Os Canhões de Navarone foi lançado nos Estados Unidos em 22 de junho de 1961, com direção de J. Lee Thompson, a partir do romance homônimo de Alistair MacLean, publicado em 1957. A produção reuniu um elenco internacional de grande prestígio, liderado por Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Anthony Quayle, Stanley Baker e James Darren, além de Irene Papas e Gia Scala. O roteiro foi escrito por Carl Foreman, que também produziu o filme, e a Columbia Pictures transformou o projeto em uma das maiores aventuras de guerra de sua época, com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões. Filmado em grande parte na Grécia, o longa aproveitou as paisagens mediterrâneas para criar uma atmosfera de autenticidade e aventura. A história se passa em 1943, quando dois mil soldados britânicos estão presos na ilha de Kheros e não podem ser resgatados porque enormes canhões alemães instalados na fortaleza da vizinha ilha de Navarone controlam o acesso marítimo. Para destruir essas armas, os Aliados enviam uma pequena equipe comandada pelo capitão Keith Mallory, um especialista em montanhismo interpretado por Gregory Peck. Ao lado dele estão o cabo John Miller, especialista em explosivos; o coronel grego Andrea Stavros; o major Roy Franklin; e outros combatentes. Para cumprir a missão, o grupo precisa atravessar uma ilha fortemente defendida pelos alemães, escalar penhascos praticamente inacessíveis, enfrentar traições e superar conflitos pessoais antes de chegar ao gigantesco complexo de artilharia.
A reação da crítica americana foi bastante favorável, embora não unânime, principalmente porque alguns críticos consideraram a aventura excessivamente melodramática. Bosley Crowther, do The New York Times, reconheceu a força do espetáculo, mas observou que o filme seguia a tradição dos grandes épicos de ação, com "mais ênfase no melodrama do que no caráter ou na credibilidade". Ainda assim, Crowther admitiu que havia muito entretenimento nas cenas de ação e nas demonstrações individuais de heroísmo. A Variety, por outro lado, foi muito mais entusiasmada, considerando que o filme possuía estrelas importantes, excelentes efeitos especiais, situações de grande impacto e uma fotografia competente, chegando à conclusão de que Carl Foreman e J. Lee Thompson haviam produzido um verdadeiro vencedor. A revista The New Yorker, em crítica de Brendan Gill, também incluiu o filme entre os grandes lançamentos daquele período, embora sua abordagem fosse menos entusiasmada do que a da imprensa popular. A principal conclusão da crítica americana foi, portanto, positiva: Os Canhões de Navarone podia ser exagerado e pouco realista em determinados momentos, mas funcionava extraordinariamente bem como cinema de aventura. A combinação de Gregory Peck, David Niven e Anthony Quinn, aliada às sequências de ação e ao cenário grego, fez com que o filme fosse encarado como um espetáculo de primeira linha.
No Reino Unido, entretanto, a avaliação crítica foi mais dividida. O The Guardian reconheceu a dimensão épica da produção e destacou que Carl Foreman e J. Lee Thompson estavam trabalhando em uma escala muito superior à de um filme de guerra convencional, mas a crítica contemporânea foi bastante mais severa ao comparar a obra com outros épicos do período. Um comentário publicado no jornal chegou a considerar Os Canhões de Navarone uma espécie de aventura juvenil, classificando-o como um espetáculo convencional de guerra e questionando a pretensão de Carl Foreman de apresentar uma reflexão sobre a inutilidade do conflito. Essa diferença entre crítica e público é importante para compreender a trajetória do filme: intelectuais e críticos mais interessados em realismo ou profundidade psicológica enxergavam limitações, enquanto o público encontrava exatamente aquilo que procurava em um grande filme de guerra. O reconhecimento da indústria, contudo, foi extraordinário. Os Canhões de Navarone recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor para J. Lee Thompson, Montagem, Trilha Sonora, Som e Roteiro Adaptado, vencendo o Oscar de Melhores Efeitos Especiais. No Globo de Ouro de 1962, venceu Melhor Filme – Drama e Melhor Trilha Sonora, enquanto J. Lee Thompson foi indicado a Melhor Diretor.
Com um orçamento de aproximadamente US$ 6 milhões, uma quantia extraordinariamente elevada para um filme de guerra daquele período, a produção precisava de uma grande bilheteria para se tornar lucrativa. E foi exatamente isso que aconteceu. Segundo o The Numbers, o filme arrecadou cerca de US$ 28,9 milhões somente nos Estados Unidos, transformando-se no filme de maior bilheteria do mercado americano em 1961, à frente de obras como West Side Story, 101 Dálmatas e El Cid. O resultado foi especialmente impressionante porque o filme tinha quase duas horas e quarenta minutos de duração e dependia de grandes investimentos em cenários, locações, efeitos e cenas de ação. O público respondeu com entusiasmo ao espetáculo, e o sucesso não se limitou aos Estados Unidos. Na França, por exemplo, o filme registrou mais de 10 milhões de espectadores, demonstrando a enorme popularidade internacional da produção. A combinação de aventura, guerra, espionagem, suspense e grandes estrelas funcionou perfeitamente junto ao público. Gregory Peck oferecia a figura heroica central, David Niven acrescentava humor e personalidade, enquanto Anthony Quinn dava ao filme uma presença dramática particularmente forte. O resultado comercial confirmou que Os Canhões de Navarone não era apenas um sucesso de crítica técnica e de premiações, mas um genuíno fenômeno popular.
Mais de seis décadas depois, Os Canhões de Navarone continua sendo considerado um dos grandes clássicos do cinema de guerra e aventura produzido no início dos anos 1960. A avaliação contemporânea é especialmente favorável quando se considera a capacidade do filme de combinar espetáculo e desenvolvimento de personagens dentro de uma produção de enorme escala. No Rotten Tomatoes, a obra mantém 92% de aprovação da crítica e 86% entre o público, enquanto a avaliação geral permanece muito positiva. O filme também conserva uma nota de aproximadamente 7,5/10 no IMDb, baseada em dezenas de milhares de avaliações, demonstrando que continua sendo descoberto e apreciado por novas gerações. Críticos modernos costumam reconhecer que alguns elementos envelheceram, especialmente a representação simplificada dos alemães e determinados exageros da narrativa, mas as grandes sequências de ação continuam funcionando. A escalada dos penhascos, a infiltração na fortaleza, as batalhas e a destruição dos canhões permanecem entre os momentos mais memoráveis do cinema de guerra clássico. O filme também ajudou a consolidar o modelo do "grupo de especialistas em missão impossível", estrutura que seria posteriormente utilizada por inúmeras produções de guerra e ação. Sua influência pode ser percebida em filmes posteriores sobre comandos, sabotagem e operações atrás das linhas inimigas. Dessa forma, Os Canhões de Navarone permanece não apenas como uma aventura popular de sua época, mas como um dos filmes que ajudaram a estabelecer a linguagem dos grandes espetáculos bélicos modernos.
Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone, Reino Unido / Estados Unidos, 1961) Direção: J. Lee Thompson / Roteiro: Carl Foreman, baseado no livro The Guns of Navarone, de Alistair MacLean / Elenco: Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, Anthony Quayle, Stanley Baker e James Darren. / Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de comandos aliados precisa infiltrar-se em uma ilha grega ocupada pelos nazistas e destruir uma poderosa fortaleza de artilharia antes que seus canhões impeçam definitivamente uma operação de resgate.
Pablo Aluísio.

Cinema Clássico
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Filme Disponível na Netflix
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Assisti na Primeira Exibição da Globo sábado as 9h ha mais de 40 anos.
ResponderExcluirNão me.lembro de mais nada.
Como chegou na Netflix tenho planos de rever em breve. Também faz muitos anos que vi pela última vez!
ResponderExcluir