segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Lawrence da Arábia

Lawrence da Arábia
Lançado em 10 de dezembro de 1962, Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia) foi dirigido por David Lean e estrelado por Peter O'Toole, ao lado de Omar Sharif, Alec Guinness, Anthony Quinn e Jack Hawkins. O filme retrata a trajetória do oficial britânico T. E. Lawrence durante a Primeira Guerra Mundial, quando se envolve profundamente na Revolta Árabe contra o Império Otomano. A narrativa combina aventura épica, drama psicológico e reflexão política, acompanhando a transformação do protagonista à medida que ele se torna figura simbólica e controversa no conflito. O ponto de partida dramático está na missão diplomática de Lawrence no deserto, que evolui para liderança militar e questionamentos internos sobre identidade, lealdade e ambição, sem antecipar os desdobramentos finais de sua jornada.

Na época do lançamento, a recepção crítica foi extremamente entusiasmada. O The New York Times descreveu o filme como “um dos espetáculos mais grandiosos já realizados”, elogiando sua escala monumental e a complexidade do personagem central. Já o Los Angeles Times destacou a fotografia deslumbrante do deserto e a atuação magnética de Peter O'Toole, cuja performance foi considerada revelação internacional. A revista Variety apontou a produção como um marco do cinema épico, ressaltando a combinação de ambição histórica e profundidade psicológica. O The New Yorker comentou que a obra transcendia o gênero de guerra ao explorar as contradições morais do imperialismo e da liderança carismática. Apesar de sua longa duração — superior a três horas e meia na versão original — o consenso crítico consolidou-se como amplamente positivo, reconhecendo o filme como realização artística de grande porte.

No campo comercial, Lawrence da Arábia obteve forte desempenho internacional, arrecadando cifras expressivas para a época e consolidando-se como sucesso de bilheteria. Produzido com orçamento elevado, o filme recuperou o investimento e tornou-se um dos grandes eventos cinematográficos dos anos 1960. Além disso, conquistou sete Oscars, incluindo melhor filme e melhor direção, reforçando sua importância histórica e artística. Com o passar das décadas, Lawrence da Arábia manteve reputação de clássico incontestável do cinema mundial. Restaurado diversas vezes para preservar sua qualidade visual, o filme é frequentemente citado em listas dos maiores filmes de todos os tempos. A direção de David Lean, a trilha sonora memorável de Maurice Jarre e a interpretação intensa de Peter O'Toole continuam sendo referências obrigatórias quando se discute o auge do cinema épico histórico.

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, Reino Unido/Estados Unidos, 1962) Direção: David Lean / Roteiro: Robert Bolt e Michael Wilson (baseado nos escritos de T. E. Lawrence) / Elenco: Peter O'Toole, Omar Sharif, Alec Guinness, Anthony Quinn, Jack Hawkins, José Ferrer / Sinopse: Um oficial britânico lidera forças árabes durante a Primeira Guerra Mundial e enfrenta conflitos internos enquanto se torna figura lendária em meio ao deserto.

Erick Steve. 

A Trágica Farsa

A Trágica Farsa
Foi o último filme da carreira do ator Humphrey Bogart. O interessante aqui é que em seu último papel, Bogart interpretava um sujeito que após várias táticas desonestas se arrependia e procurava por redenção – algo um tanto quanto distante de todos os seus famosos papéis de personagens cínicos do passado, que viraram sua marca registrada ao longo da carreira. Afinal essa coisa de redenção pessoal era para os fracos, pelo menos do ponto de vista de sua vasta galeria de personagens interpretados ao longo de décadas de carreira em Hollywood. Não é desnecessário relembrar que nos primeiros filmes Bogart geralmente interpretava gângsters da pesada, sujeitos forjados na criminalidade, sem essa de remorso ou culpa. Eram caras durões, acima de tudo.

Em “A Trágica Farsa” Bogart interpreta o jornalista esportivo Eddie Willis que após 17 anos trabalhando em jornais da cidade se vê subitamente desempregado. Tentando sobreviver, ele procura contato dentro do mundo dos esportes e acaba se envolvendo com o promotor de lutas de boxe Nick Benko (Rod Steiger). Inicialmente Benko escala Willis como relações públicas de um jovem boxeador chamado Toro Moreno (Mike Leno) mas esse não confirma seu potencial. Visando recuperar seu dinheiro investido Benko propõe a Willis uma parceria em uma série de lutas forjadas com o único objetivo de enganar e ganhar o dinheiro de apostadores desavisados. Além de ganhar dinheiro das apostas a dupla pretende trilhar o caminho do pouco talentoso boxeador para uma luta com o atual campeão de pesos pesados em Nova Iorque o que lhes trará uma soma considerável, uma verdadeira fortuna.

O roteiro de “A Trágica Farsa” é muito bem desenvolvido e mostra sem paliativos o podre universo das lutas arranjadas dentro da liga de boxe dos Estados Unidos durante a década de 1950. No começo de tudo o personagem de Bogart se sente completamente à vontade enganando e tapeando os apostadores de lutas por onde passa, mas após a morte de um lutador ele começa a se arrepender do que está fazendo. E é justamente nesse período de crise de consciência que o filme cresce e Bogart mostra todo o seu talento. Em seu último papel o ator Humphrey Bogart explora bem sua própria decadência fisica em prol de seu papel. Ele encaminha-se para o lado do crime por não ter mais nenhum outro caminho a seguir. Velho e aparentemente ultrapassado, ele é logo jogado de lado pelo mercado de trabalho,  o que de certa forma justifica seus atos ao longo do filme (embora não totalmente). ]

Foi certamente um típico caso onde a vida imitava a arte. Tão vulnerável estava Bogart durante as filmagens que o estúdio lhe pediu que voltasse para “dublar” certas passagens do filme pois sua voz estava inaudível (por pura falta de energia ao dizer suas falas). A fotografia em preto e branco e o fato da estória ser baseada na vida do promotor Harold Conrad ajudam ainda mais em seu resultado final. O filme foi lançado no Festival de Cannes de 1956 e dividiu opiniões. Para o New York Times o filme era "uma história brutal e desagradável, com toques de melancolia". De uma maneira ou outra fica a recomendação desse “A Trágica Farsa”, o último filme de um dos maiores mitos da história da sétima arte, Humphrey Bogart.

A Trágica Farsa (The Harder They Fall, Estados Unidos, 1956) Direção: Mark Robson / Roteiro: Philip Yordan baseado no livro de Budd Schulberg / Elenco: Humphrey Bogart, Rod Steiger, Jan Sterling / Sinopse: Jornalista desempregado (Humphrey Bogart) resolve entrar no submundo das lutas forjadas no mundo do boxe Americano da década de 1950. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey). Indicado à Palma de Ouro no Cannes Film Festival.

Pablo Aluísio.

 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Imperador Romano Valeriano

Imperador Romano Valeriano
Valerian, conhecido em português como Valeriano, foi imperador romano entre os anos 253 e 260 d.C., governando durante um dos períodos mais turbulentos da história do Império: a chamada Crise do Século III. Nascido por volta de 199 d.C., provavelmente em uma família senatorial influente, Valeriano ascendeu ao poder em meio a guerras civis, invasões bárbaras e instabilidade econômica. Seu governo seria marcado por desafios extremos e por um desfecho trágico sem precedentes. Ao assumir o trono, Valeriano dividiu o poder com seu filho, Galieno, estabelecendo uma administração conjunta para enfrentar as ameaças simultâneas nas fronteiras. Enquanto Galieno ficou responsável pelo Ocidente, combatendo invasões germânicas, Valeriano concentrou-se no Oriente, onde o Império enfrentava o avanço do poderoso Império Sassânida. Essa divisão administrativa foi uma tentativa prática de lidar com a extensão territorial romana em um momento de crise generalizada.

Internamente, o império sofria com inflação, revoltas militares e sucessivas usurpações. A autoridade imperial estava enfraquecida, e o exército tornara-se decisivo na escolha e deposição de governantes. Valeriano precisou agir rapidamente para manter a lealdade das legiões, ao mesmo tempo em que tentava estabilizar a economia e a administração. Um dos aspectos mais controversos de seu reinado foi a perseguição aos cristãos. Em 257 e 258, Valeriano promulgou éditos que proibiam reuniões cristãs e ordenavam a execução ou exílio de líderes da Igreja. Vários bispos foram mortos durante esse período, incluindo o papa Sisto II. Essa política refletia a tentativa de reforçar a unidade religiosa tradicional em um momento de crise política e militar.

No cenário externo, o maior desafio veio do xá sassânida Sapor I. As forças persas obtiveram importantes vitórias contra os romanos no Oriente, enfraquecendo ainda mais a posição imperial. Em 260 d.C., durante a batalha de Edessa, Valeriano foi capturado pelas tropas sassânidas — um evento extraordinário e humilhante para Roma. A captura de Valeriano marcou a primeira vez que um imperador romano foi feito prisioneiro por um inimigo estrangeiro. Segundo fontes antigas, ele teria sido mantido em cativeiro e usado como símbolo da vitória persa. Relatos posteriores, possivelmente exagerados, afirmam que foi humilhado publicamente e morreu em condições degradantes.

Após sua captura, o Império Romano mergulhou ainda mais no caos. Galieno tornou-se o único imperador legítimo, mas enfrentou revoltas internas e a fragmentação territorial, como o surgimento do Império das Gálias e do Império de Palmira. O episódio da prisão de Valeriano simbolizou o ponto mais baixo do prestígio imperial romano. Apesar de seu fim trágico, o governo de Valeriano representa um momento crucial para compreender a fragilidade do Império no século III. Sua tentativa de dividir responsabilidades administrativas antecipou reformas posteriores, como as de Diocleciano, que institucionalizariam a divisão do poder imperial. Valeriano permanece na história como uma figura trágica, lembrado tanto por suas perseguições religiosas quanto por sua derrota catastrófica diante da Pérsia. Seu reinado evidencia a profundidade da crise que ameaçou a sobrevivência de Roma, tornando-o um personagem central para entender um dos períodos mais dramáticos do mundo antigo.

Pablo Aluísio.

Faraó Ramsés III

Faraó Ramsés III
Ramsés III foi um dos últimos grandes faraós do Novo Império do Egito, governando aproximadamente entre 1186 e 1155 a.C., durante a XX Dinastia. Frequentemente comparado a Ramsés II por suas campanhas militares e grandes construções, Ramsés III assumiu o trono em um período de instabilidade política e ameaças externas crescentes. Seu reinado marcou tanto um momento de resistência quanto o início do declínio do poder egípcio. Uma das principais realizações de seu governo foi a defesa do Egito contra invasões estrangeiras, especialmente os chamados “Povos do Mar”. Esses grupos, que devastaram várias civilizações do Mediterrâneo Oriental no final da Idade do Bronze, foram derrotados por Ramsés III em batalhas navais e terrestres. Os relevos no templo de Medinet Habu retratam com detalhes essas vitórias, servindo como importante fonte histórica sobre o período.

Além das ameaças externas, Ramsés III também enfrentou conflitos com tribos líbias que tentavam se estabelecer no Delta do Nilo. Ele conduziu campanhas militares bem-sucedidas para proteger as fronteiras egípcias, reafirmando temporariamente a força militar do reino. Essas conquistas consolidaram sua imagem como faraó guerreiro e defensor da ordem. No campo arquitetônico, Ramsés III deixou um legado monumental. Seu templo mortuário em Medinet Habu, na margem oeste de Tebas, é um dos mais bem preservados do Egito Antigo. O complexo impressiona por seus relevos detalhados, inscrições históricas e dimensões grandiosas, refletindo tanto devoção religiosa quanto propaganda política.

Apesar das vitórias militares e das construções grandiosas, o reinado de Ramsés III também foi marcado por dificuldades econômicas. Documentos históricos indicam crises de abastecimento e até a primeira greve registrada da história, quando trabalhadores das necrópoles reais interromperam suas atividades por falta de pagamento. Esses episódios revelam tensões sociais crescentes no final do Novo Império. A corte de Ramsés III também foi palco de uma conspiração conhecida como “Conspiração do Harém”. Registros judiciais relatam que uma de suas esposas secundárias teria participado de um complô para assassinar o faraó e colocar seu filho no trono. Estudos modernos da múmia sugerem que Ramsés III pode realmente ter sido vítima de assassinato, possivelmente com um corte profundo na garganta.

Após sua morte, o Egito continuou sob o governo de seus sucessores, mas o poder central enfraqueceu progressivamente. O período seguinte foi marcado por fragmentação política e declínio da influência egípcia no cenário internacional. Assim, Ramsés III é frequentemente considerado o último grande faraó guerreiro antes da decadência do Novo Império. Religiosamente, Ramsés III manteve o tradicional papel de intermediário entre os deuses e o povo, promovendo cultos e oferecendo generosas doações aos templos. Essa política reforçava sua legitimidade divina, essencial para a estabilidade do trono. O faraó era visto como responsável pela manutenção da maat, o princípio da ordem cósmica.

O legado de Ramsés III combina glória militar e sinais de crise estrutural. Ele conseguiu preservar o Egito diante de ameaças devastadoras, mas não foi capaz de impedir o enfraquecimento gradual das bases econômicas e administrativas do império. Seu reinado representa, portanto, o último grande esforço de manutenção da supremacia egípcia. Hoje, Ramsés III é lembrado como um governante corajoso e estrategista habilidoso, cuja figura simboliza o fim de uma era de esplendor. Seus monumentos e registros históricos continuam a fornecer informações valiosas sobre o turbulento final da Idade do Bronze e a resistência do Egito em meio a um mundo em transformação.

Pablo Aluísio.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Elvis is Back!

Elvis Presley - Elvis is Back!
O álbum “Elvis Is Back!” foi lançado em 8 de abril de 1960, pela RCA Victor, marcando o aguardado retorno de Elvis Presley após cumprir serviço militar na Alemanha. Gravado em março e abril de 1960, nos estúdios da RCA em Nashville, o disco simboliza uma nova fase artística, mais madura e refinada. Havia grande expectativa do público e da indústria sobre como Elvis soaria depois de dois anos afastado dos palcos e das gravações. Sob produção de Steve Sholes e com músicos de alto nível como os integrantes da chamada “Nashville A-Team”, o cantor apresentou interpretações sofisticadas que transitavam entre rock, blues, pop e baladas românticas. O contexto cultural também era de mudança, com o rock and roll evoluindo e novos artistas surgindo. O álbum, portanto, precisava reafirmar sua relevância. E conseguiu: mostrou um Elvis vocalmente mais seguro e tecnicamente impressionante. Sua importância na carreira do artista é imensa, pois consolidou seu retorno como intérprete adulto. Foi um recomeço artístico à altura de sua lenda.

A recepção crítica foi bastante positiva, destacando principalmente a qualidade vocal do cantor. O The New York Times observou que Elvis retornava “com maior controle técnico e impressionante maturidade interpretativa”. Já o Los Angeles Times destacou que o disco demonstrava “um artista que evoluiu sem perder sua essência”. Muitos críticos ficaram surpresos com a diversidade estilística do repertório. Faixas como Fever e Reconsider Baby chamaram atenção pelo clima mais sofisticado e bluesy. A imprensa musical reconheceu que Elvis não apenas manteve sua popularidade, mas elevou seu padrão artístico. Alguns textos da época mencionaram que o cantor parecia mais confiante e menos dependente da energia juvenil do início da carreira. Isso foi visto como sinal de crescimento. O álbum foi considerado forte prova de sua permanência no topo. A crítica percebeu que o “Rei” estava de volta em grande forma.

Revistas especializadas como a Billboard elogiaram o potencial comercial do disco, chamando-o de “um retorno sólido e artisticamente consistente”. A Rolling Stone, anos depois, classificaria o álbum como um dos melhores da discografia de Elvis. Críticos ressaltaram especialmente a interpretação contida e sensual de Fever, que se tornaria uma das gravações mais icônicas de sua carreira. A produção limpa e os arranjos elegantes foram amplamente elogiados. Mesmo analistas mais exigentes reconheceram que Elvis havia superado expectativas. O álbum não soava nostálgico; parecia contemporâneo e seguro. Com o passar do tempo, a reputação crítica do disco só cresceu. Hoje é frequentemente apontado como um de seus trabalhos mais completos. A recepção histórica consolidou sua posição como clássico.

Comercialmente, “Elvis Is Back!” foi um sucesso expressivo. O álbum alcançou o 2º lugar na Billboard Top LPs nos Estados Unidos e obteve forte desempenho no Reino Unido, chegando ao topo das paradas britânicas. As vendas ultrapassaram milhões de cópias ao longo das décadas, rendendo certificações importantes. O público respondeu com entusiasmo ao retorno do cantor. O sucesso comercial demonstrou que sua base de fãs permanecia fiel. Além disso, o disco ajudou a abrir caminho para novos projetos e para a fase cinematográfica que dominaria parte dos anos seguintes. Mesmo com a mudança de estilo, os ouvintes abraçaram a nova sonoridade. O impacto nas paradas confirmou a força de sua marca artística. Foi um retorno triunfante também em números. Comercialmente, reafirmou sua supremacia.

O legado de “Elvis Is Back!” é amplamente reconhecido. O álbum é visto hoje como um dos melhores trabalhos de estúdio de Elvis Presley, frequentemente citado ao lado de From Elvis in Memphis como ápice artístico. Fãs valorizam a mistura equilibrada entre energia e sofisticação. Críticos destacam o controle vocal e a maturidade emocional demonstrados nas gravações. O disco também representa um modelo de como um artista pode retornar após período de ausência e ainda superar expectativas. Sua influência pode ser percebida em cantores que buscaram unir técnica refinada e expressividade emocional. Reedições e remasterizações mantêm o álbum vivo para novas gerações. Ele simboliza o renascimento de uma lenda. É peça essencial na compreensão da evolução de Elvis. Um clássico incontestável do rock e da música popular.

Elvis Presley - Elvis Is Back! (1960)
Make Me Know It
Fever
The Girl of My Best Friend
I Will Be Home Again
Dirty, Dirty Feeling
Thrill of Your Love

Soldier Boy
Such a Night
It Feels So Right
The Girl Next Door Went A’Walking
Like a Baby
Reconsider Baby

Erick Steve. 

The Beatles - With The Beatles

The Beatles - With The Beatles
O álbum “With The Beatles” foi lançado em 22 de novembro de 1963, no Reino Unido, pela Parlophone, em meio à explosão inicial da Beatlemania. Gravado rapidamente entre julho e outubro daquele ano, o disco surgiu poucos meses após o sucesso arrebatador do álbum de estreia Please Please Me. O contexto era de agenda intensa, turnês constantes e crescente histeria coletiva em torno do grupo. Produzido por George Martin, o álbum consolidou a sonoridade vibrante da banda, misturando composições próprias com versões de clássicos do rhythm and blues americano. A famosa capa em preto e branco, fotografada por Robert Freeman, tornou-se um ícone visual da década. O disco mostrou uma banda mais confiante, vocalmente mais ousada e instrumentalmente mais segura. Sua importância na carreira dos Beatles reside no fortalecimento da identidade artística do grupo. Ele confirmou que o sucesso inicial não fora acidental. Foi o passo decisivo para a dominação do mercado britânico.

A recepção crítica foi amplamente positiva, especialmente na imprensa britânica, que acompanhava de perto o fenômeno cultural. O The Times observou que o grupo demonstrava “energia contagiante e crescente maturidade musical”. Já o New Musical Express (NME) destacou a harmonia vocal como diferencial marcante do quarteto. Embora a crítica tradicional ainda tratasse o pop com certa cautela, muitos jornalistas reconheceram a habilidade composicional de Lennon e McCartney. O entusiasmo do público também influenciou o tom das análises. O álbum foi visto como evolução natural do primeiro trabalho. Alguns críticos notaram a forte influência do R&B americano. Isso foi interpretado como sinal de bom gosto musical. A imprensa percebeu que havia algo novo acontecendo na música britânica. “With The Beatles” consolidava essa mudança.

Publicações musicais especializadas ressaltaram especialmente as composições autorais. A revista Melody Maker afirmou que o disco provava que os Beatles eram mais do que intérpretes carismáticos, chamando-os de “força criativa emergente”. Análises posteriores, como as da Rolling Stone, classificaram o álbum como peça fundamental do início da carreira da banda. A crítica moderna costuma enfatizar a força de faixas como All My Loving e It Won’t Be Long. Mesmo as versões de músicas americanas foram elogiadas pela energia e personalidade. O disco passou a ser visto como marco da consolidação da identidade sonora beatle. Ao longo das décadas, sua reputação apenas cresceu. Muitos o consideram um dos melhores álbuns da fase inicial do grupo. A recepção histórica foi amplamente favorável. Hoje, é tratado como clássico.

Comercialmente, “With The Beatles” foi um fenômeno. O álbum alcançou o 1º lugar nas paradas britânicas, permanecendo no topo por 21 semanas. Vendeu mais de 500 mil cópias no Reino Unido em tempo recorde, tornando-se um dos discos mais vendidos da época. O sucesso foi tão grande que superou o desempenho do álbum de estreia. Embora ainda não tivesse sido lançado oficialmente nos Estados Unidos naquele momento (onde parte do material sairia como Meet The Beatles!), o impacto internacional já era evidente. O público britânico abraçou o disco com entusiasmo absoluto. A Beatlemania atingia seu auge inicial. O álbum ajudou a consolidar o domínio da banda no mercado europeu. Foi um triunfo comercial incontestável. Confirmou os Beatles como fenômeno cultural.

O legado de “With The Beatles” é profundo dentro da história do rock. O álbum representa o momento em que o grupo deixou de ser promessa para se tornar força dominante. Sua estética visual minimalista influenciou gerações de capas de discos. Musicalmente, ajudou a popularizar o R&B e o pop britânico em escala massiva. Fãs e críticos reconhecem nele a energia juvenil que definiu o início dos anos 1960. Ele também demonstra o crescimento composicional de Lennon e McCartney. Hoje, é frequentemente incluído em listas dos álbuns mais importantes da década. Seu impacto vai além das vendas: moldou tendências culturais. Permanece como símbolo da ascensão meteórica dos Beatles. É peça essencial na formação da música pop moderna.

The Beatles  With The Beatles (1963)
It Won’t Be Long
All I’ve Got to Do
All My Loving
Don’t Bother Me
Little Child
Till There Was You
Please Mister Postman

Roll Over Beethoven
Hold Me Tight
You Really Got a Hold on Me
I Wanna Be Your Man
Devil in Her Heart
Not a Second Time
Money (That’s What I Want)

Erick Steve. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rocketman

O filme do Queen abriu as portas dos estúdios para esse tipo de filme. Cinebiografias de cantores famosos, principalmente nas décadas de 70 e 80. Um tipo de marketing de nostalgia que parecia perfeito. O resultado comercial desse filme sobre Elton John porém tem sido morno. Nada comparável ao sucesso do filme enfocando Mercury e seus colegas de banda. O público provavelmente torceu o nariz para a proposta desse roteiro, que tencionava contar a história de Elton John ao mesmo tempo em que transformaria os momentos importantes de sua vida em bem elaboradas coreografias musicais, bem ao estilo da velha escola, da Broadway.

Esse talvez seja o ponto mais vulnerável do filme. Nem todos vão comprar a ideia de, por exemplo, saber mais sobre a infância do cantor através de um garotinho vestido de aluno, dançando ao lado de seus pais em plena rua de um subúrbio londrino da década de 1950. Particularmente não me incomodei com isso, aceitei a proposta do filme, mas claro, muita gente achou fora de foco. Até porque o roteiro realmente não se decide se é um drama convencional ou um musical filmado da Broadway.

O ator que interpreta Elton John, chamado Taron Egerton, é muito bom, porém é mais alto e mais esquio do que o Elton John do mundo real. Assim mesmo fantasiado com todas aquelas fantasias espalhafatosas dele, nem sempre consegue convencer de que estamos vendo Elton John na tela. Por fim e não menos importante: o que novamente salva o filme, o redime completamente, é a excelente trilha sonora, cheia de sucessos do passado. A trilha é excelente, mas devo dizer que não completa. Esqueceram de "Nikita" e outros sucessos. Mesmo assim, no saldo final, é um bom filme. Tem seus erros e desacertos, porém no final agrada.

Rocketman (Estados Unidos, Inglaterra, 2019) Direção: Dexter Fletcher / Roteiro: Lee Hall / Elenco: Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden, Bryce Dallas Howard / Sinopse: O filme se propõe a contar a história do cantor e compositor Elton John. Através de sua música, cenas mais dramáticas e coreografias em sequências musicais, somos apresentados à obra e a vida desse artista inglês.

Pablo Aluísio.

Elvis

Título no Brasil: Elvis
Título Original: Elvis
Ano de Lançamento: 2022
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann, Sam Bromell
Elenco: Tom Hanks, Austin Butler, Olivia DeJonge, Helen Thomson, Richard Roxburgh, Kelvin Harrison Jr.

Sinopse:
Em seus últimos momentos de vida, o Coronel Tom Parker (Tom Hanks) relembra seus anos ao lado de Elvis Presley (Austin Butler). Acima de tudo ele quer deixar claro que não foi um dos responsáveis pela morte do artista, mas que sim o levou ao sucesso que alcançou! Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme. Premiado pelo Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Austin Butler). 

Comentários:
Eu já havia visto em seu lançamento, mas como o filme chegou na Netflix resolvi rever pela primeira vez. Eu continuo gostando do filme. Sim, ele tem seus erros e deslizes com a história original, mas olhando bem de perto continua funcionando muito bem aos seus propósitos. Outro dia li um texto sobre os últimos dias do Coronel Parker e penso que ali há elementos que ficariam muito bem no filme, mas não se deve exigir tanto de um filme como esse que afinal teve a complicada tarefa de mostrar toda a carreira de Elvis, se concentrando nos momentos mais importantes. E nesse aspecto, volto a frisar, o filme se saiu bem. Dessa leva de cinebiografias de grandes nomes da música, penso inclusive, que esse é sem dúvida um dos melhores filmes produzidos. Tem um bom roteiro e não cai no marasmo em nenhum momento. Como não é um documentário, não precisou ser assim tão ferrenho no quesito histórico. É diversão e um cartão de apresentação de Elvis para essa nova geração. Nesse ponto de vista está mais do que satisfatório. O ilusionista Parker certamente teria gostado! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Temporada de Sangue

Título no Brasil: Temporada de Sangue
Título Original: Hunting Season
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Buffalo 8 Productions
Direção: RJ Collins
Roteiro: Adam Hampton
Elenco: Mel Gibson, Shelley Hennig, Sofia Hublitz, Jordi Mollà, A.J. Buckley, Scarlet Rose Stallone, James DuMont, Lola Manzini

Sinopse:
Bowdrie (Mel Gibson) vive sua aposentadoria tranquila em uma casa confortável bem no meio de uma grande reserva florestal. Durante uma de suas caminhadas acaba encontrando uma jovem muiro ferida. Ela foi vítima de uma tentativa de assassinato. Tentando ajudar, Bowdrie a leva para casa. Não é uma boa ideia, pois os homens que tentaram assassinar a jovem vão voltar para completar seu "serviço" de execução. 

Comentários:
Aos 70 anos de idade, Mel Gibson não pensa em se aposentar. Por essa razão segue fazendo seus filmes regularmente. Essas produções não são mais eventos cinematográficos como em seu passado. São filmes B, de orçamentos bem modestos. Alguns bons, outros bem fracos. Esse aqui fica no meio termo. O roteiro não é grande coisa, aquela típica história de rendenção que depois vira uma busca por vingança. O mais interessante, no meio dessa banalidade toda, é ver o desenvolvimento do personagem de Mel, um sujeito envelhecido, que procura por uma velhice tranquila, morando no meio de uma reserva natural. Infelizmente, como bem conhecemos desse tipo de personagem, a confusão acaba chegando nele. E aí, não tem jeito, é pegar o rifle e partir para o confronto armado. Como toda boa fita de ação lá dos distantes anos 80. Enfim, não faça comparações com os grandes filmes do passado de Gibson, que dessa forma, pelo menos, você terá um bom entretenimento para o fim de noite. 

Pablo Aluísio. 

O Vingador do Futuro

O Vingador do Futuro
Depois de "O Exterminador do Futuro" esse é o melhor filme de ficção da carreira de Arnold Schwarzenegger. O roteiro foi baseado no conto intitulado "We Can Remember It for You Wholesale", de Philip K. Dick. Esse autor teve vários de seus  livros adaptados para o cinema com grande êxito. Basta lembrar de "Blade Runner" para entender sua importância para a sétima arte. Aqui temos uma adaptação bem mais livre do texto original. O escritos de Dick nem sempre são facilmente transpostos para o cinema e por essa razão alguns filmes apenas usam da idéia central para construir a partir daí todo um argumento novo, com cenas e sequências que nunca foram criadas pelo escritor. "O Vingador do Futuro" reflete bem isso.  A trama se passa no distante ano de 2084. A estória começa quando um operário resolve entrar no programa Total Recall que promete simular uma viagem de férias dentro da mente do usuário. Ele terá assim as mesmas sensações e prazeres de uma viagem real só que com custo muito menor e sem o aborrecimento de ter que enfrentar os preparativos de  uma viagem real. O problema é que algo dá errado e Quaid (Schwarzenegger) se vê envolvido numa complicada rede de conspirações envolvendo o planeta vermelho, nosso vizinho Marte.

O filme foi dirigido pelo ótimo cineasta Paul Verhoeven bem no auge criativo de sua carreira. "O Vingador do Futuro" foi muito badalado em seu lançamento porque trazia efeitos especiais inovadores que utilizavam a ainda nova tecnologia dos efeitos digitais que anos depois virariam lugar comum nas produções do gênero. Como não poderia deixar de ser a película também procurava tirar bastante proveito da presença de Arnold Schwarzenegger, na época um campeão de bilheteria absoluto que conseguia atrair um grande público para seus filmes. Por essa razão o roteiro usa e abusa de espetaculares cenas de ação e lutas - algo que sequer foi pensando pelo autor Philip K. Dick em seus escritos originais. Outro destaque é a presença de linda Sharon Stone. Amargando alguns filmes fraquinhos no currículo no começo de sua carreira ela aqui tinha a primeira grande chance de chamar mais a atenção do grande público. Dois anos depois seria alçada a mito sexual do cinema com o grande sucesso de "Instinto Selvagem", naquele que seria o papel definitivo de sua vida. Em suma é isso. "O Vingador do Futuro" é uma excelente ficção que mistura ação, aventura e fantasia na medida certa. Recentemente houve um mal sucedido remake estrelado por Colin Farrell, o que prova mais uma vez que certas obras já encontraram sua versão definitiva no mundo do cinema. Tentar refazer algo assim é simplesmente desnecessário.

O Vingador do Futuro (Total Recall, Estados Unidos, 1990) Direção: Paul Verhoeven / Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett e Gary Goldman baseados na obra de Philip K. Dick / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Sharon Stone, Rachel Ticotin, Ronny Cox / Sinopse: Operário resolve fazer uma viagem virtual em sua mente usando de um programa que simula férias para seu usuário. Devido a uma pane no sistema ele acaba se vendo envolvido numa complicada teia de conspirações sobre o planeta vermelho, Marte. Vencedor do prêmio Saturn na categoria melhor filme de ficção científica do ano.

Pablo Aluísio.