Título Original: G.I. Blues
Ano de Lançamento: 1960
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Norman Taurog
Roteiro: Edmund Beloin e Henry Garson, baseado em história de Edmund Beloin
Elenco: Elvis Presley, Juliet Prowse, Robert Ivers, James Douglas, Letícia Román, Robert Fuller e Sigrid Maier.
Sinopse:
G.I. Blues marcou o retorno de Elvis Presley ao cinema depois de seu período de serviço militar no Exército dos Estados Unidos. Elvis interpreta Tulsa McLean, um soldado americano destacado na Alemanha Ocidental que sonha em deixar o Exército e abrir uma casa noturna. Para conseguir dinheiro suficiente para realizar seu projeto, Tulsa aceita participar de uma aposta envolvendo uma perigosa missão: ele precisa conquistar Lili, uma famosa dançarina de cabaré interpretada por Juliet Prowse, e levá-la para um encontro em um determinado local. O que inicialmente parece uma simples aventura transforma-se em uma situação complicada quando Tulsa começa a desenvolver sentimentos verdadeiros pela jovem. Ao mesmo tempo, seus companheiros de Exército tentam ajudá-lo a cumprir a aposta, criando uma série de situações cômicas. A produção combina comédia romântica, números musicais e aventura militar, utilizando a imagem de Elvis como soldado para apresentar ao público uma versão mais madura, porém ainda extremamente carismática, do cantor.
Comentários:
Quando G.I. Blues chegou aos cinemas americanos em novembro de 1960, a crítica recebeu o filme de maneira relativamente favorável, especialmente porque representava o aguardado retorno de Elvis Presley ao cinema após dois anos no Exército. A Variety considerou que a produção possuía todos os elementos necessários para agradar ao enorme público de Presley, destacando suas canções, o romance e o humor leve. O The New York Times, porém, foi mais reservado e observou que a história era essencialmente um veículo para Elvis, com uma narrativa simples construída em torno de suas apresentações musicais. A revista Time também apontou que a produção funcionava melhor quando Elvis cantava do que quando tentava sustentar as situações cômicas do roteiro. Mesmo assim, o retorno do cantor foi considerado um acontecimento cinematográfico importante. Juliet Prowse recebeu elogios por sua presença de tela e por estabelecer uma boa química com Presley, enquanto os números musicais eram vistos como o grande atrativo comercial. A sequência de "Wooden Heart", por exemplo, tornou-se uma das imagens mais lembradas do filme. O próprio conceito de Elvis interpretando um soldado americano também tinha grande apelo junto ao público, aproveitando a enorme repercussão de seu serviço militar e sua imagem de patriotismo.
Comercialmente, G.I. Blues foi um grande sucesso e confirmou que o serviço militar não havia diminuído a popularidade de Elvis. O álbum com a trilha sonora alcançou o primeiro lugar da Billboard 200, permanecendo no topo por dez semanas, e acabou se tornando um dos discos mais bem-sucedidos da carreira cinematográfica do cantor. O filme também recebeu uma indicação ao Grammy na categoria de Melhor Trilha Sonora de Filme. Retrospectivamente, críticos passaram a enxergar G.I. Blues como uma obra importante na transição da carreira cinematográfica de Elvis: depois de filmes mais dramáticos de seus primeiros anos, Hollywood começaria a utilizá-lo cada vez mais em comédias musicais leves e formulaicas. A produção apresenta Elvis em uma imagem cuidadosamente reconstruída para o público americano: um soldado simpático, romântico, engraçado e capaz de cantar sucessos em praticamente qualquer situação. Embora a narrativa seja simples, o filme possui valor histórico por registrar o momento em que Presley retomava sua carreira artística após o Exército. Para seus admiradores, G.I. Blues também é importante por conter algumas das canções mais populares de sua primeira fase pós-militar. Hoje, apesar de não ser considerado um dos filmes artisticamente mais importantes de Elvis, permanece como um dos exemplos mais representativos de sua carreira cinematográfica dos anos 1960 e como um retrato perfeito da fórmula que Hollywood utilizaria repetidamente para transformar o maior astro do rock em protagonista de comédias musicais.
Pablo Aluísio.


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