Título Original: Man of the Year
Ano de Lançamento: 2006
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures / Morgan Creek Productions
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Barry Levinson
Elenco: Robin Williams, Christopher Walken, Laura Linney, Lewis Black, Jeff Goldblum, David Alpay, Tina Fey e Amy Poehler.
Sinopse:
Tom Dobbs, interpretado por Robin Williams, é um famoso apresentador de televisão conhecido por seu programa de sátira política, no qual comenta os acontecimentos de Washington com muito humor e irreverência. Depois de ser provocado por um espectador durante uma de suas apresentações, Dobbs decide, quase como uma brincadeira, lançar sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos. Para surpresa de todos, sua campanha começa a conquistar milhões de eleitores cansados da política tradicional. Com uma plataforma baseada no humor, na crítica aos políticos profissionais e na promessa de falar diretamente com o cidadão comum, Dobbs transforma-se rapidamente em um fenômeno nacional. Entretanto, depois da eleição, a empresa responsável pelo sistema eletrônico de votação descobre um problema que pode ter alterado os resultados. A personagem de Laura Linney, Eleanor Green, funcionária da empresa, começa a investigar a situação e percebe que a suposta vitória de Dobbs pode ter sido causada por uma falha no sistema. O que começa como uma sátira política transforma-se gradualmente em um thriller sobre eleições, tecnologia, corrupção e democracia.
Comentários:
Man of the Year recebeu uma reação crítica bastante dividida quando chegou aos cinemas americanos em outubro de 2006. O The New York Times, em crítica de A. O. Scott, reconheceu a energia de Robin Williams e a inteligência de alguns momentos da sátira política, mas considerou que o filme não conseguia decidir se queria ser uma comédia política ou um thriller sobre fraude eleitoral. A revista Variety também observou essa mudança de tom como um dos principais problemas da produção, embora elogiasse a presença de Williams e a direção de Barry Levinson. O Los Angeles Times considerou a premissa bastante promissora, especialmente por explorar a crescente desconfiança dos americanos em relação aos políticos e aos sistemas eleitorais, mas criticou a maneira como o roteiro abandona parte da comédia para desenvolver sua trama de suspense. A revista Entertainment Weekly destacou que Williams funcionava melhor quando podia improvisar e utilizar seu conhecido estilo de humor, enquanto a história ficava menos convincente quando tentava assumir um tom mais sério. Christopher Walken também recebeu elogios por sua participação como Jack Menken, empresário e produtor do programa de Dobbs. Laura Linney, por sua vez, foi considerada uma presença dramática importante, especialmente nas cenas em que sua personagem começa a perceber a dimensão do problema envolvendo as máquinas de votação.
O principal problema apontado pelos críticos foi justamente a estrutura do filme. A primeira metade funciona como uma sátira relativamente leve sobre a política americana, com Robin Williams interpretando um candidato que representa a frustração do eleitor comum com Washington. A segunda metade transforma-se praticamente em um suspense conspiratório, criando uma mudança de gênero que muitos críticos consideraram brusca. O Washington Post observou que a ideia de um apresentador de televisão transformando-se em candidato presidencial possuía enorme potencial satírico, mas que o roteiro não explorava completamente as possibilidades oferecidas pela premissa. Apesar disso, o filme ganhou interesse retrospectivo por abordar temas que se tornariam cada vez mais relevantes na política americana: a influência da televisão, a transformação de celebridades em figuras políticas, a desconfiança em relação às instituições e os riscos associados à votação eletrônica. Robin Williams constrói Tom Dobbs como uma espécie de mistura entre apresentador de talk show, comediante e político populista, aproveitando sua enorme capacidade de improvisação. Embora Candidato Aloprado não tenha alcançado o mesmo prestígio de outros trabalhos de Barry Levinson ou de Robin Williams, atualmente é lembrado como uma produção curiosamente premonitória sobre a relação entre entretenimento, política e tecnologia. Para os admiradores de Williams, permanece ainda como um dos últimos filmes em que o ator pôde explorar plenamente sua persona de comediante antes de assumir papéis cada vez mais dramáticos em seus trabalhos posteriores.
Pablo Aluísio.
