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sábado, 1 de setembro de 2001

Amadeus

Título no Brasil: Amadeus
Título Original: Amadeus
Ano de Lançamento: 1984
País: Estados Unidos
Direção: Miloš Forman
Roteiro: Peter Shaffer, baseado em sua peça teatral de 1979
Elenco: F. Murray Abraham, Tom Hulce, Elizabeth Berridge, Simon Callow, Roy Dotrice, Christine Ebersole, Jeffrey Jones e Charles Kay.
Duração: 160 minutos na versão original; 180 minutos na versão Director's Cut.
Gênero: Drama biográfico, histórico e musical.

Sinopse:
Amadeus apresenta uma versão dramatizada da relação entre dois dos mais importantes compositores do século XVIII: Wolfgang Amadeus Mozart e Antonio Salieri. A história é narrada pelo próprio Salieri, já idoso e internado em uma instituição, onde recorda os acontecimentos que marcaram sua vida e sua relação com Mozart na corte do imperador José II, em Viena. Salieri é um compositor respeitado, profundamente religioso e convencido de que recebeu de Deus um talento extraordinário para a música. Sua admiração pelo talento de Mozart, entretanto, transforma-se progressivamente em inveja e ressentimento quando percebe que o jovem compositor possui um gênio musical que considera divino. Tom Hulce interpreta Mozart como um artista brilhante, irreverente, infantil e provocador, enquanto F. Murray Abraham constrói Salieri como um homem simultaneamente fascinado e destruído pela genialidade do rival. A convivência dos dois é marcada por conflitos profissionais, intrigas na corte e pelo crescente desespero de Salieri diante daquilo que considera uma injustiça divina. A narrativa culmina na composição do Réquiem, quando Salieri passa a acreditar que pode utilizar a morte de Mozart para transformar sua própria existência em uma espécie de vingança contra Deus. Embora inspirado em personagens históricos reais, o filme assume deliberadamente a liberdade dramática da peça de Peter Shaffer, não pretendendo apresentar uma biografia documental de Mozart.

Comentários:
Quando Amadeus chegou aos cinemas americanos em setembro de 1984, rapidamente se transformou em um dos filmes mais celebrados daquele ano. A crítica americana ficou particularmente impressionada com a combinação entre o espetáculo visual de Miloš Forman, a qualidade do roteiro de Peter Shaffer e as interpretações de F. Murray Abraham e Tom Hulce. O Los Angeles Times destacou a produção entre os principais acontecimentos cinematográficos da temporada e posteriormente registrou que o filme havia conquistado oito Oscars, incluindo Melhor Filme, Direção e Ator para Abraham. O The New York Times também recebeu a produção de maneira extremamente favorável, valorizando a capacidade de Shaffer e Forman de transformar uma peça essencialmente teatral em um espetáculo cinematográfico amplo, sem perder a intensidade psicológica do conflito entre os dois compositores. A revista Variety destacou a riqueza da reconstrução histórica e a maneira como Forman utiliza a música não apenas como trilha sonora, mas como elemento fundamental da narrativa. A interpretação de F. Murray Abraham foi especialmente celebrada: Salieri poderia facilmente ser apresentado apenas como o vilão invejoso da história, mas Abraham constrói um personagem muito mais complexo, atormentado pela própria mediocridade diante de um gênio que parece ter recebido de Deus um dom que ele desejava desesperadamente. Tom Hulce, por outro lado, interpreta Mozart de maneira deliberadamente pouco convencional, combinando genialidade musical com comportamento infantil, arrogância, sensualidade e humor. A imprensa americana também chamou atenção para o fato de que o filme não exige que o espectador seja especialista em música clássica: o conflito humano entre Salieri e Mozart funciona mesmo para quem desconhece a obra dos dois compositores.

A dimensão visual e musical de Amadeus foi igualmente fundamental para sua consagração. Filmado principalmente em Praga, utilizando edifícios históricos e interiores que preservavam a aparência da Viena do século XVIII, o filme criou uma reconstrução de época extraordinariamente detalhada. A fotografia, os figurinos, a direção de arte e a maquiagem foram posteriormente recompensados pela Academia. No Golden Globe, Amadeus venceu quatro prêmios importantes: Melhor Filme Dramático, Melhor Diretor para Forman, Melhor Ator para F. Murray Abraham e Melhor Roteiro para Peter Shaffer. No Oscar de 1985, a produção recebeu 11 indicações e venceu oito, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Som. Comercialmente, também foi um sucesso considerável: realizado com orçamento estimado em US$ 18 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 52 milhões em sua distribuição original, além de receitas posteriores de relançamentos. Sua maior contribuição, porém, foi cultural. Peter Shaffer e Forman transformaram uma disputa histórica pouco documentada em uma poderosa reflexão sobre gênio, inveja, fé, mediocridade e a relação entre talento e reconhecimento. É importante ressaltar que o Salieri de Amadeus é uma criação dramática: não existem evidências históricas de que tenha conspirado para assassinar Mozart ou provocado deliberadamente sua morte. O próprio filme funciona melhor quando entendido como uma "fantasia" inspirada em personagens históricos, e não como biografia rigorosa. Mais de quatro décadas depois, Amadeus permanece como um dos grandes filmes sobre música já produzidos e como uma das obras mais importantes da carreira de Miloš Forman. A combinação entre a atuação extraordinária de F. Murray Abraham, a interpretação de Tom Hulce, a direção de Forman e a música de Mozart transformou a produção em um clássico absoluto do cinema americano dos anos 1980.

Pablo Aluísio.