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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Superman (2025)

Superman (2025) 
Quando terminei de assistir a esse novo filme do Superman cheguei na conclusão de que nem havia assistido a um filme, mas sim lido uma edição de quadrinhos do personagem nos anos 80. Isso mesmo, esse filme é exatamente isso, uma revista de quadrinhos daquela época, quando as histórias do Homem de Aço estavam voltadas mais para um público bem juvenil. A intenção era conquistar novos leitores entre os jovens. A década agora é outra, mas a intenção é exatamente essa. A DC e a Warner miraram com esse filme os mais jovens, adolescentes e crianças. 

Nada de muito sério você encontrará aqui. Nem o próprio filme se leva à sério. É diversão pela diversão! E não tem nada de errado nisso. Os últimos filmes do Superman estavam indo mesmo pelo caminho errado. Tinham colocado ele numa vibe sombria, até meio depressiva. Ei, isso não é o Superman, mas sim o Batman! Então os realizadores desse filme de forma acertada romperam com essa imagem errada. O Superman é na verdade um herói cheio de bondade a ponto de ser até ingênuo e até mesmo meio boboca. Então acertaram o foco aqui finalmente. 

Algumas coisas até me surpreenderam. É o filme em que o Superman mais apanha de todos eles. Cheguei até mesmo a desconfiar que ele seria derrotado! Imagine você! O clima de enfrentamento com robôs e monstros gigantes espaciais é pura cultura pop vintage. Ponto positivo. Também descartaram fazer mais um filme sobre origens, algo que ninguém iria aguentar mais. Quando o filme começa a carruagem já está na estrada. Eu achei isso o ideal. Não queria mais ver tudo o que já havia sido explorado nos filmes anteriores e de maneira muito melhor. Enfim, gostei do filme! No quadro geral não tenho outra avaliação. O Superman de 2025 é exatamente o que eu disse, uma revista em quadrinhos dos anos 80 que resolveram transformar em filme. Deu bem certo! Parabéns aos envolvidos. O caminho é por aí mesmo. 

Superman (Superman, Estados Unidos, 2025) Direção: James Gunn / Roteiro: James Gunn, baseado nos personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster / Elenco: David Corenswet, Rachel Brosnahan, Nicholas Hoult / Sinopse: O Superman precisa enfrentar um novo desafio: Enfrentar um clone dele mesmo que foi criado pelo vilão Lex Luthor! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Coleção Superman

Lois Lane começa a ter problemas com sua irmã, Lucy Lane. Mal chega em seu apartamento e Clark Kent já vira o alvo da conversa. O que elas nem desconfiam é que Clark, ou melhor, Superman, luta por sua vida ao enfrentar um grupo de combate vindo do espaço sideral. Após ser finalmente capturado na estratosfera ele descobre que... tudo não havia passado de um pesadelo! Clark estava mesmo dormindo em sua mesa de trabalho no Planeta Diário! Depois de um sonho dentro de outro sonho finalmente Superman descobre estar com um parasita dentro de seu organismo, um ser que mexe com sua mente, implantando pesadelos. Tudo fruto de Helspont, que agora o leva até sua presença em seu quartel general. Ele quer, acima de tudo, iniciar uma boa relação de amizade com o homem de aço e lhe colocar a par de seus planos para o universo.

Helspont vai direto ao ponto. Para ele o planeta Terra tem uma civilização atrasada, corrupta e imoral, onde não existe igualdade e nem justiça. Humanos assim devem ser varridos do universo, mas ele está disposto a negociar. Superman o ajudaria em sua sede de vingança contra aqueles que o baniram de seu mundo e em troca Helspont pouparia a Terra - e mais do que isso deixaria o planeta sob domínio do Superman. Obviament o herói Kryptoniano não quer ser um despóta mundial, um ditador de nações. Ele respeite os seres humanos, foi criado por um casal deles e em muitos aspectos sente como eles. Helspont fica horrorizado com esse tipo de pensamento. Como um ser superior poderia sentir identidade com seres humanos? Uma raça considerada inferiro por ele? A conversa não acaba bem, com ambos testando seus próprios poderes. O pior é que Clark precisa colocar não apenas o mundo fora de ameaça, como também consertar algumas coisinhas em sua vida pessoal. Pois é, ser um super-herói não é uma coisa fácil. 

Título Original: Superman 8
Nome da Estória: A Opção do Forasteiro
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2013 
Editora: DC Comics
Autores: Keith Giffen
Arte: Dan Jurgens

Pablo Aluísio. 

Coleção Superman

Mal se recuperou das lutas das edições anteriores Superman tem um novo desafio pela frente. Bem no centro de Metrópolis surge um gigante, obviamente extraterrestre, que começa a destruir toda a cidade. Logo o herói percebe que sua intenção é justamente chamar o famoso Superman para um combate frente a frente. Mas que criatura estranha seria aquela? Logo ele descobre que não se trata de um organismo vivo, mas sim uma máquina de uma tecnologia ainda desconhecida pela humanidade. Basta um potente soco do homem de aço para que a máquina de destruição venha abaixo, em pedaços, após colidir com um arranha-céu! Na verdade o estranho ser era apenas um batedor espacial de Helspont, um colecionador de espécimes raras do universo - e o Superman, um kryptoniano, um tipo bem raro no universo, já que seu planeta natal foi destruído, logo se torna alvo de seus desejos. 

Além disso Helspont tem uma sede imensa de vingança contra todos aqueles que o aprisionaram a vagar pelo universo pela eternidade. Superman como servo seria uma bela aquisição para seus planos de destruição pelos confins da galáxia. Após retaliar outro ataque o herói é levado para os domínios de Helspont. Um lugar desolado no alto de uma montanha gelada. Lá ele tenta convencer Superman a unir forças a ele, para que juntos escravizem planetas e civilizações. Obviamente nada disso interessa ao Superman, um super-herói ético e que respeita a liberdade da humanidade. Com diferentes visões entre si o confronto logo se torna inevitável. Sétima edição do personagem Superman nessa nova coleção "Os Novos 52" da DC Comics. Nas edições anteriores Superman enfrentou uma série de enviados espaciais desse ser Helspont. Essas edições andam bem criticadas nos EUA porque afirma-se que, sendo um dos heróis mais famosos do universo DC, era de se esperar que algo melhor fosse feito em seu título mensal. Por enquanto nada disso ainda aconteceu. Os enredos são rotineiros e sem maiores surpresas. Só resta esperar por melhoras daqui em diante. 

Título Original: Superman #7
Nome da Estória: O Surgimento de Helspont
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2012
Editora: DC Comics
Autores: Keith Given
Arte: Dan Jurgens, Ivan Reis, Joe Prado 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Coleção Superman

A chamada de capa que foi traduzida ficou horrível: "Quando ele se torna Mau... Corra!". Que bobagem hein? Lamentável. Voltemos ao enredo. Se você vem acompanhando as estórias já sabe que o Superman está "possuído" por criaturas desconhecidas vindas de outros planetas. A situação parece fora de controle, com o olhar vidrado o herói começou a tomar atitudes que não condizem com seu passado impecável. Para deter tamanho poder apenas outro super-herói ou heroína e eis que surge nos céus a Supergirl para defender Metrópolis do perigo de ter um Superman voando pela cidade. Após um breve e confuso diálogo na língua kriptoniana o tempo fecha novamente. Superman acaba atacando a Supergil de forma violenta. Feministas em polvorosa, afinal o Superman não pensa duas vezes antes de trocar socos com sua conterrânea - um tremendo quebra-pau pelos céus de Metrópolis. 

Quando Lois Lane implora para que ele pare de surrar Supergirl algo finalmente acontece com ele. O super-herói se contorce, como se tentasse se libertar de alguma opressão interna, dentro de sua própria mente. O interessante é que a mesma energia que controla os pensamentos e o cérebro do Superman abrem uma porta em que ele também começa a sondar, descobrindo a origem das criaturas que atacaram Metrópolis há pouco tempo. Assim abre-se uma luta feroz dentro de sua mente, onde opressor e oprimido lutando violentamente pelo controle do herói Kriptoniano. Quando está dominado ele parte para cima da Supergirl, numa pancadaria transmitida ao vivo pela TV. Obviamente que as autoridades resolvem agir, chamando a guarda nacional para evacuar o povo da cidade, agora sendo destruída por Superman em sua fúria contra a Supergirl. E como se as coisas não fossem estranhas o suficiente acaba surgindo nos céus outro Superman!!! Dois heróis, completamente idênticos, trocam socos e golpes em pleno ar! Algo realmente impressionante!

Título Original: Superman #6
Nome da Estória: A Medida de um Superman
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2012
Editora: DC Comics
Personagens: Superman (Clark Kent), Supergirl (Kara Zor-El), Lois Lane
Autores: George Perez
Arte: Nicola Scott

Pablo Aluísio. 

Coleção Superman

No final da edição 4 o Superman tinha que enfrentar um ataque coletivo de vários alienas ao mesmo tempo. Nessa nova edição todos se dirigem ao local do confronto. Ao chegarem lá descobrem uma grande tempestade de gelo e fogo e bem no meio do olho do furacão está o Superman. Aos poucos ele parece dominar a tempestade até o ponto em que ela é finalmente controlada completamente. O alívio é geral, mas há algo errado com o Superman. Ele está visivelmente paralisado, falando a língua dos aliens com quem lutou. Em uma primeira impressão poderíamos pensar que estaria "possuído" pelos seres que combatia há poucos minutos. Os acontecimentos que viriam parecem confirmar essa ideia. 

Da noite para o dia o Superman começa a agir de forma muito diferente do que sempre fez. Ele começa a adotar uma postura de justiceiro, sendo juiz, júri e carrasco ao mesmo tempo. Começa a aniquilar tudo e todos que saem da linha, não respeitando mais as leis e nem se importando com as determinações das autoridades. Uma mudança e tanto em sua personalidade, uma vez que o Superman sempre foi o mais ético e correto de todos os super-heróis. Agora ele age como um verdadeiro fascista, matando friamente todos os que o contrariam. Lois Lane está chocada com suas novas atitudes. Certamente o super-herói de Metropolis não está agindo de acordo com seus valores e ideais. O que poderia estar errado? Essa nova edição das aventuras do Superman estão sendo criticadas lá fora nos EUA, mas ao que parece há bons sinais de mudanças após cinco edições. Afinal das contas o Superman é, ao lado do Batman, a maior estrela da DC. 

Título Original: Superman 5
Nome da Estória: Ataque dos Super-poderes
Coleção: Os Novos 52
Ano de Produção: 2012
Editora: DC Comics
Personagens: Superman, Lois Lane
Autores: George Peréz
Arte: George Peréz, Trevor Scott, Brett Smith, Brian Buccellato

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 10 de junho de 2008

Coleção Superman

Quarta edição do Superman nessa nova série da DC, Os Novos 52. A estória recomeça com Metropolis tentando entender os ataques sofridos nos últimos meses. Há toda uma tensão no ar e não sobram críticas para o Superman, apesar dele ter salvado a cidade em todas as ocasiões. Como os monstros parecem ter vindo do espaço, alguns acusam a presença do super herói de ter atraído todos eles até a Terra. A imprensa (que ironicamente Clark Kent também faz parte) não poupa o homem de aço de acusações. O pior é que o próprio Superman não parece entender o que de fato está acontecendo. Não tardará e ele se verá na situação de enfrentar todos os seus inimigos de uma só vez! Além da luta contra os inimigos o Superman ainda terá que zelar por sua imagem pública que começa a ser arranhada cada vez mais.

Nessa edição temos muitos mais diálogos do que ação. Nas três edições anteriores tivemos um roteiro que de certa forma se repetia, com algum desenvolvimento do personagem Clark Kent, aspectos de sua vida pessoal e no final o ataque de algum monstro vindo de algum lugar do universo desconhecido. Aqui tudo segue basicamente igual, embora o espaço para o desenvolvimento dos personagens seja bem maior. O mistério da origem dos monstros porém permanece e a ação é cortada ao meio, justamente quando Superman enfrenta os vilões, criando um gancho para a quinta edição. Boa direção de arte, mas sem maiores novidades. Está começando a dar a impressão de enrolação dos autores.

Título Original: Superman 4
Coleção: Os Novos 52
Nome da estória: Confusão Mental
Editora: DC Comics
Ano de Lançamento: 2013
Personagem: Superman
Autores: George Pérez, Jesus Merino

Pablo Aluísio. 

Superman Made in USA

De tempos em tempos surge essa verdadeira "acusação" contra o Superman! Afinal ele não seria apenas uma versão em quadrinhos da bandeirona americana? Seu próprio uniforme tem as cores da bandeira norte-americana, além disso vamos convir que ele encarna na perfeição todos os ideais mais conhecidos do chamado American Way of Life. Na verdade isso tudo não passa de bobagem esquerdista, um tanto de preconceito que existe em relação a tudo dentro da cultura pop americana. Os vermelhos (não estou me referindo à capa do Superman) sempre estão atrás de algo para acusar ainda mais os americanos de quererem dominar o mundo - inclusive no mundo das artes.

Na verdade o Superman é quadrado não por ser, digamos assim, "americano demais", mas justamente por ser um homem de seu tempo. Veja, o super-herói Superman encarna os valores morais, sociais, éticos e de comportamento do tempo, da década em que foi criado. Nada de ideologia capitalista ou comunista, mas sim o retrato de uma sociedade em que ele surgiu. Assim podemos notar bem nas primeiras edições do Superman o desenvolvimento de um homem sério, de chapéu e comportamento exemplar, que lutava pela justiça, honra e respeito entre todas as pessoas. Bom, se isso for ser careta então podemos dizer que Clark Kent é um careta, mas no mundo de relativismo social em que vivemos isso seria uma ideia muito simplista e por que não, boba!

O Superman é correto porque ele é em essência um homem bom, íntegro e equilibrado. O Batman muitas vezes passa por intensas crises existenciais e isso o deixa à mercê de colocar na berlinda até mesmo os mais importantes valores que dominam nossa sociedade. O Superman não! Embora ele seja em última instância um alienígena, ele jamais tem dúvidas do que fazer ou de como atuar. Batman é um outsider, um atormentado por seu passado de tragédias familiares - Superman é um caipirão do campo, correto até o último fio de cabelo de seu penteado cheio de brilhantina. 

Assim chegamos na conclusão de que acusações de que o Superman seja um reacionário prestes a gritar a plenos pulmões sobre a vitória do capitalismo sobre o socialismo não passa de delírios de esquerdistas mal resolvidos, essa é a verdade. Superman é antes de ser capitalista ou comunista um homem bom, honesto e disposto a lutar contra o crime e a perda dos grandes valores morais dentro de uma sociedade que tanto ama. Ele certamente não iria dar um abraço em Stálin, um genocida feroz, mas seu ato seria fruto apenas de decisão entre o bem e o mal e não sobre sistemas ou modos de produção. Superman é um herói e heróis estão acima desse tipo de discussão.

Pablo Aluísio.  

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O Superman Gay

A DC Comics informou nessa semana que nas próximas edições do Superman ele vai se descobrir gay, ou melhor dizendo, bissexual. Bastou a notícia se espalhar para surgir todo os tipos de comentários indignados. Muita gente dizendo que isso era um absurdo, que era uma anarquia, que era uma conspiração comunista mundial... Calma! Não é nada disso. Tem que se entender direito tudo antes de sair acreditando em todo tipo de teoria da conspiração maluca da internet. Não é bem assim, não é bem por aí.

Na verdade o personagem que se descobre gay não é o Superman, o Clark Kent que todos conhecemos, mas sim seu filho, um adolescente chamado Jon Kent. Há vários anos que ele existe nas aventuras do Superman nos gibis. Agora ele se apaixona por um amigo da escola. E dá um beijo na boca dele. Claro, para os leitores mais reacionários foi como se o apocalipse tivesse chegado no mundo dos quadrinhos. Quanta besteira! É um personagem de ficção que será exatamente aquilo que a editora e os roteiristas quiserem.

Não é a primeira vez que um personagem se revela gay. Nesse ano mesmo revelou-se que o Robin também era gay. Essa é uma maneira da DC Comics trazer diversidade e inclusão das minorias em suas histórias em quadrinhos. O Thor, por exemplo, virou uma mulher no ano passado. Vários personagens negros também surgiram ou então antigos personagens que eram brancos se tornaram negros nessa nova fase. Sob esse ponto de vista tudo é válido. É importante criar uma mentalidade longe do preconceito, principalmente em relação às crianças. Que elas aprendam a respeitar as minorias desde a infância. Isso é correto, isso é bonito.

Por outro lado  não podemos também deixar de entender que isso faz parte igualmente de uma boa estratégia de marketing. O Superman é gay? Ora, isso vai criar muita polêmica, como já tem criado de ontem para hoje. E polêmica, como todo mundo sabe, vende! Todo mundo agora vai querer comprar os quadrinhos do Superman que sai do armário. Foi assim também quando transformaram o Capitão América em um... Nazista! Pois é, meus caros. Há quantos anos você não parava para falar dos quadrinhos do Superman? As vendas andavam em baixa, processo natural para um personagem tão antigo. Agora, todo mundo está falando do Superman. É claro que o Superman gay vai vender muitas revistas! Amigos, amigos, negócios à parte, não é mesmo?

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O Superman dos anos 50

A foto ao lado é muito significativa. Mostra um típico garotinho dos anos 50 ao lado do ator George Reeves, devidamente fantasiado de Superman, personagem ao qual interpretou em um seriado de TV de grande sucesso na década de 1950. O curioso em relação a Reeves é que sua biografia é uma parábola da própria sociedade americana dos chamados "anos dourados". Uma sociedade que vivia uma fachada de perfeição e prosperidade, mas que no fundo apenas ocultava um lado bem doentio do American Way of Life.

Recentemente o filme Hollywoodland retratou muito bem esse aspecto. Nele somos apresentados à história de George Reeves em Hollywood. Um ator de segundo escalão que, para sobreviver, teve que encarnar o personagem de quadrinhos na TV. Embora hoje estrelar um filme ou um seriado sobre Superman seja considerado a sorte grande para qualquer ator, nos anos 50 isso era simplesmente o fim da picada, o mais baixo que um aspirante ao estrelado poderia chegar. Para Reeves (cujo sobrenome é extremamente parecido com o de outro ator que também interpretou o homem de aço, Christopher Reeve), fazer um seriado para crianças nos anos 50 era o símbolo máximo do fracasso de sua carreira.

Embaixo da fantasia havia um homem que escondia vários problemas em sua vida particular. Sempre em busca de bons papéis George Reeves não pensou duas vezes ao se envolver com a mulher do vice presidente da MGM, Toni Mannix. Se envolvendo romanticamente com uma mulher mais velha, porém poderosa dentro do Star System em Hollywood, Reeves procurava chegar nas melhores produções do cinema na época. Até conseguiu, ao fazer uma ponta em A um Passo da Eternidade, mas parou por aí. Como todo ator que um dia chegou a interpretar um ícone da cultura pop, como Superman, ele ficou marcado para sempre pelo papel, o que tornava extremamente difícil ser levado a sério em outros papéis. Com o cancelamento do seriado o que era previsível aconteceu: Reeves ficou sem trabalho, passando por dificuldades financeiras.

Em 1959, segundo relatos oficiais, George Reeves se matou com um tiro. Sua morte porém sempre gerou dúvidas entre a imprensa e a comunidade em Hollywood. Será que realmente cometeu suicídio? Ao se envolver com uma mulher de um figurão da MGM Reeves também mexeu em um vespeiro. As teorias são muitas: para alguns o que aconteceu realmente foi homicídio, não se sabe cometido pelo vice presidente da MGM ou por sua esposa, que havia sido trocada por George Reeves por uma mulher mais jovem. A verdade provavelmente jamais será descoberta.

O filme Hollywoodland, estrelado por Ben Afleck (provavelmente em seu primeiro papel não canastrão em anos) e Adrien Brody, é uma pequena obra prima que deve ser descoberta. Retrata como poucos a hipocrisia reinante no círculo das grandes estrelas na capital do cinema durante os anos 50. Mostra o sórdido jogo de interesses existente por baixo da luzes das marquises de cinema, o uso de favores sexuais em troca de bons papéis, a verdade sobre os astros da época que não se faziam de rogados para chegar ao topo da carreira. Recentemente vários livros estão surgindo no mercado mostrando o verdadeiro lado obscuro de muitos mitos da época, como Marilyn Monroe e Clark Gable, desmascarando o jogo sujo da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Certamente esse não era exclusividade apenas do ator que um dia foi mais rápido que uma bala e mais veloz do que um trem.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de abril de 2000

Cinema Classe A - Superman

Superman
Na iminência da destruição de seu planeta Kripton, Jor-El (Marlon Brando) decide enviar seu filho recém nascido para um planeta distante chamado Terra nos confins do universo. Assim começa a aventura de Superman, um dos super-heróis mais populares e influentes da cultura pop. Para aquele que é considerado o primeiro grande personagem do universo de quadrinhos a Warner resolveu caprichar na realização desse filme. A publicidade de Superman garantia que o espectador iria acreditar que o homem poderia voar. Depois do lançamento ninguém mais tinha dúvidas sobre isso. Superman é até hoje uma das melhores adaptações já feitas de quadrinhos para o cinema. A produção classe A acerta em praticamente todos os aspectos: elenco, direção, efeitos especiais e roteiro. Poucas vezes na história do cinema se viu um filme em que tantos elementos se encaixavam tão perfeitamente. Os efeitos especiais certamente envelheceram pois foram feitos em uma época em que não havia ainda efeitos digitais. Mesmo assim visto atualmente temos que admitir que se tornaram bem charmosos, além de dar um status cult para a produção em si. As cenas em que Superman voa pela primeira vez, por exemplo, não perderam impacto mesmo nos dias de hoje. 

Além de visualmente deslumbrante Superman ainda contava com uma trilha sonora imortal que até hoje emociona. A música tema composta por John Williams ainda soa poderosa e evocativa, mesmo após tantos anos. O elenco de Superman é formidável a começar pela escolha de Christopher Reeve para interpretar o personagem título. Eu costumo dizer que não basta ter apenas a estampa, o porte físico de Superman para se sair bem nesse papel. Tem que ser bom ator e a razão é simples: para interpretar Clark Kent o ator tem que ser versátil. Por isso tantos fracassaram. Nessa questão Christopher Reeve foi brilhante pois atuou maravilhosamente bem tanto na pele do super-herói quanto na pele de seu alter ego, o jornalista tímido e atrapalhado Clark Kent. Outro destaque sempre lembrado desse filme é a presença do mito Marlon Brando. Fazendo o papel do pai de Superman ele rouba a parte inicial do filme. Curiosamente Brando quase não embarca nessa aventura pelo cachê absurdo que cobrou. Após analisar bem o estúdio entendeu que ter Marlon Brando no elenco não tinha preço pois ele certamente traria muito prestígio para o filme como um todo. Foi contratado e mais uma vez arrasou em cena. Como se não bastasse a presença desses dois maravilhosos profissionais o filme ainda contava com um elenco de apoio simplesmente incrível: Gene Hackman e o veterano Glenn Ford (na pele do pai terrestre de Kent). Em breve teremos mais uma adaptação do personagem para as telas, novamente pelos estúdios Warner e novamente contando com uma produção milionária. Será que vai conseguir superar esse filme definitivo sobre o homem de aço? Eu duvido muito. Algumas produções são simplesmente definitivas como essa. Nota 10 com louvor. 

Superman - O Filme (Superman, Estados Unidos, 1978) Direção: Richard Donner / Roteiro: Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman, Robert Benton baseados no personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster / Elenco: Christopher Reeve, Marlon Brando, Gene Hackman, Glenn Ford, Margot Kidder, Susannah York, Terence Stamp / Sinopse: "Superman" de 1978 conta as origens do personagem tão popular do universo de quadrinhos. Nascido em Kripton adquire super poderes em nosso planeta. Um ícone da cultura pop em excelente produção dos estúdios Warner. 

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Superman
Superman – O Filme estreou mundialmente em dezembro de 1978, dirigido por Richard Donner e estrelado por Christopher Reeve, marcando a primeira grande adaptação moderna de um super-herói dos quadrinhos para o cinema com ambição épica. Produzido por Alexander e Ilya Salkind, o longa foi concebido como um espetáculo de prestígio, com orçamento elevado, efeitos especiais inovadores e um elenco de peso, incluindo Marlon Brando como Jor-El e Gene Hackman como Lex Luthor. O slogan promocional — “You’ll believe a man can fly” — sintetizava a aposta do estúdio em convencer o público de que um herói dos quadrinhos podia ser levado a sério no cinema.

A bilheteria foi extraordinária. Com um custo estimado em cerca de US$ 55 milhões, Superman arrecadou mais de US$ 300 milhões mundialmente, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais de 1978 e um dos filmes mais lucrativos da década. Nos Estados Unidos, permaneceu semanas entre os líderes de arrecadação, atraindo tanto jovens quanto adultos, algo incomum para um filme baseado em HQs naquele período. O sucesso consolidou o personagem como ícone cinematográfico e abriu caminho para uma nova era de blockbusters de super-heróis.

A reação da crítica foi amplamente positiva, algo decisivo para a longevidade do filme. O The New York Times afirmou que o longa era “leve, espirituoso e surpreendentemente elegante”, destacando o equilíbrio entre humor, ação e emoção. Já a revista Time escreveu que Superman era “um triunfo do cinema popular, feito com inteligência e respeito pelo mito original”, elogiando especialmente a direção de Donner por tratar o personagem com seriedade sem cair no tom solene excessivo.

Christopher Reeve foi o elemento mais celebrado nas resenhas. O Washington Post destacou que o ator “conseguiu tornar Superman grandioso e Clark Kent encantadoramente humano”, algo considerado essencial para o sucesso do filme. A trilha sonora de John Williams também recebeu elogios quase unânimes, sendo descrita pela Variety como “heroica, memorável e instantaneamente associada ao personagem”, reforçando o impacto emocional da narrativa.

Com o passar do tempo, Superman – O Filme passou a ser visto como um marco histórico do cinema comercial, responsável por estabelecer o modelo de grandes produções de super-heróis tratadas como eventos cinematográficos legítimos. Em 1978, muitos críticos já apontavam que o filme “elevava o gênero a um novo patamar”, percepção confirmada pelas décadas seguintes. Hoje, o longa é lembrado não apenas como um sucesso de bilheteria, mas como a obra que ensinou Hollywood a levar super-heróis a sério — sem perder o senso de encanto e esperança.