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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Brazil - O Filme

Título no Brasil: Brazil - O Filme
Título Original: Brazil
Ano de Lançamento: 1985
País: Reino Unido / Estados Unidos
Direção: Terry Gilliam
Roteiro: Terry Gilliam, Tom Stoppard e Charles McKeown
Elenco: Jonathan Pryce, Robert De Niro, Kim Greist, Katherine Helmond, Ian Holm, Bob Hoskins, Michael Palin, Peter Vaughan e Jim Broadbent.
Duração: 132 minutos na versão americana de Gilliam; existem versões mais longas.
Gênero: Ficção científica, sátira, comédia negra e distopia.

Sinopse:
Brazil apresenta um futuro distópico dominado por uma gigantesca burocracia estatal, no qual praticamente todos os aspectos da vida cotidiana são controlados por formulários, departamentos, computadores antiquados e funcionários que seguem regras absurdas. Nesse mundo vive Sam Lowry, interpretado por Jonathan Pryce, um funcionário público de baixo escalão que passa seus dias trabalhando em um ambiente opressivo e impessoal. Sam sonha frequentemente com uma mulher misteriosa que aparece em suas fantasias como uma espécie de figura angelical. Sua existência aparentemente insignificante muda quando um erro burocrático faz com que o governo confunda um homem inocente com um terrorista. Ao tentar corrigir o problema, Sam descobre que a mulher de seus sonhos, Jill Layton, existe na realidade. A partir desse momento, ele se envolve em uma conspiração cada vez mais perigosa e passa a ser perseguido pelo próprio sistema que deveria servir. Ao mesmo tempo, surge Archibald "Harry" Tuttle, interpretado por Robert De Niro, um técnico rebelde que trabalha clandestinamente contra a burocracia. Misturando pesadelo e realidade, Terry Gilliam constrói uma sociedade grotesca na qual tecnologia e burocracia não produzem eficiência, mas confusão, vigilância e opressão. O filme utiliza humor absurdo, cenários gigantescos e imagens surrealistas para discutir autoritarismo, conformismo, alienação e a destruição da individualidade.

Comentários:
Desde seu lançamento, Brazil provocou uma reação extraordinariamente forte da crítica americana, principalmente por sua originalidade visual e por sua sátira política. A Los Angeles Film Critics Association escolheu a produção como Melhor Filme de 1985, além de premiar Terry Gilliam como melhor diretor e o roteiro como melhor do ano. A The New York Times, através de Janet Maslin, foi igualmente entusiasmada e classificou o filme como uma realização notável, destacando a combinação entre o impulso satírico de Gilliam e seu extraordinário estilo visual. A crítica da publicação chamou atenção para a arquitetura opressiva, os cenários gigantescos e os pequenos detalhes absurdos espalhados por praticamente cada cena. A Los Angeles Times, em uma crítica de Sheila Benson, foi ainda mais enfática ao descrever Brazil como uma visão "brilhante, exaustiva e ferozmente engraçada" de um futuro pós-orwelliano. Benson observou que Gilliam transformava em alvo praticamente tudo que considerava ameaçador na sociedade moderna: tecnologia, burocratas, publicidade, terrorismo, cirurgias plásticas e uma obsessão doentia por regras e procedimentos. Antes mesmo de sua estreia comercial nos Estados Unidos, o filme já despertava enorme entusiasmo entre críticos americanos. O Los Angeles Times registrou comentários extremamente favoráveis de jornalistas como Judith Crist, que o considerou "fascinante" e "perspicaz", enquanto Bruce Williamson, da Playboy, classificou-o como "brilhante e original". O próprio conflito entre Gilliam e a Universal acabou ampliando a reputação do filme, pois críticos passaram a defender publicamente a versão do diretor contra as tentativas do estúdio de torná-la mais convencional.

A batalha pela montagem americana tornou-se parte inseparável da história de Brazil. Sidney Sheinberg, então chefe da Universal, considerava o filme longo, confuso e comercialmente difícil, e pretendia alterar sua estrutura e seu final. Gilliam recusou-se a aceitar as mudanças, iniciando uma das mais famosas disputas entre diretor e estúdio da história de Hollywood. A situação chegou ao ponto de a Los Angeles Film Critics Association premiar Brazil como melhor filme antes mesmo de seu lançamento comercial americano, fortalecendo a posição de Gilliam na disputa. O filme acabou recebendo duas indicações ao Oscar, por Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Arte, embora não tenha vencido. Também ganhou dois BAFTAs, incluindo Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais. Comercialmente, entretanto, não foi um grande sucesso nos Estados Unidos, arrecadando cerca de US$ 9,9 milhões diante de um orçamento aproximado de US$ 15 milhões. Com o passar das décadas, sua reputação cresceu enormemente. Uma crítica da Los Angeles Times publicada em 1992, por ocasião da exibição da versão mais longa de Gilliam, afirmou que o filme permanecia "um nocaute" e considerou que sua visão havia se tornado ainda mais poderosa. Quarenta anos depois, o próprio Los Angeles Times voltou a analisar a obra e a chamou de "obra-prima visionária", ressaltando como sua representação de uma sociedade burocrática e autoritária continua assustadoramente atual. Hoje, Brazil é considerado um dos grandes clássicos da ficção científica e da sátira política, uma obra cuja influência ultrapassou o cinema para alcançar a cultura visual, a arquitetura, a publicidade e a própria maneira como a burocracia e os sistemas autoritários são representados na cultura popular.

Christian de Bella. 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Ferocidade Máxima

Título no Brasil: Ferocidade Máxima
Título Original: Fierce Creatures
Ano de Lançamento: 1997
País: Estados Unidos, Reino Unido
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Robert Young, Fred Schepisi
Roteiro: John Cleese, Terry Jones
Elenco: John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline, Michael Palin, Michael Percival

Sinopse:
Um grupo de funcionários de um Zoo passam por situações bem embaraçosas depois que a direção do estabelecimento é mudada. Os novos diretores não sabem nada sobre como cuidar de um zoológico, por isso os funcionários decidem dar uma lição neles. 

Comentários:
O que temos aqui é uma comédia de humor bem britânico. O grande atrativo vem do fato do roteiro ter sido escrito por dois ex-integrantes do grupo Monty Python. Além disso o elenco contou com outros nomes da antiga trupe que realmente revolucionou o humor inglês nas décadas de 1960 e 1970. O próprio Terry Jones afirmou na época de lançamento do filme que o esboço desse enredo havia sido escrito muitos anos antes, ainda nos tempos do Monty Python e que só não foi aproveitado por eles em algum filme ou no programa de televisão porque não houve tempo de terminar o roteiro. Felizmente nos anos 90 eles conseguiram finalizar o projeto. Não é grande coisa, devo admitir, mas tem lá seus momentos bem divertidos. Veio na onda do sucesso de "Um Peixe Chamado Wanda", mas infelizmente não fez sucesso nos cinemas. 

Pablo Aluísio.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Monty Python - O Sentido da Vida

Título no Brasil: Monty Python - O Sentido da Vida
Título Original: The Meaning of Life
Ano de Produção: 1983
País: Inglaterra
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Terry Jones, Terry Gilliam
Roteiro: Graham Chapman, John Cleese
Elenco: Terry Jones, Terry Gilliam, Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin

Sinopse:
O grupo de humor britânico Monty Python tenta descobrir qual seria o sentido da vida, para isso usa diversas cenas cômicas onde tipos estranhos e bizarros desfilam pela tela. Filme indicado ao BAFTA Awards na categoria de melhor música original.

Comentários:
Enquanto esteve junto a trupe do Monty Python fez muito sucesso, inicialmente na TV e depois no cinema. Eles faziam um tipo de humor ácido ao extremo, beirando até mesmo a vulgaridade e a canalhice completa. Dentro de um quadro como a da Inglaterra conservadora dos anos 80, era um choque e tanto. Nesse filme aqui não há necessariamente uma história central a se contar. Segundo os passos de seu programa na TV o grupo desfilava em diversas gags o seu estilo de fazer comédia. Entre os tipos que surgem no filme há um professor de uma escola tradicional que só fala em sexo, um homem rico e mega gordo que mal consegue andar e um militar completamente debiloide (uma das melhores cenas do filme), além da famosa cena dos peixinhos no aquário discutindo o sentido da vida (no mais puro humor inglês). Enfim, quem curte o Monty Python definitivamente não terá do que reclamar.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Um Peixe Chamado Wanda

Título no Brasil: Um Peixe Chamado Wanda
Título Original: A Fish Called Wanda
Ano de Produção: 1988
País: Inglaterra, Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Charles Crichton, John Cleese
Roteiro: John Cleese, Charles Crichton
Elenco: John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline, Michael Palin, Maria Aitken, Geoffrey Palmer

Sinopse:
Quatro criminosos se unem para formar uma quadrilha com o objetivo de roubar pedras e joias preciosas no valor de 13 milhões de libras esterlinas. O problema é que cada um parece disposto a passar a perna no outro, numa verdadeira rede de traições. Quem vai acabar ficando com toda a fortuna roubada afinal de contas?

Comentários:
John Cleese é o verdadeiro talento por trás desse excelente filme de roubo a joias. Ele escreveu o roteiro, dirigiu o filme e ainda interpretou um advogado picareta que precisa lidar com um bando de ladrões, cada um querendo enganar o outro para ficar com o fruto dos roubos somente para si. Wanda Gershwitz (Jamie Lee Curtis) é peça chave nessa situação. Ela não apenas tem seu noivo envolvido no esquema criminoso, como também seu amante, o canastrão e ciumento Otto (Kevin Kline). Claro que esse será um jogo traiçoeiro onde todos tentam enganar a todos. O filme tem um toque de humor no estilo Monty Python, já que John Cleese é o mentor intelectual de todo o filme. Porém numa levada mais convencional. O resultado ficou tão bom que o filme foi até mesmo lembrado pelo Oscar, sendo indicado nas categorias de melhor direção e melhor roteiro original. E acabou também trazendo o Oscar para Kevin Kline que aqui foi premiado na categoria de melhor ator coadjuvante. Um prêmio raro, pois a Academia ao longo de sua história quase nunca premiou atores atuando em comédias como essa. Foi certamente um feito e tanto para Kevin Kline, naquele que pode ser considerado seu melhor momento da carreira.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Monty Python - E Agora Algo Completamente Diferente!

O grupo Monty Python revolucionou o humor inglês quando surgiu na segunda metade da década de 1960. Debochados, anárquicos e inteligentes eles apareceram em um momento interessante da cultura britânica. Sob sua verve cômica nada era poupado, nenhuma instituição real escapava das brincadeiras e sátiras. Em 1969 conseguiram seu próprio programa de TV chamado "Monty Python's Flying Circus" e a comédia televisiva jamais seria a mesma. O sucesso e a influência da trupe foram tamanhas que chegou até mesmo aqui no Brasil. Programas com nonsense, cheio de situações absurdas, como o extinto "TV Pirata" da Rede Globo era nitidamente uma tentativa brasileira de copiar o humor dos ingleses. Esse "Monty Python - E agora, Algo Completamente Diferente" foi o primeiro filme deles para o cinema. Na verdade trata-se em essência da sucessão de diversos quadros que ficaram célebres no programa de TV. Entre os mais divertidos estão o do homem de visão binocular, em ótima caracterização de John Cleese, e o da gangue das velhinhas inglesas. 

Além do humor negro, tipicamente britânico, o filme ainda traz animações dirigidas e criadas por Terry Gilliam. Dentro do grupo ele era o responsável pela parte dos desenhos que vão interligando as sequências de humor. Seu traço é muito característico, sem paralelos com nada na época. Geralmente feito de recortes de ilustrações clássicas, pinturas famosas e mosaicos da era vitoriana, Gilliam conseguia unir admiração e espanto, desconforto e humor, tudo na mesma panela de referências. Excelente. Depois do sucesso desse "And Now For Something Completely Different" o Monty Pyhton seguiu em frente no cinema realizando filmes cada vez mais ousados e divertidos como "A Vida de Brian" (onde satirizavam passagens bíblicas) e "Em Busca do Cálice Sagrado" (onde fazia humor em cima dos costumes históricos dos britânicos). Como vivemos uma falta de boas comédias atuais nada melhor do que revisitar a obra dessa trupe tão inteligente, engraçada e inovadora do fino humor inglês. Diversão garantida.  

Monty Python - E Agora Algo Completamente Diferente! (And Now For Something Completely Different, Inglaterra, 1972) Direção: Ian MacNaughton / Roteiro: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin / Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Carol Cleveland, Connie Booth, Lesley Judd / Sinopse: Série de quadros cômicos do programa "Monty Python's Flying Circus" transpostos para o cinema.  

Pablo Aluísio.