Título Original: From Beyond the Grave
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: Amicus Productions
Direção: Kevin Connor
Roteiro: R. Chetwynd-Hayes, Raymond Christodoulou
Elenco: Peter Cushing, Ian Bannen, Ian Carmichael, Donald Pleasence, Diana Dors, Margaret Leighton
Sinopse:
Vários contos de terror, todos centrados nos personagens que entram numa loja de antiguidades de propriedade do sinistro dono interpretado por Peter Cushing. São quatro os contos: "The Gate Crasher", "An Act of Kindness", "The Elemental" e "The Door".
Comentários:
Peter Cushing empresta todo seu carisma para esse filme que de certa forma acabou se tornando um dos últimos suspiros da velha fórmula de se fazer filmes de terror. Afinal já eram os anos 70, diretores como Steven Spielberg e George Lucas estavam surgindo e com eles toda uma nova leva de cineastas que iriam mudar os conceitos de filmes de fantasia, ficção e terror. Por essa razão "Vozes do Além" é um achado com seu estilo retrô, nostálgico, de se produzir fitas de terror. A fotografia, os cenários e os figurinos são todos feitos para dar aquele clima de algo antigo, sinistro, enterrado em covas profundas, ao espectador. Os objetos parecem ter saídos de alguma casa mal assombrada, de alguma cova putrefata, de terem pertencido a algum falecido. Nada mais assustador (e divertido). O resultado é muito bom, adequado aos cinéfilos que adoram aquele velho modo de assustar o público.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Lobisomens Sobre Rodas
Título Original: Werewolves on Wheels
Ano de Produção: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: South Street Films
Direção: Michel Levesque
Roteiro: David M. Kaufman, Michel Levesque
Elenco: Steve Oliver, Donna Anders, Gene Shane
Sinopse:
Um grupo de motoristas no estilo dos Hell's Angels (mas neste caso, chamado The Devil's Advocate), percorre o sudoeste dos Estados Unidos procurando encrenca, bebendo cerveja e assustando os velhinhos. Ao se encrencarem com uma seita demoníaca (!) são "amaldiçoados" e começam a morrer de forma misteriosa...
Comentários:
Fime de drive-in. Por essa época, começo dos anos 1970, esse tipo de cinema onde o sujeito entrava com seu carro em uma grande área aberta com um telão na frente já estava em franca decadência mas ainda resistia em cidades empoeiradas do interior americano. O preço era a metade de um cinema normal então os filmes exibidos geralmente eram porcarias trashs feitas a toque de caixa. "Werewolves on Wheels" foi apenas mais um dos quatro filmes dirigidos por Michel Levesque, todos trashs. Pior do que colocar lobisomens andando de motos só "Sweet Sugar", seu filme seguinte, que não tinha roteiro nenhum, só um monte de garotas de bikinis andando seminuas nas praias da Costa Rica. Afinal quem precisa de algo a mais do que isso?"
Pablo Aluísio.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Hollywood Boulevard - John Wayne - Parte 20
Em 1952 John Wayne realizou apenas dois filmes, um número bem abaixo do que ele estava acostumado a trabalhar em Hollywood. Aos 44 anos de idade ele queria se desenvolver melhor como ator, sem ficar muito preso apenas aos filmes de faroeste, guerra ou aventura. Acabou contando para isso com o sempre amigo e parceiro John Ford. A produção em andamento se chamava "The Quiet Man" (no Brasil o filme recebeu o título de "Depois do Vendaval"). O ator leu o roteiro e adorou! Aquele tipo de personagem era justamente o que Wayne tanto procurava.
No começo o diretor John Ford não tinha muita certeza se John Wayne era o ator ideal para fazer o filme. Na realidade ele queria Clark Gable no papel principal. Depois de uma ou duas semanas de hesitação ele finalmente resolveu arriscar a assinou com Wayne. No primeiro dia de filmagens Wayne ficou um pouco nervoso pois seu papel trazia muitos desafios. Só que logo encontrou o tom certo para interpretar seu personagem chamado Sean Thornton. Ao seu lado no set de filmagens estava a colega e amiga Maureen O'Hara. O filme era uma produção muito diferente dos tradicionais westerns e filmes de guerra que havia marcado a carreira recente do ator. Wayne interpretava um americano de origem irlandesa que retornava à Irlanda e acabava se envolvendo em um romance com Mary Kate Danaher, personagem de O'Hara. A produção tornou-se uma das obras mais importantes da parceria entre Wayne e Ford.
Ao chegar nos cinemas o resultado foi espetacular para Wayne e Ford. Sucesso de público e crítica, o filme chegou a ser indicado a dez categorias no Oscar! Isso nunca havia acontecido antes com John Wayne em sua longa carreira. Ele ficou bastante orgulhoso e chegou a dizer em uma entrevista: "Mal posso acreditar no que está acontecendo! Nem em minhas mais altas expectativas poderia pensar que isso poderia acontecer!". Já John Ford acabou vencendo o Oscar de melhor diretor. Ele agradeceu publicamente a John Wayne por seu trabalho no filme. Foi um grande êxito para a dupla.
Com tantas coisas acontecendo, Wayne mal teve tempo para terminar seu segundo filme nesse ano. Chamado no Brasil de "Uma Aventura Perigosa" (Big Jim McLain, 1952), as filmagens precisaram ser interrompidas várias vezes para que John Wayne comparecesse em festas, festivais e premiações envolvendo o filme anterior. Dirigido por Edward Ludwig, John Wayne interpretava aqui um personagem chamado Jim McLain, um investigador ligado ao Comitê de Atividades Antiamericanas em atuação no Havaí. Era um tema sensível, mas Wayne nunca havia escondido que apoiava o banimento de agentes ligados ao comunismo radical em Hollywood. Talvez por essa razão o filme não tenha chegado nem perto do èxito comercial e de crítica se comparado a "Depois do Vendaval". Para muitos foi um verdadeiro erro cometido por Wayne, logo após um de seus melhores momentos na carreira.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
A Embriaguez do Sucesso
Título no Brasil: A Embriaguez do Sucesso
Título Original: Sweet Smell of Success
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Alexander Mackendrick
Roteiro: Clifford Odets, Ernest Lehman
Elenco: Burt Lancaster, Tony Curtis, Susan Harrison, Martin Milner, Jeff Donnell, Sam Levene
Sinopse:
Poderoso, mas antiético, colunista da Broadway J.J. Hunsecker (Burt Lancaster) obriga o inescrupuloso agente de imprensa Sidney Falco (Tony Curtis) a terminar o romance de sua irmã com um músico de jazz. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de melhor ator (Tony Curtis).
Comentários:
Excelente filme clássico onde a dupla central de atores surpreende. Burt Lancaster era visto como um herói dos filmes de aventura. Ele começou sua carreira no circo e se tornou famoso no cinema por causa de seus personagens atléticos, cheios de força e honestidade. Já Tony Curtis foi um dos galãs mais populares de sua época. Ele tinha um raro talento para comédias românticas, onde seu tipo se encaixava perfeitamente bem. Pois tanto Lancaster como Curtis decidiram deixar essas imagens para trás nesse filme. Aqui eles interpretam tipos asquerosos e sem ética, que usam de tudo para manipular as pessoas, atingindo assim seus objetivos nada nobres. É uma disputa de sordidez para ver quem é o mais inescrupuloso, o mais mau-caráter dos dois. Para atores que construíram suas carreiras em cima da imagem de protagonistas bonzinhos foi uma mudança e tanto. O filme também surpreende pela qualidade. A fotografia em bonito preto e branco captou as ruas reais de Nova Iorque, fugindo do esquema de filmagem dentro de estúdios que era tão comum em Los Angeles. Isso trouxe um realismo incrível ao filme. Enfim, uma ótima amostra de ousadia na era de ouro em Hollywood, em um filme onde não havia protagonistas, mas apenas antagonistas. Foi um serviço completo de vilania e bom cinema.
Pablo Aluísio.
Título Original: Sweet Smell of Success
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Alexander Mackendrick
Roteiro: Clifford Odets, Ernest Lehman
Elenco: Burt Lancaster, Tony Curtis, Susan Harrison, Martin Milner, Jeff Donnell, Sam Levene
Sinopse:
Poderoso, mas antiético, colunista da Broadway J.J. Hunsecker (Burt Lancaster) obriga o inescrupuloso agente de imprensa Sidney Falco (Tony Curtis) a terminar o romance de sua irmã com um músico de jazz. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de melhor ator (Tony Curtis).
Comentários:
Excelente filme clássico onde a dupla central de atores surpreende. Burt Lancaster era visto como um herói dos filmes de aventura. Ele começou sua carreira no circo e se tornou famoso no cinema por causa de seus personagens atléticos, cheios de força e honestidade. Já Tony Curtis foi um dos galãs mais populares de sua época. Ele tinha um raro talento para comédias românticas, onde seu tipo se encaixava perfeitamente bem. Pois tanto Lancaster como Curtis decidiram deixar essas imagens para trás nesse filme. Aqui eles interpretam tipos asquerosos e sem ética, que usam de tudo para manipular as pessoas, atingindo assim seus objetivos nada nobres. É uma disputa de sordidez para ver quem é o mais inescrupuloso, o mais mau-caráter dos dois. Para atores que construíram suas carreiras em cima da imagem de protagonistas bonzinhos foi uma mudança e tanto. O filme também surpreende pela qualidade. A fotografia em bonito preto e branco captou as ruas reais de Nova Iorque, fugindo do esquema de filmagem dentro de estúdios que era tão comum em Los Angeles. Isso trouxe um realismo incrível ao filme. Enfim, uma ótima amostra de ousadia na era de ouro em Hollywood, em um filme onde não havia protagonistas, mas apenas antagonistas. Foi um serviço completo de vilania e bom cinema.
Pablo Aluísio.
domingo, 13 de setembro de 2026
Henrique VIII - O Monarca Corrompido
Henrique VIII foi o símbolo máximo do sistema absolutista monárquico na Europa. Sua vontade era a Lei, todos que lhe fizessem oposição eram punidos com a morte. Havia até mesmo uma máxima aplicada pelos tribunais ingleses que dizia: "O Rei nunca está errado. O Rei sempre está certo!". Claro, puro absurdo! Certa vez Montesquieu afirmou: “É uma experiência eterna: todo homem que tem poder é levado a abusar dele; ele vai até onde venha a encontrar limites”. A história nos prova bem isso, o autor do clássico livro O Espírito das Leis (1748) estava mais do que certo. O Iluminismo foi uma fonte de sabedoria única na história da humanidade.
E a história de Henrique VIII provou muito bem a teoria do mestre francês. O monarca inglês foi um tirano que acabou a vida completamente corrupto, criminoso e corrompido. E isso até hoje causa surpresa nos historiadores. Estudando a vida dos anos iniciais do Rei eles percebem que ele começou sua vida política como um jovem muito íntegro, religioso e misericordioso. Escreveu até mesmo tratados de teologia afirmando a força da bondade! Era visto como até mesmo um poeta entre as classes mais populares. O povo o admirava, sendo que sempre era saudado pelas multidões por onde passava. A Inglaterra estava em boas mãos com aquele rapaz honrado e muito bondoso para com o povo! - diziam todos.
Só que isso foi em sua juventude. Conforme o tempo foi passando Henrique VIII jogou todos os seus princípios éticos e religiosos da juventude fora! Ele foi se tornando cruel ao máximo, mandando executar várias de suas esposas, se entregando aos prazeres mundanos, até a transformação em um homem completamente vil e sem escrúpulos. Virou o tirano que um dia havia criticado tanto. Abusou do poder máximo que tinha das piores formas possíveis! Rompeu com o Papa em Roma, tomou os bens da Igreja Católica, mandou perseguir e matar as pessoas do povo que não fossem para a Igreja que ele mesmo fundou (chamada de Igreja Anglicana). Não satisfeito massacrou membros do clero católico e decaptou milhares que não renunciaram à sua fé original. Seu decreto era simples de entender: Ou se tornava anglicano ou seria punido com pena de morte pelo Rei! E tudo porque o Papa da época não quis lhe dar o divórcio de sua esposa, que não conseguia lhe dar o tão aguardado herdeiro masculino ao trono.
Henrique terminou seus dias com muito sangue em suas mãos, inclusive de muitas de suas esposas. O caso mais conhecido foi o de Ana Bolena. O Rei acusou ela de infidelidade, algo que todos na corte sabiam ser mentira. Mandou cortar sua cabeça na Torre de Londres. Por uma ironia do destino a futura Rainha da Inglaterra iria ser justamente Elizabeth I, filha de Bolena. Os dias finais de Henrique VIII foram horríveis. Ele apodreceu em vida. Extremamente obeso, acamado, com uma ferida na perna que nunca cicatrizava. Relatos de cronistas da época dizem que o cheiro no quarto do monarca era insuportável. Sempre de péssimo humor, Henrique não aceitava sentir qualquer desgosto, decepção ou raiva! Quando isso acontecia mandava logo cortar a cabeça do infeliz que lhe ajudava no quarto onde sucumbia e que não havia obedecido direito suas ordens. Suas palavras preferidas agora eram: Cortem sua cabeça! - gritava o Rei a plenos pulmões! Com o passar das semanas nenhum membro da corte queria mais esse serviço. Era risco de morte!
Quando finalmente morreu, o povo celebrou nas vilas distantes. O tirano sanguinário havia morrido. Seu funeral foi rápido, pois o corpo estava em decomposição avançada. Ele era tão mal visto por seu povo que seu caixão foi praticamente jogado debaixo de um túnel escuro, numa cripta abaixo de uma igreja. Com o passar dos anos seu caixão rompeu e seu corpo ficou exposto. Era um monarca tão mal visto por todos que ninguém sequer quis consertar essa situação. Ainda hoje o Rei segue ali, abandonado. Entre o povo corria a seguinte frase popular: "Não mexam mais com Henrique. Reforcem as paredes de sua tumba para que ele nunca mais consiga sair dela. Deixem ele onde está, para ser esquecido pela eternidade".
Pablo Aluísio.
sábado, 12 de setembro de 2026
Elvis Presley - Roustabout
Lançado em 20 de outubro de 1964, Roustabout foi o décimo álbum de trilha sonora de Elvis Presley e acompanhou o filme de mesmo nome, no qual o cantor interpretou Charlie Rogers, um motociclista que acaba trabalhando em um parque de diversões itinerante. O disco pertence a uma fase extremamente produtiva da carreira de Elvis, quando seus compromissos cinematográficos faziam com que grande parte de sua produção musical estivesse ligada aos filmes de Hollywood. Mesmo assim, Roustabout apresenta algumas canções bastante interessantes, especialmente a faixa-título, "Roustabout", "Little Egypt" e "There's a Brand New Day on the Horizon". Musicalmente, o álbum combina rock and roll, pop, country e números de entretenimento típicos das trilhas cinematográficas de Elvis. A gravação da trilha ocorreu em Hollywood, com produção de Joseph Lilley e canções compostas por compositores como Fred Wise, Ben Weisman e outros profissionais ligados à produção musical da época. O trabalho também é importante por registrar Elvis em um período de enorme popularidade comercial, mesmo que artisticamente sua carreira estivesse começando a se afastar da força criativa de seus primeiros anos. Roustabout representa, portanto, muito bem a relação cada vez mais estreita entre a carreira cinematográfica e a carreira fonográfica do cantor.
A recepção crítica de Roustabout foi moderada, refletindo a crescente percepção de que as trilhas sonoras de Elvis estavam se tornando mais previsíveis. A Billboard reconheceu o potencial comercial do lançamento e destacou a capacidade de Presley de continuar produzindo material atraente para seu enorme público. A revista observava que a presença de Elvis era suficiente para transformar uma trilha cinematográfica em um produto importante para as lojas de discos. A Cash Box também recebeu o álbum favoravelmente, chamando atenção para a faixa-título e para o apelo comercial do repertório. Entretanto, os críticos começaram a estabelecer uma comparação cada vez mais desfavorável entre esses trabalhos e os primeiros discos de Elvis. A energia e a criatividade do rock dos anos 1950 já não estavam tão presentes, enquanto as exigências dos filmes determinavam cada vez mais o tipo de música que o cantor gravava. A avaliação retrospectiva tornou-se mais crítica, mas também mais contextualizada: especialistas reconhecem que Roustabout não deve ser comparado apenas com os melhores álbuns de Elvis, mas entendido como produto de uma indústria cinematográfica que utilizava sua enorme popularidade para alimentar simultaneamente as bilheterias e as vendas de discos.
A crítica posterior também encontrou qualidades específicas no álbum. A faixa "Little Egypt", por exemplo, tornou-se uma das gravações mais lembradas da trilha e demonstra que Elvis ainda conseguia imprimir personalidade a material relativamente simples. "Roustabout" possui uma sonoridade mais direta e representa melhor a imagem rebelde que o cinema ainda procurava associar ao cantor. Ao mesmo tempo, músicas como "Poison Ivy League" e "Hard Knocks" revelam a natureza mais leve e humorística que dominava muitos dos filmes de Elvis naquele período. Publicações especializadas em sua obra passaram posteriormente a observar que o álbum possui uma importância documental: ele mostra exatamente onde Elvis estava artisticamente em 1964, pouco antes da chegada da Beatlemania e da transformação radical do mercado musical. A imprensa cultural americana, incluindo veículos como o The New York Times e o Los Angeles Times, acompanhava a crescente presença de Elvis no cinema, embora as trilhas sonoras nem sempre recebessem o mesmo tratamento crítico dedicado aos grandes discos de música popular. Hoje, os especialistas tendem a reconhecer que Roustabout não está entre seus trabalhos mais importantes, mas algumas de suas melhores faixas mostram que o cantor ainda possuía recursos vocais e carisma suficientes para elevar material convencional.
Comercialmente, porém, Roustabout foi um grande sucesso. O álbum alcançou o primeiro lugar da Billboard 200 nos Estados Unidos, permanecendo no topo durante duas semanas. Esse resultado foi particularmente impressionante porque ocorreu em 1964, justamente quando os Beatles e outros artistas britânicos começavam a dominar o mercado americano. A trilha sonora conseguiu superar diversos lançamentos importantes da época e tornou-se o último álbum de Elvis nos anos 60 a alcançar o primeiro lugar da parada americana durante sua vida. O single "Roustabout" também teve bom desempenho e chegou ao 47º lugar da Billboard Hot 100. O sucesso comercial demonstrou que, apesar da queda relativa na qualidade de seu repertório, Elvis continuava sendo uma das maiores forças comerciais da indústria fonográfica. A popularidade do filme também ajudou o álbum, criando uma poderosa combinação entre cinema, televisão, rádio e lojas de discos. Roustabout acabaria recebendo certificação de ouro pela RIAA, confirmando vendas superiores a 500 mil cópias nos Estados Unidos. Dessa maneira, o disco representa um dos últimos grandes triunfos comerciais da fase de trilhas sonoras de Elvis.
O legado de Roustabout é hoje bastante particular. Entre os fãs mais dedicados de Elvis, o álbum é lembrado principalmente por representar o auge comercial de uma fórmula que começaria a apresentar sinais cada vez mais evidentes de desgaste. Embora não tenha a importância artística de Elvis Is Back!, From Elvis in Memphis ou mesmo de algumas de suas trilhas anteriores, o disco possui valor histórico por ter chegado ao número 1 da Billboard em um momento de profundas transformações na música popular. "Roustabout" e "Little Egypt" continuam sendo as faixas mais lembradas, enquanto o restante do repertório oferece um retrato bastante fiel do Elvis cinematográfico de 1964. O álbum também ajuda a compreender por que sua carreira precisaria de uma renovação poucos anos depois, quando o especial de televisão de 1968 e as gravações de Memphis recolocariam sua música em primeiro plano. Atualmente, Roustabout é geralmente visto como uma obra secundária, mas interessante dentro de sua discografia. Para os fãs, continua sendo uma peça importante da coleção de trilhas de Hollywood e um documento de uma época em que Elvis ainda conseguia transformar praticamente qualquer lançamento em sucesso comercial.
Elvis Presley - Roustabout (1964)
Roustabout
Little Egypt
Poison Ivy League
Hard Knocks
It's a Wonderful World
Big Love, Big Heartache
One Track Heart
It's Carnival Time
Carny Town
There's a Brand New Day on the Horizon
Wheels on My Heels
Pablo Aluísio e Erick Steve.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
The Beatles - We Can Work It Out
Música: We Can Work It Out
Artista: The Beatles
Álbum: Não lançada originalmente em álbum — primeiro lançamento no single We Can Work It Out / Day Tripper
Selo: Parlophone (Reino Unido); Capitol (Estados Unidos)
Produtor: George Martin
Músicos: Paul McCartney (vocais, baixo); John Lennon (vocais, guitarra acústica, harmônio); George Harrison (pandeiro); Ringo Starr (bateria)
Data de gravação: 20 de outubro de 1965; overdubs e finalização em 29 de outubro de 1965
Data de Lançamento: 3 de dezembro de 1965, Reino Unido; 6 de dezembro de 1965, Estados Unidos
Comentários:
“We Can Work It Out” surgiu em um momento particularmente fértil da carreira dos Beatles, durante as sessões que dariam origem a Rubber Soul. A composição foi desenvolvida principalmente por Paul McCartney, que levou a ideia a John Lennon para que os dois trabalhassem juntos na conclusão da canção. McCartney escreveu essencialmente as estrofes, construídas em torno de um apelo à conciliação, enquanto Lennon contribuiu decisivamente para a seção “Life is very short”, que introduz uma mudança de atmosfera e de andamento. George Harrison também teve participação importante no desenvolvimento do arranjo, sugerindo que essa passagem fosse executada em compasso ternário, criando o característico efeito de valsa. A letra apresenta uma discussão amorosa sob a perspectiva de duas pessoas que enxergam uma situação de maneiras diferentes, mas ainda acreditam ser possível salvar o relacionamento. Embora frequentemente relacionada à vida pessoal de McCartney, especialmente ao seu relacionamento com Jane Asher, a canção funciona também como uma reflexão universal sobre conflitos afetivos, comunicação e compromisso. Musicalmente, a combinação entre o pop melódico de McCartney e a intervenção mais impaciente de Lennon é uma das suas grandes virtudes. O harmônio tocado por Lennon acrescenta uma sonoridade incomum ao repertório dos Beatles, enquanto a mudança para o ritmo de valsa dá à composição uma dimensão dramática e sofisticada. O resultado demonstra como o grupo estava rapidamente ampliando os limites da canção pop convencional.
A gravação também revela o crescente interesse dos Beatles em utilizar o estúdio como parte fundamental do processo criativo. Em 20 de outubro de 1965, o grupo registrou a faixa básica e trabalhou durante quase onze horas na música, naquele momento o período mais longo que havia dedicado a uma única canção. Os trabalhos continuaram em 29 de outubro, com overdubs e mixagem. O resultado foi lançado como lado A de um dos primeiros grandes singles em que duas músicas receberam tratamento de dupla face A, ao lado de “Day Tripper”. A recepção comercial foi extraordinária: o single chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e também alcançou o topo das paradas norte-americanas, tornando-se o sexto single consecutivo dos Beatles a atingir o número um nos Estados Unidos. Mais importante ainda, “We Can Work It Out” consolidou a capacidade do grupo de transformar experiências pessoais e conflitos cotidianos em canções acessíveis a milhões de pessoas. A alternância entre a seção pop de McCartney e o trecho em três tempos associado a Lennon tornou-se uma de suas características mais reconhecíveis. A canção permanece como um excelente exemplo da complementaridade existente entre os dois principais compositores dos Beatles, mostrando como suas personalidades musicais diferentes podiam produzir algo maior quando combinadas. Seu legado está justamente nessa capacidade de unir melodia, experimentação e uma mensagem extremamente simples sobre diálogo e compreensão, características que ajudaram a fazer de “We Can Work It Out” uma das composições mais duradouras da fase clássica dos Beatles.
Erick Steve.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Hamnet - A Vida Depois de Hamlet
Título Original: Hamnet
Ano de Lançamento: 2025
País: Reino Unido
Estúdio: Focus Features
Direção: Chloé Zhao
Roteiro: Chloé Zhao, Maggie O'Farrell
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Jacobi Jupe, Joe Alwyn, Justine Michell, Eva Wishart
Sinopse:
O jovem autor de peças de teatro William Shakespeare se apaixona por uma vizinha chamada Agnes. Ela tem um comportamento meio fora dos padrões, pois adora ir para a floresta, se sentindo integrada com a força da natureza. De qualquer forma acabam se casando numa união que vai ser marcada por muitos sofrimentos, dramas e perdas, entre elas a dolorida morte do filho, um garoto chamado Hamnet.
Comentários:
Noventa por cento do que vemos nesse filme é ficção! Os historiadores apenas sabem que William Shakespeare realmente perdeu seu filho, um garoto chamado Hamnet. Essa é a informação crua que chegou até nossos dias. Não sabemos como era o relacionamento dele com a esposa, as circunstâncias corretas da morte do menino, se ele realmente se inspirou em Hamnet para escrever sua peça imortal Hamlet e tudo mais. Afinal o roteiro desse filme foi escrito a partir de um romance, muito bem escrito, baseado em teses históricas até bem interessantes, mas nada muito além disso. Não sabemos sobre toda a verdade histórica. Isso se perdeu nas areias do tempo. Esse aspecto porém não desmerece o filme em nada. Eu gostei muito! É um drama romântico com um realismo que ás vezes até mesmo incomoda. Tenta imaginar como seria a vida cotidiana das pessoas, das famílias que viveram naqueles tempos. E a família Shakespeare não era diferente em nada das demais. Ele era um artista, que sofria para sustentar sua casa, indo trabalhar em outra cidade, sofrendo as durezas e os fardos da vida. Pensando bem, essa é a grande qualidade desse filme, transportar o espectador para um mundo que já não existe há séculos. Enfim, outro bom drama histórico que vale muito a pena assistir.
Pablo Aluísio.
A História Verdadeira
Título Original: True Story
Ano de Lançamento: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Regency Enterprises
Direção: Rupert Goold
Roteiro: Rupert Goold, David Kajganich
Elenco: James Franco, Jonah Hill, Felicity Jones, Maria Dizzia, Ethan Suplee, Conor Kikot
Sinopse:
Michael Finkel (Jonah Hill) é um renomado jornalista do New York Times. Durante uma matéria investigativa ele altera fatos, esconde determinadas verdades e assim cai em desgraça. Acaba sendo demitido. Sua chance de redenção surge quando decide contar a história de um assassino que está no corredor da morte chamado Christian Long (Franco).
Comentários:
Um filme para quem gosta desse gênero que atualmente passou a ser conhecido como True Crime, contando uma história baseada em fatos reais. Um jornalista e um assassino condenado à morte se unem para a elaboração de um livro que vai contar toda a história de um crime terrível. O personagem de James Franco é um criminoso condenado à morte. Ele foi julgado por ter matado toda a sua família. Só que mesmo no corredor da morte ele ainda alega inocência. Jonah Hill interpreta o personagem do jornalista. Ele vai escrever esse livro, contando tudo, esperando assim voltar ao meio do qual foi praticamente expulso após mentir numa reportagem de capa do New York Times. O espectador é manipulado pelo bom roteiro. Ora ficamos com a impressão de que se trata de um assassino frio e calculista, ora achamos que se trata de um homem inocente. E assim o filme vai jogando com as circunstâncias do caso. Como eu sempre gosto de dizer esse mundo do direito criminal é mesmo para quem tem coragem e espírito forte. E o filme bem demonstra isso ao jogar com os detalhes do suposto crime. Gostei bastante do filme e deixo assim minha recomendação.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
O Mandaloriano e Grogu
Título Original: Star Wars: The Mandalorian and Grogu
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Disney, Lucasfilm
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau, Dave Filoni
Elenco: Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Jeremy Allen White, Jonny Coyne, Matthew Willig, Steve Blum
Sinopse:
O Mandaloriano e seu fiel escudeiro, o Grogu, são contratados para uma perigosa missão na terra dos Hutts, os maiores criminosos e vilões do universo. A Força Rebelde quer que eles localizem e salvem o filho de Jabba, que supostamente estaria sendo feito de prisioneiro por um corrupto promotor de lutas violentas em um planeta onde impera o submundo do crime. A dupla não demora muito a perceber que essa não será uma missão fácil, muito pelo contrário.
Comentários:
Depois de sete longos anos a marca "Star Wars" voltou aos cinemas. E muitos fãs ficaram bem decepcionados. Eles queriam a continuidade das histórias próprias da franquia cinematográfica, mas ao invés disso. a Disney resolveu fazer um filme com os personagens da série "O Mandaloriano". Eu até entendo porque essa série foi uma das poucas que realmente fez sucesso no universo do streaming. E obviamente vendeu muitos brinquedos por causa do "Baby Yoda" (Grogu). Então a Disney resolveu apostar nas cartas que já tinham dado certo nesse jogo de muita concorrência. Só que vamos ser sinceros, esse filme não passa de um episódio estendido da série de televisão. É bem feito, bem produzido, tem muitos bichinhos fofinhos e brinquedos ambulantes, mas em momento nenhum empolga ou causa qualquer tipo de surpresa ao espectador. É mais do mesmo. A única coisa que achei bem estranha nessa nova produção foi aquele filho do Jabba, o Hutt, um dos maiores vilões da trilogia original. Aqui seu filho não tem a maldade do pai, muito pelo contrário, é gente boa, super amigão, um típico jovem da geração Z. Até músculos desfila nos campos de combate! Sim, um Hutt musculoso... Pois é, "Star Wars" não escapou dos novos tempos e nem da Disney, obviamente...
Pablo Aluísio.
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