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sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Tempos de Violência

Título no Brasil: Tempos de Violência
Título Original: Harsh Times
Ano de Lançamento: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer
Elenco: Christian Bale, Freddy Rodríguez, Eva Longoria, J.K. Simmons, Samantha Esteban, Tammy Trull

Sinopse:
Após deixar o exército, onde serviu no campo de batalha do Afeganistão, Jim Luther (Bale) decide procurar por um novo rumo na vida. Ele pretende se tornar policial em Los Angeles, mas acaba não sendo bem sucedido. Ao lado do amigo (que também foi veterano da guerra) ele parte em buscas de festas, mulheres e quem sabe... um novo emprego na cidade! Só que nessa noite em particular tudo pode terminar em tragédia. 

Comentários:
O personagem que Bale interpretou nesse filme não é fácil. Em um primeiro contato parece ser um cara legal, desses que você sai no fim de semana para beber e curtir. Só que na verdade ele carrega dentro de si muitos traumas da guerra, o que o torna praticamente uma bomba relógio prestes a explodir. Qualquer ameaça, qualquer que venha a se colocar em seu caminho, ele só consegue responder com violência extrema e irracional. E isso vale para tudo, para uma simples discussão no trânsito ou então em uma briga de bar. O sujeito é praticamente um fio desencapado. E as coisas ficam ainda mais perigosas quando ele sai em busca de diversão, atravessando a fronteira entre México e Estados Unidos. Também é um homem de contradições. Ao mesmo tempo em que é um veterano e tenciona entrar na polícia, ele ainda é capaz de traficar drogas do país vizinho para Los Angeles. Enfim, um sujeito muito estranho, que uma pessoa com um pingo de juízo não gostaria de estar ao lado. No saldo final é um bom filme que surpreende em vários aspectos. Eu gostei do que assisti e deixo a recomendação. 

Pablo Aluísio.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Nem por Cima do Meu Cadáver

As comédias românticas americanas já não são mais as mesmas. Com o esgotamento da velha fórmula os produtores andam procurando por caminhos diferentes. Algumas vezes até dá certo, em outras o desastre é certo. Veja o caso desse filme. Quando começa o espectador (principalmente se for masculino) vai franzir a testa e dizer consigo mesmo: "Meu Deus, lá vem outra comédia romântica sobre casamentos!". Isso tudo porque a primeira cena do filme é passada justamente no dia de casamento de Kate (Eva Longoria) e Henry (Paul Rudd). E então vem a grande surpresa, já que os roteiristas, como eu escrevi, estão tentando mudar um pouco o que sempre se vê nesse tipo de comédia. A personagem Kate morre, logo no dia em que iria se casar, quando um anjo de gelo (daqueles usados em decoração) cai por cima dela. E então vem a "ideia brilhante" do diretor e roteirista Jeff Lowell: transformar Kate em uma fantasma que vai a partir daí atazanar a vida sentimental daquele que seria seu futuro marido.

E é isso. O filme todo se desenvolve em cima dessa bobeirinha. Henry (Rudd) vai ver uma vidente chamada Ashley (Lake Bell) e se apaixona por ela. Enquanto isso Kate começa a aparecer para Ashley, tentando com isso assustá-la para que ela deixe seu amado em paz. No fundo a fantasminha é tão possessiva que deseja ardentemente que ele nunca mais se relacione com mais ninguém na vida. Já deu para perceber que a personagem interpretada por Eva Longoria é bem antipática. O pior é que Ashley também não se mostra nada carismática. Assim acaba sobrando para Paul Rudd tentar levar o filme em frente, mas no final tudo isso é em vão. Não há outra maneira de qualificar essa insossa comédia romântica a não ser como insossa e sem graça. As tentativas de fazer rir passam por situações grotescas como cenas de flatulência. Enfim, descarte, esqueça e deixe pra lá, a não ser que você seja um espírita masoquista.

Nem por Cima do Meu Cadáver (Over Her Dead Body, EUA, 2008) Direção: Jeff Lowell / Roteiro: Jeff Lowell / Elenco: Eva Longoria, Paul Rudd, Lake Bell / Sinopse: Jovem noiva morre bem no dia do seu casamento. Quando seu futuro marido (que continua vivo) se apaixona por uma vidente ela começa a fazer de tudo para melar o novo relacionamento. Isso continua até o dia em que ela percebe que o melhor para si e seu amado é deixar o destino seguir em frente.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Frontera

Título Original: Frontera
Título no Brasil: Ainda Não Definido
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Magnolia Pictures
Direção: Michael Berry
Roteiro: Michael Berry, Louis Moulinet
Elenco: Ed Harris, Eva Longoria, Michael Peña, Amy Madigan
  
Sinopse:
Roy (Ed Harris) é um xerife aposentado que toca sua propriedade rural no Arizona, localizada bem na fronteira entre Estados Unidos e México. O lugar acaba virando rota de imigrantes ilegais mexicanos que atravessam o deserto em busca de uma vida melhor nas cidades americanas. Durante uma cavalgada a esposa de Roy, Olivia (Amy Madigan), encontra dois mexicanos tentando atravessar a fronteira e resolve lhes ajudar, oferecendo água e um cobertor. Para seu azar um grupo de adolescentes, usando os rifles de seu pai, atiram nos mexicanos, mas acaba assustando o cavalo de Olivia, que cai e bate com a cabeça nas pedras de um riacho seco. O trágico acontecimento desencadeia uma série de eventos de consequências imprevisíveis. Filme vencedor do Women Film Critics Circle Awards.

Comentários:
Muito bom esse filme passado no moderno oeste americano. O roteiro explora o drama dos imigrantes ilegais mexicanos que arriscam suas vidas todos os dias em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. O enredo assim acaba mostrando a vida de dois casais que vivem em lados opostos da fronteira. O casal americano é formado por Roy (Ed Harris) e Olivia (Amy Madigan). Eles possuem uma pequena fazenda na fronteira. É justamente lá que o ex-xerife Roy aproveita sua aposentadoria ao lado da mulher que sempre amou. O casal mexicano é formado por Miguel (Michael Peña) e Paulina (Eva Longoria). Com a esposa grávida e sem trabalho, Miguel resolve fazer a travessia da fronteira em busca de uma vida melhor, passando pelo deserto do Arizona e no meio das terras de Roy. Um trágico acontecimento acaba unido o destino de todos eles. Um dos bons motivos para se assistir a esse filme é a narrativa que mostra em detalhes os problemas sociais que criam esse tipo de imigração e a exploração dos coiotes, criminosos que vivem de extorquir e explorar a miséria alheia, realizando um verdadeiro tráfico de seres humanos naquela região. Quando a esposa de Roy morre após cair do cavalo a polícia americana logo coloca a culpa nos mexicanos, mas Roy, policial experiente e com muitos anos de investigações nas costas, não fica convencido com a conclusão oficial do xerife e resolve ir atrás, ele mesmo, em busca de respostas. Acaba descobrindo que há muito mais por trás dos acontecimentos, como ele inicialmente desconfiava. O elenco é muito bom e dois membros do elenco se destacam. O primeiro é o sempre ótimo Ed Harris. Ele interpreta esse velho xerife de poucas palavras, mas com muita experiência de vida. Tentando manter sempre sua postura de homem durão ele engole sua dor e vai em busca dos verdadeiros fatos que envolveram a morte de sua esposa de longos anos. O outro destaque vem da atriz Eva Longoria que interpreta Paulina, uma mexicana que tenta atravessar a fronteira com ajuda de coiotes e acaba sofrendo todos os tipos de abusos possíveis, inclusive de natureza sexual. Um retrato cruel, mas sincero, de um drama humano que ocorre todos os dias entre esses dois países, tão próximos e tão diferentes entre si.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Fronteira

Título no Brasil: Fronteira
Título Original: Frontera
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Magnolia Pictures
Direção: Michael Berry
Roteiro: Michael Berry, Louis Moulinet
Elenco: Ed Harris, Eva Longoria, Michael Peña, Amy Madigan
 
Sinopse:
Roy (Ed Harris) é um xerife aposentado que toca sua propriedade rural no Arizona, localizada bem na fronteira entre Estados Unidos e México. O lugar acaba virando rota de imigrantes ilegais mexicanos que atravessam o deserto em busca de uma vida melhor nas cidades americanas. Durante uma cavalgada a esposa de Roy, Olivia (Amy Madigan), encontra dois mexicanos tentando atravessar a fronteira e resolve lhes ajudar, oferecendo água e um cobertor. Para seu azar um grupo de adolescentes, usando os rifles de seu pai, atiram nos mexicanos, mas acaba assustando o cavalo de Olivia, que cai e bate com a cabeça nas pedras de um riacho seco. O trágico acontecimento desencadeia uma série de eventos de consequências imprevisíveis. Filme vencedor do Women Film Critics Circle Awards.

Comentários:
Muito bom esse filme passado no moderno oeste americano. O roteiro explora o drama dos imigrantes ilegais mexicanos que arriscam suas vidas todos os dias em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos. O enredo assim acaba mostrando a vida de dois casais que vivem em lados opostos da fronteira. O casal americano é formado por Roy (Ed Harris) e Olivia (Amy Madigan). Eles possuem uma pequena fazenda na fronteira. É justamente lá que o ex-xerife Roy aproveita sua aposentadoria ao lado da mulher que sempre amou. O casal mexicano é formado por Miguel (Michael Peña) e Paulina (Eva Longoria). Com a esposa grávida e sem trabalho, Miguel resolve fazer a travessia da fronteira em busca de uma vida melhor, passando pelo deserto do Arizona e no meio das terras de Roy. Um trágico acontecimento acaba unido o destino de todos eles.

Um dos bons motivos para se assistir a esse filme é a narrativa que mostra em detalhes os problemas sociais que criam esse tipo de imigração e a exploração dos coiotes, criminosos que vivem de extorquir e explorar a miséria alheia, realizando um verdadeiro tráfico de seres humanos naquela região. Quando a esposa de Roy morre após cair do cavalo a polícia americana logo coloca a culpa nos mexicanos, mas Roy, policial experiente e com muitos anos de investigações nas costas, não fica convencido com a conclusão oficial do xerife e resolve ir atrás, ele mesmo, em busca de respostas. Acaba descobrindo que há muito mais por trás dos acontecimentos, como ele inicialmente desconfiava. O elenco é muito bom e dois membros do elenco se destacam. O primeiro é o sempre ótimo Ed Harris. Ele interpreta esse velho xerife de poucas palavras, mas com muita experiência de vida. Tentando manter sempre sua postura de homem durão ele engole sua dor e vai em busca dos verdadeiros fatos que envolveram a morte de sua esposa de longos anos. O outro destaque vem da atriz Eva Longoria que interpreta Paulina, uma mexicana que tenta atravessar a fronteira com ajuda de coiotes e acaba sofrendo todos os tipos de abusos possíveis, inclusive de natureza sexual. Um retrato cruel, mas sincero, de um drama humano que ocorre todos os dias entre esses dois países, tão próximos e tão diferentes entre si.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Nem por Cima do Meu Cadáver

Título no Brasil: Nem por Cima do Meu Cadáver
Título Original: Over Her Dead Body
Ano de Lançamento: 2008
País: Estados Unidos
Estúdio: Gold Circle Films
Direção: Jeff Lowell
Roteiro: Jeff Lowell
Elenco: Eva Longoria, Paul Rudd, Lake Bell, Lindsay Sloane, Jason Biggs, Stephen Root

Sinopse:
Kate e Henry estão prestes a se casar quando ela morre inesperadamente no dia do casamento. Devastado pela perda da noiva, Henry mergulha em uma profunda tristeza e não consegue reconstruir sua vida. Preocupada com ele, sua irmã Chloe o convence a consultar Ashley, uma jovem médium que recebe o diário de Kate e passa a utilizar suas informações para convencer Henry de que a falecida deseja que ele siga em frente. O plano funciona e Henry começa a se aproximar de Ashley, mas Kate surge como um fantasma e descobre que os dois estão apaixonados. Sentindo-se traída, ela decide utilizar sua presença sobrenatural para impedir que o antigo noivo se apaixone novamente. A partir daí, a história combina romance, comédia e fantasia em torno de um triângulo amoroso bastante incomum.

Comentários:
Over Her Dead Body chegou aos cinemas americanos em 1º de fevereiro de 2008, apresentando uma proposta de comédia romântica sobrenatural que procurava combinar o humor de situações envolvendo fantasmas com uma história convencional de relacionamento amoroso. O resultado, entretanto, foi recebido de maneira bastante negativa pela maior parte da crítica especializada. O The New York Times, o Los Angeles Times e a Variety publicaram críticas sobre o filme na época de seu lançamento, e a recepção geral desses veículos esteve longe de ser entusiasmada. A principal reclamação dos críticos estava relacionada ao fato de que a produção apresentava uma premissa potencialmente divertida, mas não conseguia transformá-la em uma comédia realmente engraçada. O Seattle Post-Intelligencer, por exemplo, classificou o longa como uma espécie de sitcom televisiva reciclada, criticando a falta de vitalidade do roteiro e das situações cômicas. A publicação britânica Radio Times foi ainda mais dura, atribuindo apenas uma estrela em cinco e considerando a produção uma comédia particularmente mal executada. O consenso posterior do Rotten Tomatoes resume bem essa percepção: o filme possuiria poucas situações genuinamente engraçadas e não apresentaria química romântica suficiente entre os protagonistas. Atualmente, a obra registra apenas 14% de aprovação da crítica, baseada em mais de cem avaliações, uma indicação clara da recepção desfavorável que recebeu.

A reação do público também ficou abaixo do esperado, embora o filme tenha conseguido recuperar parte de seu investimento através do mercado internacional e posteriormente do lançamento doméstico. Produzido com um orçamento estimado em aproximadamente US$ 10 milhões, Over Her Dead Body arrecadou cerca de US$ 21,46 milhões mundialmente, sendo aproximadamente US$ 7,56 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 13,89 milhões em outros mercados. O filme abriu em cerca de 1.977 cinemas norte-americanos e conseguiu aproximadamente US$ 4,6 milhões em seu primeiro fim de semana, terminando sua passagem pelos cinemas americanos com uma bilheteria relativamente modesta. O mercado internacional acabou sendo mais importante para a produção, representando quase dois terços de sua arrecadação mundial. No Brasil, o filme chegou aos cinemas em 19 de setembro de 2008, sob o título Nem por Cima do Meu Cadáver. A presença de Eva Longoria, então muito conhecida pelo sucesso da série Desperate Housewives, foi um dos principais elementos utilizados para promover o longa, enquanto Paul Rudd ainda estava em uma fase anterior à enorme popularidade que conquistaria posteriormente. A produção também contou com Lake Bell, que interpreta a médium Ashley, personagem que acaba presa entre o homem que ama e o fantasma da antiga noiva dele. Apesar de seu desempenho internacional razoável, o resultado comercial não foi suficiente para transformar o filme em um grande sucesso de bilheteria.

Com o passar dos anos, Over Her Dead Body permaneceu como uma obra relativamente esquecida dentro do gênero das comédias românticas sobrenaturais. Diferentemente de filmes como Ghost, Just Like Heaven ou The Ghost and Mrs. Muir, que conseguiram construir uma reputação mais duradoura, a produção de Jeff Lowell não alcançou o mesmo reconhecimento. A comparação com outras histórias envolvendo fantasmas e relacionamentos amorosos foi inevitável desde o lançamento, especialmente porque sua premissa apresenta elementos bastante conhecidos do gênero. Ainda assim, o filme possui algum interesse retrospectivo por reunir artistas que posteriormente alcançariam maior destaque. Paul Rudd, por exemplo, transformou-se em um dos atores mais populares das comédias americanas e posteriormente alcançou enorme projeção internacional como Scott Lang/Homem-Formiga no Universo Cinematográfico Marvel. Eva Longoria consolidou uma carreira de sucesso na televisão e no cinema, enquanto Lake Bell posteriormente se destacou como atriz, roteirista e diretora. O filme também marca uma etapa interessante na carreira de Jason Biggs, conhecido mundialmente pela franquia American Pie. Embora a crítica não tenha encontrado grandes méritos na produção, a obra pode ser observada hoje como um registro de uma determinada fase da comédia romântica hollywoodiana do início do século XXI. Sua premissa continua sendo facilmente compreendida pelo público contemporâneo, mesmo que sua execução seja considerada convencional. O interesse atual está, portanto, mais relacionado ao elenco e ao gênero do que propriamente a uma revalorização crítica significativa.

Atualmente, Over Her Dead Body é lembrado principalmente como uma comédia romântica sobrenatural de recepção crítica negativa, mas que encontrou algum público graças à popularidade de seus protagonistas e à facilidade de sua proposta. Sua avaliação de público no Rotten Tomatoes, de aproximadamente 42%, é consideravelmente superior à avaliação dos críticos, embora ainda indique uma reação apenas moderada. A produção também ganhou uma pequena vida posterior através do DVD, lançado nos Estados Unidos em maio de 2008, e das diferentes formas de distribuição digital. O filme não chegou a estabelecer uma franquia, não provocou mudanças importantes no gênero e tampouco se tornou um clássico cult de grande expressão. Seu principal legado permanece ligado à curiosa combinação de romance, comédia e fantasia e ao elenco que, visto retrospectivamente, reúne vários nomes que continuariam suas carreiras com bastante sucesso. A participação de Paul Rudd é particularmente interessante para quem acompanha sua filmografia, pois ocorreu antes de sua transformação em uma das grandes estrelas das comédias americanas e, posteriormente, dos filmes de super-heróis. Assim, embora Over Her Dead Body esteja longe de ser considerado um marco do cinema romântico ou fantástico, ele permanece como uma produção representativa das comédias comerciais de Hollywood da década de 2000. Hoje, é visto sobretudo como um filme leve, convencional e pouco memorável, cuja maior curiosidade está no elenco e na maneira como sua reputação crítica permaneceu praticamente inalterada desde o lançamento.

Erick Steve.