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quarta-feira, 15 de julho de 2026

A Morte do Demônio: Em Chamas

Título no Brasil: A Morte do Demônio: Em Chamas
Título Original: Evil Dead Burn
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos, Nova Zelândia e Canadá
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Sébastien Vaniček
Roteiro: Sébastien Vaniček e Florent Bernard
Produção: Rob Tapert e Sam Raimi
Elenco: Souheila Yacoub, Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Tandi Wright, Erroll Shand, Maude Davey e George Pullar.

Sinopse:
Terceiro filme independente da fase moderna da franquia iniciada com Evil Dead (2013) e sucedendo A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), Evil Dead Burn acompanha Alice, uma mulher devastada pela morte do marido. Em busca de conforto, ela aceita passar alguns dias na isolada propriedade da família do falecido. O que deveria ser um período de luto transforma-se em um pesadelo quando a presença do Necronomicon desperta novamente as forças demoníacas conhecidas como Deadites. Um a um, os membros da família são possuídos, convertendo a reunião familiar em um massacre sangrento. Enquanto luta para sobreviver, Alice descobre que a promessa feita ao marido — permanecer ao seu lado "até a morte" — ganha um significado aterrorizante diante do poder maligno do Livro dos Mortos. O longa mantém a tradição da série ao combinar horror sobrenatural, violência extrema e efeitos práticos perturbadores, explorando ao mesmo tempo temas como luto, abuso familiar e culpa.

Comentários:
Evil Dead Burn chegou aos cinemas cercado de enorme expectativa, principalmente por ser dirigido pelo cineasta francês Sébastien Vaniček, cujo trabalho em Infested chamou a atenção de Sam Raimi. Desde o início da produção, o diretor declarou que pretendia realizar "o filme mais brutal da franquia", promessa que dividiu profundamente a crítica especializada. O The Guardian publicou uma das avaliações mais positivas, afirmando que o longa consegue expandir o universo da série sem copiar o estilo de Raimi. A crítica elogiou a atmosfera opressiva, a intensidade emocional da história e a criatividade das sequências de horror, destacando que os Deadites apresentam mais personalidade e perversidade do que em capítulos anteriores. O jornal também ressaltou que Vaniček imprime influências do horror francês contemporâneo, produzindo um filme visualmente agressivo e emocionalmente devastador.

A recepção, entretanto, esteve longe de ser unânime. A Associated Press publicou uma crítica bastante severa, argumentando que Evil Dead Burn sacrifica o humor negro e a inventividade visual que marcaram os filmes clássicos da franquia em favor de uma violência quase ininterrupta. Segundo a agência, a produção mergulha em cenas de mutilação e gore extremo sem oferecer o mesmo equilíbrio entre terror e diversão característico dos trabalhos de Sam Raimi. No Rotten Tomatoes, o filme estreou com cerca de 79% de aprovação, indicando uma recepção crítica geralmente favorável, embora menos entusiasmada do que a de alguns de seus antecessores. Entre os fãs, porém, a reação foi bastante positiva. Em comunidades como Reddit e fóruns dedicados ao terror, muitos espectadores elogiaram a atuação intensa de Souheila Yacoub, o ritmo acelerado e a coragem de levar a violência da série a novos extremos, considerando-o um dos capítulos mais perturbadores da franquia. Comercialmente, o longa teve uma boa estreia mundial e consolidou a estratégia da franquia de contar histórias independentes, preservando a mitologia do Necronomicon sem depender da presença de Ash Williams. Além disso, o sucesso do filme reforçou os planos do estúdio para expandir ainda mais o universo de Evil Dead nos próximos anos.

Erick Steve. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A Hora do Pesadelo 5

A Hora do Pesadelo 5
A Hora do Pesadelo 5: O Maior Horror de Freddy estreou nos cinemas em 1989 como o quinto capítulo da popular franquia de terror criada por Wes Craven. Dirigido por Stephen Hopkins e estrelado por Robert Englund no papel de Freddy Krueger, o filme continua a saga de Alice (Lisa Wilcox), agora confrontando o vilão enquanto enfrenta seus próprios temores e a inesperada gravidez que se torna alvo das forças de Freddy nos sonhos. O lançamento aconteceu em meio a uma onda de filmes de terror no final dos anos 1980, quando franquias consagradas tentavam se reinventar para manter o interesse do público.

Em termos de bilheteria, A Hora do Pesadelo 5 teve um resultado moderado nas salas de cinema. Nos Estados Unidos, o filme arrecadou cerca de US$ 22,1 milhões, números que o colocaram entre os títulos de terror de maior público daquele ano, embora abaixo de algumas das partes anteriores da franquia. Apesar disso, ele ainda se destacou dentro do gênero slasher e marcou um momento em que a série ainda atraía públicos fiéis mesmo com certa saturação do formato.

A recepção da crítica em 1989 foi mista a negativa. Nos principais agregadores de resenhas, o filme atingiu avaliações relativamente baixas — com cerca de 32% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma meta-nota de 54/100 no Metacritic, indicando opiniões divididas entre críticos da época. A crítica especializada observou que, embora o longa tivesse ideias visuais e efeitos especiais elaborados, sua narrativa sofreu com uma mitologia confusa e desenvolvimento irregular de personagens, diminuindo seu impacto como sequência memorável.

Muitos jornais e críticos salientaram que, ao se afastar um pouco do terror mais psicológico e do horror original do primeiro filme, A Hora do Pesadelo 5 caía em elementos repetitivos e em uma mitologia que nem sempre fluía de forma convincente. Publicações como o The New York Times comentaram que o longa “não pretende ser mais do que uma obra do gênero”, enquanto veículos como Variety observaram que o roteiro parecia “mal construído” apesar de momentos visuais impressionantes. Nessa época, parte da imprensa considerava que a franquia precisava de renovação para recuperar seu frescor inicial.

O filme também serviu de ponte para o sexto capítulo da série, Freddy’s Dead: The Final Nightmare, lançado em 1991, no qual Freddy Krueger supostamente encontra seu fim — ainda que a franquia continuasse posteriormente com outros títulos (inclusive Wes Craven’s New Nightmare). Freddy’s Dead teve uma bilheteria de cerca de US$ 34,9 milhões nos Estados Unidos, sendo um dos maiores desempenhos domésticos da série até então, embora tenha sido criticado por seu tom mais lúdico e menos assustador do que os primeiros filmes.

A Hora do Pesadelo 5 - O Maior Horror de Freddy (A Nightmare on Elm Street - The Dream Child, Estados Unidos, 1989) Estúdio: New Line Cinema / Direção: Stephen Hopkins / Roteiro: Wes Craven, John Skipp / Elenco: Robert Englund, Lisa Wilcox, Kelly Jo Minter, Danny Hassel, Erika Anderson, Nicholas Mele / Sinopse: Após os acontecimentos do filme anterior, Alice Johnson começa a ter sonhos perturbadores que revelam o retorno de Freddy Krueger. Desta vez, o assassino dos sonhos utiliza o filho ainda não nascido de Alice como portal para invadir o mundo real. À medida que Freddy manipula as mentes de novas vítimas através dos sonhos, Alice precisa enfrentar seus medos mais profundos para tentar destruir o vilão de uma vez por todas.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Maldição da Múmia

Maldição da Múmia 
Eu não estava dando muita bola para esse novo filme, apesar de gostar muito de filmes de terror da era clássica. As críticas não tinham sido boas e apesar do filme marcar uma boa bilheteria, essa coisa de múmia não me interessava mais. Afinal é um dos monstros clássicos da Universal e após tantos anos de filmes ruins pouca coisa poderia ter sobrevivido a tantos anos de saturação. Pois bem, fui surpreendido positivamente! Esse novo filme é bom! Essa avaliação é bem chocante no meu caso pois pensei que não conseguiriam fazer algo novo em materal tão antigo. Pois fizeram! Pode ter certeza disso! 

Não é totalmente original porque em muitos aspectos me lembrou muito de "O Exorcista". Isso mesmo! Não procure muitas semelhanças com o filme clássico original. Esse aqui tenta buscar outras soluções. E vou logo avisando: é um filme muito violento! Tão violento que não faria feio numa comparação direta com "A Morte do Demônio". Além de violento é sujo, cruel, sádico, analogicamente doentio. Fizeram uma maquiagem na menina que por si só já causa sustos. Tudo com aspecto de algo apodrecido, mofado, com tiras de velhas maldições em linhos de múmias milenares em seus braços imundos. E nem vou lembrar da carne decomposta que vai caindo podre pelo chão... Só vendo pra crer. Ecos de "A Mosca" dos anos 80... O resultado de toda essa gosma nojenta me soou muito interessante em um filme que qualifico como surprendentemente bom! Por essa eu sinceramente não esperava!

Maldição da Múmia (The Mummy, Estados Unidos, 2026) Direção: Lee Cronin / Roteiro: Lee Cronin / Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy / Sinopse: Casal de americanos vivendo no Cairo, Egito, passa pelo trauma do desaparecimento da filha. Tempos depois ela é encontrada muito ferida e em estado lamentável. Levada de volta aos Estados Unidos passa a apresentar comportamento violento e insano, colocando todos da família em grande perigo. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

As Filhas de Drácula

As Filhas de Drácula 
Antes de qualquer coisa vamos explicando a picaretagem do título nacional desse filme. Não tem Drácula nele, nem muito menos suas filhas. Na realidade o título nacional seria mais honesto se fosse próximo ao original, algo na linha "As Gêmeas do Mal". É a história de duas jovens, gêmeas, que vão morar com o tio após a morte de seus pais. O tio é um fanático caçador de bruxas. Ao lado de seu bando, um coletivo de religiosos fanatizados, sádios e violentos, ele sai perseguindo mulheres acusando elas de serem bruxas. Pior do que isso, as matando em grandes fogueiras. Ele é um puritano e a história nos deixou relatos precisos sobre essa gente. Não há exageros nesse aspecto no que vemos no filme. Vale também destacar o excelente trabalho de atuação de Peter Cushing nesse papel. 

Então, uma dessas sobrinhas dele se apaixona por um nobre que tem um grande castelo na região. Protegido pelo imperador da Alemanha, ele é o único que enfrenta o inquisidor protestante. Só tem um probleminha a superar: o sujeito é um vampiro, mais do que isso, é um satanista de renome. O que temos aqui é outro bom filme da Hammer Studios. Uma produção muito bem orquestrada, com todos os personagens funcionando bem para o eixo da história seguir em frente. Eu gostei bastante! A única coisa, no final das contas, que não gostei, foi justamente esse título nacional, mais do que picareta! 

As Filhas de Drácula (Twins of Evil, Reino Unido, 1971) Direção: John Hough / Roteiro: Tudor Gates, Sheridan Le Fanu / Elenco: Peter Cushing, Dennis Price, Mary Collinson, Madeleine Collinson / Sinopse: Gustav Weil (Cushing) é um inquisidor, caçador de bruxas violento, que começa a ter problemas com um poderoso nobre local. Pior do que isso, uma de suas sobrinhas acaba se apaixonando por ele, seu pior inimigo. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O Necrotério

Título no Brasil: Mortuária ou O Necrotério
Título Original: Mortuary
Ano de Lançamento: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Tobe Hooper Productions
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Jace Anderson
Elenco: Denise Crosby, Dan Byrd, Angela Paton, David Wallace, Bill Moseley, Micah Gallo

Sinopse:
Após a morte misteriosa do patriarca da família, uma viúva e seus dois filhos se mudam para uma pequena cidade onde passam a viver ao lado de um antigo cemitério. Logo, acontecimentos perturbadores começam a se manifestar, revelando a suposta existência de forças sobrenaturais ligadas ao local. À medida que segredos macabros vêm à tona, a família descobre que os mortos podem não estar tão descansados quanto aparentam.

Comentários:
Eu fiquei bem surpreso em ver o diretor Tobe Hooper envolvido nesse filme. Ele sempre foi um dos cineastas mais celebrados do gênero terror. Infelizmente seu currículo não salvou essa fitinha bem morna, para não dizer fraca mesmo. E isso é de se lamentar porque o filme começa bem. Há essa família que se muda para uma casa que na verdade vai funcionar como uma mortuária. A mãe fez um daqueles cursos que ensinam a maquiar defuntos e embalsamentos mais básicos, para que eles fiquem bem em seus funerais. Só que as coisas logo começam a dar errado. Do lado da casa existe um cemitério daqueles bem decrépitos. Os filhos dela começam a visitar aquele lugar (não me perguntem a razão!) e mexem em coisas que deveriam ficar enterradas. Só que não espere no final por algo sobrenatural. Tem mais a ver com um fungo de enorme expansão e contaminação. Aqui o filme se perde. Queria um terrorzão, não uma aula de ciência sobre fungos! Assim não iria dar certo mesmo. Lamento Mr. Hooper. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

A Mosca da Cabeça Branca

Título no Brasil: A Mosca da Cabeça Branca
Título Original: The Fly
Ano de Produção: 1958
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Kurt Neumann
Roteiro: George Langelaan, James Clavell
Elenco: Vincent Price, Patricia Owens, Herbert Marshall, Kathleen Freeman, Betty Lou Gerson, Charles Herbert

Sinopse: 
Por anos um cientista tenta sem sucesso transportar matéria pelo espaço, indo de um lugar ao outro. A invenção poderia ser revolucionária para o futuro da humanidade. A tentativa se baseia na reconstrução molecular entre câmeras de transporte. Durante uma dessas tentativas porém uma mosca adentra o recipiente de transposição, fundindo o DNA do inseto com o DNA humano, criando nesse processo um ser simplesmente monstruoso!

Comentários:
Esse filme ganhou um selo de cult movie com o passar dos anos. É fato que se trata mesmo de um grande clássico do cinema fantástico do passado. O roteiro e sua direção de arte só ganharam com o passar do tempo e o filme não ficou ridículo após todos esses anos, o que é um feito e tanto! Aliás muito pelo contrário. O que vemos é Hollywood tentando captar o clima original em vários remakes, inclusive o de 1986 que também é uma pequena obra prima. A Mosca da Cabeça Branca tem todos os ingredientes dos filmes fantásticos dos anos 1950. Existe a desconfiança natural com os rumos da ciência, o cientista que não consegue frear seus impulsos, passando por cima da ética e os efeitos nefastos de seus experimentos - em filmes assim isso era representado justamente pelo surgimento de aberrações, monstros sanguinários. Uma maravilha! Não existe nada mais charmoso hoje em dia em termos de cinema do que os antigos - e muito bem bolados - filmes de Sci-fi dos anos 50 e 60. Em última análise essas produções continuam tão influentes hoje em dia como eram na época de seu lançamento! Nesse aspecto chega mesmo a ser genial. Outro aspecto digno de nota é que o filme não abusa dos efeitos especiais e nem da maquiagem. Sempre os esconde, nas sombras, por exemplo, justamente para manter o clima de suspense. Com isso o filme não foi atingido pelo tempo, uma vez que tudo é sutilmente escondido. Caso os efeitos datados fossem colocados mais em evidência o filme perderia e muito. Porém o roteiro foi inteligente o bastante para ser apenas sutil, sugerir na maior parte do tempo, sem apelar para o vulgar. Em suma, é um clássico sem dúvida. Um dos melhores de sua linhagem.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Drácula

Drácula
É incrível, mas eu nunca havia assistido a esse clássico do terror. Essa produção de 1931 foi a primeira adaptação autorizada do livro de Bram Stoker para o cinema americano. Também foi uma das mais importantes obras cinematográficas na transposição desse famoso personagem para as telas. O curioso é que o filme teve muitos problemas de produção. A Universal Pictures não queria investir muito dinheiro. Por isso contratou basicamente o mesmo elenco da peça na Broadway. Foi um acerto. Tanto Bela Lugosi (na pele do Conde Drácula), como Edward Van Sloan (que interpretava Van Helsing), estavam muito entrosados quando o filme começou a ser rodado. Eles basicamente apenas repetiram o que vinham fazendo nos palcos. O cinema mudo estava desaparecendo e a possibilidade do uso do som foi uma revolução e tanto. E eles tinham ótimos diálogos para seus personagens. Aliás é bom lembrar que esse foi um dos primeiros filmes falados da história.

O diretor Tod Browning fez um bom trabalho, principalmente na questão envolvendo a direção de arte do filme, como também nos cenários, figurinos, etc. Ele deu um visual ao vampiro que seria imitado por décadas e décadas. Algumas cenas, como a do grande salão do castelo de Drácula, até hoje impressionam pela beleza gótica. E pensar que essa primeira versão foi realizada com pouco dinheiro e com um diretor que não conseguiu terminar o filme porque o prazo estourou e ele teve que ir para outro lugar, para começar um outro filme pelo qual tinha assinado contrato. Quem terminou as filmagens foi Karl Freund, que também ajudou na sala de edição, criando assim um corte final rápido e sem excessos, trazendo muita agilidade para o filme de uma maneira em geral.

Em relação à teatralidade de certos momentos, principalmente nos gestos bem teatrais de Bela Lugosi, isso obviamente foi fruto de suas origens, pois ele na época era um ator de teatro. Seu visual estranho, seu sotaque húngaro, tudo se encaixou perfeitamente com a proposta de interpretar esse estranho conde. Outro aspecto digno de nota é que os produtores cortaram todas as cenas que pudessem ser consideradas violentas demais. Por isso o filme traz uma curiosa característica. O Drácula de Lugosi morde suas vítimas, mas isso nunca é mostrado no filme. Tudo fica apenas na sugestão e na imaginação do espectador. Também não se vê presas de vampiro. Para os executivos da Universal da época isso seria de muito mau gosto. Mal sabiam que o estava por vir nas décadas seguintes. Enfim, esse Drácula pioneiro do cinema é item obrigatório para quem se interessa pela história do cinema. O filme captou o nascimento nas telas de um dos personagens mais marcantes da sétima arte.

Drácula (Dracula, Estados Unidos, 1931) Direção: Tod Browning, Karl Freund / Roteiro: Hamilton Deane, baseado na obra escrita por Bram Stoker / Elenco: Bela Lugosi, Edward Van Sloan, Helen Chandler, David Manners / Sinopse: Um estranho nobre chamado Conde Drácula (Lugosi) viaja até Londres e acaba se interessando pela jovem Mina. Desconfiado de sua verdadeira natureza, o professor Van Helsing (Van Sloan) decide confrontar aquela estranha criatura que ele acredita ser um vampiro.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Deixa Ela Entrar

Essa pequena obra prima é uma das gratas surpresas do ano nas telas de cinema do Brasil. "Deixa Ela Entrar" tem todo os ingredientes que vão agradar aos fãs de terror, além dos que gostam de bom cinema de uma forma em geral. Baseado em um livro de sucesso do escritor John Lindqvist o filme tem um desenvolvimento único e cativante, que prende a atenção do espectador desde o primeiro momento. Como o filme é sueco ficamos salvos dos velhos clichês que imperam nos filmes de vampiro provenientes de Hollywood. Não há profusão de sangue e nem de efeitos especiais, tudo é realizado e mostrado de forma sutil e delicada, com cadência, o que exalta ainda mais as virtudes do roteiro inteligente e bem escrito. 

 O argumento em si é simples. Logo no começo do filme somos apresentados à tediosa rotina de vida do garotinho Oskar (Kare Hedebrant). Ele vive em um conjunto habitacional de prédios em sua cidade na Suécia. De dia frequenta o colégio, onde logo vira alvo de bullying de alguns garotos de sua classe. Solitário e sem amigos uma noite ele encontra uma garotinha de 12 anos chamada Eli (Lina Leandersson) no pátio em frente ao local onde mora. Logo nasce uma bela amizade entre os dois. Ao mesmo tempo a pequena cidade onde vive vira inexplicavelmente palco de inúmeras mortes de moradores locais, embora isso pareça ter pouca importância para Oskar nos divertidos momentos em que passa ao lado de sua amiguinha. O que ele provavelmente nem desconfie é que ambas as situações tem ligação entre si.

O filme tem um roteiro extremamente impactante. Em tempos de moda, o vampirismo ganha uma nova conotação e um novo enfoque, completamente originais. Curiosamente os produtores suavizaram um pouco o teor do livro original que é bem mais pesado e mais enigmático. Flashbacks que explicam a história de Eli foram completamente omitidos em prol de uma maior leveza no desenvolvimento da trama. Outro aspecto que foi mudado foi o próprio sexo de Eli. No original se tratava de um garoto, andrógino ao extremo, que acaba se envolvendo com Oskar, mas a direção do filme resolveu dar características femininas ao personagem principal para não chocar o público. 

Além disso o homem que auxilia Eli no filme não tem sua origem explicada. Já no livro o papel desse companheiro é bem claro: se trata de um pedófilo que havia tentado violentar Eli no passado e que agora lhe serve como escravo. Nenhuma dessas mudanças porém comprometem em absoluto as qualidades desse filme. "Deixa ela entrar" é inovador, original e traz um sopro de qualidade ao tão batido tema dos filmes de vampiros. Em tempos de Crepúsculo e outras bobagens é sempre bom assistir um filme que respeite a longa tradição dos sugadores de sangue da noite, mesmo que no final, temos que admitir, essa herança tenha sido salva justamente por uma garotinha pré adolescente. Em tempo: já está acertado o remake do filme em Hollywood. Só nos resta rezar para que tudo não seja destruído nas mãos dos produtores americanos.

Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in, Suécia, 2008) Direção: Tomas Alfredson / Roteiro: John Ajvide Lindqvist, John Ajvide Lindqvist / Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar / Sinopse: Garotinho de nome Oskar (Kåre Hedebrant) sofre bullying escolar mas encontra apoio em sua nova vizinha, a garota Eli (Lina Leandersson)

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 14 de março de 2024

Mergulho Noturno

Título no Brasil: Mergulho Noturno
Título Original: Night Swim
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Atomic Monster
Direção: Bryce McGuire
Roteiro: Bryce McGuire
Elenco: Wyatt Russell, Kerry Condon, Amélie Hoeferle

Sinopse:
Ex-jogador de beisebol, agora aposentado e sofrendo de uma doença grave, se muda com esposa e filhos para uma nova casa, muito bonita, com uma bela piscina. Aos poucos eventos sobrenaturais começam a acontecer, o que pode levar ao retorno de um passado trágico ocorrido naquele mesmo lugar. 

Comentários:
Ao longo de todos esses anos eu já assisti a todo tipo de filme de terror, inclusive com as premissas mais esquisitas. Só que até agora nunca tinha assistido a um filme sobre uma piscina assombrada! Pois é, pode parecer bizarro, mas é disso do que se trata o roteiro desse filme. O foco principal do enredo gira em torno dessa piscina de fontes termais. No passado aquele mesmo lugar tinha sido usado por um grupo de pioneiros que acreditavam que aquelas águas atendiam pedidos. Algo no estilo poço dos desejos. Só que os pedidos eram concedidos, mas um sacrifício tinha que ser realizado em troca. Os séculos passaram, construíram uma piscina ali, mas o sobrenatural resistiu. Pois é, o mais estranho de tudo é que apesar de ser um filme de terror sobre uma piscina, o roteiro funciona! Isso é o que mais me deixou realmente surpreso. Uma premissa absurda dando origem a um bom filme. Complicado entender como isso se deu, mas conseguiram mesmo alcançar essa proeza! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Feriado Sangrento

Título no Brasil: Feriado Sangrento
Título Original: Thanksgiving
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures
Direção: Eli Roth
Roteiro: Eli Roth, Jeff Rendell
Elenco: Patrick Dempsey, Gina Gershon, Lynne Griffin, Karen Cliche, Rick Hoffman, Nell Verlaque

Sinopse:
No dia de Ação de Graças, uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos passa a ser palco de um assassino em série. Usando uma máscara e roupas de peregrino dos tempos da colonização dos Estados Unidos, ele passa a fazer vítimas, matando uma a uma delas com requintes de crueldade extrema. 

Comentários:
Outro filme de terror fraco. O roteiro é sem originalidade, sem criatividade. Apenas se propõe a requentar velhas fórmulas de franquias de sucesso do passado. As referências mais óbvias podem ser encontradas em "Halloween" e "Pânico". O curioso é que essas franquias lutam para sobreviver comercialmente, pois estão mais do que saturadas. Qual seria então o sentido de simplesmente copia-las? De "Halloween" vem a ideia de usar uma data de festas para mostrar um assassino à solta, matando a esmo. Não funciona porque esse feriado de dia de ação de graças é um dos mais bregas do calendário de feriados dos ianques. De "Pânico" vem a ideia de esconder a identidade do assassino, que usa máscara, e que provavelmente faz parte do grupo em que as vítimas estão sendo escolhidas. A máscara e o figurino do assassino são ridículas e não colocam medo em ninguém. Enfim, não gostei nada. A produção é boa, pois o filme foi produzido por uma companhia cinematográfica de ponta. Agora de nada disso adianta se o roteiro é fraco e sem originalidade. Eli Roth deveria tomar vergonha na cara! 

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Boogeyman: Seu Medo é Real

Título no Brasil: Boogeyman: Seu Medo é Real
Título Original: The Boogeyman
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Studios
Direção: Rob Savage
Roteiro: Scott Beck, Bryan Woods
Elenco: Sophie Thatcher, Chris Messina, Vivien Lyra Blair, David Dastmalchian, Marin Ireland, Maddie Nichols

Sinopse:
Uma típica família norte-americana passa a ser atormentada por uma estranha criatura que se arrasta pelas sombras da noite. Conhecido pelo folclore local como Boogeyman, esse ser sobrenatural tem especial interesse em crianças indefesas e vulneráveis. E ele está pronto para assustar e levar todas que encontrar em seu caminho de morte e destruição. 

Comentários:
Outro filme do Boogeyman?! Pelo visto os roteiristas de filmes de terror no Estados Unidos andam com falta de novas ideias. Para quem não sabe essa figura do Boogeyman seria o equivalente em nossa cultura ao Bicho Papão! Pois é, você deve estar dando risadas agora, mas é isso aí mesmo. De qualquer forma eu não teria como apenas falar mal desse filme. Ele tem coisas até interessantes. A produção é boa, de um grande estúdio americano. A construção do suspense me soou até bem eficiente. A única coisa que achei absurda nesse roteiro foi o fato do Boogeyman ser atingido e ferido com tiros de espingarda! Isso realmente não faz o menor sentido pois esse ser sobrenatural não faz parte do nosso mundo, é um ser espiritual... como é que ele sentiria o impacto de balas em seu corpo se nem corpo físico ele tem? Pois é, faltou aos roteiristas lerem o manual explicando as características desse personagem. Erro básico, senhores...

Pablo Aluísio.

A Fúria do Drácula

Título no Brasil: A Fúria do Drácula
Título Original: Wrath of Dracula
Ano de Lançamento: 2023
País: Reino Unido
Estúdio: Creativ Studios
Direção: Steve Lawson
Roteiro: Steve Lawson
Elenco: Hannaj Bang Bendz, Mark Topping, Sean Cronin, Serene Fensom, Marta Svetek, Ayvianna Snow

Sinopse:
A jovem e bela Nina decide que vai atrás de seu namorado Jonathan Harker, que desapareceu após visitar o Conde Drácula na Transilvânia. Chegando lá, ela encontra o professor Van Helsing que lhe explica que o Conde recluso é na realidade um vampiro que está atrás de sangue humano de belas jovens como ela! 

Comentários:
Que filme ruim! Eu fico até pasmo que um filme tão mequetrefe tenha sido disponibilizado por uma plataforma de streaming até com prestígio. Isso me leva a crer que essas produções são feitas a toque de caixa apenas para constar como conteúdo na lista de filmes desses canais e serviços de streaming. Chamem o serviço de proteção ao consumidor! Aqui não se salva praticamente nada. Tudo é ruim! O roteiro só utiliza os nomes dos personagens do livro original. O resto é lixo! O ator que faz Drácula é uma figura de dar risadas involuntárias, de tão fraco e inadequado. Chamar de canastrão é pouco! O cenário, locações, é tudo feito com computação gráfica de fundo de quintal. Qualquer nerd com um PC faria facilmente aquilo tudo. A produção é classe Z, péssima! Enfim, fuja desse filme como o vampiro foge da cruz.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Sorria

Esse filme de terror e suspense se revelou bem melhor do que eu esperava. Sua premissa é por demais interessante. Conta a história de uma psiquiatra que começa a tratar de uma jovem com muitos problemas mentais. Ela tem um comportamento de alguém que está sempre em pânico. Entra numa sala, fica nos cantos com medo de tudo, de todos. Afirma haver uma entidade que troca de rosto, que muda de imagem. E isso a deixa sempre com a sensação de estar sendo perseguida. A psiquiatra começa a tratar a questão como sendo de saúde mental, provavelmente esquizofrenia. Só que após o suicídio da garota, ela vê que há algo além. Ela começa a perceber que existe mesmo um tipo de entidade sobrenatural que, para seu azar, passou para a sua esfera pessoal. É claro que os demais médicos não acreditam em algo assim. Em um pensamento pautado pela ciência, não existe espaço para doenças ditas de origem espiritual. Tudo tem uma explicação no mundo racional. 

Conforme seu comportamento vai se tomando cada vez mais errático, as pessoas ao redor, inclusive sua irmã, começam a pensar que ela está tendo sinais de doença mental. Algo genético em sua família, pois sua própria mãe se matou anos antes. O estigma da doença mental ronda aquela mulher ao mesmo tempo em que ela precisa combater um ser que pode ser tanto imaginário como real em um nível absolutamente patológico. O suspense do filme se mantém bem. Há um capricho no elenco em termos de atuação. E mesmo a tal criatura não quebra o clima do filme, afinal, ela pode ser também puramente mental. É um roteiro que me surpreendeu e talvez explique por que esse filme de terror tenha sido tão relevante. Obteve boas notas da crítica e uma bilheteria muito acima da média de filmes de terror. Deixo certamente meu carimbo de filme recomendado.

Sorria (Smile, Estados Unidos, 2022) Direção: Parker Finn / Roteiro: Parker Finn / Elenco: Sosie Bacon, Jessie T. Usher, Kyle Gallner / Sinopse: Após o suicídio de uma paciente, uma psiquiatra começa a desenvolver o mesmo comportamento estranho e fora do normal. Seria algo de sua mente, uma doença mental ou um evento sobrenatural real?

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Lore

Lore
Não conhecia essa série de terror, até que me foi recomendada por um amigo. Na opinião dele era uma das melhores coisas produzidas no gênero nos últimos anos. Depois de assistir ao primeiro episódio devo concordar. Realmente temos aqui um produto de excelente qualidade. A intenção é mesclar a linguagem dos documentários com a estética dos filmes de terror mais tradicionais. Assim vemos dramatizações, com atores, de histórias reais. Depois descobrimos a ligação dessas histórias com o surgimento dentro da cultura pop de personagens lendários, como Drácula, vampirismo, etc. A primeira temporada contou com apenas seis episódios. A razão? Eles são bem produzidos, usando inclusive de trechos com animação. Isso custa dinheiro e leva tempo para ficar pronto. O resultado não poderia ficar melhor. Aqui nessa postagem irei comentar todos os episódios da temporada, conforme for assistindo a eles. Segue abaixo reviews de cada um deles.

Lore 1.01 - They Made a Tonic
Esse primeiro episódio conta a história real da família Brown. Eles viveram no século XVIII, nos Estados Unidos. O pai era um homem bom, honesto e trabalhador. Só que nada disso fez diferença quando sua esposa morreu, vitimada pela tuberculose. Depois sua filha, também contaminada, faleceu do mesmo mal. Por fim o filho mais novo, que acabara de se casar e ter o primeiro filho também morreu da mesma doença. O patriarca assim viu todos os seus parentes morrerem em um curto espaço de tempo. Sem esperanças com a medicina tradicional ele acaba sendo convencido por um pastor de que sua família estaria amaldiçoada por um demônio e para dar fim a essa maldição satânica deveria exumar os corpos de todos os seus familiares para cravar uma estaca em seus corações. Caso contrário eles voltariam nas noites para sugar o sangue de pessoas indefesas. O coração também deveria ser arrancado e queimado. Das cinzas surgiria um chá que iria curar as pessoas doentes. Pensou na figura mitológica dos vampiros? É isso mesmo. O mais incrível é que toda a história narrada nesse primeiro episódio aconteceu mesmo, é história verídica. Uma tragédia causada pela ignorância. Esse mesmo caso acabaria inspirando o escritor Bram Stoker quando ele estava escrevendo seu livro "Drácula". Bom, não precisa dizer mais nada não é mesmo? Muito interessante e muito curioso tudo o que é contado aqui. Se você gosta de terror e quer conhecer de onde todas essas histórias e personagens surgiram, então não há recomendação mais certeira. Não deixe de conhecer essa série "Lore". / Lore 1.01 - They Made a Tonic (Estados Unidos, 2017) Direção: Darnell Martin / Roteiro: Jeff Eckerle, Marilyn Osborn / Elenco: Aaron Mahnke, Campbell Scott, Jason Davis.

Lore 1.02 - Echoes  
Esse episódio conta uma história real que no fundo é muito triste. Na década de 1940 um médico americano chamado Dr. Walter Freeman afirmou ter encontrado a cura para a loucura e diversos outros tipos de doenças mentais. Era um método cruel chamado Lobotomia. Um instrumento era enfiado entre os olhos para perfurar um osso craniano. Com algumas batidas e eletrochoques o paciente deixava de apresentar comportamentos depressivos ou violentos. No fundo isso não curava nada, apenas destruía a cognição dos que eram submetidos a esse tratamento violento. Uma das páginas mais lamentáveis da história da medicina moderna. Quando o episódio começou me lembrei imediatamente do caso envolvendo Rosemary Kennedy que passou por esse procedimento e teve sua vida destruída. E esse caso, um dos mais famosos envolvendo lobotomia, está no episódio. Enfim, é um daqueles momentos trágicos da medicina. A cena final, com o garotinho subindo na maca do Dr Freeman. é de cortar o coração do espectador. / Lore 1.02 - Echoes (Estados Unidos, 2017) Direção: Thomas J. Wright / Roteiro: Glen Morgan, Aaron Mahnke / Elenco: Aaron Mahnke, Colm Feore, Kristen Cloke.

Lore 1.03 - Black Stockings
O foco desse episódio é em cima de uma estranha superstição que era popular na Irlanda em seus velhos tempos. Acreditava-se que fadas e seres conhecidos como metamorfos tomavam conta dos corpos de certas pessoas, se fazendo passar por elas a partir dessa "possessão". Muito, muito estranho. E no roteiro vemos um caso absurdo que realmente aconteceu, envolvendo a morte de uma mulher que foi assassinada pelo próprio marido que acreditava que um metamorfo havia dominado o corpo dela. Absurdo, loucura, escolha a palavra que você quiser. No meu caso esse episódio demonstrou como uma crença pode se tornar perigosa... e fatal! / Lore 1.03 - Black Stockings (Estados Unidos, 2017) Direção: Thomas J. Wright / Roteiro: David Chiu, Patrick Wall / Elenco: Aaron Mahnke, Holland Roden, Cathal Pendred.

Lore 1.04 - Passing Notes
O tema desse episódio é o espiritismo. Na história um reverendo, homem respeitado, fica desesperado após a morte de sua esposa e decide tentar entrar em contato com ela através de sessões de espiritismo, onde evocaria a alma de sua esposa falecida. Como o próprio roteiro afirma, certas portas ficam trancadas por um motivo. E as coisas só pioram, a casa dele fica atormentada com batidas, estranhos acontecimentos. O pastor tenta entrar em contato com essa entidade espiritual, pensando ser uma bruxa enforcada no século 17, mas descobre que não se trata disso, mas sim de uma "alma condenada". Bom episódio que dá uma geral no contexto histórico do surgimento do espiritismo, com destaque para algumas pessoas que se envolveram nisso, como o criador do Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle e o mágico Houdini. / (Estados Unidos, 2017) Direção: Nick Copus / Roteiro: Glen Morgan, Aaron Mahnke / Elenco:  Aaron Mahnke, Robert Patrick, Bethany Anne Lind. 

Lore 1.05 - The Beast Within 
Lobisomem existe? Esse episódio vai fundo nas origens dessa lenda do terror. O roteiro mostra que uma das histórias mais antigas sobre um homem que virava lobo tem mais de 2000 anos! E o mais incrível é que ela se parece demais com o conto infantil da Chapeuzinho Vermelho. Depois o episódio usa como linha narrativa principal um caso histórico real, envolvendo a aparição de um suposto lobisomem numa cidadezinha na Alemanha. Na verdade era um serial killer. E os psicopatas acabam sendo ligados diretamente a esse mito. Afinal mortes animalescas em série realmente fizeram parte da história de assassino em série ao longo da história. Muito bom esse episódio, com direito a contar uma lenda envolvendo São Patrício e uma aldeia de lobisomens. Arrepiante! / Lore 1.05 - The Beast Within (Estados Unidos, 2017) Direção: Darnell Martin / Roteiro: David Coggeshall, Aaron Mahnke / Elenco: Aaron Mahnke, Adam Goldberg, Clark Moore. 

Lore 1.06 - Unboxed
Fora da caixa! Esse último episódio da primeira temporada trata dos bonecos. Isso mesmo, usando como base a história de Robert, the doll, um boneco amaldiçoado, esse episódio vai mostrando algumas histórias assustadoras envolvendo esses brinquedos. Há a história do mexicano que vivia sozinho em uma ilha. Um dia ele achou o corpo de uma menina. Depois disso ele se convenceu que estava sendo assombrado pela alma da criança. Por isso encheu sua ilha de bonecas penduradas nas árvores. O local hoje é conhecido como "a ilha das bonecas". Outra história assombrosa envolveu um russo que levava corpos de crianças mortas para casa e as vestia com roupas de bonecas. Enfim, bom episódio para fechar a primeira temporada dessa excelente série de terror e suspense. / Lore 1.06 - Unboxed (Estados Unidos, 2017) Direção: Michael E. Satrazemis / Roteiro: Tyler Hisel, Aaron Mahnke / Elenco: Aaron Mahnke, Kristin Bauer van Straten, Joe Knezevich.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Os Mortos Não Morrem

Título no Brasil: Os Mortos Não Morrem
Título Original: The Dead Don't Die
Ano de Produção: 2019
País: Estados Unidos
Estúdio:  Animal Kingdom
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Bill Murray, Adam Driver, Tom Waits, Danny Glover, Chloë Sevigny, Tilda Swinton, Steve Buscemi

Sinopse:
Quando o eixo do planeta Terra muda misteriosamente de posição, coisas bem estranhas começam a acontecer em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, entre elas o fato dos mortos se levantarem de suas tumbas para aterrorizar os moradores da região.

Comentários:
Até hoje não entendi completamente essa fixação do cinema americano com zumbis. OK, são monstros clássicos dos filmes de George Romero, mas será que é necessário fazer tantos filmes sobre esses mortos-vivos? Penso que a fórmula se esgotou há muitos anos. Aqui temos mais um filme a explorar esse filão cinematográfico mais do que desgastado. O elenco é muito bom, fruto do prestígio que o cineasta Jim Jarmusch desfruta em Hollywood. Porém tirando esse aspecto há pouco a se elogiar em relação a esse filme. A tentativa de fazer humor negro logo perde gás, sobrando apenas mais um filme banal de zumbis para o espectador assistir. Quem ainda aguenta ver todos aqueles figurantes perambulando pelas ruas em busca de cérebros humanos? Eu mesmo já esgotei minha paciência com esse tipo de roteiro. Espero que roteiros melhores sejam aproveitados daqui pra frente. Enfim, esse filme é somente cansativo e sem nenhuma ideia original. Mais do mesmo.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

O Mal Nunca Morre

Título no Brasil: O Mal Nunca Morre
Título Original: Evil Never Dies
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Coote Hayes Productions
Direção: Uli Edel
Roteiro: Star Price, Max Enscoe
Elenco: Thomas Gibson, Katherine Heigl, Simon Bossell, John Waters, Christopher Kirby, Steven Grives

Sinopse:
Depois que sua esposa é brutalmente assassinada, um policial é transferido para patrulhar uma faculdade, apenas para descobrir que o assassino agora executado pode ser trazido de volta à vida como parte do experimento de um professor.

Comentários:
Fitinha B de terror sem maiores consequências. O gênero de filmes de terror sempre se aproveitou, desde os seus primórdios, dessa coisa de utilizar vítimas jovens e bonitas para causar maior impacto no público. Então ambientar um filme de horror dentro de uma universidade é mais do que adequado dentro dessa (desgastada) fórmula cinematográfica. Em especial se tiver um elenco extra de garotas universitárias bonitas no elenco. E para fechar a fórmula que tal um assassino serial, um serial killer, que retorna do mundo dos mortos? Geralmente esse tipo de filme não é grande coisa. Esse aqui pelo menos diverte um pouquinho. PS: A atriz Katherine Heigl tentou fazer uma transição das séries de TV para o cinema, mas sem muito resultado. Após algumas comédias românticas de sucesso ela viu sua carreira no cinema praticamente desaparecer.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 12 de março de 2021

A Ilha da Fantasia

Título no Brasil: A Ilha da Fantasia
Título Original: Fantasy Island
Ano de Produção: 2020
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures, Blumhouse Productions
Direção: Jeff Wadlow
Roteiro: Jeff Wadlow, Christopher Roach
Elenco: Michael Peña, Maggie Q, Lucy Hale, Austin Stowell, Jimmy O. Yang, Portia Doubleday

Sinopse:
Um grupo de turistas chega em um point turístico conhecido como "A Ilha da Fantasia". Além do cenário de paraíso, o dono do hotel local, Mr. Roarke (Michael Peña), promete aos seus visitantes a realização de todos os seus sonhos e desejos. O problema é que nem sempre a realização de uma fantasia pode ser uma coisa boa.

Comentários:
Os mais jovens não lembram, mas a série "A Ilha da Fantasia" foi um grande sucesso na TV, inclusive no Brasil. Agora temos esse remake para o cinema, porem com mudanças. A principal delas é que tudo se passa agora em um clima de filme de terror. E aqui temos o primeiro grande problema desse filme. Embora tente seguir as premissas básicas da série, não há como realizar um bom filme de terror em uma ilha ao estilo paradisíaco, com muito sol, praias e cenários deslumbrantes. O clima se perde completamente. Além disso vamos convir que o ator Michael Peña como o senhor Roarke não convence. Fiquei com saudades de Ricardo Montalbán. E onde foi parar o anão Tattoo? Na série ele era interpretado pelo ator Hervé Villechaize, que se matou. Dizem que os produtores não queriam essa vibe negativa no novo filme, por isso o roteiro traz uma pequena linha na cena final como uma mera desculpa a quem sentiu sua falta. Muito pouco. Em termos de destaque de elenco nesse novo filme apenas a jovem atriz Lucy Hale da série "Pretty Little Liars" vai chamar alguma atenção. Com os cabelos pintados de loiro, ela se tornou a grande vilã dessa história. Quem diria... Enfim, um filme de mediano para fraco, demonstrando acima de tudo que não se faz bons filmes de terror com sol, praia e lugares bonitos.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 11 de março de 2021

O Pacto

Título no Brasil: O Pacto
Título Original: El Pacto
Ano de Produção: 2018
País: Espanha
Estúdio:  4 Cats Pictures, Ikiru Films
Direção: David Victori
Roteiro: Jordi Vallejo, David Victori
Elenco: Belén Rueda, Darío Grandinetti, Mireia Oriol, Antonio Durán 'Morris', Jordi Recasens, Carlus Fàbrega

Sinopse:
Após a filha ficar em coma, sua mãe, uma defensora pública, fica desesperada. Ele então decide se encontrar com uma estranha figura. Esse lhe promete que sua filha vai sobreviver, voltará ao normal, mas que para isso ela precisa firmar um pacto. E só depois ele lhe dirá o que ela precisará fazer para pagar sua parte nesse sinistro acordo.

Comentários:
O cinema espanhol já se firmou como um dos grandes centros produtores de filmes de terror no mundo. E são bons filmes de terror, tanto que muitos deles  acabam virando remakes nos Estados Unidos. Algo que também acontece no Japão, outro pólo cinematográfico muito conhecido pelos filmes de terror que são produzidos todos os anos. Pois bem, aqui temos uma nova versão sobre uma velha história. Na cultura judaico-cristã é muito conhecido essa coisa toda de pactos com o Diabo. É uma premissa religiosa até bem conhecida. E é justamente esse aspecto que o roteiro explora, porém numa levada mais psicológica, sem apelar para criaturas de efeitos digitais e nem em seguidores de Lúcifer com chifres. Tudo é desenvolvido mais em um tipo de realismo nada fantástico. O próprio Diabo pode surgir como um homem comum, que está ao seu lado nas ruas, na vida cotidiana. Sob esse aspecto até que o filme se mostra bem interessante. Um pouco arrastado, bem no estilo do cinema europeu, esse filme não vai agradar a todos, mas tem suas boas ideias em um roteiro que até mesmo surpreende em alguns momentos.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 3 de março de 2021

O Exorcista III

Esse filme é um dos mais subestimados da história do cinema americano. "O Exorcista 2 - O Herege" foi uma das maiores porcarias da franquia, por isso muita gente não foi ver esse terceiro filme da série "O Exorcista". Perderam muito. O fato, e digo isso sem favor algum, é que "O Exorcista III" é um filmão! Na verdade o filme deveria se chamar "The Legion" pois o roteiro foi adaptado desse livro de terror escrito por William Peter Blatty, o mesmo que escreveu o clássico "O Exorcista". No meio das filmagens os produtores decidiram que ele iria chegar nas telas de cinema como "O Exorcista III" por causa da força do nome comercial.

O filme conta a história de uma investigação policial a cargo do detetive Kinderman (George C. Scott). Várias pessoas são encontradas mortas, decapitadas e com sinais de que foram realizados rituais religiosos durante os assassinatos. Entre os mortos estão dois padres e um adolescente. Conforme as investigações avançam o velho policial vai encontrando semelhanças com o modo de agir de um antigo serial killer. O problema é que ele está morto há anos. E um louco insano, internado em um hospício, parece ter as respostas que o velho policial tanto procura.

"O Exorcista III" aposta com muito sucesso em um terror psicológico de primeira linha. Há uma longa cena, dentro de um quarto de manicômio, entre os atores Brad Dourif e George C. Scott, que verdadeiramente me impressionou. Tudo construído apenas no talento dos atores e na força de diálogos mais do que afiados. Um show de interpretação! O interessante é que após as filmagens o estúdio decidiu que um novo final seria filmado e nem isso prejudicou o filme, pelo contrário, lhe trouxe mais consistência cinematográfica. Hoje em dia as duas versões, a do diretor e a do estúdio, estão disponíveis em DVD. Enfim, posso dizer que esse filme merece ser mais reconhecido nos dias de hoje. Com roteiro inteligente (o mais complexo da franquia, para dizer a verdade) e um elenco de grandes atores em cena, "O Exorcista III" é uma pequena obra prima do gênero terror. Merece lugar de destaque em sua coleção.

O Exorcista III (The Exorcist III, Estados Unidos, 1990) Direção: William Peter Blatty / Roteiro: William Peter Blatty / Elenco: George C. Scott, Ed Flanders, Brad Dourif, Nicol Williamson, Scott Wilson, Nancy Fish / Sinopse: Um veterano policial precisa investigar uma série de assassinatos com aparente motivação religiosa. E para sua surpresa, todas as respostas parecem estar com um louco insano aprisionado em um manicômio judiciário. Filme premiado na categoria de melhor roteiro pela Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films.

Pablo Aluísio.

Halloween 4

O filme "Halloween 3" foi um verdadeiro desastre. Fracasso de público e crítica, irritou principalmente os fãs dessa franquia de filmes de terror. Por essa razão os produtores decidiram voltar ao básico. A primeira decisão foi trazer de volta o psicopata Michael Myers. Assim o assassino acabava fugindo de uma ambulância que o levava de um hospício para o outro. De volta às ruas, livre e desimpedido, ele voltava a fazer o que sempre fazia nos filmes anteriores: matar pessoas na noite de Halloween, E seu principal alvo agora era uma garotinha de apenas 10 anos, sua sobrinha, que nem era nascida quando ele matou pela primeira vez.

"Halloween 4" foi lançado em 1988 para celebrar os 10 anos de lançamento do primeiro filme. Inegavelmente é um filme bem melhor do que o terceiro. Tem enredo redondinho e traz aquilo que os fãs esperavam encontrar nas telas de cinema. Também tem um roteiro bem melhor que procura desenvolver, mesmo que de forma mínima, todos os personagens do filme, sendo a maioria deles um bando de jovens com os hormônios em alta. 

Claro, Mike Myers continuou a ser um vilão básico de filmes de terror dos anos 80. Com faca na mão e máscara no rosto, com zero em termos de diálogo, ele se tornava mais genérico do que nunca. Mas o roteiro funcionava criando boas situações. Imagine tentar capturar um criminoso desses na noite de Halloween com centenas de jovens usando sua mesma máscara. Assim "Halloween 4", apesar de não ser um grande filme, muito longe disso, traz o exatamente aquilo que todos esperavam da franquia. Tem boa produção, um roteiro de acordo com o que se via nos filmes do passado e um grupo de belas jovens para, mais cedo ou mais tarde, caírem nas mãos do assassino insano. Para um filme que foi produzido e lançado nos anos 80 já estava de bom tamanho.

Halloween 4: O Retorno de Michael Myers (Halloween 4: The Return of Michael Myers, Estados Unidos, 1988) Direção: Dwight H. Little / Roteiro: Dhani Lipsius, Larry Rattner / Elenco: Donald Pleasence, Ellie Cornell, Danielle Harris / Sinopse: Após ficar anos internado em manicômios para criminosos loucos, o assassino Mike Myers consegue fugir. E na noite de Halloween ele retorna para sua cidade natal com o plano de matar sua sobrinha, uma garotinha com apenas 10 anos de idade.

Pablo Aluísio.