sábado, 8 de abril de 2006
Cine Western - Randolph Scott
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Cine Western - Gene Autry
Foram três décadas de grande sucesso. Autry surgiu no final dos anos 1930 e teve seu auge nas décadas seguintes onde literalmente fez de tudo: estrelou westerns de sucesso no cinema, gravou discos country, protagonizou programas de grande audiência na TV, apresentou programas de rádio e até virou personagem de histórias em quadrinhos. Soube comercializar muito bem seu nome e se tornou um dos homens mais ricos do show business americano.
No cinema foram 93 filmes ao total. É um dos poucos artistas a fazer parte das principais galerias da fama, sendo parte do Country Music Hall of Fame e do Hollywood Walk of Fame em todas as cinco categorias (cinema, TV, música, rádio e apresentações ao vivo). Até nome de cidade virou. O estado americano de Oklahoma o homenageou dando seu nome a uma das cidades. Maior prova de seu legado certamente não há.
O Melhor de Gene Autry:
Cavaleiros do Céu
Cidade Fantasma
Alma Intrépida
O Revólver de Prata
Chamas da Vingança
A Corrida do Diabo
Robin Hood no Texas
Almas Indomáveis
Pablo Aluísio.
Cine Western - Roy Rogers e Trigger!
Roy Rogers e seu famoso cavalo Palomino Trigger no pique de sua glória. O animal seria tão querido e estimado por Rogers que esse o teria empalhado após sua morte como uma homenagem ao seu trabalho ao lado do cowboy da sétima arte em tantos e tantos faroestes que fizeram a alegria da garotada da época.
Curiosamente o império financeiro que o ator criou em torno de si mesmo não teve longa duração. Quando ele morreu uma série de disputas judiciais envolvendo sua herança e o direito de licenciamento de produtos acabou nublando a marca Roy Rogers. Sem os filmes, que eram a maior locomotiva de publicidade de seus produtos, os brinquedos, quadrinhos e tudo mais envolvendo seu nome foram desaparecendo das lojas até que sumiram definitivamente após alguns anos.
A única coisa que pareceu ter sobrevivido aos anos foi o cavalo de Roy Rogers que foi empalhado. Por longos anos Trigger foi exposto em vários museus e feiras por todos os Estados Unidos. Depois ficou em exposição por longos anos no Roy Rogers and Dale Evans Museum em Branson, Missouri, até esse ser fechado em 2009. Em 2010 o animal empalhado foi colocado à venda pela prestigiada Christie’s, sendo vendido em leilão a um colecionador particular por U$385,000. Uma relíquia dos anos mais românticos do western americano. Hoje em dia a peça pertence a um colecionador particular
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 6 de abril de 2006
Cine Western - Os Comanches
Além de guerreiros por natureza os Comanches desde muito cedo dominaram a arte da cavalaria. Para um jovem Comanche o cavalo nada mais era do que uma extensão de seu próprio corpo. Formando grandes grupos de cavaleiros os Comanches logo dominaram vastas paisagens do interior americano, subjugando nesse processo vários outros povos nativos.
Envolvidos em vários conflitos nas chamadas grandes planícies, os Comanches acabaram sofrendo bastante em razão do grande número de mortos nesses conflitos. Quando o homem branco chegou na nova terra a situação se agravou pois logo surgiram os primeiros focos de conflito com o novo conquistador. As tropas da cavalaria do exército norte-americano logo provocoram grandes baixas no número de Comanches, uma situação que se refletiu no futuro pois atualmente existem pouco mais de 14 mil Comanches vivendo em reservas do governo.
Além das guerras outro fator contribuiu para o declínio da nação Comanche. Sua estrutura de poder era totalmente descentralizada onde um cacique geralmente tinha o pleno domínio de apenas alguns indivíduos. Em pouco tempo esse sistema acabou criando centenas de grupos independentes um dos outros, gerando inclusive conflitos entre eles mesmos. Dispersos, muitos se dedicaram então ao roubo de cavalos dos pioneiros que reunidos em bandos os caçavam como simples criminosos. Ao longo dos anos as guerras, os conflitos e a descentralização de poder entre eles os relegou a pequenos grupos dispersos. Esse realmente foi um povo que pagou um alto preço por sua bravura, independência e espírito guerreiro.
Pablo Aluísio.
Cine Western - Randolph Scott
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Cine Western - James Stewart - Terra Bruta
Algumas curiosidades sobre o filme:
a) Este foi um dos últimos filmes em que James Stewart usou seu velho chapéu de cowboy. Até este ponto, ele o tinha usado em todos os seus westerns desde "Winchester '73" (1950), com exceção de "Flechas de Fogo" (1950). Este foi o primeiro filme de Stewart com John Ford e o diretor considerava aquele "o pior chapéu de cowboy que já tinha visto na vida!" Stewart porém adorava aquele velho chapéu surrado e voltou a usá-lo mais uma vez em "O Homem Que Matou o Facínora" (1962).
b) Richard Widmark ficou relutante em fazer o filme, já que ele sentiu que tinha quinze anos a mais do que o personagem do jovem tenente do roteiro original.
c) Este filme marcou a última participação do ator cômico Edward Brophy no cinema. Ele morreria em 27 de maio de 1960, pouco tempo depois do final das filmagens.
d) James Stewart admitiu mais tarde que estava desapontado porque o lado escuro de seu personagem não foi explorado adequadamente no filme.
e) John Ford admitiu mais tarde que ele só tinha feito o filme por dinheiro, e sentiu que estava ficando "uma porcaria". Sua opinião não mudou mesmo depois que ele trouxe seu roteirista favorito, Frank Nugent, para reescrever todo o texto.
f) Fracasso comercial e de crítica, o resultado ruim do filme foi em grande parte atribuído à idade mais avançada dos atores, uma vez que James Stewart, aos 52 anos, e Richard Widmark, aos 45 anos, estavam ambos muito mais velhos do que seus personagens.
g) Filmado em 1960, não foi lançado até 1961.
h) O filme foi amplamente considerado como uma variação pouco inspirada do anterior de John Ford, "Rastros de Ódio" (1956).
i) Richard Widmark e James Stewart ambos usaram perucas, e ambos tinham problemas de audição . Em um ponto durante as filmagens John Ford gritou: "Ótimo, então é isso a que minha carreira chegou - dirigir dois apliques surdos!" .
j) De acordo com Peter Bogdanovich em "Pieces of Time" Widmark afirmou que ele tinha se divertido mais neste filme do que em qualquer outro de sua carreira. O ator contou uma piada sobre as filmagens: "Eu sou um pouco surdo desse ouvido... e Ford era um pouco surdo no outro! Já Jimmy tinha dificuldade de audição em ambos! ... Então, tudo se resumia a três caras nas filmagens falando uns para os outros: "O quê? O quê? O quê?"
Pablo Aluísio.
Cine Western - Enterrem Meu Coração na Curva do Rio
Esse clássico da literatura do Estados Unidos, escrito por Dee Brown, conta a verdadeira história da conquista do velho oeste. É a verdadeira face da chegada do homem branco em terras que pertenciam a nações de nativos, índios que viviam naquelas planícies há séculos. E essa não foi uma história de heroísmo como se vê em tantos filmes antigos de western. Na realidade o que se passou foi uma história de conquista violenta, sangue e muitas vezes desonra.
O livro narra uma série quase interminável de tratados que os homens brancos firmaram com os índios e a sistemática quebra desses mesmos tratados. É fato histórico que os nativos foram enganados, enganados e sempre enganados. Mal um tratado era assinado e selado uma paz, logo ele era desrespeitado pelos colonizadores brancos. Uma coisa desonrosa, uma amostra que muitos pioneiros que foram para o oeste não tinham honra nenhuma, não cumpriam sua palavra.
E diante dessa situação a guerra se tornou inevitável. Afinal os índios cansaram e partiram para o campo de batalha, mesmo que não tivessem nem a tecnologia e nem a quantidade de homens suficientes para isso. Inicialmente eu pensei que esse seria um livro com um certo tom poético, bem subjetivo, narrando a história de sofrimento dos índios americanos. Mas estava parcialmente equivocado. Esse livro é bem objetivo, histórico, registrando os eventos vergonhosos que os brancos protagonizaram na tomada de terras que nunca havia lhes pertencido. Como eu frisei no texto, essa é uma história da desonra dos primeiros brancos que chegaram nas terras do velho oeste dos Estados Unidos.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 4 de abril de 2006
Cine Western - Gary Cooper
E foi em um western, numa participação não creditada de um filme estrelado por Tom Mix, que Cooper começou sua escalada ao sucesso. Como tinha jeito e postura de cowboy a Paramount assinou um contrato com ele. No começo Cooper se limitou a fazer figurações ou personagens secundários. O importante era trabalhar e ficar sempre na espera de uma grande oportunidade. E ela veio através de “Wings” (1927) o primeiro filme a ser premiado com o recém criado prêmio da Academia que ficaria conhecido anos depois como Oscar! Ele não era o principal nome do elenco mas conseguiu chamar a atenção. Em seguida veio outra boa oportunidade rumo ao estrelado, o faroeste “Nevada”, onde Gary Cooper pela primeira vez surgia como a estrela principal do filme. Sua presença nesse faroeste baseado numa novela famosa de autoria de Zane Grey abriu definitivamente as portas do primeiro time de atores de Hollywood para Cooper. No alvorecer da década de 1920 estrelou outro grande sucesso, outro western, “The Virginian” que também contava no elenco com outro ator que iria virar astro dos filmes de cowboys nos anos seguintes, o carismático Randolph Scott.
A partir desse ponto não houve mais atropelos na carreira de Gary Cooper. Ele estrelou sucessivos sucessos na década de 1930 tendo se destacado em filmes maravilhosos como “Adeus às Armas”, “Lanceiros da Índia”, “O Galante Mr Deeds” e “As Aventuras de Marco Pólo”. No final da década recusou o papel de Rhett Butler em “O Vento Levou” por não acreditar no filme. Chegou ao ponto de declarar que a produção provavelmente seria um fiasco e que não estava disposto a arriscar sua carreira naquele papel. Foi um erro que se arrependeria muito depois. Três anos após cometer essa bobagem ele se redimiria em parte ao estrelar o enorme sucesso “Sargento York”, um grande recordista de bilheteria que pretendia repetir o êxito de “E o Vento Levou”. Depois conseguiu outro enorme sucesso de público e crítica em “Por Quem os Sinos Dobram”, filme baseado no romance do grande autor Ernest Hemingway. Por essa época Gary Cooper ultrapassou seu rival Clark Gable na pesquisa anual de popularidade feita por donos de cinema ao redor dos EUA. O prêmio o colocava como o ator número 1 da América e comercialmente o reconhecimento valia mais do que o próprio Oscar. A fase maravilhosa foi coroada no western psicológico “Matar ou Morrer” que lhe valeu a estatueta da Academia. Aqui Gary Cooper interpretava um xerife que enfrentava sozinho um grupo de bandidos. A cidade, em um ato de hipocrisia simplesmente o deixava abandonado à própria sorte. Ao lado de Grace Kelly ele brilhou no papel naquele filme que é considerado a maior obra prima de toda a sua filmografia.
Após duas décadas figurando entre os mais populares do cinema, Gary Cooper finalmente começou a sentir o peso da idade chegando. Durante as filmagens de “Sangue na Terra” sentiu-se mal pela primeira vez em um set de filmagens. As locações no México eram complicadas e o clima hostil. Cooper conseguiu terminar o western à duras penas, retornando aos EUA exausto e doente. Apesar da saúde delicada não procurou ajuda médica. Seguiu em frente pois não parava de trabalhar. O ator que realizou 115 filmes ao longo da carreira não admitia ficar na ociosidade. Quando não havia nada de muito interessante no horizonte ele assinava contrato com a Warner para rodar algum western de orçamento modesto simplesmente para não ficar parado. Era um workaholic assumido. “Vera Cruz” seguiu esse caminho. Era um western sem um grande roteiro, bem violento e centrado em muita ação. Cooper aceitou a proposta de realizar o filme, mesmo em locações distantes (novamente no México). Para sua surpresa o filme caiu no gosto popular e se tornou um de seus maiores sucessos de bilheteria. O profissional estava em uma outra boa fase de sua vida, já o homem começava a fraquejar. Gary Cooper só teria mais alguns anos de vida depois desse filme.
Em seus últimos anos o ator se envolveu em filmes menores mas que não deixavam de ser interessantes. Dessa fase final se destacam “A Árvore dos Enforcados”, um excelente faroeste, e “O Navio Condenado” onde atuou ao lado do colega e amigo Charlton Heston. Seu último filme foi “A Tortura da Suspeita”, uma produção menor, sem muita repercussão. Sempre trabalhando, viajando de um lugar ao outro do país, Gary Cooper negligenciou sua saúde. Quando foi diagnosticado com câncer de próstata já era tarde demais. Católico, sabia que sua hora estava chegando. Ainda recebeu uma última homenagem da Academia mas não havia como comparecer à cerimônia, pois estava muito abatido e doente. Ele morreu em 13 de maio de 1961, poucos dias depois de completar 60 anos de idade. Seu legado para a história do cinema foi maravilhoso. Em 1966, cinco anos após sua morte, o ator entrou para Hall da fama do Western Performers, um prêmio especial dado pelo National Cowboy & Western Heritage Museum de Oklahoma City, Oklahoma. Um reconhecimento mais do que merecido. Gary Cooper é até hoje considerado um dos grandes mitos da sétima arte em todos os tempos.
Pablo Aluísio.
Cine Western - Randolph Scott: A Film Biography
O texto vai direto no ponto, mas apresenta detalhes técnicos de praticamente todos os filmes do ator. Intercalando tudo temos, como já dito, excelente registro fotográfico de Randolph Scott, quase sempre em atuação, em cena, nos seus memoráveis filmes de western. Assim se torna muito prazeroso a leitura da obra. O livro é bem em conta, nada caro, e pode ser encontrado à venda em sites da internet. São mais de 300 páginas para deleite dos fãs de Scott.
E aqui vão alguns números sobre a carreira do ator. Ele atuou em 109 filmes. O primeiro filme de sua carreira foi "Rumo ao Amor" de 1928. O último foi "Pistoleiro do Entardecer" de 1962. Ele também foi produtor de seus filmes, o que lhe rendeu milhões de dólares em lucros. No final de sua vida ele curtiu uma aposentadoria tranquila. Comprou e abriu campos de golfe (sua paixão nos esportes) e ficou ainda mais rico com esse investimento no mundo dos esportes. Sua companhia cinematográfica atuou até praticamente a década de 1980. Seu filho assumiu o comando dos negócios. O ator morreu em 2 de março de 1987, aos 89 anos de idade.
Infelizmente como quase sempre acontece nesse tipo de material, não existe ainda uma edição nacional, com texto em português. É lamentável, mas os editores brasileiros ainda não se deram conta da importância desse tipo de livro na coleção de nossos cinéfilos. De uma forma ou outra, fica a dica para você que é fã de western e admirador desse ator símbolo do gênero.
Randolph Scott: A Film Biography / Autor: Jefferson Brim Crow / Editora: Empire Pub / Data da primeira edição: 1994
Pablo Aluísio.
domingo, 2 de abril de 2006
Filmografia Comentada: Clint Eastwood
Meu Nome é Coogan
"Meu Nome é Coogan" é um dos filmes mais curiosos da filmografia de Clint Eastwood. Aqui ele interpreta um assistente de Xerife do Arizona que vai até Nova Iorque trazer um prisioneiro sob custódia. O roteiro se baseia justamente no choque cultural entre o sujeito durão, red neck do interior, e a grande cidade e seus costumes modernos, com resquícios ainda da geração Hippie (entenda-se muita amor livre, drogas e promiscuidade, como convém ao clima ideológico reinante dentro dos jovens rebeldes da década de 1960). O roteiro obviamente brinca com a imagem de Eastwood de seus famosos faroestes e tenta tirar humor em cima da diferença de personalidade entre o sujeito austero e conservador com o ambiente liberal da cidade grande. O enredo poderia render muito mais na minha opinião mas em seus 90 minutos vamos acompanhando muita perda de potencial do filme, justamente porque os roteiristas insistiram em criar um romance pouco convincente entre Clint e uma psicóloga (interpretada pela atriz Susan Clark). Isso quebrou a coluna dorsal do filme pois o aspecto policial foi bastante prejudicado pelo quebra de ritmo do romance bem no meio da trama. Embora não seja um western Clint Eastwood repete seus personagens dos filmes de faroeste, só que aqui a ação obviamente se desloca para uma Nova Iorque sufocante, dos tempos atuais. A direção de Don Siegel se perde um pouco por causa dessa indecisão do roteiro pois o filme não se decide em ser um filme de ação ou um romance mostrando a diferença de costumes do casal. Uma hora o filme se torna ágil e rápido para depois cair em cenas absurdamente chatas e arrastadas. Enfim, "Meu Nome é Coogan" é um bom policial com jeitão de western mas seguramente poderia ser bem melhor se não tivessem apelado tanto para o namorico de fotonovela do personagem principal.
Punhos de Aço - Um Lutador de Rua
Depois de interpretar pistoleiros mal encarados em desertos inóspitos e de viver Dirty, o sujo, em vários filmes de sucesso comercial, Clint Eastwood resolveu dar uma suavizada na sua imagem. Ainda seria durão em filmes como esse mas agora tudo seria temperado com boas doses de humor e diversão. Esse "Punhos de Aço" segue bem a linha de seu predecessor, "Doido Para Brigar, Louco Para Amar". Aqui Clint repete o papel do caminhoneiro Philo, um cara durão que ganha a vida lutando em brigas de rua onde todos apostam, desde policiais a milionários e donas de casa. O diferencial é que Philo ainda mora com a mãe, tem um macaco de estimação, Clyde (responsável por vários momentos de humor durante o filme) e uma namorada cujo relacionamento nunca sai do "chove mas não molha". O tom do roteiro é de chanchada mesmo, onde todos são propositalmente caricaturais, inclusive os vilões. Com trilha musical country esse filme tem um atrativo para quem gosta da história do rock: a presença muito especial de Fats Domino, que canta em um bar de beira de estrada. Enfim, Punhos de Aço é diversão descompromissada para assistir sem levar nada à sério. Vale pela curiosidade de ver Clint Eastwood em um papel totalmente soft e familiar.
Bronco Billy
Bronco Billy é basicamente uma homenagem a três coisas. Primeiro é uma homenagem ao mundo do circo, à vida daqueles que ganham seu sustento trabalhando cidade após cidade, levando esse secular entretenimento aos lugares mais remotos. Clint Eastwood não esconde que de certa forma homenageia aqui o famoso Buffalo Bill que fez fama e fortuna com seu show itinerante do velho oeste no começo do século passado (Buffalo Bill tem inclusive um ótimo filme enfocando sua vida, estrelado por Paul Newman). Outra homenagem que Clint faz com seu filme é em relação à mitologia do western. Ele brinca com sua própria imagem de cowboy no cinema. Achei excelente esse bom humor por parte dele em se auto parodiar. Por fim, e o mais importante, Clint homenageia o direito de cada um realizar seus sonhos. A cena que define Bronco Billy é aquela em que o personagem de Clint explica para sua companheira que ele tinha sido a vida inteira um mero vendedor de sapatos da cidade grande até que um dia resolveu largar tudo para correr atrás de seus sonhos. No caso o sonho que ele almejava desde a infância era a de ser um cowboy de verdade (igual aos que via no cinema quando criança). Eu achei tão lírica essa situação que valeu pelo filme inteiro. Enfim, ótima diversão para todas as idades e que mostra bem que o talento de Clint Eastwood como cineasta vem de longe!
Magnum 44
Estou fazendo uma retrospectiva dos filmes de Clint Eastwood. Nesse fim de semana revi Magnum 44, segundo filme da série com o personagem Dirty Harry, o policial durão que não leva desaforos para casa A trama do filme é até simples: um grupo de policiais novatos na força se une para limpar as ruas de San Francisco com suas próprias mãos. Dirty Harry então tenta combater a corrupção policial. Algumas coisas me chamaram a atenção. Se no primeiro filme Harry, o Sujo, era o justiceiro, aqui na sequência ele luta contra o esquadrão da morte formado dentro de sua corporação. Não deixa de ser muito irônica a premissa do roteiro que coloca Harry combatendo colegas de farda que no fundo estão agindo de acordo com o seu próprio modo de pensar. Talvez os produtores tenham sentido as críticas contra o primeiro filme e colocaram o personagem de Clint Eastwood no outro lado da balança nessa continuação. Aqui ele combate justamente o que ele próprio defendia indiretamente em "Perseguidor Implacável". Outro fato curioso: os vilões do filme são patrulheiros, usam capacete e roupas praticamente idênticas às usadas pelo vilão ciborgue de "Exterminador do Futuro 2", inclusive várias cenas de perseguição nas ruas de San Francisco me lembraram imediatamente do filme de James Cameron. Teria sido Plágio? Pode ser, mais um na longa lista de plágios de Cameron, que já havia sido acusado de se apropriar de ideias alheias em seu filme de maior sucesso, "Avatar". Mas não é só ele que andou roubando argumentos desse filme. Uma cena, de Dirty Harry em um pequeno mercadinho, me lembrou também muito de uma das sequências mais famosas de "Stallone Cobra". Pois é, no mundo do cinema parece que nada se cria, tudo se recicla. Todos esses exemplos mostram como Dirty Harry virou paradigma dos filmes policiais até os dias atuais. Eu atribuo isso ao fato do personagem ser na realidade um justiceiro, como àqueles que vemos nos filmes de western, o que acaba saciando, mesmo que no mundo da ficção, a sede de justiça da sociedade moderna.
A Marca da Forca
Jed Cooper (Cint Eastwood) é confundido com um criminoso sendo espancado e linchado por um xerife corrupto e seu bando. Tempos depois retorna ao mesmo local para acertar as devidas contas entre eles. Eu costumo dizer que só dois atores garantem qualidade em seus filmes de western. Um é John Wayne. O outro é Clint Eastwood. Simplesmente não existem filmes com eles do gênero faroeste que sejam ruins. Todos são no mínimo bons, quando não são excepcionais. Esse "A Marca da Forca" é um exemplo claro dessa afirmação. Gosto muito dos antigos westerns da carreira do Clint. Nos anos 60 e 70 Clint estrelou uma série de ótimos filmes, quase sempre fazendo o mesmo papel, o do pistoleiro misterioso e de poucas palavras, que surge do nada e da mesma forma some ao final do filme. Esses personagens enigmáticos porém sempre tinham um passado por trás e nunca iam a essas cidades perdidas do velho oeste sem um objetivo em mente. Geralmente no decorrer do filme o espectador ia aos poucos entendendo o que ele fazia ali e quais eram seus propósitos. Clint Eastwood, com olhar de pedra encontrou seu veículo ideal nesse tipo de produção. A fórmula era certa e Clint colecionou uma série de sucessos de bilheteria assim. Esse aqui segue basicamente essa linha embora tenha diferenças. Clint ainda continua durão mas o roteiro abre algumas concessões. Ao ler a sinopse a pessoa pode ser levada ao erro de pensar que tudo não passa de um acerto de contas entre ele e os vilões que tentaram lhe enforcar no começo do filme. Pois acredite, o filme tem um bom subtexto sobre a questão de se fazer justiça com as próprias mãos e até abre espaço para algumas cenas de romance com o personagem de Eastwood! Tudo isso porém não alivia e nem tira o filme de seu foco principal, o de ser um bang bang à moda antiga, com muitos tiroteios, enforcamentos e socos! Em essência é um legítimo western da primeira fase da carreira de Clint. Se você gosta não vai se arrepender.
Perseguidor Implacável
Um dia antes do assassinato do cartunista Glauco eu assisti o primeiro filme da série Dirty Harry, que no Brasil se chamou Perseguidor Implacável. O filme, um policial eficiente, sempre foi polêmico por causa de seu subtexto. Basicamente ele prega a ineficiência do sistema jurídico e a vingança olho por olho, dente por dente, como uma forma de saciar a sede de justiça da sociedade. A morte de Glauco pelas mãos de um jovem de classe média alta de São Paulo, que está foragido e que muito provavelmente terá uma defesa de primeira linha, com ótimos advogados, vai levantar novamente esse tema para o dia a dia das pessoas. Afinal, a chamada Justiça realmente promove justiça e pune os crimes de forma adequada ou teremos que voltar ao velho esquema da justiça privada, feita pelas próprias mãos? Para Dirty Harry tudo é muito simples, basta empunhar sua Magnum 44 e mandar fogo em cima dos meliantes. Fácil, rápido e eficaz; Em determinada cena do filme Harry se irrita quando o comissário de polícia lhe avisa que a prisão que ele fez era completamente ilícita e que não teria valor jurídico, o que iria ocasionar a soltura do criminoso, que assim estaria de volta às ruas. O problema nasceu porque o detetive interpretado por Clint Eastwood havia invadido um local sem mandado judicial, ele simplesmente arrebentou as portas e foi lá pegar o bandido. Como prega o direito dos países ocidentais não se pode invadir um local sem autorização judicial. Para o cidadão comum isso não passa de uma firula jurídica, até porque no final tudo não deu certo? Harry não prendeu o Serial Killer? Bom, essa visão simplista não iria valer se o local invadido fosse sua própria casa, não é mesmo? É isso, as pessoas de uma forma em geral não conseguem entender que todos esses direitos e garantias individuais servem para proteger o cidadão do próprio Estado, que sem nenhum tipo de norma que regulasse o seu poder iria obviamente abusar do mesmo. Assim nos próximos meses prevejo o tema novamente na boca do povo, com todos indignados pelos direitos que serão aplicados em relação ao assassino de Glauco. Para muitos seria muito melhor que ele fosse vingado, linchado em praça público, ou então que algum justiceiro como Dirty Harry desse cabo dele de uma vez por todas. Na mente de muitos basta uma bala para resolver tudo. As pessoas geralmente confundem vingança com justiça. Isso pode até mesmo dar certo em um filme policial mas na vida real tenho certeza que ninguém gostaria de ter sua vida nas mãos de um Dirty Harry da Polícia brasileira.
O Desafio das Águias
General americano é feito prisioneiro por tropas alemãs. O alto oficial tem conhecimento dos planos aliados para o desembarque do dia D. Temendo que sob tortura ele revele esses planos uma equipe de elite do exército inglês é enviado com a missão de resgatá-lo de uma fortaleza quase inexpugnável onde ele é feito prisioneiro. Juntar o veterano Richard Burton ao jovem Clint Eastwood em um filme que une II Guerra Mundial e contra espionagem parece, a priori, uma ótima ideia. Foi justamente isso que o diretor Brian G. Hutton fez no finalzinho dos anos 60 com esse "O Desafio das Águias". O filme é ágil (apesar da duração) e mantém um bom nível nas diversas cenas de ação. Embora haja uma interessante subtrama de espionagem envolvida no roteiro o que dá o tom aqui realmente são as cenas de batalha, sabotagem e alpinismo. O filme em nenhum momento nega seu objetivo de ser um entretenimento de bom nível apenas. Em uma época em que os efeitos visuais eram primitivos, as cenas no teleférico da base alemã nos alpes impressiona. Embora o uso de back projection seja claro se percebe também que os dublês realmente ficaram pendurados por lá em diversos momentos, o que demonstra como eram bons em suas funções. Curioso entender que "O Desafio das Águias" faz parte da última geração de filmes de guerra aonde não se discutia ou se colocava em debate os problemas que conflitos como esse causavam. De certa forma os filmes de guerra mudariam radicalmente com o lançamento de "Apocalypse Now" alguns anos depois. Ao invés de simples filmes de ação as produções desse gênero iriam ser bem mais psicológicas, nada ufanistas ou patrióticas. Tudo iria desandar no chamado círculo do Vietnã com filmes que iriam invadir as telas na década de 80. Nesse aspecto não procurem nada parecido aqui em " Where Eagles Dare" pois o filme é pura diversão escapista apenas. Se o roteiro não inova o elenco pelo menos é de primeira linha. Richard Burton, já envelhecido e com olhos de ressaca (seu alcoolismo só aumentou ao longo dos anos) consegue dar conta do recado, apesar de estar visivelmente fora de forma. Já Clint Eastwood mostra porque iria se tornar um dos grandes astros de Hollywood. Jovial, com vasta cabeleira e pinta de durão o futuro Dirty Harry não economiza nas balas e nas porradas, ambas distribuídas fartamente ao longo do filme. Enfim, "Desafio das Águias" é indicado para apreciadores de filmes de guerra bem movimentados, com fartas doses de ação e que não se importem com um ou outro furo do roteiro. Faz parte de uma linda de produção que estava chegando ao fim. Filmes de guerra com muita ação e só. Se isso faz seu gosto pessoal procure assistir, não vai se arrepender.
Coração de Caçador
Um diretor excêntrico leva toda uma equipe de cinema de Hollywood para a África onde pretende rodar um filme de sucesso para pagar seus inúmeros credores. Chegando no continente selvagem ele se torna obcecado em caçar um elefante africano nas extensas savanas da região. O filme foi baseado numa história real. O diretor de cinema que Clint Eastwood interpreta é na realidade o famoso John Huston e o filme que eles tentam concluir é na verdade o clássico "Uma Aventura na África" com Katherine Hepburn e Humphrey Bogart. De tão conturbadas essas filmagens na África selvagem entraram para a mitologia de Hollywood. O roteirista do filme escreveu seu próprio diário das filmagens que acabaria dando origem a um popular romance (do qual esse filme é baseado). Até mesmo Katherine Hepburn resolveu colocar no papel todas as aventuras que passou ao lado de Huston. Material do que se passou realmente não falta. Para quem não sabe John Huston foi um dos maiores diretores da era de ouro do cinema americano. Gênio na direção era também um cineasta complicado de se lidar. Geralmente comprava brigas com produtores e estúdios e colocava seu elenco em situações de saia justa durante as filmagens. Huston colecionou tantos sucessos como inimizades no meio e por isso era uma personalidade controvertida. Mais de uma vez largou um filme pela metade e abandonou tudo sem maiores explicações. Seus projetos inacabados são geralmente citados em várias passagens da história de Hollywood. "Adeus às Armas" é um exemplo disso. Um belo dia se encheu das exigências do estúdio, pegou seu chapéu e simplesmente foi embora sem dar satisfação. Geralmente era processado depois, perdia fortunas em indenizações mas não mudava seu jeito de ser. Se auto denominava um autêntico artista e odiava os aspectos comercias de seus filmes. Coração de Caçador é seguramente um dos filmes mais inspirados do cineasta Clint Eastwood, um inteligente exercício de metalinguagem que passeia pela história do cinema americano. Também é sua homenagem muito particular a John Huston, diretor que ele sempre admirou e procurou seguir seus passos. Clint certamente aprendeu muito com o mestre. Sua direção aqui é um exemplo, firme, segura e muito correta mas não é só. Quem acha que Eastwood é um ator limitado, de poucas caracterizações, precisa ver o filme para assistir uma de suas melhores interpretações. Compondo um tipo bem diferente do habitual Clint traz de volta à tona todas as nuances de John Huston: suas excentricidades, seu jeito despojado de ser e sua incrível sede de viver intensamente. Recentemente vi cenas de Huston captadas por membros de sua equipe dentro dos sets de filmagens. Basta assistir a essas imagens para entender como Clint foi feliz em sua caracterização. Até nos pequenos gestos, no cigarro eternamente acesso no canto da boca, no olhar fixo e penetrante, Clint recriou a personalidade de John Huston com extrema fidelidade. Enfim, "White Hunter, Black Heart" (Caçador Branco, Coração Negro) é seguramente uma das melhores obras da filmografia de Clint Eastwood. Uma homenagem mais do que sincera de um cineasta para outro. Simplesmente imperdível.
Cartas de Iwo Jima
Clint Eastwood foi extremamente ousado ao iniciar um projeto que daria origem a dois filmes sobre a II Guerra Mundial em 2005. O primeiro filme se chamaria "A Conquista da Honra" e se focava bastante no lado americano do conflito. A segunda produção seria essa, "Cartas de Iwo Jima", mostrando o lado japonês de uma das batalhas mais sangrentas da guerra. Iwo Jima era uma pequena ilha vulcânica no meio do Pacífico considerada naquele momento histórico como a "porta de entrada" para a invasão americana ao Japão. Era a ante sala de uma enorme invasão das tropas aliadas nas duas ilhas principais do império japonês, por essa razão a batalha foi das mais aguerridas e sangrentas de todo o conflito. Não havia a possibilidade do exército do imperador abrir mão de um território tão vital como aquele. O roteiro foi baseado em uma publicação que compilava cartas do general Tadamichi Kuribayashi. O curioso desses relatos que sobreviveram ao conflito é que mostram um militar de alta linhagem que a despeito de toda a hierarquia e rigidez de sua patente não conseguiu esconder o lado humano daquela tragédia que iria se abater sobre suas tropas. Seu relato é de ansiedade mas também de realismo pois sabia que seria quase impossível deter a invasão e a conquista do local. Como sabemos dentro daquele contexto a derrota militar era vista com uma carga de desonra pessoal tão profunda que muitos preferiam se matar do que voltarem derrotados para o Japão. O general sabia que se falhasse não iria sobreviver à luta. "Cartas de Iwo Jima" foi recebido com certa má vontade por alguns veteranos americanos. Não era para menos. Eles se ressentiram pelo fato de um filme americano, dirigido por um americano ter que retratar justamente as tropas inimigas, sob seu ponto de vista. Esqueceram que esse foi um dos aspectos que Clint Eastwood mais prezou em seu projeto que era justamente mostrar os dois lados do mesmo conflito. O resultado provou-se melhor do que em "A Conquista da Honra". O material era melhor e o filme conta com um excelente elenco. Além disso aqui Clint não precisou se preocupar com o lado da patriotada americana que sempre está presente nesse tipo de filme. Mais solto o cineasta conseguiu um lado mais humano bem mais presente do que em seu outro filme. Todos os personagens são muito humanos, sem a necessidade de posarem de heróis ou símbolos da pátria. No saldo final temos um dos melhores trabalhos já realizados mostrando o dia a dia, o cotidiano e as angústias das tropas japonesas naquela pequena ilha perdida que quase ninguém realmente queria mas que não poderiam se dar ao luxo de perdê-la. Aula de história e humanismo que não se aprende na escola.
O Estranho Sem Nome
Um cavaleiro errante (Clint Eastwood) chega na pequenina cidade de Lago. Hostilizado por alguns moradores locais acaba tendo que usar de sua habilidade no gatilho. Após matar 3 deles é convidado para defender a cidade de um grupo de malfeitores que ao saírem da prisão tinham jurado vingança contra àqueles que os mandaram para atrás das grades. O estranho aceita defender Lago desses bandidos mas começa a abusar de sua nova posição, enfrentando as autoridades locais e exigindo que se cumpra suas ordens, algumas bem estranhas, como pintar toda a cidade de vermelho, por exemplo. “O Estranho Sem Nome” é um belo registro do talento de Eastwood como cineasta. Assumindo a direção pela terceira vez em sua carreira ele mostra muita firmeza no desenrolar da estória, criando inclusive todo um clima misterioso e enigmático sobre a verdadeira identidade de seu personagem. Clint Eastwood se mostra muito habilidoso ao manipular e tirar o melhor proveito de alguns dos símbolos mais caros à mitologia do western. Por exemplo a figura do cavaleiro errante, solitário, que chega num pequeno local para impor justiça ou então promover sua vingança pessoal. O pistoleiro rápido e invencível no gatilho também está presente, além do suspense e tensão que rondam a chegada de um bando de facínoras na cidadela. Clint usa de todos esses elementos com elegância e nunca perde a mão no filme. Alguns poderiam até dizer que são meros clichês mas o fato é que sob o comando de Eastwood tudo soa como novo e impactante. Tem que realmente ser muito inventivo para conseguir algo assim – e Clint certamente conseguiu. “O Estranho Sem Nome”, um faroeste de primeira linha, merece ser revisto sempre que possível e mais ainda pelos fãs de Eastwood, aqui em plena forma.
Por Um Punhado de Dólares
Esse é um dos grandes clássicos do chamado western spaghetti. O termo que pode até soar engraçado hoje em dia se refere aos faroestes produzidos e rodados na Itália com atores e equipe técnica daquele país, muitas vezes usando pseudônimos americanizados. Como se sabe o Western é um gênero tipicamente norte-americano pois o tema central é justamente a conquista do oeste daquela nação. Os italianos porém não se importaram muito com esse detalhe e a partir da década de 60 intensificaram a produção desse tipo de filme. Além da nacionalidade outras características distinguem bem os filmes italianos dos americanos. A ação é bem mais incessante, não há muita preocupação com roteiros bem elaborados e as interpretações tendem ao exagero, com vilões cartunescos e muita violência. Esse "Por Um Punhado de Dólares" tem tudo isso mas também é uma fita diferenciada. Essa singularidade tem nome: Sergio Leone. Cineasta talentoso, hábil, ele mostra nesse filme porque ainda hoje é um considerado um dos grandes mestres do cinema. O uso de tomadas ousadas, cenas com muito clima e detalhes, além da combinação muito bem realizada entre trilha sonora e ação fizeram toda a diferença do mundo. As cenas de violência não são ainda tão bem elaboradas como às que veríamos em futuros trabalhos assinados pelo diretor mas aqui já há nitidamente um esboço de seu estilo e forma de trabalhar. O roteiro simplório não impede que Leone consiga mostrar grandes feitos em sua direção. O próprio duelo final é um exemplo, com ótima edição e enquadramento. Para coroar ainda mais esse faroeste temos a presença de um dos grandes atores desse gênero: Clint Eastwood. Aqui ele interpreta o pistoleiro sem nome que chega numa cidadezinha empoeirada no meio do deserto. O local é disputado por dois grupos rivais, ambos violentos e extremamente armados. O personagem de Eastwood então resolve tirar proveito dessa rivalidade. O que se sucede são muitos tiroteios, duelos e cenas de ação bem ao estilo do western spaghetti. A trilha sonora de Ennio Morricone pontua cada cena, cada tensão, cada troca de tiros. Parece ser onipresente. A conclusão que se chega ao final de sua exibição é que embora muitos aspectos do filme estejam datados e ultrapassados ele ainda resiste como um excelente exemplo do tipo de cinema que se realizava na Itália durante a década de 60. Além disso é um ótimo testemunho do talento de Sergio Leone, um diretor de muito tato e inspiração.
Pablo Aluísio.











