quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Halloween - O Início

Título no Brasil: Halloween - O Início
Título Original: Halloween
Ano de Lançamento: 2007
País: Estados Unidos
Estúdio: Dimension Films
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie
Elenco: Malcolm McDowell, Scout Taylor-Compton, Tyler Mane, Sheri Moon Zombie, Brad Dourif, Danielle Harris

Sinopse:
Nesta releitura do clássico de John Carpenter, Rob Zombie apresenta uma nova versão da origem de Michael Myers. Ainda criança, Michael vive em uma família desestruturada em Haddonfield e demonstra um comportamento cada vez mais perturbador, marcado pela violência contra animais e pela crueldade. Na noite de Halloween, ele assassina várias pessoas de sua própria família e é internado em uma instituição psiquiátrica, onde passa anos sob os cuidados do Dr. Samuel Loomis. Já adulto, Michael consegue escapar e retorna a Haddonfield, iniciando uma perseguição brutal contra a jovem Laurie Strode e outras pessoas que cruzam seu caminho. O filme procura explicar a formação psicológica de Michael de maneira muito mais detalhada que o longa original de 1978.

Comentários:
Halloween – O Início chegou aos cinemas americanos em 31 de agosto de 2007, funcionando simultaneamente como remake e reinterpretação da história criada por John Carpenter e Debra Hill. Rob Zombie tomou uma direção bastante diferente daquela adotada pelo filme original, dedicando boa parte da primeira metade da produção à infância de Michael Myers e às circunstâncias familiares que antecederam seus primeiros assassinatos. Essa decisão dividiu profundamente a crítica, pois uma das características mais marcantes do Michael original era justamente a ausência de uma explicação psicológica definitiva para sua maldade. A Variety, em crítica de Dennis Harvey, considerou que o filme apresentava problemas de suspense e que os personagens adolescentes eram pouco desenvolvidos em comparação com os do longa de Carpenter. O New York Daily News, através de Jack Matthews, também foi crítico, argumentando que Zombie privilegiava choques violentos em detrimento da tensão. A Empire, em avaliação de Kim Newman, reconheceu a competência de Malcolm McDowell como Dr. Loomis, mas considerou que o filme perdia força ao substituir o suspense e a atmosfera do original por uma abordagem muito mais brutal. Já o Time Out London reconheceu que Zombie acrescentava um grau de realismo perturbador à formação de Michael, embora também considerasse que a produção sacrificava parte da sutileza do filme de 1978. No Rotten Tomatoes, o longa atualmente possui 28% de aprovação da crítica, enquanto o Metacritic registrou 47 pontos em 100, indicando uma recepção crítica bastante dividida.

A reação do público, entretanto, foi consideravelmente melhor do que a recebida pelos críticos. Com orçamento estimado em US$ 15 milhões, Halloween – O Início arrecadou aproximadamente US$ 58,3 milhões nos Estados Unidos e US$ 19,2 milhões no mercado internacional, chegando a cerca de US$ 77,5 milhões mundialmente. O filme teve uma estreia especialmente forte, arrecadando mais de US$ 26 milhões em seu primeiro fim de semana, resultado que demonstrou a força comercial da franquia mesmo após vários episódios anteriores terem apresentado desempenho irregular. O público pesquisado pelo CinemaScore atribuiu ao longa uma nota média B-, indicando uma reação intermediária, mas ainda assim melhor que a avaliação de boa parte da imprensa especializada. Rob Zombie também procurou estabelecer uma identidade visual própria, utilizando uma fotografia mais suja, violência gráfica e uma atmosfera muito mais próxima de seu trabalho anterior no cinema de terror. A presença de Malcolm McDowell como Samuel Loomis também representou uma mudança significativa em relação ao personagem interpretado por Donald Pleasence nos filmes anteriores. A participação de Danielle Harris, que havia interpretado Jamie Lloyd nos filmes Halloween 4 e Halloween 5, funcionou como uma espécie de ligação entre diferentes fases da franquia. O filme ainda trouxe Tyler Mane, que possui uma presença física muito diferente da de Nick Castle no primeiro longa, para interpretar o Michael Myers adulto. Comercialmente, portanto, Halloween – O Início foi claramente bem-sucedido, embora sua recepção crítica tenha permanecido controversa.

Com o passar dos anos, a reputação de Halloween – O Início permaneceu dividida, mas o filme conquistou uma parcela fiel de admiradores. Uma das principais questões discutidas pelos estudiosos e fãs da franquia continua sendo a decisão de Rob Zombie de apresentar uma origem detalhada para Michael Myers. Enquanto parte do público considera essa abordagem interessante por humanizar e contextualizar o personagem, outra parcela entende que ela diminui justamente o mistério que tornou Michael tão assustador no filme de Carpenter. O San Francisco Chronicle, por exemplo, reconheceu que Zombie conseguiu colocar sua própria marca sobre a história ao mesmo tempo em que prestava homenagem ao original, embora apontasse problemas na parte final. Análises posteriores também passaram a reconhecer que o filme deve ser avaliado como uma obra de Rob Zombie, e não simplesmente como uma tentativa de reproduzir o estilo de Carpenter. Essa distinção é importante porque Halloween – O Início possui características muito próprias, especialmente no tratamento da violência, na construção da família Myers e na personalidade do jovem Michael. A produção também se tornou relevante por ter ajudado a revitalizar comercialmente a franquia após uma série de continuações que haviam diminuído seu prestígio. Seu sucesso contribuiu diretamente para a realização de Halloween II, novamente dirigido por Rob Zombie, lançado em 2009. Atualmente, o filme é geralmente considerado uma das entradas mais controversas da franquia, mas também uma das mais pessoais. Para alguns admiradores do terror, sua atmosfera brutal e sua abordagem psicológica constituem justamente seus maiores méritos; para outros, a explicação excessiva de Michael e o abandono do suspense clássico prejudicam sua eficácia. Ainda assim, Halloween – O Início permanece como uma produção importante dentro do cinema de terror dos anos 2000 e como uma das mais características interpretações pessoais de uma franquia clássica de Hollywood.

Erick Steve. 

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