terça-feira, 16 de junho de 2026
O Oeste Selvagem
Em "Buffalo Bill and the Indians", somos levados a conhecer um período bem interessante da vida de Bill, quando ele contratou um mito de verdade do velho oeste para estrelar seu show, o cacique Touro Sentado, famoso por seus feitos contra o exército americano. As cenas em que ambos contracenam mostram verdadeiros duelos entre o personagem de ficção auto inventado e o homem que realmente vivenciou toda a luta pela conquista do oeste selvagem (Touro Sentado). O farsante e o real em lados opostos. Enquanto um vive de contar mentiras sobre si mesmo o outro tenta apenas sobreviver com o pouco de dignidade que ainda lhe resta e de quebra tenta ajudar seu povo, nessa altura da história completamente subjugado pelos brancos. O choque entre a dura realidade e a mais pura fantasia escapista é o grande mérito dessa brilhante e ácida crítica em cima da construção de mitos irreais, que é bem típica da sociedade consumista e vazia dos norte-americanos.
Paul Newman na pele do deslumbrado ídolo está perfeito, numa daquelas atuações que dificilmente esquecemos. A própria surrealidade do cotidiano de Bill (que gostava de namorar cantoras de óperas fracassadas), reforça e torna ainda mais forte sua caracterização. Por fim temos uma participação extremamente inspiradora do grande mito Burt Lancaster. Fazendo o papel de uma pessoa do passado de Bill (que obviamente conhece todas as suas invencionices), Lancaster empresta uma dignidade ímpar a essa película. Sem dúvida Buffalo Bill and the Indians é um excelente filme que nos leva a pensar em vários temas relevantes, como a própria destruição da cultura indígena e a dignidade desse povo que foi massacrado impiedosamente pelos colonos americanos. Um libero que merece ser conhecido por todos.
O Oeste Selvagem (Buffalo Bill and the Indians, Estados Unidos, 1976) Direção: Robert Altman / Roteiro: Arthur Kopit e Alan Rudolph / Elenco: Paul Newman, Harvey Keitel, Geraldine Chaplin, Burt Lancaster, Joel Grey, Kevin McCarthy, Allan F. Nicholls / Sinopse: Buffalo Bill (Paul Newman) é um empresário circense que contrata o lendário Touro Sentado para fazer parte de seu show itinerante. Assim ele parte rumo ao interior dos Estados Unidos para mostrar seu novo espetáculo sensacional sobre o velho oeste selvagem. Filme premiado no Berlin International Film Festival.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 17 de março de 2026
Indômita Disputa
É de se elogiar a atuação de dois atores em cena. O primeiro é Martin Sheen. Sempre o achei extremamente subestimado e injustiçado por todos esses anos pois nunca assisti em minha vida uma performance preguiçosa de Sheen em cena. Ele sempre se entrega completamente ao seu papel. Aqui não é diferente. O ator dá uma vivacidade ao seu personagem Pike que chega a impressionar. Ele é um dos comerciantes de peles que sofre o ataque de um comanche e passa o restante do filme em seu encalço, numa obsessão de vingança, para recuperar suas peles e partir para um acerto de contas final por causa da morte de seu comparsa.
Ao lado de Harvey Keitel (outro excelente ator) ele mantém o padrão de atuação do filme lá no alto. Outra atuação digna de nota é a do ator Sam Waterson que interpreta o comanche guerreiro Búfalo Branco. Impassível, praticamente sem dizer uma linha de diálogo sequer, ele passa toda a intensidade de seu papel apenas com o olhar fixo. É uma atuação física acima de tudo, que no final das contas causa grande impacto no espectador. No saldo final “Indômita Disputa” é certamente um western dos mais eficientes. Boa produção que merece ser redescoberta pelos fãs do gênero.
Indômita Disputa (Eagle's Wing, Estados Unidos,1979) Direção: Anthony Harvey / Roteiro: Michael Syson, John Briley / Elenco: Martin Sheen, Sam Waterston, Harvey Keitel, Caroline Langrishe / Sinopse: Após matar e roubar uma dupla de comerciantes de pele, um guerreiro Comanche começa a aterrorizar toda a região promovendo roubos e mortes. Numa dessas ações leva como refém uma linda jovem viajante de uma diligência. Agora terá que escapar de seus perseguidores brancos.
Pablo Aluísio.
sábado, 5 de julho de 2025
Estranhas Presenças
Título Original: Presence Of Mind
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos, Espanha
Estúdio: Columbia Pictures, Canal+ España
Direção: Antoni Aloy
Roteiro: Antoni Aloy
Elenco: Sadie Frost, Harvey Keitel, Lauren Bacall, Ella Jones:
Sinopse:
Baseado no livro "A Outra Volta Do Parafuso", de Henry James. Uma jovem reprimida, muito religiosa, é contratada como preceptora de um estranho casal de crianças. Com o passar do tempo, desconfia que ambas estão sofrendo a influência de um forte trauma sofrido no passado, que envolveu a morte de um casal de ex-funcionários da casa.
Comentários:
Mais uma boa adaptação do famoso livro A Outra Volta Do Parafuso, de Henry James. O texto já deu origem a vários filmes famosos no passado e agora volta com nova roupagem, tentando se modernizar aos novos tempos. De uma maneira em geral não temos nada de muito marcante mas o elenco de fato é acima da média. Nesse quesito dois atores devem merecer menção. O primeiro é o sempre correto Harvey Keitel que surge em uma caracterização mais soturna (e até sinistra) do que o habitual. Já para os fãs do cinema clássico esse filme se torna uma ótima oportunidade de ver a grande diva Lauren Bacall em cena novamente. Enfim, não é o melhor filme sobre o texto já feito mas certamente é um dos mais caprichados
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
Vício Frenético
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
Irmãos de Sangue
domingo, 13 de agosto de 2023
Sem Fôlego
terça-feira, 13 de dezembro de 2022
Lansky
quinta-feira, 1 de julho de 2021
Mudança de Hábito
Título Original: Sister Act
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Emile Ardolino
Roteiro: Joseph Howard
Elenco: Whoopi Goldberg, Maggie Smith, Harvey Keitel, Kathy Najimy, Mary Wickes, Wendy Makkena,
Sinopse:
Uma cantora de boate é forçada a se refugiar dos criminisos que a perseguem em um convento. Disfarçada de freira ela passa então a movimentar as coisas no coro da irmandade, trazendo uma nova sonoridade que surpreende a todos. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical e Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Whoopi Goldberg).
Comentários:
Muito simpática essa comédia musical que fez um belo sucesso quando foi lançada. Há um bom roteiro, cenas musicais bem coreografadas e executadas, excelente repertório de canções e, claro, a presença carismática da atriz Whoopi Goldberg. Ela inclusive esteve recentemente no Brasil divulgando sua nova peça off Broadway que é... imagine você... a versão teatral desse mesmo filme. Pelo visto marcou bastante sua carreira, haja visto que ainda segue os passos da personagem irmã Deloris, uma trambiqueira que para fugir de inimigos perigosos entra no convento católico, se fazendo passar por freirinha. Ora, criada nas ruas, com toda a manha, modos e linguajares nada finos ou educados, ela acaba virando uma ovelha negra dentro do grupo. Assim o roteiro se baseia justamente nisso, no contraste entre o modo de ser a agir das demais religiosas e dela, que mais parece uma mulher grossa e vulgar, de rua mesmo. Verdade seja dita, Whoopi Goldberg nunca esteve tão bem em cena. Ela canta, dança, faz humor e encanta, provavelmente seja o papel de sua vida, onde ela teve realmente a oportunidade de mostrar todos os seus inúmeros talentos. Eu gostei bastante tanto desse filme original, como de sua continuação e sempre que me deparo com reprises por aí na TV paro um pouquinho o que estou fazendo para me divertir um pouco. Sinal de que o filme, apesar dos anos passados, ainda consegue divertir e entreter nas mesmas proporções. Vale a recomendação.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
O Piano
Título Original: The Piano
Ano de Produção: 1993
País: Austrália, Nova Zelândia, França
Estúdio: Jan Chapman Productions
Direção: Jane Campion
Roteiro: Jane Campion
Elenco: Holly Hunter, Harvey Keitel, Sam Neill, Anna Paquin, Kerry Walker, Tungia Baker
Sinopse:
No século XIX, uma mulher chamada Ada McGrath (Holly Hunter) chega na distante Nova Zelândia para recomeçar sua vida. Ele tem problemas de fala desde os seis anos de idade. Também tem uma pequena filha. Ela chega nesse novo país para se casar com um homem da região. Um casamento que está destinado ao fracasso. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor direção, melhor direção de fotografia (Stuart Dryburgh), melhor figurino (Janet Patterson) e melhor edição (Veronika Jenet).
Comentários:
Belíssimo filme de época, com ótimo roteiro e elenco inspirado, formado por atores, atrizes (e também jovens atrizes) que impressionam pelo talento. O filme é uma amostra da posição inferior que as mulheres tinham que se contentar no século XIX. A protagonista é uma mulher talentosa, que toca piano, ama as artes, mas que a despeito de suas qualidade pessoais precisa arranjar um casamento de todo jeito, para ter um lugar dentro daquela sociedade patriarcal e atrasada. Como já tem uma filha e é muda, acaba tendo que se contentar com o que aparece. E o seu novo marido é um homem rude, grosso, o exato contraste com sua própria personalidade. Um verdadeiro choque de cultura e sensibilidade. "O Piano" foi recebido com muitos aplausos pela crítica internacional, a tal ponto que foi indicado a oito categorias do Oscar, inclusive o de melhor filme. Acabou vencendo na categoria de melhor atriz para Holly Hunter, no papel de sua vida. Outra surpresa foi o Oscar vencido pela garotinha (na época) Anna Paquin. O roteiro, primoroso, também foi premiado pela academia. Prêmio justíssimo. Enfim, um festival de premiações para um filme realmente maravilhoso. Esse mereceu mesmo todos os aplausos e elogios. É uma grande obra de arte cinematográfica.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 22 de setembro de 2020
Casanova e a Revolução
A estrutura do roteiro é genial pois o cineasta Ettore Scola coloca as várias partes da sociedade francesa da época sendo representadas por cada um dos personagens que desfilam pela tela. O mais interessante deles é obviamente Casanova. Muitos filmes já foram realizados com o mitológico conquistador mas esse é um dos mais interessantes, pois foca no lado mais humano do homem, que vê seu mundo desmoronar enquanto tenta utilizar seu passado de glórias como muleta para sobreviver dia a dia. Frequentador das grandes cortes francesas (como Luis XV e Luis XVI) ele agora não tem mais para onde ir, pois seu ambiente natural, as luxuosas e extravagantes festas da nobreza, simplesmente deixaram de existir. Casanova foi então atropelado pela roda da história, pelas mudanças radicais que aconteceram em sua época.
Para coroar ainda mais essa bela produção, Ettore Scola tira da cartola uma parte da história que é das mais interessantes: a tentativa de fuga de Luis XVI da França. Ao lado da esposa Marie Antoinette, o rei francês tenta escapar das garras da revolução e acaba cruzando caminho com os personagens do filme. O resultado é excelente sob qualquer ponto de vista que se abrace, seja do puro entretenimento, seja do interesse histórico dos acontecimentos narrados pelo filme. Historicamente correto, com ótimas atuações (em especial Marcello Mastroianni como Casanova) e uma direção brilhante, esse filme já é considerado um clássico moderno do cinema europeu pelos especialistas. Não deixe de assistir ou, melhor ainda, de ter em sua coleção de filmes.
Casanova e a Revolução (La nuit de Varennes, França, Itália, 1982) Direção: Ettore Scola / Roteiro: Sergio Amidei, Ettore Scola / Elenco: Marcello Mastroianni, Hanna Schygulla, Harvey Keitel, Jean-Louis Barrault / Sinopse: Após a revolução francesa, o decadente Casanova tenta se adaptar aos novos tempos. Após se socorrido por uma diligência no meio de uma estrada, ele é levado até uma cidade na fronteira da França onde o rei Luis XVI tenta escapar da ira dos revolucionários franceses. Indicado a Palma de Ouro em Cannes.
Pablo Aluísio.
sexta-feira, 4 de setembro de 2020
Fronteira da Violência
Título Original: The Border
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Efer Productions,
Direção: Tony Richardson
Roteiro: Deric Washburn, Walon Green
Elenco: Jack Nicholson, Harvey Keitel, Valerie Perrine, Warren Oates, Elpidia Carrillo, Shannon Wilcox
Sinopse:
Filme com roteiro baseado em fatos reais. Charlie Smith (Jack Nicholson) é um agente de fronteira corrupto que acaba se vendo frente a frente com uma situação terrível. Com crise de consciência ele decide rever seus atos do passado para se redimir quando descobre que o bebê de uma mulher imigrante pobre é colocado à venda no mercado negro, provavelmente para um grupo criminoso de tráfico de órgãos humanos.
Comentários:
Velhos problemas, novos problemas. É incrível como os Estados Unidos não conseguem resolver o problema da imigração ilegal em massa para suas fronteiras. Esse filme é de 1982 e de lá para cá podemos perceber que pouca coisa mudou na realidade. Massas de imigrantes ilegais de países latinos continuam a cruzar a fronteira sem muito controle. E as coisas pioram quando os agentes que deveriam deter esse tipo de coisa começam a aceitar subornos e dinheiro para deixar os imigrantes pularem as cercas da fronteira americana rumo à alguma cidade dos Estados Unidos. Sem controle, sem lei e sem vergonha na cara. Esse é o tipo de tira corrupto que Jack Nicholson interpreta nesse filme, que curiosamente segue pouco conhecido. Apesar de ser um bom filme com Jack, essa produção passou em brancas nuvens no Brasil nos anos 1980. Foi exibido timidamente nos cinemas, não fez qualquer sucesso de bilheteria e sumiu do mapa. Hoje é um filme complicado de achar para assistir. Não lembro sequer de ter visto essa produção sendo lançada no mercado de vídeo VHS no Brasil durante o auge das locadoras. Uma pena, porque seguramente é um bom momento da carreira do bom e velho Jack Nicholson.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 9 de junho de 2020
A Última Tentação de Cristo
Título Original: The Last Temptation of Christ
Ano de Produção: 1988
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader
Elenco: Willem Dafoe, Harvey Keitel, Barbara Hershey, Roberts Blossom, Gary Basaraba, Verna Bloom
Sinopse:
Com roteiro escrito baseado no livro de Nikos Kazantzakis, esse filme conta a história de um jovem judeu que viveu no século I chamado Jesus (Dafoe). Ele tem uma missão divina a cumprir, mas ao mesmo tempo sente que talvez não esteja à altura disso, por causa de suas falhas humanas, em relação principalmente às tentações do mundo. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor direção (Martin Scorsese).
Comentários:
Não, esse não é um filme recomendado para pessoas religiosas. Pelo menos para pessoas tradicionalmente religiosas. O filme causou muita polêmica em seu lançamento justamente por causa do roteiro que para alguns era extremamente inteligente e instigante, enquanto que para outros seria apenas ofensivo para com a fé alheia. E de fato essa obra de Martin Scorsese passa longe do convencional. Ele passeia por temas espinhosos e ousa tentar entender a mente de Jesus Cristo em seus momentos mais decisivos. Além disso há sim pequenas provocações ao longo do filme. Por exemplo, imagine um Jesus carpinteiro que fazia cruzes sob encomenda para os romanos. E que tal um Jesus que de certa maneira ansiava pelos prazeres da carne, inclusive do ponto de vista puramente sexual? Pois é, um filme controverso acima de tudo. O interessante é que esse Jesus, muito humano, se curvando com as tentações ao seu redor, pode em certos aspectos históricos ter sido muito mais próximo da realidade do que muitos poderiam imaginar. O Jesus desse filme não é o Deus reencarnado no homem, mas sim um homem que não consegue lidar direito com a missão divina que precisa cumprir. Certa vez Scorsese disse que no bairro de Nova Iorque em que ele viveu só havia dois caminhos a seguir: se tornar um padre ou um gângster. Bom, nesse filme o diretor conseguiu ir pelos dois caminhos ao mesmo tempo.
Pablo Aluísio.
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Oeste Selvagem
Título Original: Buffalo Bill and the Indians
Ano de Produção: 1976
País: Estados Unidos
Estúdio: Dino De Laurentiis Company
Direção: Robert Altman
Roteiro: Arthur Kopit, Alan Rudolph
Elenco: Paul Newman, Burt Lancaster, Harvey Keitel, Joel Grey, Kevin McCarthy, Frank Kaquitts
Sinopse:
William Cody (Paul Newman), um empresário de circo, que usa o nome artístico de Buffalo Bill, decide contratar uma nova atração para suas apresentações, nada mais do que o verdadeiro Touro Sentado, chefe tribal que lutou contra a sétima cavalaria no passado. Filme premiado no Berlin International Film Festival.
Comentários:
O verdadeiro Buffalo Bill era um contador de lorotas. Um artista que criava histórias fantasiosas de sua vida para vender seu show itinerante. Esse era composto por atores e atrizes, artistas de circo e outros tipos que interpretavam personagens do velho oeste como cowboys, soldados da cavalaria e índios selvagens. Com o passar do tempo ele resolveu investir mais alto em seu elenco, chegando ao ponto de contratar o verdadeiro Touro Sentado para aparecer nas apresentações. O velho chefe tribal, coitado, estava arruinado. Ele havia sido derrotado pelo exército americano e sucumbia à fome e a miséria junto ao seu povo em reservas controladas pelo governo. Ao entrar para o circo de Buffalo Bill ele estava mais preocupado em sobreviver, em não morrer de fome, do que qualquer outra coisa. Além disso queria ajudar o seu povo que sofria cada vez mais. Então o que acabou acontecendo foi o encontro entre o falso homem do velho oeste, personificado por Buffalo Bill e o verdadeiro protagonista da mitologia do western, na presença de Touro Sentado. Esse filme do diretor Robert Altman recriou essa interessante história. E Paul Newman está ótimo como o bufão Buffalo Bill, um canstrão, falastrão, bufão, um homem que mentia tanto que acabava acreditando nas próprias mentiras inventadas por ele mesmo. Um personagem realmente saboroso para um grande ator esbanjar talento em cena.
Pablo Aluísio.
domingo, 1 de dezembro de 2019
O Irlandês
Tudo o que se vê na tela foi baseado em fatos reais. Frank Sheeran conseguiu sobreviver na violenta história da Máfia e anos depois, já velho e preso numa cadeira de rodas em um asilo, contou sua história a um jornalista que escreveu o livro que deu origem ao roteiro desse filme. Para nossa sorte esse rico material foi cair nas mãos de ninguém menos do que o mestre Martin Scorsese. Não é surpresa para nenhum cinéfilo que a história da Máfia sempre foi um prato cheio para esse diretor. E isso desde os tempos de "Os Bons Companheiros", "Cassino" e outros grandes filmes com sua assinatura. O mais importante de tudo foi saber que Frank Sheeran esteve envolvido em diversos momentos importantes da história americana, inclusive transitando ali na periferia dos bastidores da morte do presidente JFK e do polêmico desaparecimento do líder sindicalista Jimmy Hoffa (Al Pacino). Esse último aliás tinha sido tema de um também muito bom filme com Jack Nicholson no papel principal.
Aqui porém temos um diferencial. O toque do mestre Scorsese. Ele sempre um gênio da narrativa cinematográfica e seu talento se mostra justamente na forma como conta sua história. Em pouco menos de três horas e meia de duração ele consegue encaixar tudo, todas as histórias, todos os incríveis acontecimentos que ocorreram ao lado de Frank Sheeran. O único "porém" do filme talvez tenha partido da lealdade entre Scorsese e De Niro. O ator acabou ganhando o papel principal, só que ele, se formos pensar bem, está mais do que "italiano" no filme. E o verdadeiro Sheeran era um irlandês da gema, alto, loiro, forte, um verdadeiro grandalhão. Com De Niro ele não ficou nada parecido com o Sheeran real. Porém é a tal coisa, De Niro é um excelente ator e consegue até mesmo passar por cima disso, com raro talento. E por falar em elenco... todos os grandes atores que algum dia já tinham trabalhado em filmes da Máfia assinados por Scorsese, dão as caras em cena. Fiquei particularmente surpreso com Joe Pesci. Ele está muito envelhecido e muito sóbrio. Nada parecido com os personagens do passado, pequenos patifes que falavam pelos cotovelos. Harvey Keitel tem pouco espaço, mas também chama a atenção e finalmente o ótimo Al Pacino surge com um Hoffa cheio de personalidade, cabeça-dura até o final.
O saldo final da mistura de todos esses elementos ficou muito bom. Nos Estados Unidos o filme foi exibido em poucas salas de cinema, já que é uma produção de Scorsese e De Niro para a Netflix. Com as telas ocupadas de super-heróis haveria mesmo pouco espaço para os filmes de um mestre como Scorsese. Quem perde é o público mais jovem, atolado em enlatados da Marvel e DC até o pescoço. Mal sabem a qualidade do cinema de um Martin Scorsese. Esse filme provavelmente não será lembrado no Oscar por causa disso, mas não custa nada recomendar a todos que amam a sétima arte. É um grande filme, daqueles que não fazem feio se comparados com as obras primas do passado. Por fim uma última pergunta (Spoiler): Teria mesmo Sheeran matado Hoffa? Até´hoje há dúvidas sobre essa confissão do irlandês. Como se sabe Hoffa desapareceu e nunca mais foi encontrado. O que teria acontecido com ele na verdade? O filme traz uma resposta que ainda não é plenamente aceita entre os historiadores e especialistas em sua história. De qualquer forma não deixa de ser muito interessante.
O Irlandês (The Irishman, Estados Unidos, 2019) Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Steven Zaillian, escrito a partir do livro original escrito por Charles Brandt / Elenco: Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci, Harvey Keitel, Ray Romano, Anna Paquin, Domenick Lombardozzi , Paul Herman / Sinopse: O filme conta a história real de Frank Sheeran (1920 - 2003), um assassino profissional que fez parte da Máfia italiana nos Estados Unidos durante várias décadas.
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
Amor à Primeira Vista
Título Original: Falling in Love
Ano de Produção: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Ulu Grosbard
Roteiro: Michael Cristofer
Elenco: Robert De Niro, Meryl Streep, Harvey Keitel, Jane Kaczmarek, George Martin, David Clennon
Sinopse:
Frank (De Niro) e Molly (Streep) se conhecem casualmente durante as compras de natal em Nova Iorque. Meses depois voltam a se reencontrar em um trem indo para o centro de Manhattan. Ambos estão em busca de uma nova paixão. O que começa com um flerte casual acaba se tornando uma bela história de amor.
Comentários:
Os fãs de cinema sempre quiseram ver um reencontro nas telas entre Robert De Niro e Meryl Streep. Eles tinham trabalhado juntos antes em "O Franco Atirador" e todo mundo queria ver o casal junto novamente na tela. Isso durou anos até que eles decidiram finalmente atender a esse desejo dos cinéfilos. O interessante é que não escolheram um drama pesado para isso, mas sim um filme mais leve, bem romântico e que se dava até mesmo ao direito de ter uma daquelas trilhas sonoras bem melosas e açucaradas, com semelhanças de enredo com "Love Story", o grande sucesso de bilheteria do começo dos anos 80. Dessa maneira temos que reconhecer que "Falling in Love" ("Apaixonado" no título original) não é um filme excepcional com excelente roteiro e direção. Nada nesse sentido. É na verdade um bom filme romântico com uma dupla central de atores excepcional, eis a principal diferença. Muitas pessoas na época pensaram que o filme seria indicado com certeza ao Oscar nas categorias de melhor ator e atriz, mas isso não aconteceu, justamente pelo fato desse filme ser bem despretensioso. Vale é claro por ver De Niro apaixonado por Streep, mas nada muito além disso. Um bom momento do cinema romântico dos anos 80 e isso é tudo.
Pablo Aluísio.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Saturno 3
Nem é preciso dizer que o filme está mais do que datado. O desenho das naves, as roupas dos astronautas, os cenários e os pobres efeitos especiais envelheceram absurdamente. Tudo parece muito mal feito nos dias de hoje. Até um robô que era sensação na época hoje em dia parece torto e mal ajambrado. Parecia uma geringonça mal feita saída de algum ferro velho ou de uma lata de lixo! A única razão para ver esse filme hoje em dia vem do elenco, começando pela beleza (e belos cabelos) da pantera Farrah Fawcett, passando pela presença do mito envelhecido Kirk Douglas. No meio do espaço fake eles ainda mantém o mínimo interesse no que se passa naquela nave de papelão.
Saturno 3 (Saturn 3, Estados Unidos, 1980) Direção: Stanley Donen / Roteiro: Martin Amis, John Barry / Elenco: Farrah Fawcett, Kirk Douglas, Harvey Keitel / Sinopse: Dois astronautas em missão numa base espacial localizada nos arredores do planeta Saturno precisam lidar com novos tripulantes, sendo um deles um burocrata da empresa espacial e o outro um enorme robô cuja presença na nave nunca chega a ser explicada de forma satisfatória.
Pablo Aluísio.
sábado, 7 de julho de 2018
Madame
Ela não deve interagir com ninguém, nem falar com os demais convidados. Deve apenas ser uma figurante, como um abajur da sala, nada mais. Só que Maria após alguns drinks começa a falar e conversar com os demais convidados, encantando particularmente David Morgan (Michael Smiley) que fica pensando que ela é uma milionária, prima do Rei da Espanha. Apaixonados, criam um problema e tanto para madame, que precisa acabar com esse romance, para contar toda a verdade. O roteiro, tipicamente uma comédia de costumes, procura mostrar que nem as maiores paixões resiste quando há um abismo social, sendo Maria uma empregada doméstica e seu namorado, David Morgan, um milionário. O filme apesar disso se desenvolve de forma leve, com duração adequada aos seus propósitos. Gostei do resultado. Livre daquelas amarras dramáticas que muitas vezes estragam os filmes franceses, esse aqui tem uma leveza muito bem-vinda. Mostra um lado condenável da sociedade francesa, mas com um sorriso no rosto. Um ponto inegavelmente positivo para esse "Madame".
Madame (França, 2017) Direção: Amanda Sthers / Roteiro: Amanda Sthers / Elenco: Toni Collette, Harvey Keitel, Rossy de Palma, Michael Smiley, Tom Hughes / Sinopse: Durante um jantar a empregada doméstica de madame acaba encantando um rico político inglês. Eles começam a namorar, mas ele pensa que ela na verdade é uma nobre da casa real da Espanha. Apenas madame poderá desfazer todos esses enganos, contando toda a verdade sem magoar ninguém.
Pablo Aluísio.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Um Diabo Diferente
Ainda interessado sobre o que o filme trata? Então OK. É uma bobagem imbeciloide sobre Nicky, que não é um sujeito normal. Ele é filho de um demônio (sim, isso mesmo que você leu!) que é enviado para a Terra para cumprir uma "missão" especial. Então tudo se desenvolve com suas peripécias em nosso mundo (isso soou muito com aquelas chamadas genéricas e bem estúpidas da Sessão da Tarde, algo do tipo "Vejam esse incrível diabinho se envolvendo em mil e uma aventuras!). Ahh... que coisa insuportável. Depois desse filme horripilante (no mal sentido) nunca mais vi um filme com o nome de Adam Sandler no poster como algo minimamente assistível. Fuja, como o diabo foge da cruz!
Um Diabo Diferente (Little Nicky, Estados Unidos, 2000) Direção: Steven Brill / Roteiro: Tim Herlihy, Adam Sandler / Elenco: Adam Sandler, Patricia Arquette, Harvey Keitel / Sinopse: Nicky (Sandler) é um cara diferente. Ele é o filho de um importante demônio do inferno que deseja que ele obtenha o mesmo sucesso na carreira que seu pai. Só que Nicky prefere ficar o dia todo ouvindo rock pauleira em seu quarto até ser enviado para a Terra para cumprir uma missão muito importante.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Dragão Vermelho
Os anos passam e Graham se afasta do FBI, afinal ele quase foi assassinado. Tudo muda porém quando um novo assassino em série surge. Apelidado pela imprensa de "Fada dos Dentes", esse criminoso mata famílias inteiras, em chacinas terríveis. Impulsionado por sua ética profissional o agente do FBI decide voltar. Ele estuda o modos operandi desse serial killer e acaba descobrindo semelhanças com o antigo modo de agir de Lecter. Pior do que isso, ele também é um canibal que come pedaços de suas vítimas. Tentando colocar o psicopata atrás das grades o mais breve possível, antes que ele faça novas vítimas, Graham decide ir conversar novamente com Hannibal na prisão, uma reaproximação que o deixará extremamente nervoso e receoso. Assim a situação que vemos em "O Silêncio dos Inocentes" de certa forma se repete aqui. O agente do FBI e o assassino encarcerado interagindo para localizar e prender o psicótico que está solto pelas ruas.
Dentre os vários pontos positivos desse filme eu destacaria o trabalho de Ralph Fiennes. Ele interpreta o psicopata Francis Dolarhyde. Vivendo uma vida dupla, de tímido técnico que trabalha em um Zoo de dia e de matador cruel e sanguinário de noite, o sujeito vai enlouquecendo cada vez mais com o passar do enredo. Ele tem uma fixação por um desenho de Black intitulado "Dragão Vermelho e a Mulher banhada de Luz" e passa a alucinar, achando que o tal dragão da figura o está dominando, o transformando ele próprio em uma espécie de deus mitológico! Algo completamente insano. Apesar de ter tido uma classificação etária maior nos EUA, o filme não é dos mais violentos dentro dessa trilogia. Só há uma cena mais violenta quando o dragão vermelho começa a devorar vivo o jornalista Freddy Lounds (Philip Seymour Hoffman, sempre ótimo). Depois o encharca de gasolina e toca fogo! Fora isso a violência é mais intelectual, com os policiais tentando pegar o assassino, usando para isso pistas deixadas por ele mesmo nas cenas dos crimes. Somando-se o bom roteiro, a sempre interessante presença de Anthony Hopkins e o trabalho de direção de Brett Ratner, temos no final um dos melhores filmes de assassinos seriais do cinema mais recente.
Dragão Vermelho (Red Dragon, Estados Unidos, 2002) Direção: Brett Ratner / Roteiro: Ted Tally, baseado no livro escrito por Thomas Harris / Elenco: Anthony Hopkins, Edward Norton, Ralph Fiennes, Harvey Keitel, Philip Seymour Hoffman, Mary-Louise Parker / Sinopse: Após ser preso o psicopata canibal Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) passa a ajudar o agente do FBI Will Graham (Edward Norton) em seus casos de homicídio. Há um novo serial killer agindo nas ruas de Chicago e sua captura passa a ser algo urgente, por causa dos crimes horrendos que comete. Filme premiado pelo Fangoria Chainsaw Awards na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Fiennes).
Pablo Aluísio.
sábado, 11 de novembro de 2017
O Comediante
Outro ponto a se destacar é o elenco de apoio, todo formado por veteranos (e amigos de longa data de De Niro). Assim lá estão Danny DeVito (como seu irmão judeu que precisa segurar as pontas quando a situação financeira dele vai de mal a pior), Harvey Keitel (como o pai da mulher por quem se apaixona, algo que vai criar muitos atritos entre eles) e Billy Crystal (numa pontinha rápida, passada em um elevador, quando eles trocam algumas farpas e pequenas provocações em forma de piadas). O filme assim é convencional, calcado em um roteiro redondinho e em determinados momentos bem clichê, mas que acaba se salvando no final pelos nomes envolvidos em sua realização.
O Comediante (The Comedian, Estados Unidos, 2016) Direção: Taylor Hackford / Roteiro: Art Linson, Jeffrey Ross / Elenco: Robert De Niro, Harvey Keitel, Danny DeVito, Leslie Mann, Billy Crystal / Sinopse: Ao chegar perto dos 70 anos de idade um comediante veterano tenta sobreviver, arranjando trabalhos cada vez mais inconsistentes. Tudo parece ir de mal a pior até que acaba conhecendo uma mulher divorciada que pode ser a pessoa que vai mudar sua vida para sempre.
Pablo Aluísio.


















