Para muitos "Simbad e o Olho do Tigre" é a obra prima da carreira do mestre Ray Harryhausen. Aqui ele não se contentou apenas em criar seus famosos e charmosos efeitos especiais, mas também produziu a fita e escreveu o roteiro. O enredo traz de volta às telas o simpático personagem Simbad, o marujo das Mil e Uma Noites. Nessa aventura ele tentará reverter o feitiço de um bruxa de magia negra que transformou um príncipe prestes a se tornar califa em um macaco babuíno. E é justamente esse o primeiro personagem criado por Ray Harryhausen a impressionar em cena. Extremamente bem feito o animal tem atos e gestos humanos, chegando inclusive ao ponto de jogar xadrez a bordo do navio de Simbad. O melhor é que ele é apenas um numa extensa galeria de criaturas criadas por Ray Harryhausen a surgirem em cena. Logo nos primeiros minutos de filme três demônios aparecem em uma fogueira para lutar contra Simbad. A cena lembra muito outro momento memorável da carreira de Harryhausen em "Jasão e o Velo de Ouro" quando esqueletos lutam contra guerreiros numa Grécia devastada. Em "Simbad e o Olho do Tigre" ainda há espaço para o ataque da Morsa Gigante em uma excelente cena passada em terras gélidas e o surgimento do Troglodita, um ancestral do homem que ajuda os heróis a entrarem em um antigo templo.
Mas não é só, ainda temos a presença do Minotan, um Minotauro em Ouro que ajuda a feiticeira a perseguir Simbad e seu grupo. E como esquecer a ótima luta final entre o Troglodita e o Tigre Dentes de Sabre, o guardião dos raios do Deus Apolo? Como se pode perceber é uma aventura das Mil e Uma Noites com tudo o que se tem direito: aventura, magia, criaturas mágicas e muita diversão. O filme marcou muito o público brasileiro porque foi campeão de reprises na Sessão da Tarde na década de 80. Aliás todos os filmes de Simbad eram adorados pela garotada da época. Nesse nicho de monstros em aventuras juvenis realmente ninguém conseguiu brilhar mais do que Ray Harryhausen. Suas técnicas e seus efeitos até hoje são marcantes. Seu talento para desenhar o design das criaturas também era simplesmente genial. Depois dessa aventura de Simbad ele se consagraria definitivamente com Fúria de Titãs, um marco do cinema na época. Mas essa história contaremos depois, em outra oportunidade! Por enquanto fica a dica, "Simbad e o Olho do Tigre", um clássico dos filmes de aventuras que até hoje diverte e empolga. Uma obra prima de Ray Harryhausen!
Simbad e o Olho do Tigre (Sinbad and the Eye of the Tiger, EUA, 1977) Direção: Sam Wanamaker / Roteiro: Ray Harryhausen, Beverley Cross / Elenco: Patrick Wayne, Taryn Power, Margaret Whiting, Jane Seymour / Sinopse: O marinheiro Simbad (Patrick Wayne) parte em uma nova aventura para buscar a cura do feitiço que foi colocado em seu amigo, o jovem príncipe Kassin que agora transformado em um macaco babuíno não consegue mais se tornar o califa de sua região. No caminho Simbad enfrentará muitos desafios como monstros e criaturas mágicas que tentarão de tudo para impedir que ele consiga alcançar seus objetivos.
Pablo Aluísio.
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segunda-feira, 21 de outubro de 2024
terça-feira, 26 de abril de 2022
Crepúsculo de Uma Raça
Quando o filme começa vemos um posto avançado da cavalaria do exército dos Estados Unidos em território demarcado como reserva indígena do povo Cheyenne. Aos poucos milhares de nativos chegam ali. Eles querem se encontrar com um senador que está chegando da capital. Querem mostrar para ele como as terras daquele lugar são desertas, sem água e nem comida. Que viver ali não seria possível. Os índios chegam pela manhã e ficam em pé esperando o senador que parece nunca chegar. Depois de horas de espera eles cansam de esperar e vão embora. Estão ofendidos e com razão. E decidem ir embora da reserva. O problema é que o comandante da tropa da cavalaria, o capitão Thomas Archer (Richard Widmark) tem ordens para evitar isso, usando de violência, se necessário for. Mas como ele vai atirar em crianças, idosos e mulheres indefesas?
Esse filme de John Ford foi uma espécie de pedidos de desculpas do cineasta para com o povo nativo dos Estados Unidos. Durante anos ele filmou filmes de western usando os indígenas como vilões e selvagens. Nesse filme ele decidiu que também iria mostrar o outro lado, o lado das nações nativas da América. O filme é assim dividido em três atos bem claros. No primeiro temos a fuga dos Cheyennes da reserva deserta e hostil para onde foram levados. No segundo ato, passado na cidade de Dodge City, há um pânico quando moradores descobrem que os índios estão chegando a na última parte vemos o desfecho, a conclusão da história.
Embora seja um filme muito bom ele se torna irregular por causa do segundo ato, em Dodge City. James Stewart aqui interpreta o xerife Wyatt Earp, mas tudo em tom de comédia, de humor, o que destoa do restante do filme. Quando eles saem em perseguição dos índios no deserto tudo parece um episódio de Corrida Maluca. Algo que quebra o ritmo sério e concentrado do restante do filme. O que diabos tinha John Ford na cabeça quando rodou esse segundo ato? Felizmente o filme retoma sua seriedade inicial na terceira e última parte, quando os indígenas chegam em um forte do exército americano. Ali eles esperam um tratamento adequado para seres humanos. Esperam que o governo americano encontre uma solução para eles. Quem se destaca nessa última parte é o veterano ator Edward G. Robinson. Ele interpreta o secretário do interior Carl Schurz, um homem justo e humano.
Então é isso. Temos aqui um filme que quase foi estragado pelo próprio John Ford na sua equivocada decisão de inserir humor em um filme com temática séria demais para esse tipo de coisa. O western assim se vale das duas partes (inicial e final) para se assumir como grande obra cinematográfica. Há elementos demais a se pensar nesse roteiro, de como o governo dos Estados Unidos foi injusto e cruel com os índios daquele país. Uma dívida história que pensando bem até hoje não foi devidamente paga!
Crepúsculo de Uma Raça (Cheyenne Autumn, Estados Unidos, 1964) Direção: John Ford / Roteiro: James R. Webb, Howard Fast / Elenco: Richard Widmark, James Stewart, Edward G. Robinson, Karl Malden, Ricardo Montalban, Carroll Baker, Sal Mineo, Dolores del Rio, Patrick Wayne, Gilbert Roland / Sinopse: O filme conta a história da fuga de um enorme grupo de índios da nação Cheyenne de uma reserva deserta dada pelo governo dos Estados Unidos. Assim que eles deixam a reserva passam a ser perseguidos pela cavalaria, dando origem a diversos confrontos e conflitos. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor direção de fotografia (William H. Clothier). Também indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator coadjuvante (Gilbert Roland).
Pablo Aluísio.
Esse filme de John Ford foi uma espécie de pedidos de desculpas do cineasta para com o povo nativo dos Estados Unidos. Durante anos ele filmou filmes de western usando os indígenas como vilões e selvagens. Nesse filme ele decidiu que também iria mostrar o outro lado, o lado das nações nativas da América. O filme é assim dividido em três atos bem claros. No primeiro temos a fuga dos Cheyennes da reserva deserta e hostil para onde foram levados. No segundo ato, passado na cidade de Dodge City, há um pânico quando moradores descobrem que os índios estão chegando a na última parte vemos o desfecho, a conclusão da história.
Embora seja um filme muito bom ele se torna irregular por causa do segundo ato, em Dodge City. James Stewart aqui interpreta o xerife Wyatt Earp, mas tudo em tom de comédia, de humor, o que destoa do restante do filme. Quando eles saem em perseguição dos índios no deserto tudo parece um episódio de Corrida Maluca. Algo que quebra o ritmo sério e concentrado do restante do filme. O que diabos tinha John Ford na cabeça quando rodou esse segundo ato? Felizmente o filme retoma sua seriedade inicial na terceira e última parte, quando os indígenas chegam em um forte do exército americano. Ali eles esperam um tratamento adequado para seres humanos. Esperam que o governo americano encontre uma solução para eles. Quem se destaca nessa última parte é o veterano ator Edward G. Robinson. Ele interpreta o secretário do interior Carl Schurz, um homem justo e humano.
Então é isso. Temos aqui um filme que quase foi estragado pelo próprio John Ford na sua equivocada decisão de inserir humor em um filme com temática séria demais para esse tipo de coisa. O western assim se vale das duas partes (inicial e final) para se assumir como grande obra cinematográfica. Há elementos demais a se pensar nesse roteiro, de como o governo dos Estados Unidos foi injusto e cruel com os índios daquele país. Uma dívida história que pensando bem até hoje não foi devidamente paga!
Crepúsculo de Uma Raça (Cheyenne Autumn, Estados Unidos, 1964) Direção: John Ford / Roteiro: James R. Webb, Howard Fast / Elenco: Richard Widmark, James Stewart, Edward G. Robinson, Karl Malden, Ricardo Montalban, Carroll Baker, Sal Mineo, Dolores del Rio, Patrick Wayne, Gilbert Roland / Sinopse: O filme conta a história da fuga de um enorme grupo de índios da nação Cheyenne de uma reserva deserta dada pelo governo dos Estados Unidos. Assim que eles deixam a reserva passam a ser perseguidos pela cavalaria, dando origem a diversos confrontos e conflitos. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor direção de fotografia (William H. Clothier). Também indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator coadjuvante (Gilbert Roland).
Pablo Aluísio.
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sexta-feira, 20 de julho de 2018
Jake Grandão
Jake McCandles (John Wayne) é um xerife da velha guarda que após vários anos reencontra sua esposa Martha (Maureen O'Hara). Ao mesmo tempo em que tenta uma reconciliação tem que enfrentar o terrível sequestro de seu neto por um sórdido bando de facínoras foras-da-lei. Devo confessar que quando li sobre o filme pela primeira vez pensei que seria bem fraco. Isso porque "Jake Grandão" é um projeto muito familiar por parte de John Wayne. Dois filhos estão em cena, o próprio Wayne dirigiu parte do filme e para terminar encaixou o filho de seu amigo, Robert Mitchum, no elenco. Assim pensei que seria um western feito a toque de caixa, sem grandes pretensões ou qualidade, feito única e exclusivamente para a filharada ganhar uma grana extra. Também por ser um filme da fase final de sua carreira achei que seria menos produzido, sem grandes pretensões cinematográficas. Realmente me enganei. Claro que por essa época Wayne não fazia mais grandes clássicos da história do cinema. As produções eram bem mais modestas e os roteiros eram simples e derivativos de seus antigos filmes, mas mesmo assim ele conseguia manter um bom padrão de qualidade, coisa que se repete aqui."Jake Grandão" nem de longe pode ser comparado com filmes como "Rastros de Ódio". É uma fita simples, de rotina, tipicamente um trabalho na média do que ele produziu nos anos 70. Embora não seja um grande filme é sem dúvidas bem digno. Tem boas sequências de bang-bang, um suspense muito bem feito na cena final, uma boa fotografia, com belas paisagens do oeste e para finalizar aquele pequeno toque de humor que Wayne costumava colocar em seus filmes. Assim "Jake Grandão" traz o pacote inteiro do que se espera de um filme do ator. Diverte e entretém e por isso recomendo aos fãs do estilo.
Jake Grandão (Big Jake, EUA, 1971) Direção de George Sherman, John Wayne / Roteiro: Harry Julian Fink, Rita M. Fink / Elenco: John Wayne, Maureen O'Hara, Richard Boone, Patrick Wayne, Christopher Mitchum / Sinopse: Jake McCandles (John Wayne) é um xerife da velha guarda que após vários anos reencontra sua esposa (Maureen O'Hara). Ao mesmo tempo em que tenta uma reconciliação tem que enfrentar o terrível sequestro de seu neto por um sórdido bando de facínoras foras-da-lei.
Pablo Aluísio.
sábado, 15 de novembro de 2008
Simbad e o Olho do Tigre
Título Original: Sinbad and the Eye of the Tiger
Ano de Lançamento: 1977
País: Reino Unido / Estados Unidos
Estúdio: Charles H. Schneer Productions
Direção: Sam Wanamaker
Roteiro: Beverley Cross e Ray Harryhausen
Elenco: Patrick Wayne, Jane Seymour, Taryn Power, Margaret Whiting, Patrick Troughton, Kurt Christian, Nadim Sawalha e Damien Thomas.
Sinopse:
Simbad, o lendário marinheiro e príncipe de Bagdá, parte em uma nova aventura quando descobre que o príncipe Kassim foi vítima de uma terrível maldição. Transformado em um babuíno por sua madrasta, a poderosa feiticeira Zenobia, Kassim precisa recuperar sua forma humana antes de sua coroação. Simbad decide ajudá-lo e inicia uma perigosa viagem em busca de um santuário mágico que poderá quebrar o encantamento. Ao lado de seus companheiros, ele atravessa terras exóticas e enfrenta criaturas extraordinárias criadas pela magia de Zenobia. Entre os perigos encontrados estão um gigantesco troglodita, um tigre-dentes-de-sabre, o gigantesco Minoton e outras criaturas fantásticas. A princesa Farah também participa da aventura e acompanha a luta para salvar seu irmão. Durante a jornada, Simbad precisa enfrentar não apenas monstros e obstáculos naturais, mas também a própria Zenobia e seus poderes sobrenaturais.
Comentários:
Simbad e o Olho do Tigre é o terceiro e último filme da famosa série de aventuras de Simbad produzida por Charles H. Schneer e pelo mestre dos efeitos especiais Ray Harryhausen. Sam Wanamaker assumiu a direção, enquanto Harryhausen participou da produção e da concepção das criaturas em stop-motion que são o verdadeiro grande espetáculo do filme. Patrick Wayne, filho de John Wayne, interpreta Simbad e conduz a aventura com o perfil tradicional do herói aventureiro, enquanto Jane Seymour vive a princesa Farah e Taryn Power interpreta Dione. Margaret Whiting faz Zenobia, a principal vilã, e Patrick Troughton interpreta Melanthius, um dos companheiros de Simbad. A produção foi filmada em locais como Espanha, Malta e Jordânia, aproveitando paisagens exóticas que reforçam o caráter fantástico da narrativa. Com aproximadamente 113 minutos de duração, o filme apresenta uma sucessão de aventuras, batalhas e criaturas fantásticas, mantendo a tradição estabelecida pelos dois filmes anteriores.
O grande destaque de Simbad e o Olho do Tigre está nos efeitos de Ray Harryhausen, que novamente utiliza a animação stop-motion para dar vida às criaturas. O Minoton, o tigre-dentes-de-sabre e principalmente o babuíno em que Kassim é transformado estão entre as imagens mais lembradas da produção. Lançado em 1977 pela Columbia Pictures, o filme representou o encerramento da trilogia iniciada com The 7th Voyage of Sinbad em 1958 e continuada por The Golden Voyage of Sinbad em 1973. Embora tenha recebido críticas mais moderadas do que alguns trabalhos anteriores de Harryhausen, o longa conquistou admiradores entre os fãs de fantasia e aventura e permanece como um importante exemplo do uso tradicional do stop-motion antes da predominância dos efeitos digitais. O filme também possui importância histórica por representar uma das últimas grandes produções de fantasia desse estilo realizadas por Harryhausen. Hoje, é lembrado principalmente por seu visual imaginativo, pelas criaturas artesanais e pelo espírito de aventura que marcou o cinema fantástico das décadas de 1950, 1960 e 1970.
Erick Steve.
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