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domingo, 14 de junho de 2026

O Massacre da Sétima Cavalaria

O episódio conhecido popularmente como Massacre da Sétima Cavalaria está relacionado à famosa batalha ocorrida em 25 e 26 de junho de 1876, nas proximidades do rio Little Bighorn, durante as chamadas Guerras Indígenas dos Estados Unidos. O confronto colocou de um lado o 7º Regimento de Cavalaria do Exército norte-americano e, do outro, uma grande aliança de guerreiros lakota, cheyenne do norte e arapaho. O evento tornou-se um dos episódios mais marcantes da expansão territorial americana para o Oeste. Durante o século XIX, o governo dos Estados Unidos procurava ocupar territórios tradicionalmente habitados por povos indígenas, provocando conflitos cada vez mais intensos. A descoberta de ouro em regiões consideradas sagradas pelos nativos agravou ainda mais as tensões. Em resposta às tentativas de remoção forçada, diversas tribos uniram forças para resistir. O resultado foi uma batalha que entraria para a história como uma das maiores derrotas já sofridas pelo Exército americano nas planícies do Oeste. Até hoje, o episódio desperta interesse de historiadores e estudiosos.

A figura central do confronto foi o oficial George Armstrong Custer, um veterano da Guerra Civil Americana que gozava de grande prestígio nacional. Convencido de que enfrentaria um grupo relativamente pequeno de indígenas, Custer decidiu dividir suas tropas para realizar um ataque rápido. Entretanto, as informações disponíveis eram incorretas. Na realidade, milhares de indígenas encontravam-se reunidos em um enorme acampamento próximo ao rio Little Bighorn. Ao avançar com parte de seus homens, Custer acabou cercado por forças muito superiores em número. O combate transformou-se rapidamente em uma luta desesperada pela sobrevivência. A resistência dos soldados foi intensa, mas insuficiente para conter o avanço dos guerreiros indígenas. Em poucas horas, o destacamento comandado por Custer foi completamente destruído. O próprio oficial morreu durante a batalha, juntamente com mais de duzentos soldados. A notícia causou enorme impacto na opinião pública americana.

Entre os líderes indígenas que participaram da batalha destacavam-se figuras lendárias como Sitting Bull e Crazy Horse (Touro Sentado e Cavalo Louco). Esses chefes haviam se tornado símbolos da resistência contra a expansão dos colonizadores e contra as políticas governamentais que ameaçavam a sobrevivência de seus povos. Para os indígenas, a vitória representou uma importante demonstração de força e unidade diante de um adversário muito poderoso. Os guerreiros conheciam profundamente o terreno e conseguiram coordenar seus ataques de forma eficaz. Além disso, estavam motivados pela defesa de suas famílias, de suas tradições e de suas terras ancestrais. A batalha demonstrou que os povos indígenas ainda possuíam capacidade de resistir militarmente ao avanço dos Estados Unidos. Durante algum tempo, a vitória foi celebrada entre as tribos participantes. Contudo, os acontecimentos posteriores mostrariam que aquela conquista seria apenas temporária. O governo americano intensificaria seus esforços para controlar definitivamente a região.

A repercussão da derrota da Sétima Cavalaria foi enorme em todo o país. Muitos jornais transformaram Custer em uma espécie de herói nacional, retratando-o como um comandante corajoso que havia lutado até o último momento. Ao mesmo tempo, o governo utilizou o episódio para justificar novas campanhas militares contra os povos indígenas das Grandes Planícies. Nos anos seguintes, recursos adicionais foram enviados para a região, aumentando a pressão sobre as tribos que haviam participado da batalha. Diversos grupos indígenas acabaram sendo derrotados, forçados a render-se ou transferidos para reservas. Dessa forma, embora os nativos tenham vencido o confronto de Little Bighorn, a guerra mais ampla acabou favorecendo os interesses do governo dos Estados Unidos. O episódio tornou-se um símbolo das complexas relações entre colonização, expansão territorial e resistência indígena. Sua memória continua sendo objeto de debates históricos. Diferentes interpretações procuram compreender as causas e as consequências do conflito.

Atualmente, a batalha é vista por muitos historiadores como um acontecimento que deve ser analisado sob múltiplas perspectivas. Durante décadas, a narrativa tradicional destacou principalmente a morte de Custer e de seus soldados. Entretanto, pesquisas mais recentes passaram a valorizar também a visão dos povos indígenas envolvidos no confronto. O local da batalha foi preservado como patrimônio histórico e recebe visitantes interessados em conhecer melhor esse importante capítulo da história norte-americana. Monumentos e memoriais homenageiam tanto os militares quanto os guerreiros indígenas que participaram do combate. O estudo do chamado Massacre da Sétima Cavalaria permite compreender melhor os conflitos que marcaram a conquista do Oeste americano. Além disso, revela as profundas transformações sofridas pelas populações indígenas durante o século XIX. Mais do que uma simples batalha, Little Bighorn tornou-se um símbolo da luta entre culturas diferentes em um período de grandes mudanças históricas. Seu legado permanece vivo na memória coletiva dos Estados Unidos e dos povos nativos da América do Norte.


Curiosidades Históricas: 
Custer havia brigado com o Presidente Grant, que não gostava dele e o havia destítuido do comando. Depois de muitas brigas e politicagens nos bastidores da Casa Branca, o General Custer recuperou seu comando da Sétima Cavalaria. Sua primeira campanha militar seria justamente a que ele seria morto, junto ao seus soldados, em Little Bighorn. Depois de ser informado da morte dos militares, Grant (que havia sido General do exército na Guerra Civil), criticou severamente Custer por seus erros de estratégia militar. Chegou a dizer que ele havia sido incompetente e que no fundo era um maldito arrogante! 

O General Custer subiu em uma pequena colina antes da batalha e percebeu que havia milhares de índios do outro lado do rio. Mesmo assim subestimou aqueles povos. A um oficial próximo disse que eles iriam fugir assim que a batalha começasse. Custer havia participado de massacres contra tribos antes e se baseava em sua própria experiência pessoal para afirmar que os nativos iriam fugir. O que ele ignorou foi uma informação dada por um rastreador de que ali havia mais de mil e quinhentos guerreiros, jovens e montados, prontos para a guerra. Ao lado de Custer havia pouco mais de 600 homens que ele ainda assim decidiu dividir em três linhas separadas. Foi seu maior erro no campo de batalha. 

Touro Sentado anunciou que tivera uma visão antes da batalha. Nela soldados americanos da cavalaria caíam do céu, aos pés dos índios das planícies. Essa visão foi amplamente conhecida pelos nativos, o que fortaleceu seu poder de luta na hora da batalha. Anos depois, já velho, Touro Sentado participaria das apresentações do artista circense Búfalo Bill. Só que não ficaria muito tempo nesse tipo de apresentação do chamado "Show do Oeste Selvagem". Retornou para sua tribo tempos depois para morrer em paz, mas acabou sendo assassinado por uma emboscada de soldados do exército. 

Ninguém sabe ao certo quem matou o General Custer. Pesquisas feitas em seus restos mortais demonstram que o militar foi morto com dois tiros, um no peito, frontal, e outro na cabeça. Ele caiu na chamada "colina da última resistência", mas não se pode afirmar que foi um dos últimos a morrer. Vários depoimentos de nativos dizem que Custer foi um dos primeiros a ser alvejado pelos tiros dos guerreiros após o começo do ataque nativo. 

Por incrível que pareça o armamento dos índios era melhor do que as armas da cavalaria. Os soldados americanos lutaram com carabinas que precisavam ser recarregadas. Já os índios tinham em mãos armas automáticas como o famoso rifle Winchester. Em 1 minuto um soldado da cavalaria só conseguia disparar 1 tiro. Já um guerreiro nativo conseguia disparar nesse mesmo tempo 14 tiros! 

Após a morte os soldados americanos tiveram seus escalpos arrancados, muitos foram mutilados, tendo suas armas e roupas arrancadas. Quando os primeiros militares americanos chegaram no local, algum tempo depois do fim da batalha, encontraram um campo cheio de corpos em avançado estado de decomposição. E eles continuavam no mesmo lugar onde tinham sido mortos, revelando, para os históriadores, muitos anos depois, como a batalha havia sido travada. Hoje há um monumento do exército americano no lugar, homenagenando os militares mortos em combate. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln

Ele foi o 16.º Presidente dos Estados Unidos, de 1861 a 1865. Sempre lembrado pelos historiadores como um dos maiores presidentes da história daquele país. Teve origem humilde, tendo nascido em uma pequena cabana de madeira do interior do país. Seu destino era ser um lenhador, tal como havia sido seu pai, mas o jovem Lincoln tinha outros planos. Autodidata, aprendeu a ler sozinho e começou a comprar livros, sua grande paixão na juventude. Tinha ótima oratória e mais tarde se tornou advogado. Todas essas vitórias vieram de méritos pessoais próprios. Ele nunca desistiu de procurar por uma vida e um futuro melhor. 

Eleito presidente dos Estados Unidos, pelo Partido Republicano, ainda em suas origens, enfrentou uma das maiores crises da história americana: a Guerra Civil. De um lado os estados do Sul, agrários e rurais, atrasados, com economia baseada na mão de obra escrava. Esses estados sulistas queriam continuar com o sistema desumano da escravidão. Do outro lado estavam os estados do Norte, industrializados e cosmopolitas, com economia moderna, que achavam a escravidão uma mancha na nação. O confronto entre essas duas posições políticas deu origem a uma guerra sangrenta que levaria á morte mais de 600 mil homens nos campos de batalha por todo o país. 

E a morte também visitou a família de Lincoln. Seu jovem filho Willie de 11 anos morreu de tifo. A primeira-dama Mary Todd ficou completamente desolada. E assim como havia acontecido com a esposa do presidente Franklin Pierce, ela também começou a fazer sessões de espiritismo na Casa Branca para entrar em contato com o filho que havia falecido. Lincoln não acreditava em tais coisas e mandou investigar o tal médium. Mais tarde se descobriu ligações desse verdadeiro charlatão chamado Nettie Colburn com um grupo de sulistas que conspiravam sobre a morte do presidente. 

Só que o presidente tinha questões mais sérias a resolver. A Guerra Civil se prolongou por muitos anos, com um custo econômico, social e de vidas humanas enorme! Lincoln, com a ajuda do Exército da União e de grandes generais como Grant, venceu a guerra. Só que o preço foi bastante alto. Os estados do Sul ficaram devastados. As grandes fazendas de algodão foram consumidas em chamas. As grandes cidades viraram escombros. A economia sulista estava destruída completamente. O exército confederado havia lutado bravamente e a vitória da guerra foi alcançada após muitas batalhas sangrentas. 

O ressentimento confederado jamais foi superado, culminando na morte do presidente no Teatro Ford na capital da nação. Um ator chamado John Wilkes Booth era um radical extremista das causas do Sul. Ele conseguiu entrar no teatro por ser ator. Ninguém jamais desconfiaria dele. Então Booth conseguiu entrar, sem muitos problemas, no camarim presidencial, enquanto o presidente assistia a uma peça. Ele foi entrando sorrateiramente e deu um tiro por trás, na traição, na nuca de Lincoln. O presidente não morreu de forma imediata, agonizando por horas na Casa Branca. Após muita perda de sangue não resistiu e faleceu. Seu assassinato chocou os Estados Unidos e o mundo. Lincoln era bastante admirado. 

Em um primeiro momento o assassino conseguiu fugir, mas foi cercado, dias depois, em uma fazenda. Quando atirou em Lincoln ele havia pulado do camarim do presidente em direção ao palco. Nesse processo acabou quebrando sua perna, mas seguiu em frente, montando em um cavalo, sumindo noite adentro. Vários dias depois foi finalmente encontrado. Ele estava escondido dentro de um celeiro que foi incendiado pelos policiais. Quando saiu para fugir das chamas acabou sendo baleado. Os policiais afirmaram que ele resistiu à prisão e havia saído do celeiro com arma na mão, atirando para todos os lados, em direção aos homens da lei. Não houve como sobreviver pois a reação foi imediata. Ali mesmo caiu morto, após ser atingido por vários tiros. 

A morte de Lincoln marcou o fim de uma era. Foi o momento em que os Estados Unidos finalmente deram um basta na escravidão. O preconceito racial e a sociedade separada entre brancos e negros ainda resistiria por muitas décadas, principalmente nos estados do sul, mas as correntes da escravidão estavam rompidas para sempre. E coube a Lincoln essa grande tarefa. Foi sem dúvida o seu maior legado. E é justamente por essa razão que ainda hoje seu nome é celebrado nos livros de história. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Presidente dos Estados Unidos Ulysses Grant

Presidente dos Estados Unidos Ulysses Grant
Ele era considerado um aluno medíocre na Academia Militar de West Point. Desde jovem sempre enfrentou problemas com o alcoolismo, mas aos trancos e barrancos se formou, se tornando assim oficial do exército dos Estados Unidos. Seu primeiro posto foi o de tenente. O que mudou seu destino para sempre foi o advento da guerra civil dos Estados Unidos. Conforme o conflito avançava, ele ia subindo na carreira militar. A cada nova vitória, ganhava um posto militar de maior hierarquia. Em pouco tempos se tornou General! 

O Presidente Lincoln gostava dele. Grant cumpria as ordens e enfrentava de frente o exército confederado. Ao contrário de outros Generais da União que ficavam sempre receosos de perder alguma batalha e manchar suas reputações, Grant ia em frente, sem medo. Certa vez o Secretário de Defesa criticou Lincoln diretamente por estar dando cada vez mais poder para Grant. Lincoln não aceitou essas críticas, dizendo: "Eu sei que ele tem problemas com bebidas, mas esse homem luta! Ele luta! E vence as batalhas que precisamos que ele vença! Ele é bem melhor do que a maioria dos Generais da União!". Lincoln, muito pragmático, sabia que precisava de resultados concretos no front de guerra. Grant era o homem certo para isso. Ele não ficava adiando suas operações militares por meses e meses como certos medalhões do exército. Ele ia em frente, enfrentando a Confederação sem medo da derrota! 

O curioso é que Grant continuou bebendo como nunca durante a Guerra Civil. Não raro já estava bêbado ao meio-dia! Mesmo assim ia para o combate de peito aberto. Talvez o alcoolismo tenha lhe dado a coragem suficiente para enfrentar grandes desafios. E isso também colaborou para se tornar mais próximo de seus soldados. Eles também bebiam muito antes, durante e depois de uma grande batalha! 

Vitória após vitória nas batalhas, veio finalmente a vitória definitiva na guerra, depois de cinco longos anos de luta violenta onde milhares de americanos perderam suas vidas! A consagração de Grant como militar veio numa tarde quente quando ele recebeu diretamente das mãos do próprio general inimigo a rendição dos exércitos da Confederação. O velho General Lee era uma verdadeira lenda e o fato de Grant ter recebido sua rendição em mãos o transformou também em lenda! O povo do Sul chorou como nunca esse dia! O grande Lee, considerado invencível, admitia sua derrota e da Confederação dos estados sulistas. Era o fim da guerra civil. 

Com essa fama, Grant tentou uma carreira na política e se tornou muito bem sucedido, se elegendo presidente dos Estados Unidos após alguns anos. O povo dos Estados Unidos ainda chorava a morte de Lincoln e parecia sensato eleger o maior General da União para ocupar o posto do presidente assassinado. Grant não foi um chefe do poder executivo federal muito brilhante. O problema com as bebidas se acentuou durante seu mandato, mas em seu favor podemos também dizer que se não foi um grande presidente, tampouco fez besteira ou cometeu grandes erros na Casa Branca. Foi um presidente regular, até moderado e no final das contas cumpriu sua missão constitucional. Trouxe estabilidade política para uma nação que ainda não havia se curado as feridas da guerra. Para um homem que havia sido considerado como um medíocre na Academia Militar, Grant até que se deu muito bem em sua carreira tanto como militar, como político. 

Pablo Aluísio. 

Presidente dos Estados Unidos Franklin Pierce

Ele foi o 14º Presidente dos Estados Unidos. Foi presidente entre os anos de 1853 a 1857. Não foi um período feliz para os Estados Unidos. A questão envolvendo a escravidão parecia ser algo sem solução. Os estados do Norte queriam o fim da escravidão, mas os estados do Sul, que tinham sua economia fortemente embasada na escravidão, não aceitavam libertar a mão de obra dos escravos. Os trabalhadores que viviam e morriam nas grandes plantações de algodão eram todos escravizados. Os fazendeiros iriam lutar até o fim para manter essa situação.

Fraco de temperamento, o presidente Pierce não apenas deixou de resolver esse problema, como também o piorou, elaborando leis fracas que eram baseadas apenas na sua indecisão. Nortistas e Sulistas ficaram insatisfeitos com o presidente e sua popularidade despencou. Seu maior problema foi não ter tomado um lado, ficando sempre em cima do muro, sem decidir nada. Para muitos ele plantou as raízes da futura guerra civl que iria assolar os Estados Unidos em poucos anos.

Na questão pessoal sua situação era ainda mais complicada. Seu filho de 11 anos morreu em um terrível acidente de trem. Sua esposa, a primeira-dama Jane Appleton, não conseguiu superar o trauma da perda de seu único filho, ainda mais sendo ele uma criança. Ela se isolou em seu quarto na Casa Branca e entrou em profunda depressão. Na época se dizia que ela estava tendo crises de "melancolia" que era o termo usado para definir depressão. 

Desesperada, mandou chamar um médium para entrar em contato com a alma do filho falecido. De uma forma ou outra começou a dizer ao marido que estava conseguindo ver o garoto pelos corredores da Casa Branca, embora não conseguisse se comunicar com ele. Esse garotinho acabou se tornando um dos fantasmas mais famosos da residência dos presidentes americanos. Muitos deles, nos anos seguintes, confessariam que realmente viram um garoto com roupas antigas correndo pelos cômodos da famosa mansão presidencial. 

Mesmo com as experiências espirituais ela não conseguiu se recuperar. Morreu jovem e precocemente. Pior para o marido que também não conseguiu a reeleição. Inconformado e entregue ao alcoolismo, nunca mais superou a perda da mulher e do jovem filho, também morrendo relativamente jovem. Uma triste história de uma família que conseguiu chegar ao mais alto cargo político dos Estados Unidos, mas que uma vez lá só encontrou a infelicidade e a depressão. 

Pablo Aluísio.