domingo, 9 de agosto de 2026

Gladiador Bestiário

Gladiador Bestiário
O que era um Gladiador Bestiário? Na Roma antiga havia diversos tipos de gladiadores, homens que subiam nas arenas de luta para um combate de vida ou morte. Entre esses tipos diferentes de gladiadores havia um bem especializado chamado de Bestiário. Esse lutava apenas com bestas, feras selvagens, que eram trazidas de todo o império. Assim o Bestiario enfrentava leões, leopardos, tigres e até mesmo ursos nas areias do Coliseu. Um deles se tornou notório, pois afirmava sua lenda que havia vencido mais de 20 feras em apenas um dia durante o império de Domiciano. Uma enorme prova de sua coragem e perícia de luta na arena. 

O gladiador bestiário, conhecido no mundo romano como bestiarius, era um combatente especializado em enfrentar animais selvagens nas arenas do Império Romano. Sua atuação estava ligada principalmente aos espetáculos públicos realizados em anfiteatros, onde multidões se reuniam para assistir a combates e execuções. Diferentemente dos gladiadores mais famosos, como os murmillos ou os secutores, o bestiário tinha como principal adversário uma fera. Leões, leopardos, ursos, javalis, touros e outros animais podiam ser utilizados nesses espetáculos. Esses confrontos faziam parte das chamadas venationes, apresentações que simulavam caçadas diante do público. Em algumas ocasiões, os animais eram trazidos de regiões distantes do império, demonstrando a enorme capacidade logística de Roma. A presença dessas feras também servia para demonstrar o poder romano sobre territórios e povos considerados exóticos. Para a população, o espetáculo misturava entretenimento, violência, medo e fascínio pela natureza selvagem. O bestiário, portanto, ocupava uma posição particular dentro da complexa sociedade dos gladiadores. Sua profissão revelava também a dimensão brutal e espetacularizada da cultura dos anfiteatros romanos.

Nem todos os bestiários possuíam a mesma origem ou condição social, e é importante evitar a ideia de que todos eram simplesmente gladiadores profissionais treinados da mesma maneira. Alguns eram escravos ou prisioneiros condenados a participar dos espetáculos, enquanto outros podiam ser homens livres que procuravam fama ou remuneração. Existiam ainda especialistas treinados para lidar com determinados animais e participar de caçadas encenadas. O treinamento precisava considerar não apenas a habilidade de combate, mas também o comportamento imprevisível das feras. Conhecer os movimentos de um animal podia representar a diferença entre sobreviver e morrer diante da multidão. Armas como lanças, espadas, redes e escudos podiam ser empregadas, dependendo do tipo de apresentação. O equipamento também variava conforme o espetáculo e a função desempenhada pelo combatente. Em determinadas apresentações, o objetivo era matar o animal; em outras, capturá-lo ou demonstrar habilidade diante dele. Havia também espetáculos em que condenados eram simplesmente colocados na arena sem treinamento adequado. Nesse caso, a pessoa não participava propriamente de um combate equilibrado, mas de uma execução pública diante de milhares de espectadores.

As venationes ganharam enorme importância durante o desenvolvimento dos grandes anfiteatros romanos, especialmente a partir do período imperial. A inauguração do Coliseu, em Roma, no século I, proporcionou um dos maiores palcos para esse tipo de espetáculo. Ali podiam ser apresentados animais provenientes da África, da Ásia e de outras regiões controladas ou alcançadas pelas redes comerciais romanas. Elefantes, rinocerontes, hipopótamos, crocodilos, leões e leopardos estavam entre os animais que podiam aparecer nos espetáculos romanos. A chegada dessas criaturas despertava enorme curiosidade entre os espectadores, muitos dos quais jamais haviam visto animais semelhantes. Os organizadores utilizavam cenários, estruturas e recursos especiais para transformar a arena em uma espécie de teatro de caça. Algumas apresentações procuravam reproduzir ambientes selvagens, criando uma experiência visual impressionante para o público. O espetáculo também transmitia uma mensagem política, pois apresentava Roma como senhora de um vastíssimo mundo natural e territorial. O sangue derramado na arena fazia parte de uma cultura pública que transformava a violência em entretenimento. Por isso, o bestiário deve ser compreendido não apenas como combatente, mas como personagem de uma sociedade profundamente marcada pelos espetáculos públicos.

A vida de um bestiário era extremamente perigosa, e mesmo os homens treinados tinham poucas garantias de sobrevivência. Um animal selvagem possuía força, velocidade e instintos que podiam superar rapidamente a capacidade de reação de um ser humano. Um leão podia atacar de maneira repentina, enquanto um touro podia derrubar um homem com enorme violência. O perigo aumentava quando vários animais eram soltos simultaneamente na arena. Além disso, o combatente precisava lidar com a pressão de milhares de espectadores que esperavam uma apresentação emocionante. Para alguns participantes, entretanto, a arena também podia oferecer uma oportunidade de melhorar sua condição social e econômica. Gladiadores bem-sucedidos podiam alcançar fama, receber recompensas e conquistar prestígio dentro do universo dos espetáculos. Existiam também treinadores, empresários e organizadores que transformavam os combates em uma atividade altamente estruturada. A figura do bestiário, portanto, encontrava-se no cruzamento entre escravidão, profissão, espetáculo e sobrevivência. Sua história demonstra como o entretenimento romano podia transformar tanto homens quanto animais em instrumentos de uma gigantesca indústria pública de diversão.

Com o passar dos séculos, os espetáculos envolvendo animais começaram a desaparecer juntamente com as transformações políticas, econômicas, religiosas e culturais do mundo romano. A expansão do cristianismo também contribuiu para modificar a percepção social sobre determinados tipos de espetáculos violentos. Embora os combates de gladiadores e as venationes tenham deixado de existir, sua memória permaneceu registrada em textos antigos, inscrições, mosaicos, esculturas e representações artísticas. O bestiário tornou-se uma das figuras que ajudam a compreender a dimensão espetacular da civilização romana. Ele representa, ao mesmo tempo, a coragem humana diante da natureza e a extrema brutalidade dos entretenimentos antigos. Seu destino também revela as desigualdades de uma sociedade na qual escravos, prisioneiros e pessoas socialmente vulneráveis podiam ser utilizados como protagonistas involuntários de grandes eventos. Hoje, o estudo dos bestiários permite compreender melhor a organização dos anfiteatros e a mentalidade das multidões romanas. Mais do que um simples lutador contra animais, ele foi parte de uma complexa tradição de espetáculos que combinava política, religião, propaganda, violência e diversão. A imagem do homem enfrentando uma fera tornou-se uma das representações mais marcantes da cultura dos anfiteatros. Por isso, a história do gladiador bestiário permanece como um dos capítulos mais impressionantes e sombrios da história do mundo romano.

Pablo Aluísio. 

O Império Romano no Século IV

O Império Romano no Século IV
O século IV foi um dos períodos mais importantes da história do Império Romano, marcado por profundas transformações políticas, militares, religiosas e sociais. No início desse século, Roma ainda enfrentava as consequências das crises ocorridas durante o século III, quando o Império havia sofrido guerras civis, problemas econômicos e ameaças nas fronteiras. O imperador Diocleciano, que governou a partir de 284, iniciou uma série de reformas destinadas a reorganizar o Estado e fortalecer o poder imperial. Uma de suas principais medidas foi a criação da Tetrarquia, sistema que dividia a administração do Império entre quatro governantes. A intenção era facilitar o controle de um território gigantesco e permitir uma resposta mais rápida às ameaças militares. Diocleciano também reorganizou o exército, a administração provincial e o sistema tributário. Apesar dessas mudanças, a estrutura imperial tornou-se cada vez mais complexa e centralizada. O século IV começou, portanto, com uma tentativa de reconstrução da autoridade romana. Essa reorganização preparou o cenário para algumas das maiores mudanças da história do mundo romano.

A figura mais importante da primeira metade do século IV foi o imperador Constantino, que conseguiu derrotar seus adversários e tornou-se o principal governante do Império. Em 312, antes da batalha da Ponte Mílvia, Constantino teria associado sua vitória a uma intervenção divina ligada ao cristianismo. No ano seguinte, ele e Licínio promoveram o chamado Édito de Milão, que estabeleceu uma política de tolerância religiosa e permitiu aos cristãos praticar sua religião de maneira aberta. Constantino não apenas interrompeu as grandes perseguições contra os cristãos, mas também passou a favorecer a Igreja e seus líderes. O imperador participou diretamente de questões religiosas e convocou o Concílio de Niceia, em 325, que discutiu importantes controvérsias sobre a natureza de Cristo. Ao mesmo tempo, Constantino fundou ou transformou a cidade de Constantinopla, inaugurada oficialmente em 330, tornando-a uma nova capital imperial no Oriente. A cidade possuía uma localização estratégica entre a Europa e a Ásia e tornou-se um dos maiores centros políticos, econômicos e culturais do mundo antigo. A mudança de centro de gravidade para o Oriente teria consequências enormes para a história posterior do Império Romano.

Após a morte de Constantino, em 337, seus filhos e outros membros da família imperial disputaram o poder, provocando novos conflitos internos. Apesar dessas dificuldades, o Império continuava sendo uma das maiores estruturas políticas do mundo antigo. Durante o século IV, as fronteiras romanas foram invadidas por diferentes povos, especialmente na região do Danúbio e do Oriente. Os persas sassânidas constituíam uma das principais ameaças ao Império no Oriente, disputando territórios estratégicos da Mesopotâmia e da Armênia. Ao mesmo tempo, povos germânicos, como os godos, aumentavam sua presença junto às fronteiras do Danúbio. O imperador Juliano, que governou entre 361 e 363, tentou fortalecer o exército e conduziu uma grande campanha contra os persas. Juliano também ficou conhecido por sua tentativa de restaurar os antigos cultos pagãos, depois da crescente expansão do cristianismo durante os governos anteriores. Sua morte durante a campanha persa, em 363, encerrou esse projeto. Posteriormente, os imperadores voltaram a favorecer o cristianismo, que se tornou cada vez mais profundamente integrado às estruturas do Estado romano. A relação entre poder imperial e religião passou por uma transformação definitiva ao longo desse século.

O final do século IV foi marcado pelo fortalecimento ainda maior do cristianismo e pelo aumento das dificuldades militares enfrentadas pelo Império. Em 380, durante o governo de Teodósio I, o cristianismo niceno recebeu posição privilegiada dentro do Estado imperial por meio do Édito de Tessalônica. Nos anos seguintes, medidas imperiais restringiram progressivamente os antigos cultos tradicionais, embora as práticas pagãs não tenham desaparecido imediatamente. Teodósio também enfrentou uma situação militar cada vez mais complicada nas fronteiras. Em 376, grandes grupos de godos atravessaram o Danúbio em busca de refúgio dentro do território romano, pressionados pela expansão dos hunos. As relações entre esses grupos e as autoridades romanas rapidamente se deterioraram. Em 378, o exército romano sofreu uma derrota catastrófica na Batalha de Adrianópolis, na qual o imperador Valente morreu. O episódio revelou as dificuldades do Império em controlar grandes populações bárbaras instaladas em suas fronteiras. Teodósio conseguiu posteriormente estabilizar a situação por meio de acordos e políticas de integração. Mesmo assim, a presença crescente de povos germânicos dentro do território romano tornou-se uma característica cada vez mais importante da política imperial.

O século IV terminou com um Império Romano profundamente diferente daquele que havia existido no início do período. O Estado havia se tornado mais centralizado, burocrático e militarizado, enquanto o cristianismo havia passado de religião perseguida a elemento fundamental da ordem imperial. A cidade de Constantinopla consolidava-se como grande centro político do Oriente, enquanto Roma perdia gradualmente parte de sua antiga importância administrativa. A divisão entre as partes oriental e ocidental do Império também se tornou cada vez mais evidente, embora ainda existisse a ideia de um único Império Romano. Após a morte de Teodósio I, em 395, seus filhos Arcádio e Honório assumiram respectivamente o governo do Oriente e do Ocidente, consolidando uma divisão administrativa que teria enorme importância para os séculos seguintes. O Império do Oriente continuaria existindo por muitos séculos, enquanto o Ocidente enfrentaria novas invasões, crises políticas e dificuldades econômicas. Por isso, o século IV pode ser considerado um período de transição entre a Roma da Antiguidade Clássica e o mundo da Antiguidade Tardia. Foi um século de reformas, guerras, mudanças religiosas e transformações culturais. As decisões tomadas durante esse período ajudaram a determinar o destino do Império Romano e a formação do mundo medieval europeu. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Elvis Presley - His Hand in Mine

Elvis Presley - His Hand in Mine
Lançado em 10 de novembro de 1960, His Hand in Mine foi o primeiro álbum de estúdio de música gospel de Elvis Presley e ocupa um lugar especial em sua discografia. O disco surgiu pouco depois do retorno de Elvis do serviço militar e mostrou uma dimensão artística que muitas vezes ficava escondida por trás de sua imagem de astro do rock e do cinema. Elvis tinha uma ligação profunda com a música gospel desde a infância, tendo crescido ouvindo música religiosa e cantando em igrejas e grupos vocais. O álbum reúne hinos tradicionais e canções gospel contemporâneas, interpretados com uma abordagem que combina a intensidade vocal característica de Elvis com harmonias tradicionais do gênero. Entre os destaques estão "His Hand in Mine", "Milky White Way", "Joshua Fit the Battle" e "Swing Down, Sweet Chariot". Mais do que uma simples incursão em outro gênero, o disco revelou uma faceta profundamente pessoal do cantor e demonstrou que sua relação com o gospel era artística e emocionalmente genuína.

A crítica especializada recebeu His Hand in Mine de maneira bastante positiva, principalmente pela sinceridade das interpretações. A Billboard destacou a qualidade vocal de Elvis e observou que o cantor conseguia "transmitir uma sinceridade incomum" nas interpretações religiosas. A revista Cash Box elogiou a escolha do repertório e as harmonias vocais, considerando o álbum uma demonstração da versatilidade do artista. Publicações especializadas em música gospel também reconheceram que Elvis tratava o material com respeito, sem transformar os hinos simplesmente em veículos para sua personalidade de astro do rock. Isso foi especialmente importante porque, naquele período, ainda havia certa resistência em alguns círculos religiosos à figura de Elvis, considerado por parte do público conservador um símbolo da rebeldia juvenil. His Hand in Mine, porém, ajudou a demonstrar que sua ligação com o gospel era muito anterior à fama.

A imprensa generalista também percebeu a importância do projeto. O The New York Times destacou a capacidade de Elvis de adaptar sua voz a um repertório completamente diferente daquele que o havia transformado em fenômeno mundial. O Los Angeles Times ressaltou a contenção das interpretações, observando que o cantor evitava transformar as músicas religiosas em simples demonstrações de virtuosismo. Décadas mais tarde, críticos da Rolling Stone passaram a considerar His Hand in Mine um dos registros fundamentais para compreender a personalidade musical de Elvis fora do rock and roll. A crítica posterior também destacou a importância do grupo vocal de apoio, incluindo os Jordanaires, cujas harmonias ajudaram a criar a atmosfera tradicional do álbum. O resultado foi um trabalho em que Elvis aparece menos como o "Rei do Rock" e mais como um cantor apaixonado pela música que conheceu desde criança.

Comercialmente, His Hand in Mine teve um desempenho bastante respeitável para um álbum exclusivamente gospel. O disco alcançou a 13ª posição na parada de álbuns da Billboard nos Estados Unidos, um resultado expressivo considerando que não havia um grande single pop impulsionando suas vendas. Ao longo dos anos, tornou-se um dos álbuns religiosos mais importantes da discografia de Elvis e continuou vendendo para além de seu período inicial. O sucesso também mostrou à RCA Victor que existia um público disposto a acompanhar Elvis em projetos fora do rock e das trilhas sonoras de seus filmes. Embora não tenha alcançado as cifras dos grandes álbuns populares do cantor, His Hand in Mine adquiriu uma importância comercial e cultural duradoura. O disco posteriormente recebeu certificação de ouro da Recording Industry Association of America, confirmando sua longevidade no catálogo de Presley.

O legado de His Hand in Mine é particularmente importante porque inaugurou a sequência de grandes trabalhos gospel de Elvis Presley. O cantor voltaria ao gênero em How Great Thou Art, de 1967, e em He Touched Me, de 1972, construindo uma pequena mas extremamente respeitada trilogia gospel que culminaria em três prêmios Grammy para suas gravações religiosas. Para os especialistas, His Hand in Mine permanece como uma das demonstrações mais autênticas da personalidade musical de Elvis, justamente porque não dependia das exigências comerciais de Hollywood ou das tendências das paradas. Para os fãs, o álbum representa o Elvis mais íntimo e espiritual, mostrando uma paixão pelo gospel que acompanhou toda a sua vida. Mais de seis décadas depois, continua sendo considerado um clássico do gospel popular e uma peça essencial para compreender a amplitude artística de Elvis Presley.

Elvis Presley – His Hand in Mine (1960)
His Hand in Mine
I'm Gonna Walk Dem Golden Stairs
In My Father's House
Milky White Way
Known Only to Him
I Believe in the Man in the Sky
Joshua Fit the Battle
He Knows Just What I Need
Swing Down, Sweet Chariot
Mansion Over the Hilltop
If I Can Dream
Working on a Building

Pablo Aluísio. 

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy
Lançado em 25 de julho de 1960, Nice 'n' Easy é um dos álbuns mais representativos da extraordinária fase de Frank Sinatra na Capitol Records. O disco surgiu em um período especialmente importante da carreira do cantor, quando Sinatra já havia deixado para trás a fase de declínio comercial do início dos anos 1950 e havia se transformado em um dos intérpretes mais sofisticados da música popular americana. Produzido por Nelson Riddle, o álbum apresenta uma sequência de canções românticas interpretadas com extrema economia e elegância. A faixa-título, "Nice 'n' Easy", tornou-se imediatamente uma das gravações mais conhecidas do repertório de Sinatra. O disco também demonstra a extraordinária química entre sua voz e os arranjos orquestrais de Riddle, que utilizava cordas, metais e madeiras de maneira extremamente refinada. Em 1960, Sinatra estava no auge de sua influência cultural, e Nice 'n' Easy ajudou a consolidar definitivamente o chamado conceito moderno de álbum vocal. Mais do que uma coleção de canções românticas, o trabalho representa o domínio absoluto de Sinatra sobre interpretação, fraseado, dinâmica e atmosfera.

A crítica musical recebeu Nice 'n' Easy de maneira muito favorável. A Billboard destacou a elegância da produção e a capacidade de Sinatra de transformar material conhecido em interpretações pessoais, ressaltando particularmente a faixa-título. A publicação considerou que o álbum confirmava a posição do cantor entre os grandes intérpretes da música popular americana. A Cash Box também elogiou a combinação entre a voz de Sinatra e os arranjos de Nelson Riddle, destacando a atmosfera relaxada e sofisticada do repertório. Na imprensa britânica, críticos observaram que Sinatra representava uma tradição vocal americana diferente do nascente rock britânico, mas continuava exercendo enorme influência internacional. A crítica posterior da Rolling Stone passou a valorizar ainda mais o álbum, especialmente pela sutileza do canto de Sinatra e pela maneira como ele utilizava pequenas alterações de ritmo e pronúncia para dar nova personalidade às canções. O consenso crítico acabou reconhecendo Nice 'n' Easy como um exemplo particularmente refinado da chamada era dos grandes álbuns de standards.

Os grandes jornais americanos também acompanharam a fase extraordinária vivida por Sinatra naquele momento. O The New York Times ressaltava regularmente a capacidade do cantor de transformar canções populares em interpretações profundamente pessoais, característica evidente em Nice 'n' Easy. O Los Angeles Times destacava a importância dos arranjos de Nelson Riddle para criar um ambiente musical sofisticado sem jamais encobrir a voz do cantor. A publicação também reconhecia que Sinatra havia ajudado a transformar o álbum de música popular em uma forma de expressão artística mais elaborada. A The New Yorker, ao abordar a obra de Sinatra e a tradição do chamado Great American Songbook, destacou justamente esse domínio interpretativo: Sinatra não precisava cantar mais alto para transmitir emoção; ele utilizava dicção, pausa, respiração e pequenas mudanças de andamento. Essa característica aparece com enorme clareza em Nice 'n' Easy. O disco, portanto, deve ser entendido dentro de uma transformação maior da música popular americana, na qual Sinatra ajudou a estabelecer o álbum como uma experiência artística coerente.

Comercialmente, Nice 'n' Easy foi um dos grandes sucessos de Sinatra no início dos anos 1960. O álbum alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, permanecendo no topo por várias semanas e demonstrando que o cantor continuava extremamente popular mesmo diante da explosão do rock and roll e da ascensão de uma nova geração de artistas. A faixa "Nice 'n' Easy" também teve excelente desempenho como single, chegando ao 17º lugar da Billboard Hot 100 e tornando-se uma das gravações mais conhecidas de Sinatra. O álbum permaneceu durante um longo período nas paradas americanas, revelando uma extraordinária longevidade comercial. Seu sucesso foi particularmente significativo porque demonstrava que um álbum predominantemente formado por standards e baladas podia competir comercialmente em uma época de profundas mudanças na indústria fonográfica. Nice 'n' Easy ajudou ainda a consolidar a estratégia artística de Sinatra na Capitol, baseada em álbuns cuidadosamente planejados, grandes arranjadores e repertórios selecionados para criar uma determinada atmosfera.

O legado de Nice 'n' Easy permanece muito forte entre especialistas em música popular e admiradores de Sinatra. O álbum é frequentemente lembrado como um dos exemplos mais perfeitos de sua parceria com Nelson Riddle e como uma demonstração do extraordinário controle vocal alcançado pelo cantor naquele período. Embora outros discos de Sinatra, como In the Wee Small Hours, Songs for Swingin' Lovers! e Only the Lonely, sejam geralmente colocados ainda mais alto nas listas de seus maiores trabalhos, Nice 'n' Easy é considerado um clássico essencial de sua fase na Capitol. Para os fãs, o disco representa o Sinatra romântico, elegante e extremamente seguro de si, capaz de transformar uma simples canção de amor em uma interpretação sofisticada. Sua influência pode ser percebida em inúmeras gerações posteriores de cantores que aprenderam com seu fraseado e sua maneira de interpretar letras. Mais de seis décadas depois, Nice 'n' Easy continua sendo uma das gravações fundamentais para compreender por que Frank Sinatra é considerado um dos maiores intérpretes da história da música popular.

Frank Sinatra - Nice 'n' Easy (1960)
Nice 'n' Easy
That Old Feeling
It's a Lonesome Old Town
Spring Is Here
Goody Goody
Someone to Watch Over Me
I Got It Bad and That Ain't Good
It Could Happen to You
I've Got You Under My Skin
Fools Rush In
Nevertheless
She's Funny That Way
Try a Little Tenderness

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dia D

Título no Brasil: Dia D
Título Original: Disclosure Day
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg, David Koepp
Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson, Wyatt Russell

Sinopse:
Margaret Fairchild (Emily Blunt) é uma jornalista de Kansas City que apresenta o boletim do tempo no telejornal local. Um dia ela basicamente surta ao vivo, falando uma estranha linguagem, causando surpresa em todos. A partir daí sua vida se transforma em um caos, sendo perseguida por pessoas que ela nunca viu em sua vida. E por trás de tudo parece haver a tentativa de encobertar um segredo envolvendo seres de outros planetas. 

Comentários:
Eu sempre terei Steven Spielberg na mais alta consideração. Em minha opinião nenhum cineasta foi mais relevante do que ele nesses últimos 50 anos. É o maior diretor de cinema ainda vivo e em atividade. O conjunto de sua obra, como diretor e também como produtor de cinema, é imenso, incomparável. Só que infelizmente até os gênios erram... Esse novo filme de Spielberg é bem decepcionante! Até que funciona, na maior parte do tempo, como um bom filme de perseguição. Só que fica nisso. Muita correria para absolutamente nada! O pior momento vem no clímax, no desfecho da história. É cafona, piegas, fora de moda, ultrapassado e para ser muito sincero, causa até vergonha alheia. E eu nunca havia sentido nada parecido com os filmes anteriores de Spielberg. E a decepção é maior porque foi criado uma expectativa pelo fato do diretor voltar ao tema dos aliens. Bastava lembrar de "ET" e "Contatos Imediatos de Terceiro Grau" para esperar, com muita boa vontade, a chegada de uma nova obra-prima. Não deu! Não aconteceu, muito pelo contrário! Esse é certamente um dos piores filmes de Spielberg nos últimos anos. Uma lástima! Lamento muito!

Pablo Aluísio.

Emergência Radioativa

Título no Brasil: Emergência Radioativa
Título Original: Emergência Radioativa
Ano de Lançamento: 2026
País: Brasil
Estúdio: Netflix
Direção: Fernando Coimbra, Iberê Carvalho
Roteiro: Fernando Coimbra, Gustavo Lipsztein
Elenco: Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, 
Bukassa Kabengele, Tuca Andrada, Leandra Leal

Sinopse:
Essa é uma minissérie da Netflix que conta o acidente radioativo que aconteceu em Goiânia, durante os anos 80. Foi o mais sério incidente desse tipo ocorrido no Brasil em toda a sua história. E tudo aconteceu por causa de um descaso envolvendo um equipamento de radiação que ficou abandonado em um velho hospital desativado. Localizado por catadores de lixo, acabou sendo levado, contaminando uma enorme área da cidade.

Comentários:
Ficou excelente essa minissérie baseada nesse trágico fato. Eu me lembro muito bem desse acidente, porque foi muito noticiado na época, causando grande repercussão dentro e também fora do Brasil. O roteiro da minissérie toma algumas liberdades com os acontecimentos reais, para dar maior consistência dramática aos espisódos. Nada que comprometa o resgate histórico do que de fato aconteceu. Foi uma sucessão de erros, principalmente envolvendo autoridades, que acabou colocando a vida dessa população em risco. E o mais triste é saber que houve mortes, inclusive de uma criança inocente que manipulou o Césio (elemento extremamente radioativa) em suas próprias mãos. É sempre necessário relembrar essa tragédia para que ela nunca mais venha a ocorrer novamente. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Mestres do Universo

Título no Brasil: Mestres do Universo
Título Original: Masters of the Universe
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Amazon
Direção: Travis Knight
Roteiro: Travis Knight, Aaron Nee
Elenco: Nicholas Galitzine, Jared Leto, Camila Mendes, Morena Baccarin, Idris Elba, Dolph Lundgren

Sinopse:
Após a tomada do poder em Eternia pelo vilão Esqueleto, o príncipe Adam é enviado para a Terra. Após muitos anos ele descobre que precisará voltar ao seu antigo lar, para restaurar a monaquia de seu pai, expulsando o mal supremo representado por Esqueleto e seus seguidores. 

Comentários:
Finalmente assisti e gostei! O filme sofreu inúmeras críticas desde que chegou aos cinemas. A bilheteria também não correspondeu às expectativas, mas agora a Amazon espera recuperar seu investimento no streaming. No fundo é a revitalização de uma antiga propriedade intelectual que, em um primeiro momento, dialoga com os cinquentões (que assistiam ao desenho nos anos 80) para só depois conquistar uma nova base de fãs para esse personagem (de preferência crianças). De minha parte não tenho o que reclamar. Eu me diverti muito e ao contrário de muitos não me incomodei com o humor do filme. É por aí mesmo, He-Man não é sagrado, é um personagem de cultura pop que vai sendo adaptado aos novos tempos. O filme é bem produzido, tem um visual colorido, cheio de personagens de desenho animado. Acertaram no alvo! Era justamente o que eu queria ver. Fiquei muito satisfeito com o resultado. 

Pablo Aluísio.

Homem de Guerra

Título no Brasil: Homem de Guerra
Título Original: Men of War
Ano de Lançamento: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Perry Lang
Roteiro: Stan Rogow, John Sayles
Elenco: Dolph Lundgren, Charlotte Lewis, BD Wong

Sinopse:
Veterano de guerra, ex-membro das forças especiais do exército americano, embarca em uma nova missão extremamente perigosa que deverá ser executada em uma região controlada a mão de ferro pelo exército da China. Em terreno inimigo ele vai descobrir que o mais importante passa a ser sobreviver naquele ambiente hostil. 

Comentários:
Os anos 90 foram bem ruins para os brutamontes dos anos 80. Principalmente para os que eram de terceiro escalão como o brucutu Dolph Lundgren. Eles foram perdendo totalmente a pouca relevância que tinham na década anterior. Seus filmes sequer eram lançados nos cinemas. Na maioria das vezes se limitavam a produções B que iam direto para as locadoras de vídeo. Esse filme aqui (é mais correto chamar de "fita") exemplifica mesmo essa situação. Sem muita qualidade, se limitava a tentar ressuscitar os filmes de "exército de um homem só" que tanto sucesso tinham feito nos anos 80. Só que nos anos 90 esse tipo de filme já era mesmo considerado algo ultrapassado. Sinal dos novos tempos. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A Casa dos Rituais Satânicos

Título no Brasil: A Casa dos Rituais Satânicos
Título Original: Madhouse
Ano de Lançamento: 1974
País: Reino Unido
Estúdio: Amicus Pictures
Direção: Jim Clark
Roteiro: Angus Hall, Ken Levison
Elenco: Vincent Price, Peter Cushing, Boris Karloff, Basil Rathbone, Robert Quarry

Sinopse:
Vincent Price interpreta um ator veterano. Ele construiu toda a sua carreira em clássicos filmes de terror, onde interpretava um personagem chamado Dr. Morte. Agora, anos depois, retorna ao mesmo papel em uma série de televisão. Seu retorno se deve unicamente a questões financeiras pois pessoalmente não queria voltar a fazer esse antigo monstro. Só que as coisas fogem do controle e várias atrizes que iriam trabalhar ao seu lado aparecem mortas. Pior do que isso, a Polícia de Londres acredita que ele seria o verdadeiro asassino!

Comentários:
Muito interessante esse filme. Na realidade é um bem bolado exercício de metalinguagem. Afinal o que temos aqui é Vincent Price interpretando... Vincent Price! E não está sozinho, vários astros do antigo terror clássico aparecem no filme, seja como coadjuvantes, seja em participações especiais, pontuais. Na questão medo e suspense, admito, o filme não é grande coisa. Envelheceu bastante, mas termos todos esses atores aqui, em um só filme, faz toda a diferença e compensa tudo. Todos eles veteranos, todos eles em participações que para muitos foi a despedida das telas de cinema. Além disso o filme aproveita também para, de certa maneira, homenagear o próprio Vincent Price, com cenas de seus antigos clássicos surgindo no decorrer da história. Como eu escrevi, seu personagem era inteiramente baseado em sua própria história e carreira. Enfim, um banquete de terror com velhos amigos. Assim poderia resumir esse terror já um tanto temporão, até fora de moda para a época em que foi lançado, mas que consegue se superar, sem perder totalmente seu charme de pura nostalgia de um passado que já não existia mais. 

Pablo Aluísio.

O Túmulo do Horror

Título no Brasil: O Túmulo do Horror
Título Original: La cripta e l'incubo
Ano de Lançamento: 1964
País: Itália, Espanha
Estúdio: EI Pictures
Direção: Camillo Mastrocinque
Roteiro: Tonino Valerii, Ernesto Gastaldi
Elenco: Christopher Lee, Adriana Ambesi, Ursula Davis, José Campos, Angela Minervini

Sinopse:
Christopher Lee interpreta um Conde, membro de uma antiga linhagem familiar da aristocracia mais poderosa de sua região. No passado uma de suas antepassadas havia sido queimada viva, acusada de bruxaria pela inquisição. Séculos depois começam a surgir certos fenômenos paranormais no velho castelo onde o nobre mora. Ele então decide contratar um especialista em história, arte e documentação antiga. Ele quer saber toda a verdade sobre a história de sua família pois se considera uma pessoa amaldiçoada. 

Comentários:
Curioso filme de terror italiano. Christopher Lee deu um tempo nos filmes de Conde Drácula em Londres e foi até o país europeu vizinho para rodar essa película. Ele voltou a interpretar um Conde, mas fiquem tranquilos, não era um vampiro, nem muito menos o próprio Drácula. Apenas um ser humano normal assombrado pelas velhas histórias de sua família, algumas bem terríveis. Sua filha parece estar sendo afetada pelo espírito de uma antepessada, uma mulher que teria sido acusada de bruxaria. Pois é, o filme assim caminha, abraçando mais o estilo dos antigos filmes de terror psicológico. Nada de grandes efeitos visuais ou sustos gratuitos. Nesse ponto apreciei o roteiro do filme pois ele é mesmo bem construído. Se o filme não é melhor, não é culpa do que foi escrito ou pensado pelos roteiristas, mas sim das próprias limitações do cinema da época, ainda bem analógico, socorrendo a luzes e sombras para assustar seu público. De certa maneira não deixava de ser uma maneira talentosa de superar os limites técnicos daquela época. 

Pablo Aluísio.