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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A Casa que Pingava Sangue

Título no Brasil: A Casa que Pingava Sangue
Título Original: The House That Dripped Blood
Ano de Lançamento: 1971
País: Reino Unido
Estúdio: Amicus Productions
Direção: Peter Duffell
Roteiro: Robert Bloch e Russ Jones
Elenco: Christopher Lee, Peter Cushing, Denholm Elliott, Jon Pertwee, Nyree Dawn Porter, Ingrid Pitt, Joss Ackland, Joanna Dunham, John Bennett e John Bryans.

Sinopse: 
O filme começa quando o ator de filmes de horror Paul Henderson desaparece misteriosamente depois de se mudar para uma antiga casa de campo. O inspetor Holloway, da Scotland Yard, fica encarregado de investigar o desaparecimento e conversa com o proprietário do imóvel para descobrir o que aconteceu. Durante a investigação, ele ouve quatro histórias diferentes envolvendo antigos moradores da mesma casa. Em cada episódio, os personagens acabam enfrentando acontecimentos sobrenaturais, mortes violentas e situações inexplicáveis. Um escritor passa a ser perseguido por um personagem assassino que criou em seus próprios livros. Em outra história, dois homens ficam obcecados por uma figura de cera ligada a um acontecimento do passado. Há ainda uma trama envolvendo uma menina e sua misteriosa boneca, além do episódio de um ator que acredita ter encontrado uma capa capaz de lhe dar poderes sobrenaturais. Aos poucos, as quatro histórias formam um retrato sombrio da antiga residência e ajudam o inspetor a compreender o destino de seu mais recente ocupante.

Comentários: 
A Casa que Pingava Sangue é uma produção de terror em formato de antologia, característica bastante utilizada pela Amicus Productions durante as décadas de 1960 e 1970. O roteiro foi baseado em quatro histórias de Robert Bloch, conhecido principalmente por ter escrito o romance Psicose. Peter Duffell conduz o filme dividindo a narrativa em quatro episódios independentes, unidos pela mesma casa e pela investigação do inspetor Holloway. Essa estrutura permite que diferentes estilos de horror apareçam na mesma produção, passando pelo suspense psicológico, sobrenatural, vampirismo e terror ligado a objetos aparentemente comuns. O elenco reúne alguns dos maiores nomes do horror britânico do período, principalmente Christopher Lee e Peter Cushing, que aparecem em segmentos diferentes. Denholm Elliott, Jon Pertwee, Ingrid Pitt e Nyree Dawn Porter também contribuem para a variedade de personagens e situações. A fotografia de Ray Parslow e a música de Michael Dress ajudam a criar uma atmosfera sombria e tradicional, bastante característica do cinema de terror britânico daquele período. O filme foi lançado no Reino Unido em fevereiro de 1971 e possui aproximadamente 102 minutos de duração.

A produção encontrou seu principal atrativo justamente na reunião de quatro histórias diferentes dentro de uma mesma narrativa, fazendo com que o espectador nunca soubesse exatamente que tipo de ameaça surgiria no episódio seguinte. A presença de Christopher Lee e Peter Cushing também aumentou o interesse dos admiradores do cinema de horror produzido pela Hammer e pela Amicus. Embora o filme tenha recebido avaliações variadas ao longo dos anos, tornou-se uma obra bastante conhecida entre os fãs das antologias britânicas de terror. O conceito da casa amaldiçoada funciona como elemento de ligação entre os episódios e ajuda a criar uma atmosfera de mistério durante toda a história. As quatro narrativas também permitem explorar diferentes medos, desde a obsessão e a loucura até forças sobrenaturais e objetos aparentemente inofensivos. Com o passar do tempo, A Casa que Pingava Sangue ganhou status de cult e passou a ser lembrado como uma das produções mais representativas da fase clássica das antologias de terror britânicas. Sua importância está principalmente na combinação de histórias de Robert Bloch com um elenco repleto de veteranos do gênero. Para quem aprecia Christopher Lee, Peter Cushing e o horror britânico dos anos 1970, o filme continua sendo uma curiosa e atmosférica produção do período.

Erick Steve. 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Uma Janela para o Amor

Título no Brasil: Uma Janela para o Amor
Título Original: A Room with a View
Ano de Produção: 1985
País: Inglaterra
Estúdio: Goldcrest Films International
Direção: James Ivory
Roteiro: Ruth Prawer Jhabvala
Elenco: Helena Bonham Carter, Maggie Smith, Judi Dench, Julian Sands, Daniel Day-Lewis, Denholm Elliott

Sinopse:
Com roteiro baseado no romance escrito por E.M. Forster, o filme conta a história da jovem aristocrática inglesa Lucy Honeychurch (Helena Bonham Carter). No começo do século XX ela decide fazer uma viagem até Florença, onde descobre um grande amor. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor ator coadjuvante (Denholm Elliott), melhor atriz coadjuvante (Maggie Smith), melhor direção (James Ivory) e melhor diração de fotografia (Tony Pierce-Roberts).

Comentários:
Esse filme concorreu em oito categorias do Oscar, se saindo vencedor em três (roteiro adaptado, direção de arte e figurino). Merecia mais prêmios, afinal foi o filme mais caro rodado na Inglaterra naquele ano, custando mais de 50 milhões de dólares (um padrão elevado para os anos 80). E de fato é uma produção de encher os olhos do espectador, com uma primorosa recriação da fase histórica onde a história do filme se passa. O brilhante cineasta James Ivory sempre foi um artesão da sétima arte, criando uma "parceria" com o obra de E.M. Forster que resultou em algumas produções que com o passar do tempo foram elevadas para a categoria de obras-primas da sétima arte. Outro destaque dessa produção foi a reunião de atrizes inglesas de gerações diversas, todas consideradas as mais talentosas de sua época, com destaque para Maggie Smith (sempre ótima, aqui sendo premiada por seu trabalho com o Globo de Ouro), Judi Dench (a grande dama da dramaturgia inglesa) e Helena Bonham Carter (Já se destacando em seu primeiro grande filme internacional). E o elenco masculino não fica muito atrás, contando com o excelente  Daniel Day-Lewis em um papel coadjuvante. Algo inimaginável de acontecer nos dias de hoje. Enfim, esse filme é um verdadeiro primor do cinema. Um daqueles itens que não podem ficar de fora na coleção de qualquer cinéfilo que se preze.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Trocando as Bolas

Esse foi o segundo filme da carreira do comediante Eddie Murphy (ele havia estreado no cinema com o policial “48 Horas” ao lado do ator Nick Nolte). Na época Murphy era muito conhecido do público americano por causa de seu trabalho no programa de TV “Saturday Night Live”, um dos mais populares dos Estados Unidos. Já no Brasil quase ninguém o conhecia uma vez que o SNL não era exibido em nosso país. Assim Murphy pelo menos por aqui se tornou conhecido mesmo por causa de seus filmes. “Trocando as Bolas” é um dos mais curiosos filmes de toda a sua carreira. O roteiro é todo construído apenas em torno de uma pergunta: Seria o homem fruto apenas de seu meio social? Em outras palavras, seria o sucesso ou o fracasso pessoal apenas o resultado do lugar onde se teria nascido? Para testar a veracidade da tese dois milionários excêntricos (interpretados com muita elegância por Dom Ameche e Ralph Bellamy) resolvem fazer um teste com duas pessoas completamente diferentes. Um bem nascido, filho de família bem situada, formado em uma das melhores universidades do país, com bom emprego e freqüentador dos melhores círculos sociais. O outro um vagabundo de rua, criado na malandragem dos bairros da periferia, formado e educado na escola da vida.

O que aconteceria se o grã-fino perdesse absolutamente tudo e fosse jogado nas ruas e o malandro fosse agraciado com todas as oportunidades de sucesso, dinheiro e posição social? O personagem das ruas é Billy Ray Valentine (Eddie Murphy) e o esnobe da alta classe é Louis Winthorpe III (Dan Aykroyd). Da noite para o dia um perde tudo e o outro é alçado a executivo de Wall Street. Os papéis são literalmente trocados. Fazia muitos anos que tinha assistido essa comédia e nessa revisão pude perceber que embora não soe mais tão engraçado como antes ainda é um roteiro muito bem conectado, inteligente, bem escrito. De certa forma os dois milionários que trocam as bolas dos personagens principais estão na realidade testando, entre outras coisas, as bases do chamado Darwinismo social, teoria muito polêmica e controvertida que até hoje é motivo de debates no meio acadêmico. Claro que o filme não avança a fundo nesse ponto, preferindo apenas trazer diversão com uma pequena lição de moral em seu final. Mesmo assim ainda é uma diversão válida que a despeito de ter envelhecido um pouco ainda faz pensar – algo que definitivamente não se encontra mais em comédias como essa. Assim fica a dica de “Trocando as Bolas”, comédia dos anos 80 que diverte mas que consegue também intrigar ao mesmo tempo.

Trocando as Bolas (Trading Places, Estados Unidos, 1983) Direção: John Landis / Roteiro: Timothy Harris, Herschel Weingrod / Elenco: Eddie Murphy, Dan Aykroyd, Ralph Bellamy, Dom Ameche, Denholm Elliott / Sinopse: Dois milionários resolvem mudar as posições sociais de duas pessoas completamente diferentes. A um grã-fino esnobe resolvem lhe tirar o emprego, o trabalho e a posição social. A um malandro de rua resolvem lhe arranjar uma posição de executivo em Wall Street. No fundo tudo não passa de uma aposta para saber com certeza se o homem é realmente apenas fruto de seu meio social.

Pablo Aluísio.