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sábado, 3 de outubro de 2026

Unabomber

Unabomber
Unabomber (Estados Unidos, 2026) é um drama criminal da Netflix inspirado na história real de Ted Kaczynski, o homem que ficou conhecido como Unabomber depois de realizar uma longa campanha de atentados com cartas-bomba nos Estados Unidos. Dirigido por Janus Metz Pedersen e escrito por Sam Chalsen e Nelson Greaves, o filme estreou mundialmente na Netflix em 25 de setembro de 2026 e tem aproximadamente 1 hora e 40 minutos de duração. A produção apresenta Jacob Tremblay como o jovem Ted Kaczynski, enquanto Russell Crowe interpreta o professor de Psicologia Henry Murray, figura importante na primeira metade da história. Shailene Woodley interpreta a agente do FBI Joanne Miller, Annabelle Wallis aparece como Christiana Morgan, e o elenco também inclui Alexander Ludwig, Steven Ogg e Marc Menchaca. A narrativa utiliza duas linhas temporais: uma acompanha Kaczynski quando adolescente, prodígio matemático que ingressa em Harvard aos 16 anos, enquanto a outra mostra a investigação que culminou em sua captura em 1996. O filme dá grande importância aos controversos experimentos psicológicos conduzidos por Henry Murray em Harvard, apresentados como uma experiência que deixou marcas profundas no jovem estudante. A história, entretanto, não afirma que esses experimentos sejam uma justificativa para os crimes posteriores de Kaczynski, mas explora a possibilidade de que tenham contribuído para seu isolamento e para a formação de determinadas ideias. A segunda parte acompanha a caçada do FBI ao Unabomber e utiliza a análise linguística de seu manifesto como uma das ferramentas fundamentais da investigação. A personagem de Woodley é fictícia e funciona como uma representação dramática de diferentes agentes e investigadores que participaram da operação real. A Netflix descreve oficialmente o filme como um drama inspirado em acontecimentos reais sobre a transformação de um prodígio de Harvard no criminoso conhecido como Unabomber.

A recepção crítica americana inicial foi bastante dividida, mas predominantemente negativa, especialmente em relação ao roteiro e à maneira como o filme tenta explicar a transformação de Kaczynski. Robert Daniels, do RogerEbert.com, foi bastante crítico e descreveu a produção como uma combinação desgastada de drama criminal e clichês de cinebiografia, considerando que ela não consegue alcançar a profundidade psicológica que procura. Em sua avaliação, o filme acaba parecendo uma produção televisiva convencional, apesar da importância do assunto e do elenco. Daniels, entretanto, destacou que Russell Crowe e Jacob Tremblay conseguem produzir momentos de interesse mesmo quando o roteiro não os acompanha, e considerou particularmente forte o confronto entre os dois personagens. O TheWrap também considerou a narrativa pouco concentrada, argumentando que o longa tenta abordar muitas coisas ao mesmo tempo sem desenvolver satisfatoriamente nenhuma delas. Já a crítica do San Francisco Chronicle, de Mick LaSalle, foi mais favorável, atribuindo ao filme três de quatro estrelas e reconhecendo qualidades na abordagem da história. O desempenho de Russell Crowe aparece repetidamente entre os pontos mais elogiados. Uma análise publicada pelo What's on Netflix chamou atenção para sua presença em cena, observando que o ator consegue transformar Henry Murray em uma figura simultaneamente carismática, intelectual e ameaçadora. A recepção no Rotten Tomatoes refletia essa divisão nos primeiros dias: o filme aparecia com 27% de aprovação da crítica, baseada em 44 avaliações, e 56% entre o público, números que podem mudar conforme novas avaliações sejam acrescentadas. Assim, o principal ponto de consenso entre os comentários negativos não foi a falta de material dramático, mas a dificuldade do roteiro em transformar uma história extremamente complexa em uma narrativa cinematográfica de pouco mais de uma hora e meia.

Na crítica britânica e internacional, as observações seguiram uma linha semelhante, embora alguns comentaristas tenham reconhecido o potencial da ideia central. Tim Robey, do The Telegraph, deu duas estrelas ao filme e considerou a produção pouco desenvolvida, embora tenha destacado positivamente o trabalho de Shailene Woodley. Já Terry Staunton, da Radio Times, deu três estrelas e observou que a alternância constante entre as duas épocas fazia com que o espectador tivesse a sensação de estar assistindo apenas ao início e ao final de uma minissérie, sem os episódios intermediários necessários para desenvolver adequadamente a história. Richard Lawson, em sua avaliação para o The Hollywood Reporter, resumiu o problema chamando a produção de “um esboço superficial de um assassino quando jovem”. A Variety, através do crítico Guy Lodge, também foi bastante reservada, afirmando que Jacob Tremblay não convence completamente como o jovem Kaczynski e que o filme alterna uma história de origem psicológica parcialmente interessante com uma investigação policial convencional. Um dos aspectos mais controversos da produção foi justamente a relação entre os experimentos de Harvard e os crimes posteriores. O filme sugere uma conexão dramática, mas especialistas e pessoas ligadas ao caso real alertaram que essa relação não pode ser tratada como uma explicação comprovada. O próprio FBI profiler James R. Fitzgerald, que participou da investigação real, criticou várias liberdades tomadas pelo filme, principalmente a criação da agente Joanne Miller e determinadas alterações nos procedimentos da investigação. A produção, portanto, deve ser encarada como uma dramatização baseada em fatos reais, e não como uma reconstituição documental. A Netflix também deixa essa distinção clara em sua apresentação oficial, enquanto o diretor Janus Metz afirmou que seu interesse estava em explorar como violência e convicções extremas podem produzir consequências trágicas.

Por ser uma produção original da Netflix, Unabomber não possui uma bilheteria convencional, pois não teve como principal destino o circuito comercial de cinemas. A Netflix divulga seus resultados por meio de visualizações e horas assistidas, permitindo observar o impacto do filme dentro da plataforma. E nesse aspecto a produção teve uma estreia bastante expressiva: entre 21 e 27 de setembro de 2026, o longa acumulou 16,4 milhões de visualizações e alcançou o primeiro lugar entre os filmes de língua inglesa da plataforma. Outros levantamentos de audiência também apontaram Unabomber no topo do ranking global da Netflix poucos dias depois de sua estreia, demonstrando que o interesse do público pelo caso real foi muito maior do que a recepção crítica poderia sugerir. Esse contraste é particularmente interessante porque o filme recebeu avaliações bastante negativas de vários críticos, mas conseguiu atrair milhões de espectadores. A razão provavelmente está parcialmente na própria força do caso Unabomber, que durante décadas ocupou enorme espaço no noticiário americano e posteriormente se tornou um dos casos mais conhecidos da história criminal dos Estados Unidos. A produção também chegou à Netflix em um momento no qual o público demonstra grande interesse por histórias de crimes reais, investigações policiais e personagens históricos controversos. Ao mesmo tempo, a escolha de Russell Crowe como um dos protagonistas acrescentou peso comercial ao projeto. O ator interpreta Henry Murray, enquanto Jacob Tremblay assume uma tarefa especialmente difícil ao representar Kaczynski em sua juventude, antes dos atentados que o tornariam conhecido mundialmente. Shailene Woodley, por sua vez, funciona como o principal elo da narrativa investigativa contemporânea. Mesmo sem números de bilheteria, portanto, Unabomber já conseguiu demonstrar uma forte capacidade de atrair espectadores dentro do ecossistema da Netflix.

Como o filme acabou de ser lançado, ainda é cedo para falar em legado cinematográfico consolidado, mas Unabomber já ocupa uma posição curiosa entre as produções recentes sobre Ted Kaczynski. O filme procura fazer algo diferente da minissérie Manhunt: Unabomber, de 2017, ao concentrar boa parte de sua atenção na juventude de Kaczynski e nos acontecimentos de Harvard que antecederam sua transformação em criminoso. A relação com Henry Murray é, nesse sentido, o elemento dramático mais importante da produção. A Netflix apresenta o professor como uma figura intelectual carismática que atrai o jovem estudante para um universo de experimentos psicológicos e confrontos intelectuais. Ao mesmo tempo, o filme procura deixar claro que experiências traumáticas não justificam os atentados posteriores de Kaczynski. O próprio material promocional da Netflix enfatiza que a produção pretende investigar influências e consequências, e não absolver o criminoso de seus atos. A diferença entre ficção e realidade, entretanto, deverá continuar sendo uma das principais questões discutidas em torno do longa. O ex-agente James R. Fitzgerald apontou diversas alterações feitas para fins dramáticos, inclusive em relação à personagem de Shailene Woodley e a determinadas etapas da investigação. Isso não impede que o filme funcione como uma introdução para espectadores que conhecem pouco da história, mas significa que ele precisa ser visto dentro de seus limites como dramatização. Para Russell Crowe, o papel de Henry Murray oferece uma oportunidade de interpretar um personagem intelectual e ambíguo, diferente de muitos dos papéis de ação pelos quais ficou conhecido. Para Jacob Tremblay, o filme representa uma mudança significativa em relação aos papéis que marcaram sua infância e adolescência. O futuro determinará se Unabomber será lembrado principalmente pelo sucesso inicial na Netflix ou como mais uma interpretação cinematográfica de um caso criminal que já recebeu inúmeras versões.

Unabomber (Estados Unidos, 2026) Direção: Janus Metz Pedersen / Roteiro: Sam Chalsen e Nelson Greaves / Elenco: Jacob Tremblay, Russell Crowe, Shailene Woodley, Annabelle Wallis, Alexander Ludwig e Steven Ogg / Sinopse: O filme acompanha Ted Kaczynski desde seus primeiros anos como prodígio matemático em Harvard, onde participa de controversos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray, até sua transformação no homem conhecido como Unabomber. Décadas depois, uma força-tarefa do FBI tenta identificar o responsável por uma série de atentados e reconstruir o caminho que levou Kaczynski a se tornar um dos criminosos mais procurados da história criminal.

Pablo Aluísio e Erick Steve.