Em 1987, o cinema americano ainda estava profundamente marcado pela Guerra do Vietnã, e nenhum filme representou melhor aquele momento do que Platoon, dirigido por Oliver Stone. Embora tenha chegado aos cinemas americanos em dezembro de 1986, o filme foi o grande vencedor da cerimônia do Oscar realizada em 30 de março de 1987, conquistando quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. A Academia também premiou Claire Simpson pela montagem e a equipe de som formada por John K. Wilkinson, Richard Rogers, Charles Grenzbach e Simon Kaye. A história acompanha Chris Taylor, jovem universitário que abandona os estudos e se alista voluntariamente para combater no Vietnã. Interpretado por Charlie Sheen, Chris chega à guerra carregando uma visão idealizada do serviço militar, mas rapidamente descobre que a realidade é marcada pelo medo, pela violência, pelo cansaço e pela degradação moral. Ao lado dele estão os sargentos Barnes, vivido por Tom Berenger, e Elias, interpretado por Willem Dafoe, dois homens que representam maneiras completamente diferentes de enfrentar aquele conflito. O filme transformou a experiência do soldado de infantaria em seu principal ponto de vista.
O impacto de Platoon veio justamente da maneira como Oliver Stone decidiu representar a guerra. Veterano do Vietnã, o diretor escreveu o roteiro originalmente em 1975, pouco depois do término do conflito, mas durante anos não encontrou um grande estúdio disposto a produzi-lo. Quando finalmente conseguiu realizar o projeto, Stone procurou evitar a visão heroica tradicional dos filmes de guerra e colocou o espectador praticamente dentro da selva, acompanhando o medo e a confusão dos soldados. A crítica recebeu o filme de maneira extraordinariamente positiva. Roger Ebert concedeu quatro estrelas e considerou que Platoon não transformava o combate em espetáculo divertido, mas mostrava a guerra a partir do nível do soldado de infantaria. O New York Times foi igualmente entusiasmado, classificando-o como possivelmente o melhor trabalho cinematográfico sobre a Guerra do Vietnã desde Dispatches, de Michael Herr. Essa recepção ajudou a transformar o filme em um fenômeno cultural e também abriu espaço para uma nova geração de produções cinematográficas dedicadas ao Vietnã.
O elenco foi outro elemento fundamental para o sucesso do filme. Charlie Sheen encontrou em Chris Taylor um personagem que representava a perda da inocência de uma geração inteira, enquanto Tom Berenger construiu em Barnes uma das figuras militares mais assustadoras do cinema americano dos anos 1980. Willem Dafoe, por sua vez, deu a Elias uma humanidade que o transformou no contraponto moral de Barnes. Os dois receberam indicações ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, numa das disputas mais lembradas daquela cerimônia. A fotografia de Robert Richardson também contribuiu decisivamente para a atmosfera do filme, utilizando a floresta, a escuridão e a iluminação noturna para transmitir a sensação de que os soldados estavam permanentemente cercados por uma ameaça que muitas vezes sequer conseguiam enxergar. A música, a montagem e os efeitos sonoros reforçavam essa experiência quase sensorial da guerra. O resultado foi um filme extremamente físico, no qual o espectador sente o calor, a lama, o medo e a exaustão dos personagens. Mais do que contar uma história sobre uma batalha, Stone procurou mostrar como a guerra transforma aqueles que são enviados para combatê-la.
Apesar de ter sido produzido com apenas cerca de US$ 6 milhões, Platoon tornou-se um enorme sucesso comercial, arrecadando aproximadamente US$ 138,5 milhões somente nos Estados Unidos, além de conquistar o reconhecimento da Academia. O filme também teve importância histórica porque ajudou a mudar a maneira como Hollywood abordava o Vietnã. Em seu discurso de agradecimento pelo Oscar de Melhor Diretor, Oliver Stone dedicou a vitória aos veteranos e afirmou que aquele reconhecimento representava uma compreensão maior do que havia acontecido com eles. Poucos meses depois, Hollywood continuaria explorando o tema com Full Metal Jacket, Hamburger Hill, Gardens of Stone e Good Morning, Vietnam, fazendo de 1987 um dos períodos mais significativos do cinema americano sobre o conflito. Para quem acompanhava os lançamentos cinematográficos naquele momento, Platoon era muito mais do que o filme vencedor do Oscar: era o título que havia colocado novamente o Vietnã no centro das conversas sobre cinema. Hoje, quase quatro décadas depois, continua sendo uma das obras fundamentais da cinematografia americana sobre guerra, trauma e perda da inocência.

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