Lançado em 23 de setembro de 1960, G.I. Blues foi um dos trabalhos mais importantes da primeira fase pós-militar de Elvis Presley e sua terceira trilha sonora cinematográfica. O álbum acompanhava o filme de mesmo nome, produzido pela Paramount, que marcou o retorno de Elvis ao cinema depois de seu período de serviço militar na Alemanha. As gravações aconteceram entre abril e maio de 1960, nos estúdios da RCA e da Radio Recorders, em Hollywood. Hal Wallis supervisionou a produção do filme, enquanto Elvis trabalhou com músicos como Scotty Moore, D. J. Fontana e os The Jordanaires. Musicalmente, o álbum é muito diferente do Elvis mais agressivo dos anos 1950: há rock and roll, pop, country e baladas, mas tudo apresentado dentro de uma estética mais comercial. A própria página oficial de Elvis destaca "Doin' the Best I Can" pela interpretação vocal controlada e "Pocketful of Rainbows" pelo desafio vocal oferecido ao cantor.
A recepção crítica de G.I. Blues foi marcada por uma avaliação relativamente favorável da música, embora os críticos percebessem que Elvis estava entrando em uma fase muito mais comercial. O álbum não possuía a mesma liberdade artística de Elvis Is Back!, lançado poucos meses antes, mas apresentava interpretações competentes e uma produção extremamente profissional. A avaliação retrospectiva do AllMusic, assinada por Stephen Thomas Erlewine, considera G.I. Blues um ponto importante porque marca o início da fase dos anos 1960 em que as trilhas sonoras passariam a ocupar espaço cada vez maior na carreira de Elvis. A análise observa que o disco está longe de ser tão problemático quanto algumas trilhas posteriores, embora também deixe evidente que esse caminho não favoreceria artisticamente o cantor. A Billboard, por sua vez, acompanhou o enorme potencial comercial do lançamento, que rapidamente se transformou em um dos grandes sucessos fonográficos de Elvis naquele ano. O álbum demonstrava que, mesmo com repertório criado para um filme, a voz e o carisma de Presley continuavam sendo capazes de dominar o mercado.
Outro aspecto interessante da recepção foi a maneira como G.I. Blues refletia a nova imagem pública de Elvis. Depois de dois anos no Exército, ele retornava ao mercado como uma figura muito mais aceitável para o público adulto, e o repertório da trilha sonora ajudava a construir essa imagem. "Wooden Heart", por exemplo, possuía uma atmosfera pop bastante diferente do rock and roll provocador de seus primeiros anos. "Blue Suede Shoes", por outro lado, recuperava diretamente uma de suas raízes musicais. A crítica posterior percebeu justamente essa mistura de estilos como um retrato da transformação de Elvis no início da década. A própria página oficial do cantor reconhece que Elvis estava decepcionado com o filme e com parte do material musical, mas também observa que ele entregou uma performance "suavemente profissional". Essa avaliação ajuda a compreender o álbum: não se trata de um trabalho revolucionário, mas de uma gravação extremamente eficiente, na qual Elvis demonstra profissionalismo mesmo quando o repertório não alcança a qualidade de seus melhores discos. A trilha também mostrava como a indústria cinematográfica começava a moldar cada vez mais sua produção musical.
Comercialmente, entretanto, G.I. Blues foi um grande triunfo. O álbum chegou ao primeiro lugar da parada de álbuns da Billboard, permanecendo no topo por dez semanas, e tornou-se o quinto álbum de Elvis a alcançar o número 1 nos Estados Unidos. No Reino Unido, também alcançou o primeiro lugar, permanecendo 51 semanas na parada, das quais 22 no Top 10. A própria página oficial de Elvis informa que a trilha vendeu aproximadamente 750 mil cópias, um resultado extraordinário para uma trilha sonora. O álbum recebeu certificação de ouro em 1963 e posteriormente de platina pela RIAA. "Wooden Heart" tornou-se particularmente importante internacionalmente: no Reino Unido, a gravação de Elvis chegou ao primeiro lugar, enquanto nos Estados Unidos a versão de Joe Dowell alcançou o topo da Billboard Hot 100.
O legado de G.I. Blues é complexo, mas extremamente importante para compreender a carreira de Elvis Presley. Artisticamente, ele representa o início de uma fase na qual as trilhas sonoras passaram a ocupar uma parcela cada vez maior de sua discografia, processo que posteriormente produziria trabalhos bastante irregulares. Comercialmente, porém, o álbum provou que a estratégia funcionava extraordinariamente bem: Elvis continuava capaz de transformar uma trilha cinematográfica em um fenômeno mundial. Para os fãs, o disco também possui o valor histórico de registrar o Elvis que acabava de retornar do Exército e começava a reconstruir sua carreira no início de uma nova década. "G.I. Blues", "Wooden Heart", "Pocketful of Rainbows" e "Doin' the Best I Can" continuam sendo faixas lembradas pelos admiradores de sua obra. Hoje, especialistas tendem a considerá-lo menos importante artisticamente que Elvis Is Back!, mas reconhecem sua importância histórica e comercial. G.I. Blues permanece, portanto, como um documento fundamental da transformação de Elvis: do rebelde do rock dos anos 1950 para o grande astro internacional do cinema e da música dos anos 1960.
Elvis Presley - G.I. Blues (1960)
Tonight Is So Right for Love
What's She Really Like
Frankfort Special
Wooden Heart
G.I. Blues
Pocketful of Rainbows
Shoppin' Around
Big Boots
Didja' Ever
Blue Suede Shoes
Doin' the Best I Can
Pablo Aluísio e Erick Steve.

Trilha Sonora Clássica
ResponderExcluirPablo Aluísio.