domingo, 22 de fevereiro de 2026

Faraó Ramsés III

Faraó Ramsés III
Ramsés III foi um dos últimos grandes faraós do Novo Império do Egito, governando aproximadamente entre 1186 e 1155 a.C., durante a XX Dinastia. Frequentemente comparado a Ramsés II por suas campanhas militares e grandes construções, Ramsés III assumiu o trono em um período de instabilidade política e ameaças externas crescentes. Seu reinado marcou tanto um momento de resistência quanto o início do declínio do poder egípcio. Uma das principais realizações de seu governo foi a defesa do Egito contra invasões estrangeiras, especialmente os chamados “Povos do Mar”. Esses grupos, que devastaram várias civilizações do Mediterrâneo Oriental no final da Idade do Bronze, foram derrotados por Ramsés III em batalhas navais e terrestres. Os relevos no templo de Medinet Habu retratam com detalhes essas vitórias, servindo como importante fonte histórica sobre o período.

Além das ameaças externas, Ramsés III também enfrentou conflitos com tribos líbias que tentavam se estabelecer no Delta do Nilo. Ele conduziu campanhas militares bem-sucedidas para proteger as fronteiras egípcias, reafirmando temporariamente a força militar do reino. Essas conquistas consolidaram sua imagem como faraó guerreiro e defensor da ordem. No campo arquitetônico, Ramsés III deixou um legado monumental. Seu templo mortuário em Medinet Habu, na margem oeste de Tebas, é um dos mais bem preservados do Egito Antigo. O complexo impressiona por seus relevos detalhados, inscrições históricas e dimensões grandiosas, refletindo tanto devoção religiosa quanto propaganda política.

Apesar das vitórias militares e das construções grandiosas, o reinado de Ramsés III também foi marcado por dificuldades econômicas. Documentos históricos indicam crises de abastecimento e até a primeira greve registrada da história, quando trabalhadores das necrópoles reais interromperam suas atividades por falta de pagamento. Esses episódios revelam tensões sociais crescentes no final do Novo Império. A corte de Ramsés III também foi palco de uma conspiração conhecida como “Conspiração do Harém”. Registros judiciais relatam que uma de suas esposas secundárias teria participado de um complô para assassinar o faraó e colocar seu filho no trono. Estudos modernos da múmia sugerem que Ramsés III pode realmente ter sido vítima de assassinato, possivelmente com um corte profundo na garganta.

Após sua morte, o Egito continuou sob o governo de seus sucessores, mas o poder central enfraqueceu progressivamente. O período seguinte foi marcado por fragmentação política e declínio da influência egípcia no cenário internacional. Assim, Ramsés III é frequentemente considerado o último grande faraó guerreiro antes da decadência do Novo Império. Religiosamente, Ramsés III manteve o tradicional papel de intermediário entre os deuses e o povo, promovendo cultos e oferecendo generosas doações aos templos. Essa política reforçava sua legitimidade divina, essencial para a estabilidade do trono. O faraó era visto como responsável pela manutenção da maat, o princípio da ordem cósmica.

O legado de Ramsés III combina glória militar e sinais de crise estrutural. Ele conseguiu preservar o Egito diante de ameaças devastadoras, mas não foi capaz de impedir o enfraquecimento gradual das bases econômicas e administrativas do império. Seu reinado representa, portanto, o último grande esforço de manutenção da supremacia egípcia. Hoje, Ramsés III é lembrado como um governante corajoso e estrategista habilidoso, cuja figura simboliza o fim de uma era de esplendor. Seus monumentos e registros históricos continuam a fornecer informações valiosas sobre o turbulento final da Idade do Bronze e a resistência do Egito em meio a um mundo em transformação.

4 comentários:

  1. Vendo essas histórias magníficas do Egito, como imaginar que a Africa seria um símbolo de fome e pobreza no seculo 20, da fome estar na região da Africa subsariaana.

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    1. Corr. ...apesar da fome estar mais na região da Africa subsariaana.

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  2. O Egito antigo foi o maior império de sua era. Hoje é um país pobre de terceiro mundo. Um retrato do próprio continente africano.

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