Eu sempre gostei muito do trabalho do ator Robert Redford e durante todos esses anos procurei assistir a praticamente todos os seus filmes. Só que nem todos consegui ver na época, alguns me escaparam. Esse "Willie Boy" foi um deles. Felizmente nesse fim de semana finalmente assisti. Pode ser considerado um western moderno pois a história, que foi baseada em um fato histórico real, já se passa no momento em que o velho oeste estava morrendo, dando lugar a carros e estradas por todo o país. Para muitos historiadores foi a última grande história do western tradicional. E nesse momento de transição entre eras, existiu de fato um nativo americano chamado Willie Boy. Ele era daquele tipo de sujeito que não levava desaforo para casa e gostava muito de beber. Uma combinação não muito recomendável e completamente explosiva. Assim, quando brigou com o pai de uma garota pela qual era apaixonado, a situação saiu do controle e ele o matou. Depois do crime precisou fugir para o deserto, levando sua amada junto. Uma fuga a pé, de puro desespero pessoal.
Isso criou uma enorme caçada humana liderada por um xerife branco chamado Cooper, personagem interpretado justamente pelo Robert Redford. Ele organizou um grupo e foi para o deserto em busca do Willie Boy. Foi uma situação delicada porque o presidente dos Estados Unidos estava visitando aquela região naquele exato momento, então a coisa toda tomou proporções enormes. Não era apenas caçar um fugitivo no deserto. De repente virou até mesmo uma questão de segurança nacional, ainda mais depois que boatos afirmarem que Willie Boy estava organizando um levante indígena. Não era verdade, mas as pessoas da época acreditaram.
O desfecho do filme não está totalmente de acordo com os fatos históricos, mas mantém uma certa linha de coerência. A cena final do xerife de Redford caçando Willie Boy nas montanhas daquele deserto rochoso é ótima! Ficaria muito bem em qualquer faroeste clássico da velha Hollywood. Só que esse filme na verdade foi produzido no final dos anos 1960 (sendo mais exato, 1969), quando o próprio movimento Hippie encontrava seu fim (graças aos alucinados da família Manson). O mundo estava mudando, assim como aconteceu na história original que o filme contava. Enfim, gostei do filme. É um daquele tipo de western que começa meio vacilante, mas que vai pegando ritmo com o passar do tempo. No final ficamos com a certeza de termos assistido a um grande filme. Merece ser redescoberto.
Willie Boy (Willie Boy, Estados Unidos, 1969) Direção: Abraham Polonsky / Roteiro: Harry Lawton, Abraham Polonsky / Elenco: Robert Redford, Robert Blake, Katharine Ross, Susan Clark / Sinopse: História baseada em fatos reais. Um nativo americano chamado Willie Boy (Black) mata um homem e foge para o deserto. O xerife Cooper (Redford) então organiza um grupo para localizar e prender o assassino. E essa perseguição acaba se tornando uma verdadeira caçada humana no meio de um deserto verdadeiramente infernal.
Pablo Aluísio.

Cine Western
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Por uma incrível coincidência comecei a ver esse filme principalmente pela curiosidade da participação do "Baretta" no papel principal. Vi uma meia hora e parei. O filme tem aquela cara e pegada de "filme de Robert Redford" se é que me entende, e isso me incomoda um pouco. A ladainha das vítimas da sociedade, bla, bla, bla, bla em da preguiça de assistir.!
ResponderExcluirÉ uma pena que você não tenha gostado. É uma questão de gosto pessoal. O Willie Boy não é bem a "vítima da sociedade" no filme. No meu ponto de vista, o achei até bem antipático, principalmente na forma como trata sua companheira. Já em relação ao xerife de Redford fiquei surpreso ao ver como ele é até mesmo meio tosco, retratado como um sujeito sem cultura, rude. Nesse ponto fugiu um tanto do personagem médio que o Redford estava acostumado a interpretar em seus filmes.
ResponderExcluirEntendo seu ponto de vista. Me referia mais ao "ar," indios, outsiders" coisas assim.
ResponderExcluirEntendi...
ResponderExcluir