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sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Batman Que Ri

Para quem estava em busca de um novo vilão no universo do Batman, temos agora esse Batman Que Ri! Isso mesmo, um Bruce Wayne de outra dimensão que é exposto a um estranho produto químico que o torna um vilão insano. Então ele vem ao universo do verdadeiro Batman e toca o terror. Até mandar corpos de outros Bruces Waynes, de dimensões paralelas ele faz! O interessante desse novo personagem é que ele é tão louco como o próprio Coringa. E o Batman para enfrentá-lo inala uma substância corporal do próprio Coringa para virar um opositor à altura dele. E nesse processo também vai enlouquecendo.

Achei estranho? Claro que sim. O sujeito é um misto perturbador entre Batman e o Coringa. Tem o uniforme do homem-morcego, mas também o sorriso louco de seu principal vilão. Ao redor dos olhos uma barra de metal. No mundo real ele obviamente não iria enxergar nada, mas como é um produto de nanquim o mais importante é mesmo a imagem - e essa ficou muito forte, temos que admitir. No saldo geral a trama se sustenta pelas seis edições. Não cai, mas também não traz maior originalidade. É o Batman enfrentando mais um vilão, ficando muito louco nessa disputa.

O Batman que Ri 1 - A Casa do Riso - Parte 1
Roteiro: Scott Snyder
Desenho: Jock
Editora: DC Comics

Pablo Aluísio. . 


quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

A Criação do Capitão América e suas Primeiras Revistas em Quadrinhos

O Capitão América surgiu em um dos períodos mais turbulentos da história mundial, quando a Segunda Guerra Mundial já começava a transformar profundamente a política e a cultura dos Estados Unidos. O personagem foi criado por Joe Simon e Jack Kirby, dois jovens artistas que trabalhavam para a editora Timely Comics, posteriormente transformada na Marvel Comics. A ideia surgiu em 1940, em meio ao crescimento das tensões internacionais e à preocupação dos americanos com o avanço das potências do Eixo. Simon imaginou um herói patriótico que representasse os ideais democráticos dos Estados Unidos. Jack Kirby, por sua vez, ajudou a transformar a ideia em imagens marcantes, desenvolvendo o uniforme, o escudo e o estilo visual do personagem. O nome escolhido foi Capitão América, uma referência direta ao país e ao espírito patriótico que os autores pretendiam transmitir. Seu uniforme apresentava as cores da bandeira americana, enquanto seu escudo tinha uma grande estrela no centro. Desde o início, portanto, o personagem foi concebido como um símbolo de resistência ao nazismo e à ameaça representada pelas ditaduras europeias.

A primeira aparição do Capitão América aconteceu em Captain America Comics #1, publicada pela Timely Comics em março de 1941, com data de capa de março de 1941. A revista apresentava uma das imagens mais famosas da história dos quadrinhos: o Capitão América golpeando Adolf Hitler na capa. A cena era extremamente provocativa para aquele momento, pois os Estados Unidos ainda não haviam entrado oficialmente na Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim, a revista deixava clara sua posição política e apresentava o personagem como um defensor da liberdade e da democracia. Na história de origem, o jovem Steve Rogers é retratado como um rapaz franzino, mas profundamente determinado a servir ao seu país. Impedido de ingressar no Exército por causa de suas condições físicas, ele participa de uma experiência secreta destinada a criar um soldado perfeito. Depois de receber o chamado Soro do Super-Soldado, Rogers transforma-se no Capitão América. A experiência, entretanto, não poderia ser repetida porque o cientista responsável pelo projeto é morto por um agente inimigo. Assim, Steve Rogers torna-se o único representante de um experimento destinado a produzir soldados extraordinários.

Nas primeiras histórias, o Capitão América não atuava sozinho. Seu principal companheiro era Bucky Barnes, apresentado como um jovem ajudante que acompanhava Steve Rogers em suas aventuras. Bucky tornou-se rapidamente uma figura importante das primeiras revistas e ajudava a aproximar o personagem do público juvenil. As histórias combinavam ação, espionagem, aventura e propaganda patriótica, colocando o Capitão América diante de agentes nazistas, sabotadores, espiões e outros inimigos. O herói utilizava principalmente sua força, sua habilidade física e seu famoso escudo, que inicialmente possuía uma forma semelhante a um escudo tradicional. Pouco depois, a aparência do escudo foi modificada para o formato circular que se tornou mundialmente conhecido. O personagem também ganhou uma identidade civil, permitindo que Steve Rogers atuasse como soldado americano enquanto mantinha sua verdadeira identidade em segredo. As primeiras edições fizeram grande sucesso e estabeleceram rapidamente a personalidade do herói. Diferentemente de muitos personagens de sua época, o Capitão América não era apresentado apenas como alguém com poderes extraordinários, mas como um indivíduo que representava coragem, responsabilidade e defesa dos valores democráticos.

O sucesso de Captain America Comics ajudou a consolidar o Capitão América como um dos principais personagens da Timely Comics durante os anos da Segunda Guerra Mundial. As primeiras revistas eram claramente influenciadas pelo contexto político da época e refletiam o sentimento patriótico existente nos Estados Unidos após a entrada do país no conflito, em dezembro de 1941. O Capitão América passou a enfrentar inimigos que simbolizavam diretamente as forças do Eixo e tornou-se uma espécie de herói-símbolo das histórias de guerra. Joe Simon e Jack Kirby estabeleceram elementos fundamentais que permaneceriam associados ao personagem durante décadas, como Steve Rogers, Bucky Barnes, o uniforme patriótico, o escudo e sua ligação com as Forças Armadas americanas. Após a guerra, porém, o interesse por histórias de super-heróis diminuiu, e as publicações do personagem passaram por mudanças. O Capitão América acabaria sendo retirado temporariamente dos quadrinhos, até ser recuperado posteriormente pela Marvel durante a chamada Era Marvel dos quadrinhos. Sua origem, entretanto, permaneceu como uma das mais importantes da cultura pop americana. A primeira revista de 1941 não apenas apresentou um novo super-herói, mas criou um personagem que atravessaria gerações e se transformaria em um dos maiores símbolos da história dos quadrinhos.

Pablo Aluísio.