Henrique VIII foi o símbolo máximo do sistema absolutista monárquico na Europa. Sua vontade era a Lei, todos que lhe fizessem oposição eram punidos com a morte. Havia até mesmo uma máxima aplicada pelos tribunais ingleses que dizia: "O Rei nunca está errado. O Rei sempre está certo!". Claro, puro absurdo! Certa vez Montesquieu afirmou: “É uma experiência eterna: todo homem que tem poder é levado a abusar dele; ele vai até onde venha a encontrar limites”. A história nos prova bem isso, o autor do clássico livro O Espírito das Leis (1748) estava mais do que certo. O Iluminismo foi uma fonte de sabedoria única na história da humanidade.
E a história de Henrique VIII provou muito bem a teoria do mestre francês. O monarca inglês foi um tirano que acabou a vida completamente corrupto, criminoso e corrompido. E isso até hoje causa surpresa nos historiadores. Estudando a vida dos anos iniciais do Rei eles percebem que ele começou sua vida política como um jovem muito íntegro, religioso e misericordioso. Escreveu até mesmo tratados de teologia afirmando a força da bondade! Era visto como até mesmo um poeta entre as classes mais populares. O povo o admirava, sendo que sempre era saudado pelas multidões por onde passava. A Inglaterra estava em boas mãos com aquele rapaz honrado e muito bondoso para com o povo! - diziam todos.
Só que isso foi em sua juventude. Conforme o tempo foi passando Henrique VIII jogou todos os seus princípios éticos e religiosos da juventude fora! Ele foi se tornando cruel ao máximo, mandando executar várias de suas esposas, se entregando aos prazeres mundanos, até a transformação em um homem completamente vil e sem escrúpulos. Virou o tirano que um dia havia criticado tanto. Abusou do poder máximo que tinha das piores formas possíveis! Rompeu com o Papa em Roma, tomou os bens da Igreja Católica, mandou perseguir e matar as pessoas do povo que não fossem para a Igreja que ele mesmo fundou (chamada de Igreja Anglicana). Não satisfeito massacrou membros do clero católico e decaptou milhares que não renunciaram à sua fé original. Seu decreto era simples de entender: Ou se tornava anglicano ou seria punido com pena de morte pelo Rei! E tudo porque o Papa da época não quis lhe dar o divórcio de sua esposa, que não conseguia lhe dar o tão aguardado herdeiro masculino ao trono.
Henrique terminou seus dias com muito sangue em suas mãos, inclusive de muitas de suas esposas. O caso mais conhecido foi o de Ana Bolena. O Rei acusou ela de infidelidade, algo que todos na corte sabiam ser mentira. Mandou cortar sua cabeça na Torre de Londres. Por uma ironia do destino a futura Rainha da Inglaterra iria ser justamente Elizabeth I, filha de Bolena. Os dias finais de Henrique VIII foram horríveis. Ele apodreceu em vida. Extremamente obeso, acamado, com uma ferida na perna que nunca cicatrizava. Relatos de cronistas da época dizem que o cheiro no quarto do monarca era insuportável. Sempre de péssimo humor, Henrique não aceitava sentir qualquer desgosto, decepção ou raiva! Quando isso acontecia mandava logo cortar a cabeça do infeliz que lhe ajudava no quarto onde sucumbia e que não havia obedecido direito suas ordens. Suas palavras preferidas agora eram: Cortem sua cabeça! - gritava o Rei a plenos pulmões! Com o passar das semanas nenhum membro da corte queria mais esse serviço. Era risco de morte!
Quando finalmente morreu, o povo celebrou nas vilas distantes. O tirano sanguinário havia morrido. Seu funeral foi rápido, pois o corpo estava em decomposição avançada. Ele era tão mal visto por seu povo que seu caixão foi praticamente jogado debaixo de um túnel escuro, numa cripta abaixo de uma igreja. Com o passar dos anos seu caixão rompeu e seu corpo ficou exposto. Era um monarca tão mal visto por todos que ninguém sequer quis consertar essa situação. Ainda hoje o Rei segue ali, abandonado. Entre o povo corria a seguinte frase popular: "Não mexam mais com Henrique. Reforcem as paredes de sua tumba para que ele nunca mais consiga sair dela. Deixem ele onde está, para ser esquecido pela eternidade".
Pablo Aluísio.

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