quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A Casa dos Rituais Satânicos

Título no Brasil: A Casa dos Rituais Satânicos
Título Original: Madhouse
Ano de Lançamento: 1974
País: Reino Unido
Estúdio: Amicus Pictures
Direção: Jim Clark
Roteiro: Angus Hall, Ken Levison
Elenco: Vincent Price, Peter Cushing, Boris Karloff, Basil Rathbone, Robert Quarry

Sinopse:
Vincent Price interpreta um ator veterano. Ele construiu toda a sua carreira em clássicos filmes de terror, onde interpretava um personagem chamado Dr. Morte. Agora, anos depois, retorna ao mesmo papel em uma série de televisão. Seu retorno se deve unicamente a questões financeiras pois pessoalmente não queria voltar a fazer esse antigo monstro. Só que as coisas fogem do controle e várias atrizes que iriam trabalhar ao seu lado aparecem mortas. Pior do que isso, a Polícia de Londres acredita que ele seria o verdadeiro asassino!

Comentários:
Muito interessante esse filme. Na realidade é um bem bolado exercício de metalinguagem. Afinal o que temos aqui é Vincent Price interpretando... Vincent Price! E não está sozinho, vários astros do antigo terror clássico aparecem no filme, seja como coadjuvantes, seja em participações especiais, pontuais. Na questão medo e suspense, admito, o filme não é grande coisa. Envelheceu bastante, mas termos todos esses atores aqui, em um só filme, faz toda a diferença e compensa tudo. Todos eles veteranos, todos eles em participações que para muitos foi a despedida das telas de cinema. Além disso o filme aproveita também para, de certa maneira, homenagear o próprio Vincent Price, com cenas de seus antigos clássicos surgindo no decorrer da história. Como eu escrevi, seu personagem era inteiramente baseado em sua própria história e carreira. Enfim, um banquete de terror com velhos amigos. Assim poderia resumir esse terror já um tanto temporão, até fora de moda para a época em que foi lançado, mas que consegue se superar, sem perder totalmente seu charme de pura nostalgia de um passado que já não existia mais. 

Pablo Aluísio.

O Túmulo do Horror

Título no Brasil: O Túmulo do Horror
Título Original: La cripta e l'incubo
Ano de Lançamento: 1964
País: Itália, Espanha
Estúdio: EI Pictures
Direção: Camillo Mastrocinque
Roteiro: Tonino Valerii, Ernesto Gastaldi
Elenco: Christopher Lee, Adriana Ambesi, Ursula Davis, José Campos, Angela Minervini

Sinopse:
Christopher Lee interpreta um Conde, membro de uma antiga linhagem familiar da aristocracia mais poderosa de sua região. No passado uma de suas antepassadas havia sido queimada viva, acusada de bruxaria pela inquisição. Séculos depois começam a surgir certos fenômenos paranormais no velho castelo onde o nobre mora. Ele então decide contratar um especialista em história, arte e documentação antiga. Ele quer saber toda a verdade sobre a história de sua família pois se considera uma pessoa amaldiçoada. 

Comentários:
Curioso filme de terror italiano. Christopher Lee deu um tempo nos filmes de Conde Drácula em Londres e foi até o país europeu vizinho para rodar essa película. Ele voltou a interpretar um Conde, mas fiquem tranquilos, não era um vampiro, nem muito menos o próprio Drácula. Apenas um ser humano normal assombrado pelas velhas histórias de sua família, algumas bem terríveis. Sua filha parece estar sendo afetada pelo espírito de uma antepessada, uma mulher que teria sido acusada de bruxaria. Pois é, o filme assim caminha, abraçando mais o estilo dos antigos filmes de terror psicológico. Nada de grandes efeitos visuais ou sustos gratuitos. Nesse ponto apreciei o roteiro do filme pois ele é mesmo bem construído. Se o filme não é melhor, não é culpa do que foi escrito ou pensado pelos roteiristas, mas sim das próprias limitações do cinema da época, ainda bem analógico, socorrendo a luzes e sombras para assustar seu público. De certa maneira não deixava de ser uma maneira talentosa de superar os limites técnicos daquela época. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Pistoleiros do Entardecer

Pistoleiros do Entardecer
Grande filme. Esse western mostra muito bem a diferença que faz um grande diretor. Veja, tinha tudo para ser mais um faroeste de rotina da carreira de Randolph Scott mas isso seria óbvio demais. Sam Peckinpah consegue reverter certas máximas do gênero ao mesmo tempo em que é respeitoso à mitologia do velho oeste. Ao contrário de usar personagens que são indiscutivelmente mocinhos ou bandidos, o diretor coloca em cena sujeitos dúbios, que transitam entre cometer crimes ou protagonizar momentos de grande honra pessoal. É o caso de Gil Westrum (o último personagem da carreira de Randolph Scott que abandonaria o cinema logo após). Gil tem como objetivo roubar o ouro que foi contratado a transportar mas como acompanhamos no desenrolar do filme esse é apenas o ponto de partida de tudo o que acontecerá nas montanhas.

É bom frisar porém que a estética da violência que seria marca registrada do diretor ainda não está presente nesse filme, o que era de se esperar. Filmado na primeira metade dos anos 60 o cineasta ainda não havia levado às últimas consequências suas escolhas estéticas e cinematográficas. Mesmo assim o filme é surpreendentemente bem roteirizado, com um clímax excelente, de tirar o chapéu. No final quem melhor define a essência do filme é a personagem Elsa (interpretada pela atriz Meriette Hartley). Ela explica que sempre foi levada a crer que havia o bem e o mal absolutos na vida, mas que depois de tudo o que passou compreendeu que na vida há pessoas que transitam de um lado ao outro, em uma zona cinzenta, tal como os personagens desse western. Uma conclusão simplesmente perfeita.

Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country, Estados Unidos, 1962) / Direção: Sam Peckinpah / Roteiro:N.B. Stone Jr./ Com Randolph Scott, Joel McCrea, Mariette Hartley, Ron Starr e Edgar Buchanan / Sinopse: Um envelhecido ex-xerife, Steve Judd (Joel McCrea), é contratado para transportar uma remessa de ouro através de um território perigoso. Ele contrata um velho parceiro, Gil Westrum (Randolph Scott), e seu protegido, o jovem Heck Longtre (Ron Starr), para ajudá-lo. Porém Steve não imagina que Gil e Heck planejam roubar o ouro, com ou sem a ajuda dele.

Pablo Aluísio.

O Xerife do Oeste

O Xerife do Oeste
"O Xerife do Oeste" faz parte da última fase da carreira do ator John Wayne. É um dos últimos trabalhos do Duke. O fato é que Wayne se recusava a se aposentar pois acreditava que a aposentadoria acabaria com ele. Além disso sempre afirmava que iria trabalhar até o final de seus dias pois era a única coisa que sabia fazer na vida. Ostracismo, nem pensar. Curiosamente mesmo já envelhecido, beirando os 70 anos, o ator ainda conseguia passar carisma e prender a atenção do espectador, arrecadando boas bilheterias, isso em uma época em que o western já mostrava claros sinais de esgotamento. "O Xerife do Oeste", também conhecido como "Cahill" repete de certa forma os velhos clichês do gênero. John Wayne sabia o que o público queria dele e procurava não inventar muito. Assim ele fez questão de realizar mais um faroeste ao velho estilo, com o roteiro que poderia muito bem ter sido escrito nos anos 50. E quando digo "realizar" não é força de expressão, o filme é dele, foi produzido por seu filho, Michael Wayne, e a produção contou com dinheiro saído do próprio bolso do ator. Alguns estudiosos da carreira de John Wayne inclusive vão mais longe e afirmam que diretor apenas assinou pois foi Wayne quem realmente dirigiu as cenas.

Tanto empenho pessoal valeu a pena. "Cahill" é o que eu chamo de um produto honesto. Os fãs de John Wayne receberam justamente aquilo que esperavam, ou seja, o velho cowboy ainda liquidando seus inimigos sem fazer muita força (e sem despentear a peruca impecável), um vilão asqueroso (o ótimo George Kennedy, velho companheiro de Wayne dos filmes antigos) e um pouco de humor em pequenas pitadas aqui e ali. Só não gostei muito do final, que tem um moralismo um tanto quanto questionável. Mas isso é o de menos, "O Xerife do Oeste" vale a pena, principalmente para quem quer matar saudades do antigo astro de Hollywood. A lenda do velho oeste vive!

O Xerife do Oeste (Cahill U.S. Marshal, Estados Unidos, 1973) / Direção: Andrew V. McLaglen / Com John Wayne, George Kennedy e Gary Grimes / Sinopse: De volta a sua cidade, o xerife (John Wayne) encontra dois de seus assistentes mortos num assalto e na cadeia quatro presos, entre eles seu filho, acusados de ter participado da chacina. O obstinado agente da justiça passa a perseguir um grupo de bandidos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O Manto Sagrado

O Manto Sagrado
Clássico filme épico, passado nos tempos da Roma Antiga. Na história, o tribuno romano Marcellus Gallio (Richard Burton) acaba tendo um um atrito, em um leilão de escravos, com o futuro imperador Calígula (Jay Robinson). Como punição, ele é então enviado para a distante Judéia, onde começa a prestar serviço militar na cidade de Jerusalém, durante a Páscoa. Lá acaba tomando contato com o turbulento quadro político local, onde o povo judeu espera por um Messias que o libertará do poder do Império Romano. Ao lado de seu escravo Demetrius (Victor Mature), acaba participando da crucificação de um homem chamado Jesus que se diz filho de Deus. Após sua morte na cruz, ele ganha seu manto em um jogo de dados. O contato com a relíquia e a mensagem do Nazareno porém mudará completamente sua vida.

"O Manto Sagrado" pode ser analisado sobre três pontos de vista diferentes. Você pode assistir sob um aspecto religioso, histórico ou cinematográfico. Sob o ponto de vista religioso é uma obra bem intencionada, que procura mostrar o surgimento do cristianismo logo nos primeiros meses após a morte de Jesus Cristo. A mensagem em si, de não violência, de renúncia, inclusive da vida, como vemos nos casos dos mártires que se recusam a negar Cristo em troca de não serem condenados à morte, são relevantes e pertinentes. A figura de Pedro surge também bem fiel aos escritos e tradições dos primeiros anos da nova fé. Assim olhando puramente a mensagem que o filme tenta passar ao seu público, não há o que criticar.

O fato porém é que nem só de boas intenções pode viver o cinema. Assim temos que analisar a produção também sob o ponto de vista da história e nesse aspecto não há como negar que o roteiro apresenta várias falhas. Só para citar um exemplo, temos uma cena em que o próprio Imperador Tibério recebe a notícia da morte de um suposto Messias em Jerusalém e fica bastante abalado com o fato. Chega ao ponto de fazer um pequeno discurso sobre o perigo da nova fé que poderia destruir os alicerces da sociedade romana como um todo! Ora, historiadores concordam que Tibério sequer tomou conhecimento da existência de Jesus, já que até sua morte o cristianismo ainda não tinha tomado as proporções que iriam atingir em épocas posteriores, como a de Nero. Na verdade, como se trata de um romance apenas inspirado em fatos históricos, temos que esperar por esse tipo de licença poética, onde personagens que realmente existiram surgem em cenas de pura ficção.

Finalmente, sob o ponto de vista puramente cinematográfico, não há do que reclamar. "O Manto Sagrado" é um típico épico feito em Hollywood dos anos 1950, com cenas grandiosas, impactantes, muito luxo no figurino e um texto sentimental, que não tem vergonha de ser piegas em certos momentos. Há uma clara tentativa do roteiro em agradar diversos públicos, pois ao lado do sentimento religioso temos também um pouco de romance e aventura. A ação surge principalmente na cena em que os homens de Marcellus Gallio tentam libertar Demetrius das masmorras do Império e na perseguição de cavalos logo após. Além disso temos também nuances do debate político que imperava naqueles tempos antigos. O mais importante porém é que essa produção é uma ótima forma de conhecer o tipo de entretenimento, com verniz religioso, que fazia sucesso nos cinemas dos anos 1950. O público adorava esse tipo de filme. O lançamento de cada produção desse estilo rendia ótimas bilheterias em todo o mundo.

O Manto Sagrado (The Robe, Estados Unidos, 1953) Estúdio: 20th Century-Fox / Direção: Henry Koster / Roteiro: Albert Maltz, Philip Dunne, baseados na obra de Lloyd C. Douglas / Elenco: Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, Jay Robinson / Sinopse: Romano, enviado para uma distante província do império como punição, acaba vivenciando a crucificação, morte e ressurreição de um judeu conhecido como Jesus de Nazaré. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor ator (Richard Burton) e melhor direção de fotografia (Leon Shamroy). Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor figurino (Charles Le Maire, Emile Santiago) e melhor direção de arte (Lyle R. Wheeler, George W. Davis). Filme premiado pelo Globo de Ouro na categoria de melhor filme - drama.

Pablo Aluísio.

O Ladrão de Bagdá

Título no Brasil: O Ladrão de Bagdá
Título Original: The Thief of Bagdad
Ano de Produção: 1940
País: Inglaterra, Estados Unidos
Estúdio: Alexander Korda Films
Direção: Ludwig Berger, Michael Powell
Roteiro: Miles Malleson, Lajos Biró
Elenco: Conrad Veidt, Sabu, June Duprez, John Justin, Rex Ingram, Miles Malleson, Morton Selten

Sinopse:
Depois de ser enganado e expulso de Bagdá pelo malvado Jaffar, o rei Ahmad decide unir suas forças com um ladrão chamado Abu para recuperar seu trono, a cidade e a princesa que ama.

Comentários:
Esse filme "O Ladrão de Bagdá" até hoje impressiona por sua boa produção. Em um tempo em que a tecnologia de efeitos especiais ainda era muito rudimentar, eles ousaram fazer um filme que era pura fantasia, com os principais personagens dos contos da mil e uma noites. E o resultado ficou muito bom. Para se ter uma ideia o filme tem cenas extremamente bem realizadas, com cavalos voadores, um gênio da lâmpada gigante, aranhas imensas, etc. Tudo para a alegria da garotada dos anos 1940. Na literatura todos esses personagens não interagiam nas mesmas histórias, mas os roteiristas do filme decidiram pincelar o melhor deles para colocar em um mesmo enredo. Funcionou muito bem na sétima arte. Por fim é importante salientar que essa produção acabou sendo uma das mais influentes da época, dando origem, por exemplo, a uma série de filmes sobre o marujo Simbad, isso sem contar com o gênero de fantasia como um todo.

Pablo Aluísio.

domingo, 2 de agosto de 2026

Elvis Presley - Elvis For Everyone

Elvis Presley - Elvis For Everyone
Lançado em 10 de agosto de 1965, Elvis for Everyone! foi um dos álbuns mais peculiares da carreira de Elvis Presley. Apesar do título sugerir um novo trabalho de estúdio cuidadosamente planejado, o disco foi, na realidade, uma coletânea de gravações inéditas realizadas entre 1960 e 1964 para diferentes projetos. A RCA Victor reuniu canções que haviam permanecido arquivadas durante os anos em que Elvis dividia seu tempo entre a carreira musical e as produções cinematográficas em Hollywood. O álbum apresenta uma grande variedade de estilos, passando pelo rock and roll, country, gospel, rhythm and blues e baladas românticas, evidenciando a extraordinária versatilidade vocal do cantor. Embora não possuísse a unidade artística de outros trabalhos de sua discografia, Elvis for Everyone! demonstrou que Presley mantinha um elevado padrão de qualidade mesmo em gravações originalmente deixadas de lado. Em uma fase em que sua produção musical era frequentemente ofuscada pelos filmes, o álbum serviu para lembrar ao público a força de Elvis como intérprete.

A recepção crítica foi positiva, embora muitos jornalistas tenham observado a natureza incomum do projeto. A Billboard destacou que o disco reunia "material de excelente qualidade", afirmando que mesmo as gravações não lançadas anteriormente revelavam um Elvis em ótima forma vocal. A Cash Box elogiou a diversidade do repertório, observando que o álbum oferecia uma visão abrangente das diferentes facetas musicais do cantor. A Variety ressaltou que a coletânea confirmava a consistência artística de Presley, capaz de interpretar com igual competência baladas, músicas country e canções de rock. Embora algumas críticas mencionassem a ausência de um conceito unificador, a maioria reconheceu que a qualidade individual das faixas compensava essa característica.

Os grandes jornais americanos também analisaram o lançamento. O The New York Times observou que Elvis for Everyone! demonstrava "a impressionante capacidade de Presley de transformar qualquer canção em uma interpretação pessoal e convincente". O Los Angeles Times destacou que o álbum permitia ao público ouvir gravações até então desconhecidas, revelando aspectos pouco explorados da produção musical de Elvis no início da década de 1960. Décadas depois, a Rolling Stone revisitou o disco e observou que muitas das músicas ali presentes possuíam qualidade suficiente para terem integrado álbuns de estúdio convencionais. Os especialistas também ressaltaram que o trabalho oferece uma interessante visão do processo criativo e das sessões de gravação do cantor durante esse período de sua carreira.

Comercialmente, Elvis for Everyone! obteve um desempenho sólido. O álbum alcançou a 10ª posição na Billboard Top LPs, demonstrando que Elvis continuava sendo um dos artistas mais populares dos Estados Unidos mesmo diante da crescente popularidade da chamada Invasão Britânica, liderada por bandas como os Beatles. As vendas foram consistentes e garantiram ao disco certificação de ouro pela Recording Industry Association of America anos mais tarde. Embora nenhum grande single tenha sido lançado para promover o álbum, sua boa aceitação comercial confirmou a fidelidade do público de Elvis, que continuava adquirindo seus discos em grande quantidade. O sucesso também mostrou que havia forte interesse por material inédito do cantor, mesmo quando proveniente de sessões realizadas anos antes.

O legado de Elvis for Everyone! tornou-se mais evidente com o passar do tempo. Atualmente, especialistas consideram o álbum uma importante coletânea de gravações que documentam a excelente fase vocal de Elvis entre 1960 e 1964. Para historiadores da música, o disco oferece uma oportunidade rara de conhecer faixas que permaneceram inéditas durante vários anos, muitas delas revelando interpretações de alto nível artístico. Entre os fãs, o álbum é valorizado justamente por apresentar um Elvis menos associado aos filmes e mais concentrado em sua capacidade como cantor. Embora não seja geralmente citado entre seus trabalhos mais famosos, Elvis for Everyone! ocupa um lugar respeitado em sua discografia por preservar um conjunto de gravações que enriquecem a compreensão da evolução musical de Elvis Presley durante a primeira metade da década de 1960.

Elvis Presley – Elvis for Everyone! (1965)
Your Cheatin' Heart
Summer Kisses, Winter Tears
Finders Keepers, Losers Weepers
In My Way
Tomorrow Night
Memphis, Tennessee
For the Millionth and the Last Time
Forget Me Never
Sound Advice
Santa Lucia
I Met Her Today
When It Rains, It Really Pours

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

The Beach Boys - Pet Sounds

The Beach Boys - Pet Sounds
Lançado em 16 de maio de 1966, Pet Sounds é o décimo primeiro álbum de estúdio de The Beach Boys e é amplamente reconhecido como uma das maiores obras-primas da história da música popular. Idealizado principalmente por Brian Wilson, o disco marcou uma ruptura com a imagem da banda associada às praias, ao surfe e aos carros, apresentando um trabalho profundamente introspectivo e sofisticado. Enquanto o restante do grupo realizava turnês, Brian Wilson permaneceu em Los Angeles dedicando-se integralmente às gravações, utilizando músicos de estúdio conhecidos como The Wrecking Crew para construir arranjos extremamente elaborados. As letras, escritas em grande parte por Tony Asher, abordam temas como amadurecimento, insegurança, amor e solidão, fugindo completamente dos assuntos tradicionais do grupo. O resultado foi um álbum inovador, que expandiu os limites da música pop e exerceu enorme influência sobre toda a produção musical das décadas seguintes.

A recepção crítica inicial foi bastante positiva, embora nem todos os críticos compreendessem imediatamente a dimensão de sua inovação. A Billboard elogiou a qualidade excepcional da produção e destacou a riqueza dos arranjos vocais e instrumentais. A Cash Box classificou o disco como um trabalho de grande refinamento artístico, observando que Brian Wilson havia elevado o padrão das gravações pop. No Reino Unido, a New Musical Express (NME) recebeu o álbum com enorme entusiasmo, considerando-o uma das gravações mais importantes da década. Anos depois, a Rolling Stone descreveria Pet Sounds como "um dos maiores álbuns já produzidos", elogiando sua combinação de emoção, experimentação sonora e perfeição técnica. Muitos críticos passaram a considerá-lo o momento em que a música pop alcançou um novo nível de sofisticação artística.

Os grandes jornais também reconheceram sua importância. O The New York Times destacou que Brian Wilson havia criado "uma obra profundamente pessoal e musicalmente revolucionária", chamando atenção para a utilização inovadora de instrumentos pouco convencionais no pop, como sinos, bicicletas, latas e instrumentos de sopro. O Los Angeles Times ressaltou a delicadeza das harmonias vocais e a extraordinária qualidade das composições. Décadas depois, a The New Yorker afirmou que Pet Sounds "mudou definitivamente a maneira como um álbum pop poderia ser concebido", observando que sua influência ultrapassou o rock e alcançou praticamente todos os gêneros da música popular. O próprio Paul McCartney declarou diversas vezes que Pet Sounds foi uma das principais inspirações para a criação de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, considerando "God Only Knows" uma das mais belas canções já escritas.

Comercialmente, Pet Sounds teve desempenho sólido, embora inicialmente abaixo das expectativas da gravadora nos Estados Unidos. O álbum alcançou a décima posição na Billboard 200 e vendeu bem no mercado americano, mas seu maior impacto ocorreu no Reino Unido, onde chegou ao segundo lugar da parada de álbuns. Ao longo das décadas, suas vendas cresceram continuamente, ultrapassando vários milhões de cópias em todo o mundo e recebendo múltiplas certificações de ouro e platina. Singles como "Wouldn't It Be Nice", "Sloop John B" e "God Only Knows" tornaram-se grandes sucessos internacionais e permanecem entre as músicas mais populares dos Beach Boys. Embora não tenha sido o maior sucesso comercial da banda em seu lançamento, o álbum consolidou Brian Wilson como um dos produtores e compositores mais inovadores da música do século XX.

O legado de Pet Sounds é simplesmente extraordinário. Considerado por inúmeros críticos, músicos e historiadores como um dos maiores álbuns de todos os tempos, ele transformou a maneira como artistas passaram a encarar o LP como uma obra artística completa, e não apenas como uma coleção de singles. Sua influência pode ser percebida em artistas tão diversos quanto os Beatles, Pink Floyd, Radiohead e inúmeras gerações de compositores e produtores. Em diversas listas publicadas pela Rolling Stone e por outras revistas especializadas, Pet Sounds figura constantemente entre os maiores discos da história da música. Para os fãs, representa o auge criativo de Brian Wilson e o momento em que os Beach Boys transcenderam definitivamente os limites do surf rock para criar uma obra-prima universal. Quase seis décadas após seu lançamento, Pet Sounds continua sendo referência obrigatória para qualquer estudo sobre a evolução da música popular.

The Beach Boys – Pet Sounds (1966)
Wouldn't It Be Nice
You Still Believe in Me
That's Not Me
Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder)
I'm Waiting for the Day
Let's Go Away for Awhile
Sloop John B
God Only Knows
I Know There's an Answer
Here Today
I Just Wasn't Made for These

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

sábado, 1 de agosto de 2026

O Retorno

O Retorno
Já que a Odisséia de Homero está em alta, pelo menos no mundo cinematográfico, quero deixar a dica desse excelente filme. Também é baseado naquela obra imortal, mas ao invés de tentar contar todo o enredo, se concentra na volta do herói Odisseu ao seu lar, após dez anos de sua partida. Quando foi embora para lutar na Guerra de Troia era um homem glorioso, liderando um imenso exército. Rei, estava no pico de sua glória pessoal. Era uma figura lendária, mitológica, imperial. Todos o admiravam, se curvando quando ele passava. 

Quando o filme começa encontramos o antigo herói desmaiado na costa de sua ilha. É uma ruína humana. Destroçado tanto psicologicamente como fisicamente. Nenhum sinal de seu outrora imponente exército. Apenas ele retornou, em frangalhos, vestindo trapos corroídos pelo tempo e pelo mar. As pessoas que passam por ele acreditam que é apenas um mendigo vagando em busca de alguma comida. Ninguém o reconhece. Sua rainha agora está assolada em seu próprio palácio em ruínas, cercada por todos os tipos de vigaristas e bandidos. Todos querem se casar com ela, não por amor ou admiração, mas sim para roubar sua nobreza e o que restou de uma riqueza monárquica decadente que ficou no passado. 

Obviamente esse filme não tem a cara produção do recente filme de Nolan. E nem deseja isso. O que vale aqui é um estilo cru, bem realista. O que vemos em tela não é uma super produção de Hollywood. Ao invés disso temos uma crônica muito humana de um homem que retorna a um passado que já não mais existe. A guerra parece ter levado tudo, sua fortuna, seu prestígio e sua própria dignidade pessoal. É um roteiro focado no drama humano e não no espetáculo visual. É o realismo de uma comunidade que viveu há milênios, com todo o seu primitivismo recriado em cada tomada. Tudo muito visceral, cru, realista! E aqui deixo meus aplausos para a interpretação de Ralph Fiennes como o velho Odisseu. Que ator, senhoras e senhores! Seu trabalho é simplesmente grandioso nesse filme! Ele é alma pulsante de cada momento. Enfim, achei uma obra-prima cinematográfica. Merecia ser mais reconhecido. É sem dúvida um filmaço! 

O Retorno (The Return, Reino Unido, Itália, Grécia, França, 2024) Direção: Uberto Pasolini / Roteiro: John Collee, Edward Bond, Uberto Pasolini / Elenco: Ralph Fiennes, Juliette Binoche, Charlie Plummer, Marwan Kenzari / Sinopse: Após ficar dez anos fora, participando da Guerra de Troia e de uma viagem de retorno que não parecia mais ter fim, o velho Rei Odisseu está de volta ao seu lar, mas não mais como aquele guerreiro heróico que um dia partiu de suas praias, mas sim como um homem destruído, destroçado pela guerra, tanto psicologicamente como fisicamente. Baseado na obra A Odisseia de Homero. 

Pablo Aluísio. 

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho 
Superficialmente poderia definir esse filme como um musical ambientado nos anos 60, com personagens de pura ficção. Só que essa definição seria muito simplória. Na realidade o que temos aqui são personagens espelhados em artistas reais da gravadora Motown. Esse selo foi um dos mais importantes da história da música popular dos Estados Unidos. Revelou uma incrível geração de grandes artistas, inclusive a família Jackson, Marvin Gaye, as Supremes, Stevie Wonder e Diana Ross. Nunca houve nada parecido na cultura daquele país. Foi um momento único e singular na história. 

Assim o filme vai contando sua história, sempre usando essa referência. Por exemplo, o personagem de Eddie Murphy é claramente inspirado em Marvin Gaye. O trio de vocalistas negras que sonham com a fama e o sucesso não deixa de ser as Supremes e por aí vai. A trilha sonora do filme, como era de se esperar, é excelente! Só que eu pessoalmente preferia que trouxessem as músicas originais da Motown. Isso iria transformar esse musical não apenas em um bom filme, mas em uma verdadeira obra-prima. 

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, Estados Unidos, 2006) Direção: Bill Condon / Roteiro: Tom Eyen, Bill Condon / Elenco: Beyoncé, Jamie Foxx, Eddie Murphy, Danny Glover, Jennifer Hudson / Sinopse: Um trio de talentosas cantoras tenta abrir seu próprio caminho rumo ao sucesso dentro do cenário musical dos Estados Unidos durante a década de 1960. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor atriz coadjuvante (Jennifer Hudson) e Melhor mixagem de som. 

Pablo Aluísio.