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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Homens das Terras Bravas (1958)

Homens das Terras Bravas (1958)
The Badlanders, conhecido no Brasil como Os Homens das Terras Bravas, foi lançado nos Estados Unidos em 3 de setembro de 1958, com direção de Delmer Daves, um dos mais respeitados realizadores de faroestes de Hollywood. O filme foi produzido por Aaron Rosenberg, através da Arcola Pictures, em associação com a Metro-Goldwyn-Mayer, e teve roteiro de Richard Collins, adaptando o romance The Asphalt Jungle, de W. R. Burnett, publicado em 1949. A produção representou uma curiosa transformação do clássico filme noir The Asphalt Jungle, de John Huston, transportando a história de um sofisticado assalto para o Arizona de 1898. O elenco reuniu Alan Ladd, Ernest Borgnine, Katy Jurado, Claire Kelly, Kent Smith e Nehemiah Persoff. Ladd interpreta Peter Van Hoek, conhecido como "Dutchman", um engenheiro de mineração que acaba de sair da prisão de Yuma depois de ter sido injustamente condenado por um roubo de ouro. Borgnine interpreta John "Mac" McBain, outro ex-presidiário que deseja começar uma nova vida depois de matar o homem que o enganou e roubou suas terras. Os dois homens chegam à cidade de Prescott por caminhos diferentes, mas acabam unidos por circunstâncias semelhantes e pelo desejo de enfrentar aqueles que destruíram suas vidas. Dutchman decide planejar um grande roubo de ouro, enquanto McBain inicialmente tenta permanecer longe do crime. Entretanto, a corrupção existente na cidade, a exploração dos trabalhadores mexicanos e a presença de um poderoso proprietário de mina fazem com que os dois homens acabem envolvidos em uma elaborada tentativa de assalto. 

A reação da crítica americana no lançamento foi mista, com alguns elogios à ação e à direção de Delmer Daves, mas também críticas à falta de originalidade. A Variety, em sua avaliação publicada em julho de 1958, chegou a chamar o filme de "a truly original frontier drama", destacando o tratamento do material e a presença dos dois protagonistas. A ironia dessa avaliação ficou mais evidente posteriormente, porque a produção era justamente uma nova adaptação de The Asphalt Jungle, e sua estrutura de filme de assalto estava longe de ser inédita. O The New York Times, por sua vez, foi mais favorável ao funcionamento do suspense e observou que "the action is smooth and rewards are liberal", reconhecendo que o filme entregava com eficiência as situações de aventura que o público esperava. O problema apontado por vários observadores era que Delmer Daves estava realizando uma obra muito mais convencional do que seus melhores westerns, como 3:10 to Yuma. A transformação do sofisticado universo noir de Burnett em um faroeste acabava retirando parte da complexidade moral da história original. A atuação de Alan Ladd também recebeu avaliações contraditórias: alguns críticos consideravam adequada sua interpretação fria e econômica, enquanto outros achavam que o ator parecia excessivamente contido. Ernest Borgnine, por outro lado, acrescentava energia e agressividade ao filme, criando um contraste interessante com Ladd. A presença de Katy Jurado também foi considerada um dos pontos fortes da produção. Dessa forma, a crítica americana enxergou The Badlanders como um western competente, mas dificilmente como uma obra de primeira categoria.

A recepção europeia seguiu caminho semelhante, com o filme sendo mais valorizado como entretenimento de gênero do que como uma grande realização artística. No Reino Unido, a produção foi observada principalmente dentro da tradição dos westerns americanos do período, destacando-se a combinação de assalto, vingança e aventura. Décadas depois, a avaliação britânica de Jeff Arnold's West considerou The Badlanders um filme que vale ao menos uma sessão, mas afirmou que ele não estava entre os melhores trabalhos de Delmer Daves. O crítico destacou a fotografia de John F. Seitz e as locações no Arizona como alguns dos principais atributos da produção, mas considerou o resultado final apenas mediano. Outra avaliação britânica contemporânea, publicada no David's Guide to Westerns, definiu o filme como "watchable but ultimately slightly mediocre", observando que a adaptação de The Asphalt Jungle funcionava razoavelmente bem, mas sofria por adaptar o material de maneira simultaneamente rígida e pouco desenvolvida. Na França e em outros mercados europeus, o interesse pelo filme esteve igualmente ligado à presença de Alan Ladd, Ernest Borgnine e Katy Jurado, além da reputação de Delmer Daves como diretor de westerns. Não houve indicações ao Oscar ou ao Globo de Ouro, e o filme permaneceu fora das grandes premiações de 1958. Seu maior interesse histórico está justamente na experiência de transformar um clássico do cinema policial em uma história de fronteira, preservando a estrutura de personagens criminosos, planejamento de roubo e traições, mas acrescentando elementos típicos do western, como cidades mineiras, conflitos de terra, violência armada e tensões étnicas.

Com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 1,436 milhão, The Badlanders era uma produção relativamente modesta para os padrões da MGM naquele período. As filmagens foram realizadas nos estúdios da MGM e também em locações no Arizona, incluindo Kingman e Old Tucson, o que permitiu que Delmer Daves obtivesse paisagens autênticas para a narrativa. O desempenho comercial, entretanto, ficou abaixo do necessário para transformar o filme em um grande sucesso. Segundo os registros da MGM, a produção arrecadou aproximadamente US$ 970 mil nos Estados Unidos e Canadá e US$ 1,135 milhão em outros mercados, totalizando cerca de US$ 2,105 milhões em receitas de aluguel e bilheteria registradas, mas os números internos indicam um prejuízo de aproximadamente US$ 373 mil para o estúdio. Portanto, apesar de ter recuperado mais dinheiro do que seu orçamento de produção, o filme não conseguiu cobrir completamente os custos totais de distribuição e exploração. O público parece ter recebido a obra de maneira moderadamente favorável, sobretudo entre os admiradores de westerns de ação. Atualmente, o IMDb registra 6,4/10, baseado em aproximadamente 1.800 avaliações, enquanto o Rotten Tomatoes apresenta 100% de aprovação do público, embora a amostra seja pequena e deva ser interpretada com cautela. A avaliação do público moderno, portanto, é um pouco mais simpática do que a reputação crítica tradicional. A combinação de Alan Ladd, Ernest Borgnine, assalto a uma mina de ouro e paisagens do Arizona oferece exatamente o tipo de entretenimento que muitos admiradores do western clássico procuram.

Atualmente, The Badlanders é geralmente considerado um filme menor, porém interessante, dentro da carreira de Delmer Daves e Alan Ladd. Ele não possui o prestígio de 3:10 to Yuma, Broken Arrow ou Jubal, mas merece atenção pela curiosa maneira como transforma The Asphalt Jungle em um western. A comparação com o filme de John Huston é inevitável: enquanto a obra de 1950 é considerada um dos grandes filmes noir americanos, a versão de Daves é mais direta, aventureira e convencional. Ainda assim, existem elementos bastante interessantes. O filme apresenta dois homens que, apesar de terem passado pelo crime, não são simplesmente vilões. McBain quer reconstruir sua vida, enquanto Dutchman busca vingança contra aqueles que o colocaram injustamente na prisão. Essa ambiguidade moral é uma característica importante do cinema de Delmer Daves. O diretor também introduz uma dimensão social através da exploração dos mexicanos na cidade e da corrupção dos poderosos proprietários de minas, algo que diferencia a obra de um western puramente aventureiro. A fotografia de John F. Seitz continua sendo um dos aspectos mais admirados, especialmente nas cenas realizadas em locações. Outro detalhe curioso da produção foi o romance entre Ernest Borgnine e Katy Jurado, que se conheceram durante as filmagens e posteriormente se casaram. Assim, embora The Badlanders não tenha alcançado o status de clássico, continua sendo uma peça interessante do western dos anos 1950 e uma curiosa adaptação de um dos grandes romances policiais americanos.

Os Homens das Terras Bravas (The Badlanders, Estados Unidos, 1958) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Richard Collins, baseado no livro The Asphalt Jungle, de W. R. Burnett / Elenco: Alan Ladd, Ernest Borgnine, Katy Jurado, Claire Kelly, Kent Smith e Nehemiah Persoff / Sinopse: Dois ex-presidiários chegam a uma cidade mineira do Arizona e unem forças para roubar o ouro de um poderoso empresário, transformando o golpe em uma oportunidade de vingança contra aqueles que destruíram suas vidas.

Erick Steve e Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Homens das Terras Bravas

Depois de trabalhar em “Os Brutos Também Amam” o ator Alan Ladd poderia ter se aposentado do gênero, afinal esse foi um dos mais marcantes filmes de western da história do cinema americano. Depois de fazer algo tão maravilhoso assim ele realmente não precisava mesmo fazer mais nada. Porém para a alegria de seu vasto fã clube o ator resolveu seguir em frente estrelando outros faroestes, mantendo-se fiel ao estilo até o fim de sua carreira. Entre os bons westerns que estrelou esse “Homens das Terras Bravas” é dos mais interessantes. O filme começa com os personagens interpretados por Alan Ladd e Ernest Borgnine presos na famosa prisão de Yuma (sempre citada em filmes de faroeste, basta lembrar do clássico de Glenn Ford). O personagem de Ladd é um engenheiro de minas que foi condenado por ter supostamente roubado uma pepita de ouro numa mina em que trabalhava. Ele alega inocência e diz que tudo foi armação do xerife da cidade que não gostava dele. Já Ernest Borgnine está preso por assassinato. Homem rude, não aceitou levar desaforos para casa. Depois de cumprirem suas penas são finalmente colocados em liberdade.

Peter Van Hoek, vulgo 'The Dutchman' (Alan Ladd) decide voltar então para a cidade onde foi preso. Alega que gosta do local mas na verdade ele tem um plano a seguir em sua mente. Inocente ou não, ele agora quer ir para a desforra e monta um grupo para assaltar a mesma mina em que foi acusado de roubo anos atrás. Para isso conta com a preciosa ajuda de John 'Mac' McBain (Ernest Borgnine), pois afinal já o conhecia da prisão. Completando o trio um especialista em dinamites também entra nos planos do roubo da mina. A idéia é colocar as mãos no ouro, vendê-lo a um homem poderoso da região e saír da cidade o mais rapidamente possível. O problema é que as coisas não saem exatamente conforme foram planejadas.

Filmes sobre roubos sempre mantém o interesse do espectador. Esse aqui se aproveita bem dessa situação. Há o planejamento inicial, a execução do plano e os problemas e adversidades que vão surgindo conforme eles colocam tudo em ação. O personagem de Alan Ladd tem também um atrativo a mais. No começo o espectador é levado a crer em sua inocência, afinal ele jura ser inocente de todas as acusações. Mas conforme o filme avança essa certeza dá lugar a dúvidas sobre seu real caráter. Ladd quase sempre interpretou papéis de homens íntegros, virtuosos nas telas e ver o ator em um personagem assim se torna muito interessante. No final das contas temos aqui uma excelente fusão de gêneros (western e aventura) que certamente não vai decepcionar nem o fã de Alan Ladd e nem muito menos os amantes do gênero. Está bem recomendado.

Homens das Terras Bravas (The Badlanders, EUA, 1958) Direção: Delmer Daves / Roteiro: Richard Collins, baseado na novela de W.R. Burnett / Elenco: Alan Ladd, Ernest Borgnine, Katy Jurado / Sinopse: Após sair da prisão por um crime que jura não ter cometido um engenheiro de minas (Alan Ladd) e um comparsa (Ernest Borgnine) decidem roubar o ouro de uma mina na região seguindo um elaborado plano de ação.

Pablo Aluísio.