domingo, 12 de julho de 2026

Rei Henrique II da França

Rei Henrique II da França
Henrique II da França foi um dos monarcas mais importantes do século XVI e o segundo rei da dinastia Valois-Orléans-Angoulême. Nascido em 31 de março de 1519, no Castelo de Saint-Germain-en-Laye, era filho do rei Francisco I e da rainha Cláudia da França. Desde cedo recebeu uma educação voltada para a política, as artes militares e os ideais do Renascimento, embora sua juventude tenha sido marcada por dificuldades. Entre 1526 e 1530, após a derrota francesa na Batalha de Pavia, Henrique permaneceu como refém na Espanha juntamente com seu irmão Francisco, em cumprimento ao Tratado de Madri. A experiência deixou profundas marcas em sua personalidade, tornando-o um homem reservado, disciplinado e profundamente desconfiado. Em 1533 casou-se com Catarina de Médici, integrante da poderosa família florentina dos Médici, união que fortaleceria os laços diplomáticos entre França e os Estados italianos. Apesar do casamento, Henrique manteve durante quase toda a vida um relacionamento amoroso com Diane de Poitiers, cerca de vinte anos mais velha que ele, que exerceu enorme influência sobre suas decisões pessoais e políticas. Em 1547, após a morte de Francisco I, Henrique foi coroado rei da França, iniciando um reinado de doze anos marcado por guerras, perseguições religiosas e disputas pela hegemonia europeia.

O governo de Henrique II foi dominado principalmente pelos conflitos contra a Casa de Habsburgo, que controlava a Espanha e o Sacro Império Romano-Germânico. Dando continuidade à política expansionista de seu pai, o rei francês enfrentou o imperador Carlos V e, posteriormente, Filipe II da Espanha, em uma série de campanhas conhecidas como as Guerras Italianas. Embora tenha sofrido derrotas importantes, Henrique também obteve vitórias significativas, como a conquista dos bispados de Metz, Toul e Verdun em 1552, fortalecendo a presença francesa na fronteira oriental. A longa guerra consumiu enormes recursos financeiros e humanos, mas consolidou a França como uma das principais potências da Europa. Em 1559, após anos de combates, Henrique assinou a Paz de Cateau-Cambrésis, tratado que encerrou oficialmente as Guerras Italianas. Pelo acordo, a França renunciava às pretensões sobre grande parte da Itália, mas mantinha importantes ganhos territoriais. O tratado também foi acompanhado de casamentos dinásticos destinados a consolidar a paz entre França e Espanha, demonstrando a importância da diplomacia na política europeia do período.

No plano interno, Henrique II procurou fortalecer ainda mais o poder da monarquia francesa. Manteve a política de centralização administrativa iniciada por seu pai, ampliando a autoridade real sobre a nobreza e aperfeiçoando os mecanismos de arrecadação de impostos. Também incentivou o florescimento das artes e da arquitetura renascentista, patrocinando construções, reformas de castelos e obras públicas que contribuíram para o prestígio da Coroa. Entretanto, seu reinado também foi marcado pelo aumento das tensões religiosas provocadas pelo crescimento do protestantismo. Henrique era um católico convicto e considerava o calvinismo uma ameaça à unidade do reino. Por esse motivo, endureceu significativamente a repressão contra os huguenotes, como eram conhecidos os protestantes franceses. Diversos editos ampliaram as penas contra a heresia, autorizando prisões, confiscos de bens e execuções. Essa política repressiva não eliminou o avanço da Reforma na França e acabou alimentando ressentimentos que, poucos anos após sua morte, contribuiriam para o início das sangrentas Guerras de Religião Francesas.

Henrique II também exerceu importante papel na vida dinástica da França. Seu casamento com Catarina de Médici gerou dez filhos, entre eles Francisco II, Carlos IX e Henrique III, todos futuros reis franceses. Após a morte do marido, Catarina assumiria enorme protagonismo político como regente e conselheira de seus filhos, tornando-se uma das figuras centrais da história francesa do século XVI. Durante o reinado de Henrique, a corte francesa destacou-se pelo refinamento cultural, pelo incentivo às artes e pela influência exercida por grandes famílias nobres. Ao mesmo tempo, intrigas palacianas eram frequentes, especialmente envolvendo a poderosa família Guise, os Bourbons e os Montmorency. Diane de Poitiers continuou desfrutando de enorme prestígio junto ao rei, recebendo propriedades, títulos e influência política incomuns para uma favorita real. Essa situação gerava tensões constantes com Catarina de Médici, que aguardava discretamente a oportunidade de assumir maior protagonismo. Apesar dessas rivalidades, Henrique conseguiu manter relativa estabilidade política durante boa parte de seu reinado, preservando a autoridade da monarquia até seus últimos meses de vida.

A morte de Henrique II ocorreu de forma inesperada e tornou-se um dos episódios mais famosos da história da monarquia francesa. Em junho de 1559, durante as festividades organizadas em Paris para celebrar a Paz de Cateau-Cambrésis e os casamentos dinásticos de sua filha Isabel com o rei Filipe II da Espanha e de sua irmã Margarida com o duque de Saboia, o rei participou de um torneio de justas, esporte muito popular entre os nobres da época. Em 30 de junho, enfrentando o capitão escocês Gabriel de Montgomery, sua lança quebrou-se durante o choque e uma longa lasca de madeira atravessou a viseira do capacete real, penetrando profundamente no olho direito e atingindo o cérebro. Henrique permaneceu agonizando por dez dias, sendo tratado pelos mais renomados médicos da Europa, entre eles o célebre cirurgião Ambroise Paré e o anatomista Andreas Vesalius. Apesar dos esforços, desenvolveu uma grave infecção cerebral e faleceu em 10 de julho de 1559, aos quarenta anos de idade. Sua morte mergulhou a França em um período de grande instabilidade política, permitindo que Catarina de Médici assumisse papel decisivo no governo durante os reinados de seus filhos. O falecimento prematuro de Henrique II é frequentemente apontado pelos historiadores como um dos acontecimentos que abriram caminho para as Guerras de Religião que devastariam a França nas décadas seguintes.

A Primeira Cruzada

A Primeira Cruzada
A conquista de Jerusalém pela Primeira Cruzada foi um dos acontecimentos mais marcantes da Idade Média e representou o auge da primeira grande expedição militar organizada pela cristandade ocidental rumo ao Oriente. A Primeira Cruzada foi convocada pelo papa Urbano II durante o Concílio de Clermont, em novembro de 1095. Em seu discurso, o pontífice conclamou cavaleiros, nobres e camponeses a marcharem para a Terra Santa com o objetivo de libertar Jerusalém do domínio muçulmano e garantir a segurança dos peregrinos cristãos. A convocação foi motivada tanto por razões religiosas quanto políticas, incluindo o pedido de ajuda do imperador bizantino Aleixo I Comneno, que buscava apoio contra o avanço dos turcos seljúcidas na Anatólia. Milhares de homens e mulheres atenderam ao chamado, movidos pela promessa de indulgência plenária, pela devoção religiosa, pelo desejo de riqueza ou pela busca de prestígio militar. Ao longo da jornada, os cruzados enfrentaram enormes dificuldades, como fome, doenças, deserções e longas marchas através da Europa e da Ásia Menor, mas conseguiram manter viva a expedição até alcançarem a Palestina.

Após atravessarem o Império Bizantino e conquistarem importantes cidades como Niceia e Antioquia, os cruzados seguiram em direção ao seu principal objetivo: Jerusalém. A cidade encontrava-se sob o domínio do Califado Fatímida do Egito, que havia retomado seu controle pouco antes da chegada dos exércitos cristãos. Em junho de 1099, aproximadamente doze mil cruzados cercaram Jerusalém, enquanto os defensores preparavam as muralhas para resistir ao ataque. O cerco revelou-se extremamente difícil, pois os sitiantes sofriam com a escassez de água, alimentos e madeira para construir máquinas de guerra. Com enorme esforço, conseguiram transportar madeira proveniente da região costeira e construíram torres móveis, aríetes e escadas de assalto. Também realizaram procissões religiosas ao redor das muralhas, acreditando que a fé divina lhes garantiria a vitória. Depois de várias semanas de preparação, o ataque decisivo foi lançado em 14 e 15 de julho de 1099, envolvendo diversos setores das muralhas da cidade.

Na manhã de 15 de julho de 1099, os cruzados conseguiram romper as defesas de Jerusalém. As forças comandadas por Godofredo de Bulhão foram as primeiras a penetrar na cidade após posicionarem uma torre de cerco junto às muralhas do setor norte. Pouco depois, outros contingentes liderados por nobres como Raimundo IV de Toulouse também conseguiram entrar na cidade. A tomada de Jerusalém foi seguida por um dos episódios mais violentos das Cruzadas. Fontes cristãs, muçulmanas e judaicas relatam que ocorreu um grande massacre da população, atingindo muçulmanos e judeus que ainda permaneciam na cidade. Embora os números apresentados pelos cronistas medievais provavelmente sejam exagerados, os historiadores concordam que a violência foi intensa e que milhares de pessoas morreram durante e após a conquista. Os cruzados consideraram a vitória uma demonstração da vontade divina e realizaram cerimônias religiosas no Igreja do Santo Sepulcro, considerado o local da crucificação e ressurreição de Jesus Cristo.

Após a conquista, os líderes cruzados organizaram um novo Estado cristão no Oriente, conhecido como Reino de Jerusalém. Em vez de aceitar o título de rei, Godofredo de Bulhão preferiu ser chamado de "Advogado do Santo Sepulcro", afirmando que não usaria uma coroa de ouro na cidade onde Cristo havia usado uma coroa de espinhos. Após sua morte, em 1100, seu irmão, Balduíno I de Jerusalém, tornou-se oficialmente o primeiro rei do novo reino cruzado. A partir daí foram criadas diversas instituições destinadas à defesa da Terra Santa, incluindo ordens militares como os Cavaleiros Hospitalários e, alguns anos depois, os Cavaleiros Templários. Durante quase um século, Jerusalém permaneceu sob domínio cristão, recebendo peregrinos vindos de toda a Europa e tornando-se o centro político e religioso dos Estados cruzados estabelecidos no Levante. Entretanto, o reino permaneceu constantemente ameaçado pelos Estados muçulmanos vizinhos e dependia do envio contínuo de reforços provenientes da Europa.

A conquista de Jerusalém em 1099 tornou-se o maior sucesso militar das Cruzadas e teve profundas consequências para a história medieval. A vitória fortaleceu temporariamente o prestígio do papado e alimentou o ideal da guerra santa entre os cristãos ocidentais. Ao mesmo tempo, o massacre ocorrido durante a tomada da cidade deixou uma marca duradoura na memória dos povos muçulmanos e judaicos, intensificando a hostilidade entre as diferentes religiões. O Reino de Jerusalém sobreviveu até 1187, quando a cidade foi reconquistada pelas forças do sultão Saladino após a decisiva Batalha de Hattin. A perda da cidade desencadeou a Terceira Cruzada, liderada por reis como Ricardo Coração de Leão, Filipe II da França e Frederico Barbarossa. Apesar das tentativas posteriores de retomá-la, Jerusalém nunca mais voltaria ao controle duradouro dos cruzados. Ainda hoje, a conquista da cidade pela Primeira Cruzada é considerada um dos episódios mais importantes e controversos da história das relações entre cristãos, muçulmanos e judeus, devido às suas consequências religiosas, políticas e culturais.

sábado, 11 de julho de 2026

Elvis Presley - Elvis Golden Records vol. 3

Elvis Presley - Elvis Golden Records vol. 3
Lançado em agosto de 1963, Elvis’ Golden Records Volume 3 reuniu alguns dos maiores sucessos de Elvis Presley gravados entre 1960 e 1962, período que marcou seu retorno do serviço militar e sua consolidação como o maior astro da música popular americana. Diferentemente de um álbum de estúdio tradicional, trata-se de uma coletânea cuidadosamente organizada pela RCA Victor para reunir em um único LP os principais singles lançados após sua volta aos palcos e aos estúdios. O disco apresenta um Elvis artisticamente versátil, transitando entre o rock and roll, o pop, o rhythm and blues e as baladas românticas, refletindo a diversidade de sua produção naquele período. Canções como "It's Now or Never", "Are You Lonesome Tonight?", "Surrender" e "Can't Help Falling in Love" já haviam se tornado enormes sucessos antes mesmo do lançamento da coletânea. Assim, Elvis’ Golden Records Volume 3 serviu não apenas para celebrar uma sequência impressionante de hits, mas também para reafirmar o domínio de Elvis em um mercado musical que começava a passar por profundas transformações com o surgimento de uma nova geração de artistas.

A crítica especializada recebeu o álbum de maneira bastante favorável, sobretudo porque ele reunia algumas das interpretações mais marcantes da carreira de Elvis até aquele momento. A revista Billboard destacou que a coletânea era "uma demonstração da extraordinária consistência comercial de Presley", observando que poucos artistas conseguiam acumular tantos sucessos em tão curto espaço de tempo. A Variety elogiou a seleção das faixas, afirmando que o disco "oferece praticamente um catálogo dos maiores momentos do cantor desde seu retorno do Exército". No Reino Unido, a NME (New Musical Express) ressaltou que Elvis permanecia como uma referência mundial da música popular, embora reconhecesse que o cenário começava a mudar com a ascensão do rock britânico. Mesmo assim, os críticos destacavam a qualidade vocal de Presley e sua capacidade de interpretar tanto baladas quanto canções mais vigorosas com a mesma naturalidade.

Os grandes jornais americanos também avaliaram a importância da coletânea dentro da carreira do artista. O The New York Times observou que Elvis "continuava sendo um intérprete incomparável de canções populares", destacando que sua voz havia adquirido maior maturidade e controle técnico após o serviço militar. O Los Angeles Times comentou que o álbum reunia "algumas das performances mais elegantes e emocionalmente convincentes de Presley", especialmente nas baladas românticas. Décadas depois, a Rolling Stone revisitou essa fase da carreira do cantor e destacou que os sucessos presentes em Elvis’ Golden Records Volume 3 demonstram sua extraordinária capacidade de adaptação às mudanças do mercado musical sem perder sua identidade artística. A publicação observou ainda que canções como "It's Now or Never" e "Can't Help Falling in Love" se transformaram em clássicos permanentes da música popular mundial.

Do ponto de vista comercial, Elvis’ Golden Records Volume 3 foi mais um grande sucesso da carreira de Elvis Presley. O álbum alcançou posições de destaque na Billboard 200 e vendeu milhões de cópias ao longo dos anos, recebendo certificações de ouro e posteriormente de platina pela Recording Industry Association of America. O fato de reunir sucessos que já haviam liderado as paradas americanas e internacionais contribuiu decisivamente para seu excelente desempenho comercial. Muitos dos singles incluídos no álbum alcançaram o primeiro lugar na Billboard Hot 100 ou em outras importantes paradas internacionais, consolidando ainda mais o domínio de Elvis durante os primeiros anos da década de 1960. O disco tornou-se uma das coletâneas mais vendidas de sua discografia e permaneceu durante muitos anos como referência para novos fãs que desejavam conhecer os maiores sucessos dessa fase de sua carreira.

O legado de Elvis’ Golden Records Volume 3 permanece extremamente significativo dentro da história da música popular. Especialistas o consideram uma das melhores coletâneas já lançadas por Elvis Presley, justamente por reunir uma sequência impressionante de gravações que representam o auge de sua maturidade vocal e comercial. Para muitos historiadores da música, o álbum evidencia a capacidade do cantor de evoluir artisticamente sem abandonar o enorme apelo popular que sempre caracterizou sua carreira. Entre os fãs, continua sendo uma das portas de entrada mais recomendadas para conhecer o Elvis do início dos anos 1960, período em que conciliava enormes sucessos radiofônicos com sua intensa atividade cinematográfica. Mais de seis décadas após seu lançamento, Elvis’ Golden Records Volume 3 permanece como um registro indispensável da extraordinária sequência de hits que consolidou Elvis Presley como um dos maiores artistas da história da música.

Elvis Presley – Elvis’ Golden Records Volume 3 (1963)
It's Now or Never
Stuck on You
Fame and Fortune
I Gotta Know
Surrender
I Feel So Bad
Are You Lonesome Tonight?
(Marie's the Name) His Latest Flame
Little Sister
Good Luck Charm
Anything That's Part of You
She's Not You
Wild in the Country
Wooden Heart

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

The Beatles - Please Please Me

The Beatles - Please Please Me
Lançado em 22 de março de 1963, Please Please Me marcou a estreia fonográfica de The Beatles em um álbum de estúdio e deu início a uma das carreiras mais influentes da história da música popular. Gravado praticamente em um único dia — em uma longa sessão de aproximadamente treze horas nos estúdios EMI de Abbey Road, sob a produção de George Martin — o disco capturou a energia crua e contagiante das apresentações ao vivo do grupo nos clubes de Liverpool e Hamburgo. O repertório combina composições originais da dupla John Lennon e Paul McCartney com versões de clássicos do rock and roll, do rhythm and blues e do soul americano, revelando as influências que moldaram o estilo da banda. Embora ainda distante das experimentações sonoras que caracterizariam seus trabalhos posteriores, Please Please Me apresentou ao público um grupo com harmonias vocais inovadoras, enorme carisma e talento para criar melodias inesquecíveis. Seu lançamento coincidiu com o início da Beatlemania no Reino Unido, tornando-se um dos discos mais importantes da história do rock britânico.

A crítica especializada recebeu o álbum de maneira extremamente favorável. A revista New Musical Express (NME) elogiou a espontaneidade das gravações e destacou que os Beatles conseguiam transmitir para o estúdio a mesma intensidade de seus shows ao vivo. O semanário Melody Maker afirmou que o grupo possuía "uma vitalidade rara e um talento natural para criar sucessos", prevendo uma longa carreira para o quarteto. A revista Record Mirror também destacou a qualidade das interpretações e das harmonias vocais, observando que a dupla Lennon e McCartney despontava como uma das mais promissoras da música britânica. Nos Estados Unidos, onde o álbum só seria lançado posteriormente em formato diferente, a Billboard passou a acompanhar o crescimento do fenômeno Beatles, chamando atenção para o enorme sucesso comercial que a banda conquistava no Reino Unido e para o potencial de expansão internacional.

A imprensa generalista também percebeu rapidamente que havia algo extraordinário acontecendo. O The Times destacou a capacidade da banda de unir o entusiasmo do rock americano à tradição melódica inglesa. Quando os Beatles conquistaram o mercado norte-americano em 1964, jornais como o The New York Times revisitaram o álbum de estreia e ressaltaram que ele já continha os elementos fundamentais que definiriam a carreira do grupo: composições fortes, interpretações cheias de personalidade e uma química vocal incomum. O Los Angeles Times observou que "a simplicidade das gravações não diminui sua força", mas evidencia a autenticidade do quarteto. Décadas depois, a Rolling Stone descreveria Please Please Me como "um dos álbuns de estreia mais empolgantes da história do rock", destacando especialmente a performance explosiva de Lennon em "Twist and Shout", gravada ao final da longa sessão, quando sua voz já estava praticamente exaurida.

Comercialmente, Please Please Me foi um enorme sucesso. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada britânica de LPs e permaneceu no topo por cerca de trinta semanas consecutivas, sendo substituído apenas pelo segundo álbum dos próprios Beatles, With the Beatles. O disco vendeu centenas de milhares de cópias ainda em 1963 e, ao longo das décadas, ultrapassou a marca de milhões de exemplares comercializados em todo o mundo. Os singles "Love Me Do", "Please Please Me" e "From Me to You" impulsionaram ainda mais sua popularidade e consolidaram a Beatlemania no Reino Unido antes da conquista do mercado americano. O êxito comercial do álbum transformou os Beatles na principal atração da música britânica e abriu caminho para a chamada "Invasão Britânica", que revolucionaria o mercado musical internacional a partir de 1964.

O legado de Please Please Me permanece extraordinário mais de seis décadas após seu lançamento. Historiadores da música consideram o álbum um marco fundador do rock moderno, não apenas por revelar ao mundo uma das maiores bandas de todos os tempos, mas também por demonstrar que grupos de rock poderiam escrever seu próprio repertório e construir uma identidade artística própria. Especialistas frequentemente apontam o disco como um registro autêntico da energia dos Beatles antes da fama mundial, preservando a essência de suas apresentações ao vivo. Para os fãs, ele continua sendo uma obra indispensável, repleta de juventude, entusiasmo e criatividade. Embora os Beatles tenham alcançado níveis muito maiores de sofisticação em álbuns como Rubber Soul, Revolver e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, Please Please Me permanece como o ponto de partida de uma revolução musical que transformou definitivamente a história da cultura popular.

The Beatles – Please Please Me (1963)
I Saw Her Standing There
Misery
Anna (Go to Him)
Chains
Boys
Ask Me Why
Please Please Me
Love Me Do
P.S. I Love You
Baby It's You
Do You Want to Know a Secret
A Taste of Honey
There's a Place
Twist and Shout

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Wicked: Parte II

Título no Brasil: Wicked: Parte II
Título Original: Wicked: For Good
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Winnie Holzman, Dana Fox
Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jeff Goldblum, Michelle Yeoh, Jonathan Bailey, Ethan Slater

Sinopse:
O maravilhoso mundo de Oz declara guerra á bruxa má! Para enfrentá-la eles escolhem Glinda (Ariana Grande) como sua defensora e protetora, mas isso não passa de uma farsa. Ela não tem realmente poderes mágicos. Nem o próprio Mágico de Oz (Goldblum) tem poderes reais. Tudo não passa de uma grande ilusão feita para enganar o bom povo daquela terra. 

Comentários:
Gostei mais do que o primeiro filme. Não apenas por trazer uma conclusão para essa história, mas também por ter uma duração mais adequada. O primeiro filme apresentou um corte longo demais. As crianças dos dias de hoje jamais iriam prestar atenção a um filme por tanto tempo. Parece que as reclamações surtiram efeito e dessa vez o estúdio cortou o que era desnecessário, deixando apenas o que importa. Assim temos maior fluidez nos acontecimentos. Os personagens mais tradicionais do Mágico de Oz surgem no filme, mas apenas de forma incidental. Dorothy e seus companheiros estão lá (seria impossível ignorar) mas nunca aparecem de frente, como protagonistas. Isso me fez questionar se não teria sido melhor fazer um novo filme do Mágico de Oz. Espero que isso venha a acontecer... algum dia. 

Pablo Aluísio.

Minions & Monstros

Título no Brasil: Minions & Monstros
Título Original: Minions & Monsters
Ano de Lançamento: 2026
País: França, Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Pierre Coffin
Roteiro: Pierre Coffin, Brian Lynch
Elenco: Pierre Coffin, Trey Parker, Allison Janney

Sinopse:
Os Minions estão em apuros! Agora, nessa nova aventura estrelada por essas simpáticas criaturinhas, sem juízo e sem freios, eles vão ter que enfrentar os mais diferentes tipos de monstros! Uma coisa parece certa: a diversão estará garantida para as crianças!

Comentários:
Não tem jeito! Vivemos a era de ouro das animações, pelo menos do ponto de vista comercial. Veja o caso desse novo filme. Ele está em primeiro lugar nas bilheterias mundiais! E chegou ao topo depois de tirar outra animação de lá, a nova aventura de Toy Story (o quinto filme da marca). Parece ser o tipo de produção mais lucrativa que existe atualmente, até porque os pais levam seus filhos ao cinema, aumentando ainda mais o número de espectadores. E como as crianças estão de férias, temos a tempestade perfeita! A boa notícia é que são filmes muito divertidos. Os Minions surgiram no cinema como coadjuvantes em "Meu Malvado Favorito". As crianças adoraram tanto que agora eles possuem sua própria linha de filmes, sua própria franquia. E o mais curioso de tudo é que na verdade os Minions são franceses e não americanos! Para os donos de cinema e de lojas de brinquedos (onde também são líderes de vendas) isso tem pouca importância. O que vale a pena mesmo são os lucros que vão surgindo a cada novo filme. Um brinde aos amarelinhos! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Sem Deixar Vestígios

Título no Brasil: Sem Deixar Vestígios 
Título Original: Boneyard
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Avail Films
Direção: Asif Akbar
Roteiro: Asif Akbar
Elenco: 50 Cent, Mel Gibson, Brian Van Holt

Sinopse:
Um cemitério clandestino é descoberto em um vasto campo no Texas. Dezenas de corpos. A perícia forense descobre que foram todos assassinados, o que leva os policiais a uma busca mal coordenada por um serial killer que estaria agindo naquela região. História baseada em fatos reais. 

Comentários:
Eu já conhecia essa história de um documentário que foi lançado recentemente pela Netflix. Pena que esse filme convencional seja tão fraco, apesar da história em si ter muito potencial para o cinema. Pelo visto faltaram vários elementos cruciais: um bom diretor, um roteiro bem escrito, orçamento digno, elenco capaz, etc. Eu não consigo entender essa insistência de Hollywood com esse rapper 50 Cent. Ele não é ator, não consegue falar uma linha de diálogo que seja convincente. Não serve nem para peças teatrais amadoras. O único nome de peso do elenco é Mel Gibson, mas não se engane, ele tem apenas uma participação especial interpretando um "especialista em assassinos em série". No final ele não faz muita diferença nesse filme realmente ruim. A conclusão da história é inconclusiva, o que vai deixar muita gente insatisfeita. Enfim, uma série de erros. Mais uma boa história desperdiçada por ter caido nas mãos erradas. 

Pablo Aluísio.

Protocolo de Auschwitz

Título no Brasil: Protocolo de Auschwitz
Título Original: The Auschwitz Report
Ano de Lançamento: 2021
País: Alemanha, República Tcheca
Estúdio: Agresywna Banda
Direção: Peter Bebjak
Roteiro: Peter Bebjak, Tomás Bombík
Elenco: Noel Czuczor, Peter Ondrejicka, Florian Panzner

Sinopse:
Dois prisioneiros judeus planejam uma fuga desesperada do campo de concentração alemão de Auschwitz, durante a segunda guerra mundial. Eles planejam fugir para denunciar o que estaria ocorrendo dentro daquele lugar. Vai ser um momento crucial em suas vidas, de luta por justiça. 

Comentários: 
A história desse filme foi baseada em fatos históricos reais e demonstra bem que durante a guerra poucas autoridades pareciam dispostas e ajudar o povo judeu, naquele momento sofrendo as atrocidades do holocausto. Aqui temos dois prisioneiros que planejam uma fuga até mesmo simples, se escondendo em toras de madeira que eram enviados para fora de Auschwitz. Quando os guardas descobrem que eles sumiram começa uma política de torturas contra os demais prisioneiros de sua ala. Era algo do protocolo do campo de concentração. Se um prisioneiro fugisse, todos os demais iriam pagar por essa fuga. Pura covardia, bem típica da perversidade inerente ao regime nazista. Apesar de ser um filme com orçamento modesto, conta bem sua história. Pena que mesmo com tanto esforço, esses judeus foram duplamente injustiçados. Primeiro pelos guardas de Auschwitz e depois lá fora, quando foram ignorados pelas autoridades de plantão. Pois é, a vida muitas vezes simplesmente não é justa. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Manson

Título no Brasil: Manson
Título Original: Manson
Ano de Lançamento: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Merrick International
Direção: Robert Hendrickson, Laurence Merrick
Roteiro: Robert Hendrickson, Laurence Merrick
Elenco: Charles Manson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel, Leslie Van Houten, Lynette 'Squeaky' Fromme

Sinopse:
Intitulado originalmente de "Manson (1973) - Welcome to the Family Cult", esse filme é um documentário sobre o assassino Charles Manson e seus seguidores, que se denominavam "A família Manson". Os diretores foram até o rancho onde os membros dessa seita ainda moravam e entrevistou vários deles, pelo menos os que ainda não tinham sido presos pelos crimes cometidos por Manson. 

Comentários:
Muito interessante esse documentário. Esse filme foi produzido ainda no calor dos acontecimentos. Esses diretores tiveram bastante coragem porque foram até o ninho da serpente, no rancho Spahn, onde ainda moravam os seguidores remanescentes da família Manson. Um bando de hippies drogados e malucos que ainda afirmavam que Manson era Jesus Cristo, mesmo após ele ser condenado pelas mortes da atriz Sharon Tate e demais vítimas daqueles crimes infames. Dentre esses depoimentos dessa gente fanatizada o que mais me impressionou foi a da tal de 'Squeaky'. Uma garota ruivinha, bem bonitinha, que foi uma das primeiras seguidoras de Manson. Com arma na mão, ela ainda estava cheia de LSD na cuca, falando todo tipo de atrocidades e barbaridades. Para ela, Manson era sem nenhuma dúvida o próprio Cristo que voltou à Terra conforme havia prometido depois da crucificação. Esse documentário captou até onde vai a mente humana depois de uma enorme lavagem cerebral. Uma grande lição de história que infelizmente ainda iria se repetir em outras seitas e cultos ao longo dessas últimas décadas. 

Pablo Aluísio.

Muralhas do Pavor

Título no Brasil: Muralhas do Pavor
Título Original: Tales of Terror
Ano de Lançamento: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: American International Pictures
Direção: Roger Corman
Roteiro: Richard Matheson
Elenco: Vincent Price, Peter Lorre, Basil Rathbone, Debra Paget, Maggie Pierce, Leona Gage

Sinopse:
O filme é uma antologia de terror composta por três histórias baseadas em contos de Edgar Allan Poe. No primeiro segmento, “Morella”, um homem retorna à casa de seu pai e confronta um passado marcado por morte e obsessão. No segundo, “The Black Cat”, acompanhamos um enredo mais irônico e macabro envolvendo rivalidade, alcoolismo e assassinato. Já no terceiro, “The Facts in the Case of M. Valdemar”, um experimento de hipnose ultrapassa limites éticos e mergulha no sobrenatural. As três histórias exploram temas como loucura, vingança e morte, com forte atmosfera gótica.

Comentários:
Lançado em 1962, Tales of Terror foi bem recebido dentro do circuito de filmes de terror da época, especialmente pelos fãs do gênero. A revista Variety destacou o estilo característico de Roger Corman e a fidelidade ao clima das obras de Edgar Allan Poe, enquanto outros críticos elogiaram a atuação de Vincent Price, que se consolidava como um dos grandes ícones do terror clássico. O filme teve bom desempenho comercial dentro de seu orçamento modesto e ajudou a fortalecer a série de adaptações de Poe realizadas por Corman nos anos 1960. Com o passar do tempo, tornou-se um título cult, lembrado pela combinação de humor negro e horror atmosférico, além do encontro memorável entre Vincent Price e Peter Lorre. Hoje, é considerado uma peça importante do cinema de terror clássico e uma das adaptações mais interessantes da obra de Edgar Allan Poe.

Erick Steve.