domingo, 23 de agosto de 2026

Fotogramas & Vídeo: Mais Forte que a Vingança

Fotogramas & Vídeo: Mais Forte que a Vingança
Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson) é um dos mais belos e particulares filmes da carreira de Robert Redford. Lançado em 1972 e dirigido por Sydney Pollack, o filme abandona o faroeste tradicional para acompanhar um homem que decide deixar para trás a civilização e procurar uma vida de isolamento nas montanhas do Oeste americano. Redford interpreta Jeremiah Johnson, um ex-soldado que, depois de sua experiência na guerra, parte em busca de uma existência simples e independente, aprendendo a caçar, pescar e sobreviver em condições extremamente difíceis. A história é inspirada em relatos e lendas sobre o famoso homem das montanhas John “Liver-Eating” Johnson, embora o filme tome consideráveis liberdades com a realidade histórica. O roteiro contou com John Milius e Edward Anhalt e foi baseado em material literário de Vardis Fisher e outras fontes sobre a figura lendária. A natureza, portanto, não funciona apenas como cenário: ela é praticamente uma personagem, impondo frio, fome, solidão e perigos constantes ao protagonista.

Sydney Pollack realizou um faroeste contemplativo, muito distante das aventuras convencionais protagonizadas por heróis invencíveis. Jeremiah começa sua jornada completamente despreparado e precisa aprender, pouco a pouco, os códigos da sobrevivência. No caminho, encontra o experiente “Bear Claw”, interpretado por Will Geer, que lhe ensina os conhecimentos necessários para enfrentar a vida selvagem. Posteriormente, Johnson constrói uma pequena família e acredita finalmente ter encontrado a paz que procurava. Essa tranquilidade, entretanto, é destruída quando acontecimentos envolvendo povos indígenas provocam uma sucessão de conflitos e colocam o personagem no caminho da vingança. O interessante é que Pollack não transforma essa vingança em uma simples aventura de ação. O filme está muito mais interessado na transformação psicológica do protagonista e na maneira como a violência interfere na vida de alguém que originalmente desejava justamente fugir dela. A solidão, a sobrevivência e a busca por liberdade acabam se tornando os verdadeiros temas de Mais Forte que a Vingança.

A crítica reconheceu desde o início a qualidade cinematográfica da produção, embora alguns críticos considerassem seu ritmo excessivamente lento. Roger Greenspun, do The New York Times, reconheceu no filme momentos de grande beleza, terror e emoção, enquanto o Los Angeles Times destacou sua extraordinária autenticidade na representação da vida selvagem. Já o Washington Post considerou a narrativa excessivamente contemplativa e menos emocionante do que poderia ser. Com o passar das décadas, porém, a reputação de Jeremiah Johnson cresceu consideravelmente. Atualmente, o filme possui avaliação crítica muito elevada no Rotten Tomatoes, que destaca a atuação de Redford e a natureza reflexiva da narrativa. A fotografia de Duke Callaghan e Andrew Callaghan valoriza os enormes espaços naturais de Utah, criando imagens de montanhas cobertas de neve, florestas, rios e vales que permanecem entre as mais bonitas do cinema americano daquele período. O filme também foi exibido no Festival de Cannes de 1972, em competição pela Palma de Ouro, demonstrando que não era encarado apenas como mais um western comercial de Hollywood.

Com um orçamento relativamente modesto, estimado em cerca de US$ 3,1 milhões, Mais Forte que a Vingança tornou-se um sucesso comercial significativo, alcançando aproximadamente US$ 44,7 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos e Canadá, além de obter novas receitas com seus relançamentos. O filme também se tornou uma das colaborações mais importantes entre Robert Redford e Sydney Pollack, parceria que posteriormente produziria obras como Nosso Amor de Ontem e Três Dias do Condor. Redford encontrou em Jeremiah Johnson um personagem muito diferente do galã elegante que começava a se consolidar como uma das grandes estrelas americanas. Aqui, aparece barbudo, envelhecido pela vida nas montanhas, silencioso e profundamente marcado pelas experiências que atravessa. Pollack, por sua vez, utiliza o faroeste para fazer uma reflexão sobre liberdade, isolamento, violência e a relação entre o homem e a natureza. É justamente essa combinação que explica por que Mais Forte que a Vingança continua sendo lembrado como um dos grandes filmes de Robert Redford e uma das obras mais interessantes do chamado western revisionista dos anos 1970.

PS: Essa nova coluna resolvi chamar de "Fotogramas & Vídeo". Não, não se trata de material tirado da antiga revista brasileira de cinema e nem da original, espanhola. É apenas um título nostálgico, de um tempo em que existia muitas revistas de cinema nas bancas. Hoje não existe mais revistas no Brasil, nem bancas! Sempre achei isso um absurdo! E para completar a saudade dos anos 80 recriei, por inteligência artificial, a capa dessas velhas revistas, como se fosse uma nova edição chegando nas bancas. Tudo virtual. Pois é, a tecnologia não apenas destrói, mas também abre espaço para esse tipo de nostalgia de um passado que não existe mais. 

Pablo Aluísio. 

Fotogramas & Vídeo: Inferno na Torre

Fotogramas & Vídeo: Inferno na Torre
Inferno na Torre (The Towering Inferno) chegou aos cinemas em 1974 como uma das maiores superproduções de catástrofe da década. Dirigido por John Guillermin, o filme reuniu dois dos maiores astros de Hollywood daquele período: Paul Newman e Steve McQueen. A história se passa durante a inauguração de um gigantesco arranha-céu em San Francisco, considerado o edifício mais alto e moderno do mundo. O arquiteto Doug Roberts, interpretado por Newman, percebe que alguns sistemas elétricos foram instalados de maneira inadequada e começa a desconfiar que o prédio não é tão seguro quanto deveria. Quando um curto-circuito provoca um incêndio, uma festa de gala transforma-se rapidamente em uma luta desesperada pela sobrevivência. O filme aproveitou o fascínio dos anos 1970 pelos grandes desastres e apresentou uma combinação de suspense, ação e drama humano. A dimensão da produção também era extraordinária para a época, com enormes cenários construídos para reproduzir os diversos andares do arranha-céu. O resultado foi uma experiência cinematográfica grandiosa, pensada para impressionar o público nas grandes telas.

Um dos maiores atrativos de Inferno na Torre era justamente seu elenco, que reunia uma quantidade impressionante de estrelas. Além de Paul Newman e Steve McQueen, estavam no filme William Holden, Faye Dunaway, Fred Astaire, Jennifer Jones, Robert Vaughn, Robert Wagner, Susan Blakely e O. J. Simpson. McQueen interpretava o chefe dos bombeiros Michael O'Hallorhan, responsável por organizar o resgate dos sobreviventes, enquanto Newman vivia o arquiteto que precisava enfrentar as consequências de um projeto comprometido pela ganância. A presença dos dois astros criou uma interessante divisão de protagonismo, e a publicidade explorou bastante essa rivalidade entre as duas grandes estrelas. O filme também ficou conhecido pela curiosa decisão de dividir o nome dos protagonistas nos créditos de maneira praticamente equivalente, refletindo o cuidado dos estúdios em não estabelecer uma hierarquia entre eles. Faye Dunaway acrescentava uma presença romântica e dramática à história, enquanto Fred Astaire, em uma atuação indicada ao Oscar, demonstrava que ainda podia emocionar o público em um papel bastante diferente daqueles musicais que haviam marcado sua carreira. A combinação de estrelas transformou o filme em um verdadeiro acontecimento de Hollywood.

A crítica reconheceu principalmente a eficiência técnica da produção e sua capacidade de criar suspense a partir de uma situação extremamente simples: pessoas presas dentro de um edifício em chamas. O roteiro foi baseado nos romances The Tower, de Richard Martin Stern, e The Glass Inferno, de Thomas N. Scortia e Frank M. Robinson, que haviam sido publicados pouco antes. A produção utilizou efeitos especiais, miniaturas, cenários gigantescos e complexas sequências de incêndio para transmitir a sensação de que o arranha-céu estava realmente sendo destruído diante do espectador. A fotografia de Fred J. Koenekamp valorizava o contraste entre o luxo do edifício e o vermelho das chamas, enquanto a música de John Williams contribuía para aumentar a tensão. O filme recebeu oito indicações ao Oscar e venceu três: Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Canção Original, por “We May Never Love Like This Again”, interpretada por Maureen McGovern. Também recebeu indicações em categorias como Melhor Ator Coadjuvante para Fred Astaire e Melhor Atriz Coadjuvante para Jennifer Jones. Mesmo quando a crítica considerava alguns elementos melodramáticos ou excessivos, era difícil negar a eficiência do espetáculo. Inferno na Torre tornou-se, assim, uma referência do cinema de catástrofe.

Com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 14 milhões, Inferno na Torre transformou-se em um gigantesco sucesso comercial e terminou sua carreira original com uma bilheteria mundial de mais de US$ 200 milhões, tornando-se uma das maiores arrecadações da década de 1970. Mais do que um simples filme sobre um incêndio, a produção capturou uma preocupação muito presente naquele período: a confiança excessiva na tecnologia e nos grandes projetos arquitetônicos. O arranha-céu, símbolo de progresso e modernidade, transforma-se justamente no maior perigo para aqueles que estão dentro dele. Essa ideia ajudou a dar ao filme uma dimensão que ultrapassava o espetáculo. Décadas depois, Inferno na Torre continua sendo lembrado como um dos títulos fundamentais do cinema de catástrofe, ao lado de Aeroporto, Terremoto e O Destino do Poseidon. Para uma coluna como Fotogramas e Video, ele também possui um encanto especial: representa uma época em que Hollywood apostava em grandes elencos, cenários monumentais e histórias capazes de transformar uma sessão de cinema em um acontecimento. Paul Newman, Steve McQueen e aquele gigantesco edifício em chamas permanecem como uma das imagens mais marcantes do cinema popular dos anos 1970.

sábado, 22 de agosto de 2026

Elvis Presley - G.I. Blues

Elvis Presley - G.I. Blues
Lançado em 23 de setembro de 1960, G.I. Blues foi um dos trabalhos mais importantes da primeira fase pós-militar de Elvis Presley e sua terceira trilha sonora cinematográfica. O álbum acompanhava o filme de mesmo nome, produzido pela Paramount, que marcou o retorno de Elvis ao cinema depois de seu período de serviço militar na Alemanha. As gravações aconteceram entre abril e maio de 1960, nos estúdios da RCA e da Radio Recorders, em Hollywood. Hal Wallis supervisionou a produção do filme, enquanto Elvis trabalhou com músicos como Scotty Moore, D. J. Fontana e os The Jordanaires. Musicalmente, o álbum é muito diferente do Elvis mais agressivo dos anos 1950: há rock and roll, pop, country e baladas, mas tudo apresentado dentro de uma estética mais comercial. A própria página oficial de Elvis destaca "Doin' the Best I Can" pela interpretação vocal controlada e "Pocketful of Rainbows" pelo desafio vocal oferecido ao cantor.

A recepção crítica de G.I. Blues foi marcada por uma avaliação relativamente favorável da música, embora os críticos percebessem que Elvis estava entrando em uma fase muito mais comercial. O álbum não possuía a mesma liberdade artística de Elvis Is Back!, lançado poucos meses antes, mas apresentava interpretações competentes e uma produção extremamente profissional. A avaliação retrospectiva do AllMusic, assinada por Stephen Thomas Erlewine, considera G.I. Blues um ponto importante porque marca o início da fase dos anos 1960 em que as trilhas sonoras passariam a ocupar espaço cada vez maior na carreira de Elvis. A análise observa que o disco está longe de ser tão problemático quanto algumas trilhas posteriores, embora também deixe evidente que esse caminho não favoreceria artisticamente o cantor. A Billboard, por sua vez, acompanhou o enorme potencial comercial do lançamento, que rapidamente se transformou em um dos grandes sucessos fonográficos de Elvis naquele ano. O álbum demonstrava que, mesmo com repertório criado para um filme, a voz e o carisma de Presley continuavam sendo capazes de dominar o mercado.

Outro aspecto interessante da recepção foi a maneira como G.I. Blues refletia a nova imagem pública de Elvis. Depois de dois anos no Exército, ele retornava ao mercado como uma figura muito mais aceitável para o público adulto, e o repertório da trilha sonora ajudava a construir essa imagem. "Wooden Heart", por exemplo, possuía uma atmosfera pop bastante diferente do rock and roll provocador de seus primeiros anos. "Blue Suede Shoes", por outro lado, recuperava diretamente uma de suas raízes musicais. A crítica posterior percebeu justamente essa mistura de estilos como um retrato da transformação de Elvis no início da década. A própria página oficial do cantor reconhece que Elvis estava decepcionado com o filme e com parte do material musical, mas também observa que ele entregou uma performance "suavemente profissional". Essa avaliação ajuda a compreender o álbum: não se trata de um trabalho revolucionário, mas de uma gravação extremamente eficiente, na qual Elvis demonstra profissionalismo mesmo quando o repertório não alcança a qualidade de seus melhores discos. A trilha também mostrava como a indústria cinematográfica começava a moldar cada vez mais sua produção musical.

Comercialmente, entretanto, G.I. Blues foi um grande triunfo. O álbum chegou ao primeiro lugar da parada de álbuns da Billboard, permanecendo no topo por dez semanas, e tornou-se o quinto álbum de Elvis a alcançar o número 1 nos Estados Unidos. No Reino Unido, também alcançou o primeiro lugar, permanecendo 51 semanas na parada, das quais 22 no Top 10. A própria página oficial de Elvis informa que a trilha vendeu aproximadamente 750 mil cópias, um resultado extraordinário para uma trilha sonora. O álbum recebeu certificação de ouro em 1963 e posteriormente de platina pela RIAA. "Wooden Heart" tornou-se particularmente importante internacionalmente: no Reino Unido, a gravação de Elvis chegou ao primeiro lugar, enquanto nos Estados Unidos a versão de Joe Dowell alcançou o topo da Billboard Hot 100.

O legado de G.I. Blues é complexo, mas extremamente importante para compreender a carreira de Elvis Presley. Artisticamente, ele representa o início de uma fase na qual as trilhas sonoras passaram a ocupar uma parcela cada vez maior de sua discografia, processo que posteriormente produziria trabalhos bastante irregulares. Comercialmente, porém, o álbum provou que a estratégia funcionava extraordinariamente bem: Elvis continuava capaz de transformar uma trilha cinematográfica em um fenômeno mundial. Para os fãs, o disco também possui o valor histórico de registrar o Elvis que acabava de retornar do Exército e começava a reconstruir sua carreira no início de uma nova década. "G.I. Blues", "Wooden Heart", "Pocketful of Rainbows" e "Doin' the Best I Can" continuam sendo faixas lembradas pelos admiradores de sua obra. Hoje, especialistas tendem a considerá-lo menos importante artisticamente que Elvis Is Back!, mas reconhecem sua importância histórica e comercial. G.I. Blues permanece, portanto, como um documento fundamental da transformação de Elvis: do rebelde do rock dos anos 1950 para o grande astro internacional do cinema e da música dos anos 1960.

Elvis Presley - G.I. Blues (1960)
Tonight Is So Right for Love
What's She Really Like
Frankfort Special
Wooden Heart
G.I. Blues
Pocketful of Rainbows
Shoppin' Around
Big Boots
Didja' Ever
Blue Suede Shoes
Doin' the Best I Can

Pablo Aluísio e Erick Steve.  

Cleopatra: Original Soundtrack Album

Cleopatra: Original Soundtrack Album 
Lançado em 1963, Cleopatra: Original Soundtrack Album é a trilha sonora do monumental filme Cleopatra, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e estrelado por Elizabeth Taylor, Richard Burton e Rex Harrison. A música foi composta e regida por Alex North, um dos grandes compositores de Hollywood, conhecido também por trabalhos como A Streetcar Named Desire e Spartacus. North recebeu a difícil tarefa de criar uma trilha para uma produção de proporções gigantescas, cuja duração ultrapassava quatro horas na versão final. O compositor construiu uma música igualmente grandiosa, mas sem depender exclusivamente do espetáculo orquestral. A trilha combina temas românticos, música de caráter orientalizante, tensão dramática e passagens de grande força sinfônica. Temas como "Cleopatra Enters Rome", "Caesar's Assassination" e "Antony and Cleopatra" demonstram a capacidade de North de associar diferentes motivos musicais aos personagens e acontecimentos da história. O álbum original foi lançado pela 20th Century Fox Records em 1963, em uma seleção de faixas que procurava transportar para o disco a atmosfera monumental do filme.

A recepção musical foi bastante respeitosa, principalmente entre os especialistas em trilhas sonoras. Embora Cleopatra tenha sido cercado por controvérsias devido ao enorme orçamento e aos problemas de produção, a música de Alex North foi reconhecida como um dos pontos artisticamente mais sólidos do filme. A avaliação retrospectiva do AllMusic, assinada por Stephen Cook, considera a trilha uma obra "imponente, mas sempre intrigante", destacando a combinação entre grandiosidade e mistério. O crítico chama atenção para momentos como "A Gift for Caesar" e "Taste of Death", nos quais North abandona o simples espetáculo e cria uma atmosfera mais sombria e misteriosa. A trilha também demonstra grande variedade temática, alternando passagens de enorme intensidade com momentos de delicadeza. Isso era especialmente importante porque North precisava acompanhar uma narrativa que atravessava décadas da história romana e egípcia. A música precisava representar batalhas, cerimônias, intrigas políticas e romances, e o compositor conseguiu desenvolver uma linguagem musical suficientemente ampla para acompanhar todas essas situações.

A importância artística da trilha tornou-se ainda mais evidente com o passar das décadas. A crítica especializada passou a reconhecer que Alex North havia produzido uma das grandes partituras épicas do cinema americano dos anos 1960. O site Filmtracks classificou a trilha como uma obra altamente original e intrigante, destacando principalmente o uso dos instrumentos de cordas e de elementos como guitarra, bandolim e harpa na construção dos temas. O tema principal associado a Cleópatra possui uma qualidade sedutora e ambiciosa, enquanto os temas ligados a César e Marco Antônio assumem características diferentes, permitindo que a música acompanhe a evolução dos relacionamentos. A trilha também recebeu reconhecimento institucional: em 1964, foi indicada ao Oscar de Melhor Trilha Sonora – Substancialmente Original e ao Grammy de Melhor Trilha Sonora de Filme ou Televisão, embora tenha perdido ambas as premiações para Tom Jones, de John Addison. Assim, mesmo sem conquistar os principais prêmios, a obra de North foi oficialmente reconhecida entre as grandes partituras cinematográficas de sua época.

Comercialmente, a situação de Cleopatra foi bastante diferente da importância artística de sua música. A edição original em vinil foi lançada em 1963 com uma seleção relativamente curta da partitura, e as diferentes versões do álbum posteriormente apresentaram quantidades diferentes de faixas. A edição original em estéreo chegou a reunir 14 faixas, enquanto a versão mono possuía 13. O álbum não se tornou um fenômeno comercial comparável aos grandes discos de música popular daquele período, mas permaneceu valorizado entre colecionadores e admiradores de trilhas sonoras. Décadas depois, a importância da obra levou à recuperação de praticamente toda a música composta por North para o filme. Em 2001, a Varèse Sarabande lançou uma edição de luxo em dois CDs, com 53 faixas e aproximadamente 151 minutos de música, apresentando a trilha praticamente completa em ordem cronológica. Essa edição tornou-se a referência moderna para quem deseja conhecer integralmente o trabalho de Alex North em Cleopatra.

O legado de Cleopatra como trilha sonora é hoje muito maior do que sua importância comercial original poderia sugerir. Especialistas em música para cinema consideram a partitura de Alex North um dos elementos mais sofisticados da produção, justamente porque ela consegue equilibrar espetáculo, romance, tragédia e tensão sem transformar todos os momentos em música puramente grandiosa. A edição de 2001 foi fundamental para recuperar uma quantidade enorme de material que não aparecia no LP original e permitiu que novas gerações conhecessem a extensão do trabalho de North. Para os admiradores de cinema clássico, a trilha tornou-se inseparável da imagem de Elizabeth Taylor como Cleópatra e do universo visual criado por Mankiewicz. Hoje, Cleopatra é lembrado não apenas pelo espetáculo cinematográfico e pelas controvérsias de sua produção, mas também por possuir uma das partituras mais ambiciosas de sua época. O trabalho de Alex North permanece como um exemplo marcante de como a música pode ampliar a dimensão emocional e histórica de um grande épico cinematográfico.

Cleopatra: Original Soundtrack Album (1963)
Caesar and Cleopatra
A Gift for Caesar
The Fire Burns, The Fire Burns
Taste of Death
Cleopatra Enters Rome
Caesar's Assassination
Antony and Cleopatra
Cleopatra's Barge
Love and Hate
My Love Is My Master
Grant Me an Honorable Way to Die
Dying Is Less Than Love
"Antony - Wait..."

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O Fim da Rua

O Fim da Rua
O Fim da Rua (The End of Oak Street) chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 14 de agosto de 2026, marcando o retorno do diretor David Robert Mitchell ao cinema oito anos depois de Under the Silver Lake. O filme foi escrito e dirigido pelo próprio Mitchell e produzido por J.J. Abrams, através da Bad Robot, em parceria com Jackson Pictures. O elenco principal é liderado por Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella e Christian Convery, com participações de Jordan Alexa Davis, P.J. Byrne e Chris Coy. A produção começou originalmente com o título Flowervale Street, mas a Warner Bros. mudou o nome para The End of Oak Street durante o processo de divulgação. Filmado em Londres e Atlanta, o projeto mistura ficção científica, suspense, aventura e horror de criaturas, assumindo deliberadamente uma atmosfera nostálgica dos grandes filmes de aventura dos anos 1980. A história acompanha Denise e Greg Platt, um casal que vive com seus dois filhos em um pacato bairro suburbano de Michigan. De repente, fenômenos inexplicáveis começam a alterar o ambiente: o calor aumenta, plantas pré-históricas aparecem e sinais de criaturas desconhecidas surgem pelas casas. Logo a família descobre que seu bairro foi misteriosamente arrancado do mundo contemporâneo e transportado para um período pré-histórico dominado por dinossauros. Presos em um ambiente completamente desconhecido, os Platt precisam lutar pela sobrevivência enquanto tentam descobrir como retornar para casa.

A reação inicial da crítica americana foi positiva, embora longe de ser unânime. A Variety classificou o filme como uma produção "absurda", mas também como uma diversão irresponsável e eficiente, destacando que Mitchell consegue transformar uma premissa absurda em um entretenimento de verão bastante agradável. O The New Yorker adotou uma posição mais sofisticada e descreveu o filme como um thriller suburbano peculiar e alienante, destacando as influências de Steven Spielberg, Alfred Hitchcock e Stephen King. A revista considerou particularmente interessante a maneira como Mitchell combina nostalgia com uma atmosfera mais estranha e desconfortável, típica de seus trabalhos anteriores. Anne Hathaway recebeu elogios por conferir maior profundidade à personagem Denise, uma mulher emocionalmente frustrada que acaba se transformando em uma heroína diante da ameaça dos dinossauros. O Los Angeles Times, entretanto, foi muito menos entusiasmado e definiu a produção como uma espécie de "cosplay de Spielberg dos anos 80", criticando justamente o excesso de referências e a dependência da nostalgia. Assim, o panorama crítico americano ficou dividido entre aqueles que enxergaram uma divertida homenagem ao cinema de aventura e aqueles que consideraram a produção excessivamente derivativa.

A crítica europeia apresentou uma divisão semelhante. No Reino Unido, o The Guardian foi particularmente negativo, descrevendo O Fim da Rua como uma aventura suburbana com dinossauros que seria "mais peru do que T-Rex". O jornal reconheceu que a premissa é inicialmente divertida e que existem momentos visualmente inventivos, mas criticou a falta de profundidade emocional, originalidade e tensão. Para o crítico, Mitchell parece estar reproduzindo movimentos cinematográficos de outros realizadores em vez de desenvolver plenamente uma identidade própria para o projeto. Já o Financial Times apresentou uma visão muito mais favorável, atribuindo ao filme quatro estrelas e considerando-o um espetáculo inteligente, divertido e cheio de personalidade. A publicação destacou a mistura de referências de Jurassic Park, The Twilight Zone e da estética nostálgica dos anos 1980, além de interpretar alguns elementos da história como alegorias relacionadas às mudanças climáticas. O resultado é uma recepção europeia essencialmente dividida entre aqueles que consideram o filme uma homenagem divertida e aqueles que o enxergam como um pastiche excessivamente dependente de referências. 

Com um orçamento de aproximadamente US$ 85 milhões, a produção foi concebida como um filme de ficção científica de médio porte, consideravelmente mais barato que os grandes espetáculos da franquia Jurassic World. O resultado comercial inicial, entretanto, ficou abaixo das expectativas, muito embora o filme esteja no terceiro lugar atualmente na lista das maiores bilheterias americanas, ficando atrás do novo filme do Homem-Aranha e do épico "A Odisséia". O filme estreou nos Estados Unidos com aproximadamente US$ 21 milhões no primeiro fim de semana, enquanto sua arrecadação mundial inicial chegou a cerca de US$ 47 milhões. O resultado foi particularmente decepcionante porque a produção recebeu críticas relativamente positivas e possuía duas estrelas de grande reconhecimento internacional, Anne Hathaway e Ewan McGregor. Parte do problema foi a forte concorrência de Spider-Man: Brand New Day, que permanecia no topo das bilheterias, além da disputa por salas IMAX. A reação do público também foi mais moderada do que a dos críticos: o filme recebeu B no CinemaScore, indicando uma aprovação razoável, mas sem o entusiasmo típico de um grande fenômeno comercial. Portanto, apesar de ter conseguido atrair espectadores e registrar números respeitáveis para uma produção original, o filme começou sua trajetória comercial abaixo do necessário para ser considerado um grande sucesso.

Como o filme acaba de chegar aos cinemas, ainda é cedo para determinar sua posição definitiva entre os filmes mais recentes de aventura juvenil. A recepção crítica inicial, entretanto, sugere que The End of Oak Street poderá desenvolver uma reputação mais interessante com o passar dos anos. O Rotten Tomatoes registrou aproximadamente 85% de aprovação da crítica em seus primeiros dias, e diversas publicações classificaram o filme entre as surpresas positivas do verão cinematográfico de 2026. O Screen Rant o chamou de um dos filmes mais agradáveis da temporada, enquanto a IndieWire destacou sua capacidade de surpreender dentro de um verão repleto de grandes produções. O filme também chama atenção por utilizar uma premissa relativamente simples sem depender de uma franquia já estabelecida, algo cada vez menos comum entre os grandes lançamentos de Hollywood. Sua estrutura de aventura familiar, combinada com dinossauros, viagem temporal e suspense, oferece potencial para transformar a obra em um filme querido pelos mais jovens ou em um título redescoberto pelo público depois de sua passagem pelos cinemas. Por outro lado, as críticas sobre a falta de originalidade e o baixo desempenho inicial indicam que provavelmente não será imediatamente considerado um dos melhores de seu gênero. Ainda assim, a combinação de Mitchell, Hathaway, McGregor e J.J. Abrams poderá fazer com que o filme seja reavaliado no futuro, especialmente quando chegar às plataformas de streaming e alcançar um público maior.

O Fim da Rua (The End of Oak Street, Estados Unidos, 2026) Direção: David Robert Mitchell / Roteiro: David Robert Mitchell / Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery, Jordan Alexa Davis e P.J. Byrne / Sinopse: Uma família suburbana vê sua vizinhança ser misteriosamente transportada para um mundo pré-histórico e precisa enfrentar dinossauros e outros perigos enquanto procura uma maneira de voltar para casa.

Erick Steve. 

Operação Lioness

Operação Lioness
Lioness, originalmente lançada como Special Ops: Lioness, estreou no Paramount+ em 23 de julho de 2023, criada e escrita por Taylor Sheridan, um dos principais nomes da televisão americana contemporânea e responsável por produções como Yellowstone, 1883 e Mayor of Kingstown. A série foi concebida como um thriller de espionagem e ação inspirado no programa militar americano conhecido como Lioness, no qual mulheres eram utilizadas em operações de inteligência e contato com mulheres em ambientes onde soldados homens enfrentavam limitações operacionais. O elenco principal da primeira temporada reuniu Zoe Saldaña, Laysla De Oliveira, Nicole Kidman, Michael Kelly, Dave Annable e LaMonica Garrett, enquanto Morgan Freeman assumiu posteriormente um dos papéis políticos mais importantes da produção. Saldaña interpreta Joe, uma agente experiente encarregada de coordenar operações clandestinas para a CIA, enquanto Laysla De Oliveira vive Cruz Manuelos, uma jovem fuzileira recrutada para uma missão extremamente perigosa. A trama acompanha o treinamento de Cruz e sua infiltração no círculo social de Aaliyah, filha de um importante terrorista, enquanto Joe tenta controlar a operação e, simultaneamente, administrar os problemas de sua própria família. A série combina espionagem, operações militares, terrorismo, conflitos políticos e drama familiar, mostrando tanto as missões de campo quanto o desgaste psicológico provocado pela vida clandestina.

A reação da crítica à primeira temporada foi mista, embora praticamente todos os avaliadores reconhecessem a qualidade do elenco e das cenas de ação. No The New York Times, Mike Hale considerou que a série parecia "muito semelhante" a outros thrillers de contraterrorismo, embora reconhecesse o impacto visceral das sequências de ação. A Variety, em crítica de Alison Herman, foi mais severa e argumentou que a abordagem de Sheridan ao protagonismo feminino acabava servindo à lógica do complexo militar-industrial. Já o The Hollywood Reporter resumiu sua avaliação de maneira bastante dura, chamando a série de "great army ad, lackluster drama". A crítica americana, portanto, não rejeitou completamente a produção, mas apontou que o roteiro frequentemente ficava atrás da qualidade dos atores e da dimensão de sua produção. O Entertainment Weekly atribuiu nota C+, classificando Lioness como um drama de inteligência apenas razoável que escapava da mediocridade graças às suas duas protagonistas. Em contrapartida, o Chicago Sun-Times considerou que a produção tinha todos os elementos de um thriller militar de espionagem envolvente. No Rotten Tomatoes, a primeira temporada terminou com apenas 54% de aprovação da crítica, contra 76% do público, mostrando claramente a diferença entre a recepção especializada e a reação dos espectadores.

Na crítica britânica, a recepção também foi dividida, mas houve reconhecimento maior do valor de entretenimento. A revista Empire deu três estrelas de cinco e afirmou que, apesar de ocasionalmente esticar a credibilidade, Sheridan conseguia misturar ação explosiva de espionagem com problemas domésticos de maneira bastante absorvente. O Daily Telegraph, por sua vez, classificou a série como um thriller de ação eficaz, embora superficial, observando que lhe faltava a complexidade de Homeland e criticando diálogos considerados excessivamente artificiais. O London Evening Standard foi mais favorável e destacou particularmente Zoe Saldaña, descrita como "cool, calculated, self-restrained" no papel de Joe. Apesar das críticas, a produção conseguiu reconhecimento em importantes premiações. Zoe Saldaña venceu o Critics Choice Super Award de Melhor Atriz em Série de Ação, enquanto a série recebeu indicações em diferentes premiações, incluindo os Asia Contents Awards & Global OTT Awards e os Critics Choice Television Awards. Em 2025, Lioness recebeu ainda uma indicação ao Emmy na categoria de Outstanding Stunt Coordination for Drama Programming, demonstrando que a qualidade de suas sequências de ação passou a ser reconhecida pela indústria.

Diferentemente de um filme convencional, Lioness não possui uma bilheteria tradicional, pois é uma produção de streaming distribuída pelo Paramount+. O desempenho comercial, portanto, deve ser medido principalmente pela capacidade de atrair e manter assinantes e pela repercussão da série dentro da plataforma. A produção recebeu uma segunda temporada, lançada em 27 de outubro de 2024, o que demonstrou que o Paramount+ considerou satisfatório seu desempenho inicial. A segunda temporada ampliou significativamente a escala da narrativa, trazendo novamente Zoe Saldaña, Nicole Kidman, Michael Kelly e Morgan Freeman, e apresentou uma nova missão envolvendo a agente Josie Carrillo, interpretada por Genesis Rodriguez. A recepção do público continuou mais positiva que a da crítica: a primeira temporada possui 76% de aprovação dos espectadores no Rotten Tomatoes, enquanto a segunda chegou a 73%, apesar de algumas críticas à complexidade do roteiro. O sucesso da franquia ficou ainda mais evidente com a renovação para uma terceira temporada, que estreou em 2 de agosto de 2026. Atualmente, a terceira temporada apresenta 85% de aprovação da crítica e 83% do público no Rotten Tomatoes, uma melhora expressiva em relação à estreia da série.

Atualmente, Lioness apresenta uma trajetória interessante: começou recebendo críticas bastante divididas, mas foi conquistando uma reputação melhor a cada temporada. A segunda temporada obteve 90% no Rotten Tomatoes, e o TVLine chegou a classificá-la como "one of the year's best TV shows", destacando a atuação de Zoe Saldaña e a ampliação da escala política e militar da narrativa. A terceira temporada, ainda em exibição em agosto de 2026, parece consolidar essa evolução. Os críticos destacaram a mudança de escala e o aprofundamento dos conflitos pessoais de Joe. O Metacritic registra atualmente média de 76/100, com 80% das críticas consideradas positivas, enquanto o Rotten Tomatoes marca 85% de aprovação. A terceira temporada também introduziu uma narrativa mais ligada à tensão entre Estados Unidos e Rússia, à guerra na Ucrânia, à inteligência artificial e às novas formas de guerra tecnológica. A avaliação atual, portanto, é de que Lioness deixou de ser apenas mais uma produção de ação de Taylor Sheridan e passou a ocupar uma posição mais sólida entre os thrillers de espionagem da televisão contemporânea. Mesmo permanecendo controversa por seu patriotismo, violência e visão política, a série encontrou uma identidade própria e possui potencial para continuar por várias temporadas.

Operação Lioness (Lioness, Estados Unidos, 2023) Direção: Taylor Sheridan, John Hillcoat, Anthony Byrne e outros diretores ao longo das temporadas / Roteiro: Taylor Sheridan / Elenco: Zoe Saldaña, Laysla De Oliveira, Nicole Kidman, Michael Kelly, Morgan Freeman e Genesis Rodriguez / Sinopse: Uma agente da CIA coordena uma equipe clandestina formada por mulheres encarregadas de infiltrar-se em ambientes extremamente perigosos, enquanto tenta conciliar operações secretas, conflitos políticos e as consequências de sua profissão sobre sua própria família.

Erick Steve. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O Massacre de Waco: As Consequências

Título no Brasil: O Massacre de Waco: As Consequências
Título Original: Waco: The Aftermath
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: Showtime Networks
Direção: Drew Dowdle, John Erick Dowdle
Roteiro: Drew Dowdle, John Erick Dowdle
Elenco: Michael Shannon, Giovanni Ribisi, Shea Whigham, Abbey Lee, John Hoogenakker, Rory Culkin

Sinopse:
Minissérie que acompanha os acontecimentos posteriores ao cerco de Waco, ocorrido em 1993, e suas consequências políticas, jurídicas e sociais nos Estados Unidos. A trama acompanha o julgamento de sobreviventes do complexo dos Branch Davidians e a crescente radicalização de grupos antigovernamentais, mostrando como o episódio ajudou a alimentar o extremismo doméstico. Paralelamente, a série acompanha figuras ligadas ao movimento que posteriormente se envolveriam no atentado de Oklahoma City, explorando a cadeia de acontecimentos que culminaria na explosão do Edifício Federal Alfred P. Murrah, em 1995.

Comentários:
Hoje terminei de assistir a essa série que faz parte do catálogo da Paramount Plus. O roteiro segue o estilo Mosaico, se dividindo em basicamente quatro linhas narrativas que vão se encontrar quando a série vai chegando ao seu final. Na primeira linha narrativa acompanhamos o agente do FBI que atuou como negociador naquele massacra de Waco. Quem não lembrou essa era uma seita de malucos que seguia David Koresh, um vigarista que dizia ser o novo Messias. Seita de lunáticos, como sempre! Pois bem, também vemos o julgamento dos (poucos) sobreviventes. Eles são acusados de vários crimes, entre eles conspiração contra o Estado americano e porte ilegal de armas, além de atirar em agentes federais. Por fim temos uma jovem que tenta de todas as formas denunciar um grupo de racistas denominado Irmandade Ariana e os efeitos do massacre de Waco dentro da sociedade americana, o que iria inspirar outros fanáticos que iriam promover atentados terroristas horríveis naquele país. Então é isso. Gostei do que assisti. Uma série que vale bastante a pena. Fiquem ligados e se possível procurem conhecer. 

Pablo Aluísio. 

Os Abandonados

Título no Brasil: Os Abandonados
Título Original: The Abandons
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix / Sutter Ink
Direção: Otto Bathurst, Guy Ferland
Roteiro: Kurt Sutter, Mary Kathryn Nagle
Elenco: Lena Headey, Gillian Anderson, Nick Robinson, Diana Silvers, Aisling Franciosi, Lucas Till

Sinopse:
Ambientada no Território de Washington em 1854, a série acompanha duas famílias lideradas por mulheres fortes e determinadas. De um lado está Fiona Nolan, interpretada por Lena Headey, uma mulher devota que criou uma família formada por órfãos e pessoas abandonadas e luta para proteger as terras onde vivem. Do outro está Constance Van Ness, interpretada por Gillian Anderson, matriarca de uma poderosa e rica família ligada à exploração de minas de prata. Quando os interesses dos Van Ness ameaçam expulsar Fiona e sua família de suas terras, começa uma violenta disputa pelo território, pelo poder e pela sobrevivência. Em meio à fronteira sem lei, alianças são formadas, antigas rivalidades se intensificam e os personagens precisam decidir até onde estão dispostos a ir para defender sua família e seu futuro. A primeira temporada possui sete episódios.

 Os Abandonados
Terminei de assistir a essa série de faroeste da Netflix. Apesar de ter chegado até o final, não me empolguei em nada. Fica muito longe de outras boas séries de western que curto, como por exemplo, Deadwood e Billy The Kid. Acho que faltou um grande pilar dramático nessa história pois não consegui firmar um contato emocional com aquela personagem da rancheira que acaba matando o filho da mulher mais poderosa do lugar, a mesma que deseja comprar seu rancho, da forma que for, pelo bem ou pelo mal. O elenco é até esforçado, com destaque para Gillian Anderson, que sempre foi uma grande atriz. A produção também tem excelente padrão, mas no quadro geral não consegui gostar. Ficou ali, pelo meio do caminho, infelizmente. Não creio que haverá uma segunda temporada, até porque a produção foi classificada como minissérie. Então tudo ficará por aqui mesmo. Lamento não ser tão interessante e boa como pensava ser. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

The Killer

The Killer
Eu me recordo que o John Woo foi importado por Hollywood nos anos 90 e foi um frenesi publicitário e tanto. Diziam que ele iria revolucionar o cinema americano e todas aquelas frases clichês e de efeito que todos conhecemos muito bem. Só que a promessa não se cumpriu totalmente. Seus filmes não foram grandes campeões de bilheteria, não impactaram e ele acabou não revolucionando nada. Os estúdios americanos enquadraram o diretor oriental e não o contrário. Fez alguns filmes divertidos, teve seus breves momentos de talento e inspiração, mas no saldo geral não aconteceu nada de espetacular. 

Agora ele tem retornado discretamente ao cinema americano, não para dirigir filmes que vão necessariamente para as telas de cinema, mas sim visando o mercado de streaming, sempre tão desesperado por novas estreias todas as semanas para atrair novos assinantes. Esse seu novo filme é justamente isso. Nada demais vi aqui, apenas algumas cenas de ação bem dirigidas (isso ele ainda sabe fazer muito bem) e aquela velha história clichê do assassino profissional (no caso desse filme, uma assassina) que se arrependeu da vida que levou, tentando se redimir de seus inúmeros crimes do passado. Não me entenda mal, dá para assistir numa boa, como pura diversão. Só não espere que o Woo seja o messias. Ele não foi nos anos 90 e continua não sendo. É apenas um diretor competente de filmes de ação e nada mais. 

The Killer (Estados Unidos, 2024) Direção: John Woo / Roteiro: John Woo / Elenco: Nathalie Emmanuel, Omar Sy, Sam Worthington / Sinopse: Assassina profissional que tenta se redimir de seu passado de crimes de assassinatos, decide ajudar uma jovem cega que passa a ser alvo de outros assassinos profissionais em missão de "queima de arquivo". 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Mato em Nome da Lei

Mato em Nome da Lei
Neste excelente faroeste, com um elenco de primeira grandeza, que conta com nomes como: Robert Ryan e também com um (quase) desconhecido Robert Duvall - Burton Stephen Lancaster, ou simplesmente, Burt Lancaster, vive na pele de Jered Maddox, um agente da lei na pequena cidade de Bannock. Certa noite, com Maddox ausente, um bando de arruaceiros e assassinos entram na pequena Bannock e promovem um tremendo quebra-quebra, culminando com a morte de um senhor inocente. Passado alguns mêses, Maddox chega à pequena cidade de Sabbath e imediatamente vai ao encontro do xerife Cotton Ryan (Robert Ryan). Maddox mostra uma lista de nomes a Cotton onde estão relacionados todos os baderneiros que estiveram em Bannock, e diz que ele tem até o meio-dia do dia seguinte para prender os vaqueiros e entregá-los a ele (Maddox) para que sejam julgados pelo assassinato em Bannock.

Cotton abre o jogo com Maddox e diz a ele que os vaqueiros da lista, trabalham para o rico fazendeiro Vincente Bronson (Lee J. Cobb). Cotton explica que foi Bronson quem o nomeou xerife, e além disso grande parte das pessoas que vivem ali, também trabalham para o fazendeiro, mesmo que indiretamente. Ou seja: os habitantes daquele povoado, ou gostam realmente de Bronson, ou têm medo dele. Uma coisa é certa: ele é o dono da cidade. Sendo assim Ryan deixa claro à Maddox que não vai ajudá-lo em nada. Furioso, Maddox diz à Ryan que todos os vaqueiros serão presos. Por bem ou por mal. No dia seguinte, Ryan parte em direção à fazenda de Bronson para dar-lhe o recado de Maddox. Para surpresa, Bronson não age como um cafajeste desumano; pelo contrário: o fazendeiro mostra-se um homem equilibrado e arrependido pelo que seus homens fizeram na pequena cidade. Na verdade, Bronson não quer entregar seus homens e nem a si mesmo a Maddox, e faz uma proposta: indenizar à família do senhor que morreu na baderna, além de indenizar também o xerife Maddox para que ele esqueça as ordens de prisão. Mas Ryan adverte que Maddox não aceitará a proposta.

À noite, descansando no hotel, Maddox recebe a visita da bela Laura Shelby (Sheree North) uma linda mulher que no passado foi sua amante. Ela pede ao implacável agente que poupe a vida de seu atual marido que também está na lista: Hurd Price (J.D. Cannon). Maddox não dá ouvidos à ex-amante e diz que vai prender seu marido também. Na fazenda, Vincent Bronson reúne seus vaqueiros e diz o que está acontecendo. Os homens se revoltam e pensam num meio de contornar o problema e tirar Maddox da jogada. A reunião esquenta e o braço direito e capataz de Bronson, Harvey Stenbaugh (Albert Salmi), revolta-se com a situação, diz que não vai negociar, e vai até a cidade para matar Maddox. Os dois vão para a rua e ficam frente a frente. Maddox, numa frieza impressionante, saca sua arma e, rápido como um raio, mata Stenbaugh.

Depois de saber da morte de seu amigo e braço direito, Bronson se desespera, reúne seus homens e juntos seguem para a pequena Sabbath para o enfrentamento final contra o implacável agente da lei. Apesar do título infeliz recebido no Brasil, "Mato em Nome da Lei" (Lawman - 1971) é um excelente faroeste, dirigido pelo inglês Michael Winner, que três anos depois dirigiria o explosivo "Desejo de Matar" com Charles Bronson. "Mato em Nome da Lei", destaca-se não só pelo excelente roteiro mas também pela excelente jogada de utilizar elementos de outros clássicos do western como "Matar ou Morrer". Outra qualidade do filme é a construção da história em torno da enorme categoria e carisma do grande Burt Lancaster, encarnado no papel de um impagável, obsessivo e incorruptível xerife Maddox.

Mato em Nome da Lei (Lawman, Estados Unidos,1971) Direção: Michael Winner / Roteiro: Gerald Wilson / Elenco: Burt Lancaster, Robert Ryan, Lee J. Cobb, Robert Duvall / Sinopse: Jered Maddox (Burt Lancaster) é um xerife que vai até outra cidade para prender um grupo de criminosos, algo que não será nada fácil para ele.

Telmo Vilela Jr e Pablo Aluísio.