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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Excalibur

Excalibur
Nessa semana resolvi rever esse que já pode ser considerado um clássico dos anos 80. Fazia, no minimo, uns 30 anos que tinha visto pela última vez. Em minha memória afetiva havia a lembrança de um filme até meio surreal, diria quase psicodélico, bem fantasioso. Bem, naquele tempo ainda não existia os filmes de "O Senhor dos Anéis" e nem "Harry Potter", então um filme com esse tipo de clima soava dessa maneira mesmo. Revendo agora, depois de tantos filmes de fantasia, já não achei tão fora da curva assim. Pelo contrário, o filme me pareceu ter uma narrativa até bem conservadora e convencional. 

Bom, para quem nunca viu, esse filme é mais uma versão da lenda do Rei Arthur e seus cavaleiros da távola redonda. Está tudo lá, na história do filme, que tenta compilar séculos de lendas, mitos e cantos de trovadores medievais. O Rei Arthur nunca existiu. É um símbolo do que seria um monarca justo, honesto e íntegro. Naqueles tempos havia muitos tiranos sanguinários se sucedendo no trono da Inglaterra. Então, dentro da própria cultura popular, nasceu esse Rei de contos de fadas, o Rei ideal que o povo esperava um dia subir ao trono. E há muitas semelhanças também com a própria história do Cristo, como os cavaleiros que seguiam seu mestre, sendo um deles um traidor desonrado. 

Para quem conhece a jornada do herói de Arthur sabe muito bem que um dos principais personagens em sua mitologia é a do Mago Merlin. Nele encontrei uma das falhas do filme. Eu não gostei nem do visual de Merlin nesse filme e nem de sua construção dramática. Merlin não traz a imagem de um homem velho com chapéu de bruxo, como estamos acostumados a ver em outras adaptações. Ele é um homem bem mais jovem, com um elmo dourado esquisito na cabeça. Além disso oscila entre ser um mago com vários poderes mágicos e um ser humano com várias fragilidades. Achei o roteiro indeciso nesse aspecto. Agora, surpresa você terá mesmo com a atriz Helen Mirren. Provavelmente você não a reconhecerá! Ela está jovem e sensual no filme, usando trajes sumários ao interpretar Morgana, uma aprendiz tóxica e perversa de Merlin. Enfim, apreciei o filme, apesar de apresentar também pequenas falhas. É um filme produzido numa era analógica do cinema, então não espere por grandes efeitos visuais. Ainda assim, é um filme que resistiu bravamente ao passar do tempo. Merece ser redescoberto. 

Excalibur, a Espada do Poder (Excalibur, Reino Unido, Estados Unidos, 1981) Direção: John Boorman / Roteiro: John Boorman, Thomas Malory / Elenco: Nigel Terry, Nicholas Clay, Nicol Williamson, Helen Mirren, Gabriel Byrne, Cherie Lunghi / Sinopse: Ao retirar a lendária espada Excalibur de uma rocha, um jovem rapaz chamado Arthur se torna o Rei da Inglaterra. Ele forma um grupo de jovens cavaleiros honrados ao seu redor, se destacando Lancelot. Juntos espalham justiça em todo o reino. Só que sua trajetória também será marcada pela traição daqueles em quem mais confiou. 

Pablo Aluísio.