Inferno na Torre (The Towering Inferno) chegou aos cinemas em 1974 como uma das maiores superproduções de catástrofe da década. Dirigido por John Guillermin, o filme reuniu dois dos maiores astros de Hollywood daquele período: Paul Newman e Steve McQueen. A história se passa durante a inauguração de um gigantesco arranha-céu em San Francisco, considerado o edifício mais alto e moderno do mundo. O arquiteto Doug Roberts, interpretado por Newman, percebe que alguns sistemas elétricos foram instalados de maneira inadequada e começa a desconfiar que o prédio não é tão seguro quanto deveria. Quando um curto-circuito provoca um incêndio, uma festa de gala transforma-se rapidamente em uma luta desesperada pela sobrevivência. O filme aproveitou o fascínio dos anos 1970 pelos grandes desastres e apresentou uma combinação de suspense, ação e drama humano. A dimensão da produção também era extraordinária para a época, com enormes cenários construídos para reproduzir os diversos andares do arranha-céu. O resultado foi uma experiência cinematográfica grandiosa, pensada para impressionar o público nas grandes telas.
Um dos maiores atrativos de Inferno na Torre era justamente seu elenco, que reunia uma quantidade impressionante de estrelas. Além de Paul Newman e Steve McQueen, estavam no filme William Holden, Faye Dunaway, Fred Astaire, Jennifer Jones, Robert Vaughn, Robert Wagner, Susan Blakely e O. J. Simpson. McQueen interpretava o chefe dos bombeiros Michael O'Hallorhan, responsável por organizar o resgate dos sobreviventes, enquanto Newman vivia o arquiteto que precisava enfrentar as consequências de um projeto comprometido pela ganância. A presença dos dois astros criou uma interessante divisão de protagonismo, e a publicidade explorou bastante essa rivalidade entre as duas grandes estrelas. O filme também ficou conhecido pela curiosa decisão de dividir o nome dos protagonistas nos créditos de maneira praticamente equivalente, refletindo o cuidado dos estúdios em não estabelecer uma hierarquia entre eles. Faye Dunaway acrescentava uma presença romântica e dramática à história, enquanto Fred Astaire, em uma atuação indicada ao Oscar, demonstrava que ainda podia emocionar o público em um papel bastante diferente daqueles musicais que haviam marcado sua carreira. A combinação de estrelas transformou o filme em um verdadeiro acontecimento de Hollywood.
A crítica reconheceu principalmente a eficiência técnica da produção e sua capacidade de criar suspense a partir de uma situação extremamente simples: pessoas presas dentro de um edifício em chamas. O roteiro foi baseado nos romances The Tower, de Richard Martin Stern, e The Glass Inferno, de Thomas N. Scortia e Frank M. Robinson, que haviam sido publicados pouco antes. A produção utilizou efeitos especiais, miniaturas, cenários gigantescos e complexas sequências de incêndio para transmitir a sensação de que o arranha-céu estava realmente sendo destruído diante do espectador. A fotografia de Fred J. Koenekamp valorizava o contraste entre o luxo do edifício e o vermelho das chamas, enquanto a música de John Williams contribuía para aumentar a tensão. O filme recebeu oito indicações ao Oscar e venceu três: Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Canção Original, por “We May Never Love Like This Again”, interpretada por Maureen McGovern. Também recebeu indicações em categorias como Melhor Ator Coadjuvante para Fred Astaire e Melhor Atriz Coadjuvante para Jennifer Jones. Mesmo quando a crítica considerava alguns elementos melodramáticos ou excessivos, era difícil negar a eficiência do espetáculo. Inferno na Torre tornou-se, assim, uma referência do cinema de catástrofe.
Com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 14 milhões, Inferno na Torre transformou-se em um gigantesco sucesso comercial e terminou sua carreira original com uma bilheteria mundial de mais de US$ 200 milhões, tornando-se uma das maiores arrecadações da década de 1970. Mais do que um simples filme sobre um incêndio, a produção capturou uma preocupação muito presente naquele período: a confiança excessiva na tecnologia e nos grandes projetos arquitetônicos. O arranha-céu, símbolo de progresso e modernidade, transforma-se justamente no maior perigo para aqueles que estão dentro dele. Essa ideia ajudou a dar ao filme uma dimensão que ultrapassava o espetáculo. Décadas depois, Inferno na Torre continua sendo lembrado como um dos títulos fundamentais do cinema de catástrofe, ao lado de Aeroporto, Terremoto e O Destino do Poseidon. Para uma coluna como Fotogramas e Video, ele também possui um encanto especial: representa uma época em que Hollywood apostava em grandes elencos, cenários monumentais e histórias capazes de transformar uma sessão de cinema em um acontecimento. Paul Newman, Steve McQueen e aquele gigantesco edifício em chamas permanecem como uma das imagens mais marcantes do cinema popular dos anos 1970.




