quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Moby Dick

Título no Brasil: Moby Dick
Título Original: Moby Dick
Ano de Lançamento: 1956
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: John Huston
Roteiro: Ray Bradbury, John Huston
Elenco: Gregory Peck, Richard Basehart, Leo Genn, James Robertson Justice, Harry Andrews, Orson Welles

Sinopse:
Baseado no clássico romance de Herman Melville, o filme acompanha Ishmael, um jovem marinheiro que embarca no navio baleeiro Pequod, comandado pelo obsessivo Capitão Ahab. Ahab perdeu uma das pernas em um confronto anterior com a gigantesca baleia branca conhecida como Moby Dick e dedica sua vida a encontrá-la e destruí-la. Durante a viagem, Ishmael testemunha a crescente obsessão do capitão, que coloca em risco a própria tripulação para realizar sua vingança. Enquanto o Pequod atravessa os mares em busca da baleia, o conflito entre Ahab e Moby Dick transforma-se em uma luta quase mitológica entre o homem e a natureza. A expedição culmina em um confronto trágico que determina o destino do navio e de sua tripulação.

Comentários:
Lançado em 1956, Moby Dick foi uma das grandes produções de aventura da década e representou uma ambiciosa tentativa de John Huston de levar para o cinema o complexo romance de Herman Melville. O diretor contou com a colaboração do escritor Ray Bradbury na adaptação, procurando preservar não apenas a aventura marítima, mas também parte da dimensão filosófica e simbólica da obra original. A recepção da crítica foi bastante positiva, embora alguns críticos tenham apontado limitações na adaptação e principalmente na interpretação de Gregory Peck como Capitão Ahab. Bosley Crowther, do The New York Times, foi extremamente favorável e considerou que o filme dificilmente poderia ser realizado de maneira mais bela ou emocionante. A revista Time também publicou uma avaliação entusiasmada, chamando o longa de uma das produções mais incomuns daquele ano e possivelmente uma das melhores, destacando o esforço de Huston para preservar as dimensões filosóficas do romance. A Variety, entretanto, foi mais moderada, considerando o filme interessante e fiel ao espírito e ao período retratado, mas observando que sua estrutura de perseguição poderia tornar-se repetitiva. O Los Angeles Times também reconheceu seus grandes momentos e sua personalidade artística, embora não o considerasse uma obra-prima absoluta.

A interpretação de Gregory Peck como Ahab foi um dos aspectos mais discutidos pela crítica desde o lançamento. Alguns críticos consideraram que o ator, conhecido por interpretar personagens geralmente equilibrados e moralmente firmes, não possuía a intensidade necessária para representar a dimensão quase demoníaca da obsessão de Ahab. A própria Time considerou Peck inadequadamente escalado para o papel, embora tenha elogiado praticamente todo o restante do elenco e a realização do filme. A The New Yorker, através de Pauline Kael, foi mais reservada e observou que, apesar da dedicação de Huston ao projeto, sua direção parecia ocasionalmente perder força. Em contrapartida, Richard L. Coe, do The Washington Post, classificou a produção como uma obra rara, capaz de permanecer na memória e de ocupar lugar entre os clássicos do cinema. A fotografia de Oswald Morris foi outro elemento amplamente elogiado, especialmente pelo uso de uma paleta de cores inspirada em antigas gravuras e pinturas relacionadas à caça às baleias. A Time Out, em avaliação posterior, também destacou a inteligência da adaptação de Bradbury e o tratamento cromático, considerando que esses elementos davam ao filme uma aparência quase lendária. No Metacritic, a produção possui atualmente 78 pontos em 100, com seis avaliações positivas e quatro consideradas mistas, enquanto o Rotten Tomatoes registra 81% de aprovação da crítica.

Comercialmente, Moby Dick teve uma trajetória respeitável, embora sua produção tenha sido extremamente ambiciosa e dispendiosa para os padrões da época. O filme foi produzido pela Moulin Productions e distribuído pela Warner Bros., chegando aos cinemas americanos em 27 de junho de 1956. A produção exigiu filmagens e trabalhos em diferentes localidades, além da construção de modelos e efeitos especiais destinados a representar a gigantesca baleia branca. A imprensa britânica, através da Kinematograph Weekly, registrou o filme como um sucesso de bilheteria no Reino Unido em 1957. O reconhecimento artístico também foi expressivo, com o filme recebendo premiações e indicações do National Board of Review, do New York Film Critics Circle e do Italian National Syndicate of Film Journalists. Décadas depois de seu lançamento, a percepção sobre a obra tornou-se ainda mais favorável. O Los Angeles Times, em uma avaliação retrospectiva de 1993, chegou a classificar a produção de Huston como um modelo do gênero e afirmou que ela havia adquirido plenamente o status de clássico. O Rotten Tomatoes atualmente apresenta uma aprovação de público de 73%, enquanto a nota do IMDb permanece em torno de 7,3/10, demonstrando que a obra continua encontrando admiradores entre espectadores contemporâneos.

Atualmente, Moby Dick é considerado uma das adaptações cinematográficas mais importantes do romance de Melville e um dos trabalhos mais ambiciosos da carreira de John Huston. Mesmo aqueles que apontam problemas na interpretação de Gregory Peck ou na dificuldade de reproduzir toda a dimensão filosófica do livro reconhecem a força visual da produção e a qualidade de sua atmosfera marítima. A crítica moderna também passou a valorizar aspectos que não foram totalmente compreendidos ou apreciados em 1956, especialmente a fotografia de Oswald Morris, a direção de Huston e a tentativa de conciliar aventura e reflexão filosófica. O filme também ganhou importância por seu elenco, que reúne Gregory Peck, Richard Basehart, Leo Genn e Orson Welles, este último em uma participação memorável como o Padre Mapple. Sua influência pode ser percebida na maneira como posteriores adaptações de Moby-Dick procuraram equilibrar a dimensão épica da perseguição à baleia com o caráter psicológico de Ahab. O próprio consenso crítico atual é mais favorável do que aquele encontrado em algumas avaliações contemporâneas ao lançamento: o Rotten Tomatoes o resume como uma grande aventura cinematográfica, ainda que considere que o espetáculo substitua parte da profundidade temática do romance. Assim, quase sete décadas depois, Moby Dick permanece como uma produção de grande importância dentro do cinema de aventura clássico, uma obra visualmente impressionante e uma das adaptações literárias mais respeitadas de John Huston. Seu maior legado está justamente na capacidade de transformar a história de Melville em um espetáculo cinematográfico grandioso sem abandonar completamente seus temas de obsessão, vingança, destino e confronto entre o homem e as forças da natureza.

Erick Steve. 

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