terça-feira, 30 de dezembro de 2025

De Arma em Punho

De Arma em Punho
Ransome Callicut (Randolph Scott) é um forasteiro que chega na pequena vila de Los Angeles, um lugar inóspito perdido no meio do deserto, infestada de malfeitores. Ele desembarca no local afirmando ser um simples professor de crianças, mas o oficial da cavalaria na região, o capitão Roy Giles (Philip Carey), acredita que ele esteja mentindo pois é bastante parecido com um major desertor das forças armadas durante a guerra civil. Enquanto investiga o recém chegado, ele percebe que Ransome está cada vez mais envolvido nos problemas políticos locais. Há um grupo de rebeldes que deseja a separação do sul da Califórnia da federação americana, o que pode levar a uma nova guerra de secessão. Afinal qual seria a ligação entre o misterioso personagem de Randolph Scott com a turbulenta situação política em Los Angeles?

“De Arma em Punho” é mais uma produção com o ator Randolph Scott para a Warner. Esse aqui tem um roteiro bem mais trabalhado com uma intrigada trama que provavelmente vá confundir um pouco o espectador menos atento. Callicut (Scott) pode ser tanto um desertor do exército, como também um espião enviado pelo governo americano para investigar os problemas envolvendo os rebeldes californianos. O filme foi rodado praticamente todo dentro do estúdio. Existem cenas em locações reais, mas essas são geralmente pontuais, feitas com uma segunda unidade. As principais sequências que contam com Scott e o elenco principal, são praticamente todas recriadas em cenários dentro dos estúdios da Warner. Hoje em dia esse tipo de técnica é facilmente perceptível. Alguns não gostam, pois soa artificial, mas pessoalmente acho tudo muito charmoso e elegante. O horizonte ao longe é pintado, por exemplo, mas tudo com tão bom gosto que não há como se aborrecer com detalhes assim.

Além dos costumeiros tiroteios e perseguições “De Arma em Punho” ainda tem uma dupla de atores mais cômicos (um se veste de mulher para enganar os rebeldes) e duas sequências musicais com canções cantadas em espanhol pela atriz e intérprete Lina Romay. Para os fãs de Randolph Scott é bom salientar que "Stardust", seu lindo cavalo Palomino branco e marrom, está em cena, mostrando todo seu porte imponente e beleza. Em conclusão é isso, mais um bom filme com Scott que ainda conta com o diferencial de mostrar pequenos toques de mistério e tramas políticas. "De Arma em Punho" é um eficiente western da década de 50 que deve ser assistido pelos fãs do gênero.

De Arma em Punho (The Man Behind the Gun, Estados Unidos, 1953) Direção: Felix E. Feist / Roteiro: John Twist, Robert Buckner / Elenco: Randolph Scott, Patrice Wymore, Dick Wesson / Sinopse: Um forasteiro recém chegado a Los Angeles pode ser tanto um simples professor como um perigoso pistoleiro e desertor do exército norte-americano. A região está instável pois um grupo rebelde luta pela secessão do sul da Califórnia do resto do país.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A Rainha Virgem

Título no Brasil: A Rainha Virgem
Título Original: Young Bess
Ano de Lançamento: 1953
País: Reino Unido
Estúdio: Walt Disney Productions
Direção: George Sidney
Roteiro: Hugh Mills, Jan Lustig
Elenco: Jean Simmons, Stewart Granger, Deborah Kerr, Charles Laughton, Cecil Parker, Kay Walsh

Sinopse:
O filme retrata a juventude de Elizabeth Tudor, futura Rainha Elizabeth I da Inglaterra, desde a adolescência até sua ascensão ao trono. Cercada por intrigas políticas, traições e disputas religiosas durante o turbulento reinado de seu pai, Henrique VIII, Elizabeth aprende a sobreviver em uma corte repleta de perigos. Ao longo de sua formação, ela desenvolve a inteligência, a cautela e a força de caráter que a transformariam em uma das maiores monarcas da história inglesa.

Comentários:
O filme é baseado no romance histórico “Young Bess”, de Margaret Irwin. Jean Simmons recebeu grande aclamação por sua interpretação sensível e madura de Elizabeth I ainda jovem. Charles Laughton oferece uma atuação marcante como Henrique VIII, retratando o rei de forma autoritária e imprevisível. Apesar de ser uma produção da Disney, o filme tem um tom mais sério e histórico, bem diferente do cinema familiar associado ao estúdio. A fotografia em Technicolor e os figurinos luxuosos ajudam a recriar a atmosfera da corte inglesa do século XVI. O filme é considerado um clássico do cinema histórico, frequentemente lembrado como uma das melhores representações da juventude da Rainha Elizabeth I. Porém, como se trata de um filme clássico, de um tempo onde não havia tanto compromisso com a verdade histórica, não espere por fatos precisos da história real dessa monarca. Tudo vai mesmo na base da idealização e isso resulta em muito romance de pura ficção. Apesar disso, ou talvez até por isso, o filme ainda vale a pena. Como puro cinema é uma ótima diversão.

Pablo Aluísio.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot
Acordamos nessa manhã de domingo com o anúncio da morte da atriz francesa Brigitte Bardot. Para os mais jovens um nome que eles mal conhecem. Uma pena o nível de ignorância dessa nova geração! Pois saibam que ela foi uma das maiores estrelas do cinema mundial, um ícone da beleza e um verdadeiro fenômeno de popularidade. E tudo isso sem praticamente sair da França e sem saber falar direito nem uma frase em inglês. Ela foi, sem dúvida nenhuma, uma das mais famosas atrizes de todos os tempos. 

Ao contrário de outros ícones da beleza e juventude de sua época, como Marilyn Monroe e até mesmo Elvis Presley (que ela esnobou, dizendo que não queria nem mesmo conhecer o cantor americano!), BB (como era conhecida) viveu muito! Passou dos 90 anos, completou seu ciclo de vida completo, sendo criança feliz, jovem famosa nos quatro cantos do mundo, adulta que abraçou a causa animal e idosa reclusa, mas plena de si, vivendo em um belo apartamento à beira-mar, pois amava o oceano. 

Brigitte Bardot também foi símbolo da liberdade feminina. Ela teve seu auge de fama e popularidade nas décadas de 1950 e 1960, numa época em que as mulheres eram reprimidas em tudo. Pois ele ousou ser livre! Namorava com quem bem entendesse, saía à noite, ia à praia com roupas ousadas, não havia limites para BB em sua juventude. E não se engane sobre isso, sua postura causava escândalo. Chamavam ela de liberal, devassa e até mesmo de prostituta. Nada de novo no repertório de difamações e injúrias, tão típicas entre os mais conservadores. BB nem tomou conhecimento, seguiu sendo ela mesma! 

Abandonou o cinema em 1973. Nunca mais retornou, tal como uma Greta Garbo dos tempos modernos. Ao invés da sétima arte abraçou o amor aos animais. Só concedia entrevistas para falar sobre esse tema e rejeitava os anos de fama proporcionada por seus filmes. Alegou que a fama poderia ser uma benção, mas também uma praga na vida de um artista. Disse que, por causa da fama internacional, nunca conseguiu ter a liberdade plena que tanto sonhava. Assim ela, que tanto falou sobre liberdade pessoal, acabou sendo presa justamente por ser a mais famosa mulher de seu tempo. Ecos da época em que viveu. De qualquer maneira fica o adeus para a eterna BB, que ficará imortalizada para sempre em seus filmes. Que os deuses da sétima arte a recebam hoje com tapete vermelho e tudo o que lhe era de pleno merecimento. Siga em paz Bardot! 

Pablo Aluísio. 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Meu Pai, o Assassino BTK

Título no Brasil: Meu Pai, o Assassino BTK
Título Original: My Father: The BTK Killer
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Skye Borgman
Roteiro: Skye Borgman
Elenco: Kerri Rawson (filha do assassino), Dennis Rader (em arquivos de imagens), Beverly Rose, Harley Tarlitz, J. Jesse Harley

Sinopse:
Documentário que conta com o depoimento da filha do assassino BTK. Em flashback acompanhamos a chocante descoberta de uma jovem que passa a suspeitar que seu pai, um homem aparentemente comum e dedicado à família, possa estar ligado a uma série de crimes que aterrorizou a cidade de Wichita por décadas. À medida que as pistas se acumulam, ela enfrenta um conflito devastador entre o amor familiar e a necessidade de encarar uma verdade sombria, ligada ao infame assassino conhecido como BTK.

Comentários:
Virou mania agora essa coisa de pessoas que fazem séries ou filmes dizendo que são filhos ou filhas (e até netos!) de assassinos em série! Não faz muito tempo assisti a uma série de um canal a cabo que era protagonizada por uma jovem que insistia que seu avô era o infame assassino do Zodíaco! Bom, pelo menos aqui temos a filha verdadeira do BTK. Ele foi muito infame nos anos 70. Matou muitas pessoas, especialmente mulheres que estavam sozinhas em suas casas. Como todo serial killer ele mantinha uma fachada social impecável. Era chefe dos escoteiros, excelente cidadão, membro ativo na igreja local. Todo mundo parecia gostar dele. Só que por trás dessa falsa fachada havia mesmo um assassino em série mais do que maníaco e voraz. Hoje, muito mais velha, a filha do BTK conta o impacto que sua família sofreu quando seu pai foi desmascarado! Dennis Rader (seu nome real) tinha até então uma vida familiar muito estável. Uma família de comercial de margarina como se diz no Brasil. Só que tudo ruiu porque os policiais conseguiram chegar na sua identidade! E foi porque ele usou o computador da sua igreja para mandar uma nova mensagem de ameaça e terror aos policiais! Daí foi fácil chegar no criminoso. Logo ele, o cristão perfeitão da cidade onde morava! Um cidadão de bem, perfeito demais, na realidade era o assassino BTK (sigla de "Amordaçar, estuprar e matar") Durma-se com um barulho desses! Enfim, assim deixo a dica desse filme documentário que está disponível na Netflix! Assista e se arrisque para ver se gosta!

Pablo Aluísio.

Meu Avô, o Assassino do Zodíaco

Título no Brasil: Meu Avô, o Assassino do Zodíaco
Título Original: The Thrut About Jim
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO
Direção: Skye Borgman
Roteiro: Skye Borgman
Elenco: Shannon Barter, Sierra Barter, Jim Mordecai

Sinopse:
Jovem começa a investigar o passado de seu avô e juntando as peças, colhendo depoimentos de pessoas que conviveram com ele, acaba chegando na conclusão de que ele seria na verdade o infame assassino do Zodíaco, assassino em série que agiu nos anos 60 e cuja identidade jamais foi descoberta pela polícia, mesmo após tantas décadas! 

Comentários:
Como eu venho dizendo temos essa nova onda de documentários de pessoas que se dizem parentes de assassinos em série famosos do passado (ou melhor dizendo, infames!). Pois bem, esse documentário, dividido em vários episódios, não me pareceu nada convincente. Temos essa garota que jura que sabe que seu avô, já falecido, foi o Zodíaco, assassino que atuou na região de San Francisco, geralmente matando casais de namorados. Na fachada social seu avô era um professor do ensino médio que tinha lá suas manias e esquisitices, mas daí a se dizer que ele era o Zodíaco... vai uma longa distância! Na realidade penso que o mais provável é que o Zodíaco fosse um outro suspeito, um rapaz bem mais jovem que trabalhava na biblioteca de uma universidade próxima onde aconteceu um dos primeiros crimes. Um daqueles tipos com fixação em roupas militares e militarismo. Um doido desses. Enfim, não me convenceu em nenhum momento. Coitado, sobrou até para o velho professor...

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Seven

Título no Brasil: Seven
Título Original: Se7en
Ano de Lançamento: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: David Fincher
Roteiro: Andrew Kevin Walker
Elenco: Brad Pitt, Morgan Freeman, Kevin Spacey, Gwyneth Paltrow, R. Lee Ermey, John C. McGinley

Sinopse:
Em uma cidade sombria e sem nome, dois detetives com visões opostas do mundo unem forças para capturar um serial killer meticuloso que baseia seus crimes nos sete pecados capitais. O veterano Somerset (Freeman), prestes a se aposentar, e o impulsivo Mills (Pitt) mergulham em uma investigação cada vez mais perturbadora, na qual cada pista revela a mente cruel e calculista do assassino. Conforme a caçada avança, a linha entre justiça e desespero se torna perigosamente tênue.

Comentários: 
Outro filme dos anos 90 que resolvi rever nesse final de ano foi "Seven - Os Sete Pecados Capitais", Como já escrevi anteriormente sobre esse filme em outras ocasiões, vou aqui apenas falar sobre o que mais me chamou a atenção nessa nova revisão. Um dos aspectos que me tinham passado em branco nas outras ocasiões foi que o nome do ator Kevin Spacey foi omitido propositalmente nos créditos iniciais. Tudo para não estragar as surpresas do filme, inclusive sobre a identidade do assassino em série. Aliás esse final sempre é o aspecto mais lembrado do roteiro, com o personagem de Brad Pitt finalmente colocando um fim nos pecados capitais, mas corroído pela ira, sendo tragado pela inveja assumida por seu antagonista. É um roteiro bem bolado, temos que admitir. Faltavam dois pecados capitais e eles foram muito bem inseridos na conclusão da história. E por falar em Brad Pitt ele, nessa revisão, me pareceu bem menos convincente como o jovem policial imaturo que quer as glórias de uma carreira iniciante, ao prender esse serial killer cheio de simbolismos e rituais. Pitt perde a linha inclusive na cena clímax, com arma na mão e muitos pensamentos perturbadores passando por sua mente. Não faz mal, quando o filme chegou ao seu desfecho o jogo certamente já estava ganho. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Donnie Brasco

Título no Brasil: Donnie Brasco
Título Original: Donnie Brasco
Ano de Lançamento: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures
Direção: Mike Newell
Roteiro: Paul Attanasio
Elenco: Johnny Depp, Al Pacino, Michael Madsen, Anne Heche, Bruno Kirby, James Russo

Sinopse:
Baseado em fatos reais, o filme acompanha Joseph Pistone (Johnny Depp), um agente do FBI que assume a identidade de Donnie Brasco para se infiltrar na máfia ítalo-americana de Nova York nos anos 1970. Ao conquistar a confiança do mafioso envelhecido Lefty Ruggiero (Al Pacino), Donnie sobe na hierarquia do crime organizado, mas passa a viver um conflito profundo entre sua missão e os laços pessoais que desenvolve. À medida que a operação se aprofunda, os riscos aumentam e a linha entre dever e identidade começa a desaparecer.

Comentários: 
Fim de ano chegando, gosto de rever filmes do passado. Um deles foi esse "Donnie Brasco". Um bom filme, mas que fica abaixo dos filmes da máfia dirigidos por cineastas como Coppola e Scorsese. Ainda assim se mantém em um nível de qualidade cinematográfica elevado. É uma história real, sobre um agente do FBI que se infiltra dentro de uma das famílias mafiosas de Nova Iorque. E para isso ele ganha a amizade de um membro do baixo clero do crime organizado. O interessante dessa história é que o agente federal vai mesmo criando uma amizade real e acaba tendo muita compaixão pelo criminoso, um sujeito que sempre é deixado para trás dentro do grupo mafioso de que faz parte. Ele obviamente fica ressentido por isso. É uma história, no final das contas, sobre um homem que tenta sobreviver, que tem uma esposa suburbana e um filho viciado em drogas. A vida é dura, ele mesmo aceitando fazer as maiores atrocidades no mundo do crime jamais se levanta de sua existência de fracassos e derrotas. Esse filme, na realidade, não é sobre a máfia, mas sobre esse sujeito, interpretado mais uma vez de forma inspirada e talentosa por Al Pacino. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Drácula – Uma História de Amor Eterno

Título no Brasil: Drácula – Uma História de Amor Eterno
Título Original: Dracula: A Love Tale
Ano de Lançamento: 2025
País: França
Estúdio: EuropaCorp
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Caleb Landry Jones, Christoph Waltz, Zoë Bleu Sidel, Matilda De Angelis, Guillaume de Tonquédec, Ewens Abid

Sinopse:
Nesta nova adaptação do clássico de Bram Stoker, o conde Drácula é apresentado sob uma perspectiva profundamente romântica e trágica. Após perder o grande amor de sua vida, ele atravessa séculos marcado pela solidão e pela imortalidade. Quando acredita reencontrar sua amada em outra mulher, Drácula se vê dividido entre o amor eterno e sua natureza monstruosa, enquanto forças humanas e sobrenaturais se aproximam para destruí-lo. O filme enfatiza o conflito emocional, a paixão e o peso do tempo sobre a alma do vampiro.

Comentários:
Depois de um bom tempo sem dirigir um filme, o cineasta Luc Besson retornou para assinar essa nova versão cinematográfica de Drácula, o clássico eterno escrito por Bram Stoker. Fui com boa vontade assistir a esse novo filme, sem preconceitos. Infelizmente deixou a desejar em vários pontos. Desde a primeira cena fica bem evidente que o diretor tentou seguir os passos de Francis Ford Coppola em seu filme "Bram Stoker’s Dracula" de 1992. Digo e repito, esse foi o filme definitivo sobre Drácula. Nada melhor foi feito antes e nem depois de seu lançamento (que tive a honra de assistir no cinema, na época). Assim o diretor francês já largou em desvantagem. Ao invés de tentar algo novo e original, ele apenas tentou copiar Coppola. Não ficou nada interessante de assistir. Vai funcionar, talvez, para a nova geração que nunca viu o filme que foi copiado, mas para quem é cinéfilo veterano, não tem jeito, vai ficar tudo meio constrangedor. Também não gostei desse ator Caleb Landry Jones. Ele é tosco e não tem o refinamento que o papel exige. Já Christoph Waltz surge sem novidades. Ele é bom ator, mas está se repetindo, filme após filme. Seu papel de um padre inexiste no livro original e basicamente surge no lugar de Van Helsing. Outro erro dessa adaptação. Personagens tão importantes não devem ser retirados de nenhuma adaptação. Assim deixo a marca de decepção. Esperava algo melhor, ainda mais vindo de Luc Besson, um diretor de que gosto muito. 

Pablo Aluísio. 

A Mosca da Cabeça Branca

Título no Brasil: A Mosca da Cabeça Branca
Título Original: The Fly
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Kurt Neumann
Roteiro: George Langelaan, James Clavell
Elenco: Vincent Price, Patricia Owens, Herbert Marshall, Kathleen Freeman, Betty Lou Gerson, Charles Herbert

Sinopse: 
Por anos um cientista tenta sem sucesso transportar matéria pelo espaço, indo de um lugar ao outro. A invenção poderia ser revolucionária para o futuro da humanidade. A tentativa se baseia na reconstrução molecular entre câmeras de transporte. Durante uma dessas tentativas porém uma mosca adentra o recipiente de transposição, fundindo o DNA do inseto com o DNA humano, criando nesse processo um ser simplesmente monstruoso!

Comentários:
Esse filme ganhou um selo de cult movie com o passar dos anos. É fato que se trata mesmo de um grande clássico do cinema fantástico do passado. O roteiro e sua direção de arte só ganharam com o passar do tempo e o filme não ficou ridículo após todos esses anos, o que é um feito e tanto! Aliás muito pelo contrário. O que vemos é Hollywood tentando captar o clima original em vários remakes, inclusive o de 1986 que também é uma pequena obra prima. A Mosca da Cabeça Branca tem todos os ingredientes dos filmes fantásticos dos anos 1950. Existe a desconfiança natural com os rumos da ciência, o cientista que não consegue frear seus impulsos, passando por cima da ética e os efeitos nefastos de seus experimentos - em filmes assim isso era representado justamente pelo surgimento de aberrações, monstros sanguinários. Uma maravilha! Não existe nada mais charmoso hoje em dia em termos de cinema do que os antigos - e muito bem bolados - filmes de Sci-fi dos anos 50 e 60. Em última análise essas produções continuam tão influentes hoje em dia como eram na época de seu lançamento! Nesse aspecto chega mesmo a ser genial. Outro aspecto digno de nota é que o filme não abusa dos efeitos especiais e nem da maquiagem. Sempre os esconde, nas sombras, por exemplo, justamente para manter o clima de suspense. Com isso o filme não foi atingido pelo tempo, uma vez que tudo é sutilmente escondido. Caso os efeitos datados fossem colocados mais em evidência o filme perderia e muito. Porém o roteiro foi inteligente o bastante para ser apenas sutil, sugerir na maior parte do tempo, sem apelar para o vulgar. Em suma, é um clássico sem dúvida. Um dos melhores de sua linhagem.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Preço de um Covarde

O Preço de um Covarde
Dee Bishop (Dean Martin) é o líder de um bando de assaltantes de bancos no velho oeste. Após uma tentativa frustrada de assalto, todos são presos pelo xerife July Johnson (George Kennedy). Julgados e condenados à forca, não parece mais haver esperanças para os criminosos até o dia em que chega na cidade o carrasco que vai executar o enforcamento. Homem educado, de gestos gentis, ele logo ganha a simpatia de todos. O único problema é que ele na realidade não é quem afirma ser. Na verdade se trata de Mace Bishop (James Stewart) que tentará de todas as formas evitar que seu querido irmão seja enforcado na cidade.

Excelente western com um elenco maravilhoso, além de James Stewart e Dean Martin, a ótima produção conta com as presenças da linda Raquel Welch (no auge de sua beleza) e Andrew Prine. A primeira coisa que chama a atenção é o próprio personagem de James Stewart. Ele é um ladrão, tal como seu irmão, assalta bancos e mente o tempo todo, mas mesmo assim não deixa de ser charmoso e fascinante para os moradores da região. James Stewart geralmente interpretava papéis de homens virtuosos, íntegros, éticos e esse Mace Bishop é uma exceção nessa linha. Aqui ele é um vilão disfarçado. Um sujeito que se faz de homem honesto para esconder seus objetivos nefastos. Sua atuação é mais uma vez muito digna e marcante. Sem dúvida, um de seus mais interessantes personagens no cinema.

Ao seu lado no elenco, o cantor Dean Martin mais uma vez não compromete. É curioso porque muitos decretaram o final de sua carreira no cinema após se separar de Jerry Lewis. Ledo engano. Martin conseguiu superar essa separação e ao longo dos anos construiu uma sólida filmografia própria, solo, com alguns filmes realmente maravilhosos. Aqui ele interpreta o irmão caçula Bishop. No fundo tudo o que deseja é escapar das garras da lei para ter um novo recomeço em algum lugar onde possa finalmente ter paz e tranqüilidade. Martin surpreende mesmo com sua boa atuação. E pensar que ele foi por anos após uma "escada" para Jerry Lewis em seus filmes de comédia.

O termo “bandolero”, do título original, se refere a um vasto território hostil localizado além do Rio Grande, marco geográfico que separa o México dos EUA, que era nos tempos do velho oeste uma terra de ninguém, dominado por saqueadores e ladrões mexicanos. Não havia lei naquela região. É justamente nesse local onde se passará os eventos mais dramáticos de todo o filme. Em conclusão “O Preço de um Covarde” é mais um momento marcante na rica carreira do saudoso James Stewart, um ator diferenciado que aqui surge em cena em um papel incomum. Simplesmente imperdível. 

O Preço de um Covarde (Bandolero!, Estados Unidos, 1968) Direção: Andrew V. McLaglen / Roteiro: James Lee Barrett, Stanley Hough / Elenco: James Stewart, Dean Martin, Raquel Welch, George Kennedy, Andrew Prine / Sinopse: Dois irmãos tentam fugir das garras da lei na fronteira entre EUA e México. Após atravessarem o Rio Grande são incansavelmente perseguidos pelo zerife Johnson. O problema é que o vasto território é um covil de ladrões e assassinos mexicanos. Quem conseguirá sobreviver a esse lugar tão hostil?

Pablo Aluísio.

Winchester '73

Winchester 73
Lendo a autobiografia do ator Rock Hudson nos deparamos com um capítulo onde ele relembra o lançamento desse western. De como viajou ao lado de James Stewart para promover o filme nas cidades. Na época ele era apenas um coadjuvante de luxo nesse faroeste que tem um ótimo roteiro. E é justamente o roteiro que se destaca nessa produção. Posso afirmar, sem parecer exagerado, que temos aqui um roteiro muito bem escrito, algo bem inovador mesmo. Várias histórias vão sendo mostradas e aos poucos todas convergem para o mesmo local. O roteiro na verdade segue o rifle Winchester 73 que vai passando de mão em mão ao longo do filme. A arma é uma espécie de prêmio que o personagem de James Stewart ganha em um concurso na cidade de Dodge City. Nessa cena temos direito até mesmo a uma aparição do famoso homem da lei Wyatt Earp. O rifle acaba sendo roubado depois, indo parar nas mãos de um grupo Sioux. Depois ele vai parar nas mãos de militares da cavalaria, vira objeto de ostentação de um covarde etc. O fio condutor de todo o enredo então passa a ser justamente esse rifle. E assim várias histórias do velho oeste vão sendo contadas.

Além do bom roteiro, o filme se destaca também pelo excelente elenco. Astros de Hollywood da sua era de ouro estão aqui. O ator James Stewart repete seu tradicional papel de homem íntegro e honesto. Para falar a verdade ele não precisava de muito mais do que isso. Sempre carismático e correto, Stewart liderou um elenco acima da média. O mais curioso é a presença de dois jovens atores que iriam virar grandes astros nos anos que viriam: Rock Hudson e Tony Curtis. O primeiro está quase irreconhecível como um chefe Sioux. Ele atuou no filme de peruca e pintado nas cores tradicionais dos nativos americanos, algo bem fora dos padrões de sua carreira. Já Tony Curtis, muito, muito jovem, faz um soldado da cavalaria no meio de um cerco indígena. Ambos estavam em começo de carreira, tentando um lugar ao sol em Hollywood.

Na época os dois eram contratados da Universal Pictures, que tinha um quadro de treinamento de novos atores. A Universal era conhecida por realizar vários faroestes B, mas aqui caprichou um pouco mais na produção. Isso porque contava com o astro James Stewart como estrela do filme. Assim o estúdio decidiu produzir um faroeste classe A para fazer jus a ele. A empresa cinematográfica sabia do potencial das bilheterias com sua presença. E tudo isso resultou numa produção caprichada. A direção também foi entregue a um cineasta experiente. Anthony Mann foi para James Stewart o que John Ford foi para John Wayne, ou seja, uma bela parceria se firmou entre ambos ao longo dos anos. Aqui a sintonia da dupla funciona novamente. Mann, com mão firme, não deixa o filme em nenhum momento cair na banalidade. Excelente trabalho de direção. Em suma, esse é um daqueles grandes filmes de western da história de Hollywood. Um filme para se ter na coleção.

Winchester '73 (Winchester '73, Estados Unidos, 1950) Direção: Anthony Mann / Roteiro: Robert L. Richards, Borden Chase / Elenco: James Stewart, Rock Hudson, Tony Curtis, Shelley Winters, Dan Duryea / Sinopse: Lin McAdam (James Stewart) vence uma competição de tiro cujo prêmio é um rifle Winchester 73, a melhor arma da época. Após perder sua posse a arma cai nas mãos de várias pessoas ao longo do tempo. Filme indicado ao Writers Guild of America.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Os Jovens Anos de uma Rainha

Título no Brasil: Os Jovens Anos de uma Rainha
Título Original: Mädchenjahre einer Königin
Ano de Lançamento: 1954
País: Alemanha Ocidental / Áustria
Estúdio: Carlton-Film
Direção: Ernst Marischka
Roteiro: Ernst Marischka, Georg Hurdalek
Elenco: Romy Schneider, Karlheinz Böhm, Magda Schneider, Michael Cramer, Josef Meinrad, Helmuth Schneider

Sinopse:
O filme retrata a juventude da Rainha Vitória da Inglaterra, desde sua adolescência até o momento em que assume o trono britânico. Criada sob rígido controle político e familiar, a jovem Vitória luta para afirmar sua independência em meio a conspirações da corte, disputas de poder e pressões para manipulá-la. Paralelamente, ela vive seus primeiros sentimentos amorosos, especialmente em relação ao príncipe Albert, enquanto amadurece para assumir o destino que a história lhe reservou.

Comentários: 
É um filme adorável, a tal ponto que a própria Disney comprou seus direitos para lançamento nos Estados Unidos. Nada mais adequado já que as próprias princesas da Disney foram inspiradas em contos e filmes europeus como esse. Historicamente não é nada preciso. E ninguém pediu por algo assim. Esse filme pertence a um estilo cinematográfico que os críticos da época denominaram de drama histórico romântico do pós-guerra. Depois das atrocidades da Segunda Guerra Mundial as pessoas queriam assistir a histórias como essa, romantizadas ao máximo, pura fantasia e luxo! E para Romy Schneider foi a oportunidade de sua vida pois logo após ela foi convidada para interpretar a imperatriz Sissi em uma trilogia de filmes de grande sucesso de bilheteria. Então o que temos aqui é uma película especialmente indicada para o público feminino que deseja assistir a algo leve, romântico, com cenários e figurinos luxuosos, ou seja, literalmente um sonho de princesa. Todas as jovens um dia sonharam com isso e não há nada de errado em pensar assim. Afinal pelo menos os sonhos são lindos. 

Pablo Aluísio. 

Noiva da Primavera

Título no Brasil: Noiva da Primavera
Título Original: June Bride
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Bretaigne Windust
Roteiro: Ranald MacDougall, Eileen Tighe
Elenco: Bette Davis, Robert Montgomery, Fay Bainter, Betty Lynn, Tom Tully, Barbara Bates

Sinopse:
Carey Jackson (Robert Montgomery) é um renomado jornalista de Nova Iorque que após perder seu emprego vai trabalhar numa fútil revista para donas de casa comandada pela editora Linda Gilman (Bette Davis). O problema é que eles tiveram um passado mal resolvido, após um breve, mas ardente romance. Agora precisam passar por cima de tudo, por questões profissionais, o que não vai ser fácil. Filme indicado ao Writers Guild of America.

Comentários:
Antes de qualquer coisa é interessante dizer que se você aprecia o trabalho e a carreira da atriz Bette Davis, esse filme é item obrigatório em sua coleção. Ela está ótima interpretando essa editora de uma revista de vida doméstica que precisa conviver agora com um ex-namorado do passado, um jornalista cínico e mordaz que simplesmente a deixou sem maiores explicações, após um breve romance. E logo no começo de sua nova relação profissional eles precisam viajar até Indiana para cobrir o casamento de um jovem casal da região. Claro, o jornalista vivido por Robert Montgomery acha tudo aquilo um tédio e uma coisa completamente fútil. Porém, como todos, ele precisa trabalhar para viver. E aí, bem no meio da cobertura desse casamento, começam as pequenas provocações, as finas ironias entre ele e a antiga namorada. O roteiro é ótimo e tem excelentes diálogos, alguns inclusive que causam surpresa por causa da época em que o filme foi produzido. Só o final destoa um pouco pois o roteiro infelizmente procura por uma solução banal, que coloca a personagem de Bette Davis numa posição que não condiz muito com o que ela demonstrava durante todo o filme. De qualquer maneira são ecos de moralismo de um tempo passado. Até esse momento chegar o filme é puro deleite para cinéfilos que gostam do cinema clássico de Hollywood.

Pablo Aluísio.

domingo, 21 de dezembro de 2025

A Descoberta das Bruxas - Primeira Temporada

Título no Brasil: A Descoberta das Bruxas
Título Original: A Discovery of Witches
Ano de Lançamento: 2018
País: Reino Unido
Estúdio: Bad Wolf
Direção: Farren Blackburn, Alice Troughton
Roteiro: Kate Brooke, Matthew Graham
Elenco: Teresa Palmer, Matthew Goode, Alex Kingston, Valarie Pettiford, Owen Teale, Trevor Eve

Sinopse:
Diana Bishop, uma historiadora e bruxa relutante, descobre por acaso um manuscrito mágico perdido há séculos enquanto realiza pesquisas na Biblioteca Bodleian, em Oxford. O achado desperta o interesse — e a hostilidade — de bruxas, vampiros e demônios, criaturas que vivem escondidas entre os humanos. Para se proteger e compreender o poder do manuscrito, Diana acaba formando uma improvável aliança com o vampiro geneticista Matthew Clairmont. Juntos, eles mergulham em um mundo secreto repleto de intrigas, antigas leis e conflitos entre espécies sobrenaturais.

Comentários:
Eu sei, eu sei, você muito provavelmente não aguenta mais séries sobre vampiros românticos e atraentes ao estilo "Diários de um Vampiro". Essa durou tanto tempo e teve tantos episódios reprisados que ninguém aguentava mais. OK, eu entendo tudo isso. Entretanto vamos dar mais uma pequena chance para essa nova série chamada "A Descoberta das Bruxas". Eu gostei da primeira temporada e sigo acompanhando a segunda (que aliás é bem melhor do que a primeira). O ponto diferencial é que são poucos episódios em cada temporada e isso tem uma razão de ser. A produção é tão cara e tão caprichada que a produtora decidiu fazer poucos episódios, numa decisão acertada. O material ainda é indicado para jovens adultos, mas os mais velhos podem vir a curtir. Só precisa gostar de vampiros românticos e atraentes! Ops... pois é, tem esse pequeno probleminha. Nada é perfeito! 

Pablo Aluísio. 

Scrubs

Título no Brasil: Scrubs
Título Original: Scrubs
Ano de Lançamento: 2001
País: Estados Unidos
Estúdio: ABC Studios
Direção: Bill Lawrence
Roteiro: Bill Lawrence, Neil Goldman
Elenco: Zach Braff, Donald Faison, Sarah Chalke, John C. McGinley, Judy Reyes, Ken Jenkins

Sinopse:
A série acompanha John “J.D.” Dorian, um jovem médico que inicia sua carreira no Hospital Sacred Heart, enfrentando os desafios e absurdos do dia a dia da medicina. Ao lado de seus colegas e amigos, ele aprende sobre amizade, amor, ética profissional e a imprevisibilidade da vida, tudo com uma mistura única de humor, drama e momentos de reflexão.

Comentários:
Eu assistia essa série "Scrubs" quando era exibida no canal Sony. Achava bem divertida. Com episódios que duravam em média 30 minutos, Scrubs era exibido no final da tarde. Os roteiros seguiam o estilo besteirol, com toda a história se passando dentro de um hospital muito louco mesmo! Até me lembrava de filmes nonsense como "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu" do trio ZAZ. Era bem naquele estilo. Depois de alguns anos no ar foi cancelada. Uma pena. Nunca mais vi mais nada parecido na TV depois disso. Recentemente anunciaram a produção de um filme, com o mesmo elenco e o mesmo estilo da série. Sinceramente falando, acho que não será uma boa ideia. Tudo tem seu tempo e o tempo de Scrubs já se foi... é a vida, não tem jeito. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 20 de dezembro de 2025

O Eternauta

O Eternauta - Primeira Temporada
Outra série que chegou badalada, mas que no final achei bem mais ou menos! É uma série pós apocalíptica rodada na Argentina e baseada em quadrinhos. Bom, os quadrinhos possuem até um certo prestígio entre fãs da nona arte, mas essa série eu sinceramente não gostei muito. Até que a série começa bem, sendo os primeiros episódios levemente interessantes. Um grupo de pessoas bem normais descobrem que algo aconteceu. Uma neve, pelo visto contaminada talvez por radiação, surge no horizonte. Ninguém sabe explicar, mas milhões morreram. Eles, que estão relativamente protegidos dentro de uma casa, decidem sair para entender os acontecimentos, já que todas as emissoras de rádio e televisão saíram do ar. É uma jornada em busca de salvação e conhecimento dos fatos. 

No quadro geral me soou bem cansativa. Fica muito no lenga lenga, nunca parecendo chegar em lugar nenhum. No meio do sono os produtores colocaram umas criaturas, parecendo uns besouros gigantes, para ver se o público acorda, mas não tem jeito, a coisa toda é um tanto sonolenta. Em determinado momento você pensa que tudo será explicado pois parece que a Terra sofreu uma invasão de extraterrestres (os tais besouros), mas nada é muito bem explicado. Assim retornam aqueles personagens chatos fazendo coisa nenhuma. E o espectador vai em frente, tentando ficar acordado no meio do tédio. Enfim, não gostei!

O Eternauta (El Eternauta, Argentina, 2025) Direção: Bruno Stagnaro / Roteiro: Bruno Stagnaro / Elenco: Ricardo Darin, Carla Peterson, César Troncoso / Sinopse: Um grupo de pessoas comuns, que vivem nos subúrbios de Buenos Aires, na Argentina, descobre que algo aconteceu no mundo lá fora, mas não sabem ainda dos fatos. O mundo, definitivamente, parou! 

Pablo Aluísio. 

Medo Real

Medo Real - Primeira Temporada
A Netflix vendeu essa série de terror como a coisa mais assustadora que você poderia assistir em sua vida. Besteira! Marketing rasteiro! A fórmula usada aqui já foi muito esticada, principalmente em canais de documentários sobre crimes como a ID Investigação Discovery. A coisa toda funciona assim: Pessoas que viveram experiências (supostamente) paranormais, relembram os fatos do passado. Em vários episódios apenas duas histórias são contadas. Na primeira um jovem universitário passa a ter alucinações com uma entidade sobrenatural. Conforme ele vai investigando descobre que pode ser a alma atormentada de um soldado morto durante a guerra civil. Esse primeiro lote de episódios achei bem fraquinho. Nada convincente!

Na segunda história uma família compra uma casa maravilhosa no campo por um preço muito barato. Quem conhece filmes de terror sabe que isso pode ser uma péssima ideia. No mínimo houve um crime horrendo dentro da casa em um passado distante. E é exatamente isso que acontece. Os familiares se mudam para sua nova casa. Todo mundo alegre e feliz, mas não demora a se manifestarem entidades falecidas dentro dela. Bom, história batida, coisa que já vimos em dezenas de filmes de terror. E nos filmes, pode ter certeza, a coisa era muito melhor trabalhada. Assim, não sobra muita coisa. O medo real não se mostrou tão real assim! 

Medo Real (True Haunting, Estados Unidos, 2025) Direção: Neil Rawles, Luke Watson / Roteiro: Neil Rawles, Luke Watson / Elenco: Wyatt Dorion, Cooper Levy, Rhys Phillips / Sinopse: Nessa nova série de terror da Netflix o espectador será apresentado a histórias reais do sobrenatural, tudo contado pelas pessoas que as vivenciaram. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Duas Rainhas

Duas Rainhas 
Alguns filmes já foram feitos no passado sobre o conturbado relacionamento político e pessoal entre essas duas rainhas. Elizabeth I (Margot Robbie) era a rainha da Inglaterra, protestante, incapaz de gerar um herdeiro. Nunca se casou, o que lhe valeu o título histórico de "A Rainha Virgem". Era considerada uma mulher fria, que soube conduzir bem o império britânico enquanto esteve no trono. Mary Stuart (Saoirse Ronan) era a rainha da Escócia. Após viver longos anos na França retornou para se sentar no trono escocês. Falava mais francês do que a língua do país. Causou mal estar e desconforto entre os nobres escoceses. Muitos a consideravam uma estrangeira. Também era católica, o que causava problemas com os protestantes da Escócia.

Mary tinha parentesco com Elizabeth. Elas eram primas. Mais importante do que isso, Mary era a primeira na linha de sucessão ao trono inglês caso algo acontecesse com Elizabeth. Isso acabava criando uma tensão entre as duas monarcas. O filme retrata esse aspecto, mas desde o começo foca muito mais em Mary Stuart e seus problemas na corte da Escócia, do que em Elizabeth e seu relacionamento com ela. Era um foco de tensão conviver com uma nobreza tão vil e traidora como aquela. Para piorar ainda mais esse quadro, Mary teve um filho que também estaria na linha de sucessão do trono inglês. Ao mesmo tempo Elizabeth não conseguia gerar herdeiros para a dinastia Tudor ao qual pertencia (ela era filha de Ana Bolena e Henrique VIII).

O filme em si é bem interessante, conta sua história até mesmo de forma didática. As questões históricas são colocadas na mesa sem muita cerimônia. A produção também é boa, mas nada espetacular, como se poderia esperar de um filme sobre duas rainhas poderosas. O único problema do roteiro é que ele precisou compilar em pouco mais de duas horas de filme uma história que durou mais de trinta anos. Para se ter uma ideia disso basta citar o exemplo de quando Mary Stuart finalmente cai nas mãos de Elizabeth. No filme parece que sua execução se deu em poucos dias. Na verdade durou 18 anos! Houve um longo julgamento (ignorado no filme) e depois se passou muitos anos até que ela fosse executada. Assim as coisas ficam meio atropeladas. Mesmo assim ainda é um bom filme. O conselho final porém para quem gostou da história em si é ir atrás de livros sobre as monarcas, onde aí sim o leitor poderá ter uma ideia muito mais ampla do que realmente aconteceu.

Duas Rainhas (Mary Queen of Scots, Inglaterra, Estados Unidos, 2018) Direção:  Josie Rourke / Roteiro: Beau Willimon, baseado no livro histórico "Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart" / Elenco: Saoirse Ronan, Margot Robbie, Jack Lowden, Andrew Rothney / Sinopse: O filme conta a história do complicado relacionamento político e pessoal entre as rainhas Mary Stuart da Escócia (Saoirse Ronan) e Elizabeth I da Inglaterra (Margot Robbie). Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhor Figurino. Também indicado ao BAFTA Awards nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Margot Robbie), Melhor Maquiagem e Melhor Figurino.

Pablo Aluísio.

A Outra

Título no Brasil: A Outra
Título Original: The Other Boleyn Girl
Ano de Produção: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures, Focus Features
Direção: Justin Chadwick
Roteiro: Peter Morgan, Philippa Gregory
Elenco: Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana
  
Sinopse:
Duas belas irmãs, Ana e Mary Bolena, impulsionada pela ambição cega de sua família, competem pelo amor do Rei Henrique VIII (1491 - 1547), um monarca violento e despótico que passa por uma crise em seu casamento. Sua esposa Catarina de Aragão não consegue lhe dar um herdeiro homem, o que cria um problema para a linha de sucessão do rei e ele, convencido que não terá um varão, decide ir atrás de outras amantes para ocupar o trono da rainha.

Comentários:
A história de Henrique VIII, o soberbo e absoluto monarca da Inglaterra, já deu origem a vários filmes (alguns clássicos inclusive). Aqui o foco se revela um pouco diferenciado. Ao invés de tentar contar a biografia do rei, suas inúmeras esposas, seus atos de violência e sua mente sendo corrompida gradualmente pelo poder sem freios, o roteiro procura focar em uma outra personagem secundária, que nem sempre foi aproveitada adequadamente nos filmes anteriores. O próprio título já deixa claro que o filme vai se focar na "Outra Garota Bolena". Como se sabe Ana Bolena foi a segunda esposa do rei, um romance complicado, cheios de dramas, já que Henrique VIII não podia se separar de sua primeira esposa que não lhe dava herdeiros masculinos, só dando origem a filhas. Indo contra o Papa e a Igreja ele decidiu romper com Roma, anula seu primeiro casamento e finalmente se uni a Ana Bolena. Esse relacionamento porém foi trágico, pois desconfiado de que estava sendo traído, mandou decapitar Ana Bolena. Isso é o que você basicamente vê em outros filmes sobre Henrique VIII. Aqui o foco porém se direciona para Mary Bolena (Scarlett Johansson), irmã de Ana e que também desfrutou da cama do rei. Enfim, perversão, falta de valores morais e destruição dos laços religiosos por causa de amantes ocasionais, compõe o menu dessa ótima produção. Vale a pena assistir.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O Troll da Montanha 2

Título no Brasil: O Troll da Montanha 2
Título Original: Troll 2
Ano de Lançamento: 2025
País: Noruega
Estúdio: Motion Blur
Direção: Roar Uthaug
Roteiro: Espen Aukan, Roar Uthaug
Elenco: Ine Marie Wilmann, Kim Falck, Mads Sjøgård Pettersen, Sara Khorami, Gard B. Eidsvold, Trond Magnum

Sinopse:
Após os eventos devastadores causados pelo despertar de um troll ancestral, a Noruega tenta se recuperar enquanto mantém em segredo a existência dessas criaturas mitológicas. No entanto, uma nova e ainda mais perigosa ameaça desperta nas montanhas, forçando a paleontóloga Nora Tidemann e a equipe do governo a retornarem à linha de frente. Com o tempo se esgotando e a destruição se aproximando de áreas densamente povoadas, eles precisam desvendar antigos mitos nórdicos e encontrar uma forma de deter o monstro antes que seja tarde demais.

Comentários:
Talvez eu já tenha passado da idade de curtir um filme como esse, de monstros lutando entre si, destruindo as cidades por onde passam. Todos esses filmes são filhos espirituais de King Kong e Godzilla, não tem jeito. Então se já vi os originais no passado, fica mesmo complicado curtir esse genérico vindo da fria Noruega. O curioso é que é um filme pop mesmo, nada tendo a ver com o clima mais soturno e dramático de um cinema europeu que imperava até poucos anos atrás. O cinema americano realmente jogou sua influência em cima do velho continente e parece não haver mais retorno desse ponto. Eu lamento. Penso que o cinema europeu vai perdendo suas características mais valiosas. Por outro lado temos que levar em conta também que vivemos a era da Netflix, então o gosto médio do público americano (e derivados) se impõe. Não acredito que os jovens de hoje iriam curtir um Troll gigantesco tendo crises existenciais ou então discutindo filosofia em cima da montanha. Aí seria exigir demais! 

Pablo Aluísio. 

A Negociação

Título no Brasil: A Negociação
Título Original: The Negotiator
Ano de Lançamento: 1998
País: Estados Unidos
Estúdio: New Regency Productions
Direção: F. Gary Gray
Roteiro: James DeMonaco, Kevin Fox
Elenco: Samuel L. Jackson, Kevin Spacey, David Morse, Ron Rifkin, John Spencer, J.T. Walsh

Sinopse:
Danny Roman (Samuel L. Jackson) é um dos melhores negociadores da polícia de Chicago, especialista em lidar com situações de reféns. Quando é falsamente acusado de desviar dinheiro de um fundo de pensão da corporação e vê seu parceiro ser assassinado, Roman decide tomar uma atitude extrema: faz reféns dentro de um prédio do governo para ganhar tempo e provar sua inocência. Para negociar, ele exige a presença de Chris Sabian (Kevin Spacey), outro negociador renomado. O confronto psicológico entre os dois homens se transforma em uma batalha de inteligência, enquanto a verdade por trás da conspiração começa a vir à tona.

Comentários:
Nada melhor do que um bom thriller psicológico policial dos anos 90. Aqui nesse filme temos um verdadeiro duelo de interpretação entre dois ótimos atores. No nível superior temos um ainda jovem Kevin Spacey arrasando como um negociador profissional do departamento de polícia. Um homem inteligente e devidamente treinado para lidar com situações de alto stress e perigo. Em um nível um pouco inferior temos a melhor interpretação da carreira de Samuel L. Jackson. Infelizmente, devemos reconhecer, o Jackson foi se rendendo a um estilo de atuar caricato, que auto ironizava sua própria imagem pública. Esqueça isso. Aqui temos o melhor dele em cena. No geral um filme realmente muito bom que merece ser revisto nos dias atuais. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Baramulla

Título no Brasil: Baramulla
Título Original: Baramulla
Ano de Lançamento: 2025
País: Índia
Estúdio: B62 Studios
Direção: Aditya Suhas Jambhale
Roteiro: Aditya Dhar, Aditya Suhas Jambhale
Elenco: Manav Kaul, Bhasha Sumbli, Arista Mehta

Sinopse:
Policial, muito profissional e íntegro em sua profissão, é transferido para uma região mais remota da Índia. Lá ele precisará investigar uma série de desaparecimentos de crianças. Mal sabe que sua própria família, em breve, estará no meio de toda essa situação de medo e terror. 

Comentários:
Não é todo dia que você vai assistir a um filme indiano de terror! Então não deixa de ser um bom programa conferir esse filme. Amplie seus horizontes cinematográficos, conhecendo o que se produz também naquele país, que aliás, ama cinema! Um dos aspectos que mais me chamaram atenção nesse filme foi o uso de seres sobrenaturais e mitológicos da cultura ocidental, da religião cristã e judaica. Os indianos possuem sua própria cultura religiosa, inclusive cultuando milhares de deuses diferentes. Assistir a um filme como esse que usa figuras como demônios e fantasmas, tão típicas da religião ocidental não deixa de ser uma grande surpresa. Pelo visto a influência dos próprios filmes ocidentais de terror já se fazem sentir nessa região do nosso planeta. Pois é, a cultura rompe fronteiras nacionais desde o começo dos tempos. Em relação ao filme em si achei apenas mediano. Ele começa bem, mas logo se perde. Não sabe se aposta no terror e suspense ou no drama, envolvendo os familiares do policial. Assim o filme perde ritmo e fica, em determinados momentos, bem cansativo para o espectador.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Névoas do Terror

Título no Brasil: Névoas do Terror
Título Original: A Study in Terror
Ano de Lançamento: 1965
País: Reino Unido
Estúdio: Compton Films
Direção: James Hill
Roteiro: Donald Ford, Derek Ford
Elenco: John Neville, Donald Houston, John Fraser, Barbara Windsor, Frank Finlay, Anthony Quayle

Sinopse:
Em Londres, no final do século XIX, Sherlock Holmes e Dr. Watson investigam uma série de assassinatos brutais que aterrorizam o bairro de Whitechapel. Os crimes apresentam semelhanças inquietantes com os homicídios atribuídos a Jack, o Estripador, levando Holmes a enfrentar um dos casos mais perigosos de sua carreira. À medida que a investigação avança, conspirações envolvendo a alta sociedade, chantagem e segredos do passado surgem, colocando o detetive frente a frente com um inimigo que parece sempre estar um passo à frente.

Comentários:
Até hoje fico curioso com o fato de que o escritor Arthur Conan Doyle nunca escreveu uma história de Sherlock Holmes tentando descobrir o mistério da identidade do infame assassino em série Jack, o Estripador. Afinal os livros originais eram da mesma época em que os crimes estavam sendo executados. Parece que Doyle não quis colocar seu mais famoso personagem nesse mistério sem solução. Corria o risco de destruir sua reputação como detetive infalível, quem sabe. De qualquer forma temos esse filme, com história, digamos, não canônica. É interessante e tem seus bons momentos, mas já foi superado por filmes bem melhores tratando da mesma premissa como, por exemplo, Assassinato por Decreto. O que sobra, no final de tudo, é uma boa interpretação do ator John Neville como Holmes e uma certa ambientação sombria daqueles crimes. Ainda assim, repito, o filme hoje em dia ficou bem datado. Vale pela curiosidade cinematográfica histórica e nada muito além disso. 

Pablo Aluísio. 

O Caçador de Bruxas

Título no Brasil: O Caçador de Bruxas 
Título Original: Witchfinder General 
Ano de Lançamento: 1968 
País: Reino Unido 
Estúdio: Tigon British Film Productions 
Direção: Michael Reeves 
Roteiro: Michael Reeves, Tom Baker 
Elenco: Vincent Price, Ian Ogilvy, Rupert Davies, Robert Russell, Hilary Dwyer, Nicky Henson 

Sinopse:
O filme se passa na Inglaterra durante a Guerra Civil do século XVII. Matthew Hopkins (Vincent Price) afirma ter sido nomeado pelo Parlamento como “Caçador de Bruxas Geral”. Ele viaja de vila em vila perseguindo supostas bruxas e hereges, usando tortura e acusações falsas — com o único objetivo de ganhar dinheiro e poder. Quando o soldado Richard Marshall (Ian Ogilvy) descobre os crimes de Hopkins, ele decide caçá-lo para pôr fim ao seu reinado de medo e terror. 

Comentários:
O filme é considerado um marco do chamado “folk horror” britânico — mistura horror com contexto histórico e social, focando na superstição, fanatismo religioso e perseguições. A distribuição nos Estados Unidos mudou o título para The Conqueror Worm, numa tentativa de associá-lo aos filmes do ciclo de Poe estrelados por Price, apesar de a história não ter relação com os contos de Poe. O filme era bastante violento e chocante para a época — com cenas de tortura, execuções e brutalidade, o que lhe conferiu reputação de obra controversa, muito além dos filmes de horror “fantasia” ou sobrenatural. Enfim, temos aqui um filme até bem realista sobre o que foi a real Caça às Bruxas, onde pessoas que se diziam cristãs usavam a fé alheia para cometer as maiores barbaridades e atrocidades contra pessoas vulneráveis. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Krakatoa - O Inferno de Java

Título no Brasil: Krakatoa - O Inferno de Java
Título Original: Krakatoa, East of Java
Ano de Lançamento: 1969
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Bernard L. Kowalski
Roteiro: John Davis, Arnold Schulman
Elenco: Maximilian Schell, Brian Keith, Sal Mineo, Diane Baker, Peter Graves, Joanna Pettet

Sinopse:
A história se passa no final do século XIX e segue uma missão de resgate liderada por um capitão de navio mercante que parte para a ilha de Java para resgatar uma carga valiosa de diamantes. O que ele não sabe é que o temido Vulcão Krakatoa está prestes a entrar em erupção, o que criará uma série de catástrofes naturais e ameaças para a tripulação e moradores locais. A missão se transforma assim em uma luta pela sobrevivência à medida que eles tentam escapar das consequências da maior erupção vulcânica já registrada, que causa uma tragédia sem precedentes.

Comentários:
Assisti há poucos dias. É um filme antigo, clássico. Por essa razão fiquei com aquela sensação de que já havia assistido antes, em algum momento de minha vida. Provavelmente em alguma Sessão da Tarde nos anos 80, quem sabe. Pois bem, de uma maneira ou outra, gostei do que vi. É um filme bem interessante que procura contar uma história de aventura, perigo e desafios em regiões exóticas do nosso planeta. O curioso é que não havia na época tecnologia para fazer todos os efeitos especiais adequados, uma vez que a história do filme exigia esse tipo de produção. Ainda assim, mesmo com os recursos da época, o filme se sustenta. Claro que o navio é uma miniatura e tudo mais, porém esse tipo de coisa não tira o sabor do filme, pelo contrário, traz aquele sentimento de nostalgia de um tempo em que o cinema era mais romântico, mais desafiador nesse campo. Assim fiquei plenamente satisfeito quando chegou ao  seu final. Penso que é um dos bons filmes nesse estilo produzido naqueles anos, hoje distantes. Um tempo na história do cinema que não volta mais. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 14 de dezembro de 2025

Alien: Earth

Título no Brasil: Alien: Earth
Título Original: Alien: Earth 
Ano de Lançamento: 2025 
País: Estados Unidos, Reino Unido
Estúdio: Disney
Direção:  Noah Hawley
Roteiro: Noah Hawley
Elenco: Sydney Chandler, Timothy Olyphant, Samuel Blenkin, Essie Davis, Kit Young, Alex Lawther 

Sinopse:
O ano é 2120. Uma nave espacial carregando seres de outros planetas, sendo a maioria deles grandes predadores, cai no Planeta Terra. Então duas grandes corporações começam a disputar a posse e propriedade dessas criaturas, mas antes que um acordo seja fechado, esses seres vindos do espaço começam a matar seres humanos. Pior do que isso, começam a fugir para a natureza, com graves consequências. 

Comentários: 
A franquia cinematográfica "Aliens" agora pertence ao império Disney. Então os executivos decidiram produzir uma série para o canal Disney Plus. Os mais céticos dizem que a Disney está destruindo "Star Wars" e que Aliens vai pelo mesmo caminho. Apesar desse tipo de pensamento fui conferir a nova série com boas expectativas. Pena que alguns tons pessimistas se confirmaram. Realmente a Disney colocou sua digital naquele grupo de jovens com nomes retirados do universo de Peter Pan. Não precisavam forçar tanto a barra. A tentativa de domesticar o próprio Alien, o usando como uma espécie de "Pet" da protagonista também pegou muito mal. É uma coisa boba e foge completamente do padrão do que vimos em todos os filmes do cinema. Ainda assim gostei de algumas coisas. A mais positiva foi criar novos seres, criaturas terríveis, como aquele "Olho" que é tão sinistro quanto o próprio monstro tradicional que já conhecemos. Agora fraca mesmo foi a conclusão no último episódio dessa primeira temporada. Estava esperando algo parecido com os filmes, ou seja, um banho de sangue. Não aconteceu! Fui otimista demais. Agora é Disney e eu havia me esquecido desse pequeno grande detalhe que no final de tudo faz toda a diferença. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 13 de dezembro de 2025

Cassino

Título no Brasil: Cassino
Título Original: Casino
Ano de Lançamento: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Nicholas Pileggi, Martin Scorsese
Elenco: Robert De Niro, Sharon Stone, Joe Pesci, James Woods, Don Rickles, Kevin Pollak

Sinopse:
Ambientado em Las Vegas durante as décadas de 1970 e 1980, o filme acompanha Sam “Ace” Rothstein (Robert De Niro), um especialista em apostas escolhido pela máfia para administrar um luxuoso cassino. Enquanto Sam tenta conduzir o negócio com precisão e disciplina, sua vida começa a ruir por causa do comportamento violento e imprevisível de seu amigo de infância Nicky Santoro (Joe Pesci) e do relacionamento turbulento com a ex-prostituta Ginger McKenna (Sharon Stone). Em meio a corrupção, ambição e traições, o império construído em Las Vegas começa a desmoronar. Filme premiado pelo Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz (Sharon Stone). 

Comentários:
Depois de 30 anos resolvi rever um dos filmes essenciais de Martin Scorsese. Estou me referindo ao filme "Cassino". Havia assistido no cinema, em seu lançamento original. Agora fiz uma revisão do filme. Olha, para minha surpresa, o filme me pareceu bem melhor agora. Ainda considero inferior ao excelente "Os Bons Companheiros", mas de fato a qualidade cinematográfica não se abalou com o passar dos anos. Pelo contrário, assim como os bons vinhos essa película ficou bem melhor com o tempo. Entre os destaques no elenco, além do quase sempre ótimo Robert De Niro, destaco o trabalho de Sharon Stone. Foi a melhor interpretação da bela atriz em toda a sua carreira. Foi premiada e teve o reconhecimento de seu talento, algo até então inédito em sua carreira. Já Joe Pesci meio que repete o mesmo tipo de personagem que havia feito em "Os Bons Companheiros", aquele sujeitinho sujo da máfia, cabeça quente, que sempre fazia as maiores atrocidades. Violento e boçal, era o lado asqueroso desses criminosos que faziam força para parecerem elegantes e finos. Enfim, não há mesmo muito mais o que dizer. "Cassino" é um filmão!

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

O Ouro de Ulisses

Título no Brasil: O Ouro de Ulisses
Título Original: Ulee's Gold 
Ano de Lançamento: 1997 
País: Estados Unidos 
Estúdio: Motion Picture Corporation of America (MPCA) 
Direção: Victor Nuñez 
Roteiro: Victor Nuñez 
Elenco: Peter Fonda, Patricia Richardson, Christine Dunford, Tom Wood, Jessica Biel, Vanessa Zima 

Sinopse:
Ulee Jackson (Peter Fonda) é um apicultor viúvo e veterano do Vietnã que vive isolado nos pântanos da Flórida, criando suas duas netas desde que o filho foi preso e a esposa deste desapareceu. Quando o filho informa que a ex-mulher (a mãe das meninas) está em perigo, nas mãos de antigos cúmplices criminosos, Ulee decide sair de sua reclusão para resgatá-la. 

Comentários: 
Peter Fonda encontrou a fama e o sucesso com "Sem Destino", filme cult dos anos 60. Depois disso, para surpresa de muitos, foi sumindo de Hollywood aos poucos. Só aparecia de vez em quando em algum filme independente. Odiava o circuito comercial dos grandes estúdios. Esse filme lançado nos anos 90, quando Peter já estava com mais idade, pode ser considerado uma pequena exceção, já que foi produzido por um grande estúdio, contou com ampla campanha de marketing e furou a bolha do cinema independente. É um bom filme, valorizado acima de tudo pela interpretação de Fonda. Ele foi amplamente elogiado pelos críticos e venceu o Globo de Ouro na categoria Drama. Como se isso não fosse o bastante, ainda foi indicado ao Oscar. Nada mal para um ator que rejeitava o mundo das celebridades e só queria, de vez em quando, fazer alguns filmes menores, do circuito underground de cinema independente. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Audi vs Lancia

Título no Brasil: Audi vs Lancia: Corrida pela Glória 
Título Original: Race for Glory: Audi vs. Lancia 
Ano de Lançamento: 2024 
País: Itália / Reino Unido 
Estúdio: Recorded Picture Company 
Direção: Stefano Mordini 
Roteiro: Filippo Bologna, Stefano Mordini 
Elenco: Daniel Brühl, Riccardo Scamarcio, Volker Bruch, Katie Clarkson-Hill, Esther Garrel

Sinopse:
Duas famosas marcas de construção de carros esportivos de velocidade duelam em busca da vitória e do prestígio durante o Campeonato Mundial de Rally de 1983. A equipe alemã Audi, muito mais bem preparada e organizada, vai ter que vencer o modelo da Lancia que, apesar de ter um carro menos competitivo e moderno, conta com uma equipe bem mais sagaz e com o devido jogo de cintura para levantar esse tipo de título do automobilismo. 

Comentários:
Depois do sucesso do filme "Ford vs. Ferrari" surgiu esse tipo de produção que é especialmente indicada para quem é apaixonado por automobilismo. Dos vários filmes que já foram produzidos nessa linha, esse foi o mais fraco de todos que já assisti. Ainda assim não é um filme ruim. Ele tem pontos fortes e fracos. É bom nas sequências de corridas, nos momentos de tensão envolvendo essas máquinas durante a competição esportiva. Só que o roteiro é também bem fraco no desenvolvimento dos personagens, na construção da dramaticidade em si. A tal ponto de superficialidade que muitas vezes ficamos até mesmo sem saber o que determinado personagem faz dentro daquela equipe. Também se rende a clichês de nacionalidade. Os alemãos da Audi são retratados como frios e desumanos, enquanto os seus rivais italianos são cheios de malandragem, jogo de cintura, chegam a ser até mesmo debochados. Enfim, máculas superficiais que não fará grande diferença para quem estiver realmente interessado apenas no aspecto ligado ao automobilismo do filme. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Espantalho

Título no Brasil: Espantalho 
Título Original: Husk 
Ano de Lançamento: 2011 
País: Estados Unidos 
Estúdio: After Dark Films 
Direção: Brett Simmons 
Roteiro: Brett Simmons 
Elenco: Devon Graye, Wes Chatham, C.J. Thomason, Tammin Sursok, Ben Easter, Joshua Skipworth 

Sinopse:
Jovens amigos viajam por uma estrada remota no interior dos Estados Unidos. Após um acidente eles precisam procurar por ajuda. Acabam indo parar em uma extensa e abandonada plantação de milharal. O lugar é bem sinistro e parece haver algo muito errado com aquele espantalho crucificado no meio do nada. 

Comentários: 
Os americanos possuem seus próprios medos. Além de palhaços, eles cultivam um certo terror desses espantalhos que são colocados em grandes plantações para espantar os corvos. Isso já foi tema de muitos filmes de terror, mas aqui ganha até que uma roupagem nova, com boas ideias. Eu particularmente gostei da explicação do surgimento do espantalho assassino no meio do milharal. Para isso o diretor foi colocando em pequenos flashes explicações sobre o passado daquele lugar. E no final a sequência dos fatos até que faz um bom sentido, mas claro, para isso você vai ter que aceitar a origem sobrenatural de tudo aquilo. Ainda assim é um filme que se sustenta bem. Está em exibição no canal Pluto TV que é uma plataforma de filmes e séries grátis na internet. Deixo a dica. 

Pablo Aluísio. 

Cidade das Bruxas

Título no Brasil: Cidade das Bruxas
Título Original: The City of the Dead 
Ano de Lançamento: 1960 
País: Reino Unido 
Estúdio: Vulcan Films 
Direção: John Llewellyn Moxey 
Roteiro: Milton Subotsky, George Baxt 
Elenco: Christopher Lee, Venetia Stevenson, Betta St. John, Patricia Jessel, Dennis Lotis, Valentine Dyall 

Sinopse:
A estudante universitária Nan Barlow viaja até a pacata cidade de Whitewood na Nova Inglaterra para pesquisar um passado de condenação de mulheres acusadas de bruxaria naquela região em um passado distante. Lá, ela decide se hospedar na pousada chamada Raven’s Inn, construída no local onde, séculos antes, uma mulher acusada de bruxaria foi queimada na fogueira. Conforme a jovem investiga os fatos históricos descobre que não apenas que os moradores são muitos estranhos e esquisitos, mas que também guardam segredos obscuros sobre tudo o que aconteceu. 

Comentários:
Clássico filme de terror do cinema inglês. Apesar de ter sido produzido com baixo orçamento e fotografia em preto e branco, o filme é até hoje considerado uma referência em torno da precisa construção de suspense, com uso muito inspirado de luzes e sombras, além da neblina sempre presente em cada cena. Christopher Lee é o nome mais conhecido do elenco. Ele interpreta o professor que incentiva sua jovem aluna a ir estudar a queima de bruxas na própria cidade onde tudo aconteceu, séculos atrás. Chegando lá ela começa a entender a mentalidade estranha que ainda hoje impera entre os moradores locais. Um bom filme que resgata toda a elegância do cinema clássico produzido na Inglaterra nos anos 60. Filme conhecido nos Estados Unidos como Horror Hotel. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Que Assim Seja, Trinity

Título no Brasil: Que Assim Seja, Trinity
Título Original: Si può fare... amigo 
Ano de Lançamento: 1972 
País: Itália 
Estúdio: Rizzoli Film SPA 
Direção: Maurizio Lucidi 
Roteiro: Ernesto Gastaldi, Rafael Azcona 
Elenco: Bud Spencer, Jack Palance, Renato Cestiè, Francisco Rabal, Dany Saval, Luciano Catenacci 

Sinopse:
Coburn (Bud Spencer), um viajante errante de bom coração, acaba envolvido na proteção de um garoto órfão, o jovem Chip, o qual herdou um rancho aparentemente abandonado. Porém, o local atrai o interesse de malfeitores: a terra esconde riquezas (petróleo), e esse fato faz com que bandidos e pistoleiros persigam o menino para tomar o terreno. Coburn então, com a ajuda de um pistoleiro (e rival) ambíguo (Jack Palance), tenta deter os bandidos e garantir a herança do garoto. 

Comentários:
Um filme solo do Bud Spencer, aqui sem seu companheiro habitual Terence Hill. Para compensar a ausência do carismático parceiro de tantos filmes, o estúdio italiano resolveu contratar o americano Jack Palance. Eu sempre o considerei um bom profissional, mas aqui ele optou por uma caracterização bem caricata mesmo, com os dentes cerrados e uma piteira de cafajeste sempre na boca. Claro, Palance parecia estar se divertindo como nunca! Aliás esse é o tom do filme, é pura diversão mesmo. Não é um faroeste para se levar à sério em nenhum momento, é puro entretenimento para as massas, com doses extras de bom humor. E o Bud Spencer provou que poderia levar um filme como esse sozinho. Ele tinha carisma para tanto, com seu jeitão de Brutus, o eterno antagonista do Popeye. Sempre considerei o Bud Spencer como um algo a mais do que ser apenas a escada em cena para o Terence Hill. Aqui ele bem demonstrou que tinha luz própria, embora seus filmes em dupla fossem inegavelmente bem melhores. De uma maneira ou outra esse filme de western spaghetti cumpre o que promete: ser boa diversão, acima de tudo. 

Pablo Aluísio.