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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 26

Nos anos 50 a revista de escândalos e fofocas chamada Confidential descobriu que Rock Hudson era gay! A informação valia muitos milhões de dólares já que Rock era um dos campeões de bilheteria de sua época, um ator que estava sempre na lista dos 10 mais populares de Hollywood. Os executivos do estúdio Universal ficaram bem preocupados pois aquele tipo de fofoca venenosa poderia colocar um fim à carreira desse grande astro. Algo tinha que ser feito antes da revista chegar ao grande público. 

A coisa toda foi parar na mesa de Henry Wilson, o empresário de Rock. Era um sujeito conhecido por ser tóxico e perigoso, mas também astuto e sagaz. Na verdade ele mais se parecia com um chefão da máfia da costa oeste do que qualquer outra coisa. Ele então resolveu ir direto ao ponto. Marcou uma reunião com os donos da revista. Queria saber quanto iria lhe custar esse tipo de encobertamento ou talvez sair com um acordo vantajoso para ambas as partes. 

No dia marcado os jornalistas da revista pensavam que o velho empresário iria ameaçar todos de morte, mas ao contrário disso, Wilson tinha uma proposta a fazer. Eles iriam deixar Rock em paz. Em troca outro astro de Hollywood seria exposto. Um dos próprios atores que Wilson empresariava: Tab Hunter. Era um jovem loiro, com belo físico, que vinha fazendo sucesso em filmes de aventura e faroeste. Ele também era gay e isso poderia interessar aos leitores. E ao contrário de Rock, ele não valia milhões de dólares nas bilheterias e tampouco escondia muito sua opção sexual. Era um segredo que praticamente todos em Hollywood conheciam. 

Mas a Confidential achou pouco. OK, eles topavam o acordo, mas queriam mais. Pediram uma entrevista exclusiva com Rock Hudson e uma capa iria ajudar a revista a vender mais exemplares. Henry Wilson concordou, mas deixou claro que não poderia haver perguntas sobre sua sexualidade. Ao invés disso a revista iria explorar a solteirice de Rock, como se ele fosse o último solteirão convicto de Hollywood. O homem mais desejado pelas mulheres se recusava a se casar. Era uma boa matéria. Assim o empresário topou e Rock foi poupado de um escandâlo que poderia destruir sua carreira. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 14 de julho de 2026

Jamais Foram Vencidos

Jamais Foram Vencidos
Que tal reunir em um mesmo filme John Wayne e Rock Hudson? Os dois tinham sido os maiores recordistas de bilheteria durante os anos 50 e 60 e agora reuniam forças no western "Jamais Foram Vencidos". O filme pode ser considerado um faroeste temporão, já que foi realizado no final dos anos 60, quando a juventude não mais se importava muito com esse gênero cinematográfico. Embora Wayne ainda mantivesse seu prestígio inabalado, Hudson vinha passando por dificuldades na carreira. Como era um galã acima de tudo, os papéis iam cada vez mais rareando com a chegada da idade e ele próprio representava naquela altura um tipo de ator que definitivamente estava saindo de moda. Ao invés do galã de visual impecável, o cinema americano agora adotava atores com grande talento mas com aparência de homens comuns, como Al Pacino, Dustin Hoffman e Robert De Niro. Atores que não tinham a estampa dos velhos ídolos como Rock Hudson. Em sua autobiografia o próprio Hudson comenta a chegada dessa nova geração de "monstrinhos" como ele apelidou os novos atores em ascensão.

Realmente era bem complicado unir duas gerações tão diferentes em um mesmo filme. Por isso o convite de estrelar um western ao lado do mito John Wayne veio bem a calhar naquele momento de sua vida. O filme em si era interessante e mostrava um oficial confederado (Hudson) que não aceitava a derrota de seu amado sul durante a guerra civil americana. Tão transtornado ficara com a perda da guerra que em um ato de profunda indignação resolve queimar sua propriedade, juntar tudo o que tinha e rumar para o México com a esperança de começar uma nova vida. Impossível não fazer uma analogia sutil com a própria carreira de Rock Hudson. Tal como o personagem de seu filme ele naquele momento era coisa do passado e deveria rumar para um novo destino. E tal como o sulista ferido ele realmente em pouco tempo deixaria o seu passado para trás (o cinema) e trilharia um novo caminho na carreira ao estrelar uma série de TV, em busca de um novo recomeço. Nunca o ditado "A Vida Imita a Arte" foi tão bem aplicado como nesse caso.

Em relação ao filme em si, se trata de um bom faroeste. Tem alguns problemas relacionados ao ritmo da história, mas que não comprometem o resultado final. A estética que vinha surgindo no cinema naquela época também se faz sentir aqui. Os personagens já são mais realistas, alguns com figurinos sujos de poeira e tudo mais. Não havia mais espaço para o cowboy impecável das velhas produções da antiga Hollywood. O próprio Rock Hudson abriu mão de seu costumeiro visual belo e arrumado. Aqui surge de cabelos despenteados, uniforme empoeirado e roupas velhas e surradas, da guerra civil. Já John Wayne entrega um personagem mais de acordo com seu tipo habitual. No final das contas os dois fizeram um bom filme e de certa maneira combinaram bem na tela, algo que muitos se surpreenderam ao assistirem ao filme em seu lançamento original. 

Jamais Foram Vencidos / Nunca Foram Vencidos (The Undefeated, Estados Unidos, 1969) / Direção de Andrew V. McLaglen / Roteiro de James Lee Barrett e Stanley Hough / Elenco: Rock Hudson, John Wayne, Ben Johnson e Tony Aguilar / Sinopse: Após a Guerra Civil americana graduado oficial confederado procura recomeçar sua vida em meio a um clima hostil e selvagem.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 25

Em 1975 Rock Hudson completou 50 anos de idade! Uma marco importante e preocupante para um galã de Hollywood. No cinema sua carreira estava praticamente encerrada, mas Rock curiosamente conseguiu sobreviver como ator, trabalhando na televisão. Ele emplacou uma série de grande sucesso chamada "McMillan & Wife" que girava em torno de um casal comum que decifrava crimes todas as semanas. O público americano adorou e a série teve grande audiência. 

Rock assim conseguia manter sua popularidade, principalmente para uma nova geração que nunca havia assistido seus filmes quando passaram no cinema nas décadas anteriores. Os mais jovens o conheciam principalmente pela série e não pelo cinema. Em cinco temporadas com centenas de episódios, Rock ganhou dinheiro como nunca, mas não gostava da experiência de ser um ator de televisão.

Aos mais próximos ele dizia que aquela série iria ser o útlimo ato de sua carreira. Que a televisão era o porto para onde os grandes navios eram enviados para apodrecerem e se tornarem museus. Uma metáfora de alguém que havia sido da Marinha. Além disso Rock reclamava muito de como as coisas eram feitas na TV. Rock vinha do cinema, onde os filmes eram produzidos com calma e cuidado. Na TV, por outro lado, tudo era pressa, tudo era stress e caos. Um novo episódio tinha que ser filmado por semana e a velocidade em que as coisas eram feitas deixavam Rock chocado e nervoso! Numa certa vez o diretor não conseguiu trabalhar por estar doente, então a direção do episódio foi entregue ao próprio Rock, em cima da hora. Ele mal podia acreditar naquilo! Os roteiros muitas vezes eram escritos no meio das gravações, outras vezes os atores tinham que improvisar as falas pois não havia tido tempo de se providenciar os scripts! 

E acima de tudo havia a pressão da audiência. Toda semana havia o stress para saber se o episódio tinha alcançado ou não audiência. Depois de cinco temporadas Rock estava esgotado! Ele pediu demissão. A emissora ofereceu milhões de dólares para Rock voltar, mas ele disse não! Ele não aguentava mais aquela situação. Preferia manter sua saúde mental. Assim "McMillan & Wife" foi cancelada, mesmo sendo uma das séries de maior audiência da TV americana nos anos 70.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Larápios

Título no Brasil: Larápios
Título Original: I Was a Shoplifter
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Charles Lamont
Roteiro: Irwin Gielgud
Elenco: Scott Brady, Mona Freeman, Andrea King, Tony Curtis, Rock Hudson

Sinopse:
Jovem é presa após furtar objetos em uma grande loja de departamentos. Na central de polícia lhe é oferecido um acordo. Ela não irá presa, mas vai colaborar com os policiais, se tornando informante, para que os demais criminosos da região, ladrões em especial, sejam identificados e presos pelos detetives do Departamento de Polícia. 

Comentários:
Um cult movie do chamado cinema noir. Esse foi um movimento cinematográfico bem interessante surgido dentro da indústria americana. Copiando a estética de filmes europeus, usando principalmente do jogo de luzes e sombras, com tramas envolvendo investigações policiais e personagens sórdidos, foi um excelente investimento para os estúdios de Hollywood. Custavam pouco e faturavam bem nas bilheterias. Aqui a Universal colocou seu time de jovens atores, astros em potencial na época, para ir pegando experiência no cinema. Entre eles temos Rock Hudson e Tony Curtis. Eram jovens e ainda desconhecidos do grande público. Ambos iriam se tornar campeões de bilheteria nos anos que viriam. É um bom filme, bem de acordo com a filosofia noir. Por isso acabou se tornando, com o passar dos anos, um dos mais conhecidos exemplares do gênero. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Estação Polar Zebra

Título no Brasil: Estação Polar Zebra
Título Original: Ice Station Zebra
Ano de Lançamento: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: John Sturges
Roteiro: Alistair MacLean, Douglas Heyes
Elenco: Rock Hudson, Ernest Borgnine, Patrick McGoohan, Jim Brown, Tony Bill, Lloyd Nolan

Sinopse:
Durante o auge da Guerra Fria, um submarino nuclear da Marinha dos Estados Unidos recebe uma missão secreta: viajar até o Ártico para investigar um misterioso incidente ocorrido na estação científica britânica conhecida como Estação Polar Zebra. A bordo do submarino USS Tigerfish, o comandante James Ferraday conduz sua tripulação em uma perigosa jornada sob o gelo do Polo Norte. Ao longo da missão, vários personagens suspeitos embarcam na expedição, incluindo um agente de inteligência que pode ter segundas intenções. À medida que o submarino se aproxima da estação, torna-se claro que o incidente envolve informações extremamente sensíveis ligadas à corrida tecnológica e militar entre Estados Unidos e União Soviética. A tripulação enfrenta perigos naturais, sabotagens e intrigas enquanto tenta descobrir a verdade antes que o inimigo o faça.

Comentários:
No momento de seu lançamento, Ice Station Zebra recebeu críticas mistas, mas muitos críticos elogiaram sua atmosfera de suspense e a grandiosidade da produção. O jornal The New York Times destacou a tensão criada pela ambientação no Ártico e a direção sólida de John Sturges, conhecido por filmes de ação e aventura. A revista Variety ressaltou o valor de produção e os efeitos especiais utilizados para recriar o ambiente polar e as operações do submarino. Do ponto de vista comercial, o filme teve desempenho razoável nas bilheterias e chamou atenção por seu alto orçamento e ambição técnica. Com o passar do tempo, Estação Polar Zebra ganhou reconhecimento entre fãs de filmes de espionagem e aventuras militares da Guerra Fria. Hoje ele é frequentemente lembrado como um clássico cult do gênero, especialmente apreciado por seu clima de mistério e pela representação detalhada das operações de submarinos nucleares durante um dos períodos mais tensos da história moderna.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 24

Embora Rock Hudson tivesse jurado nunca mais fazer um filme de faroeste em sua vida, por causa das dificuldades, incômodos de filmar em locação, a poeira do deserto, etc, ele acabaria voltando atrás com sua palavra. Seu velho estúdio, a Universal Pictures, ofereceu um excelente cachê para ele atuar no filme "Inimigos à Força" (Showdown, 1973). O roteiro de fato era muito bom, com direção segura do competente George Seaton. Rock havia deixado muitos amigos ao longo dos anos em que trabalhou na Universal e não conseguiu dizer não. 

Assim ele fez as malas e seguiu viagem para as locações. O filme seria realizado no Novo Mexico, numa região conhecida como Abiquiu. Era um fim de mundo! Nada ao redor, apenas o deserto hostil. Rock não gostou. Ele se arrependeu assim que desceu do trem! Porém pior do que isso foi trabalhar com Dean Martin. Rock nunca havia trabalhado com ele, apenas o conhecia de forma muito superficial de festas em Hollywood. 

Dean Martin havia criado fama ao lado de Jerry Lewis e tinha um sério problema com bebidas. Logo nos primeiros dias de filmagens Rock percebeu que haveria problemas. Martin estava sempre embriagado. Ele não conseguia decorar direito suas falas. Rock sempre odiou bêbados ao longo de sua vida e agora não seria diferente. Foi muito complicado trabalhar ao seu lado. Isso fez com que Rock sentisse falta de um parceiro sério de cena, como John Wayne, com quem ele havia rodado um western anos antes. Wayne era um excelente profissional. Sempre pontual, sempre pronto para as filmagens. Dean Martin era o oposto de tudo isso. Por causa dele o filme estourou o orçamento e levou quase o dobro de dias programados para ser finalizado. 

De volta ao Castelo, Rock trocou figurinhas com seu asssistente pessoal e braço direito Marc. Ele lhe disse: "Fazer esse filme foi uma das piores experiências da minha vida de ator. Tente trabalhar no meio do deserto do Novo Mexico ao lado de um bêbado e você vai entender o que eu passei nessas semanas. Dessa vez é pra valer, nunca mais farei um filme de faroeste! E nunca mais vou trabalhar com Dean Martin, pode ter certeza disso!". As duas promessas seriam cumpridas por Rock nos anos seguintes. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 23

Conforme os Estados Unidos ia afundando na Guerra do Vietnã, Rock Hudson ficava cada vez mais chocado com o que assistia nos noticiários noturnos. Milhares de jovens perdiam a vida nas selvas daquele país asiático. Rock conhecia bem o Vietnã. Ela fazia parte da tripulação de um navio de guerra da Marinha americana durante a Segunda Guerra Mundial e esse navio era abastecido justamente em um dos portos do Vietnã. 

Sobre o país, Rock dizia: "O Vietnã é um pequeno país do sudeste da Ásia. Um lugar muito quente, muito úmido, cheio de florestas tropicais. Havia muitas doenças nessas selvas e esses soldados americanos não estão preparados para elas. O povo do Vietnã também é muito cioso em relação ao seu país. Vai ser um massacre!". Rock acertou todas as suas previsões do Vietnã. A guerra foi um desastre para as forças armadas, inclusive para a Marinha. Ele ficou tão consternado com tudo o que estava acontecendo que chegou a cogitar devolver as suas medalhas para a Marinha em protesto. 

Seu agente disse que ele não deveria fazer isso. Os Estados Unidos estava em ebulição, com muitos protestos nas ruas. O gesto de Rock poderia ser mal interpretado. Para o agente, Rock deveria ficar calado sobre tudo o que estava acontecendo. Não deveria dar declarações públicas sobre a Guerra do Vietnã pois isso poderia prejudicar sua carreira. Depois de muito pensar, Rock resolveu seguir seus conselhos, mas nunca mudou sua opinião sobre a guerra, sempre foi contra tudo o que estava acontecendo. Para quem era próximo, Rock jamais escondeu o que pensava: "É o maior absurdo militar que já vi em minha vida!". 

E foi justamente nessa época que ele recebeu um telefone de John Wayne. O veterano ator queria convidar Rock para fazer parte de seu novo filme que iria se chamar "Os Boinas Verdes", uma forma de levantar a moral das tropas americanas que lutavam no Vietnã. Rock ficou obviamente horrorizado com o tema do filme, a história que iria contar, e de forma muito educada recusou. Ao desligar o telefone, Rock virou-se para seu assistente pessoal Marc no castelo e disse: "Pelo amor de Deus! Acabei de receber um convite do John Wayne para fazer um filme de apoio à Guerra do Vietnã! Jamais faria um filme com esse tipo de propaganda!". Depois disso John Wayne nunca mais convidou Rock para fazer um filme juntos. O velho ator ficou magoado com Rock por ele ter recusado sua proposta de fazer parte do elenco de "Os Boinas Verdes". 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ninho de Vespas

Título no Brasil: Ninho de Vespas
Título Original: Hornet's Nest
Ano de Lançamento: 1970
País: Estados Unidos, Itália
Estúdio: Titanus Pictures
Direção: Phil Karlson
Roteiro: S. Lee Pogostin
Elenco: Rock Hudson, Sylva Koscina, Sergio Fantoni, Jacques Sernas, Gianni Garko, Duccio Tessari

Sinopse:
Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de jovens órfãos italianos sobrevive escondido em uma vila devastada pelo conflito. Suas vidas mudam quando encontram um soldado americano, que os convence a ajudá-lo em uma missão perigosa contra forças alemãs. Inicialmente motivados pela promessa de comida e sobrevivência, os garotos acabam envolvidos em uma operação arriscada, onde precisam enfrentar perigos reais e amadurecer rapidamente diante da brutalidade da guerra.

Comentários:
Lançado em 1970, Hornet's Nest recebeu críticas mistas. O The New York Times destacou a proposta incomum de misturar um grupo de crianças com uma narrativa de guerra, mas considerou o tom irregular. Já a revista Variety elogiou a ideia central, embora tenha apontado limitações na execução e no desenvolvimento dos personagens. Nas bilheterias, o filme teve desempenho modesto, sem grande destaque comercial. Com o passar dos anos, Ninho de Vespas passou a ser lembrado como uma produção curiosa do gênero de guerra, especialmente por apresentar Rock Hudson em um papel diferente do habitual. Hoje, o filme é visto como uma obra atípica e interessante, que mistura drama de guerra com elementos de aventura juvenil, mantendo um certo valor cult entre apreciadores do gênero.

Erick Steve. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 22

Desde que deixara a Universal Pictures, Rock Hudson tinha se tornado um ator livre das amarras daqueles velhos contratos da antiga Hollywood. Agora ele poderia escolher os próprios filmes que queria fazer. E nesse processo erros também eram cometidos. Um deles foi o filme de guerra "Ninho de Vespas". Quando leu o roteiro, Rock gostou da história. Uma aventura com muitos toques de heroísmo. Tudo se passando na Segunda Guerra Mundial. Bom, se o roteiro do filme era bom, a execução deixou a desejar. 

De volta ao Castelo, após as filmagens, Rock confessou suas impressões ao seu assistente pessoal Marc: "No roteiro parecia ser muito bom! Só que lá pela metade das filmagens eu já tinha consciência que o filme não iria funcionar. O diretor era ruim, o elenco basicamente formado por amadores. Esse filme vai ser um desastre!". Dito e feito. Lançado nos cinemas, logo saiu de cartaz por falta de público. A crítica caiu malhando o filme, destruindo as chances de ter alguma boa bilheteria. Ao fazer uma retrospectiva o próprio Rock assumiu uma certa dose de culpa: "Eu deveria ter me envolvido mais na produção. Deveria ter pedido a demissão do diretor. Eu poderia ter salvado esse filme... mas não deu! Lamento muito!". 

Outro erro foi "Garotas Lindas aos Montes". Esse filme foi feito com a insistência da MGM. Como Rock havia feito um bom trabalho por  lá com "Estação Polar Zebra" não houve como dizer não. Ele queria deixar as portas abertas na Metro caso surgissem novas oportunidades. Só que o filme era uma série de erros. A MGM queria repetir o sucesso das comédias românticas que Rock havia feito ao lado de Doris Day nos anos 50 e 60, só que com cenas mais picantes. E como o próprio título sugeria, com um elenco formado por gatinhas, de todos os tipos.

Rock odiou fazer o filme. Ele deu seu veredito sobre o filme: "Tudo muito ruim! Eu não me encaixei no papel e o tempo desse tipo de filme já passou. Não estamos mais nos anos 50. Aquilo era uma coisa da época, funcionou naquele tempo. Hoje não mais! Além disso não tinha Doris no elenco. As chances de dar certo eram mesmo poucas!". Com dois fracassos de bilheteria nas costas, Rock resolveu esfriar um pouco a cabeça. Fez viagens internacionais, conheceu a França e parte da Europa e depois decidiu fazer um cruzeiro pelo Mediterrâneo. Rock gostou tanto da Europa que chegou até mesmo a fazer planos de ir morar em Paris, mas depois de alguns meses de descanso precisou retornar ao Castelo. Havia boas novas propostas de trabalho na mesa, que ele precisava avaliar. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 21

Rock Hudson adorava música e teve uma enorme coleção de discos de vinil. Segundo algumas contas sua coleção contava com mais de 5 mil álbuns, além de compactos, etc. E sempre que alguém perguntava porque ele havia comprado o Castelo, Rock brincava dizendo que precisava de um lugar espaçoso para colocar sua coleção de discos. Apesar de adorar o mundo da música, musicais no cinema não faziam parte do estilo cinematográfico da carreira de Rock.

Isso mudou em meados de 1969 quando ele recebeu o convite para atuar no musical "Lili, Minha Adorável Espiã". Ao receber a proposta de trabalho Rock Hudson recusou sem pensar muito nisso. "Eu não sou cantor e nem muito menos bailarino. Eu não ficaria bem em um musical, por essa razão nunca fiz um em minha carreira. Adoraria cantar e dançar, todos sabem como eu amo música, mas isso nunca fez parte dos meus talentos naturais. Eu não sou esse tipo de artista!" - concluiu o ator. 

Só que estrela Julie Andrews não aceitou a recusa de Rock. Ligou para ele e marcou um encontro no Castelo. No jantar, onde compareceu também o diretor Blake Edwards, houve uma verdadeira batalha de opiniões, como mais tarde recordaria o mordomo do Castelo. "Os dois deram vários argumentos para o Sr. Hudson aceitar fazer o filme. E ele ficava apenas recusando dizendo não, não e não. Depois de muitas horas, cansado de tudo, o Sr. Hudson finalmente aceitou fazer o filme. Ele se deu por vencido!". 

Rock chegou no primeiro dia de filmagens sem saber ao certo o que iria acontecer. Julie Andrews ficou muito feliz com sua presença e lhe avisou que haveria dois professores de dança para lhe acompanhar durante todas as filmagens e um instrutor de canto, contratado especialmente pelo estúdio. Rock acabou fazendo o filme, com a ajuda desses profissionais, mas no final confessou que em momento nenhum se sentiu à vontade em um filme musical. Esse acabou sendo seu primeiro e último filme nessa linha, apesar de ter sido até elogiado pelos críticos na época por sua atuação quando a produção chegou aos cinemas. Rock ficou feliz com as resenhas de elogios nos jornais, mas realmente estava decidido a não mais fazer musicais dali em diante. Pelo menos no cinema ele cumpriria sua promessa. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 20

Enquanto colhia os bons frutos de "Estação Polar Zebra", Rock Hudson recebeu um telefonema de John Wayne. O famoso astro do western queria ele no elenco de seu próximo filme, "Jamais Foram Vencidos". Rock aceitou o convite imediatamente, mesmo sem ler o roteiro. Como ele disse em entrevistas essa era uma excelente oportunidade que não poderia ser recusada. Ele conhecia John Wayne desde os velhos tempos e nunca pensou em fazer um filme de faroeste ao seu lado. Só que agora, como ator autônomo, ele não iria perder essa chance. 

O filme começou suas filmagens no México, na Sierra de los Ajos, no terrível deserto de Sonora. Assim que Rock chegou nas locações foi falar com John Wayne que estava se maquiando. A conversa foi das mais amigáveis. Wayne confesssou a Rock que queria fazer um filme ao seu lado desde que havia assistido "Assim Caminha a Humanidade". Para o veterano ator aquele havia sido um dos melhores filmes de western já feitos. Rock não discordou. 

As filmagens foram duras, complicadas de concluir. Quando voltou para o Castelo, Rock estava queimado de sol, muito exausto. Ao seu assistente pessoal, um velho amigo chamado Marc, confessou que havia odiado o deserto, mas não o filme em si e nem as pessoas que dele participaram. Apenas havia achado tudo muito cansativo, com muitas cenas de montaria. Rock disse que nunca mais faria um faroeste em sua vida, pois era, em suas palavras, "um trabalho de matar qualquer ator"!.

Mais tarde disse que passava muitas horas jogando xadrez com John Wayne, pois nos intervalos das filmagens não havia muito o que fazer no meio do deserto. Wayne era fanático por xadrez, sempre levando seu tabuleiro de um lado para o outro no set de filmagens. E o velho ator descobriu, para sua surpresa, que Rock Hudson era um excelente enxadrista. Ao parceiro de cena, Rock confessou: "Aprendi a jogar xadrez na marinha quando servi na frota do Pacífico. Passei muitos anos sem jogar depois disso, mas agora estou pegando o jeito de novo. Não se ensina novos truques a velhos cães de caça!". Ao ouvir isso John Wayne soltou uma grande risada, dando mais uma tragada em seu cigarro Camel, velho companheiro que no futuro seria sua ruína. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 19

Depois que terminou seu contrato com a Universal Pictures, Rock Hudson estava livre para fazer filmes em qualquer estúdio de Hollywood. Ele tinha um novo agente e pensava em mudar os rumos de sua carreira de ator. Uma boa oportunidade surgiu quando a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) lhe ofereceu o papel de protagonista na aventura militar "Estação Polar Zebra". Era um filme bem interessante, com submarinos nucleares e a trama se passando no Ártico gelado. Rock leu o roteiro e gostou. Não demorou muito e assinou com a MGM para fazer o filme. 

Esse foi um bom ponto de virada em sua carreira profissional, como também pessoal. No set de filmagens Rock conheceu Tom Clark, diretor de publicidade e marketing da MGM. Clark era gay e não demorou muito a começar um relacionamento com Hudson. Esse foi o caso mais longo e duradouro de toda a vida de Rock, pois durou mais de 17 anos. Nunca antes o ator havia ficado tanto tempo com o mesmo companheiro. E quando Rock ficou doente de AIDS, muitos anos depois, foi Tom Clark que retornou para lhe dar apoio em seus últimos meses de vida. Sem dúvida foi o mais forte elo de ligação emocional que teve em toda a sua vida.

Nessa época Rock também decidiu comprar uma casa. Ele estava sem casa própria desde quando perdeu sua primeira residência para sua ex-esposa, durante o divórcio. Aquela separação quase o levou à ruína financeira. Depois disso Rock morou por longos anos em um veleiro que ele ancorava na praia de Malibu. Como havia sido da Marinha americana durante a segunda guerra, aquilo lhe soava familiar e ele fez do barco seu verdadeiro lar. Mas agora, já bem mais velho, achava que era hora de ter um porto seguro em terra. 

Rock comprou uma mansão em Los Angeles que havia pertencido ao embaixador espanhol nos Estados Unidos. A mansão parecia um castelo espanhol antigo. Por essa razão passou a ser chamado por todos de "O Castelo". Nessa mansão Rock iria começar uma série de reformas sem fim que iriam durar até o fim de sua vida. Mais do necessidade, aquilo passou a ser um hobbie para o ator, pois ele adorava essa coisa de construir e reformar antigas casas. No Castelo ele podia brincar como bem quisesse e foi o que fez. Em suas mãos a velha mansão ficaria ainda mais deslumbrante e lendária.

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Herança Sagrada

Após a morte do cacique Cochise (Jeff Chandler), a nação Apache se divide em dois blocos de guerreiros. Os que desejam continuar a manter a paz com os brancos são liderados por Taza (Rock Hudson), filho sucessor e novo chefe da tribo. Já o grupo que deseja uma guerra final para expulsar os brancos das terras indígenas é liderado pelo famoso guerreiro Geronimo (Ian MacDonald) e pelo irmão de Taza, o impiedoso Naiche (Rex Reason). No meio do conflito se situa o Forte Apache, guarnição da sexta cavalaria do exército americano que se encontra na região para manter a ordem e a paz. Esse filme “Herança Sagrada” é um western curioso por vários motivos. O primeiro é o fato de ser dirigido por Douglas Sirk, um diretor mais conhecido por seus dramas sentimentais e urbanos. Dentro do gênero faroeste ele realmente não tinha muita intimidade e nem experiência. Nem por isso deixou de desenvolver um excelente trabalho, haja visto que o filme se mantém muito bem, com doses exatas de aventura, ação e até romance. Por exemplo o personagem nativo Taza almeja se casar com a filha de um apache que pertence à ala guerreira do chefe Geronimo, o que lhe trará muitos problemas. A parceria do diretor Sirk com Rock Hudson funcionou novamente muito bem nesse improvável western. Ele era um cineasta hábil que conseguia extrair o melhor de seu elenco, mesmo em filmes como esse.

Em sua autobiografia, o ator Rock Hudson relembrou algumas impressões sobre esse filme. Inicialmente ele afirmou que não se sentia completamente à vontade interpretando um nativo, um índio, pois tinha um biótipo bastante caucasiano, não servindo para interpretar com veracidade esse tipo de guerreiro. Ele obviamente ficaria mais convincente como um soldado da cavalaria dos Estados Unidos, com seus uniformes azuis. Depois relembrou com muito bom humor as dificuldades no set de filmagens. “Herança Sagrada” foi todo rodado em locações reais, no meio do deserto, numa região rica em barro vermelho. Rock no livro escreveu que todos os dias, após filmar suas cenas, tinha que tomar um prolongado banho onde segundo suas próprias palavras havia “toneladas de barro que desciam pelo ralo do banheiro”.

Apesar de tudo Rock Hudson reconheceu em seu livro de memórias que o filme foi bom para sua carreira pois fez sucesso de bilheteria, o ajudando a se transformar em um astro. Deixando esses detalhes de lado a conclusão que se chega após assistir a esse “Herança Sagrada” é a de que se trata realmente de um bom western, com cenas bem realizadas (como a emboscada dentro do cânion com os apaches promovendo um verdadeiro massacre da sexta cavalaria) e uma boa dose de realismo na forma como os índios são retratados em cena. “Herança Sagrada” é acima de tudo um filme muito interessante, por colocar os índios como protagonistas da estória e não apenas como inimigos sem alma e nem personalidade, que só serviam para morrer nas mãos  do colonizador branco. Por essa razão “Herança Sagrada” pode ser incluído até mesmo no panteão dos melhores filmes de faroeste já produzidos pela Universal Pictures.

Herança Sagrada (Taza, Son of Cochise, Estados Unidos, 1954) Direção: Douglas Sirk / Roteiro: Gerald Drayson Adams / Elenco: Rock Hudson, Barbara Rush, Gregg Palmer, Jeff Chandler, Ian MacDonald, Rex Reason / Sinopse: Após a morte do chefe Cochise (Jeff Chandler) o jovem Taza (Rock Hudson) assume a liderança de sua tribo. Ele deseja paz com os brancos mas enfrenta forte resistência de seu próprio irmão e Gerônimo, lendário guerreiro da nação Apache, que desejava a guerra contra o inimigo invasor.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 18

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 18
Por volta de meados dos anos 1960 o brilho da carreira de Rock Hudson começou a apagar. Ele havia entrado numa espécie de fórmula de comédias românticas, mas com o tempo o público foi perdendo o interesse nesses filmes. Suas últimas produções nessa linha como "O Esporte Favotito dos Homens" e "Amor à Italiana" tinham fracassado nas bilheterias. E para piorar o que já estava ruim, a Universal não quis mais renovar seu contrato após anos trabalhando no estúdio. Não era algo que acontecia exclusivamente com Rock. Todos os atores da antiga escola foram dispensados. Agora, iriam receber apenas quando estivessem envolvidos em algum filme. Nada de contratos permanentes. O antigo Star System que havia predominado em Hollywood por décadas havia chegado ao final. 

Na verdade o problema não era os filmes de Rock Hudson em si, mas sim o próprio cinema que havia mudado. Uma nova geração de jovens havia chegado na fase adulta. O movimento hippie estava no ar, os jovens  que gostavam da contracultura achavam Rock um cafona. Filmes como "Sem Destino" tinham deixado as produções ao velho estilo completamente fora de moda. Havia também uma nova geração de atores surgindo como Robert De Niro, Al Pacino, Jack Nicholson e Robert Redford. Todos eles deixaram Rock Hudson completamente ultrapassado. 

Rock também não curtia o trabalho desses novos atores e implicava com suas aparências. Rock achava todos eles feios (com exceção de Redford). Chegou a dizer a frase: "Alguém poderia imaginar esses atores feiosos como figuras heroicas, como cavaleiros em suas armaduras, em grandes cavalos brancos?". Só que Rock não entendia que o próprio conceito do herói cinematográfico de seu tempo havia passado. Ninguém mais queria ver os tais cavaleiros heroicos. Queriam ver gente como a gente, com seus problemas pessoais e urbanos. O cinema havia perdido parte de sua antiga magia. Era um novo mundo que exigia novos filmes, com temáticas mais relevantes e atuais. 

Irritado com tudo o que estava acontecendo, Rock então resolveu demitir seu agente, que estava com ele desde os primeiros filmes. Com um telefonema demitiu o lendário Henry Wilson. Ele fora um dos mais famosos agentes da velha Hollywood e havia feito a carreira de grandes astros do cinema, mas agora, envelhecido e doente, já não podia fazer mais grande coisa por seus contratados. Rock desabafou: "Wilson não me arranja mais grandes filmes. Ele ficava sentado em seu escritório esperando o telefone tocar! Eu sempre serei grato pelo que ele fez em minha carreira, mas todo ciclo um dia chega ao seu final". E assim Rock Hudson, um dos mais populares astros de Hollywood de repente se viu sem trabalho, sem estúdio e sem agente. Mas não desanimou, esperava por novas oportunidades que iriam surgir em breve. Pelo menos assim esperava.  

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Winchester '73

Winchester 73
Lendo a autobiografia do ator Rock Hudson nos deparamos com um capítulo onde ele relembra o lançamento desse western. De como viajou ao lado de James Stewart para promover o filme nas cidades. Na época ele era apenas um coadjuvante de luxo nesse faroeste que tem um ótimo roteiro. E é justamente o roteiro que se destaca nessa produção. Posso afirmar, sem parecer exagerado, que temos aqui um roteiro muito bem escrito, algo bem inovador mesmo. Várias histórias vão sendo mostradas e aos poucos todas convergem para o mesmo local. O roteiro na verdade segue o rifle Winchester 73 que vai passando de mão em mão ao longo do filme. A arma é uma espécie de prêmio que o personagem de James Stewart ganha em um concurso na cidade de Dodge City. Nessa cena temos direito até mesmo a uma aparição do famoso homem da lei Wyatt Earp. O rifle acaba sendo roubado depois, indo parar nas mãos de um grupo Sioux. Depois ele vai parar nas mãos de militares da cavalaria, vira objeto de ostentação de um covarde etc. O fio condutor de todo o enredo então passa a ser justamente esse rifle. E assim várias histórias do velho oeste vão sendo contadas.

Além do bom roteiro, o filme se destaca também pelo excelente elenco. Astros de Hollywood da sua era de ouro estão aqui. O ator James Stewart repete seu tradicional papel de homem íntegro e honesto. Para falar a verdade ele não precisava de muito mais do que isso. Sempre carismático e correto, Stewart liderou um elenco acima da média. O mais curioso é a presença de dois jovens atores que iriam virar grandes astros nos anos que viriam: Rock Hudson e Tony Curtis. O primeiro está quase irreconhecível como um chefe Sioux. Ele atuou no filme de peruca e pintado nas cores tradicionais dos nativos americanos, algo bem fora dos padrões de sua carreira. Já Tony Curtis, muito, muito jovem, faz um soldado da cavalaria no meio de um cerco indígena. Ambos estavam em começo de carreira, tentando um lugar ao sol em Hollywood.

Na época os dois eram contratados da Universal Pictures, que tinha um quadro de treinamento de novos atores. A Universal era conhecida por realizar vários faroestes B, mas aqui caprichou um pouco mais na produção. Isso porque contava com o astro James Stewart como estrela do filme. Assim o estúdio decidiu produzir um faroeste classe A para fazer jus a ele. A empresa cinematográfica sabia do potencial das bilheterias com sua presença. E tudo isso resultou numa produção caprichada. A direção também foi entregue a um cineasta experiente. Anthony Mann foi para James Stewart o que John Ford foi para John Wayne, ou seja, uma bela parceria se firmou entre ambos ao longo dos anos. Aqui a sintonia da dupla funciona novamente. Mann, com mão firme, não deixa o filme em nenhum momento cair na banalidade. Excelente trabalho de direção. Em suma, esse é um daqueles grandes filmes de western da história de Hollywood. Um filme para se ter na coleção.

Winchester '73 (Winchester '73, Estados Unidos, 1950) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Robert L. Richards, Borden Chase / Elenco: James Stewart, Rock Hudson, Tony Curtis, Shelley Winters, Dan Duryea / Sinopse: Lin McAdam (James Stewart) vence uma competição de tiro cujo prêmio é um rifle Winchester 73, a melhor arma da época. Após perder sua posse a arma cai nas mãos de várias pessoas ao longo do tempo. Filme indicado ao Writers Guild of America.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 11 de março de 2025

Seminole

Título no Brasil: Seminole
Título Original: Seminole
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal International Pictures
Direção: Budd Boetticher
Roteiro: Charles K. Peck Jr, Charles K. Peck Jr.
Elenco: Rock Hudson, Barbara Hale, Anthony Quinn, Lee Marvin, Richard Carlson, Hugh O'Brian

Sinopse:
Um jovem tenente chamado Lance Caldwell (Rock Hudson) é enviado para servir em um forte distante, nos pântanos da Flórida. A região é foco de conflitos com os nativos da tribo Seminole, liderados pelo guerreiro Osceola (Anthony Quinn). A presença dos militares acaba aumentando ainda mais as tensões entre os dois grupos. 

Comentários:
O astro Rock Hudson fez muitos filmes na Universal em seu começo de carreira. E naqueles tempos era comum a produção de filmes de faroeste. Assim não é de se admirar que ele tenha estrelado esse western com outro grande nome do cinema na época, Anthony Quinn. Hudson interpretava um tenente do exército americano, enquanto Quinn era o seu inimigo no campo de batalha, um nativo que lutava pela sobrevivência de seu povo. A história que o filme conta é real, fez parte da conquista da Flórida. E aqui temos o primeiro grande diferencial com outros filmes da época pois o enredo se passa todo nesse Estado americano que não faz parte do oeste do país. Aliás a geografia pantanosa da Flórida serviu de cenário para excelentes cenas de guerra entre a cavalaria e os índios. Curiosamente Rock Hudson diria depois que foi extremamente complicado fazer o filme porque tudo foi feito em locação, em terras com muita lama e areias movediças. Tempos pioneiros aqueles. Assim a equipe técnica do filme acabou sentindo as dificuldades que os pioneiros sentiram ao lutarem naquele campo de batalha bem no meio dos pântanos da Flórida. Enfim temos aqui um faroeste diferente, mas extremamente bem realizado. Pode-se dizer que é uma das produções mais interessantes dos anos 1950, contando com a preciosa direção de Budd Boetticher, um especialista nesse tipo de filme.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Sangue, Suor e Lágrimas

Título no Brasil: Sangue, Suor e Lágrimas
Título Original: Fighter Squadron
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: Seton I. Miller, Martin Rackin
Elenco: Edmond O'Brien, Robert Stack, Rock Hudson, John Rodney, Tom D'Andrea, Shepperd Strudwick, Arthur Space

Sinopse:
Numa base aérea americana na Inglaterra, durante a segunda guerra mundial, dois oficiais lutam pelo controle dos homens de uma esquadrilha de caças. O objetivo é treinar todos os membros da equipe para um momento chave dentro da guerra, a invasão do norte da França, na Normandia, numa das maiores operações militares da história que passaria a ser conhecida pelo codinome código de "Dia D". A invasão se tornaria o momento da virada na guerra, marcando o começo da vitória aliada no conflito.

Comentários:
Esse filme seria como qualquer outro feito para louvar o heroísmo dos que lutaram na segunda guerra mundial se não fosse por um detalhe importante: foi o primeiro filme da carreira do futuro astro Rock Hudson. Na época Rock ainda era um novato em Hollywood procurando por um lugar ao sol. Ele tinha acabado de assinar um contrato com o agente Henry Wilson e havia caído nas graças do diretor Raoul Walsh que resolveu lhe dar uma oportunidade, pequena é verdade, mas que significou bastante para o ator naquele momento de sua carreira. O papel de Rock é insignificante, ele interpreta um tenente com apenas uma linha de diálogo em cena. Isso porém foi o bastante para chamar a atenção dos produtores que viram potencial ali. Claro, Rock não era um grande ator, mas tinha um visual impecável, era bonito, alto, o estilo galã perfeito para os filmes românticos. A Universal saiu na frente e contratou Rock Hudson. Imediatamente o colocou no programa de treinamento de atores do estúdio (o melhor que havia na cidade) e começou a lapidar seu futuro como grande astro. "Sangue, Suor e Lágrimas" recebeu esse título por causa do famoso discurso do primeiro ministro Winston Churchill que logo no começo da segunda guerra mundial discursou pelo rádio ao povo inglês afirmando que não prometia nada a não ser sangue, suor e lágrimas! No geral o que temos aqui é uma eficiente fita de guerra, com alguns bons momentos de tensão e ação. Não chega a se destacar como outros que eram lançados no mesmo período mas cumpre bem suas pretensões (modestas) do ponto de vista cinematográfico. Além disso só pelo simples fato de ter sido a estreia de Rock Hudson no cinema já vale a sua atenção. Um filme mediano mas certamente histórico dentro da sétima arte. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Sangue Rebelde

Título no Brasil: Sangue Rebelde
Título Original: Captain Lightfoot
Ano de Lançamento: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Douglas Sirk
Roteiro: W.R. Burnett, Oscar Brodney
Elenco: Rock Hudson, Barbara Rush, Jeff Morrow

Sinopse:
Em 1815, Michael Martin, membro de uma sociedade revolucionária irlandesa, transforma-se em salteador de estrada para apoiá-la e é forçado a fugir para a ilegalidade. Em Dublin, ele conhece o famoso rebelde "Capitão Thunderbolt" e se torna seu segundo em comando, "Lightfoot". 'Esta é uma vida perigosa, com capturas, traidores, resgates e romance.

Comentários:
Eu sempre gostei muito do Rock Hudson e seus filmes. Ele foi mesmo um galã à moda antiga, daqueles que pareciam bem heroicos na tela. Ele tinha a imagem ideal, certa para isso. Só que nesse filme seu personagem me soou muito bobo, um tolo completo. Além disso essa coisa de folclore irlandês não faz muito sentido nos dias de hoje. Provavelmente era alguma história de pub que os irlandeses contavam quando estavam mortos de bêbados. Não tem muita graça fora desse contexto de bebedeiras. Acredito inclusive que os irlandeses dos dias atuais nem conhecem esse tipo de coisa. Então foi sim uma bola fora do Rock Hudson em suas filmografia. É um tipo de humor que não existe mais nos dias de  hoje. Se já era bem sem graça naqueles tempos, imagine hoje em dia...

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Rifles para Bengala

Título no Brasil: Rifles para Bengala
Título Original: Bengal Brigade
Ano de Lançamento: 1954
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Laslo Benedek
Roteiro: Richard Alan Simmons, Seton I. Miller
Elenco: Rock Hudson, Arlene Dahl, Ursula Thiess, Torin Thatcher, Arnold Moss, Michael Ansara

Sinopse: 
A história do filme se passa em 1857. Durante o sistema colonial, a Inglaterra dominava a Índia, tratando aquela nação como uma mera colônia do império britânico. Após uma série de revoltas, um oficial do exército, o Capitão Clayboune (Rock Hudson), tenta defender seu forte de uma série violenta de ataques promovidos pelos revolucionários indianos. 

Comentários:
Há duas formas básicas de se ver esse filme. Como mera aventura em terras exóticas ele é até muito bem funcional. Esse era aliás o único objetivo do estúdio quando produziu o filme. Atrair o público para um filme de aventuras, numa guerra distante. O problema é que o contexto histórico do filme diz respeito ao colonialismo britânico. E nessa segundo forma de ver esse filme a coisa complica. De certa maneira o roteiro louva e celebra mesmo o sistema colonial, algo que nos dias de hoje (e quando o filme foi lançado) já era algo historicamente superado. Além disso o filme acabou sendo muito criticado quando chegou nas telas da Inglaterra. Os ingleses se incomodaram muito em ver um elenco de atores americanos interpretando personagens britânicos. E tudo sem muito cuidado e rigor técnico. Muito se falou sobre o fato de que os personagens, apesar de serem todos ingleses, não tinham o sotaque tão característico do povo inglês. Então o filme acabou fracassando no Reino Unido. Era algo que os britânicos realmente não iriam perdoar. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 17

A História de Rock Hudson - Parte 17
O filme que transformou Rock Hudson em um astro de Hollywood foi o drama de Douglas Sirk intitulado "Sublime Obsessão" de 1954. Era uma adaptação de um best-seller da época escrito por Lloyd C. Douglas. Durante muito tempo os estúdios disputaram os direitos autorais desse romance e depois de um verdadeiro leilão a Universal finalmente conseguiu o que queria. Inicialmente o estúdio pensou em trazer um grande astro para interpretar o principal personagem do filme, mas todos eles pareciam estar com compromissos. Então o jeito foi apelar para o próprio grupo de atores da empresa. Dentre eles, Rock foi o escolhido. O personagem que iria interpretar se chamava Bob Merrick e tinha nuances complexas em sua personalidade. Sem dúvida era um desafio e tanto para Rock. 

Anos depois ele seria sincero sobre esse trabalho. Inicialmente relutante, Rock aceitou o papel, mesmo com um certo receio. No começo até pensou em se matricular em cursos mais avançados de arte dramática, mas depois desistiu. Ele mesmo seria sincero sobre essa questão ao afirmar:  "Eu poderia falar que atuei baseado em alguma filosofia de trabalho, mas estaria mentindo. Eu simplesmente tive coragem, fui lá e fiz. É isso! Pode soar meio estranho e até arrogante, mas naquela época eu era assim. Fui lá, decorei minhas falas, trabalhei com seriedade e torci para dar tudo certo!." Para sorte de Rock, o público gostou e a crítica também elogiou seu trabalho, colocando ele finalmente na primeira lista de astros da Universal. 

Essa fase foi seu auge como galã de personagens românticos e trágicos. Logo estava de volta a um filme com a mesma equipe técnica e o mesmo diretor Douglas Sirk no hoje clássico "Tudo o que o Céu Permite". Esse filme foi considerado um grande passo na carreira do ator, outro grande sucesso de público e crítica. Rock surge bem mais seguro em cena, consciente de sua nova posição de grande astro. Seu nome aparecia com destaque no poster do filme e nas marquises de cinema por todo o mundo. E Rock não se importava em ser estigmatizado como galã romântico como bem deixou claro em entrevistas da época. Ele declarou: "Fico feliz em ter encontrado um tipo de papel que agrade ao público. Esse considero meu segundo grande filme e estou muito feliz em saber que foi bem sucedido! Voltarei a trabalhar em filmes desse estilo pois percebi que consigo desenvolver um bom trabalho nesse tipo de produção!". 

Depois desses dois sucessos no cinema, choveram convites para Rock Hudson atuar em grandes produções da época, mas praticamente todos foram recusados pois ele tinha um contrato de exclusividade com a Universal Pictures por sete anos, o que era o contrato padrão para o cinema americano da época. Com o dinheiro ganho nos filmes, Rock finalmente comprou uma bela casa no alto da colina, em Los Angeles, com Hollywood logo abaixo. Antes ele vivia em um veleiro ancorado na praia de Malibu. Também comprou um Cadillac novinho para ir todas as manhãs na Universal City para trabalhar. Rock então logo transformou sua nova casa em um local de ponto de encontro para jovens atores e atrizes da Universal, dando apoio para quem ainda estava procurando um lugar ao sol. Era considerado um dos atores mais amigáveis de Hollywood em termos de jovens talentos, nunca recusando ajudar esses jovens em busca do sucesso. Sobre essa questão esclareceu: "Eu sempre ajudarei aos mais jovens, os novatos. Simplesmente porque um dia eu fui um deles. Eu sei como é importante ter alguma ajuda no começo da carreira em Hollywood". 

Pablo Aluísio.