Eu me recordo que o John Woo foi importado por Hollywood nos anos 90 e foi um frenesi publicitário e tanto. Diziam que ele iria revolucionar o cinema americano e todas aquelas frases clichês e de efeito que todos conhecemos muito bem. Só que a promessa não se cumpriu totalmente. Seus filmes não foram grandes campeões de bilheteria, não impactaram e ele acabou não revolucionando nada. Os estúdios americanos enquadraram o diretor oriental e não o contrário. Fez alguns filmes divertidos, teve seus breves momentos de talento e inspiração, mas no saldo geral não aconteceu nada de espetacular.
Agora ele tem retornado discretamente ao cinema americano, não para dirigir filmes que vão necessariamente para as telas de cinema, mas sim visando o mercado de streaming, sempre tão desesperado por novas estreias todas as semanas para atrair novos assinantes. Esse seu novo filme é justamente isso. Nada demais vi aqui, apenas algumas cenas de ação bem dirigidas (isso ele ainda sabe fazer muito bem) e aquela velha história clichê do assassino profissional (no caso desse filme, uma assassina) que se arrependeu da vida que levou, tentando se redimir de seus inúmeros crimes do passado. Não me entenda mal, dá para assistir numa boa, como pura diversão. Só não espere que o Woo seja o messias. Ele não foi nos anos 90 e continua não sendo. É apenas um diretor competente de filmes de ação e nada mais.
The Killer (Estados Unidos, 2024) Direção: John Woo / Roteiro: John Woo / Elenco: Nathalie Emmanuel, Omar Sy, Sam Worthington / Sinopse: Assassina profissional que tenta se redimir de seu passado de crimes de assassinatos, decide ajudar uma jovem cega que passa a ser alvo de outros assassinos profissionais em missão de "queima de arquivo".
Pablo Aluísio.
