o filme segue sendo pouco conhecido, até mesmo para quem viveu a época de seu lançamento. Aliás o filme foi extremamente mal lançado por aqui - nada de salas de exibição, indo parar direto no mercado de fitas VHS. Um absurdo em minha forma de ver, pois gosto bastante da película que hoje em dia é bem complicada de se achar. Em entrevistas de lançamento do filme nos anos 80, De Niro explicou sua intenção em fazer esse filme. Ele queria captar a alma do chamado "Working Man", ou seja, do trabalhador comum dos Estados Unidos. Sujeitos durões, mas íntegros que tinham que lidar com as durezas da vida mesmo depois de ter servido em guerras distantes e complicadas de entender, como o próprio conflito no Vietnã. Enfim, fica a dica para redescobrir esse pequeno mas interessante momento da filmografia de Robert De Niro nos anos 80.

Pablo Aluísio.

Como Perder Um Homem em 10 Dias

Comédia romântica que pretende fazer humor com as diferenças existentes entre homens e mulheres brincando com situações que são – na visão do roteiro – insuportáveis para ambos os sexos. Assim temos uma aposta entre o publicitário Ben (Matthew McConaughey) e seu chefe. Ele aposta que consegue conquistar qualquer mulher em apenas 10 dias. Por outro lado a jornalista Andie (Kate Hudson) por pura “coincidência” cruza seu caminho nesse mesmo momento. Ela pretende escrever um novo texto baseado em experiências pessoais intitulado “Como Perder um Homem em 10 dias”. Assim fica criada a situação: ele precisa conquistar ela de todo jeito para ganhar a aposta e ela faz de tudo para que o namoro acabe em dez dias, confirmando as teorias de seu texto jornalístico. Os maiores disparates são realizados pela jornalista mas o publicitário garotão engole todos para ganhar sua aposta.

Bobinho o argumento? Claro que é! O filme traz de volta a dupla Matthew McConaughey e Kate Hudson que durante um certo tempo pretendeu mesmo virar o casal clichê das atuais comédias românticas tal como foram no passado Rock Hudson e Doris Day e mais recentemente Tom Hanks e Meg Ryan. O problema é que esse tipo de filme funcionava melhor antes quando os costumes eram bem mais rígidos e o relacionamento entre homem e mulher tinha regras mais básicas. No mundo de hoje, onde os papéis geralmente andam invertidos, a coisa toda não consegue ter a mesma graça. Assim o roteiro, que já não é lá grande coisa, se apóia com tudo no carisma da dupla central de atores. Kate Hudson continua uma gracinha, uma simpatia mesmo e Matthew também continua o mesmo, geralmente interpretando sempre o mesmo papel, não importando o personagem que faz. Só não se consegue entender bem porque ele sempre tem que aparecer em cena sem camisa exibindo seus “talentos” físicos! Parece até uma obsessão pra falar a verdade. Para piorar o filme tem problemas de ritmo e a química do casal não transparece tão bem na tela. Assim fica o aviso: não é tão engraçada como parece ser essa comédia romântica, faltou mesmo timing e feeling para a coisa ser melhor. Fica para a próxima!

Como Perder Um Homem em Dez Dias (How to Lose a Guy in 10 Days, Estados Unidos, 2003) Direção: Donald Petriee / Roteiro: Kristen Buckley, Brian Regan, Burr Steers / Elenco: Kate Hudson, Matthew McConaughey, Kathryn Hahn, Annie Parisse, Adam Goldberg, Thomas Lennon, Michael Michele, Shalom Harlow, / Sinopse: Publicitário pretende ganhar uma aposta com seu chefe mostrando que pode fazer uma mulher se apaixonar por ele em apenas dez dias. Ao mesmo tempo uma jornalista pretende provar a veracidade de seu artigo intitulado “Como Perder Um Homem em Dez Dias”. Por uma coincidência acabam se encontrando o que dará origem a muitas confusões pois os objetivos deles são diametralmente opostos!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Sangue em Sonora

Filmado em locações no Estado americano de Utah, em 1966, o filme "Sangue em Sonora" trouxe um Marlon Brando estrelando um western de estrutura tradicional, o que de certa forma era um surpresa já que o ator era conhecido não só por seu talento, mas também por sempre procurar trabalhar em projetos mais ousados e polêmicos. O que teria acontecido então para Brando embarcar em um projeto, digamos assim, tão comum? Conforme explicou em sua própria autobiografia "Canções que minha mãe me ensinou" o que o levou a filmes como esse foi a simples necessidade de ganhar muito dinheiro para bancar os problemas financeiros que enfrentou.

Na década de 1960 Brando teve que enfrentar uma incrível série de contratempos. Suas ex-esposas o processaram, a guarda de seus filhos exigia que o ator desembolsasse somas cada vez maiores para pagar os advogados e sua querida ilha Tetiroa só lhe trazia prejuízos. Mal conseguia construir seu hotel um furacão vinha e destruía com tudo. O ator pretendia transformar o local em ponto turístico ambiental mas jamais concretizou seus planos por causa da irascível natureza da região. Assim, atolado com muitas dívidas, Marlon Brando se dispôs a se deslocar para uma locação de díficil acesso para começar as filmagens desse faroeste.

Em seu livro Brando recordou que ficou surpreso ao chegar lá e saber que tinha sido o mesmo local onde John Wayne havia filmado um conhecido western na era de ouro do cinema. O problema era que o local ficava muito próximo de uma base americana de testes nucleares. Para Brando muito provavelmente foi nesse local que John Wayne teria sido contaminado por depósitos de lixo nuclear (urânio), o que teria sido decisivo para o desenvolvimento do câncer que vitimaria o veterano ator anos depois. Brando afirmaria depois: "Não deixava de ser uma ironia o fato do grande defensor da indústria armamentista nuclear norte-americana ter sido morto justamente por ter sido contaminado por seu lixo deixado no local". Não era novidade para ninguém que ambos os atores se detestavam na vida pessoal, pois Brando era um típico liberal enquanto John Wayne era um defensor ferrenho dos ideais do partido Republicano, símbolo do conservadorismo nos Estados Unidos.

Deixando de lado todos esses problemas de egos tão comuns nos grandes atores de cinema, vamos ao filme em si. Como afirmei antes o filme tem uma estrutura comum e simples. O diretor Sidney J Furie não quis arriscar muito, até porque na época não passava de um novato com poucos filmes significantes no currículo. Trabalhar com Marlon Brando também não era nada fácil, pois o ator tinha um histórico de problemas com diretores nos sets de filmagens. A sorte de Furie foi que na ocasião Brando estava envolvido em tantos problemas pessoais que simplesmente não quis infernizar ainda mais sua vida com confusões de bastidores no set de filmagens.

Assim os trabalhos transcorreram sem grandes incidentes, tudo resultando em um filme que é um bom western, embora muito longe do que se esperaria de um gênio da atuação como Brando. Na realidade só existem dois bons momentos para Brando em toda a (curta) duração do filme. A cena inicial do filme, por exemplo, com Brando na Igreja, gera bons momentos ao roteiro, porém a melhor parte acontece depois quando Brando enfrenta o vilão Chuy Medina (interpretado por um irreconhecível John Saxon) na taberna. A queda de braço com escorpiões realmente foi uma excelente idéia, que casou muito bem com a proposta do filme que no fundo não passava de um Western de rotina com altas doses de Tequila. "Sangue em Sonora" não é nem de longe o mais brilhante momento do mito Brando nas telas nos anos 1960, mas mantém o interesse e diverte, o que no final é o que realmente importa.

Sangue em Sonora (The Appaloosa, Estados Unidos, 1966) Direção: Sidney J. Furie / Roteiro: James Bridges, Roland Kibbee / Elenco: Marlon Brando, Anjanette Comen, John Saxon / Sinopse: Matt Fletcher (Marlon Brando) chega em uma cidade perdida na fronteira entre EUA e México. Lá pretende encontrar com um amigo do passado que agora está casado e com família. Os eventos porém se interpõe em seu caminho o lançando em uma luta de proporções gigantescas com bandoleiros e patifes que infestam a região. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (John Saxon).

Pablo Aluísio.

A Lenda do Cavaleiro Fantasma

Não é tão comum a simbiose de filmes com temática sobrenatural e westerns. Esse “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” se propõe a isso. O filme começa com uma família de pioneiros no meio do deserto. Surgindo no horizonte eles são atacados por um grupo de malfeitores que os atacam e cometem atos de barbaridade. O pai é logo morto de forma sádica, a mãe é estuprada e o filho mais velho (apenas um garotinho) é também assassinado de forma impiedosa pelo líder da gangue, Blade (Robert McRay). Após eles irem embora a mãe e sua filha, as únicas sobreviventes, chegam finalmente numa pequenina cidade no meio do deserto. Sedentas e arrasadas pelo ataque dos bandidos elas conseguem ajuda de um velho comerciante, dono de uma pequena mercearia, que infelizmente lhes avisam que o mesmo bando de Blade domina também a cidade, tendo eliminado o xerife e o juiz do local. Rezando por ajuda os moradores honestos acabam sendo atendidos com o surgimento de um cavaleiro misterioso que surge do nada, para enfrentar os facínoras que aterrorizam a todos os cidadãos.

“A Lenda do Cavaleiro Fantasma” então passa a usar a figura misteriosa desse cavaleiro que não fala, não mostra qualquer sinal de emoção ou interatividade. Com longos cabelos ao vento mais parece uma assombração do que qualquer outra coisa. O filme obviamente usa de todos os clichês do western, alguns de forma bem descarada, mas a despeito de tudo isso consegue ser eficiente, mantendo a atenção do espectador. Com duração curta, “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” não chega a aborrecer em nenhum momento e ganha bastante com um roteiro enxuto, sem maiores delongas. A figura do cavaleiro fantasma deixa um pouco a desejar e em muitos momentos é mal aproveitada, surgindo em plena luz do dia, por exemplo, mas no saldo final até que vale a pena ver esse western sobrenatural. Arrisque!

A Lenda do Cavaleiro Fantasma (Legend of the Phantom Rider, Estados Unidos, 2002) Direção: Alex Erkiletian / Roteiro: Robert McRay / Elenco: Denise Crosby, Robert McRay, Stefan Gierasch / Sinopse: Cidade aterrorizada por um grupo de malfeitores se enche de esperança com a chegada de um misterioso cavaleiro errante que começa a defender os moradores das barbarides cometidas pelos bandidos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O Pecado Mora ao Lado

O Pecado Mora ao Lado 
O filme O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch) foi lançado em 3 de junho de 1955, dirigido por Billy Wilder e estrelado por Marilyn Monroe, Tom Ewell, Evelyn Keyes, Sonny Tufts, Robert Strauss e Oscar Homolka. Baseado na peça teatral de George Axelrod, o filme acompanha Richard Sherman, um executivo de meia-idade que permanece sozinho em Nova York durante o verão enquanto sua esposa e filho viajam de férias. Sentindo-se entediado e vulnerável às tentações, ele passa a fantasiar sobre infidelidade quando uma jovem e belíssima vizinha se muda para o apartamento acima do seu. A presença da mulher desperta nele desejos, inseguranças e uma série de situações cômicas. O filme explora o comportamento masculino, fantasias românticas e o medo da monotonia no casamento. Billy Wilder utiliza humor inteligente e ironia para tratar de temas delicados para a época. A personagem de Marilyn Monroe tornou-se um símbolo de sensualidade e charme inocente. A famosa cena do vestido branco sobre a saída de ar do metrô entrou para a história do cinema. Assim, O Pecado Mora ao Lado consolidou-se como uma das grandes comédias americanas dos anos 1950.

Quando foi lançado, O Pecado Mora ao Lado recebeu uma recepção crítica muito positiva, especialmente por seu humor sofisticado e pela presença magnética de Marilyn Monroe. O The New York Times descreveu o filme como “uma comédia espirituosa e extremamente divertida, conduzida com habilidade por Billy Wilder”. Já o Los Angeles Times destacou que Monroe possuía “um carisma quase hipnótico diante das câmeras”. A revista Variety comentou que o longa era “uma adaptação inteligente e elegante de uma peça teatral de enorme sucesso”. Muitos críticos elogiaram o roteiro afiado e os diálogos repletos de ironia. A atuação de Tom Ewell também recebeu reconhecimento por seu talento cômico e timing preciso. Billy Wilder foi amplamente elogiado por conseguir equilibrar sensualidade e humor sem ultrapassar os limites impostos pela censura da época. A crítica percebeu o filme como uma sátira bem-humorada sobre o casamento e os desejos masculinos. Assim, o longa conquistou aclamação significativa entre especialistas.

A repercussão crítica continuou forte nos anos seguintes, especialmente pela transformação da cena do vestido branco em um dos momentos mais famosos da história do cinema. Embora o filme não tenha sido um grande destaque no Oscar, ele recebeu indicações importantes, incluindo uma nomeação ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia. Publicações como The New Yorker destacaram a habilidade de Billy Wilder em transformar uma simples premissa doméstica em uma análise divertida sobre fantasia e repressão sexual na sociedade americana dos anos 1950. Muitos críticos também passaram a considerar o filme um dos melhores exemplos da comédia sofisticada hollywoodiana do período pós-guerra. A atuação de Marilyn Monroe foi reavaliada ao longo do tempo, sendo vista não apenas como símbolo sexual, mas também como uma atriz de forte presença cômica. Dessa forma, o filme ganhou ainda mais prestígio crítico com o passar das décadas. Sua influência cultural tornou-se enorme.

Do ponto de vista comercial, O Pecado Mora ao Lado foi um grande sucesso de bilheteria. O filme arrecadou valores expressivos para a época e ajudou a consolidar Marilyn Monroe como uma das maiores estrelas de Hollywood. O público compareceu em massa aos cinemas atraído tanto pela fama da atriz quanto pela curiosidade em torno da história considerada ousada para os padrões da década de 1950. A campanha publicitária utilizando a famosa imagem do vestido branco tornou-se extremamente eficaz. O longa teve excelente desempenho nos Estados Unidos e também no mercado internacional. Exibições posteriores na televisão e no mercado doméstico ajudaram a manter sua popularidade viva durante décadas. O filme também se tornou um marco da cultura pop americana. Assim, seu sucesso comercial foi enorme. O Pecado Mora ao Lado consolidou-se como um dos maiores sucessos da carreira de Marilyn Monroe.

Atualmente, O Pecado Mora ao Lado é considerado um clássico absoluto da comédia americana. O filme continua sendo lembrado principalmente pela imagem icônica de Marilyn Monroe sobre a grade do metrô, talvez uma das cenas mais reconhecidas da história do cinema. Críticos modernos elogiam a direção elegante de Billy Wilder e o humor inteligente do roteiro. O longa também é visto como um retrato interessante das ansiedades masculinas e dos costumes sociais dos anos 1950. A performance de Monroe permanece fascinante para novas gerações de espectadores. Muitos estudiosos do cinema destacam como a atriz combinava sensualidade, vulnerabilidade e comicidade de maneira única. O filme segue influenciando comédias românticas e sátiras conjugais até hoje. Dessa forma, sua reputação permanece extremamente sólida. O Pecado Mora ao Lado continua sendo uma obra essencial do cinema clássico hollywoodiano.

O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, Estados Unidos, 1955) Direção: Billy Wilder / Roteiro: Billy Wilder e George Axelrod, baseado na peça teatral de George Axelrod / Elenco: Marilyn Monroe, Tom Ewell, Evelyn Keyes, Sonny Tufts, Robert Strauss e Oscar Homolka / Sinopse: Durante as férias da família, um homem casado passa a fantasiar sobre sua bela vizinha, envolvendo-se em situações cômicas enquanto enfrenta tentações e inseguranças pessoais. 

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Quem Era Aquela Pequena?

Quem Era Aquela Pequena? 
O filme Quem Era Aquela Pequena? (Who Was That Lady?) foi lançado em 14 de abril de 1960, dirigido por George Sidney e estrelado por Tony Curtis, Janet Leigh, Dean Martin, James Whitmore, Barbara Nichols e Larry Storch. A história acompanha David Wilson, um professor universitário casado que é flagrado por sua esposa em uma situação comprometedora com uma estudante. Desesperado para salvar seu casamento, ele pede ajuda ao amigo Michael Haney, um roteirista de televisão conhecido por suas mentiras criativas e comportamento mulherengo. Michael inventa então uma história absurda: David seria um agente secreto trabalhando para o governo e o suposto encontro romântico faria parte de uma missão secreta. O problema é que a mentira começa a crescer fora de controle, levando os personagens a uma sequência de confusões envolvendo espionagem, perseguições e situações cômicas. O filme mistura comédia romântica e sátira de espionagem, antecipando o estilo de humor que se tornaria popular na década seguinte. A química entre Tony Curtis e Janet Leigh, casados na vida real na época, contribui para o charme da produção. Assim, Quem Era Aquela Pequena? apresenta uma divertida combinação de romance, humor e absurdos.

Quando foi lançado, o filme recebeu uma recepção crítica mista para positiva. O The New York Times comentou que o filme era “uma comédia leve e extravagante que depende fortemente do carisma de seus astros”. Já o Los Angeles Times destacou a energia do elenco, afirmando que Tony Curtis e Dean Martin “mantêm o ritmo da narrativa com charme e comicidade natural”. A revista Variety descreveu o longa como “uma farsa divertida, ainda que excessivamente exagerada em alguns momentos”. Muitos críticos elogiaram o timing cômico dos protagonistas e o tom descontraído do roteiro. A atuação de Dean Martin recebeu atenção especial por seu estilo relaxado e irônico. Entretanto, alguns especialistas consideraram a trama exageradamente absurda, mesmo para os padrões de uma comédia farsesca. Ainda assim, o filme foi visto como entretenimento eficiente e leve. Dessa forma, a recepção crítica foi razoavelmente favorável, especialmente entre os admiradores das comédias hollywoodianas da época.

Com o passar dos anos a película passou a ser lembrado principalmente pelo encontro de três grandes estrelas populares do período: Tony Curtis, Janet Leigh e Dean Martin. Embora o filme não tenha recebido indicações importantes ao Oscar ou ao Globo de Ouro, ele foi apreciado por críticos que admiravam as comédias sofisticadas e caóticas produzidas por Hollywood no início dos anos 1960. Publicações como The New Yorker destacaram posteriormente que o filme possuía “uma energia divertida e um espírito quase cartunesco”. Muitos estudiosos também observam como a obra satiriza a paranoia da espionagem em plena Guerra Fria, pouco antes da explosão cultural dos filmes de James Bond. A direção de George Sidney foi elogiada por manter o ritmo acelerado das confusões. A química real entre Tony Curtis e Janet Leigh também continua sendo um dos pontos mais comentados do longa. Assim, o filme acabou conquistando certo status cult entre fãs das comédias clássicas americanas.

Do ponto de vista comercial teve um desempenho sólido nas bilheterias. O filme beneficiou-se enormemente da popularidade de Tony Curtis e Janet Leigh, que eram um dos casais mais famosos de Hollywood naquele período. Dean Martin também ajudou a atrair público graças ao enorme sucesso que fazia como cantor e ator. Embora não tenha sido um blockbuster histórico, o longa conseguiu boa arrecadação nos Estados Unidos e desempenho satisfatório em mercados internacionais. O público respondeu positivamente ao humor leve e às situações absurdas da trama. Exibições televisivas posteriores ajudaram a manter a popularidade do filme ao longo das décadas. Além disso, o longa passou a ser frequentemente exibido em sessões dedicadas a clássicos da comédia hollywoodiana. Assim, seu desempenho comercial foi considerado positivo. O filme encontrou seu espaço como uma divertida produção estrelada por grandes nomes da época.

Atualmente, é visto como uma curiosa e divertida comédia clássica do início dos anos 1960. O filme continua sendo apreciado principalmente pelo carisma de seu elenco principal. Críticos modernos destacam o charme das produções hollywoodianas daquele período, marcadas por humor sofisticado, glamour e ritmo acelerado. A presença conjunta de Tony Curtis e Janet Leigh desperta interesse adicional por representar um momento importante da vida pessoal e profissional do casal. O longa também é lembrado como um exemplo do tipo de comédia exagerada que antecedeu as grandes paródias de espionagem das décadas seguintes. Embora não seja considerado uma obra-prima, o filme mantém um público fiel entre admiradores do cinema clássico americano. Seu tom leve e descontraído continua funcionando para muitos espectadores. Dessa forma, sua reputação permanece simpática e nostálgica. Quem Era Aquela Dama? segue como uma agradável comédia do período dourado de Hollywood.

Quem Era Aquela Pequena? (Who Was That Lady?, Estados Unidos, 1960) Direção: George Sidney / Roteiro: Norman Krasna, baseado na peça teatral de Norman Krasna / Elenco: Tony Curtis, Janet Leigh, Dean Martin, James Whitmore, Barbara Nichols e Larry Storch / Sinopse: Um professor tenta salvar seu casamento inventando, com ajuda de um amigo, que trabalha como agente secreto do governo, mas a mentira gera uma série de confusões e situações absurdas.

Pablo Aluísio e Erick Steve.