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terça-feira, 6 de outubro de 2026

O Estranho que Nós Amamos

Título no Brasil: O Estranho que Nós Amamos
Título Original: The Beguiled
Ano de Lançamento: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: The Malpaso Company / Universal Pictures
Direção: Don Siegel
Roteiro: Albert Maltz e Irene Kamp, baseado no romance The Beguiled, de Thomas Cullinan
Elenco: Clint Eastwood, Geraldine Page, Elizabeth Hartman, Jo Ann Harris, Darleen Carr, Mae Mercer, Pamelyn Ferdin e Melody Thomas Scott.

Sinopse: 
Durante a Guerra Civil Americana, John McBurney, um soldado da União ferido, é encontrado por uma jovem e levado para um internato feminino localizado em território confederado. A diretora Martha Farnsworth decide acolhê-lo e permitir que as mulheres da instituição cuidem de seus ferimentos, apesar do risco de esconder um inimigo. Enquanto se recupera, McBurney percebe que sua presença provoca uma forte reação entre as mulheres isoladas naquela casa. Ele passa a conquistar a simpatia de Martha, da professora Edwina e das jovens que vivem no internato, utilizando seu charme para obter proteção e vantagens. Aos poucos, porém, o ambiente torna-se cada vez mais tenso, com ciúmes, rivalidades e ressentimentos surgindo entre elas. McBurney acredita que consegue controlar a situação, mas sua manipulação acaba provocando consequências inesperadas. O que começa como uma história de sobrevivência transforma-se em um perigoso jogo psicológico, no qual o soldado ferido passa de protegido a prisioneiro.

Comentários: 
O Estranho que Nós Amamos é um dos filmes mais diferentes da parceria entre Clint Eastwood e Don Siegel e ocupa uma posição bastante particular dentro da carreira do ator. Em vez do western tradicional ou do policial de ação, Eastwood interpreta John McBurney, um homem ferido, manipulador e moralmente ambíguo. Don Siegel utiliza o isolamento do internato para criar uma atmosfera de tensão crescente, fazendo com que quase toda a ação aconteça em um espaço limitado e aparentemente protegido. Geraldine Page apresenta uma atuação intensa como Martha Farnsworth, enquanto Elizabeth Hartman interpreta Edwina, uma personagem que desenvolve sentimentos cada vez mais fortes pelo soldado. Jo Ann Harris também se destaca como Carol, contribuindo para o clima de competição e desconfiança que domina a narrativa. A fotografia de Bruce Surtees e a trilha sonora de Lalo Schifrin reforçam o caráter sombrio da produção. 

A recepção inicial foi bastante dividida, mas o filme ganhou uma reputação muito mais favorável com o passar dos anos. A obra chegou a ser vista inicialmente como um thriller incomum e provocador, mas avaliações posteriores passaram a reconhecer sua complexidade psicológica e sua atmosfera de suspense. O filme também foi importante por marcar a terceira colaboração entre Eastwood e Siegel, depois de Meu Nome é Coogan e Os Abutres Têm Fome, e antes de Perseguidor Implacável e Fuga de Alcatraz. Hoje, The Beguiled é frequentemente considerado um dos trabalhos mais interessantes e subestimados de Siegel. Sua combinação de guerra, drama psicológico, suspense e relações de poder faz com que a história permaneça perturbadora mesmo décadas depois. Clint Eastwood também demonstra aqui uma faceta diferente de sua persona cinematográfica, interpretando um personagem que não pode ser simplesmente classificado como herói. O filme acabou ganhando status de cult e continua despertando interesse entre admiradores do ator, do diretor e do cinema americano dos anos 1970.

Pablo Aluísio e Erick Steve.