Título Original: Equilibrium
Ano de Lançamento: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Blue Tulip
Direção: Kurt Wimmer
Roteiro: Kurt Wimmer
Elenco: Christian Bale, Emily Watson, Taye Diggs, Angus Macfadyen, Sean Bean, William Fichtner
Sinopse:
Após uma Terceira Guerra Mundial devastadora, surge a sociedade de Libria, um Estado totalitário que acredita ter eliminado definitivamente a violência ao proibir os sentimentos humanos. Todos os cidadãos são obrigados a tomar diariamente uma droga chamada Prozium, que impede emoções como amor, tristeza, ódio e alegria. John Preston, interpretado por Christian Bale, é um dos mais eficientes Grammaton Clerics, agentes encarregados de localizar e eliminar aqueles que cometem o chamado "crime de sentir". Entretanto, quando Preston deixa de tomar sua medicação, começa lentamente a recuperar suas emoções e passa a questionar o sistema que ajudou a defender. Ao descobrir a extensão da repressão promovida pelo governo, ele decide se voltar contra o regime e participar da resistência. A história combina ficção científica distópica, ação e questionamentos sobre liberdade individual, humanidade e controle estatal.
Comentários:
Lançado nos Estados Unidos em dezembro de 2002, Equilibrium chegou aos cinemas cercado por expectativas relativamente modestas, mas encontrou uma recepção crítica predominantemente negativa. A produção chamou atenção imediatamente por combinar elementos de clássicos da ficção científica distópica, como 1984, Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo e THX 1138, com uma estética de ação influenciada pelo cinema de Hong Kong e por filmes como Matrix. O The New York Times, através do crítico Elvis Mitchell, foi particularmente severo e considerou a história excessivamente derivativa, apontando as inúmeras semelhanças com obras anteriores. A Variety também foi pouco favorável, descrevendo o filme como um drama de ficção científica pouco sofisticado e excessivamente sério. O Los Angeles Times, em crítica de Manohla Dargis, reconheceu que o filme era visualmente interessante e acompanhável durante parte de sua duração, mas criticou especialmente o exagero das cenas de ação. A TV Guide também observou que as sequências de combate acabavam se sobrepondo às ideias filosóficas apresentadas pelo roteiro. No Rotten Tomatoes, a produção atualmente registra apenas 40% de aprovação da crítica, enquanto o Metacritic lhe atribuiu 33 pontos em 100, números que refletem a recepção fria obtida no lançamento.
Apesar das críticas negativas, Equilibrium encontrou defensores importantes. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, foi consideravelmente mais receptivo que a maioria dos críticos e concedeu ao filme três estrelas em quatro, observando que, embora fosse uma produção de ação, havia uma ideia por trás de sua aparência espetacular. O Baltimore Sun também publicou uma avaliação que reconhecia a combinação entre os temas de George Orwell e a ação cinematográfica inspirada em John Woo. O desempenho de Christian Bale foi outro ponto frequentemente lembrado, especialmente porque o ator conseguiu construir um protagonista inicialmente frio e disciplinado que gradualmente recupera a capacidade de sentir. A técnica de combate conhecida como Gun Kata, criada especificamente para o filme, tornou-se sua característica visual mais reconhecível e ajudou a diferenciá-lo de outras distopias. Comercialmente, entretanto, o resultado foi muito fraco: realizado com orçamento estimado em US$ 20 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 1,2 milhão no mercado doméstico e US$ 4,16 milhões internacionalmente, totalizando cerca de US$ 5,37 milhões em todo o mundo. Sua distribuição americana também foi bastante limitada, chegando a apenas 301 salas em seu lançamento.
Com o passar dos anos, entretanto, Equilibrium experimentou uma importante transformação em sua reputação. O que inicialmente era visto por muitos críticos como uma imitação de outras ficções científicas passou a ser redescoberto por uma parcela do público como um filme de ação cult. A disponibilidade em DVD, televisão, plataformas digitais e posteriormente nos serviços de streaming permitiu que uma nova geração tivesse contato com a produção. Em 2021, o The Guardian publicou uma defesa retrospectiva do filme, argumentando que suas limitações não deveriam impedir o reconhecimento de suas qualidades e destacando especialmente a inventividade visual do Gun Kata. A publicação ressaltou que, embora o filme evidentemente utilize ideias de 1984 e Fahrenheit 451, possui uma identidade própria na maneira como transforma o controle das emoções em uma experiência de ação. Atualmente, a diferença entre a avaliação da crítica e a recepção do público é bastante significativa: o Rotten Tomatoes registra aproximadamente 81% de aprovação entre espectadores, muito acima da avaliação dos críticos. O filme também ganhou importância retrospectiva por anteceder a fase de enorme popularidade de Christian Bale, que poucos anos depois se tornaria mundialmente conhecido como Batman na trilogia dirigida por Christopher Nolan. Hoje, Equilibrium é geralmente lembrado como uma ficção científica cult, imperfeita e derivativa em sua concepção, mas visualmente marcante, com boas sequências de ação e uma premissa que continua relevante por discutir a relação entre liberdade, emoções e autoritarismo.
Erick Steve.

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