quarta-feira, 24 de junho de 2026

Maldição da Múmia

Maldição da Múmia 
Eu não estava dando muita bola para esse novo filme, apesar de gostar muito de filmes de terror da era clássica. As críticas não tinham sido boas e apesar do filme marcar uma boa bilheteria, essa coisa de múmia não me interessava mais. Afinal é um dos monstros clássicos da Universal e após tantos anos de filmes ruins pouca coisa poderia ter sobrevivido a tantos anos de saturação. Pois bem, fui surpreendido positivamente! Esse novo filme é bom! Essa avaliação é bem chocante no meu caso pois pensei que não conseguiriam fazer algo novo em materal tão antigo. Pois fizeram! Pode ter certeza disso! 

Não é totalmente original porque em muitos aspectos me lembrou muito de "O Exorcista". Isso mesmo! Não procure muitas semelhanças com o filme clássico original. Esse aqui tenta buscar outras soluções. E vou logo avisando: é um filme muito violento! Tão violento que não faria feio numa comparação direta com "A Morte do Demônio". Além de violento é sujo, cruel, sádico, analogicamente doentio. Fizeram uma maquiagem na menina que por si só já causa sustos. Tudo com aspecto de algo apodrecido, mofado, com tiras de velhas maldições em linhos de múmias milenares em seus braços imundos. E nem vou lembrar da carne decomposta que vai caindo podre pelo chão... Só vendo pra crer. Ecos de "A Mosca" dos anos 80... O resultado de toda essa gosma nojenta me soou muito interessante em um filme que qualifico como surprendentemente bom! Por essa eu sinceramente não esperava!

Maldição da Múmia (The Mummy, Estados Unidos, 2026) Direção: Lee Cronin / Roteiro: Lee Cronin / Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy / Sinopse: Casal de americanos vivendo no Cairo, Egito, passa pelo trauma do desaparecimento da filha. Tempos depois ela é encontrada muito ferida e em estado lamentável. Levada de volta aos Estados Unidos passa a apresentar comportamento violento e insano, colocando todos da família em grande perigo. 

Pablo Aluísio.

It: Uma Obra Prima do Medo

It: Uma Obra Prima do Medo
Essa foi a primeira adaptação do livro de Stephen King. E não foi para o cinema e sim para a televisão da época. Eu me recordo que chegou no Brasil na forma de um VHS duplo trazendo todos os episódios, como se fosse um filme de longa-metragem. Isso resultou em mais de três horas de duração, algo realmente cansativo para o público brasileiro. Ainda assim vendeu bem e fez sucesso nas locadoras por aqui. Ainda hoje me recordo de ver a fita nas locadoras de vídeo da época. Eu realmente não me lembrava se havia assistido em 1990 ou não. Agora essa primeira versão surgiu em um serviço de streaming e lá fui eu conferir numa revisão tardia. Obviamente está tudo bem datado. Os efeitos especiais da criatura, por exemplo, quando ele toma a forma de uma aranha gigantesca, foi todo feito na base do stop-motion. Isso dá mesmo um estilo nostálgico nessa revisão, mas igualmente mostra como era o mundo do cinema e da TV na era analógica. Algo que nos causa uma certa estranheza nos dias atuais. 

O Palhaço Pennywise tem inegavelmente um visual menos elaborado, mas conta com a boa atuação de Tim Curry. Ele sempre foi um bom ator, não importando o papel que representava. O resto do elenco está bem OK, alguns deles são bem conhecidos do público que assistia TV nos anos 80. Eram figurinhas fáceis em programas e telefilmes. No fundo essa adaptação sobrevive graças ao próprio livro que lhe deu origem. Dizem que Stephen King estava bem louco de drogas quando o escreveu, mas ainda assim colocou tantas boas ideias em seu texto que elas sobreviveram bem realmente a tudo, até mesmo ao tempo. 

It: Uma Obra Prima do Medo (IT, Estados Unidos, 1990) Direção: Tommy Lee Wallace / Roteiro: Tommy Lee Wallace, baseado na obra de Stephen King / Elenco: Richard Thomas, Tim Reid, Annete O´Toole, Tim Curry / Sinopse: Uma criança desaparece na cidade de Derry. Seus amigos acabam enfrentando uma estranha criatura, um palhaço, que surge nos esgotos da cidade. Depois de vinte anos ele decidem retornar à mesma pequena cidade para destruir aquela coisa de uma vez por todas. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Os Filmes de Faroeste de John Wayne - Parte 18

A década de 1950 chegou e John Wayne não sabia, mas iria fazer seus filmes mais importantes nesses anos que viriam. O curioso é que por essa fase o próprio Wayne já falava em se aposentar, comprar um rancho no sul da Califórnia e se estabelecer por lá. Não estava mais muito empolgado com o cinema. Já havia ganho dinheiro suficiente para cuidar de um próspero rancho de cavalos. Era o seu principal plano. Ter um rancho com os melhores cavalos para alugar o seu plantel para os estúdios de cinema. No set de filmagens de seus filmes John Wayne estava sempre repetindo essa mesma ladainha. Que estava velho e cansado, que iria comprar um rancho para criar cavalos. 

A história chegou até os ouvidos do diretor John Ford. Ele tinha uma relação de amizade tão próxima de John Wayne que beirava a insanidade. Eles gostavam de se provocar. Ford assim enviou um telegrama para Wayne dizendo: "Ouvi dizer que você está querendo se aposentar. Deixa de falar asneiras, seu Hipopótamo. Quero você em meu próximo filme!". Ao ler a mensagem Wayne soltou uma grande gargalhada e mandou a resposta: "Tudo certo, caolho! Basta me dizer onde vai ser feito o filme. Estarei lá!"

O filme seria mais um grande clássico da dupla John Ford - John Wayne. Intitulado "Rio Grande" seria mais um filme da linha de produções de western que tinham como tema a cavalaria americana. Anos depois esse filme seria classificado como um dos mais importante da trilogia da cavalaria americana na conquista do Oeste selvagem do mestre Ford. 

O curioso é que o personagem de John Wayne era muito mais velho do que o próprio ator. Acabou sendo mais uma piada para John Ford que lhe disse no primeiro dia de filmagem: "Já que você vive falando como um velho, vou te dar um personagem de velho para fazer nesse filme!". Para completar, o personagem de Wayne iria usar um vasto bigode, típico do período histórico em que a história se passava. John Wayne odiava bigodes, mas John Ford aproveitou para ter mais um elemento de humor com Wayne. Ele lhe disse: "Ou usa bigode ou está fora do filme!". Piadas à parte o filme foi um grande sucesso de público e crítica, demonstrando mais uma vez que quando os dois amigos se reuniam geralmente resultava em mais uma grande obra-prima do cinema.

Pablo Aluísio. 

Johnny Guitar

Johnny Guitar
François Truffaut definiu "Johnny Guitar" como "um filme onde os cowboys desmaiam e morrem como uma bailarina". Recebido friamente em seu lançamento o filme foi ao longo das décadas ganhando cada vez mais status, principalmente pela visão revisionista de críticos e grande teóricos da sétima arte como Truffaut. O enredo é de certa forma banal, mostrando a luta de duas mulheres pelo mesmo homem, ao mesmo tempo em que chega na cidadezinha um forasteiro, conhecido apenas como Johnny Guitar (Sterling Hayden). Mas o que transformou Johnny Guitar em um cult movie? Para muitos seria a presença de um elenco maravilhoso, a começar pela diva e estrela Joan Crawford. Atriz de presença forte e marcante, ela certamente roubou muito da atenção do filme para si, mostrando porque se tornou uma das grandes stars da era de ouro em Hollywood.

Para outros "Johnny Guitar" se tornou marcante por causa da direção brilhante e diferenciada do "maestro da sétima arte" Nicholas Ray. Nesse sentido ele imprime uma situação curiosa no filme, pois abraça certamente todos os clichês do gênero ao mesmo tempo os eleva a um patamar de pura arte, como bem definiu  François Truffaut, mostrando que de uma forma ou outra, o filme é na verdade um louvor ao western como linguagem cinematográfica. De fato o filme apresenta vários inovações tecnológicas, entre elas o uso do chamado Trucolor, um sistema de cores do estúdio Republic, que hoje em dia já não existe mais. Assim se você estiver em busca de um western realmente histórico, cultuado por críticos de sua época, fica a dica de "Johnny Guitar", uma produção que se propõe a ser diferente, embora no fundo consagre todos os grandes dogmas do estilo western.

Johnny Guitar (Johnny Guitar, Estados Unidos,1954) Direção: Nicholas Ray / Roteiro: Philip Yordan, Roy Chanslor / Elenco: Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge / Sinopse: Uma dona de saloon no velho oeste é acusada injustamente de roubo e assassinato ao mesmo tempo em que tenta lidar com seus sentimentos e vida amorosa. Filme indicado pelo Cahiers du Cinéma na categoria de melhor filme do ano de 1954.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 25

Em 1975 Rock Hudson completou 50 anos de idade! Uma marco importante e preocupante para um galã de Hollywood. No cinema sua carreira estava praticamente encerrada, mas Rock curiosamente conseguiu sobreviver como ator, trabalhando na televisão. Ele emplacou uma série de grande sucesso chamada "McMillan & Wife" que girava em torno de um casal comum que decifrava crimes todas as semanas. O público americano adorou e a série teve grande audiência. 

Rock assim conseguia manter sua popularidade, principalmente para uma nova geração que nunca havia assistido seus filmes quando passaram no cinema nas décadas anteriores. Os mais jovens o conheciam principalmente pela série e não pelo cinema. Em cinco temporadas com centenas de episódios, Rock ganhou dinheiro como nunca, mas não gostava da experiência de ser um ator de televisão.

Aos mais próximos ele dizia que aquela série iria ser o útlimo ato de sua carreira. Que a televisão era o porto para onde os grandes navios eram enviados para apodrecerem e se tornarem museus. Uma metáfora de alguém que havia sido da Marinha. Além disso Rock reclamava muito de como as coisas eram feitas na TV. Rock vinha do cinema, onde os filmes eram produzidos com calma e cuidado. Na TV, por outro lado, tudo era pressa, tudo era stress e caos. Um novo episódio tinha que ser filmado por semana e a velocidade em que as coisas eram feitas deixavam Rock chocado e nervoso! Numa certa vez o diretor não conseguiu trabalhar por estar doente, então a direção do episódio foi entregue ao próprio Rock, em cima da hora. Ele mal podia acreditar naquilo! Os roteiros muitas vezes eram escritos no meio das gravações, outras vezes os atores tinham que improvisar as falas pois não havia tido tempo de se providenciar os scripts! 

E acima de tudo havia a pressão da audiência. Toda semana havia o stress para saber se o episódio tinha alcançado ou não audiência. Depois de cinco temporadas Rock estava esgotado! Ele pediu demissão. A emissora ofereceu milhões de dólares para Rock voltar, mas ele disse não! Ele não aguentava mais aquela situação. Preferia manter sua saúde mental. Assim "McMillan & Wife" foi cancelada, mesmo sendo uma das séries de maior audiência da TV americana nos anos 70.

Pablo Aluísio. 

Sangue por Glória

Título no Brasil: Sangue por Glória
Título Original: What Price Glory
Ano de Produção: 1952
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: John Ford
Roteiro: Phoebe Ephron, Henry Ephron
Elenco: James Cagney, Corinne Calvet, Dan Dailey, William Demarest, Craig Hill, Robert Wagner

Sinopse:
Durante a Primeira Guerra Mundial, dois militares americanos servindo na França, o Capitão Flagg (James Cagney) e o Sargento Quirt (Dan Dailey), disputam o amor de uma bela francesa chamada Charmaine (Corinne Calvet). Ela é a filha do dono da taverna, tem bela voz e encanta a todos que a conhecem.

Comentários:
O fato do filme ser ambientado na Primeira Guerra Mundial, ser dirigido por John Ford e contar com James Cagney no elenco, pode levar algum cinéfilo a pensar que se trata de um daqueles épicos filmes de guerra do passado. Ainda mais com esse título pomposo de "Sangue por Glória". Não se trata disso. Não pense que vai encontrar grandes batalhas e grandes cenas de heroísmo. O filme, por mais incrível que isso possa parecer, está mais para comédia romântica. Tem música, cenas divertidas e personagens bem caricatos. O poster original do filme aliás entrega parte disso, é só prestar bem atenção. O tom é leve, embora de vez em quando (muito de vez em quando) mostre algum campo de batalha. James Cagney inclusive está muito bem em um tipo de papel que não era o seu habitual. O seu Capitão é do tipo nervosinho, mas que não dispenha uma boa garrafa de vinho francês. Na cena final, quando ele surge bêbado, o ator bem demonstra essa sua veia cômica. É um bom filme, mas o espectador precisa estar no clima certo. Se alguém for esperando um grande filme de guerra, com longas batalhas e cenas de ação, vai obviamente se decepcionar. Caso contrário, se quiser dar algumas boas risadas, então é o tipo ideal de programa para ver.

Pablo Aluísio.

domingo, 21 de junho de 2026

Imperador Romano Magno Máximo

Imperador Romano Magno Máximo
Magno Máximo foi um importante líder militar e imperador romano do século IV, conhecido por seu papel nas disputas políticas que marcaram os últimos anos do Império Romano do Ocidente. Nascido provavelmente na Hispânia, por volta de 335 d.C., ele serviu com distinção no exército romano e conquistou reputação como comandante competente e respeitado por seus soldados. Sua carreira militar desenvolveu-se durante um período de grandes desafios para Roma, marcado por invasões bárbaras, conflitos internos e disputas pelo trono imperial. Em 383 d.C., enquanto comandava tropas na Britânia, foi proclamado imperador por seus soldados, iniciando uma revolta contra o imperador Graciano. Com o apoio de suas legiões, atravessou o Canal da Mancha e avançou para a Gália. Graciano acabou derrotado e morto, permitindo que Magno Máximo assumisse o controle de extensas regiões do Império Romano do Ocidente. Seu governo marcou uma das mais importantes tentativas de reunificação política da época.

Após assumir o poder, Magno Máximo estabeleceu sua capital na cidade de Tréveris, importante centro administrativo localizado na atual Alemanha. A partir dali, governou a Britânia, a Gália e a Hispânia, consolidando sua autoridade sobre grande parte do Ocidente romano. Embora tenha chegado ao poder por meio de uma rebelião militar, buscou legitimar seu governo através da diplomacia e de acordos políticos. O imperador oriental Teodósio I, inicialmente, aceitou sua posição para evitar uma guerra civil imediata. Durante vários anos, Magno Máximo administrou seus territórios de forma relativamente estável, promovendo a ordem e fortalecendo as defesas fronteiriças. Ele também procurou apresentar-se como defensor da tradição romana e da fé cristã. Seu governo foi reconhecido por muitos contemporâneos como eficiente, especialmente em comparação com outros governantes que enfrentavam dificuldades para controlar seus domínios.

No campo religioso, Magno Máximo destacou-se por seu forte apoio ao cristianismo niceno, a corrente que mais tarde se tornaria a doutrina oficial da Igreja. Seu reinado coincidiu com um período em que as questões religiosas exerciam grande influência sobre a política imperial. Um dos episódios mais conhecidos de seu governo foi o julgamento de Prisciliano, líder de um movimento cristão considerado herético por muitos bispos da época. Prisciliano foi condenado à morte em 385 d.C., tornando-se um dos primeiros cristãos executados por acusações de heresia. O caso gerou controvérsia entre importantes líderes religiosos, alguns dos quais consideraram inadequado o uso do poder estatal para resolver disputas doutrinárias. Esse episódio demonstra como as relações entre Igreja e Estado estavam se tornando cada vez mais estreitas durante o final do Império Romano.

Apesar dos sucessos iniciais, a ambição de Magno Máximo acabaria levando-o ao confronto direto com Teodósio I. Em 387 d.C., ele invadiu a Itália e expulsou o jovem imperador Valentiniano II, ampliando ainda mais seus domínios. Essa ação foi vista por Teodósio como uma ameaça inaceitável ao equilíbrio político do império. Determinado a restaurar Valentiniano ao trono, Teodósio reuniu um poderoso exército e iniciou uma campanha militar contra Magno Máximo. Em 388 d.C., os dois lados se enfrentaram em uma série de batalhas decisivas nos Bálcãs. As forças de Teodósio obtiveram a vitória, enfraquecendo rapidamente a posição de Magno Máximo. Sem condições de resistir por muito tempo, ele foi capturado na cidade de Aquileia, no norte da Itália. Pouco depois, foi executado por ordem de seus adversários.

Embora seu reinado tenha durado apenas alguns anos, Magno Máximo deixou uma marca significativa na história romana e nas tradições posteriores da Europa Ocidental. Em algumas regiões, especialmente no País de Gales, ele foi lembrado em lendas medievais como um herói guerreiro e fundador de linhagens nobres. Historiadores modernos o consideram uma figura representativa das profundas transformações que afetavam o Império Romano no século IV. Sua ascensão demonstra a crescente influência dos exércitos provinciais na escolha dos imperadores, enquanto sua queda revela a fragilidade da unidade política romana naquele período. Além disso, seu governo ilustra a importância crescente do cristianismo nos assuntos do Estado. Magno Máximo permanece como um personagem fascinante da Antiguidade Tardia, cuja trajetória reflete tanto a força quanto as dificuldades enfrentadas pelo Império Romano em seus últimos séculos de existência.

Faraó Tutemés III

Tutemés III 
Tutemés III foi um dos mais importantes e poderosos faraós do Antigo Egito, governando durante a XVIII Dinastia, aproximadamente entre 1479 e 1425 a.C. Seu reinado é frequentemente considerado o auge do poder militar e político egípcio durante o período conhecido como Novo Império. Filho do faraó Tutemés II, ele assumiu o trono ainda muito jovem, o que levou sua madrasta e tia, a rainha-faraó Hatshepsut, a atuar como regente. Com o passar dos anos, Hatshepsut consolidou seu próprio poder e governou como faraó por um longo período. Somente após a morte dela, Tutemés III passou a exercer plenamente sua autoridade sobre o Egito. Apesar dessa situação inicial complexa, ele demonstrou grande habilidade administrativa e militar, tornando-se uma das figuras mais admiradas da história egípcia. Seu reinado foi marcado pela expansão territorial, pelo fortalecimento econômico e pela construção de monumentos grandiosos. Por esses feitos, muitos historiadores o chamam de "Napoleão do Egito Antigo".

A característica mais marcante do governo de Tutemés III foi sua extraordinária capacidade militar. Durante seu reinado, ele liderou diversas campanhas militares que ampliaram significativamente as fronteiras do império egípcio. Sua campanha mais famosa ocorreu na região de Canaã, onde enfrentou uma coalizão de cidades rebeldes na Batalha de Megido. Demonstrando coragem e inteligência estratégica, ele escolheu uma rota inesperada para surpreender seus inimigos, obtendo uma vitória decisiva. Essa conquista permitiu ao Egito reafirmar sua autoridade sobre importantes territórios do Oriente Próximo. Ao longo dos anos, o faraó realizou cerca de dezessete campanhas militares registradas, alcançando regiões da atual Síria e fortalecendo o domínio egípcio sobre áreas estratégicas para o comércio. Graças a essas vitórias, o Egito acumulou riquezas, tributos e influência política sem precedentes. Seu exército tornou-se um dos mais respeitados do mundo antigo.

Além de suas conquistas militares, Tutemés III foi um governante preocupado com a organização e prosperidade do império. Os tributos obtidos das regiões conquistadas ajudaram a financiar grandes projetos de construção e a manter uma administração eficiente. O faraó incentivou o comércio entre o Egito e os territórios sob sua influência, facilitando a circulação de produtos valiosos como ouro, madeira, pedras preciosas, especiarias e animais exóticos. Sua administração também promoveu a estabilidade interna, garantindo que as riquezas obtidas nas campanhas beneficiassem o Estado egípcio. Os registros de seu reinado mostram uma atenção especial à coleta de informações sobre os povos conquistados, incluindo descrições de plantas, animais e recursos naturais encontrados em outras regiões. Isso demonstra que suas expedições tinham não apenas objetivos militares, mas também econômicos e científicos. Dessa forma, Tutemés III contribuiu para o desenvolvimento cultural e material do Egito.

A arquitetura e a religião também receberam grande atenção durante o governo de Tutemés III. Ele patrocinou a construção, ampliação e restauração de inúmeros templos em diversas partes do país. Um dos principais centros beneficiados foi o complexo religioso de Karnak, dedicado ao deus Amon, onde o faraó ergueu monumentos impressionantes para celebrar suas vitórias e homenagear as divindades. Muitas inscrições deixadas nesses templos registram os acontecimentos de seu reinado e constituem fontes históricas valiosas para os pesquisadores modernos. Tutemés III acreditava que seu sucesso militar era resultado da proteção divina, especialmente de Amon, considerado o principal deus do panteão egípcio naquele período. Por isso, fazia generosas doações aos templos e ao clero. Sua atuação fortaleceu ainda mais a ligação entre o poder político e a religião, uma característica fundamental da civilização egípcia.

O legado de Tutemés III permaneceu vivo muito tempo após sua morte. Ele foi lembrado pelas gerações seguintes como um dos maiores governantes da história do Egito, símbolo de força, inteligência e liderança. Seu reinado consolidou o Egito como uma das maiores potências do mundo antigo, influenciando povos de diferentes regiões do Oriente Próximo. As campanhas militares que liderou garantiram décadas de estabilidade e prosperidade para o império. Além disso, os monumentos que construiu ajudaram a preservar sua memória ao longo dos séculos. Hoje, arqueólogos e historiadores continuam estudando suas realizações para compreender melhor a grandiosidade do Novo Império Egípcio. Graças à abundância de registros deixados em templos e monumentos, é possível conhecer muitos detalhes de sua vida e de seu governo. Por tudo isso, Tutemés III permanece como uma das figuras mais fascinantes e importantes da história da humanidade.

sábado, 20 de junho de 2026

Crônicas de Elvis Presley - Texto I

Para aquele jovem Elvis, que se apresentava em parques de diversões e feiras de gado pelo sul dos Estados Unidos, o máximo que ele poderia atingir em termos de fama e sucesso era se tornar um astro em Hollywood. Era sua mentalidade juvenil da época. Elvis sonhava com aquilo desde que era um adolescente loiro e sem grana, louco por cinema. Todas as semanas lá estava ele assistindo aos novos filmes no pequeno cinema de Memphis. Tão apaixonado era por sétima arte que quando precisou arranjar seu primeiro emprego para ajudar seus pais, ele foi atrás de um no próprio cinema. Acabou virando lanterninha! 

Aquilo havia sido anos atrás. Agora Elvis era um jovem cantor tentando a sorte. Ele já havia encontrado um pequeno selo que lançara seus primeiros compactos, disquinhos com duas músicas. Não vendiam muito, mas ajudavam a vender seu show itinerante. As coisas só iriam mudar quando ele conheceu um sujeito de lábia encantadora. Aliás ele gostava de dizer que era também um ilusionista de parque de diversões. Sempre com um sorrisso no rosto, aquela era uma pessoa para no mínimo se ter cuidado! 

Era o "Coronel" Tom Parker. Que na verdade não era Coronel, nem Tom, nem Parker. Esse era o personagem que esse imigrante holândes havia criado, algo que tinha dado muito certo por anos. Até o sotaque do sulista americano ele imitava com perfeição! Parker passou anos trabalhando em parques de diversões pelo sul dos Estados Unidos. Ali aprendeu as manhas dessa profissão. Ele tinha um lema que todo dia era um bom dia para tirar dinheiro fácil dos que iam aos parques. Em troca ele lhes oferecia alguma ilusão, alguma mágica, que deixava todos com um sorriso no rosto. 

Parker não era um vigarista na acepção mais restrita do termo. Ele jamais cometeria crimes, até por causa de sua condição de imigrante ilegal nos Estados Unidos, mas sabia aplicar pequenos golpes inocentes em determinadas pessoas mais ingênuas. Quando conheceu aquele jovem cantor esse lhe disse que seu sonho era chegar um dia em Hollywood. Era a isca que Parker esperava. Quando ouviu isso, o velho empresário disse a Elvis: "Assine comigo rapaz que você se tornará um astro em Hollywood! Eu prometo!". Os olhos de Elvis brilharam nesse momento e o resto é história. 

Pablo Aluísio. 

Crônicas dos Beatles - Texto I

A linda jovem Jane Asher começou apresentando um programa de rádio em Londres. O sucesso foi tão grande que logo ela estava apresentando seu próprio programa de televisão que, na época, era uma grande novidade tecnológica. O foco de seu programa era a música jovem. Ela apresentava e entrevistava os músicos dessas bandas que começavam a ficar populares entre os jovens ingleses. Mais cedo ou mais tarde ela iria cruzar caminho com os Beatles.

Foi justamente o que aconteceu. Os Beatles foram convidados para se apresentarem em seu programa. No dia marcado as coisas não começaram muito bem. O primeiro Beatle que Jane conheceu foi John Lennon. Ela não gostou nada dele, principalmente depois que fez uma piada machista e suja em sua presença. Jane era muito educada, fazia parte da elite de Londres, filha de um médico e de uma professora de música. Ela não estava acostumada com aquilo. E John poderia ser um sujeito muito sem noção em certas ocasiões. 

Quando Paul chegou ele percebeu que havia um "climão" entre ela e John. Logo entendeu que seu colega de banda deveria ter falado algum tipo de bobagem para Jane. Paul conhecia muito bem John. Então ele tentou consertar as coisas e conseguiu. Paul McCartney sempre foi considerado o "diplomata dos Beatles", aquele que conversava amigavelmente com os jornalistas, que fazia amizade, que procurava ter boas relações com todos. Servia chá, se sentava, conversava e se mostrava muito amigo de todos que queriam conhecer melhor os Beatles. Com Jane Asher não seria diferente. 

O diferencial é que Paul realmente ficou muito interessado em Jane. Ela era extremamente bonita, uma ruiva de parar o trânsito. Paul não a conhecia pessoalmente e pensava que ela fosse loira pois só havia TV preto e branco naquela época. Ficou surpreso em ver que era uma mulher ruiva, a mais bonita que já tinha encontrado em sua vida. Querendo conhecer ela melhor, Paul, com muita polidez, conseguiu seu número de telefone. O pretexto era manter um canal aberto entre Jane e os Beatles. Só que havia mais, Paul queria convidar a beldade para jantar. Seria o começo de uma longa história entre eles.

Pablo Aluísio.