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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O Fim da Rua

O Fim da Rua
O Fim da Rua (The End of Oak Street) chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 14 de agosto de 2026, marcando o retorno do diretor David Robert Mitchell ao cinema oito anos depois de Under the Silver Lake. O filme foi escrito e dirigido pelo próprio Mitchell e produzido por J.J. Abrams, através da Bad Robot, em parceria com Jackson Pictures. O elenco principal é liderado por Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella e Christian Convery, com participações de Jordan Alexa Davis, P.J. Byrne e Chris Coy. A produção começou originalmente com o título Flowervale Street, mas a Warner Bros. mudou o nome para The End of Oak Street durante o processo de divulgação. Filmado em Londres e Atlanta, o projeto mistura ficção científica, suspense, aventura e horror de criaturas, assumindo deliberadamente uma atmosfera nostálgica dos grandes filmes de aventura dos anos 1980. A história acompanha Denise e Greg Platt, um casal que vive com seus dois filhos em um pacato bairro suburbano de Michigan. De repente, fenômenos inexplicáveis começam a alterar o ambiente: o calor aumenta, plantas pré-históricas aparecem e sinais de criaturas desconhecidas surgem pelas casas. Logo a família descobre que seu bairro foi misteriosamente arrancado do mundo contemporâneo e transportado para um período pré-histórico dominado por dinossauros. Presos em um ambiente completamente desconhecido, os Platt precisam lutar pela sobrevivência enquanto tentam descobrir como retornar para casa.

A reação inicial da crítica americana foi positiva, embora longe de ser unânime. A Variety classificou o filme como uma produção "absurda", mas também como uma diversão irresponsável e eficiente, destacando que Mitchell consegue transformar uma premissa absurda em um entretenimento de verão bastante agradável. O The New Yorker adotou uma posição mais sofisticada e descreveu o filme como um thriller suburbano peculiar e alienante, destacando as influências de Steven Spielberg, Alfred Hitchcock e Stephen King. A revista considerou particularmente interessante a maneira como Mitchell combina nostalgia com uma atmosfera mais estranha e desconfortável, típica de seus trabalhos anteriores. Anne Hathaway recebeu elogios por conferir maior profundidade à personagem Denise, uma mulher emocionalmente frustrada que acaba se transformando em uma heroína diante da ameaça dos dinossauros. O Los Angeles Times, entretanto, foi muito menos entusiasmado e definiu a produção como uma espécie de "cosplay de Spielberg dos anos 80", criticando justamente o excesso de referências e a dependência da nostalgia. Assim, o panorama crítico americano ficou dividido entre aqueles que enxergaram uma divertida homenagem ao cinema de aventura e aqueles que consideraram a produção excessivamente derivativa.

A crítica europeia apresentou uma divisão semelhante. No Reino Unido, o The Guardian foi particularmente negativo, descrevendo O Fim da Rua como uma aventura suburbana com dinossauros que seria "mais peru do que T-Rex". O jornal reconheceu que a premissa é inicialmente divertida e que existem momentos visualmente inventivos, mas criticou a falta de profundidade emocional, originalidade e tensão. Para o crítico, Mitchell parece estar reproduzindo movimentos cinematográficos de outros realizadores em vez de desenvolver plenamente uma identidade própria para o projeto. Já o Financial Times apresentou uma visão muito mais favorável, atribuindo ao filme quatro estrelas e considerando-o um espetáculo inteligente, divertido e cheio de personalidade. A publicação destacou a mistura de referências de Jurassic Park, The Twilight Zone e da estética nostálgica dos anos 1980, além de interpretar alguns elementos da história como alegorias relacionadas às mudanças climáticas. O resultado é uma recepção europeia essencialmente dividida entre aqueles que consideram o filme uma homenagem divertida e aqueles que o enxergam como um pastiche excessivamente dependente de referências. 

Com um orçamento de aproximadamente US$ 85 milhões, a produção foi concebida como um filme de ficção científica de médio porte, consideravelmente mais barato que os grandes espetáculos da franquia Jurassic World. O resultado comercial inicial, entretanto, ficou abaixo das expectativas, muito embora o filme esteja no terceiro lugar atualmente na lista das maiores bilheterias americanas, ficando atrás do novo filme do Homem-Aranha e do épico "A Odisséia". O filme estreou nos Estados Unidos com aproximadamente US$ 21 milhões no primeiro fim de semana, enquanto sua arrecadação mundial inicial chegou a cerca de US$ 47 milhões. O resultado foi particularmente decepcionante porque a produção recebeu críticas relativamente positivas e possuía duas estrelas de grande reconhecimento internacional, Anne Hathaway e Ewan McGregor. Parte do problema foi a forte concorrência de Spider-Man: Brand New Day, que permanecia no topo das bilheterias, além da disputa por salas IMAX. A reação do público também foi mais moderada do que a dos críticos: o filme recebeu B no CinemaScore, indicando uma aprovação razoável, mas sem o entusiasmo típico de um grande fenômeno comercial. Portanto, apesar de ter conseguido atrair espectadores e registrar números respeitáveis para uma produção original, o filme começou sua trajetória comercial abaixo do necessário para ser considerado um grande sucesso.

Como o filme acaba de chegar aos cinemas, ainda é cedo para determinar sua posição definitiva entre os filmes mais recentes de aventura juvenil. A recepção crítica inicial, entretanto, sugere que The End of Oak Street poderá desenvolver uma reputação mais interessante com o passar dos anos. O Rotten Tomatoes registrou aproximadamente 85% de aprovação da crítica em seus primeiros dias, e diversas publicações classificaram o filme entre as surpresas positivas do verão cinematográfico de 2026. O Screen Rant o chamou de um dos filmes mais agradáveis da temporada, enquanto a IndieWire destacou sua capacidade de surpreender dentro de um verão repleto de grandes produções. O filme também chama atenção por utilizar uma premissa relativamente simples sem depender de uma franquia já estabelecida, algo cada vez menos comum entre os grandes lançamentos de Hollywood. Sua estrutura de aventura familiar, combinada com dinossauros, viagem temporal e suspense, oferece potencial para transformar a obra em um filme querido pelos mais jovens ou em um título redescoberto pelo público depois de sua passagem pelos cinemas. Por outro lado, as críticas sobre a falta de originalidade e o baixo desempenho inicial indicam que provavelmente não será imediatamente considerado um dos melhores de seu gênero. Ainda assim, a combinação de Mitchell, Hathaway, McGregor e J.J. Abrams poderá fazer com que o filme seja reavaliado no futuro, especialmente quando chegar às plataformas de streaming e alcançar um público maior.

O Fim da Rua (The End of Oak Street, Estados Unidos, 2026) Direção: David Robert Mitchell / Roteiro: David Robert Mitchell / Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella, Christian Convery, Jordan Alexa Davis e P.J. Byrne / Sinopse: Uma família suburbana vê sua vizinhança ser misteriosamente transportada para um mundo pré-histórico e precisa enfrentar dinossauros e outros perigos enquanto procura uma maneira de voltar para casa.

Erick Steve. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Corrente do Mal

Título no Brasil: Corrente do Mal
Título Original: It Follows
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Northern Lights Films
Direção: David Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Olivia Luccardi
  
Sinopse:
Jay Height (Maika Monroe) é uma garota como qualquer outra de sua idade. Entre a escola e a sua casa ela começa a ter seus primeiros namorados, entre eles um jovem atraente que a leva para o cinema no fim de semana. O que Jay nem desconfia é que o tal bonitão na verdade deseja se livrar de uma maldição terrível que lhe foi passada após praticar sexo casual com uma desconhecida numa boate. Após dopar sua companheira o sinistro jovem, que muito provavelmente tenha até mesmo inventado um nome falso, lhe informa que agora ela está condenada a ver aparições de almas penadas vindo em sua direção! O que ela deve fazer quando isso acontecer? Correr o mais rapidamente que puder para salvar sua vida...

Comentários:
Bom, você certamente já ouviu falar em doenças sexualmente transmissíveis, certo? Claro que sim. O que você obviamente nunca ouviu falar foi em assombrações sexualmente transmissíveis, não é mesmo? Pois então fique sabendo que o roteiro desse filme usa justamente essa estranha ideia para compor seu bizarro enredo. Imagine um grupo de jovens, com os hormônios em ebulição... agora pense no que eles estariam fazendo em suas horas vagas... Ora, transando entre si, é claro! O problema é que junto com o prazer vai também uma maldição, um terrível fardo de ver pessoas mortas em todos os lugares e o pior, vindo em sua direção! O argumento esquisito, criado pelo próprio diretor que também assina o roteiro, não parece muito comum, tanto que já houve até quem quisesse comparar o estilo fora dos padrões desse cineasta praticamente novato com o diretor M. Night Shyamalan, o que convenhamos é um pouco demais da conta. Talvez o ritmo lento, quase contemplativo da narrativa tenha levado alguns a levantar essa esdrúxula comparação!

De qualquer maneira, como pura experiência cinematográfica, esse terror até que tem algumas coisinhas interessantes. Se não chega a ser bom, pelo menos a tentativa de levar adiante uma história tão estranha já é por si só um ponto positivo a favor. Outro fato que me chamou atenção é que o diretor e roteirista Mitchell não parece muito preocupado em explicar nada, a questão é simplesmente colocada em cena, os mortos vão surgindo e acabou. Não se sabe de onde estão vindo, o que querem, como seria possível quebrar esse encanto macabro, nada... assim tudo parece como uma bizarra condenação para esses esses jovens que transaram com quem não deveriam. Um moralismo disfarçado tentando fazer uma estranha analogia com a AIDS? Quem vai saber... acho que nem o próprio diretor saberia responder a esse tipo de pergunta. De uma forma ou outra a moral da história é a de que sempre é bom usar camisinha, vai que numa bobeira você acabe pegando uma maldição dos diabos dessa pela frente...

Pablo Aluísio.