sexta-feira, 7 de maio de 2004

A Hora do Lobisomem

Título no Brasil: A Hora do Lobisomem
Título Original: Silver Bullet
Ano de Lançamento: 1985
País: Estados Unidos
Direção: Daniel Attias
Roteiro: Stephen King, baseado em sua novela Cycle of the Werewolf
Elenco: Corey Haim, Gary Busey, Everett McGill, Megan Follows, Terry O'Quinn, Robin Groves e Leon Russom.
Duração: 95 minutos.

Sinopse:
A Hora do Lobisomem é uma adaptação da novela Cycle of the Werewolf, de Stephen King, e acompanha Marty Coslaw, um garoto paraplégico interpretado por Corey Haim que vive em uma pequena cidade americana com sua família. A tranquilidade do lugar começa a desaparecer quando uma série de assassinatos brutais acontece durante as noites de lua cheia. Enquanto os adultos procuram uma explicação racional para as mortes, Marty começa a acreditar que o responsável é uma criatura sobrenatural. Seu tio Red, interpretado por Gary Busey, é uma das poucas pessoas dispostas a ouvir o garoto e ajudá-lo a investigar o mistério. Marty acaba descobrindo que o assassino é um lobisomem e percebe que a criatura pode estar muito mais próxima de sua família e de sua comunidade do que imaginava. O menino guarda uma importante pista sobre a identidade do monstro, mas sua descoberta coloca sua própria vida em perigo. O lobisomem é interpretado por Everett McGill, que constrói uma figura ameaçadora escondida por trás de uma aparência respeitável. A narrativa combina horror, suspense e drama familiar, enquanto Marty precisa superar suas limitações físicas e utilizar sua inteligência para sobreviver ao confronto com a criatura.

Comentários:
Quando Silver Bullet chegou aos cinemas americanos em outubro de 1985, encontrou uma crítica bastante dividida, embora a presença de Stephen King e o retorno do cinema de lobisomens despertassem grande interesse. O The New York Times foi relativamente crítico em relação à adaptação e considerou que o filme não conseguia reproduzir completamente a força da obra literária, embora reconhecesse a eficácia de algumas sequências de suspense. A Variety destacou a experiência de King como escritor de horror, mas observou que a narrativa cinematográfica era bastante convencional. A revista Time também considerou que o filme dependia excessivamente das convenções tradicionais das histórias de monstros, embora reconhecesse o potencial comercial da combinação entre o nome de King e o gênero de lobisomens. O Los Angeles Times foi mais receptivo e destacou a atmosfera de cidade pequena criada pelo diretor Daniel Attias, além da atuação de Corey Haim. O jovem ator havia se tornado conhecido em filmes destinados ao público adolescente e demonstrou aqui uma faceta mais dramática, sustentando boa parte da história. Gary Busey, como o irreverente e alcoólatra Uncle Red, fornece boa parte do humor do filme e funciona como contraponto à atmosfera sombria. Everett McGill também merece destaque, especialmente porque sua interpretação do reverendo Lowe cria uma figura inicialmente respeitável que gradualmente se transforma em uma ameaça monstruosa. A crítica, entretanto, apontou que a maquiagem do lobisomem e alguns efeitos especiais não possuíam o mesmo impacto visual de outras produções de horror da época.

O que tornou A Hora do Lobisomem especialmente interessante ao longo dos anos foi sua combinação de terror sobrenatural com uma história sobre família e amadurecimento. A relação entre Marty e seu tio Red funciona como o coração emocional da produção, enquanto a deficiência física do protagonista não é utilizada simplesmente como elemento dramático, mas como parte importante da maneira pela qual ele enfrenta o perigo. A crítica americana também observou que o filme possuía uma atmosfera mais próxima do conto de terror tradicional do que do horror gráfico que começava a dominar o cinema dos anos 1980. O roteiro de Stephen King conserva elementos de sua obra original, especialmente a estrutura baseada nas fases da lua e na progressiva descoberta da identidade do lobisomem. O filme não alcançou o mesmo sucesso de outras adaptações de King lançadas naquela década, mas conquistou posteriormente uma reputação de filme cult entre admiradores do escritor e do cinema de horror dos anos 1980. A produção também se beneficia de uma fotografia que transforma a pequena cidade em um ambiente aparentemente pacífico, mas gradualmente ameaçador. A presença de Corey Haim acrescenta uma dimensão juvenil à história, enquanto Gary Busey contribui com uma energia completamente diferente. Embora alguns efeitos tenham envelhecido, a transformação de Reverend Lowe continua sendo uma das sequências mais memoráveis. A Hora do Lobisomem permanece, portanto, como uma curiosa adaptação de Stephen King que talvez não esteja entre as mais celebradas pela crítica, mas que possui uma identidade própria e representa muito bem o ciclo de filmes de lobisomem produzidos durante a década de 1980.

Pablo Aluísio.

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