sexta-feira, 13 de março de 2026

The Doors

The Doors
Uma das melhores cinebiografias já feitas sobre um astro de Rock. Além de contar com o genial Oliver Stone na direção o filme traz a melhor interpretação de toda a carreira de Val Kilmer. É impressionante, só quem conhece e assistiu as cenas do verdadeiro Jim Morrison entende como Kilmer foi simplesmente perfeito em sua encarnação do King Lizard, o mais alucinado dos cantores que já pisou na face da terra. Sua entrega ao personagem é comovente e sendo muito sincero Kilmer deveria ter levado o Oscar por sua personificação. O filme só não é nota 10 no quesito atuação por causa de Meg Ryan. O problema principal é que ela continuou fazendo novamente o seu eterno papel de namoradinha da América, caracterização completamente inadequada de Pamela, a namorada de Jim. O que vemos em cena com Ryan é um personagem totalmente diferente da verdadeira namorada de Morrison.. Na vida real ela era uma mulher de sua época, que usava muitas drogas, praticava sexo livre e tinha problemas com sua família. No filme nada disso é mostrado e ela virou uma menininha boazinha. Oliver Stone com medo de ser processado pelos pais da Pamela real suavizou demais a figura. Assim até não culpo muito Oliver Stone. Um processo nos EUA é coisa séria. Quando o filme começou a ser rodado a família dela se reuniu com o estúdio e deixou claro que qualquer "afronta" à memória de sua filha resultaria em um pesado processo judicial. Com receio eles recuaram e Meg Ryan interpretou mais uma de suas inúmeras "garotas boazinhas". O interessante é que Morrison foi retratado com veracidade, mesmo sendo seu pai um militar linha dura da Marinha. A produção não teve problemas nesse aspecto com a família Morrison.

Ray Manzareck, o tecladista dos Doors, também criticou o filme em relação ao próprio Jim Morrison. Ele disse que sua caracterização no filme saiu muito soturna e fechada. Para Manzareck Jim também era uma pessoa bem humorada, divertida e alegre (quando estava sóbrio, é claro). Oliver Stone respondeu a crítica e disse que Manzareck estava apenas chateado pois ele é que gostaria de ter dirigido o filme (o músico também é formado em cinema pela UCLA). O roteiro não se preocupa em avançar além da morte de Jim. Como se sabe existe toda uma teoria da conspiração afirmando que ele não teria realmente morrido como alega a versão oficial. O problema é que Jim morreu em Paris e foi enterrado rapidamente. Em pouco tempo surgiram inúmeros boatos de que ele não teria morrido (pelo jeito não é apenas Elvis que não morreu). Mas analisando bem percebemos que é tudo uma grande bobagem. O cantor era um junkie extremo, usou em excesso todos os tipos de drogas imagináveis. Esse é o grande pecado da geração anos 60: em busca de total liberdade acabaram presos no mundo dos narcóticos e afins.. Jim Morrison realmente morreu no dia 3 de julho de 1971 - em Paris. Sua namorada Pamela morreu três anos depois, também por overdose de drogas. O filme não cita essa última informação. No saldo geral não há como não gostar de The Doors, mesmo com todos esses pequenos deslizes. É um excelente retrato de um dos mais carismáticos artistas da história do rock americano.

The Doors (The Doors, Estados Unidos, 1991) Direção: Oliver Stone / Roteiro: Randall Jahnson, Oliver Stone / Elenco: Val Kilmer, Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Frank Whaley e Kevin Dillon / Sinopse: Durante a década de 1960 um grupo de amigos da faculdade resolvem formar uma banda de rock psicodélico. Inspirada na famosa obra sobre as portas da percepção resolvem denominar o novo grupo de "The Doors". Cineobiografia do cantor e compositor Jim Morrison (Val Kilmer), vocalista da banda que mudou a face do rock americano na segunda metade dos anos 60.

Pablo Aluísio.

Os últimos dias de Pamela Courson

Os últimos dias de Pamela Courson
Os últimos dias de vida de Pamela Courson foram marcados por solidão, instabilidade emocional e o peso de uma perda que jamais conseguiu superar. Pamela ficou conhecida por seu relacionamento intenso com Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, e após a morte dele em 1971 sua vida entrou em um período de profunda turbulência. Morrison morreu em Paris, e Pamela foi considerada por muitos como sua viúva de fato, apesar de nunca terem se casado oficialmente. A ligação entre os dois era descrita como apaixonada, porém extremamente conflituosa, marcada por separações, reconciliações e excessos. Depois da morte do cantor, Pamela herdou parte significativa da fortuna dele, mas isso não trouxe estabilidade emocional. Ao contrário, ela mergulhou ainda mais em um estilo de vida autodestrutivo. Amigos próximos relatam que ela parecia incapaz de reconstruir a própria vida sem Morrison, vivendo constantemente à sombra da memória dele.

Após o funeral de Morrison, Pamela retornou aos Estados Unidos profundamente abalada. Durante algum tempo tentou manter uma aparência de normalidade, administrando a boutique de roupas que havia aberto em Los Angeles e tentando preservar o legado do cantor. No entanto, sua saúde emocional estava fragilizada. Ela já tinha histórico de uso de drogas durante os anos em que viveu com Morrison, mas esse consumo se intensificou muito depois de 1971. Pessoas próximas relatam que Pamela frequentemente alternava entre momentos de nostalgia e crises de tristeza profunda. Ela falava repetidamente sobre Jim e demonstrava uma espécie de sentimento de destino compartilhado com ele. Muitos amigos perceberam que ela vivia como se sua própria história estivesse incompleta sem o cantor. Esse estado emocional contribuiu para que Pamela se afastasse gradualmente de muitos conhecidos e passasse a conviver com círculos cada vez mais ligados ao consumo de drogas.

Nos anos seguintes à morte de Morrison, Pamela viveu entre períodos de tentativa de recuperação e recaídas. Ela chegou a viajar e tentou iniciar novos projetos pessoais, mas nada parecia durar muito tempo. A herança deixada por Morrison também se tornou fonte de disputas legais com a família do cantor, o que aumentou ainda mais seu nível de estresse. Embora fosse oficialmente herdeira da maior parte do patrimônio, processos judiciais prolongados criaram tensão constante. Amigos próximos afirmavam que Pamela parecia emocionalmente exausta com as batalhas legais e com a constante atenção da imprensa e de fãs. Ao mesmo tempo, ela continuava cercada por pessoas que faziam parte de uma cena noturna marcada por excessos. Essa combinação de instabilidade financeira momentânea, pressão pública e fragilidade psicológica agravou sua dependência química.

Nos últimos meses de sua vida, Pamela passou a viver de forma cada vez mais errática. Ela alternava períodos em que parecia tentar se reorganizar com outros em que desaparecia por dias ou semanas. Em 1974, ela estava vivendo novamente em Los Angeles, muitas vezes hospedada com amigos. Pessoas que estiveram com ela nesse período relataram que Pamela parecia cansada e emocionalmente desgastada, embora ainda falasse frequentemente sobre Morrison como se ele continuasse presente em sua vida. Havia também um certo sentimento de fatalismo em suas palavras. Alguns amigos disseram que ela acreditava que seu destino estava ligado ao dele de forma trágica. Essa visão romântica e sombria da própria história refletia muito da cultura e do ambiente artístico que cercava o casal durante o auge da fama de Morrison.

A vida de Pamela Courson terminou em 25 de abril de 1974, quando ela morreu em Los Angeles aos 27 anos, a mesma idade em que Morrison havia morrido três anos antes. A causa oficial foi uma overdose de heroína, registrada como intoxicação aguda por drogas. Sua morte chocou amigos e fãs, reforçando ainda mais o mito trágico que envolve a história do vocalista do The Doors. Muitos passaram a ver Pamela como uma figura inseparável da narrativa de Morrison, alguém cuja vida foi profundamente moldada pelo relacionamento com ele. Embora sua própria história seja frequentemente lembrada apenas em relação ao cantor, Pamela também simboliza o lado mais sombrio da cultura do rock dos anos 1960 e início dos anos 1970, marcada por excessos, fama repentina e tragédias pessoais. Sua morte precoce consolidou definitivamente sua imagem como uma personagem trágica ligada ao legado de Jim Morrison.

Erick Steve. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Silêncio da Vingança

Título no Brasil: O Silêncio da Vingança
Título Original: Silent Night
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: John Woo
Roteiro: Robert Archer Lynn
Elenco: Joel Kinnaman, Kid Cudi, Harold Torres, Catalina Sandino Moreno, Vinny O'Brien, Valeria Santaella

Sinopse:
Após a morte do filho, assassinado em uma troca de tiros entre criminosos, traficantes da região, um homem comum decide se vingar dos responsáveis por essa tragédia. Armado até os dentes, ganha as ruas da cidade violenta para acabar com todos os membros daquele perigoso cartel que cometeu aquele crime tão terrível. 

Comentários: 
Achei mais curioso do que realmente bom esse violento filme de ação. A proposta do diretor John Woo era fazer um filme de ação praticamente sem diálogos. Daí eu fiquei pensando durante o filme se era isso mesmo que eu queria assistir. Sempre fui um apaixonado por grandes atuações e essas, obviamente, precisam de um bom texto do roteiro, bons diálogos. Será que personagens praticamente mudos em cena compensam isso, por melhor que seja a ação apresentada no filme? No meu ponto de vista pessoal, absolutamente não! Eu quero ver filmes bem escritos, acima de tudo. Atores atuando e não apenas fazendo malabarismos em cenas de ação. E no fim, o pior de tudo, é entender que o Joel Kinnaman é um excelente ator que aqui ficou totalmente desperdiçado. E essa história, mesmo básica como se apresenta, poderia render algumas boas cenas dramáticas. Enfim, não gostei da proposta do filme, apesar de reconhecer que as cenas de ação são até muito boas. Só que isso, no final das contas, não basta para se fazer um bom filme. 

Pablo Aluísio. 

Prece Para um Condenado

Título no Brasil: Prece Para um Condenado
Título Original: A Prayer for the Dying
Ano de Lançamento: 1987
País: Reino Unido
Estúdio: Hemdale Film Corporation
Direção: Mike Hodges
Roteiro: Edmund Ward, Mike Hodges
Elenco: Mickey Rourke, Bob Hoskins, Alan Bates, Sammi Davis, Liam Neeson, Alison Doody

Sinopse:
O filme acompanha Martin Fallon, um ex-integrante do IRA que deseja abandonar a vida de violência e deixar para trás o passado como assassino. Após um atentado dar terrivelmente errado e causar a morte de crianças inocentes, Fallon passa a sentir um profundo peso na consciência e decide aceitar apenas mais uma missão antes de desaparecer definitivamente. No entanto, durante essa última tarefa, ele acaba sendo perseguido por um implacável policial que suspeita de suas atividades e tenta capturá-lo. Ao mesmo tempo, Fallon encontra redenção ao proteger uma jovem cega que se torna uma espécie de símbolo de esperança em meio ao caos de sua vida. O conflito entre culpa, fé e redenção conduz a narrativa até um desfecho dramático e inevitável.

Comentários:
Na época do lançamento, o filme recebeu críticas mistas, embora muitos elogios tenham sido direcionados às atuações. O jornal The New York Times destacou a intensidade da performance de Mickey Rourke, enquanto a revista Variety ressaltou o clima sombrio e a atmosfera moralmente complexa da história. Parte da crítica considerou que problemas de produção e montagem afetaram o resultado final, já que o diretor Mike Hodges teve divergências com o estúdio durante a finalização do filme. Em termos comerciais, Prece Para um Condenado teve desempenho modesto nas bilheterias, não alcançando grande sucesso junto ao público na época de seu lançamento. Ainda assim, ao longo dos anos o filme conquistou certo status de cult entre admiradores do cinema policial e dos thrillers políticos dos anos 1980. Hoje ele é lembrado principalmente pela atuação de Mickey Rourke em um dos períodos mais marcantes de sua carreira e pela presença de um elenco forte, além de ser visto como uma obra interessante dentro do cinema britânico que aborda temas de culpa, violência política e redenção.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

A Orgia da Morte

Título no Brasil: A Orgia da Morte
Título Original: The Masque of the Red Death
Ano de Lançamento: 1964
País: Reino Unido
Estúdio: American International Pictures
Direção: Roger Corman
Roteiro: Charles Beaumont, R. Wright Campbell
Elenco: Vincent Price, Hazel Court, Jane Asher, David Weston, Nigel Green, Patrick Magee

Sinopse:
Inspirado em um famoso conto de Edgar Allan Poe, o filme acompanha o cruel príncipe Prospero, um nobre decadente e seguidor do satanismo que governa seu território com mão de ferro enquanto uma terrível praga conhecida como “Morte Rubra” devasta a população. Convencido de que sua riqueza e poder podem protegê-lo da doença, Prospero se refugia em seu castelo com um grupo de aristocratas para uma série de festas extravagantes e decadentes. Enquanto os camponeses sofrem e morrem do lado de fora dos muros, o príncipe promove um baile mascarado repleto de excessos. No entanto, à medida que a celebração avança, acontecimentos estranhos começam a ocorrer dentro do castelo, sugerindo que ninguém pode escapar do destino ou da própria morte. A atmosfera sombria e simbólica conduz a história até um desfecho inevitável e profundamente macabro.

Comentários:
Quando foi lançado, o filme recebeu críticas bastante positivas, especialmente por sua estética visual e atmosfera gótica. A revista Time elogiou o uso expressivo das cores e a direção estilizada de Roger Corman, enquanto o jornal The New York Times destacou a performance teatral e hipnótica de Vincent Price no papel do príncipe Prospero. Muitos críticos também observaram que o filme elevou o padrão das adaptações cinematográficas das obras de Edgar Allan Poe produzidas pela American International Pictures durante os anos 1960. Embora não tenha sido um grande blockbuster, o filme teve bom desempenho comercial dentro do circuito de terror da época e rapidamente se tornou um dos títulos mais prestigiados da série de adaptações de Poe estreladas por Vincent Price. Com o passar do tempo, The Masque of the Red Death passou a ser considerado um dos melhores trabalhos de Roger Corman e um clássico do cinema gótico. Hoje o filme é amplamente admirado por sua direção artística sofisticada, seu simbolismo visual e sua reflexão sombria sobre poder, decadência e a inevitabilidade da morte, sendo frequentemente citado como uma das obras mais elegantes do terror da década de 1960.

Pablo Aluísio. 

Paul e Jane

Paul e Jane
O relacionamento entre Paul McCartney e Jane Asher foi um dos romances mais conhecidos da década de 1960, em grande parte por acontecer durante o auge da fama dos Beatles. Os dois se conheceram em 1963, quando Jane, então uma jovem atriz britânica em ascensão, entrevistou os Beatles para um programa da televisão britânica. Paul ficou imediatamente encantado com a inteligência, elegância e educação refinada de Jane, que vinha de uma família culta e bem estabelecida em Londres. Pouco tempo depois desse encontro, os dois começaram a namorar. Naquele momento, a Beatlemania estava explodindo no mundo inteiro, e o relacionamento rapidamente se tornou alvo da curiosidade da imprensa e dos fãs da banda.

Durante os primeiros anos do namoro, Paul passou longos períodos hospedado na casa da família de Jane, localizada na Wimpole Street, em Londres. Ali ele conviveu com um ambiente artístico e intelectual muito diferente da sua origem em Liverpool. A família Asher tinha fortes ligações com o meio cultural britânico: o pai de Jane era médico e a mãe era professora de música. Esse ambiente influenciou profundamente Paul, ampliando seus interesses artísticos e culturais. Foi nesse período que ele começou a explorar novas ideias musicais e a compor de maneira mais sofisticada. Muitas canções dos Beatles surgiram enquanto ele vivia nesse contexto, mostrando como aquele ambiente doméstico teve impacto direto em sua criatividade.

Jane também influenciou a vida social e artística de McCartney. Ela já era uma atriz reconhecida no teatro e na televisão britânica, e frequentemente levava Paul a eventos culturais, peças de teatro e exposições de arte. Essa convivência com o mundo cultural londrino ajudou a afastar McCartney da imagem puramente juvenil que marcava os primeiros anos da banda. O relacionamento parecia estável e duradouro, e os dois chegaram a ficar noivos em 1967. Na época, muitos acreditavam que o casamento aconteceria em breve. Entretanto, a rotina intensa de gravações, turnês internacionais e compromissos profissionais dos Beatles criava dificuldades para manter uma vida pessoal equilibrada.

Com o passar do tempo, o relacionamento começou a sofrer desgaste. A fama global de Paul trazia pressões constantes, incluindo rumores de traições e o interesse incessante da imprensa. Além disso, Jane também tinha uma carreira exigente, participando de produções teatrais e cinematográficas que frequentemente a mantinham longe de Londres. As ausências prolongadas e as agendas conflitantes começaram a gerar distanciamento entre os dois. Em 1968, Jane Asher decidiu encerrar o noivado depois de descobrir que Paul estava envolvido com outra mulher. A separação recebeu grande atenção da mídia britânica, pois o casal era considerado um dos mais glamorosos da época.

Apesar do fim do romance, o relacionamento entre Paul McCartney e Jane Asher deixou uma marca significativa na história cultural dos anos 1960. Durante o período em que estiveram juntos, McCartney compôs diversas canções inspiradas direta ou indiretamente na atriz, incluindo músicas que se tornaram clássicos dos Beatles. Jane, por sua vez, continuou sua carreira no teatro, no cinema e na literatura, consolidando uma trajetória respeitada no meio artístico britânico. O romance entre os dois é frequentemente lembrado como um símbolo da fase mais sofisticada e criativa da carreira de McCartney nos anos 1960, quando sua vida pessoal e sua evolução artística estavam profundamente interligadas.

terça-feira, 10 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Gary Cooper - Parte 4

Em 1940 o ator Gary Cooper fez um dos seus grandes filmes, "Sargento York". Contava a história real de um sujeito que sempre viveu e morou no interior dos Estados Unidos. Um homem simples, de origem humilde, mas que tinha grandes valores pessoais. Quando a Primeira Guerra Mundial estourou no horizonte e os Estados Unidos entraram na guerra, ele entrou para o exército, se tornando um herói pois era um grande atirador, justamente o que o exército precisava nos lamacentos campos de batalha daquele conflito internacional. 

Era um bom filme, mas que acabou consagrado porque chegou aos cinemas exatamente naquele momento histórico em que os Estados Unidos entravam na Segunda Guerra Mundial após o ataque dos japoneses ao porto de Pearl Harbor. O patriotismo estava em alta! Cooper assim se viu muito elogiado, com um filme de grande sucesso nos cinemas. E tudo havia acontecido, em última análise, por um lance de sorte do destino. Era o filme certo no momento histórico exato! E assim Gary Cooper acabou vencendo o Oscar de melhor ator, embora o filme não tivesse vencido o prêmio máximo da academia, o de melhor filme do ano. 

Curiosamente a imprensa começou a pegar no pé do ator logo depois. Ora, se ele interpretava um herói de guerra nas telas estava na hora de mostrar heroísmo também na vida real. Não havia razão de ser nessa reclamação. Na época Cooper já estava com 40 anos de idade! Já tinha passado da idade de se alistar no exército americano. De qualquer maneira, embora não pudesse mais ser um combatente, ele resolveu entrar no esforço de guerra, como inúmeros outros artistas, atores e atrizes de Hollywood. 

Embarcou em uma campanha de apoio moral às tropas. Viajou por milhares de quilômetros no Pacífico para se apresentar para os militares, na maioria das vezes em palcos improvisados, a poucos metros da linha de frente. Cooper não fez isso por ter sido, de alguma forma, colocado contra a parede pela imprensa americana, mas sim porque acreditava muito na justa causa da guerra. Ele sempre havia sido um defensor dos valores da Democracia e estava consciente dos perigos que vinham do Eixo, formado por países fascistas e nazistas que lutavam contra as forças aliadas naquela guerra. Era o lado certo da história e Cooper queria mostrar seu ponto de vista, defender o que era justo e certo.

Pablo Aluísio. 

Unidos Pelo Próprio Sangue

Unidos Pelo Próprio Sangue
Revelado através das lentes do grande diretor John Sturges, o longa "Unidos Pelo Próprio Sangue" (Backlash,1956) conta o drama de Jim Slater (Richard Widmark), um pistoleiro errante que chega ao Vale do Gila - um local no meio do deserto repleto de ouro e vigiado de forma implacável pelos apaches - com o intuito de descobrir onde estaria enterrado seu pai que tempos atrás chegou ao local, com mais cinco parceiros, para resgatar 60 mil dólares em ouro. O grupo no entanto foi surpreendido e massacrado por vários apaches. Em sua busca, Slater acredita que um sexto homem sobreviveu ao massacre e fugiu com todo o ouro. A busca desse sexto homem vira uma obsessão para Slater que na companhia de uma misteriosa mulher de nome Karyl Orton (Donna Reed) passa por cidades como: Tucson, El Paso, Silver City, até finalmente chegar em Sierra Blanca onde o casal se vê no meio de uma guerra entre dois poderosos fazendeiros: Major Carson (Roy Roberts) e Jim Bonniwell (John McIntire).

Em Sierra Blanca, todos os segredos que atormentavam o pistoleiro se revelam e Slater encontra todas as respostas para as suas eternas dúvidas. Além disso, fica frente a frente com o seu maior inimigo, em um dos finais mais surpreendentes da história dos filmes de faroeste. Além de uma bela fotografia, vale destacar o excelente roteiro diferenciado e muito interessante, assinado por Borden Chase o mesmo roteirista que oito anos antes, assinara o roteiro de outra pérola do western: Rio Vermelho (1948), com os lendários John Wayne e Montgomery Clift.

Unidos Pelo Próprio Sangue / Punidos Pelo Próprio Sangue (Backlash, EUA, 1956) Direção: John Sturges / Roteiro: Borden Chase baseado no romance de  Frank Gruber / Elenco: Richard Widmark, Donna Reed, William Campbell / Sinopse: Pistoleiro errante chega em um distante vale em busca de respostas com o objetivo de descobrir o paradeiro do ouro que seu pai teria enterrado na região.

Telmo Vilela Jr.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 19

Depois que terminou seu contrato com a Universal Pictures, Rock Hudson estava livre para fazer filmes em qualquer estúdio de Hollywood. Ele tinha um novo agente e pensava em mudar os rumos de sua carreira de ator. Uma boa oportunidade surgiu quando a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) lhe ofereceu o papel de protagonista na aventura militar "Estação Polar Zebra". Era um filme bem interessante, com submarinos nucleares e a trama se passando no Ártico gelado. Rock leu o roteiro e gostou. Não demorou muito e assinou com a MGM para fazer o filme. 

Esse foi um bom ponto de virada em sua carreira profissional, como também pessoal. No set de filmagens Rock conheceu Tom Clark, diretor de publicidade e marketing da MGM. Clark era gay e não demorou muito a começar um relacionamento com Hudson. Esse foi o caso mais longo e duradouro de toda a vida de Rock, pois durou mais de 17 anos. Nunca antes o ator havia ficado tanto tempo com o mesmo companheiro. E quando Rock ficou doente de AIDS, muitos anos depois, foi Tom Clark que retornou para lhe dar apoio em seus últimos meses de vida. Sem dúvida foi o mais forte elo de ligação emocional que teve em toda a sua vida.

Nessa época Rock também decidiu comprar uma casa. Ele estava sem casa própria desde quando perdeu sua primeira residência para sua ex-esposa, durante o divórcio. Aquela separação quase o levou à ruína financeira. Depois disso Rock morou por longos anos em um veleiro que ele ancorava na praia de Malibu. Como havia sido da Marinha americana durante a segunda guerra, aquilo lhe soava familiar e ele fez do barco seu verdadeiro lar. Mas agora, já bem mais velho, achava que era hora de ter um porto seguro em terra. 

Rock comprou uma mansão em Los Angeles que havia pertencido ao embaixador espanhol nos Estados Unidos. A mansão parecia um castelo espanhol antigo. Por essa razão passou a ser chamado por todos de "O Castelo". Nessa mansão Rock iria começar uma série de reformas sem fim que iriam durar até o fim de sua vida. Mais do necessidade, aquilo passou a ser um hobbie para o ator, pois ele adorava essa coisa de construir e reformar antigas casas. No Castelo ele podia brincar como bem quisesse e foi o que fez. Em suas mãos a velha mansão ficaria ainda mais deslumbrante e lendária.

Pablo Aluísio. 

Hollywood Boulevard - James Stewart - Parte 1

James Stewart foi um dos melhores atores da era de ouro do cinema americano. Atuou em mais de 100 filmes e muitos deles são considerados grandes clássicos da história do cinema dos Estados Unidos. Com seu jeito interiorano, um pouco caipira e tímido, o ator acabou se tornando um dos preferidos de grandes cineastas da época. Além de talentoso era um profissional confiável, que não causava problemas, que atuava com dedicação e compromisso pessoal. Colecionar os filmes de James Stewart também é colecionar obras-primas da fase mais dourada de Hollywood. Nessa série de textos vou deixar dicas de seus principais filmes, alguns deles essenciais para qualquer cinéfilo que se preze.

Sua carreira começa em 1934 com um curta-metragem chamado "Art Trouble". É uma pequena participação do ator. Seu primeiro filme de verdade em Hollywood pode ser considerado "Entre a Honra e a Lei" (The Murder Man, 1935). É um filme policial com trama envolvendo assassinato no mundo dos negócios. Um empresário rico e influente é morto. Para tentar desvendar o caso um jornalista investigativo começa a reconstruir os últimos passos da vítima. Esse bom filme, com toques de cinema noir, não era estrelado por James Stewart, mas sim pelo excelente Spencer Tracy.

O próximo filme de Stewart foi um musical romântico chamado "Rose Marie" (Rose-Marie, 1936). Esse filme é interessante porque ao longo de sua carreira Stewart iria passear bem por todos os gêneros cinematográficos, mas musicais realmente não eram os seus favoritos. Tanto que esse filme, feito no comecinho de sua carreira, foi basicamente o único em que participou. Piegas e com excesso de romantismo exagerado, essa produção realmente não era das melhores.

Musicais realmente não eram indicados para atores que não sabiam cantar, mas filmes românticos poderiam ser uma boa opção para James Stewart em seu começo de carreira. Assim ele se deu muito bem em "Amemos Outra Vez" (Next Time We Love, 1936). Se atuar ao lado de grandes atores era um objetivo, aqui ele contracenou com um dos mais bem conceituados de Hollywood, Ray Milland. O filme contava a história de um jovem casal que tinha que se separar logo no começo do casamento. O marido era enviado para trabalhar como correspondente de guerra na Europa e a esposa ficava nos Estados Unidos onde começava a trilhar uma carreira de sucesso como estrela de teatro.

Pablo Aluísio.