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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Brazil - O Filme

Título no Brasil: Brazil - O Filme
Título Original: Brazil
Ano de Lançamento: 1985
País: Reino Unido, Estados Unidos
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam, Tom Stoppard
Elenco: Jonathan Pryce, Robert De Niro, Kim Greist, Katherine Helmond, Ian Holm, Bob Hoskins, Michael Palin, Peter Vaughan

Sinopse:
Um burocrata do serviços público sonha com uma vida melhor. Só que seus sonhos são esmagados pela dura realidade de se viver em um Estado totalitário e ditadorial, onde qualquer pessoa pode ser acusada de traição, sofrendo todos os tipos de violência e violação de seus direitos humanos. 

Comentários:
Quem conhece a obra de Terry Gilliam não vai se surpreender. Esse ex-membro da trupe do Monty Python foi o que se saiu melhor no cinema em sua carreira solo. Seus filmes tinham essa característica própria, com elementos de fantasia de um universo bem particular. Um tipo de mundo absurdo que a despeito de se identificar muitas vezes com distopias delirantes ainda conseguia manter um certo lirismo no ar. Em relação a esse filme achei tudo mais deprimente do que engraçado. O humor, se existente, é soterrado pela realidade triste em que vive seu protagonista. Jonathan Pryce está perfeito como esse homenzinho que só consegue o emprego no serviço público por causa da mãe, mulher rica da elite, totalmente fútil e inútil para a sociedade. Como sua vida é uma porcaria ele sonha, como ser um herói alado que salva sua princesa dos sonhos em uma realidade fantasiosa. Confesso, fiquei com muita pena desse personagem. Enfim, deprimente e delirante, Brazil causa desconforto nos dias de hoje. Está bem datado, com os cacoetes do cinema dos anos 80, mas se mantém firme como crítica social amarga. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Brazil - O Filme

Título no Brasil: Brazil - O Filme
Título Original: Brazil
Ano de Lançamento: 1985
País: Reino Unido / Estados Unidos
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam, Tom Stoppard e Charles McKeown
Elenco: Jonathan Pryce, Robert De Niro, Kim Greist, Katherine Helmond, Ian Holm, Bob Hoskins, Michael Palin, Peter Vaughan e Jim Broadbent.
Duração: 132 minutos na versão americana de Gilliam; existem versões mais longas.
Gênero: Ficção científica, sátira, comédia negra e distopia.

Sinopse:
Brazil apresenta um futuro distópico dominado por uma gigantesca burocracia estatal, no qual praticamente todos os aspectos da vida cotidiana são controlados por formulários, departamentos, computadores antiquados e funcionários que seguem regras absurdas. Nesse mundo vive Sam Lowry, interpretado por Jonathan Pryce, um funcionário público de baixo escalão que passa seus dias trabalhando em um ambiente opressivo e impessoal. Sam sonha frequentemente com uma mulher misteriosa que aparece em suas fantasias como uma espécie de figura angelical. Sua existência aparentemente insignificante muda quando um erro burocrático faz com que o governo confunda um homem inocente com um terrorista. Ao tentar corrigir o problema, Sam descobre que a mulher de seus sonhos, Jill Layton, existe na realidade. A partir desse momento, ele se envolve em uma conspiração cada vez mais perigosa e passa a ser perseguido pelo próprio sistema que deveria servir. Ao mesmo tempo, surge Archibald "Harry" Tuttle, interpretado por Robert De Niro, um técnico rebelde que trabalha clandestinamente contra a burocracia. Misturando pesadelo e realidade, Terry Gilliam constrói uma sociedade grotesca na qual tecnologia e burocracia não produzem eficiência, mas confusão, vigilância e opressão. O filme utiliza humor absurdo, cenários gigantescos e imagens surrealistas para discutir autoritarismo, conformismo, alienação e a destruição da individualidade.

Comentários:
Desde seu lançamento, Brazil provocou uma reação extraordinariamente forte da crítica americana, principalmente por sua originalidade visual e por sua sátira política. A Los Angeles Film Critics Association escolheu a produção como Melhor Filme de 1985, além de premiar Terry Gilliam como melhor diretor e o roteiro como melhor do ano. A The New York Times, através de Janet Maslin, foi igualmente entusiasmada e classificou o filme como uma realização notável, destacando a combinação entre o impulso satírico de Gilliam e seu extraordinário estilo visual. A crítica da publicação chamou atenção para a arquitetura opressiva, os cenários gigantescos e os pequenos detalhes absurdos espalhados por praticamente cada cena. A Los Angeles Times, em uma crítica de Sheila Benson, foi ainda mais enfática ao descrever Brazil como uma visão "brilhante, exaustiva e ferozmente engraçada" de um futuro pós-orwelliano. Benson observou que Gilliam transformava em alvo praticamente tudo que considerava ameaçador na sociedade moderna: tecnologia, burocratas, publicidade, terrorismo, cirurgias plásticas e uma obsessão doentia por regras e procedimentos. Antes mesmo de sua estreia comercial nos Estados Unidos, o filme já despertava enorme entusiasmo entre críticos americanos. O Los Angeles Times registrou comentários extremamente favoráveis de jornalistas como Judith Crist, que o considerou "fascinante" e "perspicaz", enquanto Bruce Williamson, da Playboy, classificou-o como "brilhante e original". O próprio conflito entre Gilliam e a Universal acabou ampliando a reputação do filme, pois críticos passaram a defender publicamente a versão do diretor contra as tentativas do estúdio de torná-la mais convencional.

A batalha pela montagem americana tornou-se parte inseparável da história de Brazil. Sidney Sheinberg, então chefe da Universal, considerava o filme longo, confuso e comercialmente difícil, e pretendia alterar sua estrutura e seu final. Gilliam recusou-se a aceitar as mudanças, iniciando uma das mais famosas disputas entre diretor e estúdio da história de Hollywood. A situação chegou ao ponto de a Los Angeles Film Critics Association premiar Brazil como melhor filme antes mesmo de seu lançamento comercial americano, fortalecendo a posição de Gilliam na disputa. O filme acabou recebendo duas indicações ao Oscar, por Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Arte, embora não tenha vencido. Também ganhou dois BAFTAs, incluindo Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais. Comercialmente, entretanto, não foi um grande sucesso nos Estados Unidos, arrecadando cerca de US$ 9,9 milhões diante de um orçamento aproximado de US$ 15 milhões. Com o passar das décadas, sua reputação cresceu enormemente. Uma crítica da Los Angeles Times publicada em 1992, por ocasião da exibição da versão mais longa de Gilliam, afirmou que o filme permanecia "um nocaute" e considerou que sua visão havia se tornado ainda mais poderosa. Quarenta anos depois, o próprio Los Angeles Times voltou a analisar a obra e a chamou de "obra-prima visionária", ressaltando como sua representação de uma sociedade burocrática e autoritária continua assustadoramente atual. Hoje, Brazil é considerado um dos grandes clássicos da ficção científica e da sátira política, uma obra cuja influência ultrapassou o cinema para alcançar a cultura visual, a arquitetura, a publicidade e a própria maneira como a burocracia e os sistemas autoritários são representados na cultura popular.

Christian de Bella. 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

A Nação do Medo

Veja que argumento interessante: o que teria acontecido ao mundo se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial? Imagine todas as nações conquistadas vivendo sob o regime alemão, onde a figura mais idolatrada passaria a ser a de Adolf Hitler, considerado um herói e um exemplo para toda a humanidade! Chocante, não é verdade? Pois é basicamente nesse mundo ficcional que esse estranho e perturbador enredo se passa. O curioso é que o espectador fica bem incomodado com as cenas iniciais, mas conforme o filme avança a ideia central começa a parecer absurdamente normal e aceitável. E não foi por outra razão que "Fatherland" acabou sendo recebido com polêmica. Afinal de contas muitos poderiam vir a entender que a produção seria na verdade uma tremenda propaganda neonazista. Ledo engano.

O filme é inteligente o suficiente para escapar desse tipo de armadilha. Feito para a TV, "A Nação do Medo" acabou sendo reconhecido por seus próprios méritos, a ponto de ganhar indicações importantes no Globo de Ouro onde foi indicado ao prêmio de Melhor Minissérie ou Filme realizado especialmente para a TV. Melhor se saiu a atriz Miranda Richardson que acabou levando o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante na mesma premiação. Plenamente merecido, pois ela está ótima em seu papel. Já no "Oscar da TV", o Emmy Awards, a produção acabou sendo premiada por sua bela direção de arte, afinal de contas recriar um mundo nazista nos dias de hoje realmente exigiu muito talento e imaginação. Então é isso, meio esquecido atualmente "A Nação do Mundo" é um filme bem interessante e instigante. Uma obra que merece ser redescoberta.

A Nação do Medo (Fatherland, Estados Unidos, 1994) Direção: Christopher Menaul / Roteiro: Robert Harris, Stanley Weiser/ Elenco: Rutger Hauer, Miranda Richardson, Peter Vaughan / Sinospe: Em um mundo distópico e estranho, os nazistas venceram a II Guerra Mundial, impondo sua ideologia para toda a humanidade. Filme premiado pelo Globo de Ouro e Emmy Awards.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Sob o Domínio do Medo

Título no Brasil: Sob o Domínio do Medo
Título Original: Straw Dogs
Ano de Produção: 1971
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: ABC Pictures
Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: David Zelag Goodman, Sam Peckinpah
Elenco: Dustin Hoffman, Susan George, Peter Vaughan, T.P. McKenna, Donald Webster, Ken Hutchison

Sinopse:
O pacato matemático David Sumner (Hoffman) e sua esposa ficam encurralados por um grupo de psicóticos violentos e perigosos. O casal precisa então arranjar um jeito de sair daquela situação insana. Enquanto isso a violência vai se tornando cada vez mais sem limites. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Música Original (Jerry Fielding).


Comentários:
Sam Peckinpah foi um cineasta que transformou a estética da violência em uma nova forma de fazer cinema, de trazer renovação para os filmes dos anos 60 e 70. Claro, em um primeiro momento ele foi bastante criticado, principalmente por causa da violência explícita que trazia em seus filmes, porém com o tempo sua maneira de fazer cinema foi sendo compreendida melhor, perfeitamente entendida. Hoje seu status de grande diretor é uma unanimidade entre os especialistas em sétima arte. Esse filme aqui gerou bastante polêmica e controvérsia em seu lançamento original. Ele foi produzido e lançado na década de 1970, em uma época em que esse tipo de narrativa ainda era uma grande novidade. Por isso o diretor foi acusado de valorizar e glamorizar a brutalidade, a violência extrema. Nada mais longe da realidade. O filme é justamente uma bandeira contra essa mesma violência. A intenção de Sam Peckinpah foi justamente a oposta das acusações que lhe foram feitas. Com Dustin Hoffman ainda bem jovem e um elenco de apoio excelente, o filme é um dos mais marcantes da filmografia do diretor. Tentaram fazer um remake alguns anos depois, mas o resultado foi péssimo. Fique com o original. Esse sim é uma obra de arte do cinema.

Pablo Aluísio.