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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Hamnet - A Vida Depois de Hamlet

Título no Brasil: Hamnet - A Vida Depois de Hamlet 
Título Original: Hamnet
Ano de Lançamento: 2025
País: Reino Unido
Estúdio: Focus Features
Direção: Chloé Zhao
Roteiro: Chloé Zhao, Maggie O'Farrell
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Jacobi Jupe, Joe Alwyn, Justine Michell, Eva Wishart

Sinopse:
O jovem autor de peças de teatro William Shakespeare se apaixona por uma vizinha chamada Agnes. Ela tem um comportamento meio fora dos padrões, pois adora ir para a floresta, se sentindo integrada com a força da natureza. De qualquer forma acabam se casando numa união que vai ser marcada por muitos sofrimentos, dramas e perdas, entre elas a dolorida morte do filho, um garoto chamado Hamnet. 

Comentários:
Noventa por cento do que vemos nesse filme é ficção! Os historiadores apenas sabem que William Shakespeare realmente perdeu seu filho, um garoto chamado Hamnet. Essa é a informação crua que chegou até nossos dias. Não sabemos como era o relacionamento dele com a esposa, as circunstâncias corretas da morte do menino, se ele realmente se inspirou em Hamnet para escrever sua peça imortal Hamlet e tudo mais. Afinal o roteiro desse filme foi escrito a partir de um romance, muito bem escrito, baseado em teses históricas até bem interessantes, mas nada muito além disso. Não sabemos sobre toda a verdade histórica. Isso se perdeu nas areias do tempo. Esse aspecto porém não desmerece o filme em nada. Eu gostei muito!  É um drama romântico com um realismo que ás vezes até mesmo incomoda. Tenta imaginar como seria a vida cotidiana das pessoas, das famílias que viveram naqueles tempos. E a família Shakespeare não era diferente em nada das demais. Ele era um artista, que sofria para sustentar sua casa, indo trabalhar em outra cidade, sofrendo as durezas e os fardos da vida. Pensando bem, essa é a grande qualidade desse filme, transportar o espectador para um mundo que já não existe há séculos. Enfim, outro bom drama histórico que vale muito a pena assistir. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet) é um drama histórico e romântico dirigido por Chloé Zhao, lançado originalmente em 2025 e inspirado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, publicado em 2020. O filme teve sua primeira apresentação no Festival de Telluride, em agosto de 2025, antes de chegar aos cinemas americanos em lançamento limitado em 26 de novembro e posteriormente ampliar sua distribuição. O elenco principal reúne Jessie Buckley, Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn, Jacobi Jupe e Noah Jupe. Buckley interpreta Agnes, conhecida historicamente como Anne Hathaway, enquanto Mescal interpreta William Shakespeare. A produção parte de um fato histórico verdadeiro: Shakespeare e sua esposa tiveram um filho chamado Hamnet, que morreu aos 11 anos, em 1596. A partir dessa informação, o livro de O’Farrell e o filme de Zhao constroem uma narrativa ficcional sobre a vida familiar do dramaturgo. A história começa antes da fama de Shakespeare, mostrando seu relacionamento com Agnes e a formação da família em Stratford-upon-Avon. Quando o filho adoece durante uma epidemia e morre, a família é devastada pela perda. O filme imagina que a experiência desse luto teria contribuído para a criação de Hamlet, estabelecendo uma ligação emocional entre a tragédia pessoal de Shakespeare e sua mais famosa obra. Agnes, entretanto, é o verdadeiro centro dramático da narrativa, e a produção procura mostrar sua dor, sua força e sua tentativa de reconstruir a vida depois da morte do filho.

A recepção da crítica americana foi majoritariamente entusiasmada, embora tenha havido algumas vozes discordantes. A Variety, em crítica de Peter Debruge publicada após a estreia em Telluride, considerou o filme uma experiência emocional extremamente poderosa e destacou a atuação de Jessie Buckley como um dos seus maiores trunfos. O crítico concluiu que Zhao consegue transformar a história do luto em uma reflexão sobre a função da arte, descrevendo o resultado como uma obra que convida o público a experimentar a perda de uma maneira nova. O The New York Times foi mais cauteloso: Alissa Wilkinson elogiou a beleza das imagens e das interpretações, mas observou que alguns momentos pareciam "um pouco demais", como se determinadas escolhas visuais e dramáticas fossem excessivamente preciosas. Já o Los Angeles Times apresentou uma das avaliações mais negativas entre os grandes veículos americanos. Amy Nicholson chamou o filme de uma produção que afunda sob "nonstop crying" e criticou particularmente a caracterização de Shakespeare, considerada pouco interessante. Ainda assim, a mesma crítica reconheceu a beleza da fotografia, a qualidade do trabalho de câmera e a força de Jacobi Jupe como Hamnet. No conjunto, o Metacritic registrou 84/100, classificando a recepção como de "Universal Acclaim", com 85% das críticas positivas e nenhuma avaliação integralmente negativa entre as críticas catalogadas.

A reação europeia foi igualmente favorável, sobretudo no Reino Unido, onde a história de Shakespeare possui uma importância cultural especial. O The Guardian, na crítica de Peter Bradshaw, classificou a produção como uma tragédia shakespeariana "audaciosa" e destacou que Paul Mescal e Jessie Buckley conseguem envolver completamente o espectador. Bradshaw considerou particularmente eficaz a maneira como Chloé Zhao transforma a morte de uma criança em uma possível origem emocional para a criação de Hamlet. Em uma crítica publicada durante o Festival de Toronto, o Guardian também destacou que Buckley e Mescal eram "knockouts" e classificou o final como extraordinariamente comovente, embora tenha observado que o filme às vezes se aproxima demais do cinema de prestígio feito para premiações. Na França e em outros mercados europeus, a recepção também foi predominantemente positiva, com elogios à fotografia, à ambientação histórica e à interpretação de Jessie Buckley. O filme entrou rapidamente no circuito de grandes premiações. No Globo de Ouro de 2026, venceu Melhor Filme – Drama, enquanto Jessie Buckley ganhou Melhor Atriz – Drama. No Oscar de 2026, Hamnet recebeu oito indicações, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Atriz, e Jessie Buckley venceu o prêmio de Melhor Atriz, tornando-se a primeira atriz irlandesa a conquistar o Oscar nessa categoria. Buckley também conquistou o BAFTA e o Critics Choice Award, consolidando uma das campanhas de premiação mais fortes da temporada.

Com um orçamento de produção que não foi divulgado oficialmente de maneira confiável, Hamnet não foi concebido como um blockbuster, mas como um drama histórico de prestígio voltado principalmente para o circuito de festivais, premiações e público adulto. Seu lançamento comercial começou de forma bastante modesta, com apenas US$ 932 mil em 119 cinemas no primeiro fim de semana americano, antes de alcançar uma distribuição mais ampla. O resultado final, contudo, mostrou uma excelente resistência comercial para uma produção desse gênero. O filme arrecadou aproximadamente US$ 24,2 milhões nos Estados Unidos e US$ 84,8 milhões no mercado internacional, chegando a cerca de US$ 109 milhões em todo o mundo. O Reino Unido foi particularmente importante, com mais de US$ 25 milhões em bilheteria, enquanto França, Espanha, Itália e Alemanha também apresentaram resultados expressivos para um drama de época. A reação do público foi ainda melhor que a recepção crítica: o Rotten Tomatoes registra 93% de aprovação entre os espectadores verificados, contra 86% da crítica, e o IMDb apresenta atualmente 7,8/10, com mais de 130 mil avaliações. O sucesso demonstra que, apesar de ser um filme lento, contemplativo e profundamente dramático, Hamnet conseguiu alcançar um público bastante amplo graças ao prestígio de Shakespeare, à campanha de premiações e, sobretudo, ao impacto emocional das interpretações.

Pouco tempo depois de seu lançamento, Hamnet já passou a ser considerado um dos principais filmes de prestígio da década de 2020. A avaliação atual é especialmente positiva em relação à atuação de Jessie Buckley, que se tornou o principal elemento associado ao sucesso do filme. Sua interpretação de Agnes recebeu o Globo de Ouro, o BAFTA, o Critics Choice Award e finalmente o Oscar, fazendo com que a personagem se transformasse no centro definitivo da recepção crítica. A direção de Chloé Zhao também foi amplamente elogiada por combinar realismo naturalista, paisagens rurais e momentos quase oníricos. O filme, entretanto, não pretende apresentar uma biografia historicamente comprovada de Shakespeare. A ligação entre a morte de Hamnet e a criação de Hamlet é uma hipótese literária de Maggie O’Farrell e de Zhao, e não um fato estabelecido pelos historiadores. Essa liberdade é justamente uma das questões mais discutidas em torno da obra. Alguns críticos consideram a especulação extremamente poderosa, enquanto outros entendem que o filme transforma uma possibilidade histórica em uma certeza emocional excessivamente conveniente. Mesmo assim, a combinação de romance, luto, maternidade, criação artística e Shakespeare deu à produção uma identidade própria. O reconhecimento recebido em festivais e premiações, especialmente a vitória de Jessie Buckley no Oscar, deve garantir que Hamnet permaneça como uma das adaptações literárias mais lembradas do cinema contemporâneo.

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet, Reino Unido, 2025) Direção: Chloé Zhao / Roteiro: Chloé Zhao e Maggie O’Farrell, baseado no livro Hamnet, de Maggie O’Farrell / Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn, Jacobi Jupe e Noah Jupe / Sinopse: Em plena Inglaterra do século XVI, Agnes e William Shakespeare constroem uma família cuja vida é transformada para sempre pela morte do jovem Hamnet, enquanto o sofrimento vivido pelo casal se mistura à criação da futura tragédia.

Erick Steve e Pablo Aluísio.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

A Noiva!

A Noiva!
Sendo bem simplista, o que temos aqui é um remake moderno de um filme bem antigo, "A Noiva de Frankenstein" de 1935. O primeiro desafio era fugir do ridículo. Como fazer um remake de uma história que hoje em dia soaria basicamente como puro nonsense? Apesar dos desafios iniciais eles conseguiram fazer um bom filme. Não é uma comédia  total porque não era bem isso que os realizadores queriam. Ainda assim o humor não foi descartado, pelo contrário, está presente em vários momentos do filme. Usaram até mesmo de números musicais para tornar tudo mais aceitável nos dias atuais. Assim o filme vai intercalando momentos mais sérios, até dramáticos, com suavidades pontuais. O saldo final, ao meu ver, soa positivo. Mesmo estranho e apelativo em algumas cenas, penso que os desafios foram superados. Vai ter gente estranhando muito o que verá na tela, mas o número de pessoas que vai dizer que o filme é simplesmente só ruim não será muito expressivo. 

Entre altos e baixos, o filme consegue se sustentar. O ponto mais positivo é o trabalho da atriz Jessie Buckley. Ela não apenas interpreta a noiva, com toques bizarros e grotescos, como exigia sua personagem, como também traz de volta uma Mary Shelley embriagada, soltando frases de efeito do além, muito decepcionada com a própria vida que teve e que agora quer destruir tudo, inclusive seu legado como escritora. A presença de Mary Shelley como personagem do filme é uma das grandes sacadas desse roteiro que só desliza mesmo quando tenta copiar descaradamente aspectos do filme "Coringa". De qualquer forma o filme se salva, como eu já escrevi. É estranho e bizarro nas doses exatas, como a própria obra original que tenta ressuscitar. Os fãs de terror clássico não terão muito o que reclamar. 

A Noiva! (The Bride!, Estados Unidos, 2026) Direção: Maggie Gyllenhaal / Roteiro: Maggie Gyllenhaal, baseada na obra escrita por Mary Shelley / Elenco: Jessie Buckley, Christian Bale, Annette Bening / Sinopse: A criatura criada pelos experimentos do Dr. Victor Frankenstein está viva, mas solitária. Chamado de Frank (Bale) ele então procura por uma cientista que pode criar uma mulher para viver ao seu lado, só que tudo acaba saindo do controle rapidamente, criando caos e destruição por toda a sociedade. 

Pablo Aluísio.

domingo, 7 de agosto de 2022

Men

Título no Brasil: Men
Título Original: Men
Ano de Lançamento: 2022
País: Reino Unido
Estúdio: DNA Films
Direção: Alex Garland
Roteiro: Alex Garland
Elenco: Jessie Buckley, Rory Kinnear, Paapa Essiedu, Gayle Rankin, Sarah Twomey, Zak Rothera-Oxley

Sinopse:
Após a morte trágica de seu marido que cometeu suicídio, uma jovem viúva decide alugar uma casa isolada no campo do interior da Inglaterra. Uma vez lá, começa a perceber que está sendo observada por tipos estranhos, figuras completamente bizarras.

Comentários:
Esse é um novo filme de terror inglês recentemente lançado. Aliás uma primeira observação seria sobre sua classificação, uma vez que não é um terror convencional, seria melhor defini-lo como um filme de suspense psicológico. A protagonista tenta superar um trauma após a morte do seu marido que se suicidou. No vilarejo de campo ela encontra pessoas estranhas, os tais homens do título original inglês. São tipos variados de pura esquisitice, como um padre que tortura psicologicamente quem lhe pede conselhos e um zelador que por trás de um sorriso amigável esconde algo sinistro. E o que dizer do homem nu que insiste em invadir seu jardim? O que mais vai chocar as pessoas no filme é o final dessa história. Uma cena praticamente irracional e escatológica. O que essa cena final significa? Em meu ponto de vista ela traz o verdadeiro renascimento psicológico da personagem principal, algo muito visceral, o que para muitas pessoas vai soar de muito mau gosto.  Esse no final das contas se revela ser um filme bem interessante, justamente por fugir de convencional. A estranheza também tem seu valor.

Pablo Aluísio.

domingo, 1 de maio de 2022

A Filha Perdida

Mais um filme da lista do Oscar 2022. O filme conta dois momentos da vida da professora universitária Leda, um no passado, outro no presente. Quando tinha apenas vinte e poucos anos o seu sonho era entrar no mundo acadêmico, se tornar professora em uma boa universidade no norte dos Estados Unidos. Ela segue estudando e escrevendo artigos e fica muito feliz quando recebe uma oferta de emprego. Só que ela tem marido, duas filhas e tudo fica mais complicado. No passado a protagonista é interpretada pela atriz Jessie Buckley. Já no tempo presente encontramos Leda como uma mulher madura que vai até a Grécia passar um mês de férias. Divorciada, sozinha, ela só quer um tempo para escrever alguns artigos e esfriar a cabeça. Só que viajar para outro país de férias sozinha também traz seus riscos.

O grande tema desse roteiro é a discussão entre maternidade e vida profissional. Algumas mulheres sofrem muito para conciliar esses dois aspectos da vida. No caso de Leda ela tem duas filhas e ao mesmo tempo tenta entrar em um mercado de trabalho muito competitivo que é o mundo acadêmico e universitário. Tem que se esforçar muito, estudar muito, mas como fazer isso com duas filhas pequenas? Outro tema em discussão é que muitas mulheres simplesmente não possuem vocação para serem mães. A sociedade muitas vezes impõe isso a elas, como pressão social, gerando mulheres infelizes e frustradas. A personagem interpretada pela atriz Dakota Johnson vem para reforçar que isso atravessa gerações, não apenas no passado, mas no presente também. Ela é uma jovem mãe e não está nada satisfeita com esse papel.

Um filme que gostei, tanto do ponto de vista da proposta do roteiro como também pela bela interpretação de todo o elenco feminino. Aliás duas das atrizes que atuam no filme foram indicadas ao Oscar, algo raro de acontecer. Jessie Buckley, que interpreta a personagem principal em sua época de juventude, foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Já a velha Leda, interpretada por uma ótima Olivia Colman, rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Nada mal para um filme que discute a mulher, em fases diferentes da vida e os desafios que surgem pela frente.

A Filha Perdida (The Lost Daughter, Estados Unidos, 2021) Direção: Maggie Gyllenhaal / Roteiro: Maggie Gyllenhaal / Elenco: Olivia Colman, Jessie Buckley, Dakota Johnson, Ed Harris, Peter Sarsgaard / Sinopse: A vida de uma mulher, uma professora universitária, em dois momentos distintos de sua vida. Quando jovem e mãe de duas crianças pequenas e na fase da maturidade quando tenta encontrar paz e tranquilidade numa viagem de férias na Grécia.  Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor atriz (Olivia Colman), melhor atriz coadjuvante (Jessie Buckley) e melhor roteiro adaptado (Maggie Gyllenhaal).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Estou Pensando em Acabar com Tudo

Qual é o significado desse filme "Estou Pensando em Acabar com Tudo"? Antes de mais nada, devo dizer que esse foi um dos filmes mais diferenciados e inteligentes que assisti nesse ano. É aquele tipo de roteiro que não foi escrito para facilitar a vida do espectador. Nada é simplificado, tudo tem sua razão de ser. Baseado no livro escrito pelo autor Iain Reid, esse enredo tem uma linha narrativa completamente fora dos padrões, apesar de sua inicial simplicidade. No começo do filme somos apresentados a um casal formado por Jake (Jesse Plemons) e uma jovem garota cujo nome nunca é citado, em boa interpretação da atriz irlandesa Jessie Buckley. Eles estão em um carro, indo em direção à fazenda dos pais de Jake. Será a primeira vez que ela, sua nova namorada, vai conhecer os sogros. Tudo parece muito bem entre o casal, mas ela tem pensamentos diferentes, sempre recorrendo a uma frase "Estou Pensando em Acabar com Tudo". Acabar com o namoro? Acabar com a vida? Acabar com o quê exatamente?

Pois bem, no carro eles desenvolvem ótimas conversas, bem cultas e inteligentes. Parecem bem felizes, porém quando chegam na fazenda as coisas começam a ficar esquisitas. Os pais de Jake são dois caipirões que tentam agradar sua namorada, parecendo simpáticos, mas tem algo errado ali. As situações também começam a fugir da normalidade, gerando situações bizarras mesmo. Ora os pais de Jake parecem idosos à beira da morte, bem envelhecidos, ora se tornam mais joviais. Há erros de cronologia, lapsos de tempo... o que diabos está acontecendo naquela fazenda? E então chegamos na pergunta inicial desse texto. Qual é o significado de tudo o que vemos na tela? Resolvi explicar bem o filme porque muita gente anda reclamando que não entendeu nada do que viu nesse roteiro, para muitos confuso e sem sentido. Vamos explicar então. Aqui vai um grande spoiler, por isso se ainda não assistiu ao filme, pare de ler por aqui. Dito isso... Preste atenção na figura do zelador na escola. Ele parece ser um personagem bem secundário. Um velho senhor, já com idade bem avançada, mas ainda trabalhando nos corredores da escola onde trabalha. É noite de nevasca... e ele começa a ter alucinações e delírios.

Pois tudo o que se passou antes no filme ocorreu justamente na mente desse zelador solitário. A jovem garota do filme não passa de uma idealização de sua mente que está perdendo a sanidade. Ela seria o tipo ideal de mulher que ele gostaria de ter conhecido e se relacionado em sua vida... mas que na verdade nunca existiu. Ele nunca se casou, passando a vida sozinho, solitário. O velho zelador é o verdadeiro Jake. Naquela noite ele começa a perder sua sanidade... e seus pais, mortos há muito tempo, ressurgem em suas lembranças. Porém como ele está sofrendo com problemas mentais as lembranças não seguem uma cronologia lógica, indo e vindo entre as épocas em que viveu. Ele gostaria de ter conhecida uma garota ideal para se casar, apresentar aos seus pais, mas isso nunca aconteceu, não passou de um sonho. O final da vida dos pais foi sofrida. Como filho único ele teve que aguentar toda a carga emocional de presenciar a morte de seus pais sozinho. O final do filme é bem triste, mas coerente com a história mostrada. É um dos melhores roteiros com visão subjetiva que já assisti. E traz como toque final uma enorme surpresa para quem chegar ao seu final. Em minha opinião é um filme excepcionalmente brilhante!

Estou Pensando em Acabar com Tudo (I'm Thinking of Ending Things, Estados Unidos, 2020) Direção: Charlie Kaufman / Roteiro: Charlie Kaufman, baseado na obra de Iain Reid / Elenco: Jesse Plemons, Jessie Buckley, Toni Collette, David Thewlis, Guy Boyd / Sinopse: Jake (Jesse Plemons) leva sua namorada para ser apresentada aos seus pais. A viagem é feita sob pesada nevasca. Ao chegarem na fazenda onde eles moram, a garota começa a perceber que as coisas não fazem muito sentido. Uma realidade um tanto bizarra começa a surgir ao seu redor. O que estaria acontecendo ali?

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de maio de 2020

As Loucuras de Rose

Título no Brasil: As Loucuras de Rose
Título Original: Wild Rose
Ano de Produção: 2018
País: Inglaterra, Escócia
Estúdio: BFI Film Fund
Direção: Tom Harper
Roteiro: Nicole Taylor
Elenco: Jessie Buckley, Matt Costello, Jane Patterson, James Harkness, Julie Walters, Louise Mccarthy

Sinopse:
Após sair da prisão, a jovem Rose-Lynn (Jessie Buckley) precisa reconstruir sua vida. Ela sonha se tornar cantora country, mas mora em Glasgow, na Escócia, o que torna tudo mais complicado. Para sobreviver acaba trabalhando como diarista, fazendo faxina, mas sem nunca abandonar seu sonho de vida. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de melhor atriz (Jessie Buckley).

Comentários:
O título nacional desse filme é realmente péssimo. Dá a entender que se trata de uma comédia ou algo assim. Nada mais longe da proposta do filme que poderia ser definido, com certas reservas, como um drama musical. A protagonista tem um sonho estranho para uma garota escocesa de sua idade, que é fazer sucesso cantando country music, um tipo de música muito enraizada na cultura dos Estados Unidos. O sonho dela aliás é ir para Nashville onde sonha se tornar uma grande cantora desse estilo musical. Só que há uma diferença entre os sonhos e o mundo real. São coisas bem diferentes. E embora tenha talento, é muito complicado sair do contexto cultural onde ela nasceu e vive para tentar fazer sucesso em um universo que nunca foi o dela. Afinal quem iria comprar um disco de uma cantora country nascida na Escócia? Gostei muito do trabalho da atriz irlandesa Jessie Buckley nesse filme. Ela não apenas dá conta das cenas de palco, como também na parte de dramaturgia do filme. A ruiva trouxe também trejeitos bem comuns de uma garota da classe trabalhadora, com forte sotaque e maneiras mais rudes de ser. E como não poderia deixar de ser em um filme como esse, a trilha sonora também é muito boa, cheia de boas músicas de country, novas e antigas. Tudo muito agradável do ponto de vista puramente musical.

Pablo Aluísio.