sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dia D

Título no Brasil: Dia D
Título Original: Disclosure Day
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg, David Koepp
Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson, Wyatt Russell

Sinopse:
Margaret Fairchild (Emily Blunt) é uma jornalista de Kansas City que apresenta o boletim do tempo no telejornal local. Um dia ela basicamente surta ao vivo, falando uma estranha linguagem, causando surpresa em todos. A partir daí sua vida se transforma em um caos, sendo perseguida por pessoas que ela nunca viu em sua vida. E por trás de tudo parece haver a tentativa de encobertar um segredo envolvendo seres de outros planetas. 

Comentários:
Eu sempre terei Steven Spielberg na mais alta consideração. Em minha opinião nenhum cineasta foi mais relevante do que ele nesses últimos 50 anos. É o maior diretor de cinema ainda vivo e em atividade. O conjunto de sua obra, como diretor e também como produtor de cinema, é imenso, incomparável. Só que infelizmente até os gênios erram... Esse novo filme de Spielberg é bem decepcionante! Até que funciona, na maior parte do tempo, como um bom filme de perseguição. Só que fica nisso. Muita correria para absolutamente nada! O pior momento vem no clímax, no desfecho da história. É cafona, piegas, fora de moda, ultrapassado e para ser muito sincero, causa até vergonha alheia. E eu nunca havia sentido nada parecido com os filmes anteriores de Spielberg. E a decepção é maior porque foi criado uma expectativa pelo fato do diretor voltar ao tema dos aliens. Bastava lembrar de "ET" e "Contatos Imediatos de Terceiro Grau" para esperar, com muita boa vontade, a chegada de uma nova obra-prima. Não deu! Não aconteceu, muito pelo contrário! Esse é certamente um dos piores filmes de Spielberg nos últimos anos. Uma lástima! Lamento muito!

Pablo Aluísio.

Emergência Radioativa

Título no Brasil: Emergência Radioativa
Título Original: Emergência Radioativa
Ano de Lançamento: 2026
País: Brasil
Estúdio: Netflix
Direção: Fernando Coimbra, Iberê Carvalho
Roteiro: Fernando Coimbra, Gustavo Lipsztein
Elenco: Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, 
Bukassa Kabengele, Tuca Andrada, Leandra Leal

Sinopse:
Essa é uma minissérie da Netflix que conta o acidente radioativo que aconteceu em Goiânia, durante os anos 80. Foi o mais sério incidente desse tipo ocorrido no Brasil em toda a sua história. E tudo aconteceu por causa de um descaso envolvendo um equipamento de radiação que ficou abandonado em um velho hospital desativado. Localizado por catadores de lixo, acabou sendo levado, contaminando uma enorme área da cidade.

Comentários:
Ficou excelente essa minissérie baseada nesse trágico fato. Eu me lembro muito bem desse acidente, porque foi muito noticiado na época, causando grande repercussão dentro e também fora do Brasil. O roteiro da minissérie toma algumas liberdades com os acontecimentos reais, para dar maior consistência dramática aos espisódos. Nada que comprometa o resgate histórico do que de fato aconteceu. Foi uma sucessão de erros, principalmente envolvendo autoridades, que acabou colocando a vida dessa população em risco. E o mais triste é saber que houve mortes, inclusive de uma criança inocente que manipulou o Césio (elemento extremamente radioativa) em suas próprias mãos. É sempre necessário relembrar essa tragédia para que ela nunca mais venha a ocorrer novamente. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Mestres do Universo

Título no Brasil: Mestres do Universo
Título Original: Masters of the Universe
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Amazon
Direção: Travis Knight
Roteiro: Travis Knight, Aaron Nee
Elenco: Nicholas Galitzine, Jared Leto, Camila Mendes, Morena Baccarin, Idris Elba, Dolph Lundgren

Sinopse:
Após a tomada do poder em Eternia pelo vilão Esqueleto, o príncipe Adam é enviado para a Terra. Após muitos anos ele descobre que precisará voltar ao seu antigo lar, para restaurar a monaquia de seu pai, expulsando o mal supremo representado por Esqueleto e seus seguidores. 

Comentários:
Finalmente assisti e gostei! O filme sofreu inúmeras críticas desde que chegou aos cinemas. A bilheteria também não correspondeu às expectativas, mas agora a Amazon espera recuperar seu investimento no streaming. No fundo é a revitalização de uma antiga propriedade intelectual que, em um primeiro momento, dialoga com os cinquentões (que assistiam ao desenho nos anos 80) para só depois conquistar uma nova base de fãs para esse personagem (de preferência crianças). De minha parte não tenho o que reclamar. Eu me diverti muito e ao contrário de muitos não me incomodei com o humor do filme. É por aí mesmo, He-Man não é sagrado, é um personagem de cultura pop que vai sendo adaptado aos novos tempos. O filme é bem produzido, tem um visual colorido, cheio de personagens de desenho animado. Acertaram no alvo! Era justamente o que eu queria ver. Fiquei muito satisfeito com o resultado. 

Pablo Aluísio.

Homem de Guerra

Título no Brasil: Homem de Guerra
Título Original: Men of War
Ano de Lançamento: 1994
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Perry Lang
Roteiro: Stan Rogow, John Sayles
Elenco: Dolph Lundgren, Charlotte Lewis, BD Wong

Sinopse:
Veterano de guerra, ex-membro das forças especiais do exército americano, embarca em uma nova missão extremamente perigosa que deverá ser executada em uma região controlada a mão de ferro pelo exército da China. Em terreno inimigo ele vai descobrir que o mais importante passa a ser sobreviver naquele ambiente hostil. 

Comentários:
Os anos 90 foram bem ruins para os brutamontes dos anos 80. Principalmente para os que eram de terceiro escalão como o brucutu Dolph Lundgren. Eles foram perdendo totalmente a pouca relevância que tinham na década anterior. Seus filmes sequer eram lançados nos cinemas. Na maioria das vezes se limitavam a produções B que iam direto para as locadoras de vídeo. Esse filme aqui (é mais correto chamar de "fita") exemplifica mesmo essa situação. Sem muita qualidade, se limitava a tentar ressuscitar os filmes de "exército de um homem só" que tanto sucesso tinham feito nos anos 80. Só que nos anos 90 esse tipo de filme já era mesmo considerado algo ultrapassado. Sinal dos novos tempos. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A Casa dos Rituais Satânicos

Título no Brasil: A Casa dos Rituais Satânicos
Título Original: Madhouse
Ano de Lançamento: 1974
País: Reino Unido
Estúdio: Amicus Pictures
Direção: Jim Clark
Roteiro: Angus Hall, Ken Levison
Elenco: Vincent Price, Peter Cushing, Boris Karloff, Basil Rathbone, Robert Quarry

Sinopse:
Vincent Price interpreta um ator veterano. Ele construiu toda a sua carreira em clássicos filmes de terror, onde interpretava um personagem chamado Dr. Morte. Agora, anos depois, retorna ao mesmo papel em uma série de televisão. Seu retorno se deve unicamente a questões financeiras pois pessoalmente não queria voltar a fazer esse antigo monstro. Só que as coisas fogem do controle e várias atrizes que iriam trabalhar ao seu lado aparecem mortas. Pior do que isso, a Polícia de Londres acredita que ele seria o verdadeiro asassino!

Comentários:
Muito interessante esse filme. Na realidade é um bem bolado exercício de metalinguagem. Afinal o que temos aqui é Vincent Price interpretando... Vincent Price! E não está sozinho, vários astros do antigo terror clássico aparecem no filme, seja como coadjuvantes, seja em participações especiais, pontuais. Na questão medo e suspense, admito, o filme não é grande coisa. Envelheceu bastante, mas termos todos esses atores aqui, em um só filme, faz toda a diferença e compensa tudo. Todos eles veteranos, todos eles em participações que para muitos foi a despedida das telas de cinema. Além disso o filme aproveita também para, de certa maneira, homenagear o próprio Vincent Price, com cenas de seus antigos clássicos surgindo no decorrer da história. Como eu escrevi, seu personagem era inteiramente baseado em sua própria história e carreira. Enfim, um banquete de terror com velhos amigos. Assim poderia resumir esse terror já um tanto temporão, até fora de moda para a época em que foi lançado, mas que consegue se superar, sem perder totalmente seu charme de pura nostalgia de um passado que já não existia mais. 

Pablo Aluísio.

O Túmulo do Horror

Título no Brasil: O Túmulo do Horror
Título Original: La cripta e l'incubo
Ano de Lançamento: 1964
País: Itália, Espanha
Estúdio: EI Pictures
Direção: Camillo Mastrocinque
Roteiro: Tonino Valerii, Ernesto Gastaldi
Elenco: Christopher Lee, Adriana Ambesi, Ursula Davis, José Campos, Angela Minervini

Sinopse:
Christopher Lee interpreta um Conde, membro de uma antiga linhagem familiar da aristocracia mais poderosa de sua região. No passado uma de suas antepassadas havia sido queimada viva, acusada de bruxaria pela inquisição. Séculos depois começam a surgir certos fenômenos paranormais no velho castelo onde o nobre mora. Ele então decide contratar um especialista em história, arte e documentação antiga. Ele quer saber toda a verdade sobre a história de sua família pois se considera uma pessoa amaldiçoada. 

Comentários:
Curioso filme de terror italiano. Christopher Lee deu um tempo nos filmes de Conde Drácula em Londres e foi até o país europeu vizinho para rodar essa película. Ele voltou a interpretar um Conde, mas fiquem tranquilos, não era um vampiro, nem muito menos o próprio Drácula. Apenas um ser humano normal assombrado pelas velhas histórias de sua família, algumas bem terríveis. Sua filha parece estar sendo afetada pelo espírito de uma antepessada, uma mulher que teria sido acusada de bruxaria. Pois é, o filme assim caminha, abraçando mais o estilo dos antigos filmes de terror psicológico. Nada de grandes efeitos visuais ou sustos gratuitos. Nesse ponto apreciei o roteiro do filme pois ele é mesmo bem construído. Se o filme não é melhor, não é culpa do que foi escrito ou pensado pelos roteiristas, mas sim das próprias limitações do cinema da época, ainda bem analógico, socorrendo a luzes e sombras para assustar seu público. De certa maneira não deixava de ser uma maneira talentosa de superar os limites técnicos daquela época. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Pistoleiros do Entardecer

Pistoleiros do Entardecer
Grande filme. Esse western mostra muito bem a diferença que faz um grande diretor. Veja, tinha tudo para ser mais um faroeste de rotina da carreira de Randolph Scott mas isso seria óbvio demais. Sam Peckinpah consegue reverter certas máximas do gênero ao mesmo tempo em que é respeitoso à mitologia do velho oeste. Ao contrário de usar personagens que são indiscutivelmente mocinhos ou bandidos, o diretor coloca em cena sujeitos dúbios, que transitam entre cometer crimes ou protagonizar momentos de grande honra pessoal. É o caso de Gil Westrum (o último personagem da carreira de Randolph Scott que abandonaria o cinema logo após). Gil tem como objetivo roubar o ouro que foi contratado a transportar mas como acompanhamos no desenrolar do filme esse é apenas o ponto de partida de tudo o que acontecerá nas montanhas.

É bom frisar porém que a estética da violência que seria marca registrada do diretor ainda não está presente nesse filme, o que era de se esperar. Filmado na primeira metade dos anos 60 o cineasta ainda não havia levado às últimas consequências suas escolhas estéticas e cinematográficas. Mesmo assim o filme é surpreendentemente bem roteirizado, com um clímax excelente, de tirar o chapéu. No final quem melhor define a essência do filme é a personagem Elsa (interpretada pela atriz Meriette Hartley). Ela explica que sempre foi levada a crer que havia o bem e o mal absolutos na vida, mas que depois de tudo o que passou compreendeu que na vida há pessoas que transitam de um lado ao outro, em uma zona cinzenta, tal como os personagens desse western. Uma conclusão simplesmente perfeita.

Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country, Estados Unidos, 1962) / Direção: Sam Peckinpah / Roteiro:N.B. Stone Jr./ Com Randolph Scott, Joel McCrea, Mariette Hartley, Ron Starr e Edgar Buchanan / Sinopse: Um envelhecido ex-xerife, Steve Judd (Joel McCrea), é contratado para transportar uma remessa de ouro através de um território perigoso. Ele contrata um velho parceiro, Gil Westrum (Randolph Scott), e seu protegido, o jovem Heck Longtre (Ron Starr), para ajudá-lo. Porém Steve não imagina que Gil e Heck planejam roubar o ouro, com ou sem a ajuda dele.

Pablo Aluísio.

O Xerife do Oeste

O Xerife do Oeste
"O Xerife do Oeste" faz parte da última fase da carreira do ator John Wayne. É um dos últimos trabalhos do Duke. O fato é que Wayne se recusava a se aposentar pois acreditava que a aposentadoria acabaria com ele. Além disso sempre afirmava que iria trabalhar até o final de seus dias pois era a única coisa que sabia fazer na vida. Ostracismo, nem pensar. Curiosamente mesmo já envelhecido, beirando os 70 anos, o ator ainda conseguia passar carisma e prender a atenção do espectador, arrecadando boas bilheterias, isso em uma época em que o western já mostrava claros sinais de esgotamento. "O Xerife do Oeste", também conhecido como "Cahill" repete de certa forma os velhos clichês do gênero. John Wayne sabia o que o público queria dele e procurava não inventar muito. Assim ele fez questão de realizar mais um faroeste ao velho estilo, com o roteiro que poderia muito bem ter sido escrito nos anos 50. E quando digo "realizar" não é força de expressão, o filme é dele, foi produzido por seu filho, Michael Wayne, e a produção contou com dinheiro saído do próprio bolso do ator. Alguns estudiosos da carreira de John Wayne inclusive vão mais longe e afirmam que diretor apenas assinou pois foi Wayne quem realmente dirigiu as cenas.

Tanto empenho pessoal valeu a pena. "Cahill" é o que eu chamo de um produto honesto. Os fãs de John Wayne receberam justamente aquilo que esperavam, ou seja, o velho cowboy ainda liquidando seus inimigos sem fazer muita força (e sem despentear a peruca impecável), um vilão asqueroso (o ótimo George Kennedy, velho companheiro de Wayne dos filmes antigos) e um pouco de humor em pequenas pitadas aqui e ali. Só não gostei muito do final, que tem um moralismo um tanto quanto questionável. Mas isso é o de menos, "O Xerife do Oeste" vale a pena, principalmente para quem quer matar saudades do antigo astro de Hollywood. A lenda do velho oeste vive!

O Xerife do Oeste (Cahill U.S. Marshal, Estados Unidos, 1973) / Direção: Andrew V. McLaglen / Com John Wayne, George Kennedy e Gary Grimes / Sinopse: De volta a sua cidade, o xerife (John Wayne) encontra dois de seus assistentes mortos num assalto e na cadeia quatro presos, entre eles seu filho, acusados de ter participado da chacina. O obstinado agente da justiça passa a perseguir um grupo de bandidos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O Manto Sagrado

O Manto Sagrado
Clássico filme épico, passado nos tempos da Roma Antiga. Na história, o tribuno romano Marcellus Gallio (Richard Burton) acaba tendo um um atrito, em um leilão de escravos, com o futuro imperador Calígula (Jay Robinson). Como punição, ele é então enviado para a distante Judéia, onde começa a prestar serviço militar na cidade de Jerusalém, durante a Páscoa. Lá acaba tomando contato com o turbulento quadro político local, onde o povo judeu espera por um Messias que o libertará do poder do Império Romano. Ao lado de seu escravo Demetrius (Victor Mature), acaba participando da crucificação de um homem chamado Jesus que se diz filho de Deus. Após sua morte na cruz, ele ganha seu manto em um jogo de dados. O contato com a relíquia e a mensagem do Nazareno porém mudará completamente sua vida.

"O Manto Sagrado" pode ser analisado sobre três pontos de vista diferentes. Você pode assistir sob um aspecto religioso, histórico ou cinematográfico. Sob o ponto de vista religioso é uma obra bem intencionada, que procura mostrar o surgimento do cristianismo logo nos primeiros meses após a morte de Jesus Cristo. A mensagem em si, de não violência, de renúncia, inclusive da vida, como vemos nos casos dos mártires que se recusam a negar Cristo em troca de não serem condenados à morte, são relevantes e pertinentes. A figura de Pedro surge também bem fiel aos escritos e tradições dos primeiros anos da nova fé. Assim olhando puramente a mensagem que o filme tenta passar ao seu público, não há o que criticar.

O fato porém é que nem só de boas intenções pode viver o cinema. Assim temos que analisar a produção também sob o ponto de vista da história e nesse aspecto não há como negar que o roteiro apresenta várias falhas. Só para citar um exemplo, temos uma cena em que o próprio Imperador Tibério recebe a notícia da morte de um suposto Messias em Jerusalém e fica bastante abalado com o fato. Chega ao ponto de fazer um pequeno discurso sobre o perigo da nova fé que poderia destruir os alicerces da sociedade romana como um todo! Ora, historiadores concordam que Tibério sequer tomou conhecimento da existência de Jesus, já que até sua morte o cristianismo ainda não tinha tomado as proporções que iriam atingir em épocas posteriores, como a de Nero. Na verdade, como se trata de um romance apenas inspirado em fatos históricos, temos que esperar por esse tipo de licença poética, onde personagens que realmente existiram surgem em cenas de pura ficção.

Finalmente, sob o ponto de vista puramente cinematográfico, não há do que reclamar. "O Manto Sagrado" é um típico épico feito em Hollywood dos anos 1950, com cenas grandiosas, impactantes, muito luxo no figurino e um texto sentimental, que não tem vergonha de ser piegas em certos momentos. Há uma clara tentativa do roteiro em agradar diversos públicos, pois ao lado do sentimento religioso temos também um pouco de romance e aventura. A ação surge principalmente na cena em que os homens de Marcellus Gallio tentam libertar Demetrius das masmorras do Império e na perseguição de cavalos logo após. Além disso temos também nuances do debate político que imperava naqueles tempos antigos. O mais importante porém é que essa produção é uma ótima forma de conhecer o tipo de entretenimento, com verniz religioso, que fazia sucesso nos cinemas dos anos 1950. O público adorava esse tipo de filme. O lançamento de cada produção desse estilo rendia ótimas bilheterias em todo o mundo.

O Manto Sagrado (The Robe, Estados Unidos, 1953) Estúdio: 20th Century-Fox / Direção: Henry Koster / Roteiro: Albert Maltz, Philip Dunne, baseados na obra de Lloyd C. Douglas / Elenco: Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, Jay Robinson / Sinopse: Romano, enviado para uma distante província do império como punição, acaba vivenciando a crucificação, morte e ressurreição de um judeu conhecido como Jesus de Nazaré. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor ator (Richard Burton) e melhor direção de fotografia (Leon Shamroy). Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor figurino (Charles Le Maire, Emile Santiago) e melhor direção de arte (Lyle R. Wheeler, George W. Davis). Filme premiado pelo Globo de Ouro na categoria de melhor filme - drama.

Pablo Aluísio.

O Ladrão de Bagdá

Título no Brasil: O Ladrão de Bagdá
Título Original: The Thief of Bagdad
Ano de Produção: 1940
País: Inglaterra, Estados Unidos
Estúdio: Alexander Korda Films
Direção: Ludwig Berger, Michael Powell
Roteiro: Miles Malleson, Lajos Biró
Elenco: Conrad Veidt, Sabu, June Duprez, John Justin, Rex Ingram, Miles Malleson, Morton Selten

Sinopse:
Depois de ser enganado e expulso de Bagdá pelo malvado Jaffar, o rei Ahmad decide unir suas forças com um ladrão chamado Abu para recuperar seu trono, a cidade e a princesa que ama.

Comentários:
Esse filme "O Ladrão de Bagdá" até hoje impressiona por sua boa produção. Em um tempo em que a tecnologia de efeitos especiais ainda era muito rudimentar, eles ousaram fazer um filme que era pura fantasia, com os principais personagens dos contos da mil e uma noites. E o resultado ficou muito bom. Para se ter uma ideia o filme tem cenas extremamente bem realizadas, com cavalos voadores, um gênio da lâmpada gigante, aranhas imensas, etc. Tudo para a alegria da garotada dos anos 1940. Na literatura todos esses personagens não interagiam nas mesmas histórias, mas os roteiristas do filme decidiram pincelar o melhor deles para colocar em um mesmo enredo. Funcionou muito bem na sétima arte. Por fim é importante salientar que essa produção acabou sendo uma das mais influentes da época, dando origem, por exemplo, a uma série de filmes sobre o marujo Simbad, isso sem contar com o gênero de fantasia como um todo.

Pablo Aluísio.

domingo, 2 de agosto de 2026

Elvis Presley - Elvis For Everyone

Elvis Presley - Elvis For Everyone
Lançado em 10 de agosto de 1965, Elvis for Everyone! foi um dos álbuns mais peculiares da carreira de Elvis Presley. Apesar do título sugerir um novo trabalho de estúdio cuidadosamente planejado, o disco foi, na realidade, uma coletânea de gravações inéditas realizadas entre 1960 e 1964 para diferentes projetos. A RCA Victor reuniu canções que haviam permanecido arquivadas durante os anos em que Elvis dividia seu tempo entre a carreira musical e as produções cinematográficas em Hollywood. O álbum apresenta uma grande variedade de estilos, passando pelo rock and roll, country, gospel, rhythm and blues e baladas românticas, evidenciando a extraordinária versatilidade vocal do cantor. Embora não possuísse a unidade artística de outros trabalhos de sua discografia, Elvis for Everyone! demonstrou que Presley mantinha um elevado padrão de qualidade mesmo em gravações originalmente deixadas de lado. Em uma fase em que sua produção musical era frequentemente ofuscada pelos filmes, o álbum serviu para lembrar ao público a força de Elvis como intérprete.

A recepção crítica foi positiva, embora muitos jornalistas tenham observado a natureza incomum do projeto. A Billboard destacou que o disco reunia "material de excelente qualidade", afirmando que mesmo as gravações não lançadas anteriormente revelavam um Elvis em ótima forma vocal. A Cash Box elogiou a diversidade do repertório, observando que o álbum oferecia uma visão abrangente das diferentes facetas musicais do cantor. A Variety ressaltou que a coletânea confirmava a consistência artística de Presley, capaz de interpretar com igual competência baladas, músicas country e canções de rock. Embora algumas críticas mencionassem a ausência de um conceito unificador, a maioria reconheceu que a qualidade individual das faixas compensava essa característica.

Os grandes jornais americanos também analisaram o lançamento. O The New York Times observou que Elvis for Everyone! demonstrava "a impressionante capacidade de Presley de transformar qualquer canção em uma interpretação pessoal e convincente". O Los Angeles Times destacou que o álbum permitia ao público ouvir gravações até então desconhecidas, revelando aspectos pouco explorados da produção musical de Elvis no início da década de 1960. Décadas depois, a Rolling Stone revisitou o disco e observou que muitas das músicas ali presentes possuíam qualidade suficiente para terem integrado álbuns de estúdio convencionais. Os especialistas também ressaltaram que o trabalho oferece uma interessante visão do processo criativo e das sessões de gravação do cantor durante esse período de sua carreira.

Comercialmente, Elvis for Everyone! obteve um desempenho sólido. O álbum alcançou a 10ª posição na Billboard Top LPs, demonstrando que Elvis continuava sendo um dos artistas mais populares dos Estados Unidos mesmo diante da crescente popularidade da chamada Invasão Britânica, liderada por bandas como os Beatles. As vendas foram consistentes e garantiram ao disco certificação de ouro pela Recording Industry Association of America anos mais tarde. Embora nenhum grande single tenha sido lançado para promover o álbum, sua boa aceitação comercial confirmou a fidelidade do público de Elvis, que continuava adquirindo seus discos em grande quantidade. O sucesso também mostrou que havia forte interesse por material inédito do cantor, mesmo quando proveniente de sessões realizadas anos antes.

O legado de Elvis for Everyone! tornou-se mais evidente com o passar do tempo. Atualmente, especialistas consideram o álbum uma importante coletânea de gravações que documentam a excelente fase vocal de Elvis entre 1960 e 1964. Para historiadores da música, o disco oferece uma oportunidade rara de conhecer faixas que permaneceram inéditas durante vários anos, muitas delas revelando interpretações de alto nível artístico. Entre os fãs, o álbum é valorizado justamente por apresentar um Elvis menos associado aos filmes e mais concentrado em sua capacidade como cantor. Embora não seja geralmente citado entre seus trabalhos mais famosos, Elvis for Everyone! ocupa um lugar respeitado em sua discografia por preservar um conjunto de gravações que enriquecem a compreensão da evolução musical de Elvis Presley durante a primeira metade da década de 1960.

Elvis Presley – Elvis for Everyone! (1965)
Your Cheatin' Heart
Summer Kisses, Winter Tears
Finders Keepers, Losers Weepers
In My Way
Tomorrow Night
Memphis, Tennessee
For the Millionth and the Last Time
Forget Me Never
Sound Advice
Santa Lucia
I Met Her Today
When It Rains, It Really Pours

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

The Beach Boys - Pet Sounds

The Beach Boys - Pet Sounds
Lançado em 16 de maio de 1966, Pet Sounds é o décimo primeiro álbum de estúdio de The Beach Boys e é amplamente reconhecido como uma das maiores obras-primas da história da música popular. Idealizado principalmente por Brian Wilson, o disco marcou uma ruptura com a imagem da banda associada às praias, ao surfe e aos carros, apresentando um trabalho profundamente introspectivo e sofisticado. Enquanto o restante do grupo realizava turnês, Brian Wilson permaneceu em Los Angeles dedicando-se integralmente às gravações, utilizando músicos de estúdio conhecidos como The Wrecking Crew para construir arranjos extremamente elaborados. As letras, escritas em grande parte por Tony Asher, abordam temas como amadurecimento, insegurança, amor e solidão, fugindo completamente dos assuntos tradicionais do grupo. O resultado foi um álbum inovador, que expandiu os limites da música pop e exerceu enorme influência sobre toda a produção musical das décadas seguintes.

A recepção crítica inicial foi bastante positiva, embora nem todos os críticos compreendessem imediatamente a dimensão de sua inovação. A Billboard elogiou a qualidade excepcional da produção e destacou a riqueza dos arranjos vocais e instrumentais. A Cash Box classificou o disco como um trabalho de grande refinamento artístico, observando que Brian Wilson havia elevado o padrão das gravações pop. No Reino Unido, a New Musical Express (NME) recebeu o álbum com enorme entusiasmo, considerando-o uma das gravações mais importantes da década. Anos depois, a Rolling Stone descreveria Pet Sounds como "um dos maiores álbuns já produzidos", elogiando sua combinação de emoção, experimentação sonora e perfeição técnica. Muitos críticos passaram a considerá-lo o momento em que a música pop alcançou um novo nível de sofisticação artística.

Os grandes jornais também reconheceram sua importância. O The New York Times destacou que Brian Wilson havia criado "uma obra profundamente pessoal e musicalmente revolucionária", chamando atenção para a utilização inovadora de instrumentos pouco convencionais no pop, como sinos, bicicletas, latas e instrumentos de sopro. O Los Angeles Times ressaltou a delicadeza das harmonias vocais e a extraordinária qualidade das composições. Décadas depois, a The New Yorker afirmou que Pet Sounds "mudou definitivamente a maneira como um álbum pop poderia ser concebido", observando que sua influência ultrapassou o rock e alcançou praticamente todos os gêneros da música popular. O próprio Paul McCartney declarou diversas vezes que Pet Sounds foi uma das principais inspirações para a criação de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, considerando "God Only Knows" uma das mais belas canções já escritas.

Comercialmente, Pet Sounds teve desempenho sólido, embora inicialmente abaixo das expectativas da gravadora nos Estados Unidos. O álbum alcançou a décima posição na Billboard 200 e vendeu bem no mercado americano, mas seu maior impacto ocorreu no Reino Unido, onde chegou ao segundo lugar da parada de álbuns. Ao longo das décadas, suas vendas cresceram continuamente, ultrapassando vários milhões de cópias em todo o mundo e recebendo múltiplas certificações de ouro e platina. Singles como "Wouldn't It Be Nice", "Sloop John B" e "God Only Knows" tornaram-se grandes sucessos internacionais e permanecem entre as músicas mais populares dos Beach Boys. Embora não tenha sido o maior sucesso comercial da banda em seu lançamento, o álbum consolidou Brian Wilson como um dos produtores e compositores mais inovadores da música do século XX.

O legado de Pet Sounds é simplesmente extraordinário. Considerado por inúmeros críticos, músicos e historiadores como um dos maiores álbuns de todos os tempos, ele transformou a maneira como artistas passaram a encarar o LP como uma obra artística completa, e não apenas como uma coleção de singles. Sua influência pode ser percebida em artistas tão diversos quanto os Beatles, Pink Floyd, Radiohead e inúmeras gerações de compositores e produtores. Em diversas listas publicadas pela Rolling Stone e por outras revistas especializadas, Pet Sounds figura constantemente entre os maiores discos da história da música. Para os fãs, representa o auge criativo de Brian Wilson e o momento em que os Beach Boys transcenderam definitivamente os limites do surf rock para criar uma obra-prima universal. Quase seis décadas após seu lançamento, Pet Sounds continua sendo referência obrigatória para qualquer estudo sobre a evolução da música popular.

The Beach Boys – Pet Sounds (1966)
Wouldn't It Be Nice
You Still Believe in Me
That's Not Me
Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder)
I'm Waiting for the Day
Let's Go Away for Awhile
Sloop John B
God Only Knows
I Know There's an Answer
Here Today
I Just Wasn't Made for These

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

sábado, 1 de agosto de 2026

O Retorno

O Retorno
Já que a Odisséia de Homero está em alta, pelo menos no mundo cinematográfico, quero deixar a dica desse excelente filme. Também é baseado naquela obra imortal, mas ao invés de tentar contar todo o enredo, se concentra na volta do herói Odisseu ao seu lar, após dez anos de sua partida. Quando foi embora para lutar na Guerra de Troia era um homem glorioso, liderando um imenso exército. Rei, estava no pico de sua glória pessoal. Era uma figura lendária, mitológica, imperial. Todos o admiravam, se curvando quando ele passava. 

Quando o filme começa encontramos o antigo herói desmaiado na costa de sua ilha. É uma ruína humana. Destroçado tanto psicologicamente como fisicamente. Nenhum sinal de seu outrora imponente exército. Apenas ele retornou, em frangalhos, vestindo trapos corroídos pelo tempo e pelo mar. As pessoas que passam por ele acreditam que é apenas um mendigo vagando em busca de alguma comida. Ninguém o reconhece. Sua rainha agora está assolada em seu próprio palácio em ruínas, cercada por todos os tipos de vigaristas e bandidos. Todos querem se casar com ela, não por amor ou admiração, mas sim para roubar sua nobreza e o que restou de uma riqueza monárquica decadente que ficou no passado. 

Obviamente esse filme não tem a cara produção do recente filme de Nolan. E nem deseja isso. O que vale aqui é um estilo cru, bem realista. O que vemos em tela não é uma super produção de Hollywood. Ao invés disso temos uma crônica muito humana de um homem que retorna a um passado que já não mais existe. A guerra parece ter levado tudo, sua fortuna, seu prestígio e sua própria dignidade pessoal. É um roteiro focado no drama humano e não no espetáculo visual. É o realismo de uma comunidade que viveu há milênios, com todo o seu primitivismo recriado em cada tomada. Tudo muito visceral, cru, realista! E aqui deixo meus aplausos para a interpretação de Ralph Fiennes como o velho Odisseu. Que ator, senhoras e senhores! Seu trabalho é simplesmente grandioso nesse filme! Ele é alma pulsante de cada momento. Enfim, achei uma obra-prima cinematográfica. Merecia ser mais reconhecido. É sem dúvida um filmaço! 

O Retorno (The Return, Reino Unido, Itália, Grécia, França, 2024) Direção: Uberto Pasolini / Roteiro: John Collee, Edward Bond, Uberto Pasolini / Elenco: Ralph Fiennes, Juliette Binoche, Charlie Plummer, Marwan Kenzari / Sinopse: Após ficar dez anos fora, participando da Guerra de Troia e de uma viagem de retorno que não parecia mais ter fim, o velho Rei Odisseu está de volta ao seu lar, mas não mais como aquele guerreiro heróico que um dia partiu de suas praias, mas sim como um homem destruído, destroçado pela guerra, tanto psicologicamente como fisicamente. Baseado na obra A Odisseia de Homero. 

Pablo Aluísio. 

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho 
Superficialmente poderia definir esse filme como um musical ambientado nos anos 60, com personagens de pura ficção. Só que essa definição seria muito simplória. Na realidade o que temos aqui são personagens espelhados em artistas reais da gravadora Motown. Esse selo foi um dos mais importantes da história da música popular dos Estados Unidos. Revelou uma incrível geração de grandes artistas, inclusive a família Jackson, Marvin Gaye, as Supremes, Stevie Wonder e Diana Ross. Nunca houve nada parecido na cultura daquele país. Foi um momento único e singular na história. 

Assim o filme vai contando sua história, sempre usando essa referência. Por exemplo, o personagem de Eddie Murphy é claramente inspirado em Marvin Gaye. O trio de vocalistas negras que sonham com a fama e o sucesso não deixa de ser as Supremes e por aí vai. A trilha sonora do filme, como era de se esperar, é excelente! Só que eu pessoalmente preferia que trouxessem as músicas originais da Motown. Isso iria transformar esse musical não apenas em um bom filme, mas em uma verdadeira obra-prima. 

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, Estados Unidos, 2006) Direção: Bill Condon / Roteiro: Tom Eyen, Bill Condon / Elenco: Beyoncé, Jamie Foxx, Eddie Murphy, Danny Glover, Jennifer Hudson / Sinopse: Um trio de talentosas cantoras tenta abrir seu próprio caminho rumo ao sucesso dentro do cenário musical dos Estados Unidos durante a década de 1960. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor atriz coadjuvante (Jennifer Hudson) e Melhor mixagem de som. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Excalibur

Excalibur
Nessa semana resolvi rever esse que já pode ser considerado um clássico dos anos 80. Fazia, no minimo, uns 30 anos que tinha visto pela última vez. Em minha memória afetiva havia a lembrança de um filme até meio surreal, diria quase psicodélico, bem fantasioso. Bem, naquele tempo ainda não existia os filmes de "O Senhor dos Anéis" e nem "Harry Potter", então um filme com esse tipo de clima soava dessa maneira mesmo. Revendo agora, depois de tantos filmes de fantasia, já não achei tão fora da curva assim. Pelo contrário, o filme me pareceu ter uma narrativa até bem conservadora e convencional. 

Bom, para quem nunca viu, esse filme é mais uma versão da lenda do Rei Arthur e seus cavaleiros da távola redonda. Está tudo lá, na história do filme, que tenta compilar séculos de lendas, mitos e cantos de trovadores medievais. O Rei Arthur nunca existiu. É um símbolo do que seria um monarca justo, honesto e íntegro. Naqueles tempos havia muitos tiranos sanguinários se sucedendo no trono da Inglaterra. Então, dentro da própria cultura popular, nasceu esse Rei de contos de fadas, o Rei ideal que o povo esperava um dia subir ao trono. E há muitas semelhanças também com a própria história do Cristo, como os cavaleiros que seguiam seu mestre, sendo um deles um traidor desonrado. 

Para quem conhece a jornada do herói de Arthur sabe muito bem que um dos principais personagens em sua mitologia é a do Mago Merlin. Nele encontrei uma das falhas do filme. Eu não gostei nem do visual de Merlin nesse filme e nem de sua construção dramática. Merlin não traz a imagem de um homem velho com chapéu de bruxo, como estamos acostumados a ver em outras adaptações. Ele é um homem bem mais jovem, com um elmo dourado esquisito na cabeça. Além disso oscila entre ser um mago com vários poderes mágicos e um ser humano com várias fragilidades. Achei o roteiro indeciso nesse aspecto. Agora, surpresa você terá mesmo com a atriz Helen Mirren. Provavelmente você não a reconhecerá! Ela está jovem e sensual no filme, usando trajes sumários ao interpretar Morgana, uma aprendiz tóxica e perversa de Merlin. Enfim, apreciei o filme, apesar de apresentar também pequenas falhas. É um filme produzido numa era analógica do cinema, então não espere por grandes efeitos visuais. Ainda assim, é um filme que resistiu bravamente ao passar do tempo. Merece ser redescoberto. 

Excalibur, a Espada do Poder (Excalibur, Reino Unido, Estados Unidos, 1981) Direção: John Boorman / Roteiro: John Boorman, Thomas Malory / Elenco: Nigel Terry, Nicholas Clay, Nicol Williamson, Helen Mirren, Gabriel Byrne, Cherie Lunghi / Sinopse: Ao retirar a lendária espada Excalibur de uma rocha, um jovem rapaz chamado Arthur se torna o Rei da Inglaterra. Ele forma um grupo de jovens cavaleiros honrados ao seu redor, se destacando Lancelot. Juntos espalham justiça em todo o reino. Só que sua trajetória também será marcada pela traição daqueles em quem mais confiou. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Homem-Aranha: Um Novo Dia

Homem-Aranha: Um Novo Dia 
Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day) tem estreia marcada para 31 de julho de 2026 nos Estados Unidos (29 de julho no Brasil), sendo o quarto filme do Homem-Aranha estrelado por Tom Holland dentro do Universo Cinematográfico Marvel. A direção é de Destin Daniel Cretton, conhecido por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, enquanto o roteiro é assinado por Chris McKenna e Erik Sommers, responsáveis pelos três filmes anteriores do herói no MCU. A produção é uma parceria entre a Marvel Studios e a Sony Pictures, com Kevin Feige e Amy Pascal novamente à frente da franquia. Além de Holland, retornam Zendaya, Jacob Batalon e Mark Ruffalo, enquanto Sadie Sink, Jon Bernthal, Michael Mando e Tramell Tillman integram o elenco principal. O filme dá continuidade aos acontecimentos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, quando o feitiço do Doutor Estranho apagou da memória de todos a identidade de Peter Parker. Agora vivendo anonimamente em Nova York, Peter tenta equilibrar sua vida universitária com a atuação como Homem-Aranha em tempo integral, mas uma nova ameaça o obriga a enfrentar perigos ainda maiores, enquanto passa por uma misteriosa transformação em seus próprios poderes.

Como o filme chega aos cinemas apenas agora, ainda não existe um consenso consolidado da crítica especializada. Entretanto, as primeiras impressões publicadas por veículos norte-americanos após as sessões de imprensa têm sido bastante positivas. A Entertainment Weekly destacou que o longa representa "um novo começo" para Peter Parker e elogiou a abordagem mais intimista adotada por Destin Daniel Cretton. Segundo entrevistas concedidas por Tom Holland, Zendaya e os produtores Kevin Feige e Amy Pascal, a intenção foi produzir uma história mais centrada no personagem do que nos grandes eventos do multiverso. O elenco também afirmou que este é "o olhar mais íntimo sobre Peter Parker já visto no cinema", enfatizando o amadurecimento emocional do protagonista. As primeiras análises elogiam especialmente a química entre os atores, o equilíbrio entre ação e drama e a nova direção criativa da franquia, embora avaliações completas dos principais jornais americanos ainda estejam sendo publicadas devido à proximidade da estreia.

Na Europa, a expectativa também é elevada, especialmente depois das primeiras exibições para a imprensa. A cobertura inicial destaca que o filme procura inaugurar uma nova fase para o Homem-Aranha dentro do MCU, afastando-se parcialmente das histórias baseadas no multiverso e concentrando-se novamente em Nova York e em conflitos mais pessoais. Grande parte da atenção da imprensa tem recaído sobre a participação de Sadie Sink, cujo papel permaneceu em segredo durante quase toda a campanha de divulgação. Kevin Feige afirmou que sua escalação foi decisiva para consolidar um personagem importante da história, embora sua identidade continue cercada de mistério. O filme ainda não participou da temporada de premiações, razão pela qual não possui indicações ao Oscar, Globo de Ouro ou outros grandes prêmios, algo natural para uma produção recém-lançada.

Como a estreia ocorreu apenas recentemente, os resultados comerciais ainda estão em formação. A expectativa da Sony Pictures e da Marvel Studios é bastante elevada, considerando o enorme sucesso dos três filmes anteriores estrelados por Tom Holland, especialmente Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, que ultrapassou US$ 1,9 bilhão em bilheteria mundial. As primeiras sessões registraram forte procura, impulsionadas pela popularidade do personagem e pela intensa campanha de marketing. Analistas do mercado acreditam que Homem-Aranha: Um Novo Dia tem potencial para figurar entre as maiores bilheterias de 2026, embora ainda seja cedo para determinar seu desempenho final nos Estados Unidos e no mercado internacional. Da mesma forma, a reação do público começa a ser medida por pesquisas de satisfação e pelas primeiras avaliações dos espectadores, que tendem a ser bastante favoráveis, mas ainda não representam um consenso definitivo.

Por ser um filme recém-lançado, ainda não é possível avaliar seu impacto definitivo dentro do gênero de super-heróis. No entanto, especialistas consideram que Homem-Aranha: Um Novo Dia possui grande potencial para inaugurar uma nova trilogia protagonizada por Tom Holland, explorando uma fase mais adulta de Peter Parker após os acontecimentos de Sem Volta para Casa. A presença de novos personagens, a promessa de conflitos inéditos e as declarações de Kevin Feige sobre o futuro do herói indicam que este poderá ser apenas o primeiro capítulo de uma nova etapa do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel. Além disso, a Marvel já confirmou que existem planos para introduzir futuramente Miles Morales em live-action, o que amplia ainda mais as possibilidades narrativas da franquia.

Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day, Estados Unidos, 2026) Direção: Destin Daniel Cretton / Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers, baseado no personagem criado por Stan Lee e Steve Ditko / Elenco: Tom Holland, Zendaya, Sadie Sink, Jacob Batalon, Jon Bernthal e Mark Ruffalo. / Sinopse: Após todos esquecerem sua verdadeira identidade, Peter Parker tenta reconstruir sua vida enquanto enfrenta uma nova ameaça que coloca em risco seu futuro e o obriga a aceitar um novo papel como o protetor solitário de Nova York.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

terça-feira, 28 de julho de 2026

Avatar: O Caminho da Água

Avatar: O Caminho da Água
Avatar: O Caminho da Água estreou mundialmente em 16 de dezembro de 2022, marcando o aguardado retorno do diretor James Cameron ao universo de Pandora, treze anos após o lançamento do primeiro Avatar (2009). Produzido pela 20th Century Studios em parceria com a Lightstorm Entertainment, o filme representou um dos projetos mais ambiciosos da história do cinema, utilizando tecnologias inéditas de captura de movimento subaquática e efeitos visuais de última geração, desenvolvidos ao longo de vários anos. O elenco principal reuniu o retorno de Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Joel David Moore, CCH Pounder e Giovanni Ribisi, além da entrada de Kate Winslet, Cliff Curtis, Edie Falco, Jemaine Clement e Brendan Cowell. Cameron passou mais de uma década aperfeiçoando o roteiro e planejando simultaneamente diversas continuações, transformando a produção em um enorme empreendimento técnico e artístico. A história acompanha Jake Sully e Neytiri vivendo com seus filhos nas florestas de Pandora até que o retorno do coronel Quaritch, agora em um corpo Na'vi recombinante, obriga a família a fugir para os oceanos do planeta. Refugiados entre o povo Metkayina, eles precisam aprender uma nova forma de viver enquanto enfrentam novamente a ameaça da exploração humana, em uma aventura que mistura ação, drama familiar, preservação ambiental e espetaculares batalhas marítimas.

A recepção da crítica norte-americana foi amplamente positiva, embora alguns veículos tenham ressaltado que a narrativa era menos inovadora do que a tecnologia empregada na produção. O The New York Times elogiou a grandiosidade visual do filme, afirmando que James Cameron havia criado "um espetáculo de rara beleza que redefine novamente o cinema de grande escala". A Variety destacou que o diretor "continua sendo o maior cineasta de espetáculos do planeta", enfatizando a impressionante construção do universo aquático de Pandora. O Los Angeles Times escreveu que a experiência era "deslumbrante do começo ao fim", mesmo observando que a história seguia uma estrutura relativamente convencional. Já a revista Premiere considerou que Cameron havia elevado os padrões da produção digital contemporânea, enquanto críticas publicadas na The New Yorker reconheceram a excelência técnica, embora apontassem que o longa dedicava muito tempo à contemplação visual em detrimento do desenvolvimento dramático. No geral, predominou a percepção de que Avatar: O Caminho da Água representava um marco tecnológico capaz de justificar plenamente sua longa espera.

Na Europa, a recepção foi igualmente bastante favorável. No Reino Unido, jornais como The Guardian, The Daily Telegraph e The Times elogiaram a monumental direção de James Cameron e a experiência proporcionada nas salas IMAX e em 3D. O The Guardian descreveu a obra como "um triunfo visual extraordinário", enquanto o The Daily Telegraph afirmou que Cameron permanecia "o mestre absoluto do blockbuster moderno". Na França, veículos como Le Monde, Le Figaro e Cahiers du Cinéma destacaram especialmente o refinamento artístico das imagens submarinas e a ambição da produção, ainda que alguns críticos franceses observassem que o roteiro seguia caminhos previsíveis. O filme recebeu diversas indicações importantes durante a temporada de premiações, incluindo quatro indicações ao Oscar, vencendo o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. Também foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor para James Cameron, além de conquistar várias indicações ao BAFTA e a importantes premiações técnicas da indústria cinematográfica.

Com um orçamento estimado entre US$ 350 milhões e US$ 460 milhões, Avatar: O Caminho da Água tornou-se uma das produções mais caras da história do cinema. Apesar das dúvidas iniciais sobre sua capacidade de repetir o sucesso do primeiro filme, o longa rapidamente transformou-se em um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos arrecadou aproximadamente US$ 684 milhões, enquanto o mercado internacional respondeu por cerca de US$ 1,64 bilhão, levando sua bilheteria global a ultrapassar US$ 2,32 bilhões. O filme encerrou sua carreira como a terceira maior bilheteria da história do cinema naquele momento, atrás apenas de Avatar e Vingadores: Ultimato. Além do enorme sucesso financeiro, a reação do público foi extremamente positiva, refletida nas excelentes avaliações do CinemaScore, nas altas notas em plataformas de avaliação e na forte permanência nas salas durante várias semanas. O desempenho confirmou que o interesse pelo universo criado por James Cameron permanecia extremamente elevado, garantindo imediatamente a continuidade da franquia.

Por se tratar de uma produção relativamente recente, ainda é cedo para definir completamente seu legado histórico, mas o consenso atual é de que Avatar: O Caminho da Água consolidou novamente James Cameron como um dos maiores realizadores de espetáculos cinematográficos da história. O filme continua sendo frequentemente citado como referência absoluta em efeitos visuais, captura de movimento, fotografia digital e exibição em alta resolução. Muitos analistas consideram que sua influência tecnológica será percebida por muitos anos na indústria cinematográfica, especialmente no desenvolvimento de novas técnicas de filmagem subaquática e de animação digital hiper-realista. Além disso, seu extraordinário desempenho comercial praticamente eliminou qualquer dúvida sobre o potencial de longo prazo da franquia Avatar. As sequências planejadas por Cameron passaram a ser vistas como alguns dos projetos mais aguardados do cinema mundial, demonstrando que Pandora continua exercendo enorme fascínio sobre o público de diferentes gerações.

Avatar: O Caminho da Água (Avatar: The Way of Water, Estados Unidos, 2022) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver, baseado nos personagens criados por James Cameron / Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet e Cliff Curtis. / Sinopse: Anos após derrotar a invasão humana, Jake Sully e sua família buscam refúgio entre um clã oceânico de Pandora enquanto enfrentam o retorno de antigos inimigos e lutam para proteger seu novo lar.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Moana

Título no Brasil: Moana
Título Original: Moana
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Walt Disney Pictures
Direção: Thomas Kail
Roteiro: Jared Bush (baseado na animação de 2016)
Elenco: Catherine Lagaʻaia, Dwayne Johnson, John Tui, Frankie Adams, Rena Owen.

Sinopse:
Dez anos após o lançamento da animação original, a Disney levou Moana para o formato live-action, recontando a história da jovem filha do chefe da ilha de Motunui. Escolhida pelo Oceano para restaurar o equilíbrio da natureza, Moana parte em uma perigosa viagem além dos recifes de sua ilha. Em sua jornada, ela reencontra o semideus Maui, que mais uma vez é interpretado por Dwayne Johnson, repetindo o papel que dublou na animação de 2016. Juntos, enfrentam monstros marinhos, tempestades e antigas divindades do Pacífico para devolver o Coração de Te Fiti ao seu lugar de origem. Embora siga de perto a narrativa da animação, o filme amplia diversos momentos dramáticos e utiliza cenários naturais e efeitos visuais para apresentar uma versão mais realista da aventura. Catherine Lagaʻaia, atriz australiana de ascendência samoana, assume o papel de Moana, enquanto Auliʻi Cravalho, voz original da personagem, participa como produtora executiva e interpreta uma nova canção durante os créditos finais.

Comentários:
A versão em live-action de Moana estreou cercada de enorme expectativa, mas dividiu profundamente a crítica americana. Muitos jornalistas elogiaram o compromisso da Disney em escalar um elenco formado majoritariamente por atores das ilhas do Pacífico e destacaram a autenticidade cultural presente na produção. Catherine Lagaʻaia recebeu elogios praticamente unânimes por sua interpretação carismática e por conseguir imprimir personalidade própria à heroína sem tentar imitar Auliʻi Cravalho. Dwayne Johnson também foi apontado como um dos destaques do filme, demonstrando o mesmo carisma que havia marcado sua participação na animação. Entretanto, diversos críticos consideraram que a adaptação acrescentava pouco à obra de 2016. A revista Entertainment Weekly observou que o longa preserva o encanto da história original, mas raramente encontra motivos artísticos para justificar sua existência além da atualização visual. Já a revista People destacou a química entre os protagonistas e o respeito à cultura polinésia como os principais trunfos da produção.

A recepção geral foi significativamente mais fria do que a obtida pela animação original. No Rotten Tomatoes, o filme estreou com avaliações mistas, refletindo uma divisão entre críticos que elogiaram sua produção e aqueles que o consideraram excessivamente dependente do material de origem. O The New York Times observou que a Disney continua produzindo remakes tecnicamente impressionantes, mas nem sempre capazes de reproduzir a magia emocional das animações que lhes deram origem. Analistas também apontaram que o lançamento ocorreu pouco tempo depois do enorme sucesso de Moana 2, fazendo com que parte do público questionasse a necessidade de uma nova versão da mesma história. Apesar das críticas, o filme foi elogiado pela qualidade dos efeitos visuais, pela fotografia das paisagens oceânicas e pela recriação das canções compostas por Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foaʻi e Mark Mancina. Entre os fãs da franquia, muitos destacaram que a produção funciona como uma homenagem respeitosa ao clássico de 2016, ainda que dificilmente substitua o impacto da animação original. Catherine Lagaʻaia foi amplamente reconhecida como a grande revelação do filme e apontada por diversos críticos como uma das jovens atrizes mais promissoras de sua geração.

Erick Steve. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Os Intocáveis

Título no Brasil: O Intocáveis
Título Original: The Untouchables
Período de Exibição: 1959 - 1963
País: Estados Unidos
Emissora Original: ABC
Produção: Desilu Productions, CBS Television Film Sales e QM Productions (temporadas finais)
Criador: Quinn Martin
Baseado em: As memórias de Eliot Ness e Oscar Fraley
Elenco: Robert Stack, Abel Fernandez, Nicholas Georgiade, Paul Picerni, Steve London e Bruce Gordon.

Sinopse:
Os Intocáveis dramatiza a atuação do lendário agente federal Eliot Ness durante a Lei Seca nos Estados Unidos, entre o final da década de 1920 e o início dos anos 1930. Liderando um pequeno grupo de agentes incorruptíveis, conhecidos como "Os Intocáveis", Ness trava uma guerra implacável contra o crime organizado, especialmente contra o poderoso chefão Al Capone e seu império do contrabando de bebidas alcoólicas em Chicago. Ao longo de suas quatro temporadas, a série retrata investigações, perseguições, operações secretas e confrontos armados contra mafiosos, contrabandistas, assassinos e políticos corruptos. Embora inspirada em personagens e acontecimentos reais, a produção dramatiza muitos episódios para aumentar a tensão narrativa. Cada capítulo funciona praticamente como uma história independente, explorando diferentes organizações criminosas e mostrando os desafios enfrentados pelos agentes federais em uma das épocas mais violentas da história americana.

Comentários:
Desde sua estreia em 1959, Os Intocáveis tornou-se um dos maiores sucessos da televisão americana. Robert Stack recebeu elogios praticamente unânimes por sua interpretação austera e determinada de Eliot Ness, papel que lhe rendeu o Prêmio Emmy de Melhor Ator em 1960. A revista Variety destacou a produção como uma das séries policiais mais bem realizadas da televisão, elogiando sua fotografia em preto e branco, o ritmo intenso e a atmosfera sombria inspirada no cinema noir. O The New York Times também reconheceu a qualidade da série, especialmente a direção, a narrativa e a atuação de Stack, embora alguns críticos observassem que a violência apresentada era incomum para a televisão da época. A produção ficou famosa por suas cenas de tiroteios, perseguições e execuções, elevando o padrão técnico das séries policiais americanas. Bruce Gordon também foi amplamente elogiado por sua interpretação de Frank Nitti, um dos principais aliados de Al Capone, transformando-se em um dos vilões mais memoráveis da televisão dos anos 1960. Além do Emmy de Robert Stack, a série recebeu diversas indicações a prêmios importantes, consolidando Quinn Martin como um dos grandes produtores da televisão norte-americana.

Apesar do enorme sucesso de audiência, Os Intocáveis também gerou controvérsias. Organizações ítalo-americanas criticaram a série por associar repetidamente personagens de origem italiana ao crime organizado, levando os produtores a reduzir esse tipo de representação nas temporadas seguintes. Ainda assim, o prestígio da produção permaneceu elevado. Em retrospectivas publicadas pela TV Guide, a série é frequentemente incluída entre os maiores dramas policiais da história da televisão americana, sendo considerada pioneira na construção de narrativas policiais adultas e realistas. Muitos críticos modernos observam que seu estilo influenciou diretamente séries posteriores como The F.B.I., Hill Street Blues, Miami Vice e The Sopranos. Entre os fãs, episódios envolvendo Al Capone, Frank Nitti e Ma Barker continuam sendo apontados como alguns dos melhores da televisão da década de 1960. O desempenho de Robert Stack é lembrado como a interpretação definitiva de Eliot Ness, influência evidente no filme Os Intocáveis (1987), dirigido por Brian De Palma e estrelado por Kevin Costner. Hoje, a série permanece como um clássico absoluto do gênero policial, admirada por sua elegância visual, pela tensão dramática e pela contribuição decisiva para a evolução das séries de crime na televisão americana.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

domingo, 26 de julho de 2026

Tarzan e o Leão Sagrado

Capítulo I
O sol ainda surgia por trás das montanhas quando a floresta africana despertava lentamente para mais um dia de vida intensa. Bandos de papagaios riscavam o céu com suas penas coloridas, enquanto macacos saltavam entre as copas das árvores em busca das frutas mais maduras. Rios estreitos serpenteavam pela mata fechada, refletindo a luz dourada da manhã como se fossem espelhos líquidos. Em meio àquela imensidão verde vivia Tarzan, o lendário homem criado pelos grandes símios, cuja força, coragem e respeito pela natureza eram conhecidos por todos os animais e por muitas tribos da região. Seu olhar atento era capaz de perceber qualquer alteração na floresta antes mesmo que o perigo se revelasse. Naquele amanhecer, porém, havia algo diferente no ar. Os pássaros cantavam menos do que o habitual e até os elefantes caminhavam em silêncio. Os predadores pareciam inquietos e os macacos evitavam brincar. Tarzan compreendeu imediatamente que a selva estava tentando lhe dizer alguma coisa. Ela sempre falava com aqueles que sabiam escutá-la.

Poucas horas depois, um jovem guerreiro da tribo M'Baku surgiu correndo pela mata, chamando pelo senhor da floresta. Seu corpo estava coberto de poeira e suor, e seus olhos demonstravam profundo desespero. Assim que encontrou Tarzan, explicou que o grande leão conhecido como Kifaru havia desaparecido de seu território habitual. Para aquela tribo, o majestoso animal não era apenas um leão comum. Durante gerações, seus antepassados acreditavam que o espírito dos antigos chefes protegia a floresta através daquele poderoso felino. Segundo as lendas, enquanto Kifaru permanecesse vivo, as chuvas chegariam no tempo certo, as colheitas seriam fartas e nenhuma doença devastaria o povo. O desaparecimento do leão era visto como um terrível presságio. Os anciãos já iniciavam cerimônias religiosas, temendo que uma grande tragédia estivesse prestes a acontecer.

Tarzan acompanhou o jovem até a aldeia, onde foi recebido com respeito pelo velho chefe M'Goma. O ancião explicou que caçadores brancos haviam sido vistos atravessando o rio dois dias antes, trazendo armas modernas, caminhões e numerosos carregadores. Alguns caçadores falavam francês e diziam vir da Bélgica para organizar uma grande expedição de caça. Não procuravam alimento nem exploravam a floresta em busca de minerais. Seu objetivo era muito mais cruel: desejavam capturar ou matar o enorme leão para vendê-lo como troféu raro a um colecionador europeu extremamente rico. Outros acreditavam que pretendiam levar o animal vivo para um zoológico particular. Nenhuma dessas possibilidades podia ser aceita pela tribo. Para eles, tocar em Kifaru equivalia a desafiar os próprios espíritos da floresta. Tarzan ouviu cada palavra em silêncio, enquanto seu semblante se tornava cada vez mais sério.

Sem perder tempo, o homem-macaco iniciou a busca pelas pegadas deixadas pelos invasores. Sua experiência permitia distinguir marcas quase invisíveis sobre o solo úmido. Ele encontrou rastros de botas pesadas, pneus de caminhões, caixas arrastadas e até marcas profundas deixadas por equipamentos metálicos. Aqueles homens estavam fortemente preparados para uma longa caçada. Também havia pegadas do grande leão, indicando que Kifaru havia passado por ali poucas horas antes. Tarzan percebeu outro detalhe preocupante: manchas de sangue apareciam em algumas folhas esmagadas. O sangue, entretanto, não parecia ser do leão, mas de uma zebra recentemente abatida, provavelmente usada como isca. Os caçadores conheciam seu trabalho e sabiam exatamente como atrair um predador daquele porte. A corrida contra o tempo havia começado.

Ao cair da tarde, Tarzan subiu ao topo de uma gigantesca figueira para observar a região. Dali conseguiu enxergar uma coluna de fumaça elevando-se acima das árvores, distante vários quilômetros dali. Certamente era o acampamento dos caçadores. Enquanto analisava o horizonte, ouviu ao longe um rugido profundo que fez toda a floresta silenciar por alguns instantes. Era Kifaru. O rugido, porém, soava diferente dos outros. Havia dor, cansaço e desafio naquela poderosa voz. Logo em seguida vieram dois estampidos secos de rifle, ecoando entre os vales. Bandos inteiros de aves levantaram voo ao mesmo tempo. Tarzan não esperou mais nenhum segundo. Com um grito que fez os macacos responderem em coro, lançou-se entre os cipós da floresta, desaparecendo na vegetação como uma sombra veloz. A batalha para salvar o leão sagrado finalmente havia começado.

Capítulo II
Tarzan avançava pela floresta com a velocidade de um leopardo, balançando-se entre os cipós enquanto seus olhos percorriam cada detalhe do terreno abaixo. A cada centena de metros surgiam novos sinais da presença dos caçadores: galhos quebrados, latas vazias, pegadas profundas e marcas de pneus onde pequenos veículos haviam atravessado áreas antes intocadas. O cheiro de pólvora também permanecia suspenso no ar, misturado ao odor do combustível derramado pelos caminhões. Macacos, antílopes e búfalos fugiam para regiões mais afastadas, assustados com o barulho constante das máquinas e dos disparos ocasionais. Tarzan percebia que os invasores estavam espantando toda a vida selvagem da região apenas para concentrar seus esforços sobre um único animal. Para ele, aquilo representava um enorme desrespeito à floresta, que sempre oferecia abrigo e alimento aos homens que sabiam viver em equilíbrio. Quanto mais se aproximava do acampamento, maior se tornava sua determinação de impedir aquela caçada antes que fosse tarde demais.

Ao anoitecer, Tarzan alcançou uma elevação rochosa de onde podia observar o acampamento inimigo sem ser percebido. Havia quase vinte homens trabalhando sob a luz de lampiões, organizando caixas de munição, armadilhas de aço, redes reforçadas e rifles de grosso calibre. Dois caminhões estavam estacionados próximos às barracas, enquanto um grande jipe permanecia pronto para partir a qualquer momento. O chefe da expedição era um homem alto, de barba grisalha e chapéu colonial, conhecido entre seus companheiros como Victor Delacroix. Caçador experiente vindo da Bélgica, Delacroix havia construído fama capturando animais raros em diversas regiões da África. Seu orgulho era tão grande quanto sua ambição. Em voz alta, prometia aos homens uma enorme recompensa caso conseguissem levar o lendário leão vivo até a costa. Enquanto observava aquela reunião, Tarzan compreendeu que enfrentaria adversários disciplinados, armados e determinados a cumprir sua missão custasse o que custasse.

Durante a madrugada, Tarzan decidiu agir. Movendo-se em absoluto silêncio, infiltrou-se no acampamento aproveitando a escuridão e o vento que balançava as árvores. Com enorme habilidade, soltou discretamente alguns dos cavalos e cortou as cordas que prendiam várias caixas de suprimentos sobre uma carreta. Em seguida, retirou os ferrolhos de diversas armadilhas metálicas, tornando-as inúteis sem que ninguém percebesse. Também escondeu parte da munição em meio à vegetação e rompeu mangueiras de combustível dos veículos, fazendo com que a gasolina escorresse lentamente pelo solo. Quando um dos vigias ouviu um ruído estranho e apontou sua lanterna para as árvores, Tarzan já havia desaparecido entre os galhos, confundindo-se com as sombras da mata. Os caçadores passaram o restante da noite tentando entender por que tantos equipamentos estavam falhando ao mesmo tempo, acreditando que algum sabotador desconhecido rondava o acampamento.

Enquanto isso, Kifaru vagava sozinho por uma região de colinas cobertas por capim alto. O velho leão era enorme, com uma juba escura marcada por cicatrizes acumuladas ao longo de muitos combates. Apesar da idade avançada, ainda caminhava com imponência e mantinha o olhar firme de um verdadeiro rei da floresta. Porém, uma bala disparada de raspão havia aberto um ferimento em sua pata dianteira, dificultando sua movimentação. Mesmo ferido, recusava-se a abandonar seu território. Ao longe, podia sentir o cheiro dos homens, das máquinas e da fumaça que invadiam seu reino. Seu instinto dizia que aqueles invasores representavam uma ameaça muito maior do que qualquer outro predador que já enfrentara. Tarzan encontrou as marcas recentes do animal e percebeu, pelo sangue espalhado entre as pedras, que o tempo estava se esgotando. Se os caçadores localizassem Kifaru antes dele, dificilmente o leão escaparia.

Antes do nascer do sol, Tarzan reuniu discretamente alguns guerreiros da tribo M'Baku em uma clareira escondida. O chefe M'Goma enviara seus melhores rastreadores para ajudá-lo, todos conhecedores dos caminhos secretos da floresta. Ali, sob a luz fraca da lua, traçaram um plano para proteger o leão sagrado. Enquanto parte dos guerreiros criaria falsas trilhas para confundir os caçadores, outros espalhariam sinais e ruídos em diferentes direções para fazer parecer que Kifaru estava em vários lugares ao mesmo tempo. Tarzan, por sua vez, seguiria sozinho pelo rastro verdadeiro do leão, determinado a encontrá-lo antes dos belgas. Ao terminar a reunião, ergueu os olhos para o céu, onde as primeiras estrelas desapareciam lentamente com a chegada da aurora. Naquele instante, um rugido distante voltou a ecoar pela floresta, mais fraco do que antes, mas ainda carregado de orgulho. Tarzan respondeu com seu famoso grito, prometendo silenciosamente que faria qualquer sacrifício necessário para impedir que o último guardião da selva caísse nas mãos dos caçadores.

Capítulo III
Logo após o amanhecer, Tarzan finalmente encontrou Kifaru escondido entre enormes rochas cobertas por trepadeiras, onde uma pequena nascente alimentava um lago cristalino. O leão respirava com dificuldade, mantendo a cabeça erguida apesar do ferimento na pata. Ao perceber a aproximação do homem-macaco, mostrou os dentes por instinto, soltando um rugido baixo de advertência. Tarzan, porém, permaneceu imóvel, olhando diretamente nos olhos do velho rei da floresta. Durante longos minutos, nenhum dos dois fez qualquer movimento. Aos poucos, Kifaru reconheceu naquele estranho homem o mesmo respeito que encontrava nos demais animais da selva. Tarzan aproximou-se lentamente, lavou o ferimento com água limpa da nascente e retirou pequenos fragmentos de metal e espinhos presos na carne. O leão permaneceu quieto durante todo o procedimento, como se compreendesse que aquele homem estava ali para ajudá-lo. Quando terminou, Tarzan afastou-se alguns passos, e Kifaru respondeu esfregando a enorme cabeça contra o ombro do homem da selva antes de desaparecer novamente entre os arbustos.

Enquanto isso, Victor Delacroix descobria que sua expedição vinha sendo sabotada desde a noite anterior. As armadilhas não funcionavam, parte da munição havia desaparecido, os veículos apresentavam vazamentos e vários cavalos tinham sumido durante a madrugada. Furioso, reuniu seus homens e declarou que estavam enfrentando alguém que conhecia profundamente a floresta. Um velho guia africano, contratado para conduzir a expedição, fez o sinal de respeito usado pelos povos da região e afirmou que apenas um homem seria capaz de mover-se daquela maneira invisível entre as árvores. Em voz baixa, pronunciou um nome que fez alguns carregadores recuarem assustados: Tarzan. Muitos haviam crescido ouvindo histórias sobre o lendário senhor da selva, capaz de convocar elefantes, gorilas e búfalos para lutar ao seu lado. Delacroix, entretanto, respondeu com uma gargalhada de desprezo. Para ele, Tarzan não passava de uma lenda criada por tribos supersticiosas. Decidido a provar sua coragem, ordenou que a caçada continuasse e prometeu uma recompensa ainda maior para quem encontrasse o leão antes do misterioso protetor da floresta.

Naquela mesma tarde, os homens da expedição penetraram numa região conhecida pelos nativos como o Vale dos Ecos, um lugar onde penhascos estreitos amplificavam qualquer som produzido na mata. Tarzan percebeu imediatamente que poderia usar aquele terreno a seu favor. Escondido entre as copas das árvores, começou a emitir seu famoso grito em diferentes pontos do vale, deslocando-se rapidamente entre os cipós. O eco multiplicava sua voz dezenas de vezes, fazendo parecer que havia um exército inteiro cercando os caçadores. Logo depois, ele imitou o rugido de diversos leões, o trombetear de elefantes e o chamado agressivo dos grandes gorilas. Assustados, os cavalos empinaram, carregadores abandonaram caixas de equipamentos e alguns homens dispararam contra as próprias sombras. O pânico espalhou-se rapidamente pelo grupo, enquanto Delacroix tentava restabelecer a disciplina aos gritos. Aproveitando a confusão, Tarzan derrubou um enorme tronco seco que bloqueou a passagem principal, obrigando os caçadores a perderem preciosas horas abrindo um novo caminho pela floresta.

Apesar dos atrasos, Delacroix recusava-se a desistir. Na manhã seguinte, um de seus melhores rastreadores encontrou pelos dourados presos em galhos baixos e marcas recentes deixadas por Kifaru próximo a um riacho. Os caçadores organizaram imediatamente uma grande perseguição, espalhando-se em formação para impedir qualquer rota de fuga. Tarzan, que observava tudo do alto das árvores, percebeu que o cerco começava a se fechar perigosamente. Sem hesitar, soltou um grito que atravessou toda a floresta. Em poucos minutos, bandos de babuínos passaram a lançar galhos e pedras sobre os homens. Logo depois, um grupo de elefantes, assustado pelo alvoroço, atravessou a região em pesada corrida, derrubando barracas improvisadas, caixas de munição e postes de observação. Os caçadores correram em todas as direções para escapar da manada. Em meio ao caos, Tarzan conduziu Kifaru por uma antiga passagem escondida entre as rochas, conhecida apenas pelos animais da região e pelos mais velhos da tribo M'Baku.

Ao cair da noite, Tarzan acreditava finalmente ter conseguido afastar o leão do perigo imediato. Entretanto, ao observar discretamente o acampamento inimigo, descobriu que Delacroix preparava seu último e mais perigoso plano. Sobre uma grande mesa de madeira havia mapas da região, lanternas, explosivos para abrir caminho na mata e uma poderosa espingarda de longo alcance especialmente trazida da Europa para abater animais de grande porte. O caçador anunciava que, ao amanhecer, dividiria seus homens em vários grupos para fechar todas as saídas do vale onde acreditava que Kifaru estivesse escondido. Não haveria espaço para erro. Se o leão tentasse fugir, seria morto. Se permanecesse escondido, seria capturado pelas redes reforçadas. Tarzan percebeu que a batalha decisiva estava prestes a começar. Naquela noite, sentado sobre um galho elevado enquanto observava as estrelas surgirem sobre a floresta, jurou que jamais permitiria que a ambição dos homens destruísse um símbolo sagrado de toda a selva africana. A decisão final seria tomada ao nascer do próximo sol.

Capítulo Final
Quando o primeiro raio de sol atravessou a copa das árvores, a floresta parecia prender a respiração. Tarzan já estava desperto havia horas, observando cada movimento dos caçadores a partir de um enorme baobá. Como Delacroix prometera, seus homens dividiram-se em diversos grupos, cercando lentamente o vale onde acreditavam que Kifaru estivesse escondido. Armadilhas de aço foram posicionadas nas trilhas, atiradores ocuparam pontos elevados e redes resistentes foram preparadas para bloquear qualquer tentativa de fuga. O líder belga caminhava à frente da expedição com a confiança de quem acreditava ter a vitória nas mãos. Tarzan, porém, conhecia cada pedra, cada riacho e cada árvore daquela região. Antes mesmo de os caçadores completarem o cerco, ele percorreu silenciosamente antigos caminhos utilizados pelos elefantes durante a estação das chuvas. Enquanto avançava, convocava seus aliados com assobios e chamados que apenas os animais da floresta conseguiam compreender. Naquele dia, não seria apenas um homem enfrentando uma expedição inteira. Seria toda a selva defendendo um de seus maiores símbolos.

Pouco antes do meio-dia, Delacroix finalmente avistou Kifaru parado sobre uma elevação rochosa. Mesmo ferido, o velho leão permanecia magnífico, com a juba balançando ao vento e os olhos dourados fixos nos invasores. O caçador levantou lentamente sua espingarda de longo alcance, certo de que aquele seria o disparo mais famoso de sua carreira. No exato instante em que pressionava o gatilho, Tarzan lançou-se do alto de uma figueira como um raio. Seu corpo atingiu Delacroix em cheio, desviando a arma para o alto. O estampido ecoou pela floresta sem atingir o leão. Os dois homens rolaram pelo chão em uma luta violenta. Delacroix era forte e experiente, mas jamais enfrentara alguém com a agilidade do homem-macaco. Socos, chutes e golpes sucederam-se rapidamente entre pedras e raízes. Em determinado momento, o caçador conseguiu sacar um revólver escondido no cinturão, mas Tarzan desarmou-o antes que pudesse atirar, arremessando a arma para dentro de um rio de correnteza rápida.

A luta entre Tarzan e Delacroix serviu de sinal para que toda a floresta reagisse. Bandos de macacos passaram a lançar frutos duros e galhos sobre os caçadores. Búfalos atravessaram uma clareira em disparada, obrigando vários homens a abandonar suas posições. Elefantes romperam árvores jovens enquanto avançavam em formação, espalhando pânico entre os carregadores. Das copas das árvores, centenas de aves levantaram voo ao mesmo tempo, formando uma gigantesca nuvem de asas que reduzia a visibilidade dos atiradores. Os guerreiros da tribo M'Baku surgiram silenciosamente pelos flancos, desarmando alguns homens sem derramar sangue, pois desejavam proteger seu leão sagrado, e não provocar um massacre. Cercados pela força da natureza e pela coragem dos defensores da floresta, muitos integrantes da expedição jogaram suas armas no chão e fugiram desesperados. Aqueles que permaneceram logo perceberam que haviam perdido completamente o controle da situação.

Delacroix ainda tentou alcançar sua espingarda caída entre as pedras, mas encontrou Tarzan bloqueando seu caminho. O homem da selva ergueu a arma descarregada e a partiu ao meio com a força dos próprios braços, lançando os pedaços aos pés do caçador. Em seguida, apontou para Kifaru, que permanecia imóvel observando toda a cena do alto da colina. Tarzan explicou, com firmeza, que aquele leão não pertencia a nenhum homem, nenhum governo ou colecionador. Pertencia à floresta, aos animais e ao povo que o respeitava havia gerações. Delacroix, coberto de poeira e derrotado, finalmente compreendeu que jamais venceria alguém que lutava em defesa da própria terra. Humilhado, ordenou a retirada de sua expedição. Os caminhões foram carregados às pressas e, antes do pôr do sol, os últimos veículos desapareceram pela estrada de terra que levava para longe da selva. O silêncio voltou lentamente ao coração da floresta, interrompido apenas pelo canto dos pássaros que retornavam aos galhos.

Naquela noite, a tribo M'Baku realizou uma grande celebração ao redor de uma fogueira gigantesca. Homens, mulheres e crianças dançavam ao som dos tambores enquanto agradeciam aos espíritos da floresta pela proteção concedida ao leão sagrado. Os anciãos declararam que a coragem de Tarzan havia preservado não apenas a vida de Kifaru, mas também a honra das antigas tradições de seu povo. Quando a lua cheia iluminou a savana, o velho leão apareceu no alto de uma colina próxima, majestoso como sempre. Durante alguns instantes, seus olhos encontraram os de Tarzan, como se ambos compartilhassem um entendimento silencioso que nenhuma palavra poderia explicar. Em seguida, Kifaru soltou um rugido poderoso que ecoou por vales, rios e montanhas, anunciando que o rei da floresta continuava livre. Tarzan respondeu com seu famoso grito, recebido pelos macacos, elefantes, pássaros e todos os habitantes da selva. E, enquanto o eco das duas vozes desaparecia na imensidão africana, a lenda do homem-macaco e do leão sagrado passava a fazer parte das histórias contadas ao redor das fogueiras, para que as futuras gerações jamais esquecessem que a verdadeira força nasce da coragem de proteger aquilo que não pode se defender sozinho.

Pablo Aluísio.