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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet) é um drama histórico e romântico dirigido por Chloé Zhao, lançado originalmente em 2025 e inspirado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, publicado em 2020. O filme teve sua primeira apresentação no Festival de Telluride, em agosto de 2025, antes de chegar aos cinemas americanos em lançamento limitado em 26 de novembro e posteriormente ampliar sua distribuição. O elenco principal reúne Jessie Buckley, Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn, Jacobi Jupe e Noah Jupe. Buckley interpreta Agnes, conhecida historicamente como Anne Hathaway, enquanto Mescal interpreta William Shakespeare. A produção parte de um fato histórico verdadeiro: Shakespeare e sua esposa tiveram um filho chamado Hamnet, que morreu aos 11 anos, em 1596. A partir dessa informação, o livro de O’Farrell e o filme de Zhao constroem uma narrativa ficcional sobre a vida familiar do dramaturgo. A história começa antes da fama de Shakespeare, mostrando seu relacionamento com Agnes e a formação da família em Stratford-upon-Avon. Quando o filho adoece durante uma epidemia e morre, a família é devastada pela perda. O filme imagina que a experiência desse luto teria contribuído para a criação de Hamlet, estabelecendo uma ligação emocional entre a tragédia pessoal de Shakespeare e sua mais famosa obra. Agnes, entretanto, é o verdadeiro centro dramático da narrativa, e a produção procura mostrar sua dor, sua força e sua tentativa de reconstruir a vida depois da morte do filho.

A recepção da crítica americana foi majoritariamente entusiasmada, embora tenha havido algumas vozes discordantes. A Variety, em crítica de Peter Debruge publicada após a estreia em Telluride, considerou o filme uma experiência emocional extremamente poderosa e destacou a atuação de Jessie Buckley como um dos seus maiores trunfos. O crítico concluiu que Zhao consegue transformar a história do luto em uma reflexão sobre a função da arte, descrevendo o resultado como uma obra que convida o público a experimentar a perda de uma maneira nova. O The New York Times foi mais cauteloso: Alissa Wilkinson elogiou a beleza das imagens e das interpretações, mas observou que alguns momentos pareciam "um pouco demais", como se determinadas escolhas visuais e dramáticas fossem excessivamente preciosas. Já o Los Angeles Times apresentou uma das avaliações mais negativas entre os grandes veículos americanos. Amy Nicholson chamou o filme de uma produção que afunda sob "nonstop crying" e criticou particularmente a caracterização de Shakespeare, considerada pouco interessante. Ainda assim, a mesma crítica reconheceu a beleza da fotografia, a qualidade do trabalho de câmera e a força de Jacobi Jupe como Hamnet. No conjunto, o Metacritic registrou 84/100, classificando a recepção como de "Universal Acclaim", com 85% das críticas positivas e nenhuma avaliação integralmente negativa entre as críticas catalogadas.

A reação europeia foi igualmente favorável, sobretudo no Reino Unido, onde a história de Shakespeare possui uma importância cultural especial. O The Guardian, na crítica de Peter Bradshaw, classificou a produção como uma tragédia shakespeariana "audaciosa" e destacou que Paul Mescal e Jessie Buckley conseguem envolver completamente o espectador. Bradshaw considerou particularmente eficaz a maneira como Chloé Zhao transforma a morte de uma criança em uma possível origem emocional para a criação de Hamlet. Em uma crítica publicada durante o Festival de Toronto, o Guardian também destacou que Buckley e Mescal eram "knockouts" e classificou o final como extraordinariamente comovente, embora tenha observado que o filme às vezes se aproxima demais do cinema de prestígio feito para premiações. Na França e em outros mercados europeus, a recepção também foi predominantemente positiva, com elogios à fotografia, à ambientação histórica e à interpretação de Jessie Buckley. O filme entrou rapidamente no circuito de grandes premiações. No Globo de Ouro de 2026, venceu Melhor Filme – Drama, enquanto Jessie Buckley ganhou Melhor Atriz – Drama. No Oscar de 2026, Hamnet recebeu oito indicações, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Atriz, e Jessie Buckley venceu o prêmio de Melhor Atriz, tornando-se a primeira atriz irlandesa a conquistar o Oscar nessa categoria. Buckley também conquistou o BAFTA e o Critics Choice Award, consolidando uma das campanhas de premiação mais fortes da temporada.

Com um orçamento de produção que não foi divulgado oficialmente de maneira confiável, Hamnet não foi concebido como um blockbuster, mas como um drama histórico de prestígio voltado principalmente para o circuito de festivais, premiações e público adulto. Seu lançamento comercial começou de forma bastante modesta, com apenas US$ 932 mil em 119 cinemas no primeiro fim de semana americano, antes de alcançar uma distribuição mais ampla. O resultado final, contudo, mostrou uma excelente resistência comercial para uma produção desse gênero. O filme arrecadou aproximadamente US$ 24,2 milhões nos Estados Unidos e US$ 84,8 milhões no mercado internacional, chegando a cerca de US$ 109 milhões em todo o mundo. O Reino Unido foi particularmente importante, com mais de US$ 25 milhões em bilheteria, enquanto França, Espanha, Itália e Alemanha também apresentaram resultados expressivos para um drama de época. A reação do público foi ainda melhor que a recepção crítica: o Rotten Tomatoes registra 93% de aprovação entre os espectadores verificados, contra 86% da crítica, e o IMDb apresenta atualmente 7,8/10, com mais de 130 mil avaliações. O sucesso demonstra que, apesar de ser um filme lento, contemplativo e profundamente dramático, Hamnet conseguiu alcançar um público bastante amplo graças ao prestígio de Shakespeare, à campanha de premiações e, sobretudo, ao impacto emocional das interpretações.

Pouco tempo depois de seu lançamento, Hamnet já passou a ser considerado um dos principais filmes de prestígio da década de 2020. A avaliação atual é especialmente positiva em relação à atuação de Jessie Buckley, que se tornou o principal elemento associado ao sucesso do filme. Sua interpretação de Agnes recebeu o Globo de Ouro, o BAFTA, o Critics Choice Award e finalmente o Oscar, fazendo com que a personagem se transformasse no centro definitivo da recepção crítica. A direção de Chloé Zhao também foi amplamente elogiada por combinar realismo naturalista, paisagens rurais e momentos quase oníricos. O filme, entretanto, não pretende apresentar uma biografia historicamente comprovada de Shakespeare. A ligação entre a morte de Hamnet e a criação de Hamlet é uma hipótese literária de Maggie O’Farrell e de Zhao, e não um fato estabelecido pelos historiadores. Essa liberdade é justamente uma das questões mais discutidas em torno da obra. Alguns críticos consideram a especulação extremamente poderosa, enquanto outros entendem que o filme transforma uma possibilidade histórica em uma certeza emocional excessivamente conveniente. Mesmo assim, a combinação de romance, luto, maternidade, criação artística e Shakespeare deu à produção uma identidade própria. O reconhecimento recebido em festivais e premiações, especialmente a vitória de Jessie Buckley no Oscar, deve garantir que Hamnet permaneça como uma das adaptações literárias mais lembradas do cinema contemporâneo.

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet, Reino Unido, 2025) Direção: Chloé Zhao / Roteiro: Chloé Zhao e Maggie O’Farrell, baseado no livro Hamnet, de Maggie O’Farrell / Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn, Jacobi Jupe e Noah Jupe / Sinopse: Em plena Inglaterra do século XVI, Agnes e William Shakespeare constroem uma família cuja vida é transformada para sempre pela morte do jovem Hamnet, enquanto o sofrimento vivido pelo casal se mistura à criação da futura tragédia.

Erick Steve e Pablo Aluísio.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Cavalo de Guerra

Eu adoro filmes clássicos, antigos, com todos aqueles grandes valores morais que hoje soam ultrapassados para as novas gerações. Esse "Cavalo de Guerra" me pareceu uma tentativa por parte de Steven Spielberg em reviver aquele tipo de cinemão dos anos 30, 40 e 50. Eu torci pelo filme durante suas duas horas e meia de duração, realmente quis gostar da produção mas tenho que confessar que ao final fiquei ligeiramente desapontado. O problema de "Cavalo de Guerra" em minha opinião não é de direção (Spielberg continua o mestre de sempre) e nem de produção (o filme tem, como não poderia deixar de ser, produção de luxo com tudo o que o dinheiro pode comprar). 

A grande falha aqui é realmente do roteiro. A trama é dispersa demais, o foco é inteiramente colocado em cima do animal e os personagens humanos nunca são bem desenvolvidos ou construídos. Como o cavalo vai passando de mão em mão durante o filme não temos tempo de criar vínculo com seus donos - mal nos acostumamos com alguns deles e de repente o Cavalo é passado para frente, vendido, trocado ou capturado por tropas, sejam inglesas ou alemãs. Sem personagens humanos fortes para nos identificarmos acabamos perdendo um pouco o interesse sobre o que acontece em cena.

Além da falta de bons personagens humanos o filme também sofre da falta de bons e marcantes atores. O elenco é supostamente liderado por Jeremy Irvine mas esse ator é tão sem carisma, tão inexpressivo que acabamos perdendo até mesmo a noção de sua existência no filme. Lá pela parte final quando ele retorna até levamos um pouco de tempo para reconhecer ele de novo - de tão apática que é sua participação. Spielberg também comete erros básicos de biologia. O cavalo Joey parece ter sentimentos humanos, com atos de bravura, de coragem, coisas que soam fora de propósito em um animal irracional. Como eu disse, focar tudo em cima dele não foi uma boa ideia. Enfim, é isso. O produto é muito bonito, bem agradável de ver, mas o diretor esqueceu que o público tem que ter algum personagem humano para criar vínculo, sem isso tudo soa vazio e sem cumplicidade por parte do espectador. Definitivamente não é nem de longe um dos melhores trabalhos do famoso diretor.

Cavalo de Guerra (War Horse, Estados Unidos, 2011) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Lee Hall e Richard Curtis / Elenco: Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis e Benedict Cumberbatch / Sinopse: Cavalo é enviado para o front da I Guerra Mundial, passando por diversos donos e vivendo muitas aventuras.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Rei Lear

Título no Brasil: Rei Lear
Título Original: King Lear
Ano de Produção: 2018
País: Inglaterra, Estados Unidos
Estúdio: Playground Entertainment
Direção: Richard Eyre
Roteiro: Richard Eyre
Elenco: Anthony Hopkins, Emma Thompson, Jim Carter, Emily Watson, John Macmillan, Florence Pugh

Sinopse:
Com roteiro baseado na obra de William Shakespeare, o filme "Rei Lear" conta a história de um velho mornarca que ao chegar ao final de sua vida precisa lidar com a perda de sua sanidade e as inúmeras traições, que partem inclusive de suas próprias filhas e seus maridos. Todos desejam a morte do abatido Rei. Filme indicado ao Primetime Emmy Awards.

Comentários:
William Shakespeare escreveu Rei Lear em 1606. Desde a primeira apresentação essa peça já foi considerada uma verdadeira obra-prima do autor. E realmente era, um verdadeiro clássico da dramaturgia. O Rei Lear era de certa forma um símbolo de muitos reis ingleses, homens poderosos que ficavam reinando até mesmo em uma idade em que já deveriam ter sido afastados. A idade avançada, a loucura, a destruição de familiares, de membros da corte, tudo acabava levando a um reinado de terror e violência. Eu sempre considerei essa uma das minhas peças preferidas de Shakespeare e quando esse filme foi anunciado, trazendo Anthony Hopkins como Rei Lear, fiquei realmente empolgado. Porém devo confessar que erraram em um aspecto crucial nessa adaptação. Ao invés de mostrar uma corte real do século XVII, tal como foi concebida por Shakespeare, os produtores decidiram trazer a trama para os dias atuais, com soldados vestidos com os uniformes do exército britânico atual, carros, tecnologia... sinceramente, perdeu-se aí mais da metade do encanto nessa transposição para as telas. Penso que Shakespeare deve semore ser adaptado respeitando o contexto histórico em que as histórias se passam. Tentar modernizar, mantendo o texto original, em linguagem culta e rebuscada, só transforma tudo em algo artificial, complicado de digerir. O elenco está excepcionalmente bem, mas isso eu já esperava por conta dos nomes envolvidos. O que estragou mesmo foi a péssima ideal de trazer tudo para os dias atuais. Esse aspecto definitivamente não me agradou.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

O Príncipe Feliz

Título no Brasil: O Príncipe Feliz
Título Original: The Happy Prince
Ano de Produção: 2018
País: Inglaterra, Alemanha, Bélgica
Estúdio: Maze Pictures
Direção: Rupert Everett
Roteiro: Rupert Everett
Elenco: Rupert Everett, Colin Firth, Emily Watson, Colin Morgan, Tom Wilkinson, Tom Colley

Sinopse:
Após cumprir sua pena de trabalhos forçados numa prisão inglesa, o escritor Oscar Wilde finalmente ganha a sua liberdade. Sem pensar duas vezes ele vai embora para Paris onde pretende recomeçar sua vida, só que velhos fantasmas do passado teimam em persegui-lo. Filme indicado no Berlin International Film Festival, British Independent Film Awards e European Film Awards.

Comentários:
Geralmente quando lemos alguma biografia do escritor Oscar Wilde descobrimos que ele foi preso acusado de ser homossexual (era um crime na era vitoriana) e depois de cumprir sua pena (de 2 anos) teria ido para Paris, onde morreu. Mas o que aconteceu nesse período final de sua vida? Esse filme traz todos os detalhes de seus últimos meses de vida. É curioso perceber que a prisão, com trabalhos forçados, destruiu não apenas a reputação de Wilde, mas também o arruinou financeiramente e artisticamente. Psicologicamente ele igualmente ficou muito mal. Quando o encontramos no filme ele está praticamente falido, sem dinheiro nem para pagar uma conta de bar. Frequentando pequenas tavernas de Paris ele tenta viver um dia de cada vez. A decadência absoluta de Wilde desfila pela tela, sem amenizar sua ruína pessoal. Eu tinha poucas informações sobre esse período de sua vida e fiquei bem surpreso em saber que mesmo após passar por tudo ele ainda foi atrás de "Bosie", o filho de um rico nobre inglês, o mesmo que fez de tudo para que Wilde fosse para a prisão. E nesse reencontro ele finalmente percebeu que seu jovem amante era no fundo um sujeito mesquinho, frívolo e decepcionante. Deve ter sido terrível para Wilde saber disso depois de tudo o que passou. Enfim, excelente filme, muito bem feito, com ótima direção e roteiro. Se você gosta de Oscar Wilde e sua obra então é uma peça cinematográfica simplesmente indispensável.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 11 de março de 2019

O Lutador

Título no Brasil: O Lutador
Título Original: The Boxer
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos, Irlanda
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Jim Sheridan
Roteiro: Jim Sheridan, Terry George
Elenco: Daniel Day-Lewis, Emily Watson, Brian Cox, Daragh Donnelly, Frank Coughlan
  
Sinopse:
Irlanda. Danny Flynn (Daniel Day-Lewis) ganha a liberdade após ficar 14 anos preso em uma penitenciária de segurança máxima. Ele deseja agora reconstruir sua vida com os pedaços que ficaram para trás após ser condenado. O principal objetivo é ser um boxeador de sucesso. O recomeço porém não se torna fácil. Ao retornar ao antigo bairro ele descobre que tudo está mudado, inclusive as pessoas. Pior do que isso, a criminalidade volta a bater em sua porta. Com dificuldades para construir uma vida normal ele vai percebendo que as sombras do passado começam a voltar.

Comentários:
Se existe um ator que manteve um alto padrão de qualidade em sua filmografia esse foi sem dúvida Daniel Day-Lewis. Mesmo nomes consagrados da história de Hollywood aceitaram participar de filmes péssimos ao longo da carreira. Vide Robert DeNiro e Al Pacino. De Dustin Hoffman nem vou falar pois faz mais ou menos 20 anos que ele não atua em alguma produção relevante. Já Daniel Day-Lewis manteve o padrão, ano após ano. Por essa razão também ele nunca se tornou extremamente popular. Seus filmes são geralmente considerados pesados e tensos demais para o público em geral. Não importa. Não há mesmo espaço para bobagens em se tratando da obra desse ator. Esse "The Boxer" também não alivia. É um drama pesado, criado em tintas escuras, mostrando um protagonista que acabou sendo alvo de grandes injustiças na sua vida pessoal. Como se trata de um filme baseado em fatos reais não espere por amenidades ou gracinhas. É realmente um retrato da vida crua, injusta e cruel de um modo sem piedade ou generosidade. Tudo o que sobra no final das contas é realmente o frio gelado de uma cela escura. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Direção (Jim Sheridan) e Melhor Ator (Daniel Day-Lewis). Vencedor do Berlin International Film Festival na categoria de Melhor Direção.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

On Chesil Beach

Esse drama romântico conta a história de um relacionamento entre dois jovens ingleses na década de 1960. Ela se chama Florence (Saoirse Ronan). Filha de um homem rico e influente na sociedade londrina, quer ser música profissional.. Ela toca violino em um quarteto de cordas. Ela sonha um dia em ter uma carreira bem sucedida com o grupo, quem sabe até viver mesmo da música erudita. Ele é um jovem chamado Edward (Billy Howle). Ao contrário da namorada, não sabe muito bem o que fazer da vida. Estudante, está prestes a receber um diploma de história, mas nem sequer sabe se deseja mesmo ser professor. O roteiro é bem estruturado. Ao invés de contar a história do casal em linha cronológica ele escolhe um eixo narrativo central, mostrando o casamento deles e a lua de mel, onde ao redor vão surgindo cenas em flashback contando a história do namoro, desde o momento em que se encontraram pela primeira vez, passando pelos primeiros encontros, até chegar no dia em que decidiram se casar.

Há uma diferença de origens entre o casal. Enquanto ela vem de uma família bem estruturada, ele sofre com a mãe, que tem problemas mentais. Jovens e inexperientes vão acabar pagando um alto preço por se casarem tão jovens. O final do filme aliás pode vir a decepcionar o público, principalmente aquele mais romântico que adora finais felizes. Se há´uma lição a se aprender com essa história é a de que pessoas jovens não deveriam se casar precocemente. Há muito em jogo e nem sempre maturidade para se lidar com os problemas que vão surgindo. Quando não existe experiência de vida tudo pode acabar por um gesto impensado ou uma atitude impulsiva. Por isso acabei gostando bastante do filme. Não apenas pela presença sempre cativante e carismática da atriz Saoirse Ronan, mas também e principalmente pela preciosa mensagem que ele passa.

On Chesil Beach (Inglaterra, 2017) Direção: Dominic Cooke / Roteiro: Ian McEwan / Elenco: Saoirse Ronan, Billy Howle, Emily Watson, Andy Burse / Sinopse: O ano é 1961, na Inglaterra. Edward (Billy Howle) e Florence (Saoirse Ronan) são jovens. Eles se conhecem, se apaixonam e decidem se casar. Ela tem sonhos de ser uma música de palco, se apresentando com seu quarteto clássico. Ele se forma em história, para quem sabe se tornar um professor. São apaixonados, mas imaturos para lidar com problemas de um relacionamento adulto.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Menina que Roubava Livros

O filme narra a história dessa mocinha que vive na Alemanha no auge do nazismo. Ela é uma jovem que adora livros e vai morar com um casal adotivo numa pequena cidade. São pessoas boas e pobres, tendo que sobreviver a cada dia, ainda mais no pior período histórico político de seu país, justamente quando Hitler e seu partido de fanáticos sobem ao poder. E como todo regime que se propõe a ser autoritário logo começam a surgir as perseguições contra os judeus. E é justamente um judeu que é escondido nos porões de sua casa.

Com excelente produção que recria a época em que se passa o enredo, tudo é de muito bom gosto. A garota, frágil, entrando na adolescência, pode ser vista até mesmo como uma alegoria daquela mocinha representando na verdade todo o povo alemão. O elenco de apoio é excelente, contando com, entre outros, o talentoso Geoffrey Rush. A protagonista também é igualmente talentosa. Pouca gente já ouviu falar de Sophie Nélisse, mas é bom guardar seu nome. Penso que a jovem tem muito futuro no cinema. Em tempo: a trilha sonora é maravilhosa, composta pelo premiado John Williams e chegou a concorrer ao Oscar.

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief, Estados Unidos, Alemanha, 2013) Direção: Brian Percival / Roteiro: Michael Petroni, baseado no romance de Markus Zusak / Elenco: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Ben Schnetzer, Oliver Stokowski / Sinopse: Uma jovem garota vai morar com um casal alemão durante a II Guerra Mundial. Em uma nova escola, conhecendo novas amizades, ela precisa conviver com uma realidade dura, de destruição e morte, enquanto seus pais adotivos escondem no porão um judeu chamado Max (Oliver Stokowski) que procura sobreviver à perseguição nazista contra seu povo.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

A Vida e Morte de Peter Sellers

Título no Brasil: A Vida e Morte de Peter Sellers
Título Original: The Life and Death of Peter Sellers
Ano de Produção: 2004
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: HBO Pictures
Direção: Stephen Hopkins
Roteiro: Christopher Markus, baseado no livro de Roger Lewis
Elenco: Geoffrey Rush, Charlize Theron, Emily Watson, John Lithgow, Miriam Margolyes, Stanley Tucci, Stephen Fry

Sinopse:
O filme mostra o lado do ator e comediante Peter Sellers que poucos chegaram a conhecer, inclusive seus maiores fãs. Ao lado do artista talentoso, de várias comédias de sucesso, havia também um homem com sérios problemas psicológicos, que afetava a todos que viviam ao seu redor.

Comentários:
Peter Sellers foi um dos comediantes mais populares dos anos 60, na TV e no cinema. A imagem pública porém pouco tinha a ver com sua vida pessoal. Esse bom filme procura mostrar o outro lado de quem fazia rir, mas que no íntimo sofria de depressão e tinha uma personalidade estranha e desconcertante. Assistindo ao filme podemos notar que Sellers na realidade era o que se chamava de "Bordeline", ou seja, um sujeito com personalidade limítrofe, entre a sanidade e a loucura. Suas atitudes e atos eram bem fora do normal. Outro aspecto que ajuda bastante nessa produção é o seu elenco, a começar por Geoffrey Rush, muito inspirado no papel principal. Ele se sai bem não apenas nas cenas de humor, mas também quando dá vida ao lado mais sinistro do ator. Charlize Theron também está ótima como a mulher de Sellers, uma modelo loiríssima chamada Britt Ekland. Com uma grande diferença de idade ela foi a última esposa de Sellers e teve que enfrentar a pior fase de sua personalidade maluca e melancólica. Enfim, um bom retrato de mais um palhaço que fazia todos rirem, mas que no escuro de seu camarim tinha muitos fantasmas pessoais a enfrentar.

Pablo Aluísio. 

domingo, 15 de maio de 2016

A Menina que Roubava Livros

O contexto histórico do filme se passa na Alemanha Nazista. Hitler está no poder e domina toda a sociedade alemã. Nesse cenário a jovem garota Liesel Meminger (Sophie Nélisse) vai morar com um casal alemão numa pequena cidade de interior. Seu irmão mais jovem está morto. Sua mãe é um fugitiva da perseguição política. No novo lar ela aos poucos vai se acostumando com a rotina. Começa a frequentar a escola e faz amizades, entre eles o garoto Rudy (Nico Liersch) que acaba tendo uma quedinha por ela. Para Liesel porém sua grande paixão são os livros. Ela, alfabetizada tardiamente, tem uma grande atração pela leitura, mas sendo uma garota pobre não tem dinheiro para comprá-los. Enquanto vai vivendo precisa conviver também, como todo o povo alemão, com as desgraças e tragédias da guerra que vai aumentando cada vez mais de intensidade. Os bombardeios se tornam diários e a morte começa a ser uma presença cada vez mais próxima.

Excelente filme. Baseado no romance escrito por Markus Zusak a estória tem um grande mérito que é mostrar e dar um rosto bem humano ao povo alemão que foi de certa maneira também uma das maiores vítimas do nazismo. A família de Liesel é um exemplo disso. São pessoas comuns e humildes. Sua mãe adotiva ganha a vida passando roupas. Seu pai (interpretado por um Geoffrey Rush, em nova e inspirada atuação) vive de pequenos serviços pela vizinhança. Nenhum deles é um nazista fanático, são boas pessoas, porém são engolidas por uma ideologia que levaria toda a nação para o caos completo. Um dos aspectos mais interessantes desse filme vem da narração em off da própria morte. Sim, a morte se torna um personagem importante no enredo, narrando com fina ironia e humor negro, sua chegada ao povo alemão, pelas mãos da guerra. No mais é um retrato bem humanista de uma jovem que perde a inocência em um dos momentos mais dramáticos da história. Como é um romance não se baseia em fatos reais, mas bem poderia, pela força de sua mensagem.

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief, Estados Unidos, Alemanha, 2013) Direção: Brian Percival / Roteiro: Michael Petroni, baseado no romance de Markus Zusak / Elenco: Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Ben Schnetzer, Oliver Stokowski / Sinopse: Uma jovem garota vai morar com um casal alemão durante a II Guerra Mundial. Em uma nova escola, conhecendo novas amizades, ela precisa conviver com uma realidade dura, de destruição e morte, enquanto seus pais adotivos escondem no porão um judeu chamado Max (Oliver Stokowski) que procura sobreviver à perseguição nazista contra seu povo. Filme indicado ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Trilha Sonora (John Williams). Vencedor do Grammy Awards na mesma categoria.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Equilibrium

Depois da Terceira Guerra Mundial grande parte da humanidade está morta por causa do holocausto nuclear. Os que sobreviveram resolvem se submeter a um Estado autoritário que comanda cada aspecto pessoal dos súditos a ele submetido. Dentro dessa nova ideologia chega-se a conclusão que as emoções humanas causaram a guerra que destruiu grande parte da civilização. Para manter a paz então todos devem suprimir qualquer tipo de sentimento ou emoção. Drogas são usadas para isso e para manter a ordem, evitando o afloramento de emoções, é criado um grupo especializado chamado de "clérigos", cujo objetivo principal é caçar todo elemento subversivo aos mandamentos do Estado. Entre eles está John Preston (Christian Bale). Sua mulher foi incinerada pelos clérigos após demonstrar emoções humanas em relação ao próprio marido. O mundo começa a mudar para Preston quando ele acidentalmente deixa de usar sua droga diária de supressão emocional. Ao se sentir novamente como um ser humano capaz de experimentar emoções como no passado, ele começa a entender o absurdo da situação em que vive.

Essa ficção me lembrou muito de um clássico chamado "Fahrenheit 451" de François Truffaut. Tal como lá, aqui também temos um Estado opressivo que não abre margens para a liberdade individual. A simples posse de um livro de poesias, por exemplo, pode significar a eliminação completa do grupo, resultando em uma execução sumária. Literatura, filmes e música também são proibidos. A arte em geral é vista como algo extremamente nocivo pois faz aflorar os sentimentos e emoções tão inerentes aos seres humanos que esse Estado autoritário quer de todas as formas eliminar da sociedade. Embora tenha uma premissa realmente excelente o filme também faz inúmeras concessões comerciais para o deixar mais palatável ao público jovem que frequenta os cinemas. Assim sai uma abordagem mais intelectual da questão para se priorizar várias cenas de ação - muito bem realizadas, é bom frisar.  Christian Bale está muito adequado em seu papel. Ele é realmente o ator indicado para interpretar tipos como o do filme, inicialmente frios e sem emoção e que depois precisam lidar com uma nova forma de enxergar o mundo ao seu redor. Com boa direção de arte (que investe em cenários assépticos e desprovidos de alma) e um bom argumento, "Equilibrium" é certamente uma das ficções mais interessantes dos últimos anos. Inteligente e bem perspicaz.

Equilibrium (Equilibrium, EUA, 2002) Direção: Kurt Wimmer / Roteiro: Kurt Wimmer / Elenco: Christian Bale, Sean Bean, Emily Watson, William Fichtner, Sean Pertwee / Sinopse: Em um mundo que tenta se reconstruir após uma guerra nuclear, a sociedade resolve se submeter a um Estado totalitário que prega a supressão de todas as emoções humanas para se chegar na verdadeira paz entre os homens. Filme indicado ao American Choreography Awards e à Phoenix Film Critics Society Awards.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Miss Potter

Parece que após Bridget Jones a atriz Renée Zellweger tomou gosto em interpretar mulheres britânicas. Aqui ela repete a dose dando vida nas telas para a escritora Beatrix Potter (1866-1943), consagrada autora de livros infantis. Sua obra não é tão conhecida no Brasil quanto lá fora, mas sua história pessoal certamente vai criar identificação com muitas mulheres de nosso país. Miss Potter era, assim como a personagem Bridget Jones, uma mulher que fugia aos padrões da sociedade vitoriana de seu tempo. Era solteirona e mais do isso, não achava que o casamento fosse o segredo da felicidade na vida de uma mulher. Inteligente acreditava que cada mulher deveria ser dona de seu próprio destino, abrindo os caminhos de sua vida por conta própria. Depender, seja financeiramente, seja emocionalmente, de um marido era a última coisa que queria em sua vida. A solução de seus problemas veio na forma de livros infantis que começou a escrever. Como produzia algo de que gostava, o amor e a paixão que colocava em seus escritos acabavam passando para o seu pequeno leitor. O resultado veio no sucesso editorial de sua obra que a transformou numa mulher dona de seu próprio nariz, como aliás acontece na vida de todas as grandes mulheres.
 
Como sua biografia já é por si mesmo muito interessante o filme Miss Potter se transforma em uma grata surpresa. Dirigido pelo cineasta especialista em temas infantis, Chris Noonan (de Babe o Porquinho Atrapalhado), o filme tem um lirismo, um clima mágico que realmente encanta e cativa. Sua grande qualidade é discutir a posição da mulher dentro da sociedade britânica ao mesmo tempo em que resgata o imaginário infantil, com aquele ambiente de sonhos e magia que todos conhecemos tão bem. Renée Zellweger brilha novamente, embora o excesso de tratamentos estéticos a que se submeteu incomode em certos momentos. A magia fica comprometida quando vemos uma mulher do século XIX com aplicações de botox. Mesmo assim é algo que o espectador vai ter que ignorar para apreciar totalmente o filme em si. O elenco de apoio conta com as sempre marcantes presenças de Ewan McGregor e Emily Watson. Enfim,  Miss Potter é tão charmoso e fino que indico especilamente para o público feminino, que sempre apreciou bem mais filmes elaborados e esteticamente bonitos como esse.

Miss Potter (Miss Potter, Estados Unidos, 2008) Direção: Chris Noonan / Roteiro: Richard Maltby Jr. / Elenco: Renée Zellweger, Bill Paterson, Emily Watson, Ewan McGregor, Barbara Flynn./ Sinopse: O filme conta aspectos da vida da autora infantil de grande sucesso, Beatrix Potter (1866-1943). Considerada avançada demais para sua época ela enfrentou o preconceito e barreiras sociais para vencer na sua carreira de escritora.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Dragão Vermelho

Hannibal Lecter já entrou no rol dos grandes personagens do cinema americano. O psicopata frio e calculista mas de alto QI já virou marca registrada. Surgiu para o grande público em "O Silêncio dos Inocentes" um filme que começou sua carreira de forma até despretensiosa mas que foi subindo degraus até ser aclamado pela Academia com um festival de prêmios. Após essa consagração o personagem retornou no péssimo "Hannibal", uma produção muito ruim e equivocada, baseado em um livro igualmente muito ruim, que parecia ter enterrado de vez o personagem para a sétima arte. Ainda bem que não desistiram dele pois esse "Dragão Vermelho" é em minha opinião a melhor transposição de Lecter para as telas. Baseado no livro de Thomas Harris esse é certamente o retrato mais fiel do serial killer. Embora seja um personagem de ficção Hannibal é na realidade uma fusão dos perfis de muitos psicopatas do mundo real. Tal como Norman Bates de "Psicose" o criminoso feito por Hopkins é na realidade um mosaico que reúne características de vários monstros assassinos que realmente existiram, tudo concentrado em um só personagem. Nesse "Dragão Vermelho" tudo é mais bem situado, explicado e caracterizado. Some-se a isso a boa trama e eis um filme realmente impecável sob qualquer ponto de vista. 

Uma das boas idéias de "Dragão Vermelho" é mostrar eventos que ocorreram cronologicamente antes de "O Silêncio dos Inocentes". Aqui um agente do FBI, William Graham (Edward Norton), procura ajuda com Lecter (Anthony Hopkins) para tentar capturar um novo serial killer chamado Francis Dollarhyde, interpretado com brilhantismo  por Ralph Fiennes. Sádico, extremamente desequilibrado e vivendo em um mundo de delírios, Francis leva toda uma cidade a um verdadeiro estado de pânico com seus crimes em série. O diretor Brett Ratner prima muito mais pelo suspense e tensão psicológica entre a dupla central do que pela escatologia pura e simples. Esse aliás é o grande mérito do filme. Ao invés do estilo mais cru, vulgar e grotesco de "Hannibal" o roteiro se apóia muito mais no clima sombrio e soturno no qual vivem esses homicidas do nosso tempo. Desnecessário recomendar o filme para os fãs do personagem. A trilogia original se encerrou aqui, o personagem infelizmente ainda voltou a dar as caras em um nova tentativa de revitalizar Hannibal nos cinemas mas foi uma tentativa frustrada. "Dragão Vermelho", por outro lado, é realmente o melhor já feito sobre o canibal famoso da ficção, fechando com chave de ouro sua melhor fase em Hollywood.

Dragão Vermelho (Red Dragon, Estados Unidos, 2002) Direção: Brett Ratner / Roteiro: Ted Tally / Elenco: Anthony Hopkins, Edward Norton, Ralph Fiennes, Harvey Keitel, Mary-Louise Parker, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman / Sinopse: Famoso criminoso é procurado por agente do FBI para ajudar na busca de um serial killer que está à solta, jogando terror e medo na população de uma grande cidade americana.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Equilibrium

Título no Brasil: Equilibrium
Título Original: Equilibrium
Ano de Lançamento: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Blue Tulip
Direção: Kurt Wimmer
Roteiro: Kurt Wimmer
Elenco: Christian Bale, Emily Watson, Taye Diggs, Angus Macfadyen, Sean Bean, William Fichtner

Sinopse:
Após uma Terceira Guerra Mundial devastadora, surge a sociedade de Libria, um Estado totalitário que acredita ter eliminado definitivamente a violência ao proibir os sentimentos humanos. Todos os cidadãos são obrigados a tomar diariamente uma droga chamada Prozium, que impede emoções como amor, tristeza, ódio e alegria. John Preston, interpretado por Christian Bale, é um dos mais eficientes Grammaton Clerics, agentes encarregados de localizar e eliminar aqueles que cometem o chamado "crime de sentir". Entretanto, quando Preston deixa de tomar sua medicação, começa lentamente a recuperar suas emoções e passa a questionar o sistema que ajudou a defender. Ao descobrir a extensão da repressão promovida pelo governo, ele decide se voltar contra o regime e participar da resistência. A história combina ficção científica distópica, ação e questionamentos sobre liberdade individual, humanidade e controle estatal.

Comentários:
Lançado nos Estados Unidos em dezembro de 2002, Equilibrium chegou aos cinemas cercado por expectativas relativamente modestas, mas encontrou uma recepção crítica predominantemente negativa. A produção chamou atenção imediatamente por combinar elementos de clássicos da ficção científica distópica, como 1984, Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo e THX 1138, com uma estética de ação influenciada pelo cinema de Hong Kong e por filmes como Matrix. O The New York Times, através do crítico Elvis Mitchell, foi particularmente severo e considerou a história excessivamente derivativa, apontando as inúmeras semelhanças com obras anteriores. A Variety também foi pouco favorável, descrevendo o filme como um drama de ficção científica pouco sofisticado e excessivamente sério. O Los Angeles Times, em crítica de Manohla Dargis, reconheceu que o filme era visualmente interessante e acompanhável durante parte de sua duração, mas criticou especialmente o exagero das cenas de ação. A TV Guide também observou que as sequências de combate acabavam se sobrepondo às ideias filosóficas apresentadas pelo roteiro. No Rotten Tomatoes, a produção atualmente registra apenas 40% de aprovação da crítica, enquanto o Metacritic lhe atribuiu 33 pontos em 100, números que refletem a recepção fria obtida no lançamento.

Apesar das críticas negativas, Equilibrium encontrou defensores importantes. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, foi consideravelmente mais receptivo que a maioria dos críticos e concedeu ao filme três estrelas em quatro, observando que, embora fosse uma produção de ação, havia uma ideia por trás de sua aparência espetacular. O Baltimore Sun também publicou uma avaliação que reconhecia a combinação entre os temas de George Orwell e a ação cinematográfica inspirada em John Woo. O desempenho de Christian Bale foi outro ponto frequentemente lembrado, especialmente porque o ator conseguiu construir um protagonista inicialmente frio e disciplinado que gradualmente recupera a capacidade de sentir. A técnica de combate conhecida como Gun Kata, criada especificamente para o filme, tornou-se sua característica visual mais reconhecível e ajudou a diferenciá-lo de outras distopias. Comercialmente, entretanto, o resultado foi muito fraco: realizado com orçamento estimado em US$ 20 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 1,2 milhão no mercado doméstico e US$ 4,16 milhões internacionalmente, totalizando cerca de US$ 5,37 milhões em todo o mundo. Sua distribuição americana também foi bastante limitada, chegando a apenas 301 salas em seu lançamento.

Com o passar dos anos, entretanto, Equilibrium experimentou uma importante transformação em sua reputação. O que inicialmente era visto por muitos críticos como uma imitação de outras ficções científicas passou a ser redescoberto por uma parcela do público como um filme de ação cult. A disponibilidade em DVD, televisão, plataformas digitais e posteriormente nos serviços de streaming permitiu que uma nova geração tivesse contato com a produção. Em 2021, o The Guardian publicou uma defesa retrospectiva do filme, argumentando que suas limitações não deveriam impedir o reconhecimento de suas qualidades e destacando especialmente a inventividade visual do Gun Kata. A publicação ressaltou que, embora o filme evidentemente utilize ideias de 1984 e Fahrenheit 451, possui uma identidade própria na maneira como transforma o controle das emoções em uma experiência de ação. Atualmente, a diferença entre a avaliação da crítica e a recepção do público é bastante significativa: o Rotten Tomatoes registra aproximadamente 81% de aprovação entre espectadores, muito acima da avaliação dos críticos. O filme também ganhou importância retrospectiva por anteceder a fase de enorme popularidade de Christian Bale, que poucos anos depois se tornaria mundialmente conhecido como Batman na trilogia dirigida por Christopher Nolan. Hoje, Equilibrium é geralmente lembrado como uma ficção científica cult, imperfeita e derivativa em sua concepção, mas visualmente marcante, com boas sequências de ação e uma premissa que continua relevante por discutir a relação entre liberdade, emoções e autoritarismo.

Erick Steve.