quarta-feira, 1 de agosto de 2001

The Beatles - Eleanor Rigby

The Beatles - Eleanor Rigby
Música: Eleanor Rigby
Artista: The Beatles
Álbum: Revolver
Selo: Parlophone
Produtor: George Martin
Músicos: Paul McCartney (voz principal e vocais de apoio); John Lennon (vocais de harmonia); George Harrison (vocais de harmonia); Tony Gilbert (violino); Sidney Sax (violino); John Sharpe (violino); Juergen Hess (violino); Stephen Shingles (viola); John Underwood (viola); Derek Simpson (violoncelo); Norman Jones (violoncelo); George Martin (arranjo de cordas e regência).
Data de gravação: 28 e 29 de abril e 6 de junho de 1966, nos estúdios EMI, Abbey Road, Londres.
Data de Lançamento: 5 de agosto de 1966, no Reino Unido.

Comentários:
“Eleanor Rigby” foi composta principalmente por Paul McCartney durante o período de criação que daria origem a Revolver, sendo creditada oficialmente à tradicional parceria Lennon-McCartney. A composição nasceu de uma ideia musical que McCartney desenvolveu ao piano e que inicialmente apresentava a personagem com o nome de “Daisy Hawkins”. A temática surgiu de suas lembranças de pessoas solitárias e idosas que conhecera durante a juventude, especialmente mulheres com quem teve contato em Liverpool. A própria experiência de conversar com pessoas mais velhas e perceber suas vidas discretas ajudou a formar a atmosfera humana da canção. O nome Eleanor surgiu posteriormente, associado à atriz Eleanor Bron, enquanto “Rigby” foi encontrado por McCartney em um estabelecimento comercial em Bristol. A narrativa de Eleanor, uma mulher invisível que recolhe arroz depois de casamentos, e do solitário padre McKenzie transformou a música em uma reflexão sobre isolamento, envelhecimento, anonimato e falta de conexão humana. Musicalmente, a gravação representou uma ruptura extraordinária com o modelo tradicional de uma canção pop dos Beatles: nenhum dos integrantes tocou instrumento no arranjo final, que foi construído sobre um octeto de cordas formado por quatro violinos, duas violas e dois violoncelos. George Martin criou o arranjo e utilizou uma escrita de cordas marcada por ataques secos e intensos, evitando deliberadamente um acompanhamento excessivamente sentimental. A abordagem recebeu influência da música cinematográfica de Bernard Herrmann, particularmente de suas partituras para filmes de Alfred Hitchcock.

A gravação ocorreu num momento decisivo da trajetória dos Beatles, quando o grupo estava abandonando progressivamente a imagem de uma banda essencialmente voltada para apresentações ao vivo e começava a explorar o estúdio como instrumento de criação artística. A sessão de 28 de abril registrou o acompanhamento das cordas, enquanto no dia seguinte Paul acrescentou sua voz principal e John Lennon e George Harrison participaram dos vocais de harmonia; um novo overdub vocal de McCartney foi realizado em 6 de junho. O engenheiro Geoff Emerick contribuiu para o caráter incomum da gravação ao posicionar os microfones muito próximos dos instrumentos de cordas, produzindo um som mais agressivo, definido e presente. Lançada simultaneamente em Revolver e como lado A duplo com “Yellow Submarine”, a música foi imediatamente reconhecida como uma das experiências mais ousadas do grupo naquele período. O single alcançou o primeiro lugar no Reino Unido, permanecendo no topo durante quatro semanas, enquanto nos Estados Unidos “Eleanor Rigby” chegou ao 11º lugar da Billboard Hot 100. Sua importância, porém, ultrapassa largamente seu desempenho comercial: a canção demonstrou que uma composição pop de pouco mais de dois minutos poderia possuir densidade literária, sofisticação harmônica e uma instrumentação próxima da música de câmara. Ao longo das décadas, tornou-se uma das obras mais celebradas do repertório dos Beatles, recebeu inúmeras versões de outros artistas e ajudou a abrir caminho para uma aproximação cada vez maior entre rock, música erudita e composição de caráter autoral. Seu legado permanece particularmente forte porque “Eleanor Rigby” transformou a solidão cotidiana em matéria-prima para uma das mais universais e duradouras canções da história da música popular.

Erick Steve.

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