quarta-feira, 17 de junho de 2026

Sentinela

Sentinela 
Nunca havia assistido a esse filme do Michael Douglas. Ele interpreta um agente do serviço secreto. Sua especialidade é garantir a segurança do Presidente dos Estados Unidos e da Primeira Dama. Só que ele acaba se envolvendo romanticamente com a esposa do Presidente e aí... as coisas vão ficando nebulosas, ainda mais depois que passa a ser suspeito de estar envolvido numa conspiração para matar o próprio Presidente. O que faz sentido, já que está de amante da esposa daquele que seria seu chefe, seu superior! Leva a Primeira Dama para a cama e conspira para enviar seu marido para a cova... Mas será que isso seria verdade?

Outro destaque do elenco vem com Kiefer Sutherland. Ele também interpreta um agente, com muitos problemas pessoais envolvendo o personagem de Michael Douglas. No passado eram amigos próximos, mas sua esposa o traiu justamente com ele, o agora amante da Primeira Dama. Como se pode ver e usando uma gíria popular do povo brasileiro, o agente de Douglas é uma autêntico "talarico". Enquanto passa de amigo, vai seduzindo e levando para a cama as mulheres de seus "amigos". O Agente de Sutherland gostava muito dele e aí já viu... Douglas não perdeu tempo, o levando a um chifre constrangedor dentro da agência. Enfim, no saldo geral gostei do filme e o roteiro só peca em uma coisa: forma-se uma grande conspiração durante todo o filme para depois tudo se resolver rápido demais e de maneiras pouco convincentes nos minutos finais. Faltou maior capricho por parte dos roteiristas. 

Sentinela (The Sentinel, Estados Unidos, 2006) Direção: Clark Johnson / Roteiro: George Nolfi, Gerald Petievich / Elenco: Michael Douglas, Kiefer Sutherland, Kim Basinger / Sinopse: Agente do serviço secreto que está tendo um caso com a Primeira Dama dos Estados Unidos, passa a ser suspeito de fazer parte de uma grande conspiração para assassinar justamente o próprio Presidente. 

Pablo Aluísio. 

Terror na Penumbra

Terror na Penumbra
Uma mãe perde a guarda da filha para o Estado que a envia para um orfanato administrado por uma série de filantropos ricos, pertencentes a fina flor da elite britânica. Assim que ela chega no lugar uma série de crimes violentos começam a ocorrer. E as vítimas são justamente esses senhores e senhoras ricas que mantém o lugar. São chamados de curadores pelos funcionários do lugar. Para investigar um Coronel (Christopher Lee) e um patologista forense (Peter Cushing) começam a seguir pistas para entender o que de fato estaria acontecendo. 

Esse filme, também conhecido como "Enigma Fatal" é uma produção do terror clássico do cinema britânico durante os anos 70. Começa bem devagar, em um enredo que me deixou perplexo a maior parte do tempo. Eu pensei que iria assistir a um filme de terror, mas parecia ser apenas mais um drama familiar da época. Tudo levaria a crer, durante a maior parte do filme, que se trata da dolorosa luta de uma mãe (um tanto desequilibrada) para reaver a filha, levada para um orfanato. Só no finalzinho do filme, na última cena mesmo, nos últimos minutos, é que o elemento "terror" se faz presente. E é uma daquelas soluções dignas de "Amazing Stories" ou "Além da Imaginação". Claro, muita gente vai achar absurdo, mas eu curti! Fazia parte do jogo nesse tipo de roteiro. Não nego que seja absurda a conclusão, mas que diverte também, olha, isso ninguém poderá negar!

Terror na PenumbraEnigma Fatal (Nothing But the Night, Reino Unido, 1973) Direção: Peter Sasdy / Roteiro: Brian Hayles, John Blackburn / Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Diana Dors / Sinopse: Um investigar e um patologista forense passam a investigar uma série de estranhas mortes envolvendo curadores de um orfanato na Inglaterra. E por trás de tudo parece haver algo simplesmente aterrorizante!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 16 de junho de 2026

O Oeste Selvagem

O filme "Buffalo Bill and the Indians" (no Brasil, O Oeste Selvagem) é um filme inteligente, bem escrito, do aclamado diretor Robert Altman que aqui prova mais uma vez seu grande talento como cineasta. O roteiro conta a histórica verídica do grande mito do western americano Buffalo Bill. O personagem por si só já era extremamente rico em detalhes e nuances e caiu como uma luva nessa película que brinca com o imaginário popular ianque. Para quem não sabe Buffalo Bill (nome artístico de William Cody) foi um verdadeiro Barão de Munchausen da história dos Estados Unidos. Pródigo em contar lorotas e inventar histórias sobre si mesmo que nunca aconteceram na vida real, Bill criou toda uma mitologia em torno de si. Um dia teve a brilhante ideia de criar todo um show em cima de suas fantasias e acabou criando um espetáculo com alto teor circense composto por cowboys falsos, índios de araque e bandidos de mentirinha. Era denominado Oeste Selvagem e foi uma mina de ouro para seu criador, o tornando extremamente rico e bem sucedido. Embora fosse um mentiroso contumaz, Bill acabou criando, sem querer, todos os clichês que até hoje conhecemos da mitologia do western. Os filmes mudos, surgidos no nascimento do cinema, eram claramente inspirados nas encenações do espetáculo de Buffalo, que também teve sua mitológica figura explorada por vários filmes do gênero nos anos seguintes à sua morte.

Em "Buffalo Bill and the Indians", somos levados a conhecer um período bem interessante da vida de Bill, quando ele contratou um mito de verdade do velho oeste para estrelar seu show, o cacique Touro Sentado, famoso por seus feitos contra o exército americano. As cenas em que ambos contracenam mostram verdadeiros duelos entre o personagem de ficção auto inventado e o homem que realmente vivenciou toda a luta pela conquista do oeste selvagem (Touro Sentado). O farsante e o real em lados opostos. Enquanto um vive de contar mentiras sobre si mesmo o outro tenta apenas sobreviver com o pouco de dignidade que ainda lhe resta e de quebra tenta ajudar seu povo, nessa altura da história completamente subjugado pelos brancos. O choque entre a dura realidade e a mais pura fantasia escapista é o grande mérito dessa brilhante e ácida crítica em cima da construção de mitos irreais, que é bem típica da sociedade consumista e vazia dos norte-americanos.

Paul Newman na pele do deslumbrado ídolo está perfeito, numa daquelas atuações que dificilmente esquecemos. A própria surrealidade do cotidiano de Bill (que gostava de namorar cantoras de óperas fracassadas), reforça e torna ainda mais forte sua caracterização. Por fim temos uma participação extremamente inspiradora do grande mito Burt Lancaster. Fazendo o papel de uma pessoa do passado de Bill (que obviamente conhece todas as suas invencionices), Lancaster empresta uma dignidade ímpar a essa película. Sem dúvida Buffalo Bill and the Indians é um excelente filme que nos leva a pensar em vários temas relevantes, como a própria destruição da cultura indígena e a dignidade desse povo que foi massacrado impiedosamente pelos colonos americanos. Um libero que merece ser conhecido por todos.

O Oeste Selvagem (Buffalo Bill and the Indians, Estados Unidos, 1976) Direção: Robert Altman / Roteiro: Arthur Kopit e Alan Rudolph / Elenco: Paul Newman, Harvey Keitel, Geraldine Chaplin, Burt Lancaster, Joel Grey, Kevin McCarthy, Allan F. Nicholls / Sinopse: Buffalo Bill (Paul Newman) é um empresário circense que contrata o lendário Touro Sentado para fazer parte de seu show itinerante. Assim ele parte rumo ao interior dos Estados Unidos para mostrar seu novo espetáculo sensacional sobre o velho oeste selvagem. Filme premiado no Berlin International Film Festival.

Pablo Aluísio.

Rio Lobo

Hoje assisti ao filme Rio Lobo, com o grande mito do Western John Wayne. Curiosamente não me lembrava se já o tinha assistido antes ou não. John Wayne fez tantos filmes e tive o privilégio de acompanhar tantos momentos brilhantes desse ator, seja pela TV ou pelo extinto vídeocassete, que sinceramente bateu uma dúvida se já o tinha assistido ou não. De qualquer forma foi um grande prazer reencontrar o velho Duke novamente. Sou fã de carteirinha de longa data do eterno cowboy, tanto que cheguei a manter um site dedicado apenas ao ator por anos. Algumas cenas me soaram familiares como a parte inicial do filme, onde um grupo de soldados do exército confederado rouba um trem de carregamento de ouro dos ianques. Porém para minha surpresa esse é apenas o primeiro ato da película, que se desenvolve excepcionalmente bem nos dois outros atos da trama. Nem vou me alongar em explicar a sinopse pois esse tipo de coisa é facilmente encontrado na net, apenas vou descer alguns comentários pertinentes sobre o filme.

John Wayne está perfeito em sua caracterização de eterno justiceiro do velho oeste. O elenco de apoio também é muito bom, com destaque para o "Tarzan" Mike Henry, que havia largado o papel do Rei das Selvas após sofrer um ataque de um macaco em fúria nos sets de filmagem. Curioso notar que o filme é da fase final da carreira do astro, já entrando na década de 70 e os velhos filmes de cowboy já eram considerados fora de moda por essa época. Mero detalhe. Em nenhum momento sentimos que o filme esteja datado ou ultrapassado, nada disso, ele é brilhantemente fotografado, com ótimas tomadas externas. Não poderia ser diferente, "Rio Lobo" foi dirigido pelo ótimo e lendário diretor Howard Hawks, o mesmo que colecionou tantos momentos inspirados ao lado de John Wayne em sua carreira, como por exemplo, os eternos clássicos "Rio Bravo", "El Dorado" e até o simpático "Hatari!". Howard inclusive costumava transitar bem em todos os gêneros, dos épicos às comédias de costumes como bem podemos conferir no delicioso filme estrelado pela eterna Marilyn Monroe, "Os Homens Preferem as Loiras".

Rio Lobo foi a última parceria entre John Wayne e Howard Hawks e posso dizer que a despedida foi à altura do talento dos dois. Ambos morreriam na segunda metade dos anos 70 (Hawks em 1977 e Wayne em 1979) e deixariam muitas saudades nos amantes dos velhos westerns. Definitivamente a velha escola do gênero não sobreviveria a essa década, pois nos anos 80 os filmes de faroeste iriam cair em um injusto ostracismo, com meros lampejos de sobrevida em filmes como Silverado e similares. Recentemente assisti novamente ao último filme de John Wayne, chamado providencialmente de "O último pistoleiro" e fiquei realmente triste. Os heróis ao estilo de Wayne, durões, certos em suas opiniões, inabaláveis em suas convicções, com extrema força moral, deixaram definitivamente de existir. Em seu lugar surgiram atores que representavam vulnerabilidade, dúvida, incerteza moral. John Wayne, o símbolo máximo do velho oeste deixou saudades. Ainda bem que sempre poderemos relembrar essa grande fase dourada de Hollywood pela extensa fimografia que ele nos legou.

Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Howard Hawks / Roteiro de Burton Wohl e Leigh Brackett / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Mike Henry, Jennifer O'Neill, Christopher Mitchum, Susana Dosamantes / Sinopse: Após a guerra civil americana um Coronel do exército americano chamado Cord McNally (John Wayne) parte em busca do paradeiro de um traidor de guerra.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Larápios

Título no Brasil: Larápios
Título Original: I Was a Shoplifter
Ano de Lançamento: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Charles Lamont
Roteiro: Irwin Gielgud
Elenco: Scott Brady, Mona Freeman, Andrea King, Tony Curtis, Rock Hudson

Sinopse:
Jovem é presa após furtar objetos em uma grande loja de departamentos. Na central de polícia lhe é oferecido um acordo. Ela não irá presa, mas vai colaborar com os policiais, se tornando informante, para que os demais criminosos da região, ladrões em especial, sejam identificados e presos pelos detetives do Departamento de Polícia. 

Comentários:
Um cult movie do chamado cinema noir. Esse foi um movimento cinematográfico bem interessante surgido dentro da indústria americana. Copiando a estética de filmes europeus, usando principalmente do jogo de luzes e sombras, com tramas envolvendo investigações policiais e personagens sórdidos, foi um excelente investimento para os estúdios de Hollywood. Custavam pouco e faturavam bem nas bilheterias. Aqui a Universal colocou seu time de jovens atores, astros em potencial na época, para ir pegando experiência no cinema. Entre eles temos Rock Hudson e Tony Curtis. Eram jovens e ainda desconhecidos do grande público. Ambos iriam se tornar campeões de bilheteria nos anos que viriam. É um bom filme, bem de acordo com a filosofia noir. Por isso acabou se tornando, com o passar dos anos, um dos mais conhecidos exemplares do gênero. 

Pablo Aluísio.

domingo, 14 de junho de 2026

O Massacre da Sétima Cavalaria

O episódio conhecido popularmente como Massacre da Sétima Cavalaria está relacionado à famosa batalha ocorrida em 25 e 26 de junho de 1876, nas proximidades do rio Little Bighorn, durante as chamadas Guerras Indígenas dos Estados Unidos. O confronto colocou de um lado o 7º Regimento de Cavalaria do Exército norte-americano e, do outro, uma grande aliança de guerreiros lakota, cheyenne do norte e arapaho. O evento tornou-se um dos episódios mais marcantes da expansão territorial americana para o Oeste. Durante o século XIX, o governo dos Estados Unidos procurava ocupar territórios tradicionalmente habitados por povos indígenas, provocando conflitos cada vez mais intensos. A descoberta de ouro em regiões consideradas sagradas pelos nativos agravou ainda mais as tensões. Em resposta às tentativas de remoção forçada, diversas tribos uniram forças para resistir. O resultado foi uma batalha que entraria para a história como uma das maiores derrotas já sofridas pelo Exército americano nas planícies do Oeste. Até hoje, o episódio desperta interesse de historiadores e estudiosos.

A figura central do confronto foi o oficial George Armstrong Custer, um veterano da Guerra Civil Americana que gozava de grande prestígio nacional. Convencido de que enfrentaria um grupo relativamente pequeno de indígenas, Custer decidiu dividir suas tropas para realizar um ataque rápido. Entretanto, as informações disponíveis eram incorretas. Na realidade, milhares de indígenas encontravam-se reunidos em um enorme acampamento próximo ao rio Little Bighorn. Ao avançar com parte de seus homens, Custer acabou cercado por forças muito superiores em número. O combate transformou-se rapidamente em uma luta desesperada pela sobrevivência. A resistência dos soldados foi intensa, mas insuficiente para conter o avanço dos guerreiros indígenas. Em poucas horas, o destacamento comandado por Custer foi completamente destruído. O próprio oficial morreu durante a batalha, juntamente com mais de duzentos soldados. A notícia causou enorme impacto na opinião pública americana.

Entre os líderes indígenas que participaram da batalha destacavam-se figuras lendárias como Sitting Bull e Crazy Horse (Touro Sentado e Cavalo Louco). Esses chefes haviam se tornado símbolos da resistência contra a expansão dos colonizadores e contra as políticas governamentais que ameaçavam a sobrevivência de seus povos. Para os indígenas, a vitória representou uma importante demonstração de força e unidade diante de um adversário muito poderoso. Os guerreiros conheciam profundamente o terreno e conseguiram coordenar seus ataques de forma eficaz. Além disso, estavam motivados pela defesa de suas famílias, de suas tradições e de suas terras ancestrais. A batalha demonstrou que os povos indígenas ainda possuíam capacidade de resistir militarmente ao avanço dos Estados Unidos. Durante algum tempo, a vitória foi celebrada entre as tribos participantes. Contudo, os acontecimentos posteriores mostrariam que aquela conquista seria apenas temporária. O governo americano intensificaria seus esforços para controlar definitivamente a região.

A repercussão da derrota da Sétima Cavalaria foi enorme em todo o país. Muitos jornais transformaram Custer em uma espécie de herói nacional, retratando-o como um comandante corajoso que havia lutado até o último momento. Ao mesmo tempo, o governo utilizou o episódio para justificar novas campanhas militares contra os povos indígenas das Grandes Planícies. Nos anos seguintes, recursos adicionais foram enviados para a região, aumentando a pressão sobre as tribos que haviam participado da batalha. Diversos grupos indígenas acabaram sendo derrotados, forçados a render-se ou transferidos para reservas. Dessa forma, embora os nativos tenham vencido o confronto de Little Bighorn, a guerra mais ampla acabou favorecendo os interesses do governo dos Estados Unidos. O episódio tornou-se um símbolo das complexas relações entre colonização, expansão territorial e resistência indígena. Sua memória continua sendo objeto de debates históricos. Diferentes interpretações procuram compreender as causas e as consequências do conflito.

Atualmente, a batalha é vista por muitos historiadores como um acontecimento que deve ser analisado sob múltiplas perspectivas. Durante décadas, a narrativa tradicional destacou principalmente a morte de Custer e de seus soldados. Entretanto, pesquisas mais recentes passaram a valorizar também a visão dos povos indígenas envolvidos no confronto. O local da batalha foi preservado como patrimônio histórico e recebe visitantes interessados em conhecer melhor esse importante capítulo da história norte-americana. Monumentos e memoriais homenageiam tanto os militares quanto os guerreiros indígenas que participaram do combate. O estudo do chamado Massacre da Sétima Cavalaria permite compreender melhor os conflitos que marcaram a conquista do Oeste americano. Além disso, revela as profundas transformações sofridas pelas populações indígenas durante o século XIX. Mais do que uma simples batalha, Little Bighorn tornou-se um símbolo da luta entre culturas diferentes em um período de grandes mudanças históricas. Seu legado permanece vivo na memória coletiva dos Estados Unidos e dos povos nativos da América do Norte.


Curiosidades Históricas: 
Custer havia brigado com o Presidente Grant, que não gostava dele e o havia destítuido do comando. Depois de muitas brigas e politicagens nos bastidores da Casa Branca, o General Custer recuperou seu comando da Sétima Cavalaria. Sua primeira campanha militar seria justamente a que ele seria morto, junto ao seus soldados, em Little Bighorn. Depois de ser informado da morte dos militares, Grant (que havia sido General do exército na Guerra Civil), criticou severamente Custer por seus erros de estratégia militar. Chegou a dizer que ele havia sido incompetente e que no fundo era um maldito arrogante! 

O General Custer subiu em uma pequena colina antes da batalha e percebeu que havia milhares de índios do outro lado do rio. Mesmo assim subestimou aqueles povos. A um oficial próximo disse que eles iriam fugir assim que a batalha começasse. Custer havia participado de massacres contra tribos antes e se baseava em sua própria experiência pessoal para afirmar que os nativos iriam fugir. O que ele ignorou foi uma informação dada por um rastreador de que ali havia mais de mil e quinhentos guerreiros, jovens e montados, prontos para a guerra. Ao lado de Custer havia pouco mais de 600 homens que ele ainda assim decidiu dividir em três linhas separadas. Foi seu maior erro no campo de batalha. 

Touro Sentado anunciou que tivera uma visão antes da batalha. Nela soldados americanos da cavalaria caíam do céu, aos pés dos índios das planícies. Essa visão foi amplamente conhecida pelos nativos, o que fortaleceu seu poder de luta na hora da batalha. Anos depois, já velho, Touro Sentado participaria das apresentações do artista circense Búfalo Bill. Só que não ficaria muito tempo nesse tipo de apresentação do chamado "Show do Oeste Selvagem". Retornou para sua tribo tempos depois para morrer em paz, mas acabou sendo assassinado por uma emboscada de soldados do exército. 

Ninguém sabe ao certo quem matou o General Custer. Pesquisas feitas em seus restos mortais demonstram que o militar foi morto com dois tiros, um no peito, frontal, e outro na cabeça. Ele caiu na chamada "colina da última resistência", mas não se pode afirmar que foi um dos últimos a morrer. Vários depoimentos de nativos dizem que Custer foi um dos primeiros a ser alvejado pelos tiros dos guerreiros após o começo do ataque nativo. 

Por incrível que pareça o armamento dos índios era melhor do que as armas da cavalaria. Os soldados americanos lutaram com carabinas que precisavam ser recarregadas. Já os índios tinham em mãos armas automáticas como o famoso rifle Winchester. Em 1 minuto um soldado da cavalaria só conseguia disparar 1 tiro. Já um guerreiro nativo conseguia disparar nesse mesmo tempo 14 tiros! 

Após a morte os soldados americanos tiveram seus escalpos arrancados, muitos foram mutilados, tendo suas armas e roupas arrancadas. Quando os primeiros militares americanos chegaram no local, algum tempo depois do fim da batalha, encontraram um campo cheio de corpos em avançado estado de decomposição. E eles continuavam no mesmo lugar onde tinham sido mortos, revelando, para os históriadores, muitos anos depois, como a batalha havia sido travada. Hoje há um monumento do exército americano no lugar, homenagenando os militares mortos em combate. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 13 de junho de 2026

Crônicas do Futebol - Copa do Mundo 2026

Começou a Copa do Mundo! Infelizmente há mais notícias ruins do que boas. A FIFA, essa entidade nada confiável, encheu a Copa de seleções de quinta categoria. A maioria das seleções são formadas por jogadores do tipo "cabeça de bagre". Uma pena! A Copa do Mundo era para ser disputada apenas por grandes jogadores em grandes seleções nacionais. Era para ser a Elite do futebol mundial. Ao invés disso vamos ter partidas do absurdo, como Alemanha x Curaçao! Imagine, uma potência do futebol como essa jogando uma Copa do Mundo contra os quase amadores jogadores de uma Ilha do Caribe! Profissionais de alto nível contra peladeiros! A FIFA é uma piada mesmo!

Deixando esses absurdos de lado, eu venho acompanhando os jogos porque afinal de contas eu gosto de futebol. Reclamaram muito da cerimônia de abertura da Copa por ser muito fraca. Gente, isso é Copa do Mundo, não Olimpíadas! As aberturas da Copa sempre são mequetrefes, desde sempre. Só nos jogos Olimpícos é que se vê verdadeiras obras de arte em suas aberturas. No futebol é isso aí mesmo, algumas cantoras meia tigela rebolando, mostrando o bumbum e umas músicas horríveis tocando ao fundo. Não tem muito o que fazer.

Pois bem, assisti a alguns jogos nesse começo de Copa. Na partida inaugural o México venceu a África do Sul por 2 a 0. O México, pela importância do país e por gostar de futebol desde sempre deveria ter uma seleção melhor. Só que nunca emplacou nas Copas. Sempre surge com uma seleção meia boca. Assisti ao jogo e o México segue sendo o México. Faz um futebol bem arroz com feijão. Nunca empolga. Essa seleção mexicana, prevejo, não vai muito longe. Joga bolinha. 

Na segunda partida que assisti tivemos Canadá versus Bósnia. Essa última é uma das herdeiras do grande futebol da Iugoslávia. Com a fragmentação do país a Europa ganhou três seleções muito boas, a própria Bósnia, a Sérvia e a Croácia, que já aprontou contra o Brasil em Copas passadas. A Iugoslávia, quando existia, era uma das melhores seleções do Leste Europeu. Os caras sempre jogaram muito bem! O jogo terminou 1 a 1 e foi injusto. O Canadá, pasmem, deveria ter vencido. Jogou muito mais! Só que os caras parecem só entender mesmo de Hockey sob o gelo. A bola que eles são acostumados parecem um taco! Eles não sabem mesmo como colocar a bola redonda nas redes. Sem gols a mais, virou um empate. 

Por fim ontem o Paraguai levou uma goleada dos Estados Unidos no jogo que pode ser considerado o placar zebra da Copa. Todo mundo estava apostando no Paraguai, por ser uma seleção sulamericana e tudo mais. Afinal os americanos só sabem jogar mesmo o tal de futebol americano, cuja bola parece um amendoim! Ledo engano. Os Estados Unidos, com jogadores que em sua maioria eram filhos de imigrantes (olha a vergonha do Trump!) jogaram muito bem e golearam a covarde seleção do Paraguai, que ficou o tempo todo na retranca, com medo dos ianques. Uma vergonha total! Pelo visto essa seleção do Paraguai é mesmo um cavalo paraguaio...

A Estreia do Brasil na Copa
Foi um empate, uma partida que terminou em 1 a 1. Sendo bem sincero, foi bom para a seleção brasileira. Existe algumas seleções que estão em ascensão pelo mundo. Marrocos é uma delas. Jogou muito bem! Tem organização, toque de bola, sabe se infiltrar no ataque. Uma seleção africana que merece todos os aplausos de quem aprecia futebol. 

Já o Brasil.. Todo desorganizado em campo, sem tática, jogando na base do desespero, bola pra frente, uma desorganização completa que nem merece o termo de time, mas de bando. Viveu de uma jogada inspirada para salvar... e foi o que aconteceu com o gol de Vini Jr. Fora isso poucos jogadores demonstraram valor. O tal de Raphinha é fraco. O resto da equipe sequer merece qualquer menção ou análise. Todos bem ansiosos, jogando muito mal! 

O Brasil não tem meio de campo, nem um centroavante... Tá complicado! Quando o Luiz Henrique entrou o time melhorou um pouco, mas foi só isso mesmo. Para quem tem um técnico estrangeiro que ganha milhões, faltou mesmo um time organizado taticamente. Se continuar esse bando vai voltar pra casa mais cedo do que se pensava. 

E a Copa do Mundo segue em frente...
Pois é, essa vai ser a Copa do Mundo mais longa da história por causa do excesso de seleções. Muitos jogos desinteressantes pela frente, pelo simples motivo de ter muitas seleções desinteressantes na tabela. No jogo dos absurdos a Alemanha meteu 7 a 1 no time de pelada chamado Curaçao. Não dá, é um desnível muito grande! E para piorar essa partida reascendeu velhos traumas da torcida brasileira. Pois é, gente boa, estamos no mesmo barco que Curaçao! Não é mole não...

De qualquer maneira não foi apenas o Brasil que decepcionou em sua estreia. A Espanha, uma das favoritas, também deixou a desejar. Não saiu de um empate fraco contra a fraca seleção de Cabo Verde! E com um campo cheio de estrelas o jogador mais comentado foi o goleiro de Cabo Verde... um sujeito chamado de "Vozinha", vê se pode uma coisa dessas... Definitivamente essa Copa tem sido uma das mais bizarras... 

Outro jogo que me chamou um pouco de atenção foi Bélgica versus Egito. Prometia muito, mas infelizmente ficou em um morno 1 a 1. A Bélgica decaiu de qualidade, em meu ponto de vista, não lembrando mais aquela boa seleção de outras Copas recentes. Passou sufoco contra o Egito que vive de alguns talentos individuais como o próprio Mohamed Salah, astro do campeonato inglês, mas que nesse jogo não brilhou, sendo substituído, o que deixou muitos torcedores frustrados. Fica para o próximo jogo então... (16-06-26). 

As Grandes Seleções Entram em Campo
Agora já tivemos a estreia das grandes seleções da Copa do Mundo de 2026. Algumas confirmaram seu favoritismo, enquanto outras tropeçaram em suas próprias pernas e pretensão. De todas essas chamadas grandes seleções a que mais me deixou boa impressão foi a Inglaterra. Deu show! Jogou muito bem, fazendo 4 gols na forte Croácia (e não subestime o time dos quadradinhos vermelhos, eles são muito bons de bola). Kane, mostrou a que veio. O time é rápido, entrosado e promete muito. Só espero que eles não caiam de novo naquele ditado que os torcedores ingleses gostam de repetir, Copa após Copa: "Como sempre a Inglaterra jogou como nunca e perdeu como sempre!". Ah, esse humor negro britânico, não tem nada igual a isso no resto do mundo.

Do lado da Argentina há Messi! Isso é tudo que você precisa saber sobre a Seleção Argentina. Sim, está veterano, sim pode ser a sua última Copa do Mundo, mas vamos ser sinceros... É um craque absoluto! Meteu três gols e agora está a um deles de se tornar o maior artilheiro de todas as Copas, com mais de 16 gols em mundiais na história. Eu gosto de futebol e reconheço um grande craque quando vejo pela frente. Messi joga demais! Merece todos os elogios. Vamos colocar ele no altar dos grandes jogadores de futebol da história... É o lugar que é dele de direito! 

A França também jogou bem, mas fez feijão com arroz. De qualquer forma venceu, algo que a também favorita Espanha não conseguiu. O mesmo vale para Portugal do eterno megalomaníaco Cristiano Ronaldo. Oh, sujeito chato esse! Parece estar sempre com um espelho na frente do rosto para se auto admirar. Cuidado meu caro, o mito grego da vaidade, o de Narciso, está aí há séculos para provar que esse tipo de atitude nunca acaba bem! 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Na Trilha do Assassino

Na Trilha do Assassino 
Jovem mata os próprios pais. Após uma série de eventos em seu julgamento, contando inclusive com o apoio juvenil das redes sociais, ele é colocado para fora da prisão. Agora tem que planejar uma maneira de endireitar sua vida. Abraça a religião, diz que foi salvo por Jesus, mas o detetive que o prendeu (interpretado por Russell Crowe) acredita que ele é um psicopata incurável e que mais cedo, ou mais tarde, vai voltar a matar. O pior é que o sujeito tem fãs, admiradoras que ficam querendo ter um relacionamento com ele. Durante uma viagem acaba dando carona a uma dessas garotas. O policial não dá trégua e segue seus passos, certo de que um novo crime em breve será cometido. 

Bom filme, gostei bastante. O roteiro tangencia uma situação que anda se tornando muito comum, inclusive no Brasil. Assassinos de crimes hediondos começam a ser idolatrados por jovens, que os colocam em altares de heróis. É uma coisa completamente fora do normal, talvez um sintoma da sociedade doente em que vivemos. O roteiro do filme dá um jeito da justiça ser feita, mesmo que por caminhos tortuosos. Que haja justiça, ainda que tardia e não pelos motivos certos! Não vou aqui antecipar seu final, mas quando as cortinas da última cena são descidas é justamente esse o pensamento que tive. Enfim, sociedades doentes idolatram criminosos doentes. Um sinal dos novos tempos. 

Na Trilha do Assassino (Tenderness, Estados Unidos, 2009) Direção: John Polson / Roteiro: Emil Stern, Robert Cormier / Elenco: Russell Crowe, Jon Foster, Sophie Traub / Sinopse: Policial veterano fica no encalço de jovem adolescente assassino. Mesmo colocado em liberdade, o tira não acredita em sua inocência e teme que ele vai voltar a matar, bastando surgir a oportunidade certa. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O Sobrevivente

O Sobrevivente
Esse é o tão falado remake moderno daquele filme de 1987 estrelado pelo Arnold Schwarzenegger. Essa nova versão amplia aquele universo, traz muitos elementos novos e procura ser menos enclausurado e asfixiante do que o filme original. É uma produção muito mais rica e diversa, com ampliação do campo de atuação desse programa de TV futurista que de certa maneira recria o universo de violência e barbárie dos antigos jogos de gladiadores da Roma antiga. É um jogo mortal, onde vai existir apenas um sobrevivente. E o público, sádico, curte as atrocidades em seu canal preferido. 

Eu nunca fui muito admirador do primeiro filme, tanto que o assisti apenas uma vez. Era um enredo limitado, com pouco espaço para diversificação. Afinal havia se baseado em um conto do Stephen King e contos, como todos sabemos, são pequenos textos, que vão direto ao ponto. Arnoldão, com sua roupa collant, era mais de acordo com a simplicidade das letras escritas pelo King. Nessa nova versão não tem collant. E o curioso é que esse remake, apesar de apresentar uma produção muito mais ampla, não me fez gostar mais do que o filme original dos anos 80. Os dois filmes, por causa de sua premissa básica, nunca me atraíram muito. Então só o indicaria para quem gosta mesmo da história original. E mesmo esse público vai estranhar o excesso de coisas que foram adicionadas, que inexistem no conto que deu origem a tudo. Enfim, bem mediano, nada muito  relevante. 

O Sobrevivente (The Running Man, Estados Unidos / Reino Unido, 2025) Direção: Edgar Wright / Roteiro: Edgar Wright e Michael Bacall, baseado no romance de Stephen King / Elenco: Glen Powell, Josh Brolin, Colman Domingo, Lee Pace, Michael Cera, Emilia Jones / Gênero: Ficção Científica, Ação, Suspense / Duração: 133 minutos. / Sinopse: Um pai de família, com a filha doente e precisando de tratamento médico urgente, resolve entrar em um violento e sádico programa de TV. Ele deverá sobreviver a uma caçada humana implacável para receber o grande prêmio oferecido ao vencedor, o único que irá conseguir sobreviver no final de tudo. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Em Busca de um Assassino

Em Busca de um Assassino 
Esse Estado do Texas nos Estados Unidos é um lugar bem bizarro. Há muitas famílias pobres vivendo no limite do possível e isso se torna campo fértil para o aparecimento de assassinos em série que passam a caçar jovens vulneráveis que caminham sozinhas nesses campos sem fim. Uma delas é interpretada pela jovem atriz Chloë Grace Moretz. Ela vive com a mãe em um trailer e tem a pior das vidas que uma adolescente de sua idade pode viver. Enquanto tenta achar um lugar para passar o dia, sua mãe vai recebendo seus "clientes" na própria cama, pois a prostituição vai sendo seu único meio de vida. Triste realidade!

O filme é bem construído. Temos três personagens no eixo central da história. Dois detetives (interpretados por Sam Worthington e Jessica Chastain) e a jovem garota que tem o que se chama em criminologia de "classificação de perfil ideal" de vítima. Ela é certamente o próximo alvo do assassino em série que está agindo naquela região. Ela fica muito tempo andando por aí, muitas vezes até mesmo à noite, debaixo de chuva, tudo para não voltar para casa e encontrar aquela realidade de sua mãe prostituída. Enfim, barra pesada. O filme é acima da média, com ótima trama. E não podemos ignorar o drama que a jovem vive. É realmente de dar pena! 

Em Busca de um Assassino (Texas Killing Fields, Estados Unidos, 2011) Direção: Ami Canaan Mann / Roteiro: Don Ferrarone / Elenco: Sam Worthington, Jeffrey Dean Morgan, Jessica Chastain, Chloë Grace Moretz / Gênero: Policial, Suspense, Drama / Duração: 1h45min / Sinopse: Detetive tenta de todas as formas defender e proteger uma jovem garota, filha de uma prostituta, que pode ser a próxima vítima de um assassino em série que atua naquela região isolada do Texas. 

Pablo Aluísio.