Título Original: Bandolero!
Ano de Lançamento: 1968
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Andrew V. McLaglen
Roteiro: James Lee Barrett, Stanley Hough
Elenco: James Stewart, Dean Martin, Raquel Welch, George Kennedy, Andrew Prine, Will Geer
Sinopse:
No Texas de 1867, o criminoso Dee Bishop e sua gangue são capturados pelo xerife July Johnson e condenados à forca. No entanto, Mace Bishop, irmão de Dee, chega à cidade disfarçado de carrasco e consegue libertá-los. Durante a fuga, os bandidos assaltam um banco e sequestram Maria Stoner, uma jovem viúva interpretada por Raquel Welch. Perseguidos pelo xerife e seus homens, os fugitivos atravessam a fronteira e chegam ao México, onde acabam entrando em território dominado pelos temidos bandoleros. Mace, mais experiente e interessado em abandonar a vida criminosa, tenta convencer Dee a mudar de comportamento, mas o irmão continua ligado à violência e ao crime. A situação se complica quando os dois grupos são obrigados a enfrentar os bandoleiros mexicanos, levando a história para um confronto final marcado por violência, lealdade e redenção.
Comentários:
Bandolero! foi lançado em 1968 em um momento em que o western americano já começava a sofrer forte transformação, com produções mais violentas e revisionistas ganhando espaço. Andrew V. McLaglen, entretanto, optou por realizar um western tradicional, apoiado principalmente no enorme prestígio de James Stewart, na popularidade de Dean Martin e na presença de Raquel Welch como estrela feminina. A crítica da época recebeu o filme de maneira pouco entusiasmada. A. H. Weiler, do The New York Times, considerou que James Stewart e Dean Martin eram prejudicados por uma tentativa pouco convincente de tornar o western mais "adulto", criticando especialmente os longos diálogos motivacionais que interrompiam a ação. A Variety foi ainda mais direta, descrevendo Bandolero! como um western pouco empolgante e criticando o roteiro excessivamente prolongado e a direção convencional. A revista Time, em sua edição de agosto de 1968, também foi bastante negativa, afirmando que o filme possuía um elenco de primeira linha, mas não conseguia transformar essa vantagem em um western realmente vigoroso. A publicação criticou particularmente a mistura entre violência e humor, considerando que o resultado era pesado e pouco natural. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, concedeu apenas duas estrelas em quatro, embora tenha encontrado alguns momentos divertidos, sobretudo nas cenas em que James Stewart interpreta o falso carrasco. Para Ebert, a história principal era bastante convencional, mas Stewart conseguia conferir personalidade a algumas situações.
Apesar da recepção crítica apenas moderada, Bandolero! teve desempenho comercial considerável para um western de 1968. Produzido com orçamento de aproximadamente US$ 4,45 milhões, o filme arrecadou cerca de US$ 12 milhões, demonstrando que o gênero ainda possuía força junto ao público. Os registros da época mostram, contudo, uma situação financeira mais complexa para a 20th Century Fox: os aluguéis norte-americanos inicialmente registrados foram de aproximadamente US$ 5,5 milhões, enquanto os registros internos do estúdio indicavam que seriam necessários US$ 10,2 milhões em rentals para atingir o ponto de equilíbrio. A produção contou com um elenco extremamente comercial. James Stewart ainda era uma das maiores estrelas da história de Hollywood e possuía uma associação particularmente forte com o western, enquanto Dean Martin vinha de uma carreira bem-sucedida tanto no cinema quanto na música. Raquel Welch, por sua vez, encontrava-se em pleno processo de consolidação como uma das grandes estrelas internacionais da década de 1960. George Kennedy, já conhecido por importantes papéis em filmes de ação e westerns, completava o grupo principal. A combinação desses nomes ajudou a transformar o filme em um produto comercialmente atraente, mesmo que a crítica não tenha acompanhado o entusiasmo do público. O filme também se beneficiou do interesse contínuo pelos westerns tradicionais, pouco antes de o gênero sofrer uma transformação ainda mais profunda com a ascensão do western revisionista e do chamado western spaghetti.
Um dos elementos mais interessantes de Bandolero! é justamente sua posição intermediária entre o western clássico e as tendências mais modernas do gênero. O filme ainda apresenta heróis, bandidos, xerifes, perseguições, assaltos a bancos e confrontos armados típicos do cinema de faroeste tradicional, mas também introduz personagens moralmente mais ambíguos. Mace Bishop, interpretado por James Stewart, é um criminoso que procura convencer o irmão a abandonar a violência, enquanto Dee Bishop, vivido por Dean Martin, permanece preso a uma existência de roubos e assassinatos. Essa relação entre os dois irmãos é uma das principais tentativas do roteiro de conferir maior profundidade dramática à história. Raquel Welch também desempenha um papel importante na dinâmica entre os personagens, embora sua personagem, Maria Stoner, tenha sido considerada por alguns críticos excessivamente dependente dos clichês femininos do gênero. A trilha sonora de Jerry Goldsmith é outro componente relevante da produção e ajuda a reforçar o caráter épico das perseguições e confrontos. A direção de fotografia de William H. Clothier contribui para a aparência clássica do filme, enquanto as locações mexicanas e texanas ampliam a dimensão visual da aventura. Atualmente, essas características permitem observar Bandolero! não apenas como mais um western comercial, mas como um exemplo interessante da fase de transição do gênero durante os anos 1960.
A avaliação do filme mudou pouco ao longo das décadas, mas Bandolero! conquistou uma posição relativamente estável entre os westerns de grande elenco de seu período. O Rotten Tomatoes apresenta atualmente apenas 20% de aprovação da crítica, embora a aprovação do público seja consideravelmente superior, chegando a aproximadamente 49%. Roger Ebert, cuja crítica continua disponível atualmente, manteve sua avaliação de duas estrelas e destacou que o principal interesse do filme está na atuação de James Stewart e na presença de diversos bons atores característicos do cinema americano. Outras avaliações retrospectivas são um pouco mais generosas e reconhecem que a produção é um western irregular, mas divertido em determinados momentos. O interesse contemporâneo também é reforçado pela importância histórica de seu elenco. James Stewart estava em uma das fases finais de sua extraordinária carreira cinematográfica, Dean Martin continuava consolidado como estrela e Raquel Welch estava no auge de sua projeção internacional. O filme também representa um dos vários trabalhos de Stewart dirigidos por Andrew V. McLaglen, que posteriormente faria outras produções de ação e westerns para Hollywood. A existência de diversas versões de pôsteres originais americanos, incluindo o tradicional one-sheet de 27 × 41 polegadas, demonstra ainda o investimento promocional feito pela Fox no lançamento da produção.
Atualmente, Bandolero! é visto como um western tradicional, competente, mas longe de ser considerado uma obra-prima do gênero. Sua importância está menos em uma suposta inovação artística e mais na reunião de três grandes nomes populares do cinema americano da década de 1960: James Stewart, Dean Martin e Raquel Welch. O filme também possui interesse histórico por ter chegado às telas justamente durante a transformação do western americano, quando o público começava a se interessar por personagens mais ambíguos e histórias mais violentas e pessimistas. Comparado aos grandes westerns de John Ford, Howard Hawks ou Sergio Leone, Bandolero! apresenta uma abordagem muito mais convencional e frequentemente sentimental. Mesmo assim, algumas sequências permanecem memoráveis, particularmente a abertura envolvendo o falso carrasco interpretado por Stewart e o confronto final com os bandoleros. A presença de Jerry Goldsmith na trilha também acrescenta valor à produção e contribui para sua identidade. O filme acabou não alcançando o mesmo status de clássicos contemporâneos como Era uma Vez no Oeste, Butch Cassidy and the Sundance Kid ou Meu Ódio Será Sua Herança, mas continua sendo redescoberto por admiradores do western clássico e pelos interessados na filmografia de Stewart e Martin. Seu legado é, portanto, o de uma produção comercial representativa do western americano do final dos anos 1960, marcada por um elenco excepcional, belas paisagens, ação tradicional e uma narrativa de redenção entre irmãos.
Erick Steve.

Cine Western
ResponderExcluirPablo Aluísio.
Todos pensam que sacar mais rápido era coisa de duela, porém, era mais uma coisa legal, por se sacava depois do outro poruqe isso configurada a legítima defesa, o que livravava da forca.
ResponderExcluirNa teoria... na prática era mesmo atirar para não morrer... havia muitos xerifes e juízes corruptos no velho oeste... ter a razão legal nem sempre livrava alguém de morrer na forca. Era um mundo duro, selvagem, muitas vezes sem lei mesmo.
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