terça-feira, 6 de outubro de 2026

O Estranho que Nós Amamos

Título no Brasil: O Estranho que Nós Amamos
Título Original: The Beguiled
Ano de Lançamento: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: The Malpaso Company / Universal Pictures
Direção: Don Siegel
Roteiro: Albert Maltz e Irene Kamp, baseado no romance The Beguiled, de Thomas Cullinan
Elenco: Clint Eastwood, Geraldine Page, Elizabeth Hartman, Jo Ann Harris, Darleen Carr, Mae Mercer, Pamelyn Ferdin e Melody Thomas Scott.

Sinopse: 
Durante a Guerra Civil Americana, John McBurney, um soldado da União ferido, é encontrado por uma jovem e levado para um internato feminino localizado em território confederado. A diretora Martha Farnsworth decide acolhê-lo e permitir que as mulheres da instituição cuidem de seus ferimentos, apesar do risco de esconder um inimigo. Enquanto se recupera, McBurney percebe que sua presença provoca uma forte reação entre as mulheres isoladas naquela casa. Ele passa a conquistar a simpatia de Martha, da professora Edwina e das jovens que vivem no internato, utilizando seu charme para obter proteção e vantagens. Aos poucos, porém, o ambiente torna-se cada vez mais tenso, com ciúmes, rivalidades e ressentimentos surgindo entre elas. McBurney acredita que consegue controlar a situação, mas sua manipulação acaba provocando consequências inesperadas. O que começa como uma história de sobrevivência transforma-se em um perigoso jogo psicológico, no qual o soldado ferido passa de protegido a prisioneiro.

Comentários: 
O Estranho que Nós Amamos é um dos filmes mais diferentes da parceria entre Clint Eastwood e Don Siegel e ocupa uma posição bastante particular dentro da carreira do ator. Em vez do western tradicional ou do policial de ação, Eastwood interpreta John McBurney, um homem ferido, manipulador e moralmente ambíguo. Don Siegel utiliza o isolamento do internato para criar uma atmosfera de tensão crescente, fazendo com que quase toda a ação aconteça em um espaço limitado e aparentemente protegido. Geraldine Page apresenta uma atuação intensa como Martha Farnsworth, enquanto Elizabeth Hartman interpreta Edwina, uma personagem que desenvolve sentimentos cada vez mais fortes pelo soldado. Jo Ann Harris também se destaca como Carol, contribuindo para o clima de competição e desconfiança que domina a narrativa. A fotografia de Bruce Surtees e a trilha sonora de Lalo Schifrin reforçam o caráter sombrio da produção. 

A recepção inicial foi bastante dividida, mas o filme ganhou uma reputação muito mais favorável com o passar dos anos. A obra chegou a ser vista inicialmente como um thriller incomum e provocador, mas avaliações posteriores passaram a reconhecer sua complexidade psicológica e sua atmosfera de suspense. O filme também foi importante por marcar a terceira colaboração entre Eastwood e Siegel, depois de Meu Nome é Coogan e Os Abutres Têm Fome, e antes de Perseguidor Implacável e Fuga de Alcatraz. Hoje, The Beguiled é frequentemente considerado um dos trabalhos mais interessantes e subestimados de Siegel. Sua combinação de guerra, drama psicológico, suspense e relações de poder faz com que a história permaneça perturbadora mesmo décadas depois. Clint Eastwood também demonstra aqui uma faceta diferente de sua persona cinematográfica, interpretando um personagem que não pode ser simplesmente classificado como herói. O filme acabou ganhando status de cult e continua despertando interesse entre admiradores do ator, do diretor e do cinema americano dos anos 1970.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Dez Segundos de Perigo

Título no Brasil: Dez Segundos de Perigo
Título Original: Junior Bonner
Ano de Lançamento: 1972
País: Estados Unidos
Estúdio: ABC Pictures / Solar Productions
Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: Jeb Rosebrook
Elenco: Steve McQueen, Robert Preston, Ida Lupino, Joe Don Baker, Ben Johnson, Barbara Leigh, Mary Murphy e Dub Taylor.

Sinopse: 
Junior “J.R.” Bonner é um experiente cavaleiro de rodeio que retorna à sua cidade natal, Prescott, no Arizona, para participar novamente das comemorações e competições do Frontier Days. Depois de passar anos viajando pelo circuito de rodeios, ele reencontra sua família e descobre que muita coisa mudou durante sua ausência. Seu pai, Ace Bonner, continua sendo um homem impulsivo e sonhador, enquanto seu irmão Curly transformou-se em um ambicioso empresário do setor imobiliário. Curly pretende demolir a antiga propriedade da família para construir um empreendimento de casas móveis, provocando conflitos entre os irmãos. Ao mesmo tempo, Junior decide participar de uma perigosa competição contra Sunshine, um enorme touro praticamente invencível. Para ele, o desafio representa não apenas uma oportunidade de ganhar dinheiro, mas também uma maneira de reafirmar sua identidade e seu lugar naquele mundo. Enquanto se prepara para o rodeio, Junior tenta lidar com os problemas da família e com a sensação de que a vida que conhecia está desaparecendo rapidamente.

Comentários: 
Junior Bonner ocupa uma posição bastante particular na carreira de Sam Peckinpah, conhecido principalmente por seus violentos westerns e filmes de ação. Aqui, porém, o diretor optou por uma história muito mais tranquila e intimista, concentrada em um personagem que representa um tipo de homem do Oeste que está desaparecendo. Steve McQueen interpreta Junior com uma atuação contida, utilizando principalmente seu carisma e presença física para transmitir a personalidade do personagem. Robert Preston e Ida Lupino também se destacam como os pais de Junior, enquanto Joe Don Baker interpreta o irmão Curly, responsável por grande parte dos conflitos familiares. As sequências do rodeio foram filmadas durante o verdadeiro Frontier Days de Prescott e apresentam uma combinação de fotografia em câmera lenta, teleobjetivas e montagem rápida característica de Peckinpah. O Turner Classic Movies destaca justamente o contraste entre a ação dos rodeios e o caráter contemplativo da história familiar. O resultado é um filme de rodeio que utiliza o esporte como pano de fundo para falar sobre mudanças, envelhecimento, família e o desaparecimento de uma determinada maneira de viver.

A recepção inicial foi bastante variada e o filme não encontrou o mesmo sucesso comercial de outros trabalhos de McQueen e Peckinpah. Roger Ebert, em sua crítica de 1972, considerou que a história tinha pouco desenvolvimento e afirmou que o filme não conseguia funcionar plenamente como um todo, apesar de reconhecer o interesse das cenas de rodeio e do elenco. Com o passar dos anos, porém, a avaliação da obra mudou consideravelmente. O Rotten Tomatoes registra atualmente 92% de aprovação da crítica, enquanto críticas posteriores passaram a destacar a atuação de McQueen e a abordagem mais humana de Peckinpah. O Turner Classic Movies observa que o filme é, essencialmente, um estudo de personagem e um retrato melancólico de uma figura tradicional do Oeste enfrentando um mundo em transformação. A produção também é lembrada pela fotografia de Lucien Ballard e pela música de Jerry Fielding, além da presença de Ben Johnson, ele próprio um conhecido campeão de rodeio. Hoje, Junior Bonner é frequentemente redescoberto como uma obra mais sensível e pessoal de Peckinpah, e como um dos trabalhos em que Steve McQueen teve a oportunidade de interpretar um personagem menos associado à ação convencional.

Erick Steve. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O Nono Mandamento

Título no Brasil: O Nono Mandamento
Título Original: Strangers When We Meet
Ano de Lançamento: 1960
País: Estados Unidos
Estúdio: Bryna Productions
Direção: Richard Quine
Roteiro: Evan Hunter
Elenco: Kirk Douglas, Kim Novak, Walter Matthau, Ernie Kovacs, Barbara Rush, Virginia Bruce

Sinopse:
Larry Coe (Kirk Douglas) é um arquiteto bem sucedido. Ele mora com a esposa e filhos em um bairro elegante de Los Angeles. Ao levar o filho para tomar o ônibus escolar ele conhece casualmente Margareth (Kim Novak), mãe de um dos alunos que também estuda na mesma escola. Logo surge uma forte atração entre eles, o problema é que ambos são casados e isso vai despertar não apenas uma paixão avassaladora, como também uma série de problemas familiares e sociais. 

Comentários:
Filme excelente, um drama romântico que discute a questão do divórcio, das relações fora do casamento e do próprio desgaste que um relacionamento de longa data pode causar. Mostra porque tantas pessoas são infelizes em seus matrimônios. No caso temos um homem e uma mulher que são mais do que infelizes em seus casamentos, mesmo tentando manter as falsas aparências na sociedade. Quando se conhecem se apaixonam, mas ficam presos às convenções sociais. O estigma do adultério passa a rondar esse novo romance. A questão toda é discutida com extrema elegância por esse roteiro. Kirk Douglas segue seu tipo habitual, com muita jovialidade, mas quem se sai melhor no quesito atuação é mesmo a atriz Kim Novak. Sua personagem é bem ambígua, sedutora, mas ao mesmo tempo reservada. Adúltera, mas tentando salvar um casamento falido. Cheia de culpas pessoais, mas igualmente muito apaixonada! No final quem ganha mesmo é o espectador pois esse é um dos melhores filmes sobre o tema. Tudo levado em um clima adulto e sem falsos moralismos, típicos daquela época em que o filme foi produzido. Merece todos os meus aplausos! 

Pablo Aluísio.

San Francisco - A Cidade do Pecado

Título no Brasil: San Francisco - A Cidade do Pecado
Título Original: San Francisco
Ano de Lançamento: 1936
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: W.S. Van Dyke
Roteiro: Anita Loos, Robert E. Hopkins
Elenco: Clark Gable, Jeanette MacDonald, Spencer Tracy, Jack Holt, Jessie Ralph, Ted Healy

Sinopse:
A história do filme se passa no ano de 1906, na cidade de San Francisco, na Califórnia. Uma jovem cantora cai nas graças do público e passa a ser disputada entre um rico empresário da cidade e um agente de novos talentos que deseja a todo custo assinar um contrato de exclusividade com ela. Filme premiado no Oscar na categoria de Melhor Som (Douglas Shearer). 

Comentários:
Clark Gable não queria fazer esse filme. Era praticamente um musical e Gable não se sentia confortável nesse gênero cinematográfico. Além disso ele não gostava de San Francisco. Boatos maliciosos da época diziam que ele havia dito as seguintes frases: "Não quero ir para San Francisco. Odeio esse lugar! É uma cidade cheia de homossexuais!". Pura homofobia, claro, se a frase for verdadeira. De qualquer forma ele estava preso a um contrato com a poderosa MGM e não poderia recusar. Assim engoliu todas as suas opiniões negativas sobre a cidade, fez as malas e foi para San Francisco rodar a película. É um filme divertido, mas devo dizer que faltou mesmo uma grande estrela feminina no elenco, alguém como Marilyn Monroe, por exemplo. E Gable, vamos ser sinceros, não pareceu mesmo muito interessado no filme. Está no controle remoto. Enfim, hoje em dia, vale como curiosidade da cinamotografia musical dos anos 1930 e por ter Gable no elenco. Nada muito além disso. 

Pablo Aluísio.

domingo, 4 de outubro de 2026

Eleição

Título no Brasil: Eleição
Título Original: Election
Ano de Produção:1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Alexander Payne
Roteiro: Tom Perrotta, Alexander Payne
Elenco: Matthew Broderick, Reese Witherspoon, Chris Klein, Jessica Campbell, Mark Harelik, Phil Reeves

Sinopse:
A vida do professor Jim McAllister (Matthew Broderick) se torna bem complicada quando ele resolve organizar as eleições estudantis em uma escola de ensino médio (High School, nos Estados Unidos). Uma das candidatas, a aluna Tracy Flick (Reese Witherspoon), se torna obcecada em vencer, transformando a vida de Jim em um verdadeiro inferno, ao estilo escolar!

Comentários:
Gostei bastante desse filme juvenil que conta com um elenco muito bom, a começar pela presença de Matthew Broderick. Na década anterior ele ficou conhecido por estrelar "Curtindo a Vida Adoidado", considerado por muitos como o melhor de seu estilo. Aqui ele volta para a escola, mas não como aluno que mata aulas, mas sim como um jovem professor que precisa lidar com a maluquinha aluna interpretada por Reese Witherspoon. Poucas vezes a vi em um papel tão adequado, já que Reese tem esse tipo mesmo, a de ser obcecada em vencer de qualquer jeito. Na própria carreira de atriz em Hollywood ela é bem conhecida por ter esse tipo de personalidade. Ainda bem jovenzinha, ela já demonstrava ter um talento diferenciado. Então tudo caiu como uma luva. O filme é bem produzido, dirigido e roteirizado e conseguiu para surpresa geral arrancar uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor roteiro Adaptado. Quem diria que uma comédia juvenil iria tão longe, em uma categoria tão nobre da Academia? Pois é... Foi algo bem surpreendente mesmo.

Pablo Aluísio.

Candidato Aloprado

Título no Brasil: Candidato Aloprado
Título Original: Man of the Year
Ano de Lançamento: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures / Morgan Creek Productions
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Barry Levinson
Elenco: Robin Williams, Christopher Walken, Laura Linney, Lewis Black, Jeff Goldblum, David Alpay, Tina Fey e Amy Poehler.

Sinopse:
Tom Dobbs, interpretado por Robin Williams, é um famoso apresentador de televisão conhecido por seu programa de sátira política, no qual comenta os acontecimentos de Washington com muito humor e irreverência. Depois de ser provocado por um espectador durante uma de suas apresentações, Dobbs decide, quase como uma brincadeira, lançar sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos. Para surpresa de todos, sua campanha começa a conquistar milhões de eleitores cansados da política tradicional. Com uma plataforma baseada no humor, na crítica aos políticos profissionais e na promessa de falar diretamente com o cidadão comum, Dobbs transforma-se rapidamente em um fenômeno nacional. Entretanto, depois da eleição, a empresa responsável pelo sistema eletrônico de votação descobre um problema que pode ter alterado os resultados. A personagem de Laura Linney, Eleanor Green, funcionária da empresa, começa a investigar a situação e percebe que a suposta vitória de Dobbs pode ter sido causada por uma falha no sistema. O que começa como uma sátira política transforma-se gradualmente em um thriller sobre eleições, tecnologia, corrupção e democracia.

Comentários:
Man of the Year recebeu uma reação crítica bastante dividida quando chegou aos cinemas americanos em outubro de 2006. O The New York Times, em crítica de A. O. Scott, reconheceu a energia de Robin Williams e a inteligência de alguns momentos da sátira política, mas considerou que o filme não conseguia decidir se queria ser uma comédia política ou um thriller sobre fraude eleitoral. A revista Variety também observou essa mudança de tom como um dos principais problemas da produção, embora elogiasse a presença de Williams e a direção de Barry Levinson. O Los Angeles Times considerou a premissa bastante promissora, especialmente por explorar a crescente desconfiança dos americanos em relação aos políticos e aos sistemas eleitorais, mas criticou a maneira como o roteiro abandona parte da comédia para desenvolver sua trama de suspense. A revista Entertainment Weekly destacou que Williams funcionava melhor quando podia improvisar e utilizar seu conhecido estilo de humor, enquanto a história ficava menos convincente quando tentava assumir um tom mais sério. Christopher Walken também recebeu elogios por sua participação como Jack Menken, empresário e produtor do programa de Dobbs. Laura Linney, por sua vez, foi considerada uma presença dramática importante, especialmente nas cenas em que sua personagem começa a perceber a dimensão do problema envolvendo as máquinas de votação.

O principal problema apontado pelos críticos foi justamente a estrutura do filme. A primeira metade funciona como uma sátira relativamente leve sobre a política americana, com Robin Williams interpretando um candidato que representa a frustração do eleitor comum com Washington. A segunda metade transforma-se praticamente em um suspense conspiratório, criando uma mudança de gênero que muitos críticos consideraram brusca. O Washington Post observou que a ideia de um apresentador de televisão transformando-se em candidato presidencial possuía enorme potencial satírico, mas que o roteiro não explorava completamente as possibilidades oferecidas pela premissa. Apesar disso, o filme ganhou interesse retrospectivo por abordar temas que se tornariam cada vez mais relevantes na política americana: a influência da televisão, a transformação de celebridades em figuras políticas, a desconfiança em relação às instituições e os riscos associados à votação eletrônica. Robin Williams constrói Tom Dobbs como uma espécie de mistura entre apresentador de talk show, comediante e político populista, aproveitando sua enorme capacidade de improvisação. Embora Candidato Aloprado não tenha alcançado o mesmo prestígio de outros trabalhos de Barry Levinson ou de Robin Williams, atualmente é lembrado como uma produção curiosamente premonitória sobre a relação entre entretenimento, política e tecnologia. Para os admiradores de Williams, permanece ainda como um dos últimos filmes em que o ator pôde explorar plenamente sua persona de comediante antes de assumir papéis cada vez mais dramáticos em seus trabalhos posteriores.

Pablo Aluísio. 

sábado, 3 de outubro de 2026

Unabomber

Unabomber
Unabomber (Estados Unidos, 2026) é um drama criminal da Netflix inspirado na história real de Ted Kaczynski, o homem que ficou conhecido como Unabomber depois de realizar uma longa campanha de atentados com cartas-bomba nos Estados Unidos. Dirigido por Janus Metz Pedersen e escrito por Sam Chalsen e Nelson Greaves, o filme estreou mundialmente na Netflix em 25 de setembro de 2026 e tem aproximadamente 1 hora e 40 minutos de duração. A produção apresenta Jacob Tremblay como o jovem Ted Kaczynski, enquanto Russell Crowe interpreta o professor de Psicologia Henry Murray, figura importante na primeira metade da história. Shailene Woodley interpreta a agente do FBI Joanne Miller, Annabelle Wallis aparece como Christiana Morgan, e o elenco também inclui Alexander Ludwig, Steven Ogg e Marc Menchaca. A narrativa utiliza duas linhas temporais: uma acompanha Kaczynski quando adolescente, prodígio matemático que ingressa em Harvard aos 16 anos, enquanto a outra mostra a investigação que culminou em sua captura em 1996. O filme dá grande importância aos controversos experimentos psicológicos conduzidos por Henry Murray em Harvard, apresentados como uma experiência que deixou marcas profundas no jovem estudante. A história, entretanto, não afirma que esses experimentos sejam uma justificativa para os crimes posteriores de Kaczynski, mas explora a possibilidade de que tenham contribuído para seu isolamento e para a formação de determinadas ideias. A segunda parte acompanha a caçada do FBI ao Unabomber e utiliza a análise linguística de seu manifesto como uma das ferramentas fundamentais da investigação. A personagem de Woodley é fictícia e funciona como uma representação dramática de diferentes agentes e investigadores que participaram da operação real. A Netflix descreve oficialmente o filme como um drama inspirado em acontecimentos reais sobre a transformação de um prodígio de Harvard no criminoso conhecido como Unabomber.

A recepção crítica americana inicial foi bastante dividida, mas predominantemente negativa, especialmente em relação ao roteiro e à maneira como o filme tenta explicar a transformação de Kaczynski. Robert Daniels, do RogerEbert.com, foi bastante crítico e descreveu a produção como uma combinação desgastada de drama criminal e clichês de cinebiografia, considerando que ela não consegue alcançar a profundidade psicológica que procura. Em sua avaliação, o filme acaba parecendo uma produção televisiva convencional, apesar da importância do assunto e do elenco. Daniels, entretanto, destacou que Russell Crowe e Jacob Tremblay conseguem produzir momentos de interesse mesmo quando o roteiro não os acompanha, e considerou particularmente forte o confronto entre os dois personagens. O TheWrap também considerou a narrativa pouco concentrada, argumentando que o longa tenta abordar muitas coisas ao mesmo tempo sem desenvolver satisfatoriamente nenhuma delas. Já a crítica do San Francisco Chronicle, de Mick LaSalle, foi mais favorável, atribuindo ao filme três de quatro estrelas e reconhecendo qualidades na abordagem da história. O desempenho de Russell Crowe aparece repetidamente entre os pontos mais elogiados. Uma análise publicada pelo What's on Netflix chamou atenção para sua presença em cena, observando que o ator consegue transformar Henry Murray em uma figura simultaneamente carismática, intelectual e ameaçadora. A recepção no Rotten Tomatoes refletia essa divisão nos primeiros dias: o filme aparecia com 27% de aprovação da crítica, baseada em 44 avaliações, e 56% entre o público, números que podem mudar conforme novas avaliações sejam acrescentadas. Assim, o principal ponto de consenso entre os comentários negativos não foi a falta de material dramático, mas a dificuldade do roteiro em transformar uma história extremamente complexa em uma narrativa cinematográfica de pouco mais de uma hora e meia.

Na crítica britânica e internacional, as observações seguiram uma linha semelhante, embora alguns comentaristas tenham reconhecido o potencial da ideia central. Tim Robey, do The Telegraph, deu duas estrelas ao filme e considerou a produção pouco desenvolvida, embora tenha destacado positivamente o trabalho de Shailene Woodley. Já Terry Staunton, da Radio Times, deu três estrelas e observou que a alternância constante entre as duas épocas fazia com que o espectador tivesse a sensação de estar assistindo apenas ao início e ao final de uma minissérie, sem os episódios intermediários necessários para desenvolver adequadamente a história. Richard Lawson, em sua avaliação para o The Hollywood Reporter, resumiu o problema chamando a produção de “um esboço superficial de um assassino quando jovem”. A Variety, através do crítico Guy Lodge, também foi bastante reservada, afirmando que Jacob Tremblay não convence completamente como o jovem Kaczynski e que o filme alterna uma história de origem psicológica parcialmente interessante com uma investigação policial convencional. Um dos aspectos mais controversos da produção foi justamente a relação entre os experimentos de Harvard e os crimes posteriores. O filme sugere uma conexão dramática, mas especialistas e pessoas ligadas ao caso real alertaram que essa relação não pode ser tratada como uma explicação comprovada. O próprio FBI profiler James R. Fitzgerald, que participou da investigação real, criticou várias liberdades tomadas pelo filme, principalmente a criação da agente Joanne Miller e determinadas alterações nos procedimentos da investigação. A produção, portanto, deve ser encarada como uma dramatização baseada em fatos reais, e não como uma reconstituição documental. A Netflix também deixa essa distinção clara em sua apresentação oficial, enquanto o diretor Janus Metz afirmou que seu interesse estava em explorar como violência e convicções extremas podem produzir consequências trágicas.

Por ser uma produção original da Netflix, Unabomber não possui uma bilheteria convencional, pois não teve como principal destino o circuito comercial de cinemas. A Netflix divulga seus resultados por meio de visualizações e horas assistidas, permitindo observar o impacto do filme dentro da plataforma. E nesse aspecto a produção teve uma estreia bastante expressiva: entre 21 e 27 de setembro de 2026, o longa acumulou 16,4 milhões de visualizações e alcançou o primeiro lugar entre os filmes de língua inglesa da plataforma. Outros levantamentos de audiência também apontaram Unabomber no topo do ranking global da Netflix poucos dias depois de sua estreia, demonstrando que o interesse do público pelo caso real foi muito maior do que a recepção crítica poderia sugerir. Esse contraste é particularmente interessante porque o filme recebeu avaliações bastante negativas de vários críticos, mas conseguiu atrair milhões de espectadores. A razão provavelmente está parcialmente na própria força do caso Unabomber, que durante décadas ocupou enorme espaço no noticiário americano e posteriormente se tornou um dos casos mais conhecidos da história criminal dos Estados Unidos. A produção também chegou à Netflix em um momento no qual o público demonstra grande interesse por histórias de crimes reais, investigações policiais e personagens históricos controversos. Ao mesmo tempo, a escolha de Russell Crowe como um dos protagonistas acrescentou peso comercial ao projeto. O ator interpreta Henry Murray, enquanto Jacob Tremblay assume uma tarefa especialmente difícil ao representar Kaczynski em sua juventude, antes dos atentados que o tornariam conhecido mundialmente. Shailene Woodley, por sua vez, funciona como o principal elo da narrativa investigativa contemporânea. Mesmo sem números de bilheteria, portanto, Unabomber já conseguiu demonstrar uma forte capacidade de atrair espectadores dentro do ecossistema da Netflix.

Como o filme acabou de ser lançado, ainda é cedo para falar em legado cinematográfico consolidado, mas Unabomber já ocupa uma posição curiosa entre as produções recentes sobre Ted Kaczynski. O filme procura fazer algo diferente da minissérie Manhunt: Unabomber, de 2017, ao concentrar boa parte de sua atenção na juventude de Kaczynski e nos acontecimentos de Harvard que antecederam sua transformação em criminoso. A relação com Henry Murray é, nesse sentido, o elemento dramático mais importante da produção. A Netflix apresenta o professor como uma figura intelectual carismática que atrai o jovem estudante para um universo de experimentos psicológicos e confrontos intelectuais. Ao mesmo tempo, o filme procura deixar claro que experiências traumáticas não justificam os atentados posteriores de Kaczynski. O próprio material promocional da Netflix enfatiza que a produção pretende investigar influências e consequências, e não absolver o criminoso de seus atos. A diferença entre ficção e realidade, entretanto, deverá continuar sendo uma das principais questões discutidas em torno do longa. O ex-agente James R. Fitzgerald apontou diversas alterações feitas para fins dramáticos, inclusive em relação à personagem de Shailene Woodley e a determinadas etapas da investigação. Isso não impede que o filme funcione como uma introdução para espectadores que conhecem pouco da história, mas significa que ele precisa ser visto dentro de seus limites como dramatização. Para Russell Crowe, o papel de Henry Murray oferece uma oportunidade de interpretar um personagem intelectual e ambíguo, diferente de muitos dos papéis de ação pelos quais ficou conhecido. Para Jacob Tremblay, o filme representa uma mudança significativa em relação aos papéis que marcaram sua infância e adolescência. O futuro determinará se Unabomber será lembrado principalmente pelo sucesso inicial na Netflix ou como mais uma interpretação cinematográfica de um caso criminal que já recebeu inúmeras versões.

Unabomber (Estados Unidos, 2026) Direção: Janus Metz Pedersen / Roteiro: Sam Chalsen e Nelson Greaves / Elenco: Jacob Tremblay, Russell Crowe, Shailene Woodley, Annabelle Wallis, Alexander Ludwig e Steven Ogg / Sinopse: O filme acompanha Ted Kaczynski desde seus primeiros anos como prodígio matemático em Harvard, onde participa de controversos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray, até sua transformação no homem conhecido como Unabomber. Décadas depois, uma força-tarefa do FBI tenta identificar o responsável por uma série de atentados e reconstruir o caminho que levou Kaczynski a se tornar um dos criminosos mais procurados da história criminal.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Profundezas

Título no Brasil: Profundezas
Título Original: Below
Ano de Lançamento: 2026
País: Canadá
Estúdio: Netflix / Pacesetter Productions
Direção: Jamie Childs, Helen Shaver e Stephen Dunn
Roteiro: Jesse McKeown, Perry Chafe, Karen Walton e Natty Zavitz
Elenco: Josh Hartnett, Mackenzie Davis, Charlie Heaton, Natasha Henstridge, Ruby Stokes, Rohan Campbell, Willow Kean, Kaleb Horn, Joshua Close e Mary Walsh.

Sinopse: 
Calvin Penney é um pescador que vive em Snook's Arm, uma pequena e isolada comunidade costeira de Newfoundland, no Canadá. Ainda marcado pela misteriosa morte de seu pai, ocorrida décadas antes, Calvin leva uma vida simples ao lado da família e de outros moradores da região. Essa tranquilidade desaparece quando uma criatura marinha desconhecida começa a aterrorizar a comunidade. Ao mesmo tempo, o vilarejo enfrenta problemas relacionados à possibilidade de ser obrigado a abandonar sua região, aumentando a tensão entre os moradores e as autoridades. Determinado a proteger seu filho Wade e o restante da família, Calvin decide enfrentar a ameaça. Ele recebe a ajuda de Fonda Howander, uma pesquisadora marinha que chega à região e passa a investigar os acontecimentos. Juntos, os dois procuram descobrir a origem da criatura e compreender os segredos escondidos nas águas e na própria história da comunidade. A investigação acaba revelando conexões com acontecimentos do passado de Calvin e transforma a luta pela sobrevivência em uma tentativa de proteger todo o modo de vida daquele pequeno povoado.

Comentários: 
Profundezas é uma minissérie de suspense, terror e mistério criada por Jesse McKeown, conhecido por seu trabalho em The Umbrella Academy. A produção tem seis episódios e todos serão disponibilizados pela Netflix em 8 de outubro de 2026. Josh Hartnett interpreta Calvin Penney, o pescador que ocupa o centro da história, enquanto Mackenzie Davis vive Fonda, a pesquisadora marinha que se junta a ele para investigar a criatura. Charlie Heaton interpreta Wade, filho de Calvin, acrescentando ao suspense uma dimensão familiar importante. As filmagens foram realizadas em Newfoundland e Labrador, buscando preservar o ambiente marítimo e a identidade de uma pequena comunidade pesqueira canadense. A direção foi dividida entre Jamie Childs, Helen Shaver e Stephen Dunn, enquanto o roteiro contou com Jesse McKeown, Perry Chafe, Karen Walton e Natty Zavitz. A própria Netflix descreve a série como uma história que combina o ataque de uma criatura marinha com drama familiar e a luta de uma comunidade para preservar seu modo de vida.

A série teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2026, antes de chegar oficialmente ao catálogo da Netflix. As primeiras avaliações publicadas a partir do festival destacaram principalmente a atmosfera de suspense, o ambiente de Newfoundland e as atuações do elenco. O Dread Central descreveu a produção como uma história atmosférica de monstro marinho, destacando seus personagens e as cenas de violência, enquanto o The Verge chamou atenção para o humor e para a autenticidade com que a comunidade costeira é retratada. Josh Hartnett também comentou que a história não funciona apenas como uma narrativa de criatura, mas igualmente como um drama sobre uma família e sobre as relações entre os moradores da região. A proposta da minissérie é utilizar o terror vindo do mar como ponto de partida para abordar também trauma, família, sobrevivência e a ameaça de desaparecimento de uma comunidade tradicional. Com seus seis episódios, Profundezas aposta em uma combinação de mistério sobrenatural, horror marítimo e drama familiar, colocando Josh Hartnett novamente em uma produção ligada ao gênero de suspense e terror.

Erick Steve. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Verity

Verity
Lowen Ashleigh é uma escritora que enfrenta dificuldades financeiras quando recebe uma proposta que pode mudar sua carreira. Ela é contratada para atuar como ghostwriter dos três últimos livros de uma famosa série da escritora Verity Crawford, que ficou incapacitada depois de sofrer um grave e misterioso acidente. A convite de Jeremy Crawford, marido de Verity, Lowen muda-se temporariamente para a isolada residência da família para pesquisar os manuscritos e conhecer melhor o trabalho da autora. Enquanto procura entender a forma de escrever de Verity, Lowen encontra um documento autobiográfico secreto que não deveria ter descoberto. O texto apresenta revelações perturbadoras sobre o passado da família, incluindo acontecimentos relacionados à tragédia que atingiu os filhos do casal. Conforme continua lendo, Lowen começa a questionar aquilo que sabe sobre Verity, Jeremy e o próprio acidente. A escritora também passa a desenvolver uma relação cada vez mais complicada com Jeremy, ao mesmo tempo em que tenta descobrir se o manuscrito representa fatos reais ou uma obra de ficção particularmente perturbadora.

Verity é uma adaptação do romance de suspense psicológico publicado por Colleen Hoover e foi dirigida por Michael Showalter, com roteiro de Nick Antosca. O filme reúne Dakota Johnson como Lowen, Anne Hathaway como Verity e Josh Hartnett como Jeremy, formando o trio central da história. A produção procura combinar mistério, drama, romance e elementos de thriller psicológico, utilizando a isolada residência dos Crawford como cenário principal para aumentar a sensação de tensão. Dakota Johnson interpreta uma escritora que inicialmente acredita ter encontrado uma grande oportunidade profissional, mas gradualmente percebe que está entrando em uma situação muito mais complexa. Anne Hathaway assume uma personagem cuja presença domina a narrativa mesmo permanecendo incapacitada durante grande parte da história. Josh Hartnett interpreta Jeremy, cuja personalidade e relação com as duas mulheres também se tornam fundamentais para o desenvolvimento do suspense. 

A recepção crítica inicial foi dividida, com diferentes veículos destacando tanto o elenco quanto a mistura de suspense, romance e melodrama. O Los Angeles Times considerou que Michael Showalter encontrou uma maneira mais adequada de transportar o universo de Colleen Hoover para o cinema e destacou o tom deliberadamente exagerado da produção. Já a Variety e outras publicações apontaram diferenças na forma como o filme trabalha o material original e observaram que a atuação de Anne Hathaway é um dos elementos mais chamativos da adaptação. O The New Yorker, por outro lado, apresentou uma avaliação bastante negativa, criticando a lógica de alguns acontecimentos e o desenvolvimento dos personagens. No Rotten Tomatoes, as primeiras avaliações registravam 43% de aprovação da crítica, embora esse número ainda possa mudar com a entrada de novas análises. A produção também desperta interesse por ser a terceira adaptação cinematográfica de uma obra de Colleen Hoover e por reunir três atores bastante conhecidos em uma história construída sobre segredos, manipulação e dúvidas sobre a verdade.

O filme também chama atenção pela maneira como trabalha a dúvida sobre o que é verdade e o que pode ser manipulação ou ficção. Essa ambiguidade é fundamental para a história, já que Lowen passa a descobrir diferentes versões sobre Verity, Jeremy e os acontecimentos envolvendo a família. A própria Anne Hathaway explicou que procurou interpretar Verity principalmente a partir da perspectiva de Lowen, fazendo com que o público também questionasse constantemente a verdadeira personalidade da personagem. Dakota Johnson, por sua vez, constrói uma Lowen inicialmente vulnerável, mas progressivamente mais envolvida nos segredos da família. Josh Hartnett completa o trio central como Jeremy, personagem cuja aparente tranquilidade também esconde aspectos que alimentam o suspense. Verity aposta em uma atmosfera sofisticada, sensual e perturbadora para transportar o romance de Colleen Hoover para o cinema.

Verity (Estados Unidos, 2026) Estúdio: Amazon MGM Studios / Direção: Michael Showalter / Roteiro: Nick Antosca, baseado no romance de Colleen Hoover / Elenco: Dakota Johnson, Anne Hathaway, Josh Hartnett, Ismael Cruz Córdova, Chase Infiniti / Informações adicionais: O filme tem 1 hora e 54 minutos de duração e recebeu classificação R nos Estados Unidos por conteúdo sexual, violência, linguagem, nudez e imagens de sangue. A estreia comercial brasileira ocorreu em 1º de outubro de 2026, enquanto o lançamento amplo nos Estados Unidos aconteceu em 2 de outubro.

Erick Steve.

A Leste do Éden

Título no Brasil: A Leste do Éden
Título Original: East of Eden
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Garth Davis e Laure de Clermont-Tonnerre
Roteiro: Zoe Kazan, baseado no romance de John Steinbeck
Elenco: Florence Pugh, Christopher Abbott, Mike Faist, Hoon Lee, Tracy Letts, Martha Plimpton, Ciarán Hinds, Joseph Zada e Joe Anders.

Sinopse: 
No início do século XX, a família Trask vive uma história marcada por conflitos, rivalidades e disputas que atravessam várias gerações. Adam e Charles Trask são irmãos muito diferentes, mas ambos carregam as consequências da relação difícil com o pai, Cyrus. A chegada de Cathy Ames à vida dos dois muda completamente o destino da família. Cathy, interpretada por Florence Pugh, é uma mulher misteriosa e independente que desperta sentimentos diferentes nos irmãos e acaba se casando com Adam. A partir desse momento, sua presença passa a influenciar profundamente a trajetória dos Trask. A história acompanha também a geração seguinte, formada pelos gêmeos Cal e Aron, que reproduzem de maneira diferente a antiga rivalidade entre irmãos. Ambientada principalmente no Vale de Salinas, na Califórnia, a narrativa aborda família, amor, ciúme, herança, escolhas pessoais e a eterna luta entre o bem e o mal. A minissérie procura adaptar de maneira muito mais ampla o romance de John Steinbeck do que o famoso filme de 1955 "Vidas Amargas", estrelado por James Dean. 

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A Leste do Éden é uma minissérie de sete episódios baseada no clássico romance publicado por John Steinbeck em 1952. A adaptação foi escrita por Zoe Kazan, que também atua como co-showrunner ao lado de Jeb Stuart. A produção possui uma ligação especial com a história cinematográfica da obra, já que o avô de Zoe Kazan, Elia Kazan, dirigiu o conhecido filme de 1955 estrelado por James Dean. Diferentemente daquela versão, que concentrou sua narrativa principalmente na segunda geração da família Trask, a minissérie procura percorrer uma parcela muito maior da história original. Florence Pugh ocupa posição central como Cathy Ames, personagem que recebe uma interpretação mais aprofundada e complexa. Christopher Abbott interpreta Adam Trask, enquanto Mike Faist vive Charles, seu irmão. Hoon Lee interpreta Lee, personagem fundamental para a história, e Ciarán Hinds aparece como Samuel Hamilton. Os quatro primeiros episódios foram dirigidos por Garth Davis, enquanto Laure de Clermont-Tonnerre comandou os três últimos.

A estreia mundial aconteceu na Netflix em 1º de outubro de 2026, com os sete episódios disponibilizados de uma só vez. A produção recebeu atenção especialmente pelo desempenho de Florence Pugh e pela decisão de dar maior espaço à perspectiva de Cathy, procurando mostrar também os acontecimentos que ajudaram a formar sua personalidade. A Variety destacou Pugh e Hoon Lee como importantes forças dramáticas da adaptação, enquanto o Los Angeles Times chamou atenção para a atuação de Pugh e para a maneira como a série coloca Cathy no centro da narrativa. O The Guardian elogiou a produção visualmente luxuosa e as atuações, embora tenha observado que a série nem sempre consegue dar ao material toda a dimensão filosófica do romance. No Rotten Tomatoes, a primeira temporada aparece com 85% de aprovação da crítica, em um levantamento ainda recente após a estreia. A minissérie também chama atenção pela fotografia e pela reconstituição de época, tendo sido filmada extensivamente na Nova Zelândia para representar a Califórnia do início do século XX.

Erick Steve.