segunda-feira, 1 de junho de 2026

Estação Polar Zebra

Título no Brasil: Estação Polar Zebra
Título Original: Ice Station Zebra
Ano de Lançamento: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer
Direção: John Sturges
Roteiro: Alistair MacLean, Douglas Heyes
Elenco: Rock Hudson, Ernest Borgnine, Patrick McGoohan, Jim Brown, Tony Bill, Lloyd Nolan

Sinopse:
Durante o auge da Guerra Fria, um submarino nuclear da Marinha dos Estados Unidos recebe uma missão secreta: viajar até o Ártico para investigar um misterioso incidente ocorrido na estação científica britânica conhecida como Estação Polar Zebra. A bordo do submarino USS Tigerfish, o comandante James Ferraday conduz sua tripulação em uma perigosa jornada sob o gelo do Polo Norte. Ao longo da missão, vários personagens suspeitos embarcam na expedição, incluindo um agente de inteligência que pode ter segundas intenções. À medida que o submarino se aproxima da estação, torna-se claro que o incidente envolve informações extremamente sensíveis ligadas à corrida tecnológica e militar entre Estados Unidos e União Soviética. A tripulação enfrenta perigos naturais, sabotagens e intrigas enquanto tenta descobrir a verdade antes que o inimigo o faça.

Comentários:
No momento de seu lançamento, Ice Station Zebra recebeu críticas mistas, mas muitos críticos elogiaram sua atmosfera de suspense e a grandiosidade da produção. O jornal The New York Times destacou a tensão criada pela ambientação no Ártico e a direção sólida de John Sturges, conhecido por filmes de ação e aventura. A revista Variety ressaltou o valor de produção e os efeitos especiais utilizados para recriar o ambiente polar e as operações do submarino. Do ponto de vista comercial, o filme teve desempenho razoável nas bilheterias e chamou atenção por seu alto orçamento e ambição técnica. Com o passar do tempo, Estação Polar Zebra ganhou reconhecimento entre fãs de filmes de espionagem e aventuras militares da Guerra Fria. Hoje ele é frequentemente lembrado como um clássico cult do gênero, especialmente apreciado por seu clima de mistério e pela representação detalhada das operações de submarinos nucleares durante um dos períodos mais tensos da história moderna.

Pablo Aluísio. 

Tarzan e a Expedição Perdida

Esse foi o segundo filme de Tarzan com o ator Gordon Scott como o Rei das Selvas. Também foi o primeiro filme do personagem em cores, o que na época de seu lançamento original foi considerado um atrativo a mais para o público ir aos cinemas. O interessante é que não se trata de uma produção americana, mas sim inglesa, com parte filmada em um bem elaborado estúdio em Londres que tentava imitar nos menores detalhes uma selva selvagem africana. Até mesmo uma enorme piscina foi construída dentro do estúdio para reproduzir um lago onde Tarzan nadava, flertava com mulheres e esfaqueava um crocodilo, que aliás era todo mecânico, pouco convincente, mas que o diretor soube colocar poucos segundos na tela para não dar muita bandeira.

O enredo é simples. Um avião com gente rica a bordo, fazendo uma espécie de "safári aéreo" pela África, acaba caindo ao se chocar com aves. Os sobreviventes acabam sendo salvos por Tarzan que imediatamente tenta ajudar a todos. Um grande caçador branco também aparece, mas esse esconde o jogo o tempo todo, pois na verdade pretende levar os passageiros até uma aldeia de selvagens, onde todos eles serão sacrificados em um ritual de uma antiga tribo pagã. Como não poderia faltar, o filme também traz a Chita, servindo como alívio cômico. Claro, o que temos aqui é um típico filme de pura diversão das matinês dos anos 50. O Gordon Scott foi provavelmente o mais forte de todos os atores que interpretaram Tarzan. Ele era halterofilista e estava em ótima forma física quando fez o filme. Ao todo fez seis filmes, sendo considerado o mais regular Tarzan do cinema, logo atrás de Johnny Weissmuller.

Tarzan e a Expedição Perdida (Tarzan and the Lost Safari, Inglaterra, 1957) Direção: H. Bruce Humberstone / Roteiro: Montgomery Pittman, Lillie Hayward / Elenco: Gordon Scott, Robert Beatty, Yolande Donlan / Sinopse: Tarzan (Scott) ajuda um grupo de pessoas que se acidentaram em uma queda de avião no meio da selva. Ele precisa também protegê-los de um caçador branco que deseja enviar todo o grupo para uma tribo selvagem de nativos.

Pablo Aluísio.

sábado, 30 de maio de 2026

Norah Jones - Visions

Norah Jones - Visions 
O álbum mais recente de Norah Jones é Visions, lançado em 8 de março de 2024 pela Blue Note Records. Trata-se do nono álbum de estúdio solo da cantora e pianista norte-americana e representa mais um capítulo de sua constante evolução artística. Produzido por Leon Michels, o disco nasceu de sessões bastante espontâneas, nas quais Jones e Michels desenvolveram muitas das músicas a partir de improvisações e ideias surgidas durante a madrugada. A própria cantora explicou que o título do álbum foi inspirado por ideias que lhe vinham nos momentos entre o sono e a vigília. Musicalmente, Visions apresenta uma sonoridade mais vibrante e experimental do que alguns de seus trabalhos recentes, incorporando elementos de soul, pop, folk e psicodelia leve. O álbum foi anunciado juntamente com o lançamento do single Running, que rapidamente chamou atenção dos fãs por sua energia e leveza. O trabalho também marcou seu primeiro álbum de material inédito desde Pick Me Up Off the Floor (2020), desconsiderando o disco natalino lançado em 2021.

A recepção crítica foi bastante positiva. Diversos veículos elogiaram a atmosfera descontraída e a renovação sonora apresentada por Norah Jones. O álbum alcançou uma média de 81 no agregador Metacritic, classificação considerada de aclamação universal. Críticos destacaram especialmente a parceria com Leon Michels e a combinação entre arranjos orgânicos e experimentação moderna. O jornal Los Angeles Times descreveu o trabalho como um disco de soul com toques psicodélicos e espírito de garagem, enquanto a revista MOJO considerou o álbum uma das obras mais interessantes da artista em muitos anos. Entre os destaques estão canções como Paradise, Running e Staring at the Wall. Comercialmente, o álbum alcançou o primeiro lugar da parada de Jazz da Billboard nos Estados Unidos e ainda conquistou o prêmio Grammy de Melhor Álbum Vocal Pop Tradicional.

O legado de Visions ainda está sendo construído, mas muitos críticos já o apontam como um dos trabalhos mais criativos da fase madura da carreira de Norah Jones. Desde o enorme sucesso de Come Away with Me em 2002, a cantora sempre evitou repetir fórmulas, explorando diferentes estilos musicais ao longo de sua trajetória. Em Visions, ela demonstra mais uma vez sua capacidade de se reinventar sem perder a elegância e a intimidade que caracterizam sua música. O álbum apresenta uma artista confortável em experimentar novas texturas sonoras, mantendo ao mesmo tempo a delicadeza vocal que a tornou famosa mundialmente. Entre fãs e colecionadores, o disco foi muito bem recebido, sendo frequentemente citado como um dos lançamentos mais fortes de sua discografia recente. Hoje, Visions é visto como uma obra que reafirma a relevância artística de Norah Jones mais de duas décadas após sua estreia, provando que ela continua sendo uma das intérpretes mais respeitadas da música contemporânea.

Norah Jones – Visions (2024)
All This Time
Staring at the Wall
Paradise
Queen of the Sea
Visions
Running
I Just Wanna Dance
I'm Awake
Swept Up in the Night
On My Way
Alone with My Thoughts
That's Life
Can You Believe 

Erick Steve. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Spider-Noir

Spider-Noir 
Ambientada em uma versão alternativa da Nova York dos anos 1930, a série acompanha Ben Reilly, um investigador particular envelhecido e marcado por tragédias pessoais. Anos antes, ele era conhecido como “O Aranha”, o único super-herói da cidade, mas abandonou sua identidade heroica após acontecimentos que mudaram sua vida para sempre. Quando uma nova conspiração criminosa ameaça a cidade, Reilly é forçado a confrontar seu passado e voltar à ação. Misturando elementos de filmes policiais clássicos, histórias de detetive e aventura de super-heróis, Spider-Noir apresenta uma abordagem sombria e estilizada do universo do Homem-Aranha. A produção foi lançada em versões colorida e em preto e branco, reforçando sua inspiração no cinema noir clássico.

A recepção da crítica americana para Spider-Noir foi amplamente positiva, com muitos veículos destacando a ousadia da série ao misturar o universo do Homem-Aranha com o cinema noir dos anos 1930. No agregador Rotten Tomatoes, a primeira temporada estreou com cerca de 90% de aprovação entre os críticos profissionais. A revista Empire concedeu nota máxima e classificou a produção como uma experiência surpreendente que “fica cada vez melhor”, elogiando especialmente a atuação de Nicolas Cage. O Los Angeles Times descreveu a série como uma engenhosa fusão entre o Homem-Aranha e os filmes estrelados por Humphrey Bogart, ressaltando a atmosfera retrô e a identidade própria da produção. Já o Guardian avaliou a obra com quatro estrelas em cinco, afirmando que, mesmo sem reinventar completamente o gênero, a série é divertida, ágil e repleta de reviravoltas. O Financial Times também atribuiu quatro estrelas, considerando-a uma alternativa criativa ao desgaste das tradicionais produções de super-heróis.

Nem todas as avaliações, entretanto, foram entusiasmadas. A crítica Variety considerou que a série possui muito estilo visual, mas pouca profundidade dramática, classificando-a como “muita forma e pouco conteúdo”. O Hollywood Reporter foi ainda mais severo, apontando que a narrativa se apoia excessivamente em clichês dos filmes de detetive e não desenvolve plenamente suas ideias. Apesar dessas ressalvas, o consenso geral permaneceu favorável. Diversos críticos destacaram que Cage “abraça totalmente suas excentricidades” e transforma Ben Reilly em um protagonista único e imprevisível. Entre os elogios mais recorrentes estiveram a fotografia expressionista, a possibilidade de assistir aos episódios em preto e branco ou coloridos, e a coragem da produção em oferecer algo diferente dentro do saturado mercado de adaptações de quadrinhos. Muitos críticos chegaram a afirmar que a versão em preto e branco é a forma ideal de apreciar a série, por valorizar sua estética noir e sua atmosfera sombria.

Spider-Noir (Spider-Noir, Estados Unidos, 2026) Direção: Harry Bradbeer, Nzingha Stewart e outros / Roteiro: Oren Uziel, Steve Lightfoot, Megan Liao, Tori Sampson, Jennifer Frazin, Jack Henderson e Bruce Marshall Romans / Elenco: Nicolas Cage, Lamorne Morris, Li Jun Li, Karen Rodriguez, Abraham Popoola, Jack Huston e Brendan Gleeson / Sinopse: Uma série considerada inovadora que mescla a estética dos velhos filmes do cinema Noir com as aventuras do Homem-Aranha. 

Erick Steve. 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

O Jogo do Predador

Título no Brasil: O Jogo do Predador
Título Original: Apex
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Baltasar Kormákur
Roteiro: Jeremy Robbins
Elenco: Charlize Theron, Taron Egerton, Eric Bana, Clive Standen

Sinopse:
Durante uma perigosa escalada na montanha, no meio de uma tempestade hostil, a alpinista Sasha (Theron) perde seu marido, que cai no abismo. Tentando se recuperar para superar o trauma, ela embarca numa viagem de aventuras no interior da Austrália e passa a ser perseguida por um psicopata violento e sádico. 

Comentários:
O título nacional é equivocado demais. Primeiro porque o termo Predador já é fortemente associado a uma outra franquia. Segundo porque já existe um filme com esse nome, uma produção B dos anos 80 com Rutger Hauer. Mas tudo bem, deixemos isso de lado. A atriz Charlize Theron se esforçou muito para promover esse filme, inclusive participando de escaladas reais. Aliás a cena da escalada, no começo do filme, é seu grande momento. Pensei que o filme seria todo nesse estilo, nesse ritmo, o que seria ótimo, mas não, fui frustrado em minhas expectativas. A história toma outro rumo, com a Charlize Theron sendo caçada por um maluco no meio do nada, numa região desabitada da Austrália. Aí está o grande problema. Não achei nada demais, sem nenhuma novidade. Já vi esse tipo de história sendo contada em um monte de filmes no passado. A fita até fez sucesso na Netflix e recebeu resenhas elogiosas por parte da imprensa americana, mas, de minha parte, achei meramente mediano, sem nenhuma grande novidade e até mesmo cansativo. Não gostei.  

Pablo Aluísio. 

Truque de Mestre: O Terceiro Ato

Título no Brasil: Truque de Mestre: O Terceiro Ato
Título Original: Now You See Me: Now You Don’t
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Seth Grahame-Smith, Michael Lesslie, 
Elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco, Isla Fisher, Morgan Freeman, Mark Ruffalo, Ariana Greenblatt, Justice Smith

Sinopse:
O filme traz de volta os famosos “Quatro Cavaleiros”, grupo de ilusionistas especializados em roubos espetaculares realizados diante do público. Anos após os eventos do segundo filme, uma nova geração de mágicos digitais começa a desafiar a influência do grupo original, obrigando os veteranos a retornarem para enfrentar uma conspiração internacional ligada a tecnologia, vigilância e manipulação financeira. Enquanto elaboram novos truques impossíveis e fugas mirabolantes, os personagens precisam descobrir quem está controlando os bastidores de um esquema que ameaça expor os segredos da organização conhecida como “O Olho”.

Comentários:
Terceiro filme dessa franquia que nunca me convenceu. Simplesmente acho que todos os filmes sofrem de uma falta de personalidade incrível. É um daqueles projetos que nascem e são desenvolvidos por executivos de grandes estúdios. Esses profissionais não estão em busca de produzir arte cinematográfica com extremo cuidado, mas sim projetar filmes feitos para o sucesso fácil. Aqui temos um exemplo perfeito disso. São tantos personagens, com atores famosos (ou não) querendo aparecer que todos eles acabam caindo no vazio. A trama é chatinha, sem nenhuma novidade. Agora imperdoável mesmo são as cenas de mágica. Essas deveriam compor o núcleo duro do filme, aquilo que o justifica, mas fica pelo meio do caminho. Assim não tem jeito, a coisa toda afunda. Enfim, não gostei dos filmes anteriores e nem muito menos desse. É dispensável. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Jacknife

Título no Brasil: Jacknife
Título Original: Jacknife
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate Pictures
Direção: David Hugh Jones
Roteiro: Stephen Metcalfe
Elenco: Robert De Niro, Kathy Baker, Ed Harris

Sinopse:
Um conflito se instala entre um veterano do Vietnã e sua irmã, que resolve se envolver romanticamente com um ex-companheiro seu, dos tempos do exército. A volta da convivência entre ambos acaba despertando velhos fantasmas do passado. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (Ed Harris).
 
Comentários:
Um filme de Robert De Niro que poucos se lembram hoje em dia. Uma injustiça pois gosto bastante da estética mais barra pesada dessa produção. Além disso o personagem de De Niro é um achado e tanto, ótimo para um ator com tantas possibilidades como ele. Infelizmente em termos de Brasil o filme segue sendo pouco conhecido, até mesmo para quem viveu a época de seu lançamento. Aliás o filme foi extremamente mal lançado por aqui - nada de salas de exibição, indo parar direto no mercado de fitas VHS. Um absurdo em minha forma de ver, pois gosto bastante da película que hoje em dia é bem complicada de se achar. Em entrevistas de lançamento do filme nos anos 80, De Niro explicou sua intenção em fazer esse filme. Ele queria captar a alma do chamado "Working Man", ou seja, do trabalhador comum dos Estados Unidos. Sujeitos durões, mas íntegros que tinham que lidar com as durezas da vida mesmo depois de ter servido em guerras distantes e complicadas de entender, como o próprio conflito no Vietnã. Enfim, fica a dica para redescobrir esse pequeno mas interessante momento da filmografia de Robert De Niro nos anos 80.

Pablo Aluísio.

Como Perder Um Homem em 10 Dias

Comédia romântica que pretende fazer humor com as diferenças existentes entre homens e mulheres brincando com situações que são – na visão do roteiro – insuportáveis para ambos os sexos. Assim temos uma aposta entre o publicitário Ben (Matthew McConaughey) e seu chefe. Ele aposta que consegue conquistar qualquer mulher em apenas 10 dias. Por outro lado a jornalista Andie (Kate Hudson) por pura “coincidência” cruza seu caminho nesse mesmo momento. Ela pretende escrever um novo texto baseado em experiências pessoais intitulado “Como Perder um Homem em 10 dias”. Assim fica criada a situação: ele precisa conquistar ela de todo jeito para ganhar a aposta e ela faz de tudo para que o namoro acabe em dez dias, confirmando as teorias de seu texto jornalístico. Os maiores disparates são realizados pela jornalista mas o publicitário garotão engole todos para ganhar sua aposta.

Bobinho o argumento? Claro que é! O filme traz de volta a dupla Matthew McConaughey e Kate Hudson que durante um certo tempo pretendeu mesmo virar o casal clichê das atuais comédias românticas tal como foram no passado Rock Hudson e Doris Day e mais recentemente Tom Hanks e Meg Ryan. O problema é que esse tipo de filme funcionava melhor antes quando os costumes eram bem mais rígidos e o relacionamento entre homem e mulher tinha regras mais básicas. No mundo de hoje, onde os papéis geralmente andam invertidos, a coisa toda não consegue ter a mesma graça. Assim o roteiro, que já não é lá grande coisa, se apóia com tudo no carisma da dupla central de atores. Kate Hudson continua uma gracinha, uma simpatia mesmo e Matthew também continua o mesmo, geralmente interpretando sempre o mesmo papel, não importando o personagem que faz. Só não se consegue entender bem porque ele sempre tem que aparecer em cena sem camisa exibindo seus “talentos” físicos! Parece até uma obsessão pra falar a verdade. Para piorar o filme tem problemas de ritmo e a química do casal não transparece tão bem na tela. Assim fica o aviso: não é tão engraçada como parece ser essa comédia romântica, faltou mesmo timing e feeling para a coisa ser melhor. Fica para a próxima!

Como Perder Um Homem em Dez Dias (How to Lose a Guy in 10 Days, Estados Unidos, 2003) Direção: Donald Petriee / Roteiro: Kristen Buckley, Brian Regan, Burr Steers / Elenco: Kate Hudson, Matthew McConaughey, Kathryn Hahn, Annie Parisse, Adam Goldberg, Thomas Lennon, Michael Michele, Shalom Harlow, / Sinopse: Publicitário pretende ganhar uma aposta com seu chefe mostrando que pode fazer uma mulher se apaixonar por ele em apenas dez dias. Ao mesmo tempo uma jornalista pretende provar a veracidade de seu artigo intitulado “Como Perder Um Homem em Dez Dias”. Por uma coincidência acabam se encontrando o que dará origem a muitas confusões pois os objetivos deles são diametralmente opostos!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Sangue em Sonora

Filmado em locações no Estado americano de Utah, em 1966, o filme "Sangue em Sonora" trouxe um Marlon Brando estrelando um western de estrutura tradicional, o que de certa forma era um surpresa já que o ator era conhecido não só por seu talento, mas também por sempre procurar trabalhar em projetos mais ousados e polêmicos. O que teria acontecido então para Brando embarcar em um projeto, digamos assim, tão comum? Conforme explicou em sua própria autobiografia "Canções que minha mãe me ensinou" o que o levou a filmes como esse foi a simples necessidade de ganhar muito dinheiro para bancar os problemas financeiros que enfrentou.

Na década de 1960 Brando teve que enfrentar uma incrível série de contratempos. Suas ex-esposas o processaram, a guarda de seus filhos exigia que o ator desembolsasse somas cada vez maiores para pagar os advogados e sua querida ilha Tetiroa só lhe trazia prejuízos. Mal conseguia construir seu hotel um furacão vinha e destruía com tudo. O ator pretendia transformar o local em ponto turístico ambiental mas jamais concretizou seus planos por causa da irascível natureza da região. Assim, atolado com muitas dívidas, Marlon Brando se dispôs a se deslocar para uma locação de díficil acesso para começar as filmagens desse faroeste.

Em seu livro Brando recordou que ficou surpreso ao chegar lá e saber que tinha sido o mesmo local onde John Wayne havia filmado um conhecido western na era de ouro do cinema. O problema era que o local ficava muito próximo de uma base americana de testes nucleares. Para Brando muito provavelmente foi nesse local que John Wayne teria sido contaminado por depósitos de lixo nuclear (urânio), o que teria sido decisivo para o desenvolvimento do câncer que vitimaria o veterano ator anos depois. Brando afirmaria depois: "Não deixava de ser uma ironia o fato do grande defensor da indústria armamentista nuclear norte-americana ter sido morto justamente por ter sido contaminado por seu lixo deixado no local". Não era novidade para ninguém que ambos os atores se detestavam na vida pessoal, pois Brando era um típico liberal enquanto John Wayne era um defensor ferrenho dos ideais do partido Republicano, símbolo do conservadorismo nos Estados Unidos.

Deixando de lado todos esses problemas de egos tão comuns nos grandes atores de cinema, vamos ao filme em si. Como afirmei antes o filme tem uma estrutura comum e simples. O diretor Sidney J Furie não quis arriscar muito, até porque na época não passava de um novato com poucos filmes significantes no currículo. Trabalhar com Marlon Brando também não era nada fácil, pois o ator tinha um histórico de problemas com diretores nos sets de filmagens. A sorte de Furie foi que na ocasião Brando estava envolvido em tantos problemas pessoais que simplesmente não quis infernizar ainda mais sua vida com confusões de bastidores no set de filmagens.

Assim os trabalhos transcorreram sem grandes incidentes, tudo resultando em um filme que é um bom western, embora muito longe do que se esperaria de um gênio da atuação como Brando. Na realidade só existem dois bons momentos para Brando em toda a (curta) duração do filme. A cena inicial do filme, por exemplo, com Brando na Igreja, gera bons momentos ao roteiro, porém a melhor parte acontece depois quando Brando enfrenta o vilão Chuy Medina (interpretado por um irreconhecível John Saxon) na taberna. A queda de braço com escorpiões realmente foi uma excelente idéia, que casou muito bem com a proposta do filme que no fundo não passava de um Western de rotina com altas doses de Tequila. "Sangue em Sonora" não é nem de longe o mais brilhante momento do mito Brando nas telas nos anos 1960, mas mantém o interesse e diverte, o que no final é o que realmente importa.

Sangue em Sonora (The Appaloosa, Estados Unidos, 1966) Direção: Sidney J. Furie / Roteiro: James Bridges, Roland Kibbee / Elenco: Marlon Brando, Anjanette Comen, John Saxon / Sinopse: Matt Fletcher (Marlon Brando) chega em uma cidade perdida na fronteira entre EUA e México. Lá pretende encontrar com um amigo do passado que agora está casado e com família. Os eventos porém se interpõe em seu caminho o lançando em uma luta de proporções gigantescas com bandoleiros e patifes que infestam a região. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante (John Saxon).

Pablo Aluísio.

A Lenda do Cavaleiro Fantasma

Não é tão comum a simbiose de filmes com temática sobrenatural e westerns. Esse “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” se propõe a isso. O filme começa com uma família de pioneiros no meio do deserto. Surgindo no horizonte eles são atacados por um grupo de malfeitores que os atacam e cometem atos de barbaridade. O pai é logo morto de forma sádica, a mãe é estuprada e o filho mais velho (apenas um garotinho) é também assassinado de forma impiedosa pelo líder da gangue, Blade (Robert McRay). Após eles irem embora a mãe e sua filha, as únicas sobreviventes, chegam finalmente numa pequenina cidade no meio do deserto. Sedentas e arrasadas pelo ataque dos bandidos elas conseguem ajuda de um velho comerciante, dono de uma pequena mercearia, que infelizmente lhes avisam que o mesmo bando de Blade domina também a cidade, tendo eliminado o xerife e o juiz do local. Rezando por ajuda os moradores honestos acabam sendo atendidos com o surgimento de um cavaleiro misterioso que surge do nada, para enfrentar os facínoras que aterrorizam a todos os cidadãos.

“A Lenda do Cavaleiro Fantasma” então passa a usar a figura misteriosa desse cavaleiro que não fala, não mostra qualquer sinal de emoção ou interatividade. Com longos cabelos ao vento mais parece uma assombração do que qualquer outra coisa. O filme obviamente usa de todos os clichês do western, alguns de forma bem descarada, mas a despeito de tudo isso consegue ser eficiente, mantendo a atenção do espectador. Com duração curta, “A Lenda do Cavaleiro Fantasma” não chega a aborrecer em nenhum momento e ganha bastante com um roteiro enxuto, sem maiores delongas. A figura do cavaleiro fantasma deixa um pouco a desejar e em muitos momentos é mal aproveitada, surgindo em plena luz do dia, por exemplo, mas no saldo final até que vale a pena ver esse western sobrenatural. Arrisque!

A Lenda do Cavaleiro Fantasma (Legend of the Phantom Rider, Estados Unidos, 2002) Direção: Alex Erkiletian / Roteiro: Robert McRay / Elenco: Denise Crosby, Robert McRay, Stefan Gierasch / Sinopse: Cidade aterrorizada por um grupo de malfeitores se enche de esperança com a chegada de um misterioso cavaleiro errante que começa a defender os moradores das barbarides cometidas pelos bandidos.

Pablo Aluísio.