sexta-feira, 3 de abril de 2026

A Hora do Desespero

A Hora do Desespero 
Após o filho ir para a escola, Amy (Naomi Watts) parte em direção ao bosque para sua corrida matinal. Tudo começa bem, tranquilo, a paisagem é maravilhosa, com muito contato com a natureza. Só que seu celular começa a tocar e notícias perturbadores surgem na tela. Ao que tudo indica um atirador está aterrorizando justamente a escola onde seu filho estuda. Pior do que isso, o atirador pode ser... seu próprio filho! Começa interessante esse filme. Basicamente em praticamente todo o filme só temos a atriz Naomi Watts em cena, correndo pelo bosque. Inicialmente tranquila, para depois ficar desesperada com as notícias que recebe do seu celular. É um conceito bem de acordo com o mundo atual, com o cotidiano de muitas mulheres. O enredo tinha muito potencial, principalmente quando o filho dela passa a ser um dos suspeitos de ser o atirador da escola. Só que o roteiro se acovarda, dá um freio de mão, não avança no que seria uma ótima solução para a história. 

O bom mocismo vence novamente e o filme acaba virando uma decepção daquelas e uma perda de tempo irreparável. Confesso, fiquei com raiva do final cheio de pieguismo e emoções baratas. Espero que esse roteirista de meia pataca tenha mais coragem da próxima vez. O mesmo recado vai para Phillip Noyce, um diretor que sempre gostei. Infelizmente aqui ele se resume a ser um mero bocó. Enfim, começa bem, promissor, para depois cair no lugar comum, decepcionando com seu final convencional. 

A Hora do Desespero (Lakewood, Estados Unidos, 2021) Direção: Phillip Noyce / Roteiro: Chris Sparling / Elenco: Naomi Watts, Colton Gobbo, Andrew Chown / Sinopse: Mãe fica desesperada ao saber pelo celular que há um atirador agindo na escola onde seu filho estuda. 

Pablo Aluísio.

Valor Sentimental

Título no Brasil: Valor Sentimental
Título Original: Sentimental Value
Ano de Lançamento: 2025
País: Noruega
Estúdio: Mer Film
Direção: Joachim Trier
Roteiro: Joachim Trier, Eskil Vogt
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning, Anders Danielsen Lie, Cory Michael Smith

Sinopse:
O filme acompanha Nora, uma atriz que retorna à sua cidade natal na Noruega após anos distante, reencontrando seu pai, um diretor de cinema recluso e emocionalmente distante. Quando ele decide fazer um novo filme inspirado na história da família, antigas feridas e memórias vêm à tona, levando pai e filha a confrontarem ressentimentos, perdas e o peso das escolhas do passado. Entre bastidores de filmagem e conflitos pessoais, Nora precisa lidar com sua própria identidade e com o legado emocional herdado de sua família. Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. 

Comentários:
Apresentado no circuito de festivais em 2025, Sentimental Value recebeu forte aclamação da crítica. Publicações como a Variety destacaram a sensibilidade do roteiro e a direção refinada de Joachim Trier, enquanto o The Guardian elogiou as atuações, especialmente de Renate Reinsve, apontando o filme como um dos dramas mais impactantes do ano. Embora seu lançamento comercial tenha sido mais restrito, o filme teve excelente recepção de público em festivais e no circuito europeu, consolidando Trier como um dos principais nomes do cinema contemporâneo. Esse drama é visto como uma obra marcante sobre relações familiares e memória, sendo frequentemente comparado a trabalhos anteriores do diretor por sua profundidade emocional e abordagem intimista. A Academia acabou reconhecendo seu grande valor cinematográfico, premiando o filme na categoria de melhor estrangeiro do ano. Um prêmio mais do que merecido. 

Erick Steve. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Rota de Fuga 3

Rota de Fuga 3 
Das franquias que Stallone ainda mantém ativas, essa é a mais fraca de todas. Fica claro, desde as primeiras cenas, que se trata de uma produção de baixo orçamento. São filmes B realmente, produzidos para serem exibidos em canais de streaming. Tudo feito sem importância, sem relevância. "Rota de Fuga 3" não passa disso. A trama é bem genérica, mais uma missão de resgate de pessoas que foram sequestradas, levadas para uma prisão clandestina, um velho calabouço há muito desativado. O objetivo principal é um plano de vingança contra o personagem de Sly. Só que não precisa se preocupar muito sobre isso. 

O uso de diversos personagens chineses também demonstra que Stallone busca abrir um espaço no vasto mercado chinês. Está obviamente tentando ganhar um bom retorno financeiro para seu filme, que no final das contas, é bem fraco. Sendo sincero nenhum desses filmes dessa franquia são bons. Nem o primeiro que contou com a presença de Arnold Schwarzenegger. Já nasceu sem substância cinematográfica. Tudo muito raso. E as coisas só pioraram no "Rota de Fuga 2", esse realmente péssimo. Esse terceiro filme não chega a ser tão ruim quanto o segundo, mas ainda assim é fraco demais também. Enfim, esses filmes não tem salvação mesmo. São produtos descartáveis, nem os fãs de ação e do Stallone vão gostar. 

Rota de Fuga 3: O Resgate (Estados Unidos, 2019) Direção: John Herzfeld / Roteiro: Miles Chapman, John Herzfeld / Elenco: Sylvester Stallone, Dave Bautista, 50 Cent / Sinopse: Um sequestro é colocado em prática, tendo como objetivo atacar e atingir Ray Breslin (Stallone). Tudo comandado pelo filho do ex-sócio dele, que teria sido assassinado sob seu comando pessoal. 

Pablo Aluísio.

Bloodshot

Título no Brasil: Bloodshot
Título Original: Bloodshot
Ano de Lançamento: 2020
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Dave Wilson
Roteiro: Jeff Wadlow, Eric Heisserer
Elenco: Vin Diesel, Eiza González, Sam Heughan, Toby Kebbell, Guy Pearce, Lamorne Morris

Sinopse:
Ray Garrison é um soldado de elite que, após ser assassinado junto com sua esposa, é trazido de volta à vida por uma corporação secreta que utiliza nanotecnologia avançada. Transformado em um super-humano com força sobre-humana e capacidade de regeneração instantânea, ele passa a ser conhecido como Bloodshot. No entanto, suas memórias são manipuladas, fazendo com que ele seja usado como uma arma controlada pela empresa. Ao começar a questionar sua própria realidade, Ray inicia uma jornada para descobrir a verdade sobre seu passado e retomar o controle de sua vida.

Comentários:
Lançado em 2020, Bloodshot teve uma recepção crítica mista a negativa. O site Rotten Tomatoes registrou avaliações divididas, com muitos críticos apontando um roteiro previsível, embora alguns tenham elogiado as cenas de ação e o carisma de Vin Diesel. Já a revista Variety destacou que o filme tinha potencial para iniciar uma nova franquia baseada nos quadrinhos da Valiant, mas não conseguiu se destacar suficientemente. Nas bilheterias, o desempenho foi prejudicado pelo início da pandemia de COVID-19, o que impactou diretamente sua arrecadação global. Apesar disso, o filme encontrou uma segunda vida no streaming e no mercado doméstico. Hoje, Bloodshot é visto como uma tentativa interessante de expandir o universo de heróis fora da Marvel e DC, sendo lembrado mais por sua proposta do que por sua execução, e mantendo um público moderado entre fãs de ação e quadrinhos

Erick Steve. 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Pecadores

Pecadores 
A história do filme se passa nos anos 1930. Dois irmãos gêmeos retornam para a região onde nasceram. Atrás de si carregam um histórico de criminalidade, pois estiveram envolvidos com gângsters em Chicago. Agora, cheios da grana, querem abrir seu próprio negócio. Um clube noturno para se ouvir e tocar o melhor do Blues do Delta do Rio Mississippi. Só que haverá problemas. Eles são negros no auge do racismo no sul dos Estados Unidos. Os racistas vão fazer de tudo para colocar aquele seu novo empreendimento abaixo. Pior do que isso, eles não são apenas racistas... mas são vampiros também!

Eu gostei desse filme porque eu gosto de filmes de terror. E não adianta negar nada sobre isso, "Pecadores" é um filme de vampiros, sem tirar nem colocar nada. Já traz o pacote completo. A história contada não me soou original, devo dizer. Ela se parece demais com "Um Drink no Inferno" para que possamos ignorar as semelhanças. Ainda assim funciona dentro dessa nova roupagem. Velhas ideias recicladas podem ganhar uma sobrevida, como bem podemos notar aqui. 

O filme foi bem trabalhado pelo estúdio e pelo departamento de marketing, fazendo com que se tornasse uma sensação na última noite do Oscar. E isso é sem dúvida positivo. Pense na última vez que você viu um filme de terror ser tão indicado e premiado pela Academia. Ventos novos sobrando em Hollywood. O público brasileiro criou um certo ressentimento contra esse filme porque o ator Michael B. Jordan tirou o Oscar de Wagner Moura, mas isso é uma grande bobagem. Como eu disse, a indicação já era uma honra. No quadro geral o filme é bem desenvolvido e diverte em sua parte final. Ali não sobra lugar para sutilezas. É um banho de sangue, honrando a tradição dos antigos filmes trash de terror dos anos 80. Pensando bem esse filme tem mesmo uma mistura bem estranha em seu roteiro. Começa como um quase drama com trilha sonora musical inspirada, para ir parar no estilo "Sangue e tripas" que tanto conhecemos de verões passados. Talvez por isso tenha sido tão valorizado. 

Pecadores (Sinners, Estados Unidos, 2025) Direção: Ryan Coogler / Roteiro: Ryan Coogler / Elenco: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O'Connell, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo / Sinopse: Dois irmãos negros abrem um clube de blues em uma das regiões mais racistas dos Estados Unidos da década de 1930. E não demora muito passam a ser atacados por eles, agora transformados em vampiros sedentos de sangue. 

Pablo Aluísio. 

Terra do Inferno

Terra do Inferno 
Owen Merritt (Randolph Scott) está passando pelo pior dia de sua vida. Sua amada, a mulher que tanto amou ao longo dos anos, está se casando com um rancheiro corrupto da região. Ele fica revoltado com a situação, mas sem nada a fazer. Então vai até o saloon beber um pouco para esfriar a cabeça. E para sua surpresa acaba encontrando o rancheiro que vai se casar com a mulher que ama. O sujeito, cercado de capangas, pede que eles façam as pazes. Owen decide ser um homem honrado e aperta a mão do sujeito, só que a noite não terminará bem naquele saloon pois tiros serão disparados e uma verdadeira guerra tomará conta daquela cidade muito em breve. 

Mais um bom western de Scott nos anos 50. Aqui a direção foi para um velho conhecido dos filmes de faroeste, o sempre bom e correto André De Toth. O personagem protagonista nesse filme não deixa de ser uma antítese de um certo pensamento machista que existia na época. Quando ele perde a mulher que tanta amava não decidiu partir para a violência ou algo do tipo. Ao invés disso houve uma resignação estoica de sua parte e se atos violentos viriam depois não seriam por sua culpa, mas sim pelo bando de criminosos que povoavam o rancho onde sua ex-noiva iria morar. Afinal tudo teria um limite! Uma situação mais do que delicada que acaba sendo o motor dramático desse bom western americano. 

Terra do Inferno (Man in the Saddle, Estados Unidos,  1951) Direção: André De Toth / Roteiro: Km enneth Gamet, Ernest Haycox / Elenco: Randolph Scott, Joan Leslie, Ellen Drew / Sinopse: Uma verdadeira guerra explode entre rancheiros de uma região inóspita do velho oeste. Um rico e corrupto proprietário de terras quer expulsar todos os pequenos rancheiros, para se tornar um verdadeiro soberano daquele lugar. 

Pablo Aluísio.